Marcelo Nova - o Galope do Tempo

Posts tagged pessoas

‘Não use bananas como marcadores de livros’, avisa biblioteca após encontrar casca da fruta em livro devolvido

0

Biblioteca da Universidade de Manchester, no Reino Unido, se surpreendeu ao encontrar casca de banana apodrecida dentro das páginas de livro sobre direito e geopolítica.

Publicado no G1

Tudo começou na terça-feira (9), com um alerta que os funcionários da biblioteca da Universidade de Manchester, no Reino Unido, decidiram publicar na internet. “Por favor não use bananas como marcadores de livros, e definitivamente não devolva seus livros para nós com marcadores de banana velha e mofada ainda dentro deles. Muito obrigada”, escreveram eles, na conta oficial da biblioteca no Twitter (veja abaixo).

A mensagem, porém, logo se espalhou, com milhares de curtidas e compartilhamentos e dezenas de pessoas cobrando imagens da cena inusitada. Surpresos com o interesse, os bibliotecários decidiram pesquisar se as pessoas queriam mesmo ver com os próprios olhos como uma banana poderia ganhar tal função na vida literária.

No dia seguinte, eles publicaram uma bem humorada enquete com a seguinte pergunta: “Você gostaria de ver uma foto do marcador de banana velha e mofada que foi recentemente encontrada em um de nossos livros?”

A curiosidade dos internautas venceu de lavada: mais de 1.500 pessoas votaram, e 90% delas pediram que a imagem fosse tornada pública.

Respeitando o desejo da maioria, na quinta-feira (11) o perfil entregou a imagem que todos esperavam: a casca da banana foi encontrada entre as páginas 80 e 81 de um livro sobre a crise constitucional na Europa, na parte em que o autor trata sobre aspectos econômicos da questão, incluindo a crise financeira internacional. Partes do texto, porém, estão ilegíveis porque a banana, já com cor escura e pontos de mofo, deixou marcas pelas páginas, o que indica que talvez os leitores devam buscar objetos de materiais não-orgânicos se precisarem guardar a página em que interromperam a leitura.

Biblioteca em Manchester, no Reino Unido, publicou no Twitter foto de um dos livros devolvidos ao local, que continha uma casca de banana apodrecida entre as páginas (Foto: Reprodução/Twitter/UoMLibrary)

Habilidades, não diplomas, definem hoje os melhores talentos, diz CEO do LinkedIn

0

Jeff Weiner, CEO do LinkedIn (Foto: Chip Somodevilla/Getty Images)

Para Jeff Weiner, uma das práticas mais comuns dos recrutadores para analisar currículos não faz o menor sentido

Publicado na Época Negócios

Em processos seletivos, é comum que recrutadores levem em consideração a universidade onde se formaram os candidatos — sobretudo para dar preferência aos que frequentaram as instituições mais renomadas. Para Jeff Weiner, CEO do LinkedIn, tal prática não faz o menor sentido. Durante uma palestra na ASU GSV Summit, o executivo defendeu o que acredita ser importante analisar na hora de contratar alguém. Segundo ele, o LinkedIn quer alguém com paixão pelo que faz, ética, perseverança, lealdade e mentalidade de crescimento (o “Growth Mindset” sobre o qual tem se falado tanto no mundo corporativo recentemente).

“Estas são qualidades que você não vê necessariamente em um diploma”, defende Weiner. “Há habilidades que tendem a ser completamente negligenciadas quando as pessoas estão examinando currículos ou perfis do LinkedIn. E, no entanto, cada vez mais, achamos que esses são os tipos de pessoas que fazem a maior diferença dentro da nossa organização.”

“Cada vez mais eu ouço esse mantra: habilidades, não diplomas. Não são habilidades que dispensam diplomas. Trata-se apenas de expandir nossa perspectiva para ir além dos diplomas.” Ou seja, três palavras que podem fazer toda a diferença no processo de contratação: habilidades, não diplomas. E faz todo o sentido.

“Nós nos orgulhávamos de no recrutamento ter uma lista incrivelmente curta de universidades, e muitas empresas do Vale do Silício costumavam fazer o mesmo”, disse Weiner. “Certamente não estamos sozinhos. Recentemente, demos uma olhada no perfis do LinkedIn e constatamos que, entre os trabalhadores do setor de tecnologia dentro do Vale, apenas 5% deles tiveram formações não tradicionais”.

Nos últimos anos, no entanto, empresas têm percebido que existe muito talento escondido — e que muitas pessoas inteligentes e apaixonadas estão desprezando o ensino superior tradicional.

