Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

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Viciados em metanfetaminas: Livro diz que nazistas eram movidos a drogas

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David Segal, no Terra

Diante da quantidade imensa de livros já dedicados aos nazistas e Hitler, seria possível presumir que tudo de interessante, terrível e bizarro já seja de conhecimento sobre um dos regimes mais notórios da história e seu líder genocida. Mas então surge Norman Ohler, um romancista de fala mansa de 46 anos de Berlim, que remexeu os arquivos militares e encontrou este fato surpreendente: o Terceiro Reich era movido a drogas.

Na verdade, todo tipo de drogas e em quantidades assombrosas, como Ohler documenta em “Blitzed: Drugs in Nazi Germany” (algo como “Drogados: Drogas na Alemanha Nazista”, em tradução livre, ainda não lançado no Brasil), um best-seller na Alemanha e no Reino Unido que será publicado em abril nos Estados Unidos, pela editora Houghton Mifflin Harcourt. Ele esteve em Nova York e se sentou para uma entrevista, antes de fazer uma palestra em um loft no East Village, perto da faculdade Cooper Union.

“Trata-se na verdade de meu antigo bairro”, ele disse, enquanto bebia um suco de uva em um sofá. “Eu morei aqui enquanto escrevia meu primeiro romance, uma história de detetive.”

Ohler fez uso de seu interesse por investigação durante os cinco anos que precisou para pesquisar e escrever “Blitzed”. Por meio de entrevistas e documentos que não foram estudados cuidadosamente antes, ele descobriu novos detalhes sobre como era fornecido regularmente aos soldados da Wehrmacht metanfetamina de uma qualidade que daria inveja a Walter White, do seriado “Breaking Bad: A Química do Mal”. Milhões de doses, embaladas como pílulas, eram tomadas nos combates ao longo de toda a guerra, parte de uma campanha contra a fadiga, direto da fábrica para o fronte, aprovada oficialmente.

Assim como a ressaca ocorre após o efeito das drogas, essa estratégia farmacológica funcionou por algum tempo (ela foi crucial para a invasão turbinada e derrota da França em 1940) e depois não, mais notadamente quando os nazistas ficaram atolados na União Soviética. Mas o retrato mais vívido do abuso e abstinência em “Blitzed” é o de Hitler, que por anos recebeu por seu médico pessoal doses injetadas de poderosos opiáceos, como o Eukodal, uma marca de oxicodona que já foi avaliada por William S. Burroughs como “realmente horrível”. Por alguns poucos meses sem dúvida eufóricos, Hitler também recebias doses de cocaína de alto grau, uma combinação de sedação e estímulo que Ohler compara a um “speedball clássico”.

“Há todas essas histórias sobre líderes do partido vindo para se queixarem de suas cidades bombardeadas”, disse Ohler, “e Hitler apenas dizia: ‘Vamos vencer. Essas perdas nos deixam mais fortes’. E os líderes diziam: ‘Ele sabe de algo que não sabemos. Ele provavelmente conta com uma arma milagrosa.’ Ele não tinha uma arma milagrosa. Ele tinha uma droga milagrosa, para fazer com que todos pensassem que ele tinha uma arma milagrosa.”

Magro e ossudo, Ohler transmite discretamente o humor mordaz que ocasionalmente vem à tona em seu livro. “Blitzed”, ele explicou, nasceu quando um amigo de Berlim, que é DJ e fã de substâncias que alteram a percepção, perguntou: “Você sabia que os nazistas se enchiam de drogas?” Enquanto crescia em Munique, o amigo ouviu sobre o uso de metanfetamina na guerra por ex-soldados.

Fora um documentário sobre o assunto, Ohler encontrou pouca informação online. Então ele contatou um acadêmico do documentário, que forneceu dicas valiosas sobre como pesquisar nos arquivos militares, que não eram indexados para buscas sobre “drogas”. Inicialmente, o resultado de sua pesquisa era destinado para um quarto romance, mas seu editor lhe disse que a história era louca demais para ficção. Ele foi aconselhado a contá-la de modo direto.

