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Trilogias que eu vou ler

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Paula Pimenta na Veja

Hoje encerro minha trilogia de posts inspirada na Bienal do Livro do Rio de Janeiro! Duas semanas atrás, sugeri livros que eu amei, para quem estivesse querendo começar uma nova leitura, mas sem ideias. Na semana passada, dei dicas para quem tem vontade de também ser escritor. E hoje escrevo sobre algumas novas trilogias literárias, que têm tudo para conquistar os nossos corações. O primeiro volume de cada uma delas acaba de chegar às livrarias e eu já estou com todos eles aqui. Estou tão curiosa que dá vontade de parar o tempo, só para poder me dedicar à leitura!

A ilha dos dissidentes é o primeiro volume da trilogia Anômalos. Em um mundo distópico e futurista, o planeta é divido em dois grandes blocos que vivem em constante guerra. Sybil Varuna, uma garota órfã, de 16 anos, só queria sair de Kali, zona paupérrima da guerra, e não precisar entrar para o exército. Mas ela nunca imaginou que iria descobrir que era um dos anômalos, um grupo especial de pessoas com mutações genéticas e habilidades sobre-humanas inacreditáveis. Como única sobrevivente de um naufrágio, ela agora irá se juntar a uma família adotiva na maior cidade de mutantes do continente e precisará se enquadrar a uma nova realidade. Pela primeira vez, ela tem amigos, um lar confortável e uma vida normal. Mas nem tudo é o que parece. Em sua nova escola, descobre que as aulas de técnicas especiais são muito mais que simples lições. Ela percebe que está presa em uma intrincada engrenagem muito maior, da qual precisará escapar se quiser viver realmente em liberdade. E logo aprenderá que ser diferente pode ser ainda mais difícil que viver em um mundo em guerra.

Sou viciada em distopias e não vejo a hora de entrar no mundo da anômala Sybil!

 

Métrica é o livro de estreia da trilogia Slammed. Após a perda inesperada do pai, Layken, de 18 anos, é obrigada a se mudar do Texas para o Michigan. Além disso, ela precisa ser o suporte tanto da mãe quanto do irmão mais novo. Por fora, ela parece forte, mas por dentro está prestes a perder as esperanças. Um garoto transforma tudo isso – o vizinho de 21 anos, que se identifica com a realidade de Layken e parece entendê-la como ninguém. A atração entre os dois é inevitável, mas talvez o destino não esteja pronto para aceitar esse amor.

Os dois outros volumes já foram lançados nos Estados Unidos e quem já leu mal pode esperar para que eles sejam publicados também no Brasil. Eu adoro esses livros que falam de mudança e superação. Além disso, o livro é recheado com muita poesia. Não tenho a menor dúvida de que vou amar!

 

 

De volta aos quinze é o primeiro da trilogia Meu Primeiro Blog. O que você faria se pudesse voltar no tempo? Anita está prestes a descobrir. Ela tem 30 anos e sua vida é muito diferente do que havia sonhado. Um dia, ao encontrar seu primeiro blog, escrito quando tinha 15 anos, algo acontece e ela se vê novamente vivendo as aventuras de uma das épocas mais intensas de sua vida: o ensino médio. Ao procurar modificar acontecimentos, ela começa a perceber que as consequências de suas atitudes nem sempre são como ela imagina. Em meio a amores impossíveis, amizades desfeitas e atritos familiares, Anita tentará escrever seu próprio final feliz em uma página misteriosa na internet.

