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Italiana aproxima crianças da Rocinha aos livros: ‘A leitura é uma paixão’

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Barbara Olivi é criadora do Garagem das Letras Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Bruno Alfano, no Extra

Bárbara Olivi, de 57 anos, estava meio jururu no fim da última semana. Eram 11h e, naquele momento, a italiana retratava bem o astral da Rocinha, favela onde mora há 17 anos e que está em guerra desde setembro de 2017. Ela era a cara do desânimo. Mas não passou nem uma hora, e uma criança entrou no Garagem das Letras, um misto de biblioteca comunitária e cafeteria numa das ladeiras da comunidade que Bárbara abriu há três anos. E não foi só aquele menininho. Outros tantos mais passaram por ali, vindos da aula na Escola municipal Francisco de Paula Brito, que fica ali pertinho. Já era outro o semblante da italiana, personagem de hoje da série “Extraordinários” — que, para comemorar as duas décadas de vida do jornal EXTRA, conta a história de vida de pessoas que mudam a vida de outras.

— Todo dia é um desafio. Todo dia você não sabe o que vai acontecer — diz Bárbara: — Mas essas crianças entram aqui e dizem: “Tia, cadê meu abraço?”. Isso é o que me deixa bem para continuar lutando.

O bem que as crianças fazem para Bárbara é fruto de muito trabalho da italiana com projetos sociais na comunidade. A gringa, como já foi muito chamada pelos moradores locais, chegou ao Brasil em 1998 para morar na casa de uma amiga na Gávea e ficou encantada pelas luzes da Rocinha. Um porteiro do prédio em que ela vivia soube do desejo da italiana e a convidou para almoçar na casa dele, na comunidade. Lá ela conheceu Célia, sua amiga até hoje. Três anos depois, alugou uma casinha na favela.

— Eu achei a Gávea tranquila demais, quieta demais. Sou italiana. Preciso de movimento ao redor de mim. Eu vim para cá para ficar mais perto das crianças. Eu trabalhava como guia turística e fiquei apaixonada por eles. Ou seja, vim por puro egoísmo para receber o abraço deles — conta, invertendo um pouco a lógica dos fatos.

Assim, naturalmente surgiu a vontade de ter um espaço para, sistematicamente, oferecer algo a essas crianças de abraços quase terapêuticos para Bárbara. O Garagem das Letras nasceu em 2015. O local, cheio de livros e brinquedos, recebe eventos gratuitos, como saraus, oficinas, aulas de idiomas e exibições de filmes. Também funciona como uma cafeteria.

Crianças frequentam espaço como segunda casa Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

— Não é preciso muito, nem dinheiro. E preciso tempo. É preciso um ombro e ouvido para as crianças falarem o que elas querem falar — explica a moradora da Rocinha. — Quem quiser (fazer evento no espaço) é só organizar. Não é preciso pagar nada.

Em várias frentes

O Garagem das Letras não é o único projeto que Bárbara coordena na Rocinha. Ela também administra uma escola de maternal comunitária e o Casa Jovem, um espaço que, segundo ela, “sempre tem lanche e pessoas para dar um abraço”. Lá também há diferentes tipos de cursos. Um terceiro trabalho, esse mais recente, é o Projeto Aldeia, que é de terapia de emergências.

— Toda a nossa equipe participou de um curso de terapia de emergência na Cruz Vermelha. Essa instabilidade da insegurança pública deixa nossas crianças traumatizadas. A gente monta atividades para que isso venha à tona e seja trabalhado — conta Bárbara, que segue como guia de turismo na comunidade.

O fascínio da moça pela favela é, como ela diz, “ancestral”. Bárbara é filha de um engenheiro que trabalhava na companhia de petróleo italiana, e ela passou a infância morando em diferentes locais do planeta, como Congo e Egito. Na Nigéria, aos 14 anos, saía dos portões do condomínio para brincar com meninas locais.

Barbara é italiana Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

— Eu ia para conhecer o que estava ao meu redor. Eu queria saber desde então como eles brincavam, como dormiam, o que falavam, o que comiam… Eu me lembro até hoje da brincadeira delas — diz.

