Posts tagged Natureza

A natureza é o único livro…

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dica do Otávio Cardoso

Editora suspende distribuição de livro de psiquiatra acusada de plágio

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Juliana Gragnani e Laura Capriglione, na Folha de S.Paulo

O selo Fontanar, da Editora Objetiva, decidiu suspender a comercialização e a distribuição do livro “Corações Descontrolados”, da psiquiatra de Ana Beatriz Barbosa Silva. Autora de livros de autoajuda psiquiátrica que são campeões de vendas, ela é acusada de plágio.

A médica psiquiatra Ana Carolina Barcelos Cavalcante Vieira, que trabalhou na clínica Medicina do Comportamento, de Ana Beatriz, alega que “Corações Descontrolados” tem trechos que são cópias de textos de sua autoria. Ela diz que entrará na Justiça contra Ana Beatriz e a Objetiva com ação de indenização por danos morais e materiais na próxima semana.

A psiquiatra e escritora Ana Beatriz Barbosa Silva (esq.) e a autora de novelas Gloria Perez

A psiquiatra e escritora Ana Beatriz Barbosa Silva (esq.) e a autora de novelas Gloria Perez (Divulgação)

A acusação de Ana Carolina soma-se à do médico Tito Paes de Barros Neto, pesquisador do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, autor do livro “Sem Medo de Ter Medo” (Casa do Psicólogo, 2000). Segundo Barros Neto, no início de 2012, uma amiga procurou-o para dizer que tinha lido um livro “igual” ao dele.

Em nota, a Editora Objetiva afirmou estar consultando advogados a respeito da questão. “Diante da natureza das questões levantadas sobre essas duas obras, vamos iniciar uma avaliação interna da eficácia de nossos processos de análise de originais recebidos.”

“Corações Descontrolados” vendeu 50 mil exemplares. Em novembro, sofreu alterações nos trechos onde foi detectado plágio. “Mentes Ansiosas”, cujas vendas foram suspensas em outubro, chegou a vender 200 mil exemplares.

Procurada, a psiquiatra não foi localizada nem em sua clínica nem por intermédio da assessoria de imprensa, que não respondeu aos recados deixados pela Folha.

O advogado Sydney Limeira Sanches, que representa Ana Beatriz, declarou nesta sexta (1º) que a decisão da Objetiva não tem fundamento. “Hoje está sendo comercializada uma versão que não tem nenhuma referência com o que está sendo reivindicado pela dra. Ana Carolina Barcelos Cavalcante Vieira”. Ainda segundo ele, Ana Beatriz não dará entrevistas sobre o assunto. (mais…)

Por que nos lembramos melhor do que lemos no Facebook em vez do que vemos nos livros?

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Pesquisa aponta que os posts lidos na rede social são mais recordados do que rostos e textos conhecidos.

Publicado no Tecmundo

 

Por que nos lembramos melhor do que lemos no Facebook em vez do que vemos nos livros? (Fonte da imagem: Thinkstock)

De acordo com o Daily Mail, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Warwick, na Inglaterra, apontou que os posts publicados no Facebook são uma vez e meia mais lembrados do que frases extraídas de livros conhecidos, e duas vezes e meia mais lembrados do que o rosto de uma pessoa. E você pensando que todo mundo ia se esquecer daquele seu comentário infeliz do outro dia!

Segundo os pesquisadores, a diferença com relação ao que é mais lembrado — frases, rostos ou posts — é tão assombrosa que pode ser comparada à diferença de memória de pessoas que sofrem de amnésia e pessoas com memórias normais.

“Comédia da vida privada”

Por que nos lembramos melhor do que lemos no Facebook em vez do que vemos nos livros? (Fonte da imagem: Thinkstock)

Conforme explicaram os cientistas, a chave do sucesso dos posts no Facebook é o fato de o nosso cérebro ter mais facilidade em lidar com formas mais coloquiais de linguagem, já que as publicações normalmente adotam um formato bem casual e espontâneo, parecendo-se muito com a maneira como as pessoas se comunicam no dia a dia. Muitas vezes, esses breves comentários nem mesmo apresentam sinais ortográficos ou estruturas gramaticais corretas.

Além disso, a natureza das publicações geralmente envolve temas triviais ou relacionados com a vida privada de alguém — olha a fofoca aí! —, e as nossas mentes são como esponjas para esse tipo de assunto. E olha que essas historinhas são atualizadas 30 milhões de vezes a cada hora. Haja assunto!