A história pode ser uma disciplina traiçoeira para neófitos, mas alguns profissionais deram altas notas ao exaustivamente pesquisado “Blitzed”, que conta com meticulosas notas de rodapé. O renomado biógrafo de Hitler, Ian Kershaw, o chamou de “trabalho acadêmico sério”. E apesar de elementos dessa história já terem sido contados, a extensão do consumo de narcóticos pelos soldados nazistas e por Hitler surpreendeu até mesmo aqueles que passaram décadas pesquisando essa época.

Como isso é possível?

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“É um dos velhos problemas da especialização”, disse Antony Beevor, autor de vários livros altamente respeitados sobre a Segunda Guerra Mundial. “Nenhum historiador sabe muito sobre drogas. Quando alguém de fora vem com mente aberta e interesses diferentes, os resultados podem ser fantásticos e muito esclarecedores.”

O fascínio de Ohler por drogas vem de uma experiência pessoal. Quando tinha 20 e poucos anos e estava visitando Nova York, ele tomou um ácido e alucinou um distúrbio racial em plena escala na Segunda Avenida.

E ele fez outras viagens?

“Sim”, ele disse.

“Blitzed” começa com o sucesso dos alemães no século 19 como preeminentes inventores, fabricantes e exportadores de drogas mundiais, indo desde o benigno (aspirina) ao infame (heroína). Uma dessas drogas foi a metanfetamina, que era inicialmente comercializada livremente nas farmácias ao público alemão como estimulante para todas as finalidades, desde o combate à depressão até febre do feno.

Tubos vermelhos, brancos e azuis de pílulas, vendidos sob o nome comercial de Pervitin, chamaram a atenção de um médico da Academia de Medicina Militar em Berlim, que supervisionaria a logística do fornecimento de milhões de pílulas às tropas. Os soldados alterados corriam incansavelmente pelas Ardenas no início da guerra, um desempenho adrenalizado que deixou Winston Churchill “estupefato”, como ele escreveu em suas memórias. Um general alemão se gabou posteriormente de que seus homens permaneceram acordados por 17 dias consecutivos.

“Acho que isso é um exagero”, disse Ohler, “mas a metanfetamina foi crucial naquela campanha”.

O outro foco de “Blitzed” é um homem há muito considerado um dos farsantes da era: Theodor Morell, o médico corpulento e arrogante que conquistou a confiança de Hitler em 1936, após curar uma dor de estômago que afligiu o Fuhrer por anos. Um oportunista e maestro com uma seringa, Morell respondia às exigências incessantes do Paciente A, como ele chama Hitler em suas anotações, com um regime cada vez maior de vitaminas injetáveis, hormônios e esteróides, que incluíam extratos de corações e fígados de animais. (Apesar da dieta de Hitler ser vegetariana, suas veias contavam uma história diferente.) A partir de meados de 1943, o coquetel passou a incluir quantidades generosas de opiáceos.

“Historiadores tentaram explicar os tremores que Hitler passou a exibir em 1945 dizendo que ele sofria de Parkinson”, disse Ohler. “Eu não descartaria isso, mas não há prova. Eu acho que Hitler estava sofrendo de síndrome de abstinência.”

Ohler acredita que o consumo de drogas por Hitler prolongou a guerra, ao estimular seus delírios. Mas “Blitzed” não aspira mudar nosso entendimento do Nacional Socialismo ou da psique de Hitler, mas sim acrescentar detalhes que fazem outros retratos parecerem incompletos.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

Pesquisadores desvendam a história de livros roubados por nazistas

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Publicado em O Povo

Durante o Terceiro Reich, nazistas confiscaram obras de arte e também livros de judeus. Muitos deles foram parar nas estantes de bibliotecas alemães. Pesquisadores vasculham acervos para devolvê-los aos legítimos donos.Em meio aos cerca de 8,5 milhões de livros do acervo das bibliotecas da Universidade Livre de Berlim, Ringo Narewski e sua equipe têm uma nobre missão: encontrar livros que foram confiscados de judeus por autoridades nazistas durante o Terceiro Reich (1933-1945). O objetivo dos pesquisadores é devolvê-los ao legítimos donos.

O caminho até devolução, porém, é longo e exige um minucioso trabalho de investigação. O ponto de partida é a identificação de todos os livros impressos antes de 1945. A universidade estima que cerca de 1,5 milhão de livros se encaixem nesta categoria.