‘O livro pode virar o seu melhor amigo’

O meu sonho para o Garagem das Letras é que ele se torne autoadministrado. Ou seja, um lugar público, que não tenha dono, mas que tenha uma organização feita por jovens da Rocinha de acordo com suas próprias necessidades. A leitura é umas verdadeira paixão. O livro pode virar seu melhor amigo. Quantos sonhos você aprende num livro? Quantas viagens você faz? Quantos choros numa história de amor? É isso que a gente tenta transmitir para as nossas crianças.

Salão Carioca do Livro inspira roteiro por bibliotecas do Rio

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Criança pega um livro na Biblioteca Infantil Maria Mazzetti – Gustavo Miranda / Agência O Globo

Também conhecido como LER, evento marca reabertura da Biblioteca Parque Estadual

Sergio Luz, em O Globo

A segunda edição do LER — Salão Carioca do Livro, que começou ontem e vai até domingo, marca dois renascimentos: o do próprio evento, que não aconteceu no ano passado devido à falta de recursos e à realização da gigante Bienal do Livro; e o da sua sede neste ano, a Biblioteca Parque Estadual (BEP), no Centro, fechada desde o final de 2016, na esteira da crise financeira do Estado.

Após a reabertura das unidades da Rocinha, em fevereiro, e de Manguinhos, em março, é a vez de o espaço de 15 mil metros quadrados da Av. Presidente Vargas voltar à ativa, em iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro.

— Com a reabertura (programada para o dia 28 deste mês), serão retomadas aos poucos as atividades inicialmente idealizadas para cada um dos espaços, permitindo ao público o acesso ao acervo de 200 mil títulos, aos espaços multimídia e ao teatro — diz o Secretário de Cultura Leandro Sampaio Monteiro, por meio de um comunicado.

Além do mundo infinito de conhecimento dos livros e de toda a memória de arquivos e documentos, as prateleiras e estantes espalhadas pelo Rio também proporcionam um oásis de silêncio, introspecção, entretenimento e lazer. Fora os estudantes e pesquisadores, muitos dos espaços também servem para quem busca um abrigo temporário em horas vagas do dia, ar-condicionado, wi-fi grátis ou apenas um lugar silencioso.

Aproveitando o LER e essa nova etapa da BPE, o Rio Show preparou um roteiro por algumas das mais bacanas bibliotecas da cidade. Bom passeio e boa leitura.

Fachada da Biblioteca Parque Estadual – Custódio Coimbra / Agência O Globo

BIBLIOTECA PARQUE

Apesar de a estrutura atual ter sido inaugurada em 2014, inspirada no modelo de gestão das bibliotecas públicas de Bogotá e Medelin, a Biblioteca Parque Estadual tem uma história que remonta a 1873, e já foi chamada de Biblioteca Municipal do Rio de Janeiro, Biblioteca Pública do Estado do Rio de Janeiro e Biblioteca Estadual Celso Kelly. A instituição chegou ao atual endereço em 1943, na então nova Av. Presidente Vargas.

Em 1987, após um incêndio três anos antes, um novo prédio foi inaugurado, seguindo as diretrizes de seu idealizador, o antropólogo e ex-vice-governador do Rio Darcy Ribeiro. O edifício de hoje mantém as características imaginadas por ele.

— A ideia era criar uma instituição que fosse ligada a outras iniciativas com o intuito de servir a população e combater a violência. É através da cultura que você cria um cidadão, muda uma cidade — diz Ana Ligia Medeiros, diretora do Centro de Memória e Informação da Fundação Casa de Rui Barbosa, que trabalhou com Darcy Ribeiro na montagem do projeto das bibliotecas estaduais.

Com 15 mil metros quadrados, teatro com 195 lugares, auditório com 75 assentos, salas multiuso, café, pátio e bicicletário, a BPE tem um acervo que conta com 250 mil livros, 20 mil filmes e 2,5 mil livros em braile, além de seu espaço infantil.

— Um equipamento desse equivale a um aparelho de resistência, a um quilombo. É um crime não educar seus cidadãos — afirma a poeta e atriz Elisa Lucinda, uma das convidadas do LER 2018.