Ao ler sobre esse livro, imediatamente me lembrei do filme De repente 30 e também do seriado Being Erica, que estão na minha lista de favoritos! E isso só aumentou minha curiosidade para ler De Volta aos Quinze, pois eu mesma adoraria poder voltar a essa idade, para dar uns conselhos a mim mesma…

 

Trono de vidro é o livro que dá nome a essa trilogia, inspirada inicialmente na Cinderela. Segunda a autora Sarah J. Maas, tudo começou quando ela pensou: “E se a Cinderela fosse uma assassina? E se ela fosse ao baile não para dançar com o príncipe, mas para matá-lo?”. E assim nasceu a protagonista Celaena Sardothien, de 18 anos. Depois de um ano de trabalho forçado por causa de seus crimes, ela é arrastada até o príncipe Dorian, que lhe oferece liberdade com uma condição: ela deve atuar como sua campeã em uma competição para encontrar o novo assassino real. Se ela derrotar assassinos, ladrões e guerreiros em uma competição para encontrar o maior assassino da Terra, ela será livre depois de servir o reino por três anos. Celaena topa, mas acaba se entediando com a vida da corte. As coisas ficam um pouco mais interessantes quando o príncipe começa a mostrar interesse por ela… Mas é o rude capitão Westfall, seu treinador, que parece entendê-la melhor. E uma princesa de um país estrangeiro será única a coisa que Celaena não pensava ter novamente: uma amiga. Porém, algo maligno habita o castelo. Pessoas começam a aparecer mortas. E então a luta de Celaena pela liberdade se torna uma luta pela sobrevivência e uma busca desesperada para acabar com a fonte do mal antes que ele destrua seu mundo.

A autora já avisou que está tão empolgada com a escrita dessa Cinderela assassina que pode até transformar a trilogia em uma série inteira de livros!

Dos Bailes para a Fama é o único dos que estão nessa lista que não é o primeiro, mas sim o segundo da trilogia (Sábado à Noite). O livro fala sobre amizade, superação e um amor que vem sendo construindo com o tempo. A protagonista Amanda, a garota mais popular da cidade, agora está sozinha e passa a ser o novo alvo de insultos no colégio. Por isso, terá que provar para todos que mudou. Já os marotos, antes tão detestados, agora serão as celebridades da vez. Será que eles terão maturidade suficiente para enfrentar essa nova fase? Entre brigas e partidas de paintball, bailes aos sábado com novos integrantes e um festival de música que irá mudar a vida de todos, esse livro tem todos os ingredientes para nos prender do início ao fim!

 

 


Sombra e Ossos
é o primeiro volume da Trilogia Grisha. Foi lançado no ano passado nos Estados Unidos e fez tanto sucesso que seus direitos já foram vendidos para o cinema. Mas não vai ser um simples filme… Ele vai sair pelo estúdio Dreamworks, tendo David Heyman como produtor, o mesmo de Harry Potter!

Esse romance mescla fantasia e distopia. Nele, a heroína Alina Starkov é uma órfã da guerra que cresceu na companhia de Maly, seu inseparável amigo e inconveniente paixão. Eles ingressaram em uma espécie de escola de treinamento militar com oito anos, e cresceram juntos, servindo à corte. Em uma das expedições que precisam fazer, Alina vê Maly ser atacado por monstros e ficar brutalmente ferido. Seu instinto a leva a protegê-lo, e inesperadamente descobre um poder que ela nem imaginava ter. A partir de então, é arrancada de seu mundo conhecido e levada da corte real para ser treinada como um dos Grishas, a elite mágica liderada pelo misterioso Darkling… Ela acabará descobrindo um segredo que poderá dividir seu mundo – e seu coração – em dois. Só que isso pode determinar sua ruína ou seu triunfo.

 

Como disse, estou tão ansiosa para ler todos, que nem sei por onde começar! Depois eu conto de qual deles gostei mais!

E você, está lendo o quê? Espero que sua semana seja bem literária!

Beijinhos!

Paula

Livros para curar o incurável

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A vida é cheia de momentos em que só a literatura pode nos ajudar

Danilo Venticinque, na revista Época

Nunca acreditei nas promessas da autoajuda, mas sempre confiei no poder curativo da literatura. Não importa qual situação enfrentemos na vida, há sempre um personagem de ficção que passou por ela, ou memórias de outras pessoas que superaram os mesmos dramas. Poucas experiências são tão transformadoras quanto ler o livro certo no momento certo – e há um livro certo para qualquer estado de espírito. Se você desconfia de todos ao seu redor, há um livro que pode ajudá-lo. Sente-se traído por uma pessoa amada? Há um livro para isso. Está entediado com a futilidade da vida e em busca de um significado para tudo? Há um livro (ou talvez todos) para isso.

