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Unesp lança 54 novos títulos digitais para download gratuito

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Evento dia 24 de abril terá entrevista com autores em São Paulo, SP

 

Publicado no site da Unesp

 

A Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Unesp e a Editora Unesp tornam disponíveis para download gratuito 54 novos títulos do selo Cultura Acadêmica. O lançamento acontece dia 24 de abril  As obras integram a Coleção Propg/FEU Digital, que passa a contar agora com 192 títulos.

O lançamento será a partir das 9 h, na sede da Editora Unesp, em São Paulo. Estarão presentes a vice-reitora da Unesp, Marilza Vieira Rudge, representando o reitor Julio Cezar Durigan, e o pró-reitor de pós-graduação Eduardo Kokubun, além do presidente e do editor executivo da Editora Unesp, respectivamente, José Castilho Marques Neto e Jézio Hernani Bomfim Gutierre. Castilho fará a palestra ‘Os E-books e a democratização do conhecimento’.

Após a cerimônia de apresentação do projeto e dos novos livros, o público poderá conferir as obras, por meio de iPads que ficarão disponíveis até as 16 horas, quando se encerram as atividades.  Paralelamente, os autores dos livros estarão concedendo entrevistas.

Toda a programação será transmitida ao vivo pelo endereço www.unesp.br/tv, ao mesmo tempo em que serão sorteados 54 pen cards para os internautas que fizerem downloads das obras durante o evento.

Pioneirismo
A coleção Propg-FEU Digital, uma das primeiras de e.Books do país, foi iniciada em 2010, com a disponibilização de 44 obras  para download gratuito. O projeto tem como objetivo democratizar a produção acadêmica – todos os títulos são assinados por docentes da Unesp e abordam temas os mais variados dentro da área de Ciências Humanas,  como educação, história, geografia.

Em 2011 foram incluídos 50 novos títulos e em 2012 outros 44.  A meta do projeto, agora com 192 obras, é publicar 1.000 livros até 2020. Todo o novo lote e parte dos 138 livros que já integravam a coleção estão disponíveis também para impressão sob demanda. Durante 2012 foram contabilizados mais de 134 mil downloads de obras da coleção.

Para conhecer todos os títulos e os autores que integram a Coleção Propg/FEU Digital, acesse http://bit.ly/ipKHX8

Confira ainda entrevistas em áudio com os autores em http://podcast.unesp.br/perfil. Elas podem ser localizadas pelo título do livro ou pelo nome do autor da obra.

Saiba mais sobre o selo Cultura Acadêmica: http://www.culturaacademica.com.br/

A Editora Unesp fica na Praça da Sé, 108, Centro de São Paulo. O lançamento da Coleção Propg/FEU Digital será no 7º andar.

Confira, abaixo, a relação dos 54 novos títulos, com seus respectivos autores ou organizadores:

A atuação de Joel Silveira na imprensa carioca (1937-1944), de Danilo Wenseslau Ferrari

A coevolução dos elementos do sistema setorial de inovação do setor automotivo, de Lourenço Galvão Diniz Faria

A educação física adaptada no contexto da formação profissional: implicações curriculares para os cursos de educação física, de Cláudio Silvério da Silva e Alexandre Janotta Drigo

A esfera da percepção: considerações sobre o conto de Julio Cortázar, de Roxana Guadalupe Herrera Alvarez

A evasão escolar na educação tecnológica: o embate entre percepções subjetivas e objetivas, de Edson Detregiachi Filho

A independência do solo que habitamos: poder, autonomia e cultura política na construção do império brasileiro. Sergipe (1750-1831), de Edna Maria Matos Antonio

A influência do lobby do etanol na definição da política agrícola e energética dos EUA (2002-2011), de Laís Forti Thomaz

(mais…)

A arte literária dos indígenas

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Daniel Munduruku, autor de 43 títulos: "Sou escritor por vingança"

Daniel Munduruku, autor de 43 títulos: “Sou escritor por vingança”

Rachel Bertol, no Valor Econômico

Escritor indígena? Literatura indígena? É comum ler reportagens sobre índios no Dia do Índio e, embora os brasileiros já comecem aos poucos a se acostumar com a atuação dos novos intelectuais indígenas – militantes das próprias causas -, pouco ainda se ouve falar dos “escritores indígenas”. E muita gente também estranha: literatura indígena? “Sou escritor por vingança. Como fui obrigado a ir para o colégio, aprendi a escrever e me tornei escritor”, diz Daniel Munduruku, autor de 43 títulos (a maior parte para crianças), que terá este como um ano de comemorações.

O Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, do qual foi um dos criadores com o apoio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), está celebrando uma década. A edição comemorativa será realizada em junho, no Salão do Livro para Crianças e Jovens, no Rio. Dessa edição vão participar 25 indígenas e será lançada uma antologia com textos inéditos de 14 escritores para o público adulto (Munduruku vai escrever uma crônica sobre o espanto das pessoas quando veem o índio usando paletó e cocar). Além dele, participam, entre outros, Cristino Wapichana, Olívio Jekupé, Graça Graúna, Manuel Moura Tucano, Rony Wasiry, Yaguarê Yamã – este último teve títulos selecionados para o catálogo internacional da FNLIJ de 2013, apresentado no mês passado na Feira do Livro para Crianças de Bolonha (a maior parte dos autores indígenas atua no segmento de livros infantis). No encontro, também se planeja uma exposição e serão realizadas oficinas artísticas com educadores, além das atividades com crianças.

Mas nessa edição haverá outra importante comemoração para Munduruku: os dez anos do lançamento de seu livro “Meu Vô Apolinário” (Studio Nobel), que conta a dificuldade de uma criança indígena de aceitar sua condição. O livro ganhou o Prêmio de Tolerância da ONU e foi decisivo para estimular outros indígenas a escrever.

Lançamento no fim do ano de “La Poésie du Brésil” na França começa com capítulo só com narrativas míticas e cantos de vários povos indígenas

No entanto, se o movimento dos autores indígenas é novo no Brasil – um movimento do século XXI -, Munduruku diz que não são autores novos: as histórias de que tratam remetem a mitos de um tempo em que gente e bicho viviam como homem e mulher, conversavam de igual para igual. Para aceitar esse movimento como plenamente literário, torna-se necessário, portanto, aceitar que essas histórias de outros tempos – transmitidas em cantos e narrativas orais, muitas colhidas por antropólogos e viajantes ou ouvidas pelos indígenas diretamente em suas aldeias – também sejam reconhecidas, e conhecidas, como expressões literárias.

Sérgio Cohn, editor da Azougue, acaba de dar um importante passo nesse sentido, com o lançamento de “Poesia.br”, caixa com dez livros no qual faz uma coletânea de poetas brasileiros da contemporaneidade até os tempos da colônia e mais além, com uma seleta que intitulou “Cantos Ameríndios”. São cantos de diferentes povos indígenas – bororo, caxinauá, marubo, embiá-guarani, maxacali – publicados apenas em português sem notas de rodapé ou explicações acadêmicas. Para realizar o trabalho, contou com a colaboração de pesquisadores acadêmicos.

Na semana passada, no lançamento do “Poesia.br” em São Paulo, a leitura dos cantos ameríndios por uma atriz foi o momento que mais emocionou o público. “Acho que tem um interesse e eu tenho a impressão de que as pessoas estranhavam muito mais antigamente”, conta o editor, que, mesmo assim, ainda sente certa resistência. “Eu quero que esses cantos tenham validade por si, assim como um poema de Gonçalves Dias, João Cabral ou Drummond”, afirma. Por isso, a opção de não colocar explicações, que considera desnecessárias quando o objetivo é despertar o encantamento do leitor.

Outro lançamento que reforça essa tendência é “La Poésie du Brésil” (Éditions Chandeigne), publicado no fim do ano na França. Organizada pelo franco-brasileiro Max de Carvalho, a antologia é das mais completas já lançadas no exterior com a poesia brasileira e começa com o capítulo “Les Immémoriaux” (Os imemoriais), reunindo narrativas míticas, cantos de amor e cantos xamânicos de diferentes povos indígenas.

