Ansiedade 3 - Ciúme

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Mario Vargas Llosa dará palestra em São Paulo nesta segunda

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O escritor peruano Mario Vargas Llosa, vencedor do Prêmio Nobel – Foto: Divulgação

O escritor peruano Mario Vargas Llosa, vencedor do Prêmio Nobel – Foto: Divulgação

 

Ganhador do Nobel de Literatura em 2010, o escritor peruano vai abrir o ciclo “Fronteiras do Pensamento” no Instituto Tomie Ohtake

Publicado na Brasileiros

O escritor peruano Mario Vargas Llosa, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2010, estará em São Paulo nesta segunda-feira (9) para dar uma palestra na abertura do ciclo Fronteiras do Pensamento 2016, no Teatro Cetip, localizado no Instituto Tomie Ohtake. Em seguida, Llosa irá a Porto Alegre para dar outra palestra na quarta, dia 11.

Em seu artigo Uma pausa no caminho, publicado no jornal El País, ele comenta a experiência de completar 80 anos: “Não há mérito algum em completar 80 anos; em nossos dias, qualquer um que não tiver maltratado excessivamente seu organismo com álcool, tabaco e drogas pode conseguir. Mas, talvez, seja uma boa oportunidade para fazer uma pausa no caminho e olhar para trás antes de retomar a cavalgada”.

Após falar de sua infância, ele lista os escritores que mais o impressionaram: “É difícil dizer a imensa felicidade e riqueza de sentimentos e de fantasia que os bons livros que li me deram — e continuam me dando. Nada me acalma mais quando estou inquieto ou me eleva o espírito se me sinto deprimido do que uma boa leitura (ou releitura). Ainda me lembro da fascinação maravilhada com a qual li os romances de Faulkner, os contos de Borges e Cortázar, o universo crepitante de Tolstói, as aventuras e desventuras de Don Quixote, os ensaios de Sartre e de Camus, e os de Edmund Wilson, especialmente a obra-prima Rumo à Estação Finlândia, que li do começo ao fim pelo menos três vezes. O mesmo poderia dizer das sagas de Balzac, de Dickens, de Zola, de Dostoiésvki, e o difícil desafio intelectual que foi poder conseguir desfrutar de Proust e Joyce”.

Ele elogia sobretudo “Flaubert, o mais amado dos autores”: “Nunca esquecerei aquele dia, recém-chegado a Paris, no verão de 1959, quando comprei na La Joie de Lire, da Rue Saint-Séverin, um exemplar de Madame Bovary, que me deixou enfeitiçado a noite inteira, lendo sem parar. Devo a Flaubert não apenas o prazer proporcionado por seus romances e contos e sua correspondência formidável. Devo a ele, acima de tudo, ter me mostrado o escritor que queria ser, o gênero de literatura que correspondia à minha sensibilidade, aos meus traumas e aos meus sonhos”.

Ele assinala ainda que escrever é uma maneira de viver: “Não se escreve para viver, embora se ganhe a vida escrevendo. Em vez disso, se vive para escrever, porque o escritor de vocação continuará escrevendo, mesmo que tenha pouquíssimos leitores ou seja vítima de injustiças tão monstruosas como as vivenciadas por Lampedusa, cuja obra-prima absoluta, O Gattopardo, o melhor romance italiano do século XX e um dos mais sutis e elegantes já escritos, foi rejeitado por sete editoras, e ele morreu acreditando que tinha fracassado como escritor. A história da literatura está cheia dessas injustiças, como o primeiro Prêmio Nobel de Literatura, que os acadêmicos suecos deram para o esquecido e esquecível Sully Prudhomme, e não para Tolstói”.

Escritor recebe mensagem aconselhando a fazer “stand up” durante palestra

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standup

Rodrigo Casarin, no UOL

O escritor Rafael Gallo passou por uma situação bastante inusitada na noite de ontem, quinta-feira. A palestra sobre “viver de escrita” que ministrava na Bienal do Livro de Alagoas, que acontece em Maceió, pelo visto desagradou um grupo de jovens que não esperou a apresentação acabar para deixar o salão. Antes disso, no entanto, um deles Gallo-200x300entregou um bilhete ao autor de “Rebentar” e vencedor do Prêmio Sesc de 2011/2012. “Um pouco de stand up seria legal para te soltar mais no começo da palestra”, aconselhava a mensagem.