Como qualquer pessoa com um trabalho vagamente relacionado à literatura, vez ou outra sou procurado por alguém que quer indicações de livros. No início, ciente da minha ignorância, eu desconversava. Com o tempo, perdi a vergonha. Indicar o melhor livro para cada pessoa e cada situação tornou-se um desafio delicado e recompensador. Não é necessário qualquer treinamento para se tornar um terapeuta literário: apenas o gosto pela leitura, uma memória razoável e um pouco de pretensão.

A busca pela indicação ideal ultrapassa os limites da minha estante. Perdi a conta de quantas vezes indiquei um livro que eu não havia lido, com base na vaga impressão de que seria a leitura perfeita para aquela pessoa, naquele momento. A falta de regulamentação para os terapeutas literários permite essas irresponsabilidades. Fora isso, minha pequena experiência nessa área me convenceu de que é possível conhecer um livro sem jamais ter encostado nele.

Uma das autoras que mais indiquei sem ter lido foi Joan Didion, de O ano do pensamento mágico e Noites azuis. No primeiro, a autora descreve sua solidão após perder o marido, com quem viveu por quase 40 anos. No segundo, narra sua vida após a morte da filha, apenas 20 meses depois. Os dois livros entraram merecidamente nas listas de mais vendidos. É provável que você já os tenha lido, ou tenha ouvido falar deles. Comprei os dois quando foram lançados, mas nunca me senti preparado para lê-los. Mesmo assim, Joan Didion sempre foi minha recomendação para amigos e conhecidos que procuravam um livro para ler após enfrentar uma grande perda.

No último sábado, passei por uma dessas situações em que recorremos aos livros em busca de consolo: a morte inesperada de um grande amigo, em circunstâncias particularmente dolorosas. Na literatura, no cinema e na música, há milhares de obras que nos alertam sobre a finitude da vida e nos aconselham a aproveitar cada momento ao lado de pessoas queridas. Lamento não ter seguido os conselhos. Perdi a chance de passar mais tempo com uma das pessoas mais incríveis que conheci. A caminho do velório de meu amigo, na mesma igreja em que fui padrinho de seu casamento, não pude deixar de lembrar de todas as vezes em que deixamos de nos encontrar por preguiça, e de imaginar as conversas que poderíamos ter tido. Um doloroso e inevitável exercício de ficção.

Eu tinha outros planos para esta coluna, mas preferi deixá-los para uma semana melhor. Em vez disso, decidi seguir, com anos de atraso, a minha própria recomendação. Dediquei o resto do fim de semana a ler Joan Didion. Devagar, como quem reaprende a pensar na vida. Ainda não terminei nenhum dos livros. Tenho pouco a dizer sobre eles. Tanto tempo depois do lançamento, as melhores e as piores resenhas já foram escritas. O que importa é o que os livros têm a dizer para mim e o que já disseram para os outros leitores. Foi uma indicação acertada, tanto para eles quanto para mim.

Por alguma coincidência, o luto é o tema principal de dois livros que mencionei em colunas recentes. Nina Sankovitch, de O ano da leitura mágica, só decidiu ler um livro por dia durante um ano porque tentava recomeçar a vida após a morte de sua irmã. Em O clube do livro do fim da vida, as conversas literárias de Will Schwalbe e sua mãe só se tornam rotineiras quando ela começa a passar por sessões semanais de quimioterapia.

Diante da certeza de que “a vida muda num instante”, como escreveu Joan Didion, nada mais natural do que recorrer aos livros para retomar o controle. São provas vivas de que não estamos sozinhos. Podemos contar com os pensamentos e as experiências de outra pessoa que enfrentou uma situação igual ou pior. Não a esqueceu, mas sobreviveu a ela e teve força para narrar sua história. Transformada em livro, a dor do autor pode ser um remédio para quem lê.

