Praças da Cidade

Posts tagged países

“A escola não pode espelhar a sociedade, a escola deve mudar a sociedade”, diz ministro sueco em passagem por Porto Alegre

0
Gustav Fridolin pedalou por Porto Alegre no fim de semanaLauro Alves / Agencia RBS

Gustav Fridolin pedalou por Porto Alegre no fim de semanaLauro Alves / Agencia RBS

Gustav Fridolin esteve na Capital no último fim de semana e conversou com GaúchaZH

Larissa Roso, no Gaucha ZH

Em dois anos, todas as crianças suecas estarão estudando programação de computador a partir do 1º ano do Ensino Fundamental. A reforma curricular em curso na nação nórdica – onde o ensino é gratuito para todos, da pré-escola à universidade – também prevê foco no desenvolvimento das habilidades que permitem que os alunos sejam capazes de diferenciar fatos e mentiras, as fake news, na internet. Ministro da Educação da Suécia e professor de História de formação, Gustav Fridolin, 34 anos, esteve em Porto Alegre no último final de semana para participar da programação da 63ª Feira do Livro, na qual seu país é um dos homenageados.

Fridolin também é porta-voz do Partido Verde, atualmente no governo, e ativista da causa ambiental. Aproveitou a estadia na Capital para um passeio de bicicleta pelas ruas do Centro, da Cidade Baixa e do Bom Fim. Ao final da pedalada, comentou que é possível perceber um interesse das autoridades em criar alternativas de locomoção na cidade, mas que “ainda há desafios”.

As crianças suecas vão começar a estudar programação de computadores a partir do primeiro ano da escola primária. Por quê?

Muitas já fazem isso. Em 2019, passará a ser obrigatório. Isso faz parte de um projeto mais amplo: a reforma do nosso currículo também inclui habilidades digitais para que os alunos se tornem aptos a prestar atenção nas fontes de informação da internet, separar fatos de mentiras, notícias de propaganda. Isso é necessário por duas razões: as escolas deveriam preparar todos os seus jovens cidadãos para serem cidadãos democráticos. Para isso, você precisa entender a sociedade, tomar decisões bem embasadas, ser capaz de refletir sobre as informações. Para mudar o mundo, você precisa entender o mundo, e programação é uma das coisas que, a exemplo de eletricidade ou infraestrutura, afetam nossa vida diária. Se você não entender isso, não poderá entender a sociedade, e se não entender a sociedade não poderá mudá-la. A outra razão é que habilidades digitais e de programação são necessárias no mercado de trabalho.

Aqui há professores em greve e recebendo salários parcelados. Em geral, os melhores alunos não querem lecionar. Como é a vida de professor na Suécia?

Tem sido um desafio também para nós. Nossa população infantil está crescendo, em grande parte devido a crianças que nascem na Suécia, o que é ótimo, mas também porque estamos recebendo crianças vindas de zonas conflagradas, como Síria e Afeganistão, e também é fantástico que possamos fazer isso. Mais crianças demandam mais professores, então temos trabalhado duro para que mais pessoas queiram se tornar professores. Vemos algumas tendências positivas: mais professores permanecem na profissão, há professores que estavam em outras carreiras e voltaram para o magistério, mais profissionais de outras áreas estão se tornando professores. Para quem não tem habilidades pedagógicas, oferecemos a possibilidade de aprendê-las. Mas a falta de professores ainda é um problema. Temos investido no aumento de salários e na contratação de equipes assistentes.

Um bom professor é o principal fator para o sucesso de um estudante?

Sim. E ter tempo com esse bom professor também. É isso que faz desse o melhor trabalho do mundo, quando você tem as condições adequadas: estar lá no momento em que outra pessoa se dá conta de que está aprendendo, de que conseguiu entender algo que achava que era impossível. Isso é fantástico. Meu trabalho é assegurar que mais momentos como esse aconteçam nas escolas suecas.

Os brasileiros não leem muito. Vocês leem.

Focamos muito nisso: todas as crianças têm que ler. Ler mais na escola e também em casa, com os pais lendo com seus filhos. Na semana passada, tivemos (no ano letivo) o intervalo de outono, que renomeamos para intervalo da leitura no ano passado. Já podemos ver mudanças: aumentou em 20% o número de livros juvenis vendidos, especialmente para a faixa de leitores de 12 a 15 anos, e as bibliotecas relatam mais visitas nesse período. Temos trabalhado com sindicatos de trabalhadores para fazer com que os pais leiam mais. Sabemos que é importante que uma criança leia com seu pai, e também é importante que ela veja seu pai lendo.

