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Site que oferece livros para download gratuito está ameaçado

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São 3 mil títulos, entre lançamentos e best-sellers; associação que representa editores ainda investiga os responsáveis pelo projeto

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

No ar há quase dois anos, o site Le Livros construiu um acervo de mais de três mil obras (o último de Chico Buarque já está lá), atraiu 402 mil seguidores no Facebook e, mais incrível, manteve-se fora do radar das editoras e da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR). Os livros oferecidos lá gratuitamente são protegidos pela Lei de Direitos Autorais e envolveram diversos profissionais em sua produção. A questão é polêmica. Trata-se de pirataria ou de democratização do acesso à cultura?

“Acreditamos que o conhecimento deva ser livre, que todos necessitam ter acesso à cultura. E que se o sistema e os governantes fazem nada ou muito pouco, nós o faremos, é nosso dever ajudar as pessoas”, disse um dos representantes do grupo, por e-mail, ao Estado. Mas, enquanto uma nova lei de direitos autorais ainda é discutida, o argumento não convence juízes. Agora mesmo, a ABDR ganhou uma ação contra uma pessoa que oferecia três obras acadêmicas para download. A indenização, pela lei, seria no valor de 3 mil exemplares de cada obra. Mas foi fixada em 100 exemplares porque não houve venda.

Lançamentos, como "O Irmão Alemão", de Chico Buarque, e best-sellers podem ser baixados gratuitamente

Lançamentos, como “O Irmão Alemão”, de Chico Buarque, e best-sellers podem ser baixados gratuitamente

Entre janeiro e setembro, foram excluídos 92.847 links desse tipo. Só não é possível saber a quantidade de downloads. As editoras mais pirateadas são acadêmicas e a Record encabeça a lista das de interesse geral. As denúncias chegam a partir de autores e editoras. A ABDR, a quem as editoras delegam a questão, ainda briga na Justiça com o site Livros de Humanas, que foi muito popular e está fora do ar. E há dois meses ela mira no Le Livros, embora não saiba, ainda, a identidade dos responsáveis. Segundo o advogado da entidade, Dalton Morato, um mês depois de conseguir a informação, ele terá uma liminar para retirar o site do ar. “Não há dúvidas de que ele viola a lei de direitos autorais. Ele não cobra pelo conteúdo, mas aceita publicidade”, comentou.

O Le Livros sabe que está em perigo. “Quem luta por uma revolução sabe que cedo ou tarde cairá, mas que sua morte não será em vão, pelo contrário! Servirá para conscientizar milhares e posteriormente estes entrarão na luta e um dia a sede de conhecimento vencerá a ganância por dinheiro”, escreveram também no e-mail.

O site faz frequentemente vaquinhas online para pagar a hospedagem e comprar títulos. Aos usuários, pedem que doem os e-books comprados e o único vídeo no canal deles no YouTube ensina a tirar a proteção dos e-books da Amazon – ao que a gigante americana respondeu: “Respeitamos direitos autorais e esperamos que os consumidores também os respeitem. A política de nossa empresa é tentar prevenir a pirataria, oferecendo uma alternativa legal de baixo custo”.

Um dos argumentos de quem adere à prática é que o produto é caro, e o escritor Carlos Henrique Schroeder concorda. “Como autor, acho que o meio termo é o melhor caminho, e que a pirataria é um aviso válido: ou as editoras baixam o preço dos livros ou ela só vai crescer.”

Se as bibliotecas já tivessem encontrado um bom modelo de empréstimo de livro digital, é possível que esse tipo de site não tivesse mais função. Eduardo Spohr, um dos best-sellers do Grupo Record e cujos títulos estão no Le Livros, vê o compartilhamento do arquivo como um empréstimo de volume físico. No entanto, faz um alerta aos leitores – não falando exatamente sobre o novo portal, que conheceu pela reportagem: “É preciso tomar cuidado com sites hipócritas que usam a imagem de que estão fazendo um favor e democratizando a cultura, mas quando você vê eles têm fins lucrativos. O leitor é manipulado. Não paga um tostão, mas é vítima da publicidade. Não é pela grana, é pela justiça”.