“A maior dificuldade neste trabalho é o volume de livros para serem avaliados sem termos qualquer estimativa sobre o resultado final. Além disso, se há a suspeita sobre determinada obra, é preciso muito tempo para desvendar 70 anos de história de uma pessoa”, afirma Narewski, diretor do grupo de trabalho responsável por identificar obras saqueadas por nazistas que fazem parte do acervo de bibliotecas da universidade.

Nesse trabalho de detetive, a Universidade Livre de Berlim ganhou reforço extra há um ano. Além dela, três instituições – a Fundação Nova Sinagoga, a Universidade de Potsdam e a Biblioteca Estadual de Berlim – reuniram as informações sobre pesquisas realizadas nesta área num banco de dados online, o “Looted Cultural Assets” (bens culturais roubados).

Pegadas no Brasil

Nos últimos anos, a instituição verificou cerca de 44 mil livros. Atualmente, eles investigam a origem de 2 mil assinaturas em livros. E uma dessas histórias tem passagem pelo Brasil.

Um dos livros roubados encontrados no acervo pertenceu ao jornalista Ernst Feder, que fugiu de Berlim para Paris em 1933. Com a marcha nazista em direção à França, Feder emigrou para o Brasil em 1941, onde viveu, em Petrópolis, até 1957, quando retornou para Berlim.

Sua biblioteca, com quase 10 mil títulos, foi saqueada pelo regime nazista, e um destes exemplares foi parar na Universidade Livre de Berlim. No momento, os pesquisadores tentam entrar em contato com os herdeiros do jornalista para devolver a obra.

Saques durante o Terceiro Reich

De acordo com o historiador Götz Aly, a prática do confisco foi instrumentalizada pelos nazistas para garantir a lealdade da população alemã ao regime. Segundo ele, o roubo e redistribuição de bens e economias dos judeus, na Alemanha e, posteriormente, em países ocupados, favoreciam economicamente o povo alemão.

As coleções roubadas foram distribuídas entres bibliotecas públicas, centros culturais nazistas e funcionários do regime. Depois da Segunda Guerra Mundial, muitas destas peças foram vendidas a antiquários ou doadas para instituições.

Desta maneira, livros saqueados foram parar também em estantes de bibliotecas criadas depois de 1945, como é o caso das da Universidade Livre de Berlim, fundada em 1948. Segundo Narewski, além das doações privadas, as bibliotecas da instituição receberam livros confiscados de funcionários do regime nazista pelo exército americano no fim da guerra.

Longa investigação

O atual projeto da equipe de Narewski se concentra na análise de cerca de 70 mil livros que foram adquiridos pela universidade entre 1952 e 1968. Com os títulos suspeitos em mãos, a próxima fase é buscar nos livros pistas sobre suas origens, que podem ser um carimbo, um nome escrito a caneta, um ex libris (selo personalizado que identifica as obras de bibliotecas particulares ou públicas) ou algum número de referência. Descoberta alguma identificação, começa o trabalho para decifrar a história e o percurso percorrido por esse livro até chegar às estantes da biblioteca.

A investigação mais longa da universidade já dura três anos e é referente a um livro que pertenceu à família Frohmann-Holländer, de Frankfurt, que, perseguida durante o regime nazista, fugiu para os Estados Unidos.

“Não sabemos o que aconteceu com essa biblioteca durante três anos na década de 1930, antes da emigração da família. Como há a possibilidade de que alguns destes livros tenham sido vendidos na época, não podemos afirmar com certeza se a obra foi confiscada, por isso, ainda não podemos devolvê-la, e a pesquisa continua”, explica Narewski.

Após reconstruir a história dos livros, o grupo precisa desvendar a história dos proprietários legítimos dos títulos e de suas famílias para poder restituí-los. E aqui há outra dificuldade, entrar em contato com estas pessoas. Muitas vezes, pesquisadores sabem quem são os herdeiros, mas não conseguem ter acesso a eles, e, em alguns casos, e-mails ou cartas enviados são ignorados pelos destinatários.

Trabalho que compensa

Nos últimos dois anos, a Universidade Livre de Berlim devolveu 160 livros que foram saqueados pelos nazistas aos seus legítimos donos. As devoluções a 75 herdeiros e instituições ocorreram na Alemanha, Áustria, Polônia, Letônia, Holanda, Estados Unidos, Israel, República Checa, Reino Unidos e Ucrânia.