A Suécia é um dos líderes em produção científica. No Brasil, por causa da falta de verba, muitos cientistas estão desistindo da pesquisa ou se mudando para outros países. Considerando-se o desenvolvimento econômico e social, qual você acredita ser a importância da ciência?

É difícil pensar em algo mais importante do que educação e ciência para o desenvolvimento da nossa sociedade, especialmente quando tantas coisas estão mudando. A maneira como vivemos e trabalhamos, organizamos a sociedade, viajamos, nos comunicamos uns com os outros, obtemos eletricidade, usamos nossos recursos, tudo isso vai mudar nas próximas décadas. Os países que encontrarem soluções de que o resto do mundo está precisando, para transportes e energia verde, por exemplo, vão prevalecer. Os países que não conseguirem vão depender das soluções dos outros.

Qual é o seu maior desafio como ministro da Educação de um país com um nível educacional muito bom?

Acabar com a desigualdade. Muito já aconteceu, mas muito ainda precisa ser feito. O que vemos em quase todos os países é uma desigualdade crescente. A desigualdade econômica afeta as escolas. Se não interrompermos esse ciclo, haverá um grande risco para nossa economia, nossa segurança e nossa democracia. Temos que garantir que todas as crianças tenham uma boa educação para assumir o controle de suas vidas. O maior e mais importante investimento para quebrar a desigualdade é através da educação. A escola não pode se contentar em espelhar a sociedade, a escola está lá para mudar a sociedade, para construir um futuro melhor.

Diário de Anne Frank ganha versão em HQ e alerta para riscos da intolerância

0
Cena de "O diário de Anne Frank em quadrinhos" - Reprodução

Cena de “O diário de Anne Frank em quadrinhos” – Reprodução

 

Lançado simultaneamente em 50 países, obra foi adaptada por Ari Folman e David Polonsky

Fernando Eichenberg, em O Globo

PARIS – Quando foi contatado pela Fundação Anne Frank para realizar um filme de animação e uma história em quadrinhos baseados no célebre diário da jovem judia que permaneceu escondida durante a Segunda Guerra Mundial e acabou morrendo, aos 15 anos, no campo de concentração nazista de Bergen-Belsen, o cineasta israelense Ari Folman foi categórico em sua resposta: “Não”.

— Era muito grande o nome Anne Frank, e tudo já havia sido feito sobre o diário. Mas voltei para casa, fiquei pensando na razão pela qual haviam me solicitado, e cheguei à conclusão de que era algo que tinha de fazer. Levou uma semana para mudar de ideia e aceitar — explicou o diretor, em entrevista concedida em Paris.

Folman convenceu o diretor de arte e ilustrador David Polonsky, seu parceiro no premiado filme “Valsa com Bashir” (2008) e também em “O Congresso Futurista” (2013), no início também reticente à ideia, e este mês, 70 anos após a primeira publicação do “Diário de Anne Frank”, será lançada em 50 países a inédita versão do livro best-seller em HQ (edição brasileira pela Record). O filme de animação vai estrear nas telas de cinema em 2019, ano do 90° aniversário de nascimento de Anne Frank.

A iniciativa da Fundação Anne Frank foi motivada pela mudança de comportamento de leitura das novas gerações, apegadas às imagens e ilustrações nas telas de tempos virtuais. O objetivo era dar uma nova vida ao relato literário e histórico. Folman utilizou 70% do texto original, condensados em 150 páginas, e os recursos de diálogos e de imagens são reivindicados como uma fiel inspiração da escrita da jovem autora, com a inlusão de elementos dramáticos, mas não ficcionais.

A família Frank partiu de Frankfurt para Amsterdam no final de 1933 por causa da crescente perseguição aos judeus após a ascensão de Hitler ao poder. Mas com a invasão nazista na Holanda, em 1940, o temor recrudesceu. A partir de 6 de julho de 1942, o núcleo familiar (os pais Otto e Edith e as irmãs Margot e Anne) e mais outros quatro foragidos se esconderam no chamado “Anexo”, um apartamento secreto improvisado nas dependências da empresa do pai de Anne.