5 maneiras de ler mais livros e se tornar mais inteligente

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Quer se tornar mais inteligente por meio da leitura? Uma boa ideia é aumentar o número de obras que você lê. Veja dicas que vão ajudá-lo a fazer isso

Publicado no Universia Brasil

5 maneiras de ler mais livros e se tornar mais inteligente

Crédito: Shutterstock.com
Pesquisas sobre experiência de usuário mostram que cada vez mais as pessoas usam aplicativos ou recursos digitais para leitura

A leitura pode trazer diversos benefícios para a vida de uma pessoa. Com ela você expande os seus horizontes, aumenta o seu nível de cultura, ganha mais vocabulário e, em consequência, se torna uma pessoa mais inteligente. Porém, para alcançar todas essas vantagens é preciso fazer da leitura um hábito. Se você ainda não tem intimidade com os livros e quer se tornar alguém mais inteligente, veja dicas que vão ajudá-lo a ler mais livros:

1. Tenha sempre um livro

O melhor incentivo para ler mais livros é ter um exemplar sempre à mão. Leve um livro com você para onde você for, assim você pode utilizar o tempo livre para adiantar sua leitura.

2. Use os recursos digitais

Pesquisas sobre experiência de usuário mostram que cada vez mais as pessoas usam aplicativos ou recursos digitais para leitura. Se você não quer o peso de um livro, opte pela versão digital dele. Dessa maneira você pode ler no seu tablete ou mesmo no smartphone.

3. Grife as partes interessantes

É comum se distrair por alguns momentos durante a leitura e ter de acabar voltando várias páginas para entender o contexto do que está sendo discutido. Para evitar esse tipo de problema, uma boa saída é grifar o que você considera mais importante, independentemente de ser um livro técnico ou de ficção. Isso vai fazer com que você se mantenha atento ao que está lendo e evita a perda de tempo por voltar a conteúdos que você já viu.

4. Alterne leituras fáceis e difíceis

Existem leituras mais complexas que outras, o que pode desmotivar você e destruir seu interesse. Por isso, uma boa estratégia é alternar entre leituras mais difíceis e outras simples. Não é vergonha nenhuma ler livros de entretenimento, ninguém precisa ler apenas grandes nomes da literatura mundial ou obras que discutem temas profundos e complexos. Tente adaptar sua lista para que ela seja confortável para você.

5. Crie um hábito

A leitura pode ser maçante no começo, mas se tornará mais simples conforme você pratica. Por isso é fundamental que você não desista no primeiro livro que considerar difícil, vá em frente e crie o hábito de ler. Uma boa ideia é estabelecer metas. Quantos livros você quer ler no período de um mês? Aumente os objetivos conforme você perceber que a leitura está fluindo melhor.


 

Em Sergipe, ex-moradora de rua torna-se professora universitária

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Em Sergipe, ex-moradora de rua torna-se professora universitária - Marcelo Freitas/ASSCOM/UNIT

Em Sergipe, ex-moradora de rua torna-se professora universitária – Marcelo Freitas/ASSCOM/UNIT

Paulo Rolemberg, no UOL

Primeiro dia de aula em uma turma do curso de psicologia da Universidade Tiradentes, em Aracaju (SE), uma professora se apresenta e começa a contar uma história para os alunos sobre uma criança que morava na rua. Quase todos na sala se emocionam e ela finaliza com “a menina da história sou eu”.

O relato ouvido por esses alunos na última terça-feira (20) foi feito pela professora Marta Barreto de Souza, 44, ex-moradora de rua que aos dois anos de idade foi encontrada por um jovem enquanto mendigava. Hoje, formada em serviço social e psicologia, leciona em três cursos universitários e está concluindo um mestrado em educação.