“Quem ainda recusa à poesia indígena o status de literatura deveria se perguntar o que entende por uma e outra. A poesia dos ameríndios da América do Norte, oral, dançada, xamânica, influenciou diretamente os maiores poetas americanos da segunda metade do século XX, de Bob Creeley a Charles Olson, passando por Zukowski e sobretudo Jerome Rothenberg. Introduzir os cantos imemoriais na poesia nacional é uma subversão necessária em relação a uma visão esclerosada”, defende Carvalho.

Cohn lembra na introdução de “Cantos Ameríndios” que os escritos indígenas tocam em questões importantes para a poesia contemporânea, como “o esboroamento da autoria e das fronteiras das expressões artísticas” e “a presença da performance”.

Os textos indígenas, porém, ainda provocam bastante perplexidade, haja vista a reação ao livro “Meu Destino É Ser Onça” (Record), em que o escritor Alberto Mussa reconstitui mitos tupinambás para “incorporar a epopeia tupinambá à nossa cultura literária”. O livro não é considerado antropológico, por sua liberdade criativa, mas causa desconfiança nos estudos literários. Em tese defendida neste ano sobre sua obra, na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a obra provocou controvérsia.

“O orientador disse que era um estudo da área de antropologia. Mas ele está certo, desde que tenha considerado o critério de ficção. Como não é ficção do autor, ele preferiu excluir o livro de uma dissertação sobre a obra ficcional. Eu só não concordaria se ele tivesse dito que narrativa mítica não é literatura”, diz Mussa, para quem a narrativa tupinambá, no entanto, como defende no livro, deveria “figurar em todos os cânones da literatura brasileira, fosse qual fosse a definição desse conceito”.

Promoção: “Fundamentos da Teologia Escatológica”

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O destino final da humanidade, a vida após a morte, o paraíso e o inferno são temas que trazem grande curiosidade e também enorme angústia a muitos cristãos.

A escatologia, parte da teologia que se debruça sobre essas questões, é ignorada ou temida por boa parte dos teólogos e igrejas cristãs brasileiras.

Assunto sério, mas alvo de muitas conclusões e teorias estapafúrdias, a escatologia precisa ser estudada com seriedade e bom senso.

Em linguagem simples, mas não menos profunda, esta obra do pastor e professor Edson Lopes visa suprir uma importante lacuna no ensino teológico brasileiro.

O “Livros e Pessoas” vai sortear 3 exemplares de “Fundamentos da Teologia Escatológica”, lançamento da Mundo Cristão.

Para participar é bem simples:

Basta deixar 1 comentário neste post mencionando seu e-mail ou perfil no Twitter.

O resultado será divulgado no dia 26/4 no perfil do twitter @livrosepessoas e os ganhadores terão 48 horas para enviar seus dados completos para o e-mail livrosepessoas@gmail.com.

***
Parabéns aos ganhadores: Cornélio Assunção, Joseane Rodrigues da Silva e Marcelo Richele. =)

Livro analisa ‘criatividade’ de títulos de filmes traduzidos para o português

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Em entrevista ao iG, Iuri Abreu fala sobre a principal tendência das versões nacionais: explicitar ao máximo o tema ou gênero da história

Luísa Pécora, no Último Segundo

“Shane” ficou “Os Brutos Também Amam”. “Giant” deixou de ser “gigante” e virou “Assim Caminha a Humanidade”. Dois nomes próprios, “Jack and Jill”, resultaram em “Cada um tem a Gêmea que Merece”. E “Airplane” não podia ser apenas “Avião” – melhor trocar para “Apertem os Cintos…O Piloto Sumiu”.

Nem sempre é fácil entender o que está por trás da criatividade de quem traduz títulos de filmes do inglês para o português. Com 13 anos de experiência como tradutor, o professor gaúcho Iuri Abreu decidiu tentar: analisou quase 300 produções, comparou os nomes originais com as versões brasileiras e chegou à conclusão de que as escolhas são mais fruto de marketing do que de tradução. “A decisão é sempre baseada no público alvo”, afirmou, em entrevista ao iG .