Sobre baixar livros de modos alternativos, a escritora Luisa Geisler conta: “Se a ideia é matar a curiosidade de algo que todo mundo anda falando, faço isso do mesmo jeito como pegaria emprestado. Me sinto bastante culpada, se gosto do livro, compro pelo menos o e-book. E, se gosto muito do e-book, compro o livro em papel, porque nada compensa o livro na estante”. Se suas obras dependessem só de seu trabalho – e porque não se vive de direitos autorais – ela não veria problema em encontrá-los em sites como esse, mas não acha justo com a editora e as pessoas envolvidas, afinal, o livro é um produto comercial.

Cristiane Costa analisa a questão com suas três experiências. Como professora e ex-aluna de universidade pública, ela vê que os estudantes teriam uma bibliografia mais limitada se ficassem restritos às bibliotecas tradicionais. “Sempre que consigo um download gratuito de um livro importante, disponibilizo no grupo fechado no Facebook”, disse.

Como ex-editora, diz que se menos pessoas compram obras acadêmicas, menos obras serão publicadas. “E como autora desse tipo de livro, me pergunto: ainda vale a pena tentar a publicação em papel ou por uma editora de e-book? Depois do Google Acadêmico, a pior coisa que pode acontecer para um pesquisador é ter seu trabalho enterrado numa publicação em papel ou fechada em DRM e que não será encontrada em livraria nenhuma. Nesse sentido, ter seu conteúdo aberto significa mais chances de outras pessoas saberem que sua pesquisa existe.”

Aos cinco anos, menino se torna especialista em computação

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Um menino inglês se tornou o mais jovem especialista em computação de que se tem notícia.

Ayan passou em exame de certificação da Microsoft; ele começou a aprender a operar computadores aos 3 anos.

Ayan passou em exame de certificação da Microsoft; ele começou a aprender a operar computadores aos 3 anos.

Gurvinder Gill, na BBC

Ayan Qureshi foi certificado como profissional pela empresa Microsoft, após passar em um teste de habilidades a que se submeteu aos cinco anos de idade.

O menino, que agora tem seis anos, criou sua própria rede de computadores em casa. Ele disse à BBC que achou o exame difícil, porém divertido, e espera se tornar um empreendedor na área.

Seu pai, Asim, que é consultor na área de TI (Tecnologia da Informação), disse que “o mais desafiador (ao prestar o exame) foi explicar a linguagem do teste a um menino de cinco anos”.

“Mas ele pareceu entender e tem uma memória muito boa”, afirmou.

Asim começou a ensinar computação ao filho quando este tinha três anos. Ele brincava com computadores antigos para entender conceitos como hard drive e placa-mãe.

“Qualquer coisa que eu falasse ele lembrava no dia seguinte. Então comecei a alimentá-lo com mais informação”, explicou. “O uso excessivo de computadores nessa idade pode ter um efeito negativo, mas, no caso de Ayan, ele aproveitou uma oportunidade.”

Laboratório

Ayan criou sua própria rede de computação

Ayan criou sua própria rede de computação

Ayan tem seu próprio laboratório de computação em sua casa, em Coventry (centro da Inglaterra), com uma rede de informática que ele mesmo construiu.

O menino passa cerca de duas horas por dia aprendendo sobre sistemas operacionais e como instalar programas.

Quando Ayan foi prestar o exame da Microsoft – geralmente prestado por quem quer se tornar técnico em TI -, os monitores da empresa acharam que ele era muito novo para ser um candidato. O pai assegurou-lhes que o menino ficaria bem.

A família Qureshi se mudou do Paquistão para a Inglaterra em 2009.

“Estou muito, muito orgulhosa”, disse a mãe do menino, Mamoona. “Não quero que ele bata um recorde mundial a cada dia. Mas quero que ele dê o seu melhor no que quer que faça na vida.”