Biblioteca Parque Estadual: Av. Presidente Vargas 1.261, Centro — 3171-7505. Seg a sex, das 10h às 18h. A partir do dia 28 de maio. Grátis. Livre.

LER — SALÃO CARIOCA DO LIVRO

Aberta ontem, a segunda edição do LER — Salão Carioca do Livro, totalmente gratuita, oferece saraus, oficinas, contação de histórias, exposições e bate-papos com autores e artistas como Conceição Evaristo, Márcia Tiburi, Lázaro Ramos, Maria Valéria Rezende, Miriam Leitão, Cristóvão Tezza, Luiz Antônio Simas, Martinho da Vila, Nei Lopes, Nelson Sargento, Geovani Martins e Arthur Dapieve, em espaços como Palco da Palavra, Jardim Literário para crianças, Café do Livro, Salão Digital e o Salão do Livro.

A festa também apresenta montagens teatrais de clássicos como “A megera domada” (hoje, às 11h), “Dom Casmurro” (amanhã, às 10h), “Tristão e Isolda”, “O homem que sabia javanês” (domingo, às 10h).

Alguns dos participantes do LER — Salão Carioca do Livro – Gustavo Miranda / Agência O Globo

— Nossa meta é ser o maior evento aberto do livro na cidade. É gratuito, acessível e inclusivo. Queremos ter todos os pontos de vista, trazer todo mundo para o diálogo. Buscamos a pluralidade — garante o curador Julio Silveira.

Seguindo esse pensamento, Silveira apostou numa programação de vozes múltiplas da literatura brasileira:

— O mundo está muito fechado, as pessoas querem apenas a narrativa que lhes é mais conveniente. Queremos mostrar que há diversos pontos de vista. Ao invés de agredir, devemos evoluir juntos. Esperamos que o público saia com a cabeça mais aberta — diz.

Essa intenção pode ser vista em mesas como “Não foi essa a história que nos contaram”, com Eliana Alves Cruz (romance histórico), Marcelo D’Salete (graphic novel) e Kiusam de Oliveira (literatura infantil), hoje, às16h30m, e “Texto em trânsito”, com Jessé Andarilho e Carlos Eduardo Pereira, também hoje, às 14h30m.

— Essa reabertura é primordial. Vinha muito para cá com minha filha. Tinha também gente que vinha só para matar o tempo, para tomar água, até dormir. É um refúgio intelectual, de lazer, de entretenimento, mas também da própria rua — comenta Pereira.

Andarilho concorda com o colega:

— Sou de Campo Grande. Como minha mulher trabalha no Centro, eu costumava vir pra ler, ver filme e descansar. Era muito ruim ver um espaço como esse fechado — diz.

Vista interna da Biblioteca Parque Estadual – Custódio Coimbra / Agência O Globo

Eliana Alves Cruz faz coro e ressalta a importância da ocasião:

— Minha filha Julia, de 11 anos, chorou quando a biblioteca foi fechada. O salão e a reabertura da biblioteca são incríveis. É um espaço de todos — afirma.

A atriz e apresentadora Cissa Guimarães, que também participa da festa, acredita que participar do LER e lutar pelo projeto das bibliotecas parque é obrigação:

— O que falta na formação desse país é educação. Eu me sinto numa obrigação cívica, como mãe, avó e cidadã — diz.

As inscrições prévias para as atividades do LER estão encerradas, mas há ingressos disponíveis para todas elas. Para garantir ingresso, é aconselhável chegar com antecedência. De hoje a domingo, o salão abre às 10h. A seguir, confira alguns dos destaques.

Sexta (18/5): às 14h, “A importância social e a poética do samba”, com Martinho da Vila, Nelson Sargento e Luiz Antônio Simas; às 19h, “O texto ou a vida, com Cristóvão Tezza e Antonio Xerxenesky; às 19h45m, “Literatura e empoderamento feminino”, com Márcia Tiburi.

Sábado (19/5): às 14h30m, “Mormaço”, com Arthur Dapieve e Giovani Martins; às 17h30m, “Música e letra”, com Joyce Moreno e Ruy Castro; às 19h, “Escrevendo a própria história”, com Conceição Evaristo e Henrique Rodrigues.

Domingo (20/5): às 14h45m, “O protagonismo do negro nas artes”, com Regina Dalcastagnè, Conceição Evaristo, Ruth de Souza, Milton Gonçalves e outros.

Para conferir a programação completa, acesse o site do LER: www.lersalaocarioca.com.br

BIBLIOMAISON

Situada no 11º andar do Consulado Geral da França, no Centro, a BiblioMaison já vale a visita apenas pela vista deslumbrante que oferece da Baía de Guanabara.

Com seu acervo de 23 mil peças — entre livros (literatura, HQ, arte, ciências sociais, filosofia e infantis), jornais, DVDs e CDs —, a biblioteca, fundada em 1961 e totalmente reformada, apresenta um espaço arejado que traz sofás confortáveis, mesas de estudo, poltronas e salas para os amantes da cultura francesa.

Sala de leitura da BiblioMaison, no Centro – Divulgação

Nos computadores ou tablets disponíveis, o visitante ainda pode acessar serviços como Europresse (revistas e jornais como “Le Monde”, “Libération”, “Lire” e “L’Express”) e Izneo (HQs). O acesso à rede de wi-fi também é gratuito. Quem não fala o idioma de Proust não precisa se preocupar, já que há títulos em português também.

Para completar o passeio, ainda há o CafeMaison, do chef francês David Jobert, além do Teatro Maison de France e o CineMaison, com programação gratuita.

BiblioMaison: Consulado Geral da França. Av. Antonio Carlos 58, 11º andar, Centro — 3974-6669. Seg, qui e sex, das 10h às 19h. Qua, das 10h às 19h. Sáb (1º e 3º de cada mês), das 9h às 13h. Grátis. Livre.

BIBLIOTECA NACIONAL

Mais antiga instituição cultural brasileira, a Biblioteca Nacional foi fundada em 1810, com um acervo de cerca de 60 mil itens (entre manuscritos, livros, mapas e estampas), que desembarcaram no Brasil com a família real portuguesa dois anos antes.

Responsável pela execução da política governamental de captação, preservação, guarda e difusão da produção intelectual do Brasil, a BN possui um acervo de mais de dez milhões de objetos, sendo a maior biblioteca da América Latina e uma das maiores do mundo, segundo a Unesco.

Prateleiras da Biblioteca Nacional: acervo com 10 milhões de itens – Bárbara Lopes / Agência O Globo

Mas quem nunca visitou o local não se espante com a ausência de… livros. Apesar de todos os títulos estarem disponíveis para consulta, os muitos andares que guardam o acervo não são acessíveis ao público, que precisa pedir aos bibliotecários as obras desejadas para consultá-las nas salas de estudo e pesquisa, como a de Periódicos e Referência e de Iconografia.

Entre os milhões de itens da BN, destacam-se arquivos como a Bíblia de Mogúncia, de 1462, que pode ser vista em versão digital interativa no hall principal da biblioteca, e uma cópia da primeira edição de “Os Lusíadas”, de Luis de Camões, de 1572.

Além da sede, a Fundação Biblioteca Nacional ainda administra espaços como a Casa de Leitura, em Laranjeiras, o Auditório Machado de Assis, no Centro, a Biblioteca Euclides da Cunha e o Escritório de Direitos Autorais, ambos na Cidade Nova, e acervo de Música e Arquivo Sonoro, no Palácio Capanema.

Biblioteca Nacional. Av. Rio Branco 219, Centro — 2220-3040. Seg a sex, das 9h às 19h. Sáb, das 10h30m às 15h. Grátis. Livre.

REAL GABINETE

Desconhecido de muitos cariocas, o Real Gabinete Português de Leitura, fundado em 1837, é uma das bibliotecas mais bonitas do mundo.

O edifício de estilo manuelino apresenta um salão de pesquisa com mesas de madeira bem no centro dos três andares repletos de estantes e prateleiras de livros dedicados à cultura lusófona. O ambiente é tão espetacular que muitos frequentadores costumam dividir suas atenções entre o livro e os detalhes do prédio.

Real Gabinete Português de Leitura – Agência O Globo

Entre suas obras raras, o Real Gabinete guarda títulos dos primórdios da impressão de livros, como outra edição princeps de “Os Lusíadas”.

Real Gabinete Português de Leitura. Rua Luís de Camões 30, Centro — 2221-3138. Seg a sex, das 9h às 18h. Grátis. Livre.

CASA DE RUI BARBOSA

Situada num casarão do século XIX no coração de Botafogo, a Casa de Rui Barbosa é uma mescla de museu, arquivo e biblioteca que guarda a mobília e toda a coleção bibliográfica original do político, jurista e advogado brasileiro.

Na casa principal, o visitante pode ver exatamente como Rui Barbosa organizava seus 37 mil livros de diversas línguas — reza a lenda que ele falava 13 idiomas — que podem ser consultados mediante pedido aos bibliotecários.

Casa de Rui Barbosa: biblioteca de 37 mil livros – Gustavo Miranda / Agência O Globo

A sede da fundação ainda oferece um jardim (todos os dias, das 8h às 18h), reformado há pouco para tentar reconfigurar sua estrutura original, a Biblioteca Infantojuvenil Maria Mazzetti (seg a sex, das 9h30m às 12h e das 14h às 17h) e o edifício de administração, pesquisa, armazenamento e restauração de seu amplo arquivo, como os 25 mil títulos do acervo do bibliófilo Plínio Doyle.

Casa de Rui Barbosa. Rua São Clemente 134, Botafogo — 3289-4600. Ter a sex, das 10h às 17h30m. Grátis. Livre.

Biblioteca do CCBB

Fundada em 1931, a Biblioteca do Banco do Brasil passou décadas com um acervo dedicado a obras técnicas. Com a abertura do Centro Cultural Banco do Brasil, em 1989, ela mudou sua linha de atuação e se tornou referência em áreas como artes, literatura e ciências sociais, com cerca de 150 mil exemplares em sua coleção.

Biblioteca do CCBB – Rafael Pereira / Divulgação

Gratuita, assim como todas as exposições do museu, a biblioteca — que traz sala de multimídia, de leitura, três salas para obras gerais, sala de referências com enciclo- pédias e dicionários, sala de literatura infantojuvenil com mais de 4 mil títulos, além de salas com coleções especiais — é bastante concorrida durante a semana, tanto por quem pesquisa em seu arquivo quanto por estudantes que precisam de um lugar agradável, arejado e calmo para estudar.

Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Primeiro de Março 66, Centro — 3808-2020. Qua a seg, das 9h às 21h. Grátis. Livre.


BIBLIOTECA DO MAR

Caçula do grupo, a Biblioteca do Museu de Arte do Rio foi inaugurada em 2014. Numa pequena porém agradável sala do quarto andar do museu da Praça Mauá, o espaço mostra um acervo focado em artes visuais, história do Rio e cultura afro-brasileira.

Museu de Arte do Rio. Praça Mauá 5, Centro — 3031-2741. Ter a sex, das 10h às 17h. Grátis. Livre.

Flup abre inscrição para descobrir e formar talentos em poesia falada

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Geovani Martins, um dos nomes revelados pelo ciclo de formação da Flup – Márcia Foletto / Agência O Globo

Festa Literária das Periferias promove palestras com nomes do spoken word negro

Publicado em O Globo

RIO — Programada para acontecer entre os dias 6 e 11 de novembro, no Cais do Valongo, a sétima edição da Festa Literária das Periferias (Flup) anunciou a abertura das inscrições para o Flup Pensa — plataforma de formação para descobrir e formar novos talentos — deste ano. O ciclo de 2018, que será sobre poesia falada, foi batizado de “Poesia preta” e contará com palestras realizadas por grandes nomes do spoken word negro.

A iniciativa, dividida em 12 encontros, promoverá uma competição entre os 25 participantes a cada quatro reuniões, o Slam Pequena África. A ideia do projeto é incentivar a criatividade dos jovens para o improviso de versos e realização de performances. O vencedor participará da competição nacional da modalidade e lançará um livro pelo selo da Flup, além de participar de uma mesa no evento.

Em edições anteriores, a festa literária revelou talentos como Geovani Martins (foto), Ana Paula Lisboa (colunista do GLOBO), Jessé Andarilho, Rodrigo Santos e Lindacy Menezes, e já resultou na publicação de 17 livros.

Os encontros do “Poesia preta” vão de 26 de maio a 1º de setembro. Os interessados em participar devem clicar neste link: tinyurl.com/poesiapreta. As inscrições vão até o dia 11 de maio.

Tronos, castelo e até cinema: editoras transformam seus estandes em atrações na Bienal

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Editoras diversificam montagem de estandes para atrair os leitores - Analice Paron / Agência O Globo

Editoras diversificam montagem de estandes para atrair os leitores – Analice Paron / Agência O Globo

Fãs de sagas de sucesso, como ‘Harry Potter’ e ‘Game of Thrones’, fizeram filas para garantir uma foto nas montagens

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO — As editoras fizeram um investimento pesado nas suas participações na Bienal do Livro do Rio deste ano. Os estandes, que se tornam, a cada ano, uma atração em si, receberam até uma sala de cinema. Um dos mais concorridos no primeiro fim de semana de Bienal foi o da editora Rocco. Casa dos livros do bruxo Harry Potter, a editora aproveitou os 20 anos da série e transformou o estande num castelo de Hogwarts. Do lado de dentro, as estantes de livros dividiam espaços com corujas, baús, vassouras e animais fantásticos do universo de “Harry Potter”. Já do lado de fora, as janelas do “castelo” faziam referência a cada um dos sete livros. Ao longo de todo o fim de semana, uma enorme fila se formou para tirar foto em uma vassoura, como se estivesse voando.

Já a HarperCollins Brasil, que faz sua estreia na Bienal depois de ter se separado do Grupo Ediouro no início deste ano, montou um cinema no Riocentro. As sessões, com início de dez em dez minutos, atraíram uma multidão. Dentro do cinema, o público fica deitado no chão para assistir a um filme sobre a importância da leitura. Na outra ponta do estande da editora, os visitantes podiam tirar foto em uma estação de trem cinematográfica, numa referência ao clássico de Agatha Christie, “Assassinato no Expresso do Oriente”.

O estande da HarperCollins Brasil apostou em uma estação de trem cinematográfica, numa referência ao clássico de Agatha Christie, 'Assassinato no Expresso do Oriente' - Analice Paron / Agência O Globo

O estande da HarperCollins Brasil apostou em uma estação de trem cinematográfica, numa referência ao clássico de Agatha Christie, ‘Assassinato no Expresso do Oriente’ – Analice Paron / Agência O Globo

 

Os estandes da Intrínseca, da do Grupo Editorial Record e da LeYa/Casa da Palavra, a atração era a interatividade. Na Intrínseca, muitas crianças posavam para fotos com o capacete característico do protagonista de “Extraordinário”, de RJ Palacio, portador de uma síndrome genética que provocou uma deformidade facial. Já na Record, havia um “espelho falso” em que o público podia “entrar” para tirar fotos, com o tema do romance “Menina Veneno”, de Carina Rissi. Ao lado, os simpáticos Asterix e Obelix também faziam sucesso com visitantes de todas as idades. No estande da LeYa/Casa da Palavra, o sucesso foi, mais uma vez, a réplica do trono de ferro de “Game of Thrones”, já que a editora publica os livros de George R.R. Martin. Contudo, neste ano, o trono enfrenta a concorrência de outros tronos de ferro espalhados pela Bienal.

Doação de livros a presidiários aumenta após reportagem do GLOBO

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Há também mais 19 bibliotecas vinculadas às escolas públicas que funcionam no sistema prisional, entre elas a do presídio Evaristo de Moraes - Márcia Foletto / Agência O Globo

Há também mais 19 bibliotecas vinculadas às escolas públicas que funcionam no sistema prisional, entre elas a do presídio Evaristo de Moraes – Márcia Foletto / Agência O Globo

 

Biblioteca Nacional encaminhará mais de 1.200 volumes a unidades carcerárias do estado

Caio Barreto Briso, em O Globo

RIO – Após a publicação da reportagem sobre remição de pena pela leitura, no último domingo, muitas pessoas entraram em contato com o jornal interessadas em doar livros para o sistema prisional do Rio. O GLOBO recebeu vinte contatos por e-mail e a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) também foi procurada. A Biblioteca Nacional vai doar 18 kits com 68 livros – 1224 volumes no total – para serem distribuídos nos presídios do estados: são publicações da casa que contam a história de Dona Ivone Lara, Chico Buarque, Aluisio de Azevedo e, entre outros, Machado de Assis. Quem quiser doar pode procurar diretamente a Seap no telefone (21) 2334-6267.

