Vitrali Moema

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10 livros que todos deveriam ler aos 30 anos

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Entre os mais diversos temas, a lista passa de questões como raça e gênero, relacionamentos até questões sociológicas e econômicas

Publicado no InfoMoney

SÃO PAULO – A fase dos 30 anos pode ser uma das melhores da sua vida. Se por um lado, pode ficar mais complicado com diversas mudanças no âmbito pessoal como a construção de uma família, por exemplo, por outro pode ser um bom momento para consolidar sua carreira e aprendizados.

Considerando isso, o Business Insider selecionou 10 livros que todo mundo deveria ler aos 30 anos. Entre os mais diversos temas, a lista passa de questões como raça e gênero, relacionamentos até questões sociológicas e econômicas. Não há ordem correta de leitura.

Confira:

1. Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

O livro conta a história de um amor que trata de questões de raça, gênero e identidade em Lagos, em 1990. Ifemelu e Obinze vivem um amor enquanto a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar.

2. Eu te darei o sol, de Jandy Nelson

É um livro sobre o relacionamento de Noah e Jude e seus respectivos problemas. O livro é contado por ambas as perspectivas. Uma perda trágica separa os dois e a história começa a trilhar caminhos mais sombrios.

3.  A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao, de Junot Díaz

A vida nunca foi fácil para Oscar: ele é um típico nerd, gentil e obeso. Mora na periferia de Nova Jersey. Ele é professor de redação, mas não tem nenhuma obra publicada. O livro ganhou o prêmio Politzer de Ficção e é considerado um dos melhores romances do século XXI.

4.  O ponto da virada, de Malcolm Gladwell

O jornalista Malcolm Gladwell analisa como ocorrem as grandes mudanças na sociedade e porque acontecem de forma repentina, sem que ninguém as espere. Entre as observações e análises, o autor discute o que faz com que um produto, um serviço ou mesmo atitudes virem moda da noite para o dia, por exemplo.

5. Flow, de Mihaly Csikszentmihalyi

As famosas investigações do psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi revelaram um estado de consciência chamado fluxo. Durante o fluxo, as pessoas geralmente experimentam um profundo prazer, criatividade e um envolvimento total com a vida. O livro ensina como ordenar as informações que entram em nossa consciência.

6. Pequenas delicadezas, de Cheryl Strayed

Centenas de pessoas buscaram os conselhos do Dear Sugar na coluna do site Rumpus – uma comunidade online sobre literatura -, mas encontraram muito mais que uma conselheira, vasculhando as ansiedades contemporâneas.

7. Expiação, de Ian McEwan

O romance conta a história de Briony Tallis, de treze anos, que testemunha um momento quente entre sua irmã mais velha, Cecilia e Robbie Turner, amigo de infância de Cecilia. Mas a compreensão incompleta de Briony sobre a vida adulta traz um crime que mudará tudo.

8. O ano do pensamento mágico, de Joan Didion

O livro muda a todo instante. ‘A vida se transforma rapidamente. A vida muda num instante. Você se senta para jantar e a vida que você conhecia acaba de repente’. Tudo isso é retratado em um casamento, em uma vida, de tempos bons e ruins que vai falar com qualquer um que já amou um marido ou esposa ou criança.

9. Má Feminista – Ensaios Provocativos de Uma Ativista Desastrosa, de Roxanne Gay

Nesta seleção de ensaios engraçados e perspicazes, Roxane Gay nos leva a uma viagem sobre sua própria evolução como mulher negra, ao mesmo tempo em que nos transporta a um passeio pela cultura nos últimos anos.

10. Autorretrato do escritor enquanto corredor de fundo, de Haruki Murakami

A obra é um livro de memórias do escritor japonês Haruki Murakami no qual escreve acerca do seu interesse e envolvimento em corridas de longa distância e a escrita.

Pequenas livrarias superam grandes redes e ressurgem em Nova York

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Foto: Gabriel Cabral/Folhapress

Foto: Gabriel Cabral/Folhapress

Giuliana Vallone, na Folha de S.Paulo

Quando surgiram os primeiros cartazes anunciando uma nova livraria no número 450 da avenida Columbus, em Nova York, o blog de notícias locais “West Side Rag” publicou: “Ou a máquina do tempo em que entrei na semana passada funcionou, ou o universo está aprontando alguma: alguém está planejando abrir uma loja de livros no Upper West Side.”