'Annie Hall', um nome próprio, virou 'Noivo Neurótico, Noiva Nervosa'. Foto: Divulgação

‘Annie Hall’, um nome próprio, virou ‘Noivo Neurótico, Noiva Nervosa’. Foto: Divulgação

A pesquisa de Abreu – reunida no livro “Perdidos na Tradução”, da editora Belas Letras – sugere que grande parte dos títulos em português, dos engraçados aos estranhos, se preocupa em explicar ao máximo qual o tema ou o gênero do filme. “Muitos nomes em inglês são enigmáticos, não dão a menor ideia da história. No Brasil há uma tentativa de explicitar, dar uma dica, não deixar dúvida”, disse o autor.

Para isso, estabeleceram-se recursos básicos, a começar pelos subtítulos. Verdadeira febre nacional, são usados principalmente quando o título original é mantido, seja ele uma palavra em inglês (como em “Ghost – Do Outro Lado da Vida” e “Halloween – A Noite do Terror”) ou o nome de um personagem (“Ace Ventura – Um Detetive Diferente” e “Forrest Gump – O Contador de Histórias”).

Um dos exemplos favoritos de Abreu é “Christine – O Carro Assassino”. “Em inglês poderia ser uma mulher, porque é apenas um nome próprio. Mas no Brasil quiseram deixar claro que é sobre um carro, e um carro que mata”, afirmou.

Lu Rezende Iuri Abreu, autor de 'Perdidos na Tradução'

Lu Rezende
Iuri Abreu, autor de ‘Perdidos na Tradução’

Há também o recurso “palavra-chave”, muito usado como indicador de gênero. Comédias costumam ter no título “loucura”, “confusão” ou “muito louco”, enquanto filmes de terror são facilmente identificados por termos como “maldito”, “assombrada” e “mortal”. “Parece que existe uma caixinha com palavras e o pessoal só coloca a mão e tira uma”, brincou Abreu.

Brasil e Portugal

Para saber se a criatividade na tradução era exclusividade do Brasil, o autor comparou todos os títulos nacionais com suas versões portuguesas.

A leitura sugere que, em geral, as tendências são as mesmas, embora Portugal costume manter mais nomes originais (e até sem subtítulo) do que o Brasil.

A lenda de que “Psicose” (ou “Psycho”) virou “O Filho que era Mãe” em Portugal é falsa – lá, o filme é apenas “Psico”. Mas outro clássico de Alfred Hitchcock ganhou tradução no melhor estilo “spoiler”, entregando parte da trama. “Vertigo”, que literalmente significa “vertigem”, foi traduzido como “A Mulher que Viveu Duas Vezes”, ainda pior que a opção brasileira, “Um Corpo que Cai”.

Apesar de elencar as escolhas duvidosas, o livro de Abreu também reconhece o difícil trabalho dos tradutores de língua portuguesa, e vê acertos mesmo quando não há fidelidade ao original. Para ele, é preciso buscar alternativas nos casos em que o nome em inglês carrega referências culturais muito específicas ou possui palavras de pronúncia muito difícil.

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James Stewart e Kim Novak em ‘Um Corpo que Cai’, de Alfred Hitchcock

Um exemplo é o suspense “Crime na Casa Branca” (Brasil) ou “Homicídio na Casa Branca” (Portugal). O original, “Murder at 1600″, faz referência ao endereço da residência oficial do presidente norte-americano em Washington: 1600 Pennsylvania Avenue. “O americano comum reconhece o termo muito facilmente, porque é algo usado nos jornais. Mas em português é preciso traduzir e buscar outra coisa”, explicou.

Entre seus títulos preferidos estão “O Poderoso Chefão”, que “tem mais a ver com filme de máfia” do que “O Padrinho”, caso tivessem optado pela tradução literal de “The Godfather”; e “Bonequinha de Luxo”, versão de “Breakfast at Tyffany’s”, uma referência ao hábito da protagonista de tomar café em frente ao prédio da luxuosa joalheria na Quinta Avenida, em Nova York. “Na época em que o filme foi lançado (1961), talvez as pessoas não entendessem”, disse.

