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PhD em Harvard, brasileira supera fome e preconceito e soma 56 prêmios na carreira

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Arquivo pessoal. Joana D’Arc Félix de Souza é PhD em química pela renomada Universidade de Harvard

 

Eduardo Carneiro, no UOL

 

“Toda mulher dá a sua vida pelo que ela acredita”. A frase é atribuída à Joana D’Arc, a famosa heroína francesa que viveu no século XV, mas pode muito bem ser usada para resumir a história de uma brasileira que tem o mesmo nome mais de 500 anos depois.

Joana D’Arc Félix de Souza, 53 anos, superou a falta de estrutura, a fome e o preconceito para se tornar cientista, PhD em química pela renomada Universidade de Harvard, dos Estados Unidos. Hoje, ela soma 56 prêmios na carreira, com destaque para a eleição de ‘Pesquisadora do Ano’ no Kurt Politizer de Tecnologia de 2014, concedido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abquim).

Desde 2008, ela também é professora da Escola Técnica Estadual (ETEC) Prof. Carmelino Corrêa Júnior, mais conhecida como Escola Agrícola de Franca, cidade do interior de São Paulo, e molda novas gerações a seguirem sua trajetória inspiradora.

Trajetória que começou na própria Franca: filha de uma empregada doméstica e de um profissional de curtume (operação de processamento do couro cru que tem por finalidade deixá-lo utilizável para a indústria e o atacado), Joana mostrou desde cedo que tinha aptidão para o conhecimento.

“Eu era a caçula de três irmãos, tinha certa diferença de idade, então minha mãe me levava com ela para o trabalho. Ela aproveitou que tinham jornais na casa da patroa e me ensinou a ler, para eu ficar mais quieta. Tinha quatro anos e ficava o dia todo lendo”, conta ela ao UOL.

“Um dia, a diretora da escola Sesi foi visitar a dona da casa e perguntou se eu estava vendo as fotos do jornal. Respondi que estava lendo. Ela se surpreendeu, me pediu para ler um pedaço e eu li perfeitamente. Coincidentemente, era começo de fevereiro e ela sugeriu que eu fosse uns dias na escola. Se eu conseguisse acompanhar, a vaga seria minha. Deu certo e com 14 anos eu já terminava o ensino médio”.

O mesmo curtume que deu ao pai casa (a família vivia numa pequena moradia oferecida pelo patrão) e trabalho por 40 anos acabou influenciando a jovem Joana na hora de escolher uma faculdade. Contando com a ajuda de uma conhecida, ela decidiu prestar vestibular em química, pois estava acostumada a ver profissionais da área atuando no trabalho com o couro.

“Uma professora tinha um filho que fez cursinho e pedi o material para ela. Meu pai e minha mãe não tinham estudo, mas me incentivavam. Eles tinham consciência de que eu só cresceria através de estudos. Passei a estudar noite e dia até entrar na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)”, relembra a pesquisadora, que não se deixou abalar pelo preconceito que sofreu até o tão sonhado diploma.

“As cidades de interior têm aquela coisa de sobrenome: se você tem, pode ser alguém, se não tem, não pode. Sempre enfrentei preconceito. Na minha segunda escola, mesmo sendo estadual, tinha aquela coisa de classe para os ricos, classe para os pobres, com tratamentos diferentes. Em Campinas, fora da universidade, também senti um pouco. Infelizmente, o Brasil ainda é um país racista. Pode estar um pouco mais escondido, mas isso ainda existe. Mas não usei isso como obstáculo, e sim como uma arma para subir na vida”.

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A vida acadêmica

Joana, como previa, passou muita dificuldade em Campinas, a mais de 300 km de sua cidade natal. O dinheiro que recebia do pai e do patrão dele permitia que ela pagasse somente o pensionato onde morava, as passagens de ônibus e o almoço na universidade.

“Às vezes pegava um pãozinho no bandejão da universidade e levava para eu comer em casa à noite. Sentia fome, contava as horas para o almoço (risos). No final de semana também era complicado. Mas nunca desisti. Isso chegou a passar pela minha cabeça, mas não desisti. Fazer isso seria jogar tudo que tinha conquistado até ali no lixo”, afirma.

Sua situação só melhorou a partir do segundo semestre, quando começou a iniciação científica e teve o auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). “Quando recebi a primeira bolsa, corri para a padaria e gastei uns 50 reais em doces para matar a vontade”, ri.