A vida de Marta começou a mudar quando foi encontrada por Miguel José de Souza. O jovem de 17 anos foi fazer compras no mercado municipal de Aracaju quando presenciou uma cena chocante. Uma senhora sentada, aparentemente dormindo, tinha um recém-nascido ao lado e uma criança, com aproximadamente dois anos e meio, brincando na lama. “Eu brincava na lama, mas ele não conseguia entender porque essa criança continuava rindo o tempo todo e isso chamou a atenção dele, como ele mesmo me contou depois”, lembra a professora.

Miguel se aproximou e perguntou se a menina estava com fome e comprou para ela um picolé. Após um período de conversa com a criança, o jovem se deu conta que a mulher estava morta. Uma outra mulher ao perceber algo estranho se aproximou e disse para Miguel: “se você levar a menina eu levo o menino (recém-nascido)”, teria dito. A partir deste momento, a professora nunca mais viu seu irmão ou irmã.

Decidido a salvar a vida da criança, Miguel levou a menina para casa. Mas quando precisou servir no Exército, sua mãe, que já criava nove filhos, deixou a menina com uma vizinha. O tempo na nova moradia foi curto, a vizinha perdeu o marido e resolveu voltar para o Rio de Janeiro e deixou Marta em um orfanato.

‘Não via nada como barreira’
Enquanto morava no orfanato, Marta fez curso técnico de enfermagem, que a ajudou a conseguir um emprego que custeou a primeira formação de nível superior. “Trabalhava e custeava a faculdade de Serviço Social”, lembra. Marta não parou mais, em seguida fez duas especializações e depois fez o curso de psicologia e está concluindo o mestrado em educação.

“Eu não via nada como barreira. Você não pode se tratar como coitadinha (por morar em um orfanato). Eu via isso como uma possibilidade de crescimento. Eu tive muita dificuldade dentro da universidade. A minha superação era de que eu precisava está, no mínimo, dentro da média. Eu estava aquém da média então comecei a devorar os livros”, destacou.

Do orfanato, a professora carrega com ela o sentimento de igualdade e o ensinamento que todos tem que fazer parte de suas próprias mudanças.

Reencontro com Miguel
Ao longo de oito anos, Miguel deixou o Exército, mas teria perdido o contato com a criança que ele ajudou. “A informação passada pela mãe dele é que a vizinha teria me levado para o Rio de Janeiro. Nunca dizia onde realmente eu estava”, ressaltou a professora. Determinado, a encontrar sua “filha”, Miguel conseguiu reencontrá-la oito anos depois quando a mesma tinha 12 anos, porém a receptividade não foi a que ele esperava. “Conversou comigo e acabei rejeitando ele inicialmente, porque até então não lembrava dele”, disse a professora. O rapaz foi embora e um novo reencontro aconteceu há cerca de oito anos.

Para surpresa dela, no primeiro dia das crianças que passaram juntos, Miguel lhe entregou a nova certidão de nascimento, na qual constava como pai Miguel José de Souza. Além disso “ganhou” mais quatro irmãos.

O passado e futuro
Marta disse que gostaria de saber qual o destino que levou seu irmão ou irmã, que até já tentou descobrir sem êxito. Em alguns lampejos da memória, a professora diz recordar apenas que “colocavam moedas em minhas mãos e eu achava engraçado. São lembranças muito vagas. Não sei de onde realmente eu vim. As melhores lembranças que eu tenho é do orfanato”, disse ela.

Há três anos Marta aguarda na lista de espera para adotar uma criança e como se tornou uma rotina na vida dela, um sonho não tão distante buscar um doutorado. “A vida é difícil para qualquer pessoa. Fui forte e tentei sempre sem desistir”, encerrou a conversa, com o sorriso no rosto.

