Vitrali Moema

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Quem tem medo dos críticos?

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Daniel Prestes, no Vá ler um livro

Tenho percebido a algum tempo que blogs literários dificilmente tem muitos comentários, salvo algumas exceções e, é mais raro ainda que, quando há, o leitor fuja do já dito pelo autor ou, ainda, apresente argumentos para justificar a concordância. No geral, os comentários se resumem a um “concordo plenamente”, “assino embaixo” e suas variações.

E aí eu me pergunto: Que tipo de leitores estamos formando? Que tipo de leitor é esse que não consegue reestruturar o pensamento posto pelo texto? Que leitor é esse, que não consegue apontar elementos no que está escrito para a sua concordância? Que gosta de tudo, porque achasse contemplado ipsi literis, vírgula por vírgula, em cada ponto?

É ainda pior quando, conversando com algumas pessoas, ouço as seguintes justificativas: “tenho medo de parecer tolo”, “não sei o que comentar” e “e se eu estiver errado?”.

Ora, você leu o texto e tem sua experiência de vida, de leitura de outros textos, assim, não me parece possível que você não tenha nada a acrescentar ao que está posto. Posicionar-se nos comentários, ir além do gostei, é também parte do ato de ler, pois nele, você constrói um sentido, “re”-significa e entra em diálogo com o autor. É justamente por isso que temos o espaço para comentários, para que esse diálogo aconteça e, quando isso ocorre, é uma dádiva, porque você trabalha os sentidos postos no texto e faz com que o autor trabalhe ainda mais as suas próprias ideias.

O crítico, o cara que escreve o artigo de opinião não é detentor da verdade, ele é alguém que olha o mundo sob uma determinada perspectiva, essa a qual ele lhe convida a conhecer, e quando você entra em contato com ela, a sua própria noção de mundo se alarga e expande.

Porque não oferecer essa mesma oportunidade de alargamento ao autor do texto que você leu? Porque não sair dessa postura passiva de leitura, de recolha de ideias e entrar no jogo do diálogo e, assim, ser um participante na construção de conhecimento?

A crítica precisa de críticas. A crítica precisa do diálogo.

“É mais difícil ser intelectual no Brasil do que na França”, avalia Muniz Sodré

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Alexandre Gaioto no O Diário

Muniz Sodré está com um copo de cerveja na mão – vez ou outra, faz uma pausa para bebericar a caipirinha à base de Velho Barreiro – e pela primeira vez na nossa conversa hesita em iniciar a resposta imediatamente. Espera. Toma outro gole de cerveja.

Olha para a mesa ao lado, onde imortais da Academia Brasileira de Letras saboreiam um farto churrasco – sem vergonha de repetir as fartas pratadas –, observa João Bosco cantando “Kid Cavaquinho” com um grupo de samba ao nosso lado, dá uma geral, o sorriso nos lábios, no salão de festas do prédio onde mora, no Cosme Velho, no Rio de Janeiro. Eu havia perguntado, um minuto antes, como, afinal de contas, ele gostaria de ser lembrado daqui a uns 80 anos.

"É mais difícil ser intelectual no Brasil do que na França", avalia Muniz Sodré - Divulgação

Um dos maiores intelectuais da América Latina? Um jornalista? Um escritor? Apontando para um cabeludo de manga cavada, bermuda e chinelo, com um violão a tiracolo, o aniversariante do dia finalmente responde: “Coloca aí que eu quero ser lembrado como o aluno de violão dele”, e disse o nome inteiro daquele seu colega de UFRJ, um jovem professor da área de comunicação, estendendo-me o copo de cerveja para um brinde.

 

Quatro anos depois desse encontro, Muniz Sodré continua o mesmo. Lutando contra a própria sombra, ele esperneia, nega e faz de tudo para não aceitar o que, de fato, é: um gênio.

“Não sou um dos maiores intelectuais de lugar nenhum”, rechaça, em entrevista por e-mail concedida nesta semana ao Diário.

Com mais de três dezenas de livros teóricos sobre comunicação e cultura, além de uma produção paralela voltada para a literatura, com contos, novelas e um romance, Muniz Sodré, aos 71 anos, é um dos pensadores brasileiros com maior trânsito no exterior, com cursos ministrados na Europa, Estados Unidos e América Latina.

Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, mestre em Sociologia da Informação e Comunicação na Université de Paris IV (Sorbonne) e doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, teve seus livros traduzidos na Itália, Espanha, Bélgica, Cuba e Argentina.

Pelo menos duas de suas obras, “A Comunicação do Grotesco: Introdução à Cultura de Massa no Brasil” (1983) e “Antropológica do Espelho” (2002), são canônicas para quem se mete a teorizar a comunicação e o jornalismo: refletidas, parafraseadas e citadas por deus e o mundo.