Estimulada por professores a seguir na vida acadêmica e encantada pelo campo de pesquisa, Joana ainda concluiria mestrado e doutorado em Campinas – este último com apenas 24 anos. Um dos artigos da cientista saiu no Journal of American Chemical Society, e logo ela recebeu o convite para seguir os estudos nos Estados Unidos.

O pós-doutorado de Joana foi concluído na Universidade de Harvard. Um professor solicitou que ela aplicasse em seu trabalho um problema brasileiro, e ela optou pelos resíduos de curtume nas fábricas de calçados – desenvolveu a partir destas substâncias poluentes um fertilizante organomineral. Questionada sobre a condição de trabalho em solo americano e no seu país natal, a cientista aponta um fator que faz muita diferença.

“Nos Estados Unidos, eu pedia um reagente químico e em duas ou três horas conseguia. No Brasil, até eu arrumar dinheiro, fazer solicitação… Aqui tem mais burocracia. A questão de financiamento para pesquisa é bem mais rápida nos Estados Unidos”.

A brasileira ficaria mais tempo nos Estados Unidos não fosse uma tragédia familiar: sua irmã morreu aos 35 anos, vítima de parada cardíaca, mesma causa do falecimento do pai, apenas um mês depois. Joana decidiu voltar para o Brasil e cuidar da mãe e de quatro sobrinhos deixados pela irmã.

Novamente em Franca, a cientista procurou oportunidades em curtumes da cidade natal até que recebeu o convite para se tornar professora da ETEC em 2008.

“Quis desenvolver este trabalho de iniciação científica desde a educação básica, e o resultado foi excelente. Reduzimos a evasão escolar. A escola é tradicional, tem mais de 50 anos, e é agrícola. Muitos dos alunos são filhos de fazendeiros da região e não sabiam por que estudar. Muitos achavam que o ensino técnico era o fim, era o máximo que iriam conseguir. Mas, com as idas às feiras e congressos, eles começaram a pensar mais alto, em ir para a universidade, e não estudar só porque o pai manda”.

Colhendo os frutos

O trabalho com os resíduos de curtume é só um dos muitos de destaque que Joana executou nos últimos anos. Em especial, ela e sua equipe de alunos em Franca conseguiram desenvolver uma pele similar à humana a partir da derme de porcos. Isso ajudaria no abastecimento de bancos de pele especializados e de hospitais, além de baratear o custo de pesquisas, uma vez que a matéria-prima do animal é abundante e de baixo custo.
Centro Paula Souza/Divulgação

Centro Paula Souza/Divulgação

Centro Paula Souza/Divulgação

O projeto, com depoimento da cientista, está exposto até o mês de outubro no Museu do Amanhã (Rio de Janeiro). Ele é parte da mostra temporária “Inovanças – Criações à Brasileira”, que tem o intuito de revelar trabalhos inovadores de cientistas brasileiros, muitos deles desconhecidos do público.
Joana ainda comandou pesquisa que resultou na produção de um tecido ósseo feito a partir de materiais também encontrados na natureza: escamas de peixes e colágeno de curtume. Ela e alunos da ETEC vão em junho a uma feira em Oswegon, Estados Unidos, apresentar este projeto, juntamente ao da pele artificial a partir de tecido de porco.

Como resultado deste trabalho, a professora e cientista já soma 56 prêmios na carreira. Destaque para a eleição de ‘Pesquisadora do Ano’ no Kurt Politizer de Tecnologia de 2014, concedido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abquim), além de projetos vitoriosos em concursos do Conselho Regional de Química do Estado de São Paulo e da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), que acontece anualmente na USP (Universidade de São Paulo).

Para Joana, porém, a maior recompensa vem no dia a dia. “Alguns jovens estavam no caminho errado, mas fazendo a iniciação científica encontraram um rumo. Eles tomam gosto pela pesquisa. Muitos pais vieram me agradecer, e isso é muito gratificante dentro da escola básica”, diz ela, antes de concluir: “as armas mais poderosas que temos para vencer na vida são a educação e o estudo”

‘Não sou gênio’, diz brasileiro aluno na melhor universidade do mundo

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Caltech (EUA) lidera ranking mundial de universidades pelo 4º ano seguido.
Brasileiros contam como é a rotina puxada de estudos no instituto.