Em 4 de agosto de 1944, provavelmente graças às informações de um delator até hoje desconhecido, a polícia secreta alemã descobriu o esconderijo, prendeu e deportou seus inquilinos. Após ter passado pelos campos de Westerbork e Auschwitz, Anne Frank morreu de tifo no início de 1945 em Bergen-Belsen, pouco tempo antes da chegada das forças aliadas. Nos 743 dias de cativeiro, ela escrevia a sua amiga imaginária “Kitty” em seu precioso diário. Suas últimas palavras manuscritas datam de 1° de agosto de 1944. Publicado em 1947 por Otto Frank (1889-1980), único sobrevivente da família na guerra, o diário transformado em livro alcançou sucesso internacional, traduzido em mais de 70 idiomas, e gerou ao longo de décadas filmes, documentários e montagens teatrais.

Folman conta que não foi marcado pela primeira leitura da obra, aos 14 anos de idade. Mas ao se deparar novamente com o texto para preparar a HQ, confessa ter ficado “chocado” pela “inacreditável qualidade da escrita”:

— É impressionante sua capacidade de observação. Ela é muito aguda, e por vezes pode ser cruel de tão verdadeira ao contar histórias sobre adultos, suas fraquezas, suas relações, de como estão conectados. É espantoso para uma jovem de 13 anos. E à medida em que ela vai crescendo, é incrível as mudanças na qualidade de escrita e de observação. É uma grande obra. Li umas vinte vezes cada página para trabalhar no roteiro. Em cada uma delas, me dizia: ” Uau, isso deveria entrar na íntegra”. A tarefa mais dura foi fazer os cortes. Trabalhava em 30 páginas do diário para fazer 10 páginas da HQ.

Cena de "O diário de Anne Frank em quadrinhos" - Reprodução

Cena de “O diário de Anne Frank em quadrinhos” – Reprodução

Folman e Polonsky encararam o duplo desafio – HQ e filme – como uma “missão” de memória e de alerta em tempos sombrios. Para o ilustrador, era importante não cair no lugar comum nem no que define como a “indústria do Holocausto”.

— Se fizéssemos algo só didático não seria certo, e só artístico também não. A indústria do Holocausto é quando se usa essas histórias para promover ideologias ou provocar medo. É quando a escola envia crianças de Israel para Auschwitz, numa excursão de um dia, sem que elas realmente entendam tudo o que aconteceu, na única intenção de fomentar o sentimento nacionalista. Isso é ruim — defende Polonsky.

Folman não tem dúvidas de que aumentam o antissemitismo, o racismo e a intolerância no mundo.

— Quem poderia imaginar que após Barack Obama os Estados Unidos teriam este estúpido do Donald Trump, nesta maneira como reagiu à manifestação em Charlottesville dos supremacistas brancos, à Ku Klux Klan etc. Em Israel, aqui na França também acontecem coisas. Mas algo bom é que há uma reação. Em 2015, refugiados começaram a chegar em maior número em muitos países ocidentais. Não diria que foram totalmente bem-vindos, mas portas foram abertas para eles, o que não foi o caso em 1939. Algo aconteceu. Há uma esperança, um pequeno otimismo.

Acaso da história, os pais de Folman desembarcaram deportados no campo de Bergen-Belsen no mesmo dia em que Anne Frank. A infância do cineasta foi repleta de relatos do Holocausto. A HQ obedece aos escritos da jovem Anne e termina na última página do diário. Mas para a realização do filme, o diretor exigiu mais liberdade na concepção, que terá uma parte contemporânea, e impôs como condição que fossem abordados os sete meses finais da vida de Anne, desde sua detenção até sua morte.

— Cerca de 40% do filme será o diário, e o restante se passará nos dias de hoje, em Amsterdam. A personagem que conta a história será Kitty, e seu namorado possui um abrigo para refugiados na cidade. Serão constantes os reflexos entre o passado e o presente. E nós não sabemos o capítulo Auschwitz de Anne Frank. Bergen-Belsen era viver no inferno, já era quase a morte chegar lá. Uma das razões pelas quais ela se tornou tão icônica é que ninguém teve de lidar com essa terrível parte final. A percepção é a de que esta jovem menina em cativeiro produziu este diário maravilhoso e depois parou de escrever, não se fala deste período entre agosto de 1944 até março de 1945. No filme vamos tratar disso, será bom para todo mundo.