“Essa restituição tem uma dimensão moral. Não é uma tentativa de reparação, pois é impossível reparar os crimes cometidos pelos nazistas, mas se trata de devolver às vítimas um pedaço da sua história”, diz Narewski.

O pesquisador destaca que, além de ser uma revisão da história da universidade, esse trabalho preserva a memória daquele período, para evitar que crimes como os cometidos pelo regime nazista voltem a acontecer.

Autor: Clarissa Neher

Poema escrito à mão por Anne Frank vai a leilão

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Anne Frank em foto não datada - Reprodução

Anne Frank em foto não datada – Reprodução

 

Item pode alcançar até R$ 108 mil

Publicado em O Globo

RIO – Um poema de Anne Frank, datado de 28 de março de 1942, vai a leilão e a expectativa é bater os 50 mil euros (cerca de R$ 180 mil). Escrito à mão e com oito linhas, o texto, devidamente assinado, foi encontrado no “livro da amizade” da irmã mais velha de Jacqueline van Maarsen, melhor amiga de Anne.

“Minha irmã (apelidade Cricri) arrancou essa página do livro da amizade dela e me deu, por volta de 1970”, escreveu Jacqueline em carta que acompanha o poema. “Sei que minha irmã não estava tão apegada a esses versos de Anne como eu fiquei com os que ela fez para mim, e esse é o motivo de eu estar colocando isso à venda”.

Segundo a casa de leilões Bubb Kuyper, o poema é um daqueles “tipicamente edificantes, do tipo que costumava ser escrito nesses álbuns de amizade, exortando o dono a fazer o seu melhor e a ser diligente nos trabalhos, para que qualquer um que o reprovasse fosse respondido de maneira honrosa”.

O poema foi escrito meses antes de a família de Anne Frank se refugiar no escritório de Otto, pai de Anne, em fuga pela perseguição dos nazistas aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Foi lá que Anne escreveu seu diário, publicado postumamente e sucesso no mundo todo.

A amiga de Anne Frank que mora no Brasil

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Nanette Blitz Konig no jardim de sua casa em São Paulo. Foto: Luiza Sigulem

Nanette Blitz Konig no jardim de sua casa em São Paulo. Foto: Luiza Sigulem

Setenta anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a holandesa Nanette Blitz Konig, que vive em São Paulo, conta em livro o reencontro em um campo de concentração da Alemanha com a colega de classe que escreveu em um esconderijo de Amsterdã o mais famoso diário da época

Luiza Villamea, no Brasileiros

‘‘Ainda é um mistério para mim como pudemos nos reconhecer”. É assim que Nanette Blitz Konig descreve o reencontro com a amiga Anne Frank, no campo nazista de concentração de Bergen-Belsen, no norte da Alemanha, em janeiro de 1945. Esquelética, Anne caminhava enrolada apenas em um cobertor, pois dispensara as roupas, infestadas por piolhos. No braço, trazia um número tatuado no campo de Auschwitz, na Polônia, onde estivera presa antes de ser despachada para Bergen-Belsen. Nanette se encontrava em melhores condições, mas também esquálida. Perto delas, pilhas de cadáveres. Nada lembrava reuniões anteriores das duas adolescentes, que frequentaram a mesma classe de um liceu judaico em Amsterdã, na Holanda. Em junho de 1942, Nanette tinha festejado o aniversário de 13 anos de Anne na casa da família Frank, com direito a exibição de um filme de Rin-Tin-Tin. Levou um broche para a amiga, que ganhou do pai um caderno de capa xadrez. Nele, Anne escreveu o diário que se tornou um dos maiores fenômenos editoriais do mundo. Setenta anos depois, Nanette acaba de lançar o livro Eu Sobrevivi ao Holocausto – O Comovente Relato de Uma das Últimas Amigas Vivas de Anne Frank.

Na casa em que mora em São Paulo desde os anos 1950, cercada por um amplo jardim, Nanette repete várias vezes que não há nenhum “mérito” em poder relatar sua convivência com Anne, dona de fama internacional: “Foi um acaso”. As duas se conheceram no liceu em Amsterdã. Como outros estudantes de origem judia, elas tinham sido proibidas de frequentar escolas convencionais. Na Holanda invadida por tropas de Adolf Hitler, as adolescentes tiveram experiências similares, mas não chegaram a ser íntimas. Em seu diário, Anne, que vivia sendo repreendida por ser tagarela, até reclama de Nanette, porque “ela falava demais”. As duas, no entanto, eram próximas o suficiente para Nanette ser convidada para a festa de aniversário de Anne, que já sonhava em ser escritora. “Mas, naquele dia, na sala da família Frank, ninguém imaginava que o diário dela seria lido por milhões de pessoas de todo o mundo”, lembra Nanette.