“Estamos tentando nos afastar dessa ideia de que todos na equipe de engenharia, e todos no geral, devem ter vindo de uma escola específica ou ter que ter um grau diploma”, disse Weiner. “Sim, diplomas de [ciência da computação] de escolas específicas podem te levar a encontrar um talento incrível. Mas há tanto talento para ser encontrando se as pessoas estiverem abertas buscá-los em lugares diferentes.”

Mestre em teoria literária vive nas ruas há 10 anos em Aracaju

0

jose-henrique-conceicao-lendo

José Henrique Conceição é um dos 200 moradores em situação de rua na capital de Sergipe.

Anderson Barbosa, no G1

Praça Fausto Cardoso, Centro de Aracaju (SE). O endereço conhecido por importantes prédios históricos e pela sede dos Poderes Judiciário e Legislativos municipal e estadual é também a residência de José Henrique da Conceição, de 59 anos, um mestre em Literatura pela Universidade de Brasília (UNB) que há cerca de 10 anos vive passou a engrossar os mais de 101 mil pessoas que vivem em situação de rua no Brasil, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

“Existe um processo de exclusão que não poupa ninguém, independente da formação profissional. Além de mestre, sou licenciado em língua inglesa e literatura, falo diversos idiomas. Também sou tradutor e intérprete, lecionei 27 anos em diversos estados brasileiros e fora do Brasil”, enumera.

Mestre Henrique nasceu no Rio de Janeiro (RJ), mas o avô dele é natural de Propriá (SE), por isso que após lecionar em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo decidiu atuar na Região Nordeste. “Há alguns anos eu tive o privilégio, não estava no Brasil, estava na Guiana Francesa e como já era a minha vontade de vir para Sergipe eu enviei o currículo para a Faculdade Atlântico, fui muito bem recebido, porém ele foi a óbito e depois acabou sendo vendida a instituição”, relembra.

Diploma de mestre pela Universidade de Brasília (Unb) (Foto: Zé Mário/TV Sergipe)

Diploma de mestre pela Universidade de Brasília (Unb) (Foto: Zé Mário/TV Sergipe)

Em Aracaju, José Henrique espera realizar o desejo de fundar a Escola de Pensamento do Nordeste. “Fui fundador do Núcleo de Estudos Clássicos Eudoro de Sousa da Universidade de Brasília, onde foram formados grandes mestres e doutores, mas aqui ainda não recebi apoio de ninguém. É muito complicado. A gente não é recebido pelos gestores, que dizem, depois me procura lá. Procura lá é um eufemismo de que não será recebido”, lamenta.

Paulo Henrique é uma das 200 pessoas, que de acordo com a prefeitura, vivem em situação de rua em Aracaju e, segundo o projeto municipal “Consultório na Rua”, faz parte do grupo privilegiado que teve acesso a educação. “Tem muita gente formada, muita gente com família. 70% da nossa população de rua de Aracaju sabe ler, então teve acesso ao ensino formal. Então eles acabam se perdendo nas ruas por falta de oportunidade”, disse a psicóloga Kamila Fialho.

José Henrique sobrevive com dinheiro que arrecada com a venda online de artigos e dos livros que escreve (Foto: Zé Mário/TV Sergipe)

José Henrique sobrevive com dinheiro que arrecada com a venda online de artigos e dos livros que escreve (Foto: Zé Mário/TV Sergipe)

Sobrevivência

O capital intelectual é quem ajuda na sobrevivência do ex-professor universitário que na dissertação de mestrado mergulhou na hermenêutica da narrativa em Grande Sertão: Veredas. Através das redes socais e do blog Linguarama, ele disponibiliza mais de 10 mil páginas com informações em artigos e livros que escreve desde 1996.

Entre as obras do professor estão os livros “A Desconstrução da metafísica e a reconciliação de poetas e filósofos” e “A Hermenêutica da Concriatividade de Euclides da Cunha”, este traz o comentário de Germano Machado da Cepa Brasil (BA).

“Apenas solicito colaboração das pessoas para terem acesso ao material. A maioria colabora e assim vamos seguindo a vida. Recentemente orientei uma sindicalista e conseguiu vaga de mestrado na área de geografia da na USP, a minha orientação custou R$ 500”, afirma.

O mesmo banco que serve de cama para o professor, também ajuda na pesquisa dos temas que são abordados nos artigos e livros virtuais (Foto: Zé Mário/TV Seripe)

O mesmo banco que serve de cama para o professor, também ajuda na pesquisa dos temas que são abordados nos artigos e livros virtuais (Foto: Zé Mário/TV Seripe)

Preconceito

Na opinião do mestre, existe um corporativismo muito grande e um preconceito que ele denomina de biopsicoetnico e pro causa disso não consegue espaço no mercado de trabalho. “Eu não vim pra mendigar. Vim para apresentar meu capital intelectual de 27 anos de experiência no magistério e na docência, no Brasil e fora, para a comunidade sergipana. Solicito as instituições de ensino superior dessa cidade, e interior do estado, que que estou a disposição para lecionar”, desabafa.