Sofrimentos à parte, os dois autores afirmam que foi bastante prazeroso o processo de criação da HQ, ao explorarem também o humor da escrita de Anne Frank, apesar de sua trágica condição no “Anexo”. Polonsky conta ter uma avó “drama queen” como a Senhora Van Dann, presente no esconderijo, e com quem Anne se disputava com frequência.

— A ideia foi trazer a história para a vida. Se você tratá-la como algo sagrado, não é algo vivo. Anne Frank tinha muito senso de humor — diz o ilustrador.

Folman trabalhou na mesma sintonia:

— Parece estranho dizer, mas foi muito divertido fazer e criar a HQ. Nos tornamos amigos dos personagens. Meus filhos são um exemplo radical de crianças de computador, não querem saber de livros. Não vou criticar, porque ainda não sabemos no que vai dar esta geração online. Mas nossa ideia era não tratar Anne Frank apenas como um ícone. Soa como um clichê, mas foi mesmo como uma missão para nós, deixar algo para crianças e adultos que não leram o texto original.

Como a literatura escandinava dominou o gênero policial

0

O sucesso da Trilogia Millenium de Stieg Larsson é só um exemplo de como a literatura policial domina a paisagem fria desses países

Publicado no 24 Horas News

Stieg Larsson nunca soube do sucesso que a sua trilogia Millenium se tornou. O autor sueco morreu logo depois de entregar o livro para a editora e não teve oportunidade de desfrutar do sucesso estrondoso que a história de Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander fez. Mas os três livros, “ Os Homens que Não Amavam as Mulheres ”, “A Menina que Brincava com Fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar” são sucessos da literatura e já venderam mais de 80 milhões de cópias cópias em todo o mundo, foram transformados em filme na Suécia , e o primeiro volume ainda ganhou uma adaptação hollywoodiana indicada ao Oscar .

9bl3nb3o8hfm1q0i03krinkfi
Divulgação
Noomi Rapace and Michael Nyqvist deram vida a Lisbeth Salander e Mikael Bomkvist na adaptação do sucesso de Stieg Larsson

Já o norueguês Jo Nesbo tem acompanhado de perto o sucesso de Harry Hole pelo mundo da literautura . O autor, responsável por uma série de livros com o detetive mais peculiar da polícia norueguesa, continua vendo suas histórias serem traduzidas e adaptadas. Esse ano, ele verá Michael Fassbender no papel que começou a escrever em 1997, quando o primeiro livro protagonizado pelo detetive Hole foi lançado. Desde então, foram dez títulos sobre seu personagem mais famoso, fora outros títulos sem o personagem, mas igualmente sombrios, como “Sangue na Neve”.


Divulgação
Jo Nebo é um dos maiores escritores noruegueses da atualidade

Nas histórias de Nesbo, Hole passeia pelo submundo do crime, primeiro em países estrangeiros como Austrália e Tailândia, para depois voltar para sua gelada Oslo. Lá, ele lida com serial killers , traficantes de drogas e armas, além de pessoas atrás de vingança. Parece muito diferente da Noruega que vemos nos jornais, e talvez esse seja exatamente o ponto.

Mas a verdade é que Stieg e Nesbo despontaram nos últimos anos como os líderes de uma literatura escandinava que tomou conta do mundo: o romance policial. Baseados em investigadores incomuns (no caso de Harry ele é da polícia, mas nos romances de Larsson um jornalista e uma hacker se unem em investigações), esses livros navegam por paisagens sombrias e assassinatos macabros, colocando em cheque a sanidade dos próprios investigadores.

O romance policial é um dos tipos de literatura mais lidos no mundo. De Edgar Allan Poe a Agatha Christie , passando por Sidney Sheldon, a temática do “quem matou?” intriga o público, que dificilmente consegue largar esses livros. Por que então, a região escandinava se tornou berço dessa produção?