A inusitada dica evidentemente surpreendeu Rafael. “Eu falei um pouco sobre o universo profissional dos escritores, como funcionam as editoras grandes, as pequenas, quais são as possibilidades profissionais, as relações com agentes literários… Uma espécie de apresentação do mundo do lado de cá do balcão, para quem se interessa por escrever e quer publicar um livro, enfim. Quando recebi o bilhete fiquei um pouco desconcertado, mas agradeci e segui em frente”, lembra.

A mensagem deixada pelo jovem, no entanto, vai ao encontro de uma discussão recorrente no meio literário: qual é exatamente o papel do escritor na hora de divulgar sua obra? Além de escrever, quais outras habilidades ele precisa ter? Além de seus livros, o que mais as pessoas devem esperar de um autor?

“Achei muito engraçado porque essa é uma discussão que se vem tendo há tempos. Apesar de serem legais em vários aspectos, esses eventos têm esse lado de colocar o escritor em outro papel, o de falar com uma plateia, ser uma ‘atração’ de palco e ser julgado por isso, inclusive. Quase sempre que se fala nisso, menciona-se que estamos beirando nos tornarmos comediantes de stand up”, diz Rafael. “Dessa vez, alguém do público teve o pensamento contrário: em vez de achar que é um problema estar perto de fazer stand up, achou que o problema era não chegar a se tornar isso”, completa, rindo, o autor.

Jornalista e editor Paulo Werneck será o curador da próxima Flip

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Publicado por Folha de S.Paulo

O editor, jornalista e tradutor Paulo Werneck, 35, foi anunciado nesta segunda (9/9) como o novo curador da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty).

Werneck cuidará da programação da 12ª edição do encontro, no ano que vem.

O novo curador foi editor do caderno “Ilustríssima”, da Folha, de maio de 2010 a junho de 2013. Antes, atuou por 11 anos como editor nas editoras Cosac Naify e Companhia das Letras.

O novo curador da Flip, Paulo Werneck, durante palestra de Gay Talese na Folha em maio de 2012, da qual foi um dos mediadores (Daigo Oliva - 30.mai.2012/Folhapress)

O novo curador da Flip, Paulo Werneck, durante palestra de Gay Talese na Folha em maio de 2012, da qual foi um dos mediadores (Daigo Oliva – 30.mai.2012/Folhapress)

“A Flip é um dos espaços em que a cultura brasileira se afirma de forma mais democrática, aberta, plural. Na Flip fiz descobertas literárias e conheci mestres da vida inteira. Minha geração se desenvolveu tendo a Flip como referência. Por tudo isso, é uma convocação intelectual desafiadora”, afirmou, no comunicado oficial emitido pela Flip, o novo curador, que é filho do também jornalista Humberto Werneck.

Mauro Munhoz, diretor da Casa Azul, associação que organiza a festa literária, disse que a escolha seguiu os mesmos critérios das anteriores: “vivência no meio literário, sólida formação em literatura, sintonia com as tendências editoriais mundiais e afinidade com os princípios que orientam a organização da Flip”, conforme o comunicado à imprensa.

“A alternância na posição de curador é uma tradição da Flip e nos permite acrescentar novos olhares à programação, mantendo a diversidade de pontos de vista que sempre caracterizou a Festa”, declarou Munhoz.

Confira os curadores das edições anteriores da Flip:

2003 Flávio Pinheiro
2004 Flávio Pinheiro
2005 Ruth Lanna
2006 Ruth Lanna
2007 Cassiano Elek Machado
2008 Flávio Moura
2009 Flávio Moura
2010 Flávio Moura
2011 Manuel da Costa Pinto
2012 Miguel Conde
2013 Miguel Conde

O lugar que guardava livros

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Importante pensador do futuro das bibliotecas, Matthew Battles defende ‘curadoria’ da informação digital e participação do cidadão nos acervos

Visitantes na biblioteca pública de New York New York Times

Visitantes na biblioteca pública de New York New York Times

Maurício Meireles em O Globo

RIO – Matthew Battles era um homem que tomava conta dos livros. De responsável pelas obras raras da biblioteca da Universidade de Harvard ele passou a um dos principais pensadores do futuro das bibliotecas diante dos avanços tecnológicos. Hoje, dirige o MetaLab, centro de pesquisas de Harvard sobre a influência da tecnologia nas artes e ciências humanas. No laboratório, é um dos colaboradores da Digital Public Library of America, biblioteca digital que une vários acervos dos Estados Unidos. Ele conversou com O GLOBO, por telefone, antes de vir ao Rio para a série “Múltiplos e contemporâneos: a literatura .com”, que começa nesta quarta-feira com sua palestra “Biblioteca do futuro”, às 18h30m, no Centro Cultural Banco do Brasil — e terá uma mesa por mês, até dezembro.