Amigo pessoal de Jean Baudrillard, Caetano Veloso, João Ubaldo Ribeiro e Gilberto Gil – por quem foi convidado à presidência da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, cargo exercido de 2005 a 2011 -, Muniz Sodré causa espantos: é assustador assisti-lo em minuciosas costuras teóricas da antropologia com filosofia, comunicação, história, sociologia, literatura, em livros e palestras.

Professor da ECO/UFRJ, Muniz Sodré desembarca em Maringá (100 km de Londrina) nesta sexta-feira (19) à noite para falar sobre educação, numa palestra promovida pela Sociedade Médica, no Teatro Calil Haddad, com entrada grátis.

Antes, conversou com o Diário sobre seus livros e avaliou sua trajetória – que, certamente, será lembrada, daqui a uns 80 anos, por uma porção de contribuições ao pensamento científico e à literatura, mas dificilmente há de se resumir às lições de violão com o professor universitário, cabeludo e de manga cavada, do início deste texto.

O DIÁRIO – O senhor é considerado um dos maiores intelectuais da América Latina. O que acha disso?

MUNIZ SODRÉ Não, não é questão de modéstia, mas não sou considerado um dos “maiores intelectuais” de lugar nenhum. Sou um professor da área de comunicação e de cultura nacional que escreveu livros ainda circulantes no mercado editorial e em círculos restritos, principalmente entre os ativistas negros. O Brasil é um país linguisticamente isolado, não nos leem nos países de língua hispânica…

Tenho circulado no exterior como conferencista, mas não creio em reconhecimento. Nem busco. O que acontece é que faço muitas conferências, dou entrevistas, e isso acaba redundando numa imagem pública que, no meu caso, não é das piores… Por que faço tudo isso? Porque acho que a função intelectual é a da fala pública ao lado da pesquisa privada. Conhecimento entesourado é coisa de mandarim.

Gostaria que comentasse a educação que você recebeu na escola pública. Como foi?

A minha educação sempre se deu em escolas públicas, que costumavam ser boas e, além do mais, democráticas. O ensino público é um dos esteios da convivência democrática das classes sociais. Não sei se poderia ter sido melhor. Na verdade, os professores que tive me foram fundamentais. Na escola pública, me iniciei nas línguas que atravesso (jamais tomei cursos particulares) e me preparei para outras, como o alemão, o russo e o árabe, que aprendi fora da escola. A língua portuguesa ensinada pela professora Helena Assis no colégio estadual de Feira de Santana até hoje está comigo.

(mais…)

Promo de quinta (5)

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“Nada jamais continua, tudo vai recomeçar!”
Mario Quintana

Olá, fissurados em livros.

A semana está passando rapidamente e já é quinta-feira, dia de 2 felizardos ganharem livros superlegais, presente do PublishNews e do Livros e Pessoas, dupla mais afinada que muitas sertanejas. 😛

A editora que vai participar hoje com a gente é a Objetiva e o livro escolhido foi o lançamento Livre – A jornada de uma mulher em busca do recomeço. Toda trabalhada na generosidade, a galera de lá mandou 2 kits com livro + mochila + squeeze. #todasquer

Olha só o que a Oprah Winfrey disse sobre essa obra:

“Eu amo este livro. Quero gritar isso do topo de uma montanha. Quero gritar na internet. Amo tanto e quero tanto falar sobre ele que decidi reinventar meu clube do livro.”

 

Hoje vamos fazer diferente. Para concorrer, basta deixar um comentário neste post dizendo algo que você deseja recomeçar ainda neste ano. Essa demonstração de coragem e de disposição certamente vai inspirar outras pessoas a compor novas páginas na aventura da vida. #natorcida

No final da tarde divulgaremos os nomes dos internautas sorteados. Boa sorte! :-)

Big abraço

 

***

Parabéns: Pamela Pecegueiro e Ro Angarten :-)

Vale quanto mede?

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Hillé Puonto, no Manual prático de bons modos em livrarias

hahahaha, não.

final de expediente é quando a verdadeira magia acontece. a magia cria asas e ninguém é capaz de segurar o seu tchan. e por falar nisso, foco aqui, amigos do fórum, o causo de hoje é digno de tese em hogwarts.

(livreira a, que está guardando alguns livros do setor, é abordada por livreira b)

livreira b: a altura do harry potter?