– Estamos montando sete novas nos presídios. Antigamente elas ficavam onde preso não tinha acesso, hoje ficam no miolo das unidades. Estamos providenciando também carrinhos de supermercado para distribuir os livros de cela em cela. Algumas unidades não fazem isso porque não têm como transportar os livros, mas até para isso dependemos de parceria – afirma Patrícia Freitas dos Santos, coordenadora de inserção social da Seap e membro do Conselho Penitenciário do Estado.

A secretaria usa uma viatura para buscar os livros: a Biblioteca Nacional já está esperando o veículo buscar o material doado. Enquanto reforça seu acervo de 40 mil livros, espalhados por 54 unidades prisionais, a Seap elabora em parceria com a UniRio o novo programa de remição de pena para a população carcerária fluminense, que se aproxima dos 50 mil presos. Após ser lançado em novembro e beneficiar 188 presos, agora será formada uma nova turma com 500 internos. A universidade vai usar professores e alunos de Letras voluntários, que ajudarão os presos na escolha do livro e na redação de uma resenha sobre o mesmo, exigência para a remição ser aprovada.

Após essa etapa, as resenhas ainda precisam receber o aval da Vara de Execuções Penal (VEP) e pelo Ministério Público estadual. Cada livro lido equivale a quatro dias de pena a menos, uma garantia prevista na lei federal 12.433/2011, que passou a permitir que, além do trabalho, o estudo também sirva para diminuir pena – a recomendação 44 do Conselho Nacional de Justiça, dois anos depois, formalizou a proposta da remição pela leitura especificamente.

– Poucos presos estudam e poucos trabalham, então a leitura surge como alternativa no processo de ressocialização. O desafio é tornar o projeto uma realidade. E a dificuldade inicial é justamente ter os livros – resume o defensor Marllon Barcelos, coordenador do Núcleo do Sistema Penitenciário da Defensoria Pública.

Além do projeto da remição de pena da Seap, há outras iniciativas de incentivo à leitura. Todas as sextas-feiras, por exemplo, três voluntários da doutrina espírita vão ao Presídio Evaristo de Moraes.

– Sempre levamos livros, espíritas ou não, e eles são disputados, lidos e passados de uns para os outros com alegria e sofreguidão. É algo que nos traz alívio e esperança, mostra quanto um bom livro pode mudar o rumo dos pensamentos ociosos e constantes na revolta e desalento – afirma a voluntária Fernanda Levi.

“VIOLÊNCIA SÓ MUDA COM LIVRO NA MÃO”

Outra iniciativa é da Defensoria Pública, que criou um grupo de leitura no Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica. A cada livro lido, as mulheres ganham um kit com sabonete, shampoo e absorvente – artigos raros nas celas, já que apenas uma a cada quatro presidiárias recebe visitas. O projeto foi idealizado há seis meses pela defensora pública Melissa Razuk Serrano. Na Penitenciária Feminina Joaquim Ferreira de Souza, onde estão 394 presas, muitas abraçaram os livros. Simone, por exemplo, já leu este mês “O processo”, de Franz Kafka, “A Cabana”, de William P Young, “O livro dos espíritos” e “O céu e o inferno”, de Allan Kardec. Ela faz parte do programa da remição pela leitura.

– Quem não lê aqui dentro, emburrece – afirma a interna Elenice.

Patrícia, coordenadora de inserção social e servidora da Seap há 20 anos, fica feliz com o aumento das doações. Para ela, é um jeito de a sociedade “se importar com o que acontece dentro desses muros”.

– Ledo engano achar que a violência vai diminuir com militares ocupando nossas ruas. Só muda com livro na mão.

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