Esse “alguém” era Chris Doeblin, proprietário de três livrarias da marca Book Culture, em Manhattan -a última aberta em novembro de 2014. E os dados da Associação dos Livreiros Americanos (ABA, na sigla em inglês) mostram que ele não está sozinho.

O número de livrarias independentes nos Estados Unidos cresceu 27% desde 2009, chegando a 2.094 no ano passado. Se parece pouco comparado ao pico de cerca de 4.000 nos anos 1990, antes da invasão das grandes redes, como Barnes & Noble, Borders e Virgin, representa uma evolução importante sobre as 1.400 da última década.

E essa não é a única boa notícia para os fãs dos livros de papel. As vendas em lojas também estão em alta: subiram cerca de 8% anualmente desde 2012. “Há uma percepção errada de que as livrarias independentes estão em perigo. Estamos em um ótimo momento”, diz Jessica Bagnulo, proprietária da Greenlight, livraria aberta no Brooklyn, em 2009.

Há algumas razões que explicam o respiro dado às livrarias após anos de teorias apocalípticas sobre o fim das lojas independentes e dos livros impressos. Primeiro, o declínio das grandes redes americanas nos últimos anos abriu espaço para o ressurgimento das pequenas lojas. A Borders, a segunda maior dos EUA, pediu concordata em 2011, e fechou suas mais de 500 lojas no país.

Sua rival, Barnes & Noble, continua em atividade com cerca de 600 megalivrarias, mas os números diminuem a cada ano. E as remanescentes têm focado em outros produtos, como material de papelaria, revistas e presentes. Em todas elas, há um Starbucks.

“Eles têm um estoque gigante de livros, mas vendem muitas outras coisas. E é bem difícil achar um livro em uma loja enorme”, afirma John Mutter, autor da “Shelf Awareness” (algo como Consciência das Prateleiras), uma newsletter sobre o mercado de livros nos EUA.

Além disso, diz John, as livrarias independentes encontraram uma abordagem que funciona bem com os clientes. “Elas decidiram enfatizar as coisas que você não consegue online: conhecer autores, grupos de leitura, encontrar pessoas que também se interessem por livros.”

Esses benefícios não são novidade no mercado, mas sua importância aumentou devido a um movimento em ascensão nos Estados Unidos nos últimos anos: o “buy local” (“compre local”), que incentiva o comércio de produtos plantados ou fabricados perto de onde são consumidos. A ideia inicial, que ganhou força a partir da crise de 2008, é apoiar os pequenos negócios para revigorar a economia. Mas a onda cresceu e gerou uma busca por um estilo de vida mais comunitário.

“Esse movimento, que vai muito além dos livros, tem tido um impacto enorme nas comunidades e na atitude dos consumidores. Isso é uma parte importante da equação”, afirma Oren Teicher, presidente da ABA.

POR AQUI

No Brasil, a situação é bem diferente da americana. Aqui, os e-books, tímidos em vendas, nunca foram a maior ameaça. O setor enfrenta problemas estruturais muito mais sérios.

Para o presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL), Afonso Martin, “não somos tão profissionais quanto outras áreas da indústria ou do varejo”. E ilustra a desorganização do setor com o exemplo da livraria Ao
Livro Verde, de Campos dos Goytacazes (RJ). Fundada em 1844 e considerada a primeira do Brasil, ela não aparecia no anuário organizado pela própria ANL até 2013.

A tendência no mercado brasileiro é de movimento oposto ao da cidade de NY. As pequenas livrarias estão fechando, enquanto as grandes e médias aumentam e investem em filiais.

É o caso da livraria Argumento, dona de duas lojas no Rio de Janeiro. Inaugurada em 1978, em São Paulo, com o principal propósito de vender livros da editora Paz e Terra -então comandada pelo próprio fundador da livraria, Fernando Gasparian-, a loja expandiu (mas não exagerou) nas últimas duas décadas.

A receita para o sucesso, de acordo com Marcus Gasparian, um dos donos da livraria, é simples, e segue a lógica das lojas independentes americanas. Além do “tamanho humano”, tudo depende do atendimento. “Não temos vendedor, temos livreiros”, diz. “Eles são os atores, eu cuido apenas da bilheteria. Sou só o dono do teatro.”

SUPERESTIMADO

Nos EUA, a volta das livrarias também conta com a falta de interesse por livros digitais. Em 2012, a consultoria PricewaterhouseCoopers divulgou relatório prevendo que os e-books seriam responsáveis, até 2016, por metade das vendas de livros no mercado norte-americano.