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Cauê Fabiano, do G1

Pelo quarto ano seguido, o Instituto de Tecnologia da Califórnia, também conhecido como “Caltech”, foi eleito novamente a melhor universidade do mundo, de acordo com o ranking divulgado no início do mês pelo Times Higher Education, deixando para trás nomes famosos como Harvard, Oxford, Stanford e Cambridge, respectivamente.

A instituição é uma verdadeira “pequena notável” no meio acadêmico, contando com 2.181 alunos, sendo atualmente 977 alunos de graduação e 1.204 alunos de pós-graduação (incluindo mestrado, doutorado e pós-doutorado), em um ambiente de apenas três discentes para cada professor.

A instituição recebeu 6.625 inscrições para o processo seletivo da turma de 2018, o que representa mais de três vezes o número de alunos em todo o Caltech. Dois dos cinco brasileiros que estudam na universidade contaram ao G1 como conseguiram uma vaga no Instituto, os esforços para acompanhar a puxada rotina de estudos e as dicas para quem deseja estudar no exterior.

No segundo ano do curso de engenharia mecânica e presidente do clube de xadrez do Caltech (ou ‘a’ Caltech, para alguns dos íntimos que preferem usar o termo universidade a instituto), o jovem Vitor Venturi, de 19 anos, revelou que seu interesse pela área e o desejo de estudar fora começaram quando ainda estava no 7º ano do ensino fundamental, ao participar de competições na área de exatas, nas quais conquistou 3 ouros e 3 bronzes na Olimpíada Paulista de Matemática, e viu palestras sobre estudar fora do país, o que serviu como motivação para se dedicar a processos seletivos internacionais durante o ensino médio.

“Foram três anos de muito trabalho, muitos estudos, de sentar a bunda na cadeira e ficar com ela ‘chata’ de tanto se preparar”, brincou Victor, durante a conversa, após o término de uma aula a respeito de equações diferenciais.

Mesmo após passar em 1º lugar na Unicamp, ser aprovado na Escola Politécnica da USP (onde chegou a iniciar o curso) e na UFSCar, além de ser também admitido nas universidades de Columbia e Duke, nos EUA, e a Universidade de Toronto, no Canadá, Victor escolheu estudar no pequeno instituto na cidade de Pasadena, na Califórnia, principalmente pela posição no ranking mundial e a oferta de bolsas. “A Caltech é um pouco mais gentil quanto a bolsas, um pouco mais generosas do que as universidades em geral”, revelou o brasileiro.

“Não sou nenhum gênio, sou apenas um aluno esforçado. E vou dizer: têm bastante gênios aqui na Caltech, que conseguem levar uma vida realmente tranquila, sem estudar tanto. Não são muitos, mas eu não sou um deles. Tenho que ser bem esforçado, organizado, bem disciplinado”, reiterou Victor, que enxerga um modelo mais abrangente a respeito das mentes brilhantes que estudam na universidade.

“É muito interessante que, por exemplo, no ensino fundamental, eu era o melhor aluno da escola. No ensino médio, eu era um dos melhores da escola e, agora aqui, a ideia de melhor aluno não existe, porque todos eram melhores alunos em suas escolas, e todo mundo é incrivelmente esforçado e inteligente. Então aqui a expressão melhor aluno não faz sentido”, destacou.

Rotina

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O ritual diário é o mesmo adotado por alunos na maioria das universidades, mas até certo ponto – acordar, banho, café da manhã e partir para a aula. Contudo, o término do período é somente uma formalidade, já que, para acompanhar o ritmo do instituto, é preciso uma dedicação em tempo integral – às vezes em ritmos nem tão saudáveis, como noites de estudo em claro, ou “noitadas”, como Victor gosta de definir – e já foi vítima de várias.

Como as tarefas, em forma de listas de exercícios, são bastante comuns e contam como parte da nota, além das provas, é bastante comum que os alunos se juntem para resolver os problemas, em um sistema chamado de “Collaboration Policy”, ou política de colaboração, em tradução livre.

“As listas são extremamente difíceis, em especial se comparadas com outras universidades em geral. Juntamos um grupo de 5 a 10 amigos e vamos na biblioteca ou no quarto de algum deles e passamos a noite fazendo as listas e trabalhando nelas. É de fato muito difícil, mas, em geral, é bastante divertido”, frisou o estudante, revelando em tom de modéstia que não se enquadra entre os crânios da instituição.