Mas ele considera difícil traçar padrões de boas traduções. “Melhor do que criar regras”, afirmou, “é usar o bom senso.”

dica do Jarbas Aragão

O mundo que não está nos livros cansa

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Luiz Schwarcz, no Blog da Companhia

Na semana passada, procurei explicar um pouco do que acontece hoje em dia no mercado editorial como um todo, e, em particular, no caso de editoras de perfil literário como a Companhia das Letras. Em outro post já havia mostrado como não vejo com maus olhos a entrada de um novo público-leitor, que não conhece ou ainda não está à vontade para ler a boa literatura que há por aí.

Parece estranho, mas os leitores deste blog, assim como as pessoas que trabalham no mundo editorial, em sua maioria votam em partidos progressistas, defendem a democracia, mas em muitos casos, quando discutem valores culturais, parecem se considerar superiores e torcem o nariz para quem não priva dos mesmos gostos ou da mesma forma de entender o mundo literário.

Não tenho preconceito para com editoras de perfis diferentes, e autores que nunca quis publicar. Tento apenas entender o que resulta da combinação da preponderância mais acentuada dos livros populares no mercado, das circunstâncias em que se encontram as livrarias, e do aumento da concorrência para os títulos que chegam com a promessa de grandes vendas. Por outro lado, o preço para comprar os direitos de publicação de todos os tipos de romances, incluindo os de maior qualidade, em alguns casos chegou a decuplicar — jogando um risco exacerbado sobre livros que hoje encontram mais dificuldades aqui do que em outros países. O Brasil aparenta ser um mercado mais promissor do que muitos outros, de estabilidade e pujança tradicionais. Com a concorrência acirrada por títulos, por vezes pagamos adiantamentos mais altos que a Inglaterra ou a França, e nem sempre a venda, como é de praxe no negócio do livro, acompanha a expectativa inicial.

O importante é escapar ao tom de lamúria e entender essas mudanças como parte dos desafios atuais de um editor. A digitalização, o crescimento da leitura juvenil e a distribuição mais acentuada de renda no Brasil, nesses últimos quase vinte anos, modificaram a nossa lista de mais vendidos e tornaram a vida do jovem autor literário mais complicada. O mesmo vale, principalmente, para livros de literatura traduzidos, que não venham com grande bagagem de sucesso anterior… No entanto, nem preciso apontar aqui as vantagens de um país mais democrático e educado, além das benesses possíveis de um livro mais barato em formato digital.

Porque o país mudou, a tecnologia mudou, o mercado mundial de literatura mudou, é de se esperar que mudem também as editoras.

Também é importante ter paciência. O Brasil não vai virar digital da noite para o dia — o que também tem suas vantagens. Leitores que começam a se interessar por livros não mudarão suas escolhas repentinamente, e as editoras, em sua grande maioria, não vão querer perder o espaço conquistado, assim como outras, que nunca almejaram ou almejarão crescer, irão preferir permanecer enxutas.

Muitas perguntas equivocadas, respostas apressadas, insinuações e juízos preconceituosos têm circulado no mercado editorial para tentar dar conta de tantas mudanças. Sempre é mais fácil entender a realidade por um só ângulo, valorizar o pequeno em detrimento do grande, sem diferenciar o que há de bom e meritório em cada dimensão. Opinar sem conhecer como são tomadas as decisões numa editora, mitificar o passado e desconsiderar as transformações na sociedade em que vivemos é caminho tão fácil quanto enganoso.

Um dia ainda vou escrever sobre como acho que a Companhia das Letras deixou de ser “independente” quando emplacou, quase involuntariamente, seu primeiro livro na lista de mais vendidos — no caso, o justamente cultuado Rumo à estação Finlândia. E como agora, acredito, voltamos a ser independentes ao colocar em prática o velho plano de ampliar nosso público, com a criação da Paralela, Seguinte, Claro enigma e Boa Companhia — os selos através dos quais buscamos alargar nossos horizontes editorias. Mas antes disso, quero voltar a tratar de alguns livros que me surpreenderam, de discretas memórias pessoais e de algumas anedotas de editor. Entender o que está fora dos livros dá mais trabalho. Cansa.

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