Errou feio: os números mais recentes da Associação dos Editores Americanos (AAP, em inglês) mostram que a fatia de mercado dos digitais chegou a 23,4% em 2014. Os dados estão estagnados desde 2012, quando a parcela de e-books ficou em 22,5%.

“Imagino que teremos apenas aumentos modestos daqui para frente, dado que a tecnologia já está disponível há algum tempo”, diz Tina Jordan, vice-presidente da AAP. O Kindle, o e-reader da Amazon, primeiro no mercado, foi lançado em 2007.

Mas a participação dos livros digitais varia entre os segmentos, fazendo com que as lojas físicas tenham que repensar parte de sua estratégia.

Clássicos de capa mole são o grande sucesso das vendas de livros digitais na Amazon, o que torna impossível para uma livraria independente contar com eles para ser bem-sucedida. Elas se dão melhor com livros de capa dura, literatura infantil e culinária. Por sorte, lojas menores podem se adaptar mais rápido ao gosto do freguês.

“Os clássicos eram parte significativa do nosso negócio, porque os estudantes precisam, mas agora eles leem como e-book”, diz Chris Doeblin, da Book Culture. A proximidade de suas lojas com a Universidade Columbia faz com que universitários sejam parte importante da sua clientela. Com as mudanças no mercado, ele decidiu manter só uma livraria voltada para este público.

“Criamos outro modelo, com uma boa seção para crianças. Queremos um espaço alternativo, em que as pessoas encontrem mais que livros”, conta. Nestas lojas, ele vende também itens como brinquedos na seção infantil e artigos de cozinha junto com os livros de culinária.

“Ainda estamos lutando para continuar como um negócio viável, mas há muito mais boas notícias hoje do que há dez anos”, afirma Teicher, da ABA. “Estou nesse mercado há mais de 25 anos. Se ganhasse um dólar a cada vez que alguém diz que as livrarias independentes estão morrendo, eu estaria rico”.

Pequenas editoras se destacam com títulos nas listas dos principais prêmios literários do país

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Casas como a Patuá e a Confraria do Vento apostam em distribuição independente e divulgação informal

SC São Paulo 19/06/2014; Eduardo Lacerda da editora Patuá, tem 5 livros indicados do premio Portugal. Foto: Fernando Donasci/ Agência O Globo - Fernando Donasci / Agência O Globo

SC São Paulo 19/06/2014; Eduardo Lacerda da editora Patuá, tem 5 livros indicados do premio Portugal. Foto: Fernando Donasci/ Agência O Globo – Fernando Donasci / Agência O Globo

Mariana Filgueiras em O Globo

Rio — “Acordei ácido. É primeiro de ano. Primeiras horas da manhã. De toda forma, oito e meia, para um ex-sedentário, não deixa de ser uma vitória: primeiras horas, ainda que a manhã dos sábios tenha começado lá pelas cinco. Os sábios são como o sol. Chego lá.”

Começa cedo o dia do protagonista do romance “Companhia Brasileira de Alquimia”, do escritor Manoel Herzog, um dos indicados deste ano ao Prêmio Portugal Telecom, principais reconhecimentos literários da língua portuguesa.

Começa mais cedo ainda o dia do editor Eduardo Lacerda, de 31 anos, fundador e único funcionário da editora Patuá, que lançou a obra.

Eduardo acorda às sete da manhã, às vezes seis, para conseguir cumprir sua rotina atribulada na empresa de um funcionário só. É ele quem seleciona os livros que vai publicar, edita, revisa, divulga, embrulha, põe nos Correios quando os fregueses apertam a tecla “comprar” no site da Patuá, que funciona na sala de sua casa. Trabalho que começa a ser reconhecido: com menos de três anos de funcionamento, a Patuá é uma das muitas editoras nanicas que vêm despontando na lista de prêmios literários, geralmente loteados pelas graúdas.

Olhar generoso dos jurados

Dos 64 livros indicados ao Portugal Telecom deste ano, a Patuá emplacou cinco — mesma quantidade da Cosac Naify, das mais importantes casas editoriais do país. No ano passado, a editora de Eduardo abocanhou o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Autor Estreante com o romance “Desnorteio”, de Paula Fábrio; e ainda teve o livro “Vário som”, de Eliza Andrade Buzzo, entre os finalistas do Jabuti.

