Vitrali Moema

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Paulista faz engenharia aeroespacial na Rússia e quer se tornar astronauta

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Nadia Del Corto Baradel, de 27 anos, morava em Ribeirão Pires, no ABC.
Brasileira trabalha em um programa espacial na Lituânia.

Nadia Del Corto Baradel na Cidade das Estrelas, em Moscou, área militar onde são treinados os astronautas antes de irem para o espaço (Foto: Arquivo pessoal/Nadia Del Corto Baradel)

Nadia Del Corto Baradel na Cidade das Estrelas, em Moscou, área militar onde são treinados os astronautas antes de irem para o espaço (Foto: Arquivo pessoal/Nadia Del Corto Baradel)

Vanessa Fajardo, no G1

Foi para a Rússia, a terra da cachorra Laika e do astronauta Yuri Gagarin, primeiros seres vivos a chegarem ao espaço, que a brasileira Nadia Del Corto Baradel, de 27 anos, se mudou para estudar engenharia aeroespacial. Deixou a ‘vida caipira’ como ela define, em Ribeirão Pires, no ABC, venceu barreiras como idioma, baixas temperaturas e saudade de casa, e em junho deste ano defendeu o mestrado na mesma instituição em que se graduou, o Instituto de Aviação de Moscou.

Sem intenção de voltar para o Brasil, depois de sete anos na Rússia, Nadia se mudou para Lituânia para trabalhar em um programa espacial. Porém, seus próximos planos têm um endereço que a fascina desde muito tempo: o espaço. Agora ela quer se tornar astronauta.

A especialidade da jovem é a construção de veículos espaciais e foguetes de grande porte. Ela explica que os foguetes têm a função de levar bombas e satélites para astronautas que estão em órbita, como se fosse um ônibus. “É um meio de locomoção que leva o que chamamos em português de carga útil.”

Para fazer parte de algum programa aeroespacial e me tornar astronauta tenho de trabalhar muito. Muitos cosmonautas se formaram no instituto onde estudei, dois deles, inclusive, estão no espaço agora mesmo”
Nadia Del Corto Baradel, engenheira aeroespacial

Em 2011, como trabalho de conclusão de curso na graduação, Nadia criou um microsatélite capaz de estudar a atividade solar, que influência a vida na Terra e o trabalho dos astronautas nas estações espaciais. “O interessante deste satélite é o meio por qual se movimenta, por ‘velas solares’, como se fosse uma propulsão ecológica e barata.”

O trabalho rendeu a brasileira várias premiações, entre elas, a de melhor inventor de Moscou em março deste ano e o primeiro lugar no concurso de projetos inovadores da Câmara do Comércio da Federação Russa.

Depois de conquistar os diplomas de graduação e mestrado, Nadia quer chegar à Estação Espacial Internacional (ISS), um laboratório onde são feitas pesquisas e experimentos, para trabalhar em programas governamentais. Mas ela sabe que para chegar lá precisa enfrentar uma longa jornada.

“Para fazer parte de algum programa aeroespacial e me tornar astronauta tenho de trabalhar muito. Muitos cosmonautas se formaram no instituto onde estudei, dois deles, inclusive, estão no espaço agora mesmo. Preciso de boa experiência de trabalho e muito profissionalismo”, afirma. “O Brasil não tem uma participação tão ativa na EEI como a Rússia ou os Estados Unidos, e como sou brasileira, só posso fazer parte de algum programa espacial do meu país, nenhum outro me aceitaria.”

Nadia Del Corto Baradel em frente ao Instituto de Aviação de Moscou (Foto: Arquivo pessoal)

Nadia Del Corto Baradel em frente ao Instituto de
Aviação de Moscou (Foto: Arquivo pessoal)

A brasileira nascida em São Bernardo do Campo não sabe dizer bem por que escolheu estudar engenharia espacial. “Toda vez que me perguntam tenho dificuldade para responder. Sempre gostei de aviação e minha mãe tem um primo que desde o 14 anos serviu a aeronáutica. Sempre fui fã dele.” Nadia diz que em 2006, quando foi para Rússia ainda não havia o curso de engenharia aeroespacial no Brasil – criado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 2010.