Em julho de 1942, um mês depois de comemorar o aniversário de 13 anos, Anne sumiu da escola. Nanette não estranhou. Afinal, no primeiro ano havia 30 alunos em sua classe. “No segundo, éramos apenas 16”, conta. “As pessoas simplesmente desapareciam.” Parte delas era “deportada” para campos nazistas de concentração. Outra parte conseguia fugir ou se esconder. Nanette acreditou nos boatos de que a família Frank tinha escapado para a Suíça até o dia em que encontrou Anne no campo de concentração de Bergen-Belsen. Com a cabeça raspada, tremendo de frio, Anne contou que a fuga para a Suíça fora uma história inventada por sua própria família para despistar a polícia nazista. Na verdade, por mais de dois anos, ela e outras sete pessoas tinham ficado escondidas em um anexo secreto da empresa do pai, Otto Frank. Para sobreviver, contavam com a cumplicidade de antigos empregados, mas o esquema acabou delatado aos nazistas e todos foram presos e “deportados”.

“Eu Sobrevivi ao Holocausto – Um Comovente Relato de Uma das Últimas Amigas de Anne Frank” – Anette Blitz Konig – 192 páginas – Universo dos Livros. Foto: Divulgação

“Eu Sobrevivi ao Holocausto – Um Comovente Relato
de Uma das Últimas Amigas de Anne Frank” – Anette Blitz Konig – 192 páginas – Universo dos Livros. Foto: Divulgação

Anne também contou que tinha deixado no esconderijo um diário com trechos reescritos, preparados para uma futura publicação. “Ela decidiu fazer isso porque um ministro do governo holandês no exílio pediu que as pessoas guardassem registros pessoais do perío­do da ocupação”, diz Nanette, referindo-se a iniciativa do ministro Gerrit Bolkestein. “No esconderijo tinha um rádio e Anne ouviu o apelo do ministro na BBC de Londres”. Dois meses mais velha que Anne, Nanette jamais planejou registrar seu cotidiano na guerra: “Nunca pensei em ser escritora, mas, como sobrevivente, me preparei para contar sobre o Holocausto”. Hoje com 86 anos, ela tinha 70 quando começou a falar em público sobre a própria saga na Holanda ocupada. “As novas gerações precisam saber”, diz Nanette, que estudou Economia na PUC de São Paulo quando já era avó.

Nascida e criada em Amsterdã, ela tinha acabado de completar 11 anos quando a Deutsche Luftwaffe, a Força Aérea alemã, invadiu a Holanda, em maio de 1940. “A partir desse dia (mais…)

Docente compara judeus a nazistas e é demitido de colégio no RJ

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Publicado no UOL

Um professor de geografia foi demitido do colégio Andrews, no Rio de Janeiro, após aplicar uma prova para a 8ª série onde fez uma comparação entre judeus e nazistas.

“Conforme é sabido, os judeus foram perseguidos por Hitler durante o nazismo. Atualmente um determinado povo é tido como vítima dos israelenses, tendo que viver em assentamentos isolados controlados por Israel. Chegaram invadindo, tomando terras e assassinando… Quem será pior?  Nazistas ou judeus?”, diz o enunciado da questão.

Há ainda uma charge de um soldado com uma suástica à esquerda e, do outro lado, um soldado com a bandeira de Israel.

Segundo Pedro Flexa Ribeiro, diretor da instituição, o episódio é “lamentável” e “fere o projeto educativo e a identidade da escola”.

“Buscamos desde o começo um ambiente escolar plural, democrático, voltado para ensinar o convívio e sempre tivemos entre nossos alunos muitas crianças filhas de famílias judaicas”, disse.

Ribeiro confirmou o desligamento do professor e afirmou que uma equipe do colégio conversou com alunos. “Nós vamos agora estudar estratégias que possam de alguma forma reparar o dano.”

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