— Percebo que há um olhar mais generoso dos jurados com as editoras menores de uns dois anos para cá, sim — observa Eduardo, formado em Letras pela USP, que começou a editora como uma revista literária (“O casulo”), e já publicou 200 títulos de maneira independente desde então, a maioria poesia. — E como é difícil publicar poesia nas grandes editoras, são as pequenas que acabam dando conta deste nicho. Acontece mais ou menos assim: escritores publicam seus romances por grandes editoras, mas se quiserem publicar suas poesias, não há interesse. Aí que nós entramos.

Na mesma lista do Prêmio Portugal Telecom divulgada no início do mês, a pequena editora carioca Confraria do Vento aparece com quatro indicações; a potiguar Jovens Escribas, com duas; a baiana Casarão do Verbo, com uma; bem como a carioca Oito e Meio e as gaúchas Não Editora (a primeira editora independente brasileira a ser convidada para a Feira de Frankfurt) e Arquipélago Editorial (que já foi vencedora e finalista dos prêmios Jabuti e Esso).

— Essas editoras merecem toda a atenção. E os prêmios já estão começando a perceber a importância do papel das editoras independentes no mercado. Apesar da distribuição modesta, do modelo de negócio às vezes ainda nem tão bem resolvido, eles desenvolvem muito mais proximidade com o autor do que uma grande editora, e isso permite que arrisquem mais. Além de tudo, têm mostrado livros belíssimos — nota Marianna Teixeira Soares, agente literária de escritores espalhados em muitas editoras com este perfil, como Victor Heringer, cujo romance, “Glória”, lançado pela 7Letras (que começou como uma das nanicas listadas acima) foi o segundo colocado no prêmio Jabuti ano passado.

Uma das razões para o boom dessas empresas nanicas pode ser a mudança que alguns prêmios estão empreendendo no modo de aproximar o júri dos inscritos, dizem os nanoeditores. Neste ano, pela primeira vez, o Portugal Telecom disponibilizou em seu site o e-mail de cada jurado inicial. Assim, cada concorrente poderia enviar o próprio livro.

— Isso certamente deu condições mais igualitárias de acesso das editoras menores — avalia Victor Paes, da Confraria do Vento, que no último Prêmio Brasília de Literatura ganhou o segundo lugar da categoria Poesia com “O aquário desenterrado” de Samarone Lima.

Funcionando numa sala comercial diminuta num prédio na Cinelândia há sete anos, a editora é formada por três editores — Victor, que é professor de português em uma escola municipal de Belford Roxo; Marcio-André, escritor e artista visual radicado na Espanha; e Karla Melo, que vive e trabalha no Recife. As reuniões acontecem por Skype, e só há poucos meses os três contrataram dois funcionários: Irlim Corrêa, gerente de marketing, e Ricardo Mendes, diretor comercial.

— Uma vez entrei numa livraria e pedi alguns livros do João Gilberto Noll. O livreiro me disse que só pediam um livro por vez do autor. Achei muito estranho: como um dos maiores autores do país só tem um livro pedido pela loja? Imagine com autores novos? E infelizmente a realidade é essa. Se as editoras não apostam nos autores, as livrarias, menos ainda. Mas nós acreditamos que é preciso enfrentar essa barreira de distribuição e conquistar cada livraria. Eu quero viver disso, de formar leitores. Ou não teria essa jornada dupla como professor e editor — atesta Victor, que aposta nas redes sociais para tornar as obras da Confraria dos Ventos conhecidas.

Cortesia para ganhar o leitor

Não há fórmula para a independência. A Patuá, por exemplo, prefere nem lidar com livrarias, fazendo a distribuição por conta própria. Com tiragens iniciais de cem exemplares, parte é vendida na noite de lançamento (se saem 60 livros, a R$ 30, os custos de produção estão quitados) e parte na internet. Uma das estratégias é a fidelização de leitores: quem compra pela internet não sabe, mas vai ganhar outro livro de autores da casa de presente. Uma cortesia que faz com que o público volte ao site, diz Eduardo.