O senhor já escreveu um livro sobre a história cultural das bibliotecas (“A história conturbada das bibliotecas”, editora Planeta, 2008). Como elas vão mudar daqui em diante?

A biblioteca já existia antes de haver o livro como o conhecemos, um produto comercial. Ao longo do tempo, as bibliotecas foram reconhecidas mais pela sua forma do que pelos livros guardados nelas. Portanto, são um conceito aberto, com espaço para mudança. Elas terão um papel importante no futuro, mas o que fazemos dentro delas e os objetos com os quais interagimos vão mudar.

Que novos materiais a biblioteca passará a guardar?

Conforme os livros passem a ocupar o reino digital, a biblioteca vai virar um local para interagir com tais objetos, criando novas experiências de significado a partir deles. Os e-books são maravilhosos, mas seu modelo de consumo é baseado sobretudo no iPod e no download de músicas — que ouvimos em fones de ouvido, de forma privada. A leitura já é um ato bastante privado, então precisamos de formas de dividir essa experiência uns com os outros. Caso contrário, ela vira uma província em que só há interação do consumidor com um varejista da internet. As bibliotecas podem ajudar nisso ao dar acesso a outras fontes de informação, como ferramentas de visualização, mecanismos de edição, salas interativas — e outras mídias caras demais para o leitor ou estudante médio. Além disso, a biblioteca vai ajudar o leitor a se ver como criador de cultura. E auxiliá-lo a preservar peças do seu passado que tenham a ver com nossa história comum.

As bibliotecas costumam guardar os chamados efêmeros, como jornais e documentos oficiais. Elas vão continuar a guardá-los? Como fazer com a informação das redes sociais?

Um amigo meu tem uma coleção enorme de fanzines, que ele acaba de doar para a biblioteca de obras raras da Universidade de Iowa. Esse tipo de acervo é precioso, e as bibliotecas vão continuar a organizá-lo. Mas mais interessante é a informação digital — desde mensagens de e-mail e das redes sociais até dados da vida urbana e de saúde pública. Hoje, muito da nossa interação com o mundo produz informação. As bibliotecas precisam entender as vastas fontes de informação da sociedade moderna como um fenômeno que precisa de curadoria.

Para preservar o acervo, é comum que o acesso a ele seja dificultado. Como encontrar o equilíbrio entre preservação e necessidade de interação?

As ferramentas digitais ajudam. Já faz um tempo que digitalizamos livros e material iconográfico. O próximo passo é permitir que os usuários da biblioteca tenham acesso a dados que conectem esses livros e outras fontes uns aos outros. Como encontrar todos os livros que mencionam o Rio de Janeiro? Como descobrir quantas vezes uma obra foi traduzida ao longo da História, com um mapa de sua leitura no mundo?

O senhor pode dar algum exemplo de iniciativas que fazem isso?

Várias cidades americanas já divulgam dados civis que documentam tudo, desde a origem dos alimentos até dados de trânsito. Muitas bibliotecas já digitalizaram seus acervos, mas essas fontes de informação são meio esotéricas, difíceis de encontrar e usar. É preciso criar programas para ajudar o cidadão a interagir com eles. Um grande exemplo é a Digital Public Library (projeto do historiador Robert Darnton de digitalização e acesso aos acervos das bibliotecas americanas) e a Europeana (biblioteca digital da União Europeia). Essas iniciativas permitem que programadores independentes interajam diretamente com ele, criando programas para lidar com a informação.

Qual a sua colaboração com a Digital Public Library?

A Digital Public Library vai reunir acervos de várias bibliotecas. Depois, será feito um catálogo de catálogos. A ideia é que os arquivos conversem entre si. Estamos criando ferramentas para interagir com esse acervo de acervos. Mais à frente, a ideia é ajudar as pessoas a incluir seu próprio material.

Um dos obstáculos para digitalizar acervos diz respeito aos direitos autorais. O Google Books tentou e não conseguiu. Como resolver isso?