Ayan contou que sonha em criar no Reino Unido uma região semelhante ao Vale do Silício americano, concentrando empresas de tecnologia, e em abrir uma empresa própria.

Morre o poeta Manoel de Barros, aos 97 anos

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Recluso, autor criou linguagem própria, transformando a natureza em matéria-prima para versos

O poeta Manoel de Barros aos 93 anos - Divulgação

O poeta Manoel de Barros aos 93 anos – Divulgação

Publicado em O Globo

RIO — O escritor cuiabano Manoel de Barros morreu nesta quinta-feira, aos 97 anos. Ele foi internado no dia 24 de outubro no Proncor, em Campo Grande (MS), para uma cirurgia de desobstrução do intestino. A causa da morte ainda não foi divulgada. O escritor completaria 98 anos em 19 de dezembro.

Em agosto de 2013, quando perdeu seu segundo filho, o primogênito Pedro, vítima de um AVC (cinco anos depois de João, que morreu num acidente de avião), Manoel de Barros desabou. A filha Martha afirmou, então, que depois da perda, e por causa da idade, “ele estava se apagando como uma velinha”. Uma imagem poética que faz jus a um personagem cuja dedicação aos versos teve o afinco e a simplicidade de quem vê o mundo pela lente da beleza.

Nos últimos anos, por conta da saúde debilitada, praticamente não saía de casa, em Campo Grande, sob os cuidados da filha e da mulher, Stella, com quem estava casado desde 1947. No ano passado, antes de completar 97 anos, ainda escreveu o poema “A turma”, e então se recolheu no silêncio. Não conseguia mais escrever e se alimentava com dificuldade. Mas isso não significava que as edições de seus livros estivessem no limbo. Suas obras continuam despertando a atenção dos leitores-admiradores. Em fevereiro, a editora Leya lançou uma caixa com sua poesia completa, composta de 18 livros (incluindo o poema inédito). No final de outubro, o selo Alfaguara (Objetiva) anunciou a contratação da obra do poeta, que começará a ser reeditada no segundo semestre de 2015. Além disso, dezenas de cartas que o escritor trocou com figuras como o bibliófilo José Mindlin, o embaixador Mário Calábria e o editor Ênio Silveira foram levantadas por pesquisadoras e, podem, no futuro, serem reunidas em livro.

Nascido em Cuiabá em 1916, Manoel era filho do capataz João Venceslau Barros. Viveu por muitos anos em Corumbá (MS), antes de se mudar para a capital sul-mato-grossense. Ainda criança, passava longas temporadas na fazenda do pai, no Pantanal, onde desenvolveu o olhar para os movimentos da natureza. Engana-se, porém, quem o vê como um “poeta do Pantanal”, rótulo que ele sempre recusou. “A poesia mexe com palavras e não com paisagens”, justificava.

VISIONÁRIO DA HUMILDADE

Manoel foi aluno interno em escolas em Campo Grande e depois no Rio de Janeiro. Quando cursava o internato São José, na Tijuca, descobriu os sermões do padre Antonio Vieira, com quem aprendeu “a beleza de uma sintaxe”. Jovem estudante de Direito na então capital federal, acabou se envolvendo com figuras comunistas da cena carioca. Mas, depois de romper com o Partido Comunista ao saber que Luis Carlos Prestes deu seu apoio à Getúlio Vargas, desiludiu-se com a política e resolveu viajar. Passou por Bolívia e Peru (“vivendo como um hippie”, dizia), antes de chegar a Nova York. Na cidade americana, viu “as novidades do mundo” e fez cursos de cinema e artes plásticas. Na volta ao Brasil, conheceu a mineira Stella no Rio de Janeiro e três meses depois já estava casado.