Desligue a TV e vá ler um livro

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Publicado no Campo Grande News

O decorador assume que não foi e nem é fácil se desligar do bendito aparelho. Mas que o capítulo pós abolição foi envolto de leitura. (Foto: Marcos Ermínio)

O decorador assume que não foi e nem é fácil se desligar do bendito aparelho. Mas que o capítulo pós abolição foi envolto de leitura. (Foto: Marcos Ermínio)

Título original: Por 1 ano e meio ele aboliu a TV de casa e trocou os canais por vida diferente

Em março do ano passado as correntes que prendiam o decorador José Clovis Guerreiro, de 55 anos, foram quebradas. Longe de qualquer clichê, ele que é conhecido como Zezé Guerreiro, parou de só reclamar da programação da TV e resolveu abolir o aparelho de casa. O resultado foi 1 ano e meio longe da telinha, 20 livros lidos e a liberdade de não ter mais como patroa, a televisão.

“A TV nos prende muito e a programação é um horror. Sem a televisão se tem qualidade de vida, porque ela tem um poder que deixa você ligado o tempo todo. Você dorme pouco, dorme tarde…”, exemplifica.
Zezé conta que a rotina de só dormir depois que tal programa fosse visto chegou ao fim depois que ele levou o aparelho para uma casa que mantém no interior de São Paulo.

Foi há 15 dias que a protagonista que, hoje é coadjuvante na casa, voltou a ter espaço nos cômodos. O combinado foi que ela só voltaria para filmes e aos finais de semana, o que para ele não tem representado dificuldade nenhuma. “Comecei a descobrir muitas coisas e ler virou mania. Estou no meio de um livro e já vou comprando outro. Acostumei tanto que se eu fico sem ler me irrita”, relata.

A troca dos canais pelas páginas veio logo depois da ausência da ‘patroa’. O decorador começou a buscar a leitura a partir do momento em que a TV foi abolida. “Ela direciona muito o seu tempo, vira uma patroa na sua vida e determina seus horários”.

Aquele velho ditado caberia muito bem na vida de Zezé, adaptado para “quanto mais vejo TV, mas gosto dos meus livros”. Analisando as novelas de agora, o que a tela ensina, na visão dele, é maldade o tempo todo. “É um tal de um querer passar a perna no outro. Sempre achei que o ser humano gostasse mais das coisas erradas mesmo. Programa dá ibope quanto tem briga, coisa boa ninguém quer ver”, avalia. E há de se convir que ele está certo mesmo.

Nas conversas entre amigos e gente que desconhecida até então, o que ele mais viu foi nariz torcido e olhos arregalados quando vinha à tona a abolição assinada por ele dentro de casa. “Não, o quê? Mas você é crente? Como? Por quê? E eu dizia não, é uma opção. Falava com o maior orgulho”.

A história de ficar deprimido em frente à TV com o Faustão seguido do Fantástico, anunciando que o final de semana acabou também foi extinta da vida dele. “Eu não fico desesperado. Tem gente que já está até acostumada, para! Não deixa que ela determine a sua vida”, repreende.

Dos bate-papos em casa para um diálogo cada vez mais monossilábico. A televisão influencia até na convivência das famílias que vem deixando de trocar informações sobre o dia-a-dia para por em pauta a novela, por exemplo.

Desde criança, Zezé tinha horário para ver desenho e depois desligar o botão. De resto, a brincadeira era na rua mesmo. Bem oposto ao que ele vê hoje, de gente que não conversa e quando faz, se resume a um micro diálogo. “Se chega em casa e ‘tuf’ liga a TV. Hoje eu saio da onde ela está”.

O decorador assume que não foi e nem é fácil se desligar do bendito aparelho. Mas que o capítulo pós abolição foi envolto de leitura. “Aquele aparelho determinada alguma parte e de repente não determina mais. Então muda. É uma mudança de vida falar não para a TV e sim para o livro”.

Depois da quarentena, bem maior que o tempo proposto do termo chegou ao fim, ele colocou a TV de volta, mas sem tirar qualquer livro da estante. “Eu não vou perder o que conquistei, essa vontade de ler. Eu recomendo e muito, mas para o brasileiro isso é loucura. Se todo mundo fosse louco assim o mundo ia ser maravilhoso”. A paixão com que ele passa os relatos dá vontade de abolir também.

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