O clima de boa vizinhança do Instituto, todavia, não abre espaço para “corpo mole”. Segundo o estudante, existe um acirrado clima de disputa entre os discentes, mas que isso também acaba sendo positivo para servir como diferencial para a escola. “O pessoal aqui é bem competitivo. Mas, se nós não fôssemos competitivos, não seríamos os primeiros do mundo. Nós somos pessoas competitivas, mas numa ideia de competição saudável. A gente dá o melhor que a gente consegue, e temos ciência do que estamos fazendo”, explicou o jovem.

‘Casa’ pequena e boa fofoca

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De acordo com a instituição, o campus do Instituto de Tecnologia da Califórnia possui apenas 50 hectares (cerca de 500 metros quadrados), um nanico em comparação aos 800 hectares da Cidade Universitária, em São Paulo. Além de deixar os estudantes mais próximos e facilitar o contato com os professores, que almoçam no refeitório comum e dedicam horas do dia para receber os discentes, o clima mais intimista da instituição facilita que a “boa fofoca” se espalhe rápido – não o clássico “quem ficou com quem”, mas sim a respeito de avanços científicos ocorridos dentro do campus.

“Você fica sabendo de tudo que acontece no campus rapidinho. Se alguém acabou de descobrir um novo composto químico que tem propriedades X e Y, você vai saber no dia, porque tem um amigo que trabalha naquele laboratório que o professor descobriu esse composto”, exemplificou, destacando que o tamanho reduzido também acaba tornando a universidade menos burocrática.

Essa característica compacta do campus também funciona como “ponto negativo” da universidade, e Victor assume que ficou mais preguiçoso para se deslocar distâncias maiores, já que tudo é naturalmente muito próximo. A “Avery”, uma das oito residências estudantis e que fica mais afastada das demais, está a até cinco minutos de qualquer parte do campus, o que faz com que alguns alunos usem o local ponto de referência de tempo. “A gente começa a medir distância em ‘Averys’. ‘Vamos comer em tal lugar? Não, isso tá a duas Averys de distância'”, brincou o brasileiro, confessando que já considera andanças de mais de cinco minutos “uma p… caminhada”.

Ainda decidindo entre as áreas de nanotecnologia e robótica e com planos de cair de cabeça no mundo acadêmico e conseguir um PhD nos EUA – ainda que diga que cientistas, em geral, são “meio capengas, meio pobrinhos”, Venturi afirmou que alunos que desejam estudar no exterior precisam focar nos estudos desde cedo, buscando diferenciais e lembrando da importância da interdisciplinaridade.

“Seja um bom aluno, top 5 do seu ano na escola. E não só um aluno que estude, e que faça outras coisas que não seja sentar a bunda na cadeira. As universidades americanas estão interessadas em pessoas que fazem muitas coisas. Ser um aluno mente aberta”, recomendou Victor, sublinhando que, caso o destino a Califórnia, pode ser mais difícil conviver com a comida muito apimentada do que a saudade dos parentes do Brasil.

Passar sem colar

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O brasileiro Tales Caldas, Capitão Engenheiro da Força Aérea Brasileira, de 34 anos, também escolheu a universidade californiana para estudar, entretanto, este já realiza seu doutorado na área de Nanofotônica (que estuda o comportamento da luz em escala nanométrica), e pretende utilizar o conhecimento adquirido no exterior para produzir um retorno acadêmico ao Brasil, por meio do IEAv (Instituto de Estudos Avançados), organização militar do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), onde trabalhava.

“No IEAv, eu trabalhava com pesquisa na área de sensores à fibra óptica, e a ideia é fazermos com que o Brasil se torne tecnologicamente independente de outros países nesta área. No desenvolvimento desses sensores, um dos próximos passos para evoluir tecnologicamente é tentarmos produzir circuitos ópticos integrados dentro do Brasil. Além do fato do Caltech sempre estar entre as melhores universidades do mundo, ele possui uma grande experiência na área de micro e nanofabricação, conhecimento necessário para a fabricação destes circuitos.”