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Crítica: Vítima de armadilha alegórica, livro de Mia Couto resulta em vazio

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O escritor Mia Couto está lançando seu 12º livro pela editora Companhia das Letras

Adriano Schwartz, na Folha de S.Paulo

Há algum tempo não lia um livro de Mia Couto. Na minha memória precária, o escritor moçambicano encaixava-se naquela longa, longa lista de autores profundamente influenciados pela obra de Guimarães Rosa.

Ao ler agora “A Confissão da Leoa”, curiosamente, surgia-me a todo instante outro nome.

Não se tratava mais da tentativa, malsucedida, de reconfigurar a linguagem de invenção do criador de Diadorim, mas sim de uma “vontade de estranheza” que ecoava, descaracterizada, trechos isolados de textos de Clarice Lispector (se, aqui, alguém se lembrar das infinitas citações da autora presentes no Facebook, está na pista certa).

Trata-se de passagens de tom edificante que povoam todo o romance, como: “De novo nos regíamos por essas leis que nem Deus ensina nem o Homem explica”; ou “naquele noturno esconderijo aprendi a rir para dentro, a gritar sem voz, a sonhar sem sonho”.

Ou ainda “não sou do dia, não sou da noite. O poente era a hora em que eu retornava a casa, exausto das minhas brincadeiras, nesses pátios que se abriam como uma extensa savana onde me imaginava caçando”.

ATAQUE DE LEÕES

“A Confissão da Leoa” conta a história de uma vila atemorizada por ataques de leões que já haviam matado inúmeras pessoas e na qual coexistiam antigas tradições tribais e uma administração modernizante e corrupta.

Alternam-se, na narrativa, dois diários, o de uma moça intimamente vinculada a uma série de desgraças ocorridas no local, e o de um caçador contratado para eliminar os animais, que, devido ao seu passado conturbado, seria incapaz de resolver a situação.

Essa mistura de conhecimentos ancestrais, tradições místicas, particularidades do universo feminino, manifestações violentas da natureza e relações complexas entre o campo e a cidade conduz a uma armadilha alegórica hiperpotencializada de que é difícil escapar e da qual, ao final, sobra muito pouco.

Para retomar essa hipotética ligação com Clarice Lispector, a despeito de ser sempre um pouco cruel fazer esse tipo de coisa, o que nela resulta, ao término de quase qualquer texto, em assombro e perturbação, aqui, neste novo romance de Mia Couto, resulta em vazio.

Ou, como um personagem de “A Confissão da Leoa” diz a certo momento: “Se eu leio, sabe o que sucede? Deixo de ver o mundo”.

ADRIANO SCHWARTZ é professor de literatura da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.

foto: Bel Pedrosa/Companhia das Letras

A ostentação da aparência

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Imagem Google


Publicado originalmente no FBDE Nexion

Gosto de livros. Sou o famoso “rato de biblioteca”.

Quem quiser me encontrar nos fins de semana é só dar uma volta nas livrarias da cidade. Passo horas lendo resenhas e orelhas de livros, hesitante entre levar um título ou outro e, quase sempre, acabo levando os dois.

Aproveito também para observar as pessoas ao meu lado, personagens reais dessa obra-prima chamada vida. Observo essas pessoas através de seus gestos, expressões e vozes.

Geralmente olho para uma pessoa e arrisco um palpite sobre qual tipo de livro ela está procurando. Na maioria das vezes acabo acertando.

Observar a natureza humana faz parte do meu trabalho. Porque consultoria nada mais é que analisar a cadeia das relações humanas dentro de uma estrutura de negócio ou de um segmento de mercado.

E dentro deste meu hábito de observar, tenho percebido que as pessoas têm comprado um novo gênero de literatura: o livro para não ser lido, ou melhor definindo, o livro cenográfico.

Eu sei que é um paradoxo. E sei também que é um fenômeno de uma sociedade cada vez mais competitiva onde o aparentar é tão importante quanto o ter competência. Talvez seja um tema que Maslow poderia responder na sua “Hierarquia das Necessidades”.

Para alguns, o livro está se tornando muito mais um objeto de decoração de mesinha de centro do que propriamente um instrumento para se adquirir conhecimento.