Mesmo sendo considerado um dos maiores autores brasileiros, comparado frequentemente a Guimarães Rosa e ao português Fernando Pessoa, sua reclusão por tantas décadas em terras pantaneiras e a timidez acabaram dificultando a divulgação de sua obra. Nos anos 1980, admiradores famosos de seus versos, como Millôr Fernandes e Antônio Houaiss, começaram a divulgar poemas de Manoel de Barros, ou a citá-lo em colunas de jornais.

O filólogo, que admirava o poeta desde o seu primeiro livro, via nele um “visionário da humildade e solidariedade humanas”. Já Carlos Drummond de Andrade chegou a declarar que o cuiabano era o “maior poeta brasileiro” vivo. O sucesso do filme “Caramujo-flor” (1989), do cineasta sul-matogrossense Joel Pizzini, ensaio visual baseado na vida e na obra de Manoel, também responsável pelo reconhecimento tardio.

Com tantos elogios, Manoel começou a chamar atenção das editoras e do público. Ganhou dois prêmios Jabutis (por “O guardador de águas”, em 1989, e “O fazedor do amanhecer”, em 2002) e teve livros publicados em Portugal, França, Espanha e Estados Unidos. Em 1998, recebeu o Prêmio Nacional de Literatura do Ministério da Cultura, pelo conjunto do seu trabalho. Sua obra mais conhecida é “O livro sobre o nada”, lançada em 1996, no qual aperfeiçoou o seu autodeclarado “idioleto manoelês archaico” — uma linguagem própria criada para transmitir o desregramento dos sentidos. O autor, contudo, considerava seu primeiro livro, “Poesias concebidas sem pecado”, de 1937, o melhor.

Em 1998, o autor explicou seu processo de escrita em entrevista ao GLOBO:

— Eu estou trabalhando com a palavra e aí me vem uma ideia. E por isso não acredito em inspiração, acredito em trabalho.Mas sei também que transformar palavra em verso, combinar o ritmo com a ressonância verbal, é um dom linguístico. Tenho frases poéticas que são versos. Sei fazer frases.

POPULAR, MAS POUCO AVALIADO

Embora tenha sido por várias vezes o poeta que mais vendeu livros no Brasil, Manoel chegou a comentar que gostaria de também ter sido mais avaliado pelos grandes críticos literários do país, relatou a pesquisadora e professora de Letras da UFMG Lúcia Castello Branco em entrevista ao caderno Prosa, em fevereiro deste ano. O escritor é objeto frequente da academia, por meio da realização de dissertações e teses, mas, na opinião dela, a crítica deixa a desejar. Em uma reportagem do “Jornal do Brasil” de 1988, na qual era descrito como “o poeta que poucos conhecem”, Manoel explicou os motivos do seu isolamento: “Não tenho boa convivência com a glória. Acho que ela me perturbaria. Preciso muito do escuro”.

No documentário “Só dez por cento é mentira”, lançado em 2008 por Pedro Cezar, ao ser indagado sobre como gostaria de ser lembrado, Manoel ri, coça o peito, diz que a pergunta é cruel; já mais sério, fala que o único jeito é pela poesia. “A gente nasce, cresce, amadurece, envelhece, morre. Pra não morrer, tem que amarrar o tempo no poste. Eis a ciência da poesia: amarrar o tempo no poste”.

Quem é mesmo Mick Jagger?

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REBOLADO NO AUGE
O cantor e compositor inglês Mick Jagger em 1969. Aos 26 anos, ele já era o ídolo do rock
(Foto: Michael Ochs Archives/Getty Images)

Luis Antonio Giron, na Revista Época

Quem assiste hoje aos shows de Mick Jagger não percebe que a figura selvagem do ídolo do rock dos anos 1960 não passa de um personagem de palco. Por trás do desempenho frenético do líder da banda inglesa The Rolling Stones, com seu ar de adolescente malcriado, está um senhor de 69 anos de hábitos aristocráticos, pai severo de sete filhos com quatro mulheres diferentes e avô de duas crianças – um bilionário que impõe o manual de etiqueta vitoriano para a criadagem em suas mansões.