— Estou satisfeito com este sistema. Gosto muito de livrarias, evidentemente, mas cresci numa região sem elas e tive que aprender a me virar — diz o editor, que está lançando justamente um livro-catálogo intitulado “Histórias de editoras independentes”. — Nestes três anos, descobri que vale a pena investir em qualidade. Livros de capa dura, bem acabados. Vale a pena não comprometer o catálogo, apelando para a venda fácil. Recebo cerca de 180 originais por mês, e publico em média de oito a dez. Curiosamente, a maioria dos que recebo não é poesia. Os originais vão seguindo um pouco a lógica do mercado: muitos ressonando Harry Potter, literatura erótica, temas holísticos. Na época do lançamento de “Toda poesia”, do Paulo Leminski (Companhia das Letras), comecei a receber muitos textos de jovens escrevendo como ele. O que acho ótimo, na verdade, minha intenção é a formação de leitores em geral, não só compradores de livros.

Pequenas ideias para criar um país de leitores

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Um evento distribuiu mais de mil livros em meia hora em São Paulo – e pode se repetir em qualquer lugar

Danilo Venticinque, na Época

Para quem duvida que o Brasil possa se tornar um país de leitores, o último sábado foi um bom dia para começar a acreditar. Como disse na coluna anterior, 25 de janeiro foi o dia escolhido pela campanha Esqueça Um Livro para promover o desapego literário em São Paulo e outras cidades do Brasil. Peço licença para voltar ao assunto. Sempre me incomodou a maneira como a imprensa anuncia eventos desse tipo alguns dias antes da realização e, em seguida, esquece o assunto até a próxima edição – quando há próxima edição. Tão importante quanto divulgar a campanha é mostrar seus resultados. E o resultado da Esqueça Um Livro foi um grande sucesso.

Disse aqui que o organizador da campanha, Felipe Brandão, levaria 600 livros para distribuir na Avenida Paulista. Errei. Nos dias que antecederam o evento, algumas editoras fizeram grandes doações e o número final superou os mil exemplares. Pouco antes das 14h, os livros foram deixados em frente ao Conjunto Nacional. O prédio é um velho conhecido dos amantes da leitura, por abrigar uma das livrarias mais tradicionais da cidade. Agora temos outro motivo para lembrar dele. Em poucos minutos, a calçada estava lotada de leitores. A aglomeração era tanta que vez ou outra um policial ou segurança entrava na multidão para conferir o que estava acontecendo. Imagino que esperavam ver qualquer coisa no meio daquele burburinho – menos uma pilha de livros.

Em menos de meia hora, todos os livros arrecadados pela campanha tinham encontrado novos donos. A distribuição de livros continuou por mais uma hora, com a ajuda de outras pessoas que trouxeram doações.

A equipe de ÉPOCA estava lá para acompanhar o evento e fazer o vídeo (assista abaixo) que acompanha a coluna de hoje. Também levamos oito livros que decidi esquecer. Era o que cabia na mochila. Quero levar mais na próxima vez. Já falei aqui sobre o quanto é difícil praticar o desapego quando gostamos muito de algum livro. Na prática, não dói tanto. Tirar um livro da estante não é a melhor das sensações, mas ver que ele pode fazer a alegria de outro leitor é muito gratificante.
Seis dos livros que levamos ficaram com um grupo de adolescentes que se reúne no Facebook para combinar eventos culturais. Vão a livrarias, bibliotecas e teatros. Depois que todos tiverem lido os livros, eles prometem repassá-los para outros adolescentes que também sejam fãs de leitura. Um universitário, admirador de Nietzsche, levou Além do bem e do mal. Mrs Dalloway ficou com Raiane Rezende, de 16 anos. Ela começou a ler em 2012, com a série Harry Potter, e não parou mais. Diz ter lido mais de 40 livros em 2013. Depois de ler o clássico da Virginia Woolf, quer deixá-lo num lugar público novamente. Não na Paulista, mas em Itaquera, bairro onde mora, e onde faltam atividades culturais para jovens.

O que aconteceu em São Paulo pôde ser visto, em menor escala, em outras cidades do país. Participantes abandonavam os livros em lugares públicos e enviavam fotos para o site do Esqueça Um Livro. Um dos grandes trunfos da campanha é que ela não é centralizada. Qualquer um pode participar. Felipe afirmou que organizará mais eventos do tipo em 2014, mas a comoção causada pelos livros na Paulista pode se repetir em qualquer outra cidade, sem dia ou hora marcada. Basta que algum leitor ou grupo de leitores reúna algumas dezenas (ou centenas) de livros e decida distribuí-los. Seria ótimo se isso se tornasse uma prática corriqueira.

O acesso aos livros é apenas um pequeno passo para melhorar os índices de leitura no Brasil. Há obstáculos educacionais, culturais e sociais que precisam ser superados. O caminho é longo e difícil. Mas é preciso comemorar as boas ideias.