Caldas, que mora com a esposa brasileira e os dois filhos, com 3 anos e o segundo com 11 meses, este último nascido nos EUA, garantiu que tentou encontrar pontos negativos na universidade, lamentando apenas a falta de “calor humano” dos estudantes, característica brasileira em falta no resto mundo, mas preferiu destacar os 33 prêmios Nobel obtidos por acadêmicos do Caltech e o “Código de Honra” obedecido pelos estudantes. “Aqui os alunos não ‘colam’ nas provas, não copiam listas de exercícios, entre outros aspectos de conduta. Isso acaba moldando o perfil dos alunos que aqui se formam, que tendem a ser profissionais mais éticos e dedicados”, contou.

Receita de sucesso

A partir da sua experiência no exterior, Tales afirma que, mesmo com os acertos das instituições de ensino brasileiras, as universidades americanas dão lições importantes sobre a postura que deve ser adotada diante dos alunos, a valorização dos professores e o investimento em estrutura, que acabam influenciando diretamente na qualidade da produção científica da instituição.

“A faculdade tem que valorizar o aluno, mas ao mesmo tempo ‘não passar a mão na sua cabeça’. Em contrapartida, o aluno também tem que ser cobrado como um adulto, e a universidade não deve permitir que profissionais se formem com lacunas em sua formação. Os professores também devem ser valorizados, e não simplesmente tratados como funcionários de uma empresa. Provavelmente ali se encontra a maior riqueza de uma universidade”, enumerou. “Por último, investimento na estrutura. Prédios novos sempre são um fator motivador. Equipamentos modernos, manutenção das verbas para pesquisa são fatores que muitas vezes definem o sucesso ou o fracasso de uma pesquisa”, concluiu.

A melhor do mundo

Ambos os brasileiros, que não economizaram elogios ao Caltech, também não fizeram questão de esconder o vislumbre – e a responsabilidade – de ser parte do corpo discente da instituição tetracampeã do título de melhor do mundo. “Me veio à mente algumas vezes: ‘caramba, eu ainda não acredito que eu consegui estar aqui’. O fato de Caltech ter sido eleita a melhor do universidade do mundo só aumenta a minha responsabilidade”, comentou Tales Caldas, dizendo que o maior prêmio, sem dúvida, será obter o diploma do instituto após defender sua tese de doutorado.

“É uma experiência ímpar. Ter a possibilidade de estudar aqui e conhecer todas essas pessoas brilhantes que trabalham e estudam aqui é fantástica”, finalizou Victor Venturi.

Conheça Davi Braga, o garoto de 13 anos que criou uma startup de venda de material escolar

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Lígia Aguilhar, no Start

Um garoto de 13 anos roubou a cena na última edição do evento de empreendedorismo Demo Brasil Nordeste, nos dias 29 e 30 de abril, em Maceió. Com microfone portátil, andando de um lado para outro do palco com desenvoltura, Davi Braga começou o seu pitch (nome que se dá para uma apresentação curta feita por startups para investidores) perguntando para a plateia com seu sotaque alagoano: “Quem aqui já teve que comprar material escolar?”

O garoto participou do evento para apresentar sua startup List-It, um sistema para facilitar a pesquisa e compra de material escolar. Filho de empreendedores — seu pai, João Kepler, é investidor-anjo e a mãe é dona de uma papelaria e loja de presentes — ele criou seu próprio negócio após perceber uma dificuldade enfrentada por sua mãe. “Ela teve a ideia de ir de loja em loja pesquisar os preços e entregar o kit de material pronto para as clientes. As amigas preferiam usar o serviço dela do que fazer toda a jornada de ir atrás do material”, contou.

FOTO: Divulgação

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Com o aumento da demanda pelo serviço, atender às clientes ficou mais difícil. Foi quando Davi teve a ideia de criar uma plataforma para facilitar o processo de pesquisa de preços e a compra do material escolar pelo próprio usuário. Pelo modelo de negócio, as escolas cadastram a lista de material no site e as mães acessam ao sistema para ver os itens exigidos e já realizar a pesquisa de preços imediatamente. A startup fica com 10% do valor da compra realizada pela plataforma.

O projeto foi desenvolvido com a ajuda de um designer e um programador amigos da família. Júlio Quintela e Carlos Cesar hoje são sócios da List-It. A plataforma ainda não está em funcionamento. Davi está à procura de lojas parceiras para lançar a ferramenta no mercado no ano que vem.

Nos Estados Unidos já é comum ver startups criadas por prodígios. No ano passado, um dos casos mais famosos foi o de Nick D’Aloisio, de 17 anos, cuja startup Summly, criadora de um sistema que resume dados e textos, foi comprada pelo Yahoo por US$ 30 milhões. Nick começou a desenvolver a tecnologia quando tinha 12 anos e fundou a empresa aos 15 anos.

Outro caso envolve um brasileiro que mora nos Estados Unidos. Em setembro, contei no Link a história de Daniel Singer, também de 13 anos, criador do aplicativo de mensagens Backdoor, que chegou a entrar para a lista de mais baixados da Apple Store.

Veja o vídeo com o pitch feito por Davi Braga no Demo Brasil Nordeste:

‘Atleta’ brasileira na Argentina passa em Harvard e mais 5 universidades

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Daniela Brighenti, de 17 anos, é paulistana e mora em Buenos Aires.
Prática de vários esportes foi diferencial da candidatura às vagas.

Dani Brighenti, de 17 anos, fez parte da equipe de triato de Santos (Foto: Arquivo pessoal/Daniela Brighenti)

Dani Brighenti, de 17 anos, fez parte da equipe de triato de Santos (Foto: Arquivo pessoal/Daniela Brighenti)

Vanessa Fajardo, no G1

A estudante Daniela Rodrigues Faria Brighenti, de 17 anos, nada, corre, pedala. Ama esporte. Quando morou em Santos, no litoral de São Paulo, integrou a equipe de triatlo da Prefeitura e participou de várias competições. Também joga basquete e pratica ‘ultimate frisbee’ (lançamento de disco) e ioga – nenhum deles como profissional. Paulistana, Daniela já morou nos Estados Unidos na infância, passou uma temporada em Santos, e desde o final de 2012, vive em Buenos Aires, na Argentina. Tudo por conta do pai que é engenheiro de uma montadora e precisa ser transferido de unidade.

Agora, Dani, como é chamada pelos amigos, vai seguir um novo rumo. Ela vai voltar a morar nos Estados Unidos, pois foi admitida por importantes universidades americanas como Harvard, Yale, Brown, Georgetown, George Washington e Lafayette para fazer graduação. Ela ainda não se decidiu onde estudar.

A brasileira pretende continuar a praticar esportes, mas como estilo de vida, sem pretensão de ser tornar atleta profissional. A carreira que pretende seguir ela ainda não decidiu, pois gosta de áreas diferentes como relações internacionais e física.

Mostrar que eu consigo gerenciar vários esportes rigorosos e ainda assim manter notas altíssimas na escola fez parte do meu diferencial. Eu amo esportes, e eles são, para mim, um divertimento. É onde mais sou feliz”
Dani Brighenti, aprovada em seis
universidades americanas

Em Buenos Aires, Dani estuda em escola americana, onde vai concluir o ensino médio no mês de junho. Seus pais optaram por um colégio americano por conta do calendário que é diferente das escolas regulares argentinas e foi compatível com a data da mudança da família – ela e o irmão Caio, de 15 anos, começaram a estudar em novembro. Outra vantagem foi o idioma. Os brasileiros não tinham domínio do espanhol e já eram fluentes no inglês.

A vontade de fazer faculdade nos Estados Unidos foi despertada quando, aos 9 anos, Dani passou a frequentar a escola norte-americana, na primeira mudança de país da família, e experimentou outro modelo de ensino. “Fiquei encantada. Quando voltei ao Brasil vi que as minhas aulas não rendiam muito e que o sistema de ensino americano me motivava mais. Fazer universidade nos Estados Unidos passou a ser meu maior sonho.”

A determinação para os estudos, Dani também tem nos esportes. Em Santos, era membro da equipe de triatlo da Prefeitura. “Levava muito a sério, o nível do treino era altíssimo, mas quando me mudei pra Argentina passei a ter que treinar sozinha pois o esporte não é popular aqui e as provas são pouquíssimas.”

Esporte foi diferencial

Dani mora atualmente em Buenos Aires com a família (Foto: Arquivo pessoal)

Dani mora atualmente em Buenos Aires com a família (Foto: Arquivo pessoal)

O envolvimento com os esportes, além do excelente desempenho acadêmico, foi para Dani seu diferencial da candidatura às vagas nas universidades americanas que têm seleções muito rigorosas. Em Harvard, por exemplo, cujo resultado foi anunciado no dia 27 de março, só 5,9% do total dos aplicantes foram aceitos – entre eles, quatro são brasileiros.