O escritor inglês Philip Norman passou os últimos três anos tentando arrancar a máscara de Jagger, na tentativa de revelar o homem que não sobe ao palco. O resultado é a biografia Mick Jagger (Cia. das Letras, 624 páginas, R$ 49,50), lançada há um mês no Reino Unido e agora no Brasil.

“Mick Jagger é um grande ator, que faz o mesmo papel de ídolo do rock há 50 anos”, disse Norman a ÉPOCA. Com a mesma idade de Jagger, ele diz que passou a vida escrevendo sobre duas bandas de rock, partes da mesma história: Beatles e Rolling Stones. Como jornalista de música, conheceu os artistas no início de carreira. Em 1981, publicou um livro sobre a história dos Beatles. Em 2009, a consagrada biografia John Lennon: a vida. “Mick merecia um tratamento específico por ser a figura central da contracultura que explodiu em Londres nos anos 1960”, diz. “Esse ambiente de agito cultural não teria sido o mesmo sem o talento de Mick. Ele elaborou um paradoxo: o bom rapaz que lançou padrões de transgressão.”

Norman esperou por uma efeméride, o cinquentenário de carreira dos Rolling Stones, para publicar o livro, feito a partir de pesquisas e entrevistas. Jagger se recusou a falar. Ele e os Stones estarão de volta aos palcos em novembro, quando iniciam a turnê 50 and counting, e lançam a coletânea de sucessos Grrr! A comemoração está atrasada em relação à estreia dos Stones, em 12 de julho de 1962. Houve discussões penosas entre os quatro músicos remanescentes até chegar a um projeto viável de celebração. Jagger deu a palavra final: “Será um megaevento”. Era inevitável. Os Stones formam a maior empresa de rock do mundo. De 1989 a 2011, ganharam 2 bilhões de libras (R$ 12,8 bilhões) em valor bruto. “Os Stones são um fenômeno de longevidade graças a Mick”, diz Norman.

No início, era um conjunto instável, que sofreu com uma morte e a saída de dois integrantes, além do envolvimento com drogas e fugas do Fisco. “Não tinham nada para se manter. O gênio de organizador de Mick fez os Stones atravessar o século”, diz Norman.

O problema de lidar com uma personagem pública como Jagger é que ninguém sabe quem ele realmente é, apesar de pensar que sabe. Confrontando os presunçosos que imaginavam que tudo já fora contado, Norman fez pelo menos três descobertas. A primeira é que Mick e seu parceiro Keith Richards foram injustiçados pela polícia britânica. Em 1967, foram presos por porte de drogas. A evidência foi um pacote de tabletes de LSD “plantados” na casa de Keith por um tabloide. Eles ficaram presos em duas prisões diferentes, ambas reconhecidas pelas condições terríveis. “Eles sofreram violência lá dentro”, diz Norman. “Foi traumático, especialmente para Mick.” A segunda descoberta diz respeito à onda de violência durante o show no autódromo de Altamont, San Francisco, em 1969. Mick foi culpado de acobertar as agressões do bando Hell’s Angels, que culminaram no assassinato de um jovem negro, enquanto Jagger cantava. “Ele se portou com coragem, enfrentou os Angels e tentou conter a violência”, afirma Norman. Por fim, na terceira descoberta, o papel do produtor Andrew Oldham na definição da banda ganha nova luz. Ele criou o clima de rivalidade e oposição entre os Stones e os Beatles, embora os integrantes dos dois grupos fossem amigos. Jagger e Oldham eram tão íntimos, diz Norman, que as namoradas de ambos achavam que eram amantes. É certo que dormiam na mesma cama.