As pessoas têm mais consciência da importância de compartilhar a informação cultural. Com o tempo, as leis também devem mudar. O próximo passo da digitalização deve ser pessoas comuns contribuírem para arquivos históricos e culturais. Perdemos muito da Antiguidade clássica porque autores como Cícero e Horácio, por exemplo, não escreviam sobre o cidadão comum. Seus manuscritos só refletem parte da vida naquele tempo. Já nas ruínas das casas, há registros de recibos, poemas, cartas de amor.

No Brasil, há muitas bibliotecas vazias por conta da dificuldade de atrair o público. Como mudar isso?

Todo mundo está virando bibliotecário. A biblioteca precisa apelar para a sensação de alegria das pessoas de descobrir algo novo e dividir com os outros. É o que já fazemos nas redes sociais. O desafio é fazer essa lógica funcionar no espaço físico, por meio da tecnologia, que nos permita interagir não só com os livros, mas uns com os outros.

Biografia “Coração Assombrado” retrata medos do escritor Stephen King

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O escritor Stephen King fala durante palestra para alunos de escrita criativa na Universidade de Massachusetts (Foto: Elise Amendola - 7.dez.2012/Associated Press)

O escritor Stephen King fala durante palestra para alunos de escrita criativa na Universidade de Massachusetts (Foto: Elise Amendola – 7.dez.2012/Associated Press)

Rodolfo Lucena, na Folha de S.Paulo

Depois de mais uma noite em que dormira sozinha, Tabitha desceu a escadaria de mogno de sua mansão vitoriana de 24 aposentos para encontrar uma cena que já não lhe era novidade: o marido desmaiado em uma poça de vômito, caído no chão de seu escritório.

O gigante de 1,90 m tinha sido novamente derrubado por uma bebedeira monumental. Era Stephen King, um dos autores de maior sucesso na história.

Apesar de sua fortuna miliardária, dos mais de 300 milhões de livros vendidos e dos mais de 50 prêmios, King vivia assombrado por monstros e demônios muito mais poderosos que os habitantes de sua fileira de livros de horror, suspense e fantasia.

Seus medos podem parecer triviais –de escuro, cobras, ratos, aranhas e coisas gosmentas– ou mais poderosos: de terapeutas, deformidades, lugares fechados, da morte, de voar ou de ser incapaz de escrever. Certa vez afirmou que vivia na República Popular da Paranoia; em rara visita a uma analista, confidenciou: “O medo é a minha vida”.

Com riqueza de detalhes, os casos são contados em “Stephen King, a Biografia – Coração Assombrado”, que chega agora ao Brasil, três anos após seu lançamento nos EUA.

Apesar de ser uma biografia não autorizada, não se trata de um amontado de fofocas, mas sim do resultado de pesquisas que procuram mostrar quem é King e de onde saem as ideias para seus best-sellers.

O fato de não ter entrevistado King nem sua mulher não foi um grande problema para a autora, segundo ela disse à Folha, por e-mail.

“Stephen King sempre foi um livro aberto, escrevendo sobre seus vícios e pontos fracos de forma muito franca e sincera”, contou Lisa Rogak, especialista em biografias e autora de mais de 40 livros sobre temas diversos, da vida de Dan Brown (autor de “O Código Da Vinci”) às aventuras dos cães que trabalham no Exército dos EUA.

Seu texto claro e sem firulas não foge de eventuais adjetivos nem de frases de efeito, como a que abre o primeiro capítulo: “Diz-se que Stephen King nunca deveria ter nascido”.

Segundo os médicos, a mãe não seria capaz de engravidar; no entanto, dois anos depois de a família ter adotado um bebê, King nasceu no dia 21 de setembro de 1947. Passados outros dois anos, o pai saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou.

Da miséria à opulência, o livro acompanha a trajetória de King em ordem cronológica. Lembra suas primeiras histórias, ainda na infância, o primeiro texto publicado, o encontro com Tabitha, a gênese de “Carrie, a Estranha” e sua sequência de sucessos.

Sem analisar a obra, deixa evidente o que os leitores fiéis de King há muito já descobriram: ele tira suas ideias da vida real, dos medos cotidianos e de dramas até pueris.

Além de prolixo, é profícuo e multidisciplinar: sua obra se estende para o cinema, a música e a política, em que tem se revelado militante de causas como o controle de armas e o aumento de impostos sobre grandes fortunas.

Em suma, resume a biógrafa, “é um cara muito simples, que apenas quer continuar a contar suas histórias”.

“Coração Assombrado” traz ainda uma útil linha de tempo, índice remissivo, lista de obras de King em português e dicas de sites de referência sobre a vida e obra do mestre do suspense.

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