Talvez seja pelo frio congelante ou pelo fato da maioria desses países serem constantemente usados como exemplo de boa política, educação e economia. Talvez seja o alto consumo de literatura no geral, ou a percepção de que os romances policiais são altamente vendáveis, mas o fato é que a região escandinava, que inclui ainda Dinamarca e Finlândia, é fértil para essa literatura.
Outros autores

Nesbo e Larsson podem até ter os números mais altos e a popularidade mais evidente, mas eles definitivamente não são os únicos que prosperam no estilo. Outro nome de destaque é do também sueco Henning Mankell , criador do inspetor Kurt Wallander. A Suécia e sua paisagem bucólica também fazem parte de suas histórias como uma personagem coadjuvante. Em um de seus principais livros, e um dos poucos traduzidos para o português, “ O Homem de Beijing ”, uma série de assassinatos a velhinhos altera a rotina de um pequeno vilarejo na Lapônia, cidade do Papai-Noel.

55x9djaw4aa7etwclit05w7ow

Reprodução/Facebook
Casal Ahndoril escreve romances policiais sob o pseudônimo de Lars Kepler

Camilla Lackberg também se destaca na Suécia. Seus livros – e os crimes contidos neles, se passam em uma pequena cidade na costa ocidental do país. A autora tem altos índices também. Suas obras, como “ A Princesa de Gelo ”, já foram traduzidas para 35 idiomas e já venderam mais de 18 milhões de cópias no mundo.

Já Lars Kepler é interessante não só pela qualidade de seus thrillers, mas também por que o nome nada mais é do que um pseudônimo para o casal Ahndoril, composto por Alexander e Alexandra Coelho. O casal iniciou tardiamente no mundo dos romances, mas fez sucesso em sua estreia com “O Hipnotista”. Se o estilo remete a temática policial, o nome do pseudônimo não é coincidência: “Lars” é uma homenagem justamente à Stieg Larsson.

Por fim, Arnaldur Indridason também tem um personagem detetive para chamar de seu. Erlendur também ganhou uma série de livros, iniciada em 1997 com o lançamento de “Sons of Dust”, não traduzido no Brasil. A série tem 11 títulos, mas somente alguns como “O Silêncio do Túmulo” e “Vozes” foram lançados em português.
Além dos crimes

7k2u43yqygzlj9odbth5y0z0w
Reprodução/Facebook
Sofi Oksanen se destaca na literatura finlandesa

Se a literatura policial é o destaque dos países escandinavos, isso não significa que esses países não prosperem em outros estilos. Knut Hamsun foi um polêmico escritor nascido na Noruega em 1859. Sem uma educação formal, eles escreveu mais de 30 títulos e foi premiado com o Novel de Literatura por “Os Frutos da Terra”. Não chegou a se filiar ao partido nazista mas simpatizava com a ideologia, chegando a presentear a medalha que recebeu pelo Nobel ao chanceler nazista Joseph Goebbels. Com “Fome”, um dos seus livros de maior sucesso, ele também tem a gélida Oslo como personagem. Mas, ao invés de destacar o crime como os autores acima, ele descreve uma vida dura e pobre, numa Noruega que ainda não era o “olimpo” que é hoje.

Por fim, Sofi Oksanen é a voz finlandesa a ser escutada. Com livros, peças de teatro e artigos escritos em diversas publicações, ela alcançou maior sucesso com “The Purge”, inicialmente escrito como peça, e depois transformado em romance. O livro ainda ganhou um filme na Finlândia e é a sua obra de maior destaque. Sofi também é ativista e parte disso se traduz em seus romances, como a causa LGBT , retratada em seu segundo livro, “Baby Jane”. Suas obras também lidam com elementos históricos e políticos sobre a antiga União Soviética.

A literatura policial está cheia de adeptos, leitores e escritores, na região escandinava , mas a região guarda outros ótimos representantes de boas histórias, tenham ela assassinatos ou não.

Livros do mundo todo salvam biblioteca destruída pelo Estado Islâmico

0
Biblioteca da Universidade de Mosul antes da destruição (Foto: Divulgação)

Biblioteca da Universidade de Mosul antes da destruição (Foto: Divulgação)

Publicado na Galileu

O blogueiro anônimo conhecido como Mosul Eye está coletando livros para reconstruir a biblioteca da Universidade de Mosul, no Iraque, destruída pelo Estado Islâmico durante o período em que a milícia terrorista dominou a área. As doações podem chegar de todos os lugares do mundo, e as obras podem falar sobre qualquer assunto e estar em qualquer língua.

“As pessoas têm nos mandado livros da Austrália, Europa, Estados Unidos… Todos de diferentes assuntos e línguas”, contou o ativista ao BuzzFeed.