“Mick não ostenta só duas faces, mas um número incalculável delas”, afirma Norman. “São tantas as camadas que ele justapôs ao próprio rosto que vários candidatos a biógrafos dele se perderam na tentativa de desmascará-lo. Ele conseguiu manter intacto seu verdadeiro eu, bem mais complexo e interessante que seus disfarces.” A personalidade reservada de Mick resulta de uma educação tradicional. Ele contraria todos os estereótipos das celebridades da cultura pop, que construíram suas lendas pessoais a partir da pobreza, da rejeição e dos excessos. Michael Philip Jagger nasceu numa família convencional de classe média. Sua mãe, Eva, uma esteticista australiana, despertou nele o gosto pela boa aparência. O pai, Joe, era professor de educação física e orientou seus dois filhos, Mick e o caçula, Chris, a cultivar o corpo. Mick contou com o apoio deles quando entrou na prestigiosa London School of Economics. Os pais se resignaram quando ele trancou a matrícula para ser astro de rock.

Quando o estrelato chegou, Jagger sobreviveu às duas tentações de seu tempo: as drogas pesadas e a militância política. Enquanto sua namorada, a cantora Marianne Faithfull, entregava-se à heroína, e seus companheiros de banda Keith Richards e Brian Jones ao LSD, ele provava as duas, sem se perder em nenhuma delas. “Mick não gostava de drogas”, diz Norman. “Nunca se viciou.” No instante em que todos os artistas da era hippie participavam de passeatas pacifistas, ele assistia a tudo de óculos escuros… de uma distância segura. Seu fraco é sexo, afirma Norman. Hoje ele seria chamado de transtornado. Seus dois casamentos e centenas de casos com homens e mulheres parecem ter servido como elixir da juventude. “A carreira sexual dele é quase tão espantosa quanto a musical”, afirma Norman. “Ele se habituou a viver como um adolescente que não precisa tomar providências chatas da vida. Se acostumou também a tratar suas mulheres como lixo. Temia que muitas delas lhe roubassem o dinheiro, e não foram poucas que fizeram isso. Mesmo assim, mostrou ser um pai disciplinador e divertido. Seus filhos o adoram.” O livro de Norman tem obtido boas resenhas na Inglaterra e nos Estados Unidos, embora alguns críticos digam que ele produziu um retrato positivo demais de Jagger – fato que não pode ser atribuído a qualquer influência do biografado. “Mick não quis falar”, diz Norman. “Ele age como membro da família real. Não concede entrevistas de cunho pessoal, não se manifesta, finge não se lembrar do passado. Como disse o baterista dos Stones, Charlie Watts, Mick não pensa no presente nem no passado. Só no futuro.”

Ex-vedete brasileira lança livro na Noruega

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Jussara Calmon – ex-vedete lança livro na Noruega /Foto: Arquivo pessoal


Bruno Astuto, na Revista Época

Musa do extinto jornal O Pasquim, precursora dos seios de fora no Carnaval carioca e estrela do primeiro filme erótico nacional, Coisas Eróticas, que está completando 30 anos, Jussara Calmon está na Noruega para lançar a biografia Jussara Calmon – Muito Prazer, escrita por Fábio Fabrício Fabretti, em que narra os episódios de sua trepidante vida.

“Lancei para a comunidade latina em Aalesund (onde mora com o marido) e, no fim de novembro, vou levar o livro para uma cidade que se chama Mold. Em 2013, vamos fazer o lançamento em Oslo e Bergen com a ajuda da embaixada do Brasil daqui. O livro está tendo muita procura pelos brasileiros que moram aqui e os noruegueses estão bem curiosos”, diz Jussara à coluna.

“Já estou estudando propostas de editoras daqui que estão interessadas em traduzi-lo”, adianta a autora, que na publicação relata a violência do pai alcoólatra, os abusos do tio pedófilo, o trabalho como empregada doméstica e a vida nas ruas do Espírito Santo. Entre as passagens mais picantes, está o encontro com o ator americano Robert de Niro. “Ele ficou cinco dias atrás de mim até conseguir um encontro. Quando cheguei ao quarto, fui recebida por um rapaz brasileiro. De repente, Robert saiu de dentro do armário com uma toalha amarrada na cintura. Ele era um parque de diversões na cama”, conta.

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