A pergunta que ronda a cabeça de muita gente, também inquieta o professor. “Como é que um mestre em teoria literária, com projeto de doutorado, já aprovado pela UFBA, fica na ruas? Tem alguma coisa errada aí. É do sistema dominante. É uma invisibilidade de não enxergar o outro. Aí vai buscar a causa tachando você disso e daquilo. É a ineficiência”, afirma.

José Henrique Conceição já deu aulas em uma faculdade de Aracaju (SE) (Foto: Zé Mário/TV Sergipe)

José Henrique Conceição já deu aulas em uma faculdade de Aracaju (SE) (Foto: Zé Mário/TV Sergipe)

Vencedor do Pulitzer, Colson Whitehead diz que se tornou escritor no Brasil

0

Escritor afirma que racismo, linchamento e violência policial são faces do cativeiro contemporâneo

Publicado no UAI

Escritor lança o livro 'The underground railroad: Os caminhos para a liberdade'. (foto: Odd Andersen/AFP)

Escritor lança o livro ‘The underground railroad: Os caminhos para a liberdade’. (foto: Odd Andersen/AFP)

Colson Whitehead já era escritor conhecido nos EUA quando lançou, em agosto de 2016, o romance The underground railroad, que, no Brasil, ganhou o subtítulo Os caminhos para a liberdade (Harper Collins). O sucesso absoluto de crítica e de público o projetou globalmente – foi #1 na lista de mais vendidos do The New York Times depois de recomendações públicas de Barack Obama e Oprah Winfrey. O livro deu a Colon o prêmio Pulitzer de ficção deste ano.

O romance usa uma estrutura que se move no tempo e no espaço para descrever o caminho de Cora, escrava que o leitor conhece numa fazenda da Georgia, estado norte-americano notadamente escravocrata e de farta produção de algodão no século 19.

A “ferrovia subterrânea” – denominação para a rede de pessoas que ajudavam escravos a fugir do Sul dos EUA, historicamente real – assume um caráter mágico, de realismo mágico. E os trens, na ficção, realmente viajam debaixo da terra.

Curiosamente, Whitehead diz ter se tornado escritor de ficção numa viagem ao Brasil, em 1994, quando tinha 24 anos. “Fui um cara de 20 e poucos anos quebrado e deprimido. Voltei (do Brasil) um cara de 20 e poucos anos quebrado e deprimido trabalhando num romance”, comenta, aos risos, nesta entrevista.

O que era “ferrovia subterrânea” da vida real?
Uma rede de pessoas que ajudavam escravos a escapar para o Norte. Gente que escondia escravos nos vagões, em celeiros. Na época, os trens estavam transformando os Estados Unidos, eram algo poderoso.

Como você fez o equilíbrio entre a realidade histórica e o realismo mágico do século 21?
O primeiro capítulo, na Georgia, na plantação, é realista. Antes de começar a brincar com a história, eu queria acertar. Quando Cora toma o trem, entramos no reino da fantasia. Um dos marcos do realismo mágico é manter uma cara séria, um tom prosaico, entre realidade e fantasia.

Você menciona o trabalho de Gabriel García Márquez em várias entrevistas. Como é sua relação com os livros dele?
Ele foi definitivamente importante quando eu era mais jovem. Comecei a querer ser escritor lendo ficção científica, fantasia e terror. Então, usar fantasia sempre me pareceu uma ferramenta natural para contar histórias. Li Cem anos de solidão quando tinha 17 anos. Li muito depois também e, quando estava tentando descobrir a voz de meu livro, pareceu que o realismo mágico era o jeito de prosseguir.

Até que ponto uma pessoa consegue ler e pensar sobre a história da escravidão e não ficar desesperada com a raça humana?
Foi muito difícil escrever. Na pesquisa, pensar nisso como um adulto era muito difícil. Tenho filhos. Não posso imaginar ver essas crianças torturadas ou vendidas. De vários jeitos, nem deveria estar aqui. É um milagre meus antepassados não terem morrido. “Eis uma ilusão: não podemos escapar da escravidão. Não podemos. As cicatrizes da escravidão nunca desaparecerão”, diz um personagem do romance.

Quanto dos Estados Unidos contemporâneo é resultado direto da escravidão?
O país se forma no século 19 a partir da escravidão, da exportação e do dinheiro que veio disso. Houve leis que regularam isso, mas depois os meios de controle se deram por outros jeitos, como a segregação, o racismo, o linchamento. Nos dias atuais, