Posts tagged Nordeste

Enem 2015: 7 escolas pobres com notas melhores que a de colégios ricos

0

enem-2015-por-escola-arte-escolas-1475597619010_615x300

Bruna Souza Cruz, no UOL

Sete colégios que recebem estudantes pobres tiveram desempenho melhor no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2015 por Escola do que instituições com alunos de alta renda.

O feito contraria as expectativas e indica unidades que conseguem fazer seus alunos superarem muitas barreiras. Os estudantes dessas escolas têm pais que não fizeram o ensino médio e com renda familiar de, no máximo, 1,5 salário mínimo (R$ 1.320).

Apesar disso, essas cinco escolas públicas e duas particulares tiveram resultado maior que a média das escolas com alunos de renda alta (acima de 5 salários mínimos — R$ 4.400). O desempenho médio entre as mais ricas foi de 535,56 pontos.

Por que é mais difícil para as mais pobres?

Uma das variáveis que influencia o aprendizado dos alunos é a questão socioeconômica. Alunos mais ricos tendem a ter resultados melhores e, consequentemente, melhoram as médias das escolas em que estudam, explicam especialistas da área de educação.

“O aluno pobre tem capacidade, mas se ele não teve frequentemente as mesmas oportunidades dos mais ricos, fica mais difícil para ele ter melhores resultados”, explica Francisco Soares, ex-presidente do Inep e pesquisador da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Soares explica que a desigualdade social brasileira reflete nos resultados da educação.

“Aquele que vem de uma família pobre e que não possui nenhum repertório escolar tende a ter o resultado pior do que o estudante igualmente pobre que possui familiares que estudaram”, acrescenta Juarez Dayrell, professor da Faculdade de Educação da UFMG.

Cinco destaques no Nordeste

Das sete escolas, a nota mais alta foi a do colégio particular Patronato Tenente Ângelo de Siqueira Passos, localizado no Ceará. A instituição conseguiu uma média de 556,05.

A segunda colocação ficou com a escola estadual Ensino Médio Augustinho Brandão, no Piauí, com 554,84. Ela foi classificada com o nível socioeconômico mais baixo das sete, faixa que reúne alunos com renda familiar mensal de até um salário mínimo.

Na outra ponta aparece a escola rural professora Maria Marcilia Rezende, em Minas Gerais, que registrou média de 537,51.

Como o cálculo foi feito

Para fazer a comparação, o UOL calculou a média da nota das provas de matemática, linguagens, ciências humanas e ciências naturais no Enem 2015 das escolas com alunos pobres (classificados como de nível socioeconômico muito baixo, baixo ou médio baixo pelo Inep) e daquelas com alunos de classes com melhores condições financeiras (nível socioeconômico médio alto, alto e muito alto).

Escolas de nível muito baixo, baixo e médio-baixo reúnem, em geral, alunos com renda familiar de até 1,5 salário mínimo (R$ 1.320) e os pais não chegaram ao ensino médio. Já as escolas de nível socioeconômico alto e muito alto têm estudantes com renda familiar acima de 5 salários mínimos (R$4.400) e pais que completaram o ensino médio e até fizeram faculdade.

Confira o ranking:

1º PATRONATO TENENTE ANGELO DE SIQUEIRA (Viçosa do Ceará/CE)

Média: 556,05
Rede: Privada
NSE*: Médio Baixo
Total de alunos: 15/ Alunos participantes: 12
Índice de permanência no ensino médio: 80% ou mais

2º ENSINO MÉDIO AUGUSTINHO BRANDÃO (Cocal dos Alves/PI)

Média: 554,84
Rede: Estadual
NSE*: Baixo
Total de alunos: 23/ Alunos participantes: 20
Índice de permanência no ensino médio: 80% ou mais

3º COLÉGIO ESTADUAL CHICO ANYSIO (Rio de Janeiro/RJ)

Média: 554,05
Rede: Estadual
NSE*: Médio baixo
Total de alunos: 49/ Alunos participantes: 47
Índice de permanência no ensino médio: 80% ou mais

4º ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA E PROFISSIONAL DESEMBARGADOR PEDRO RIBEIRO DE ARAÚJO BITTENCOUT (Irecê/BA)

Média: 542,39
Rede: Privada
NSE*: Médio baixo
Total de alunos: 72/ Alunos participantes: 69
Índice de permanência no ensino médio: 80% ou mais

5º INSTITUTO FEDERAL BAIANO – Campus Senhor do Bonfim (Senhor do Bonfim/BA)

Média: 540,74
Rede: Federal
NSE*: Médio baixo
Total de alunos: 121/ Alunos participantes: 118
Índice de permanência no ensino médio: 80% ou mais

6º INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS – Campus Penedo (Penedo/AL)

Média: 540,27
Rede: Federal
NSE*: Médio baixo
Total de alunos: 81/ Alunos participantes: 64
Índice de permanência no ensino médio: 60% ou 80%

7º ESCOLA MUNICIPAL PROFESSORA MARIA MARCILIA REZENDE (Lagoa Dourada/MG)

Média: 537,51
Rede: Municipal
NSE*: Médio baixo
Total de alunos: 25/ Alunos participantes: 18
Índice de permanência no ensino médio: 80% ou mais

*A sigla NSE representa o nível socioeconômico dos estudantes. O cálculo desse indicador foi feito a partir das informações fornecidas pelos próprios alunos.

Estudantes do Nordeste têm a melhor colocação em Olimpíada de História

0
Dos finalistas, 15 times receberam medalhas de ouro, 25 de prata e 35 de bronze

Dos finalistas, 15 times receberam medalhas de ouro, 25 de prata e 35 de bronze

 

Publicado no UOL

Mais de mil alunos e professores de escolas públicas e particulares espalhadas pelo Brasil participaram neste fim de semana da final da 8ª ONHB (Olimpíada Nacional em História do Brasil), realizada na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). A região Nordeste foi a que teve o melhor desempenho do país.

Estudantes da Bahia (6 medalhas), Ceará (19), Pernambuco (4) e Rio Grande do Norte (14) contabilizaram juntos 43 medalhas de ouro, prata e bronze – de um total de 75.

Dos finalistas, 15 times receberam medalhas de ouro, 25 de prata e 35 de bronze, de acordo com informações da organização do evento.

Ouro olímpico

Ceará foi o Estado que conseguiu o maior número de premiações: 1 ouro, 9 prata e 9 bronze, somando 19 medalhas. Os estudantes do time “Vire à Esquerda”, do Colégio Cônego Francisco Pereira (Fortaleza), foram os grandes vencedores regionais com a medalha de ouro.

Os times de São Paulo ocuparam a segunda posição no ranking geral de quantidade de medalhas, com 15. Os três ouros do Estado foram para os alunos dos times “Oxe Filomena”, do Colégio Poliedro (São Paulo), e “Triângulo dos Bermudas” e “Usurpar ou ímpar? Eis a questão!”, ambos do Colégio Termomecanica (São Paulo).

A terceira colocação geral ficou com os estudantes do Rio Grande do Norte, que somou 14 medalhas. Os medalhistas de ouro estudam no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado (campi Mossoró e Ipanguaçu) e fazem parte dos times “1822”, “Azul de Metileno”, “Guantánamo”, “Hanna Pow Pow e os Powzinhos” e “Os Mitos”.

A Olimpíada

A ONHB é um projeto desenvolvido pelo departamento de história da Unicamp e conta com a participação de estudantes do ensino fundamental (8º e 9º anos) e médio de escolas públicas e particulares.

Na competição, as equipes participam de cinco fases online e uma final presencial. A cada etapa, os times vão pontuando. Vencem os que conseguirem as maiores pontuações.

A 8ª edição contou com mais de 40 mil participantes inscritos e o tema central foi “Escola, lugar de história”.

Estudantes de alguns estados foram desclassificados nas fases anteriores e não puderam participar da grade final.

Confira o quadro geral por quantidade de medalhas

Ceará – 19 medalhas (1 ouro, 9 prata, 9 bronze)
São Paulo – 15 medalhas (3 ouro, 4 prata, 8 bronze)
Rio Grande do Norte – 14 medalhas (5 ouro, 4 prata, 5 bronze)
Bahia – 6 medalhas (3 ouro, 1 prata, 2 bronze)
Espírito Santo – 5 medalhas (2 pratas e 3 bronze)
Minas Gerais – 5 medalhas (1 prata e 4 bronze)
Pernambuco – 4 medalhas (1 ouro, 1 prata, 2 bronze)
Mato Grosso – 2 medalhas (1 ouro e 1 bronze)
Pará – 1 medalha (1 bronze)
Rio de Janeiro – 2 medalhas (1 ouro, 1 prata)
Alagoas – 1 medalha (1 prata)
Roraima – 1 medalha (1 prata)

Estudante cria impressora 3D em universidade do Nordeste

0

Ex-bolsista do Ciência sem Fronteiras concluiu a graduação na UFRN.
Ele aproveitou conhecimentos do estágio em empresa de tecnologia inglesa.

impressora

Publicado em G1

João Victor Araújo Tavares desenvolveu, como trabalho de conclusão do curso de engenharia mecatrônica, uma impressora 3D, que pode ser usada na fabricação de protótipos.