Desde 2014, quando a cidade foi tomada pelos radicais, o blogueiro tem noticiado o que ocorre em Mosul por meio de seu site, mas nunca se identificou por medo do que poderia acontecer. Segundo ele, as obras literárias foram destruídas e queimadas porque o Estado Islâmico as considerava blasfemas ou porque apresentavam fatos de ciência “inútil” ou “ilegítima”.

Durante a ocupação da cidade, o grupo terrorista fez com que alguns professores reescrevessem os livros da biblioteca de acordo com o que o Estado Islâmico acredita ser melhor para a educação do califado.

Voluntários ajudam na reconstrução da biblioteca (Foto: Mosul Eye/Reprodução)

Voluntários ajudam na reconstrução da biblioteca (Foto: Mosul Eye/Reprodução)

Até agora 10 mil livros já foram arrecadados por Mosul Eye, mas o objetivo é chegar a 200 mil. Os esforços agora estão centrados em conseguir obras de medicina, ciência e humanidades, além de um local para a biblioteca ser reconstruída.

O endereço para enviar contribuições é: Iraq – Erbil – Sadunawa, atrás do prédio do Hotel Erbil International (Sheraton).

Informações de contato com o blogueiro Mosul Eye (Foto: Reprodução)

Informações de contato com o blogueiro Mosul Eye (Foto: Reprodução)

Paquistanesa de 13 anos cria projeto para ler um livro de cada país

0
Aisha Arif Esbhani (Foto: Reprodução Facebook)

Aisha Arif Esbhani (Foto: Reprodução Facebook)

 

Giuliana Viggiano, na Galileu

Tudo começou em março de 2016. “Eu olhei para minha prateleira e notei que algo estava faltando”, conta Aisha Esbhani, paquistanesa de 13 anos, da cidade de Karachi. Depois disso, a menina decidiu ler uma obra de cada país do mundo, para conhecer autores e culturas diferentes, já que a maioria de seus livros vinham dos Estados Unidos ou do Reino Unido.

A garota se inspirou em Ann Morgan, que também fez esse desafio, mas, diferente de Morgan, Aisha não estipulou um tempo limite para o desafio: “Quero explorar cada país, não apenas ler o livro”, afirma ela à GALILEU.

Para escolher as obras, Aisha criou uma página no Facebook, onde busca dicas de leitores de todo o mundo. Além disso, seus pais dela sempre se certificam de que o livro é apropriado para sua idade. “Se eu posso escolher, opto por ficções de guerra e não ficções, já que esse é meu gênero preferido”, diz a paquistanesa.

Entretanto, não é tão fácil encontrar livros de todos os países no Paquistão. “Conheço apenas duas livrarias que têm livros de outros países (mas apenas de alguns), e, agora, depois de completar 80 nações, não consigo achar mais nada”, revela a leitora.

Além disso, não é fácil comprar pela internet, já que muitas lojas não entregam ou cobram um frete muito alto para entregar as encomendas em seu país. Por isso, Aisha desenvolveu um esquema: “Encomendo os livros e peço para entregarem na casa de algum parente ou amigo que virá para o Paquistão em breve”.

A “turnê” de Aisha já passou pelo Brasil. Daqui, ela leu O alquimista, de Paulo Coelho: “Sempre me disseram que ele é um ótimo escritor, mas eu nunca tinha tido a oportunidade de ler. (…) Confie em mim, é um dos melhores livros já escritos!”, afirma a garota.

Ela também diz que pretende ler mais livros brasileiros, mas só depois que completar seu desafio. Além disso, Aisha quer ler autores não tão populares: “Quero apreciar todos aqueles autores que merecem mais atenção do que recebem!”

A garota já leu muitos clássicos, como O sol é para todos, da americana Harper Lee, e Cem anos de solidão, do colombiano Gabriel García Márquez. Agora ela está lendo o grego Seven lives and one love: memoirs of a cat (Sete vidas e um amor: memórias de um gato, em tradução livre), de Lena Divani.

Sua indicação para o público brasileiro é um livro do Paquistão: The Wandering Falcon (O falcão errante, em tradução livre), de Jamil Ahmad.

Para Aisha completar o desafio ainda faltam 117 livros. “Sei que esse é um número muito alto, mas estou determinada a alcançar minha meta”, conclui a paquistanesa.

Go to Top