(porque, né, não basta ser livreiro, tem que acompanhar a loucura da freguesia. livreira acha a pergunta estranha – eufemismo para ‘what the fuck’ -, mas responde mesmo assim)

livreira a: olha, depende. no primeiro livro ele era baixinho e no último ele já está bastante crescido, então deveria ser mais ou menos desse tamanho e…

(livreira a percebe uma mudança drástica no semblante da sua colega de trabalho e fica preocupada. paralisia de bell? talvez)

livreira b: como assim?

livreira a: você não me perguntou a altura do harry potter?

livreira b: não, eu quero saber quem é a A-U-T-O-R-A.

manual prático de bons modos em livrarias: autora, altura, ator, autor, tudo igual. livreira a tá de parabéns. eu não teria respondido melhor. clap.

Ônibus-biblioteca amplia acesso à literatura em escolas públicas do Rio de Janeiro

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Monitora Lúcia Morais narra uma lenda indígena para crianças da comunidade Águia de Ouro, em Del Castilho Mariana Moreira

Monitora Lúcia Morais narra uma lenda indígena para crianças da comunidade Águia de Ouro, em Del Castilho Mariana Moreira

Mariana Moreira, no O Globo

RIO – Para quem olha de relance, o ônibus do projeto “Livros nas praças” pode ser facilmente confundido com um veículo comum, estacionado entre a Linha Amarela e um campo de futebol na favela Águia de Ouro, em Del Castilho, na zona norte da cidade. No entanto, basta se aproximar para perceber que ali dentro tudo é diferente. O motorista ainda tem o seu espaço, mas os bancos deram lugar a prateleiras cheias de livros, e o corredor é tomado pelo vai e vem de leitores. Do lado de fora, coladinho ao ônibus-biblioteca, um pedaço da calçada forrado com tapete colorido de borracha se transforma em um lúdico espaço de contação de histórias.

Desde novembro, a biblioteca itinerante estaciona próximo à escolas públicas de 10 praças do Rio com a missão de levar livros para quem não têm acesso à leitura. Além disso, como afirma Camila Castanho, subcoordenadora do “Livros nas praças”, o projeto busca desconstruir preconceitos e desmistificar a relação entre monotonia e literatura, principalmente para os jovens leitores.

– Não importa a região que visitemos, sempre percebemos que as crianças querem estar com os livros, querem ouvir as histórias. Existe um preconceito contra os moradores destas regiões, e nós queremos mudar isso porque vemos, diariamente, que não corresponde à realidade. Eles adoram ler, só falta o acesso – explica Camila, ao afirmar que, apesar da timidez inicial, os adultos são frequentadores do ônibus:

– Sempre tem algum pai ou mãe que pergunta “adulto pode?” – conta ela, informando que cerca de 60 pessoas passam pelos ônibus de quarta a domingo.

Pais têm que dar o exemplo

O projeto é uma iniciativa da produtora cultural Korporativa, financiado por meio da lei do ISS, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura. Além da Águia de Ouro, de 15 em 15 dias o ônibus faz parada em Madureira, em Cascadura, na Pavuna, em Água Santa, nas favelas da Vila Cruzeiro, na Cidade de Deus, na Maré e no Complexo do Alemão, onde estará nesta sexta-feira.

O espaço sobre rodas é bem semelhante a uma sala de leitura. Há cadeiras, bancadas e, nas prateleiras, que abrigam cerca de 1500 livros escolhidos pela curadora e coordenadora Luísa Côrtes, há títulos para todos os gostos e idades. Além das edições infantojuvenis, há ficções clássicas como as de Jorge Amado, Julio Verne, Rubem Fonseca, biografias e livros de poesia. A média de idade dos leitores vai de 7 a 14 anos. E para pegar um livro emprestado é muito fácil: basta levar a identidade e um comprovante de residência. Já a devolução é feita quando o ônibus volta para o ponto de encontro com os leitores.

Na última quinta-feira (21), após alguns segundos percorrendo as prateleiras, a pequena Raniely de Oliveira, de 8 anos, aluna do Ciep Patrice Lumumba, sabia muito bem o que ia levar para casa. Escolheu a narrativa de “De pata, penas e escamas”, de Malô Carvalho (Ilustrações de Suzete Armani, editora Autêntica), mas revelou que gosta mais de outro gênero literário:

– Eu adoro poesia! – disse ela, segurando livro.

Embora seja um projeto de formação de jovens, que busca, junto com as escolas, complementar a experiência que os alunos e os moradores do entorno têm na escola, o veículo também recebe a visita de adultos. Muitos pais que acompanham os filhos acabam levando uma edição para casa. A dona de casa Cristiane Soares da Silva, de 36 anos, foi sozinha ao ônibus buscar uma edição infantil de “Os três Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas, para o filho Nicolas, de 10 anos, e aproveitou para pegar “Quando ela se foi”, de Harlan Coben (Arqueiro).

– Essa é a terceira vez que eu pego livros emprestados. Ler faz bem. Muitos pais só reclamam do ensino e das que crianças não leem, mas temos que dar o exemplo e ler com eles – observou Cristiane.

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