“Acho que isso fez parte do meu diferencial, por mostrar que eu consigo gerenciar vários esportes rigorosos e ainda assim manter notas altíssimas na escola. Eu amo esportes, e eles são, para mim, um divertimento. É onde mais sou feliz”, afirma Dani, que voltou de uma competição de basquete no Chile no último domingo (6).

Dani passou em Yale e mais outras 5 universidades americanas (Foto: Arquivo pessoal)

Dani passou em Yale e mais outras 5
universidades americanas (Foto: Arquivo pessoal)

Outro ponto das atividades extracurriculares da brasileira, muito valorizadas pelas universidades americanas, é que ela toca violino. Começou quando morava nos Estados Unidos, na volta ao Brasil entrou para a orquestra do Grupo Pão de Açúcar, projeto que tenta difundir a música clássica entre as comunidades de baixa renda. “Eu gostava muito desse projeto por unir meu instrumento e também serviço comunitário. Quando me mudei para a Argentina, de novo não tive onde praticar. Hoje mantenho o violino como hobby, mas pretendo voltar a tocar no ‘college’.”

Nos Estados Unidos, Dani ainda não sabe o que vai cursar. Lá, o aluno tem até dois anos para definir o curso, neste período pode optar por disciplinas de diversas áreas do conhecimento. A estudante diz que cogita o curso de relações internacionais, mas também gosta muito de física. Para depois da graduação, não há planos. Lição que aprendeu com o esporte, a música e a própria história de vida. “Aprendi que não adianta fazer planos muito distantes, porque você nunca sabe para que lado a vida vai te levar. Sei que quero continuar viajando e explorando o mundo, mas não sei exatamente para onde vou voltar.”

Brasileiro é aprovado em 5 faculdades nos EUA

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Instituição divulgou na 5ª feira a lista de 2.023 aprovados para graduação.
Apenas 5,9% do total de candidatos foram admitidos na universidade.

Vanessa Fajardo e Mariana Lenharo, no G1

Título original: “Ao menos 4 brasileiros são admitidos pela Universidade Harvard”

Víctor Domene, de 17 anos, com as cartas de aprovação das universidades norte-americanas (Foto: Arquivo pessoal)

Víctor Domene, de 17 anos, com as cartas de
aprovação das universidades norte-americanas
(Foto: Arquivo pessoal)

Escolher em qual das universidades mais prestigiadas do mundo estudar é o novo desafio do estudante Víctor Domene, de 17 anos, morador de São Paulo. Ele foi aceito por Harvard, Yale, Columbia, Princeton, Duke, todas nos Estados Unidos, líderes de rankings de excelência – e ainda aguarda o resultado de Stanford. Víctor tem de se decidir, e se matricular, até o mês de maio.

O resultado da Universidade Harvard foi divulgado nesta quinta-feira (27). No total, foram admitidos 2.023 estudantes para graduação no mundo todo, 5,9% do total dos que aplicaram (34.295 pessoas). Foram pelo menos quatro brasileiros aprovados nesta etapa, além do estudante Henrique Vaz, que teve o resultado anunciado em dezembro.

No Brasil, Víctor também colecionou aprovações nas melhores instituições: passou no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA); foi o segundo no curso de engenharia elétrica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pelo Sisu; e o sétimo na Poli, escola de engenharia da Universidade de São Paulo (USP). Não se matriculou em nenhuma porque o sonho mesmo era fazer faculdade no exterior.

“Sempre quis estudar fora do Brasil, mas não sabia muito bem como. Quando era criança minha mãe perguntava o que queria ser quando crescesse e respondia: Bill Gates”, diz.

Nos Estados Unidos, pretende desfrutar da possibilidade de cursar disciplinas de cursos de diferentes áreas. “Quero ter a liberdade de estudar várias coisas. Quero me formar em ciência da computação, mas pretendi fazer aulas de economia, matemática e gosto de psicologia. Pretendo trabalhar com algo que ajude a impactar o Brasil, tive muitas oportunidades e é justo retornar para a sociedade.”

A mãe de Víctor é dona de casa e o pai trabalhou como jornaleiro por muito anos – hoje é assistente administrativo em uma empresa. Os primeiros anos do ensino fundamental, ele cursou na rede pública, a partir do 5º ano migrou para a escola particular porque conseguiu uma bolsa de estudos por mérito. Víctor concluiu o ensino médio no Colégio Bandeirantes, como bolsista do Ismart, ONG que apoia talentos.