Já perdi a conta de reuniões sociais em casas de amigos ou conhecidos em que me deparo com um livro que já li, decorando uma mesa na sala de estar, e começo a puxar assunto sobre o texto.

Por mais de uma vez, o dono do livro não fazia a mínima idéia do que eu estava falando. Nunca tinha aberto nem tampouco folheado o índice da obra. Mas deixou ali porque alguém comentou que ter um Thomas Hobbes, por exemplo, daria um ar de erudição.

Recentemente, fiquei entusiasmado com uma biblioteca na casa de uma conhecida e comentei sobre alguns livros ali expostos. Concluí que ela tinha lido não mais do que meia dúzia deles, e quase todos com conteúdo semelhante ao do “gotas de sabedoria inspiradoras”.

Estamos falando aqui do mais novo produto de consumo da vida moderna: “a imitação da erudição”.

Parecer culto e universal está na moda. Entrar nessa onda não requer prática nem habilidade. Muito menos conhecimento. Basta encher sua casa ou sua sala no escritório de livros de autores que tenham densidade e que sejam reconhecidamente consagrados.

Dê preferência às edições de luxo, de capa dura com belas fotos. Ficam ótimas na estante ou na mesa da sala. É mais chique do que ter um quadro.

E assim, temos uma geração de pessoas que ostentam seu “conhecimento” com estantes lotadas de Voltaire, Saramago, Salinger, Nieztsche, Platão e outros autores que mereciam leitores que fossem além do texto da orelha.

Quero deixar claro que não me considero nem de longe um erudito. Sou, no máximo, um curioso esforçado.

Minha lista de livros importantes não lidos é infinitamente maior do que os que li. Minha dívida com os grandes autores nunca será paga. Sempre estarei devendo a leitura de uma obra, ou melhor, de centenas delas.

Mas se essa moda é novidade entre os círculos sociais, no ambiente corporativo já é uma prática com maior quilometragem.

Profissionais que escondem suas carências atrás de diplomas simetricamente colocados na parede. Alguns destes certificados, muitas vezes, de cursos que mal freqüentou. Na verdade, transformam seu escritório em sala cenográfica.

Em palestras e seminários, observo um fenômeno interessante: um ou outro profissional que está unicamente à caça de diplomas. Colecionadores de certificados, como nossos filhos que colecionam figurinhas.

Foi a partir daí que comecei a identificar este perfil de profissional extremamente preocupado em aparentar competência.

Um indivíduo que é afeito a fazer citações, usar termos em língua estrangeira ou falar sobre um novo vinho Malbec. Ele é craque em tentar impressionar profissionais de RH nas entrevistas de emprego. E com sua desenvoltura, consegue ser o centro das atenções em reuniões com pessoas menos experientes ou de boa fé.

Mas no fundo tem profundidade rasa.

Muitos deles conseguem fazer carreira nas empresas. E, eventualmente, alcançam altos postos. Nesta caminhada, encontram outros como ele, que também aparentam e ostentam conteúdo.

E assim, juntos, começam a estrelar uma temporada do que eu costumo chamar de “teatro da eficiência”.

O palco pode ser qualquer lugar: a sala de reunião, o corredor da empresa, a copa do café, o estacionamento, a recepção. Qualquer lugar que tenha uma platéia.

E, então, começamos um efeito em cadeia. Se esse profissional não tem profundidade, ele faz análises equivocadas e toma decisões inconseqüentes na área em que atua.

Ou seja, sua inaptidão migra para o produto, para os comandados e para a empresa. E aí, na primeira dificuldade, na primeira curva negativa de vendas, agarra-se a qualquer livro de auto ajuda, desses que vendem aos borbotões, com histórias previsíveis, frases clichês e pirotecnia emocional.

As únicas vendas que ele consegue aumentar são as do livro.

Sugiro uma reflexão: que todos nós nos dediquemos persistentemente à busca de um conhecimento verdadeiramente real, entendendo que não existem atalhos nessa busca. Leva tempo, é preciso esforço e a disciplina é fundamental.

Outro dia eu estava procurando na televisão um documentário anunciado no dia anterior na TV a cabo. Enquanto surfava, passei pela MTV. Na tela, em fundo escuro e letras garrafais, um aviso: “Desligue a TV e vá ler um livro”.

Depois de ver por alguns segundos aquele anúncio estático, tomei a decisão mais acertada: fui ler um livro!

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