Assista ao vídeo da campanha Esqueça Um Livro na Avenida Paulista:

Sinal vermelho para os vícios de linguagem

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Projeto em Maringá busca mostrar a grafia correta das palavras. Para isso, faixas com pequenas lições estão sendo levadas para semáforos e outros locais públicos

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Marcus Ayres, Gazeta Maringá

 

Apesar de incorretas, expressões como “de menor” e palavras como “mindingo” e “seje” são comumente faladas e escritas por muitas pessoas. Buscando evitar a propagação destes vícios de linguagem, um advogado de Maringá iniciou uma campanha para mostrar a grafia correta e esclarecer significados dos termos.

Algumas das lições repassadas pelo projeto
Não existe a palvra “menas”, somente menos

O plural é troféus e não “troféis”

O correto é faz 10 anos e não “fazem 10 anos”

O correto é casa geminada e não “germinada”

O plural é cidadãos e não cidadões

Não se fala “di menor”, mas sim, menor de idade

O certo é meio-dia e meia e não meio-dia e meio

É duzentos gramas e não duzentas gramas

Não é “perca” de tempo, mas perda de tempo

O certo é mortadela e não mortandela”

O correto é cadarço e não “cardaço”

Trata-se do projeto Sinal do Saber. Desde julho, faixas feitas com material reciclável são levadas para locais públicos, principalmente semáforos. Basta o sinal ficar vermelho para que painéis entrem em cena chamando a atenção dos motoristas e pedestres para erros comuns. As mensagens são curtas e diretas como: “O certo é meio-dia e meia e não meio-dia e meio” e “Não é perca de tempo mas perda de tempo”.

“Pensei numa maneira de melhorar o nível cultural de nossa cidade. Sabemos que o desenvolvimento cultural é essencial para uma comunidade ir bem”, explicou o idealizador do projeto, Lutero de Paiva Pereira. O projeto é custeado por empresas e profissionais liberais que se tornaram apoiadores culturais e tem seus nomes divulgados nos painéis.

Atualmente, oito faixas estão em circulação pela cidade, sendo colocadas principalmente em cruzamentos onde existe um fluxo maior de tráfego. A escolha dos pontos é feita a cada fim de semana, levando em consideração a realização de eventos que possam atrair um grande número de pessoas. As mensagens também são fixadas em praças e parques e divulgadas pela internet, na página que o projeto mantém no Facebook www.facebook.com.br/sinal.dosaber.

Ampliação

A receptividade da ação foi tão boa que o projeto já está sendo levado para dentro das empresas. É o caso da Catamarã Engenharia, que está orientando os funcionários a corrigirem certos vícios de linguagem. A proposta também deve ganhar outras cidades, como Cuiabá (MT). “Um empresário de uma rede hoteleira achou a ideia boa e pediu autorização para implementá-la em sua cidade”, revelou Pereira.

Já a Secretaria de Cultura de Maringá autorizou a divulgação das faixas durante o desfile da Independência no próximo dia 7. Com o sucesso do projeto, o idealizador já prepara uma ampliação. Além de evitar erros gramaticais, as faixas devem, em breve, veicular informações sobre o Município e o país, além de outros temas como história mundial.

“Queremos colaborar de alguma forma para termos uma sociedade cada vez mais aculturada, o que implica num trabalho de longo prazo e esforço de muitos. De qualquer forma, se o projeto durar apenas poucos meses, espero que nesse tempo ele tenha se prestado ao fim que motivou sua criação e tenha servido para muitas pessoas.”

Falta de conhecimento

Para a professora de Língua Portuguesa do Centro Universitário de Maringá (Unicesumar), Débora Azevedo Malentachi, o uso incorreto da língua acaba ocorrendo por causa da simplicidade das pessoas e da falta de conhecimento.

“Muitos desses vícios de linguagem são passados pela família e pelos amigos. A pessoa acaba usando determinadas palavras até para não ser excluída socialmente. Por isso, projetos como o do Sinal do Saber são importantes. Se a pessoa compreende o uso da língua, passa a falar corretamente.”

Débora lembra que mesmo as pessoas que conhecem mais a língua acabam usando palavras gramaticalmente inadequadas. “A língua portuguesa é muito rica. Para se comunicar com maior clareza, é importante conhecê-la”, explicou a professora, que é mestre em Letras.

dica do Jarbas Aragão

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