O trabalho foi desenvolvido na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde ele se formou, com experiência trazida pelo período em que estudou no exterior.

Nascido em Natal, João fez graduação-sanduíche (modalidade de ensino superior em que parte dos estudos é feita em outro país) como bolsista do Programa Ciência sem Fronteiras (CsF).

Ele viajou ao Reino Unido em janeiro de 2014 e passou um ano na Universidade de Derby, aprofundando os conhecimentos em engenharia automotiva. Durante sua permanência no país, conseguiu uma vaga de estágio em uma empresa de tecnologia, a TDI Derby (Transmission and Distribution Innovations).

“Aprendi detalhes importantes na fabricação de produtos e na confecção de projetos em geral, o que despertou meu espírito empreendedor”, diz. “Realmente senti que meu trabalho foi importante para a empresa e me senti motivado a fazer mais.”

Durante o estágio, João pôde entender as etapas de construção de um produto – daí surgiu a ideia de formular a impressora 3D. O projeto está na fase de pré-incubação no Instituto Metrópole Digital da UFRN, uma unidade suplementar criada em 2011.

João estabelece comparações entre as aulas que teve no Brasil e no Reino Unido. Ele conta que os brasileiros, quando entram na universidade inglesa, têm mais facilidade com a teoria e com a matemática. Já os nativos sabem mais de questões práticas da engenharia.

O jovem também relata que a quantidade de aulas por semana também é diferente no exterior. “Cursarmos apenas três disciplinas por semestre, enquanto no Brasil fazíamos de seis a oito”, afirma João. “Isso possibilitou um maior tempo de estudo individualizado e permitiu que eu executasse as tarefas de cada disciplina com muito mais foco e planejamento.”

9 livros que falam do Nordeste

0

Livros ambientados no Nordeste são de grande importância para a literatura nacional (Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo)

Selecionamos alguns clássicos da literatura brasileira para celebrar o Dia dos Nordestinos

Vinicius Galera, no Globo Rural

Nesta quinta-feira (8/10) foi comemorado o Dia dos Nordestinos. O objetivo da data é celebrar as raízes e tradições culturais do Nordeste. A data também é uma homenagem a um dos maiores poetas populares da região, Patativa do Assaré, nome pelo qual ficou conhecido o cearense Antônio Gonçalves da Silva, que nasceu em 8 de outubro de 1909.

Para homenagear o Nordeste, fizemos uma lista com 9 livros que retratam a região.

1. O Sertanejo

Um dos fundadores do romance brasileiro, o cearense José de Alencar escreveu uma série de livros sobre tipos característicos do país. O Sertanejo, de 1875, conta a história do vaqueiro Arnaldo Loureiro, personagem que luta pelos seus ideais e pelo amor de Dona Flor. Neste romance, Alencar descreve a paisagem do sertão nordestino na região de Quixeramobim (CE).

Ilustração de Poty Lazzarotto para a obra de Euclides da Cunha (Gravura: Poty Lazzarotto)

2. Os Sertões

Marco da literatura brasileira, Os Sertões foi escrito não por um nordestino, mas pelo fluminense Euclides da Cunha. O livro, publicado em 1902, retrata o conflito real ocorrido no arraial de Canudos, na Bahia, quando forças da recém-fundada República brasileira lutaram para acabar com a comunidade que se formou em torno do beato Antonio Conselheiro, num dos momentos mais sangrentos da História do Brasil.

3. A Bagaceira

Primeiro romance daquele que seria chamado de regionalismo nordestino, A Bagaceira, de 1928, é situada num período de seca. Conta a história de Valentim Pereira, obrigado a migrar com sua família do sertão para a região dos engenhos. Sobre seu autor, José Américo de Almeida, João Guimarães Rosa disse que “abriu para todos nós o caminho do moderno romance brasileiro”.

4. O Quinze

Este livro retrata uma das piores secas da história do sertão, a de 1915. A autora, Rachel de Queiroz, situa a narrativa em dois planos em que são contadas as histórias da professora Conceição, que vive caso de amor com o criador Vicente, e a de Chico Bento, obrigado a migrar a pé com a família do sertão de Quixadá para a capital, Fortaleza. Essas histórias, contadas em uma prosa simples e comovente, fizeram com que o romance de 1930 se tornasse um dos clássicos da literatura brasileira.