Para embarcar, Nadia teve de convencer o pai Donizeti Antonio Baradel, desenhista e projetista, que não tinha simpatia pela ideia de ela deixar o país para estudar. A mãe Irani Del Corto não se opôs, pois achava que a filha tinha habilidade para aprender idiomas e seria uma boa experiência, mas não a via como engenheira – muito menos aeroespacial.

Longe da família, a brasileira diz que teve anos difíceis na Rússia, mas não os trocam por nada. “Não acredito que tenha existido uma maior dificuldade. É como uma bola de neve, um probleminha atrás do outro: saudade dos amigos, o custo de vida em Moscou, uma cidade muito cara, a dificuldade do idioma. Quando não se sabe falar russo é muito difícil encontrar alguém que ajude.”

Com o rigor do inverno, Nadia logo se acostumou. “Aprendi que não existe ‘frio ruim’, existe ‘roupa ruim’, assim dizem os russos. Alimentação também conta muito, mas encarar uma temperatura de – 35°C não é brincadeira.” A jovem não convive com brasileiros, por isso hoje, depois de sete anos, considera que fala melhor russo do que português. “Falo português só com meus pais pela internet.”

A jovem diz que tentou algumas oportunidades profissionais no Brasil, mas não teve nenhuma resposta concreta. “Na dúvida, resolvi ficar por aqui.”

Nadia com a estátua de Yuri Gagarin, primeiro homem a viajar para o espaço (Foto: Arquivo pessoal)

Nadia com a estátua de Yuri Gagarin, primeiro homem a viajar para o espaço (Foto: Arquivo pessoal)

Cápsula de preparação aos astronautas na Cidade das Estrelas (Foto: Arquivo pessoal)

Cápsula de preparação aos astronautas na Cidade das Estrelas (Foto: Arquivo pessoal)

Bicicleta sem freio: Amor, Arte & Rock’n Roll

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Tatiany Leite, no Vá ler um livro

Você já deve ter visto alguma arte da galera do Bicicleta sem Freio. Já publicados em diversas revistas e autores de alguns dos convites mais criativos dos últimos tempos, o grupo artístico é formado pelos brasileiros Douglas, Renato e Victor que “pintam, ilustram e dão vida a uma infinidade de personagens carregados de puro Rock’n Roll”. Se você é de São Paulo, já deve ter visto as artes destes meninos ilustrando convites, estampas, revistas, quadrinhos e tudo mais que imaginar. Ao se conhecerem no curso de Artes Visuais, da Universidade Federal de Goiás, o BSF (Bicicleta sem freio) acabou conquistando um pessoal de longe, que ficou entusiasmado em publicar seus desenhos em um livro. E foi assim, na primeira publicação, que a editora argentina Jellyfish, criada por Nadia Patrian, veio parar nessas terras brasileiras.

Jellyfish é, nas palavras de sua própria criadora, “uma medusa em formato de livro que circula pelos mares segundo as correntes artísticas contemporâneas” e tem o foco de, nada mais nada menos, divulgar a arte de “artistas que não estão no olho do furacão, em galerias, em museus, em livros consagrados de editoras consagradas”. E, em sua primeira publicação, Bicicleta sem Freio, somos contemplados com uma edição bem trabalhada, com uma apresentação traduzida em três línguas(espanhol, português, inglês), tiragem de 2.000 exemplares, pôster e, claro, as mais diversas artes do trio que enche nossos olhos de cores, psicodelia & rock’n roll. Sem muito o que dizer – apenas amar – a publicação dessa nova editora, que merece ficar na mesa de centro para ser vista por todos que entram em casa, só nos faz agradecer por saber que ainda existem pessoas que enxergam a verdadeira arte nos cantos mais remotos e por ainda existir pessoas que fazem arte de verdade.

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Conheça mais sobre o trabalho dos caras:Flickr e Fan page

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