No histórico, o aluno tem, além de excelentes notas, medalhas em olimpíadas nacionais e paulistas de química, física e informática. Para ele, o forte da sua candidatura às vagas (o processo se chama application) foi a história de vida.

“Pude contar minha história de vida nas redações e acho que as minhas cartas de recomendações dos professores do Bandeirantes também ajudaram muito. Contei com a ajuda de muita gente.”

O brasileiro vai para Nova York, nos Estados Unidos, no início de abril a convite da Universidade Columbia, e durante a viagem também vai aproveitar para conhecer Princeton. Ele recebeu 100% de bolsa de estudos de todas a universidades em que foi aceito – só Harvard ainda não respondeu – por isso, a falta de condição financeira dos pais não vai ser problema para que ele estude fora do país.

Nos Estados Unidos, as bolsas são concedidas a partir da situação socioeconômica da família, e inclui despesas com mensalidade, hospedagem e alimentação.

Eduardo Miranda Cesar na sede da Google, na Califórnia, durante programa de verão promovido pela Universidade da Pensilvânia (Foto: Arquivo pessoal)

Eduardo Miranda Cesar na sede da Google, na
Califórnia, durante programa de verão promovido pela
Universidade da Pensilvânia (Foto: Arquivo pessoal)

Escola dos sonhos
O estudante Eduardo Miranda Cesar, de 18 anos, também reuniu uma lista invejável de aprovações. Nos Estados Unidos, ele foi aceito pela Universidade de Chicago, Northwestern, Pensilvânia, Princeton, Brown e Harvard. Ele ainda está na lista de espera de Duke. No Brasil, foi aprovado pela UFSCar e pela Unirio quando ainda cursava o segundo ano do ensino médio. Ao final do terceiro ano, passou na UnB e na USP.

Ele conta que seu principal interesse nas instituições americanas é a possibilidade de o aluno cursar dois anos da universidade antes de determinar em qual curso deseja se formar. “Lá eles valorizam muito essa exploração da vida acadêmica antes da escolha final do curso”, diz. A princípio, Eduardo pensa em se formar em economia ou em ciências da computação.

Em Harvard, poderia até optar por um double major, ou seja, titular-se nas duas áreas.
Agora, Eduardo aguarda as propostas de bolsa das universidades que o aprovaram. Ele explica que o processo de bolsa das universidades para as quais ele aplicou avaliam toda a situação financeira da família do candidato e determinam quanto de subsídio ele precisaria para concluir o curso. Até agora, ele já recebeu uma oferta da Universidade de Chicago, que considerou razoável.

“Por mais que Harvard sempre tenha sido a minha escola dos sonhos, os resultados dos processos de bolsa vão contar, com certeza. No final das contas, nem fico muito preocupado porque todas são universidades dos sonhos”, diz.

Desde a quinta série, Eduardo estudou no Colégio Militar de Brasília. “A gente tem muito orgulho do colégio militar porque lá eles tiram água de pedra. Por mais que seja uma escola pública, oferecem uma gama enorme de atividades extracurriculares. Eu tinha várias oportunidades: era da banda, participava do grupo de filosofia e meu colégio sempre teve todo tipo de esporte. No segundo ano, eu e outros três ou quatro alunos criamos o clube de simulação das Nações Unidas”, conta.

Todas essas experiências, segundo ele, são muito valorizadas no processo seletivo das universidades americanas. Ele também contou com o apoio da Fundação Estudar, que tem tradição em orientar alunos brasileiros com interesse em estudar no exterior. Por meio da fundação, ele recebeu orientação de duas mentoras, brasileiras ex-alunas de Harvard e Pensilvânia. “Elas foram fundamentais no sentido de aproximação maior com as faculdades. Elas sabiam me falar qualquer coisa que eu quisesse saber sobre as universidades.”

Ele também recebeu orientação sobre o modelo de redação que deveria escrever em sua candidatura e teve seus documentos revistados antes de submetê-los às instituições.
Segundo Eduardo, seus pais sempre o apoiaram em seu sonho de estudar fora, mas também ficam “com o coração apertado” de saber que ele passará quatro anos fora do país. Já a namorada, Larissa Guimarães, não está preocupada com a distância, já que ela também foi aprovada em uma universidade americana: a Universidade de Columbia.

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