5. Menino de Engenho

Neste romance de José Lins do Rego, Carlinhos, a personagem principal, conta sua história vivida nos engenhos nordestinos, com costumes e tradições diferentes do Recife, onde começa a narrativa. O menino se encanta com o campo e fica marcado com o ambiente local e com acontecimentos como a chegada de um cangaceiro, histórias contadas por negras escravas sobre a viagem até o Brasil e lendas de lobisomem. A obra foi publicada em 1932.

6. Capitães da Areia

Escrito pelo baiano Jorge Amado, este romance retrata a vida de crianças desamparadas e relegadas a um destino incerto. Para sobreviver, aplicam pequenos golpes pelas ruas de Salvador. Quando lançado, em 1937, o livro teve exemplares queimados em praça pública por determinação do regime da época, o Estado Novo.

7. Vidas secas

Mais um marco da literatura brasileira, Vidas Secas, do alagoano Graciliano Ramos, foi publicado em 1938. Conta a história de Fabiano e sua família, que de tempos em tempos são obrigados a se mudar de regiões castigadas pela seca. A secura do ambiente e das personagens é acentuada pelo estilo do autor, que se tornou característico.

8. Auto da Compadecida

Auto da Compadecida, de 1955, conta as aventuras dos amigos Chicó e João Grilo, que lutam para sobreviver em meio ao ambiente opressivo do sertão. Seu autor, o paraibano Ariano Suassuna, recorreu à forma teatral medieval (o auto) para retratar as características do sertão, incluindo na comédia elementos da literatura de cordel.

9. Cante lá que eu Canto Cá

A poesia de cordel é, sem dúvida, um dos principais representantes da cultura nordestina. E Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, um de seus maiores representantes. Este livro, de 1974, mostra o cantador no auge de sua forma lírica.

Nível de leitura de alunos de 8 anos é considerado baixo em 22 Estados

0

Flávia Foreque, na Folha de S.Paulo

Na primeira avaliação nacional da alfabetização promovida no país, Estados do Norte e Nordeste registraram o pior desempenho no exame, que mediu conhecimentos de português e matemática de cerca de 2,3 milhões de crianças do 3º ano (oito anos de idade) na rede pública.

No extremo oposto, Estados do Sul e Sudeste como Santa Catarina e Minas Gerais tiveram bons indicadores.

A prova foi aplicada no final do ano passado e mediu a aprendizagem com base em uma escala de quatro níveis. Em leitura, 22 Estados brasileiros concentraram mais da metade de seus alunos nos dois níveis mais baixos.

Em matemática, 20 Estados e o Distrito Federal estão nessa situação, o que significa que essas crianças não conseguem analisar informações em gráfico de barras ou resolver problemas de subtração com número de até dois algarismos, por exemplo.

Na semana passada, os dados foram encaminhados às escolas via sistema on-line, ao qual a Folha teve acesso.

O presidente do Inep (órgão do Ministério da Educação responsável pelo exame), José Francisco Soares, explicou que os níveis 2, 3 e 4 são tidos como adequados, ainda que indiquem diferentes estágios de aprendizagem.

A ANA (Avaliação Nacional da Alfabetização) é uma das medidas que integram o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, lançado pela presidente Dilma Rousseff (PT) em 2012.

O ministro Henrique Paim (Educação) afirmou que escolas com baixo desempenho terão atenção especial.

“Nós não estamos satisfeitos, por isso temos o pacto, para melhorar os resultados.”

O Inep não elaborou um indicador nacional com base nos dados de cada escola nem unificou os resultados das três áreas em um indicador de alfabetização. O objetivo é evitar a criação de um ranking nacional com base em prova aplicada a crianças em início de vida escolar.

As escolas também receberam informações sobre o perfil de seu corpo docente e o nível socioeconômico dos alunos, com base na escolaridade e posse de bens e serviços pelos pais.

Alejandra Velasco, coordenadora-geral do movimento Todos pela Educação, destaca que um desempenho ruim nessa fase do ensino fundamental repercute nas etapas seguintes. “O quarto e quinto ano são de consolidação dessa aprendizagem.”

Para ela, a formação de docentes e a infraestrutura das escolas contribuem para o “abismo entre as regiões”.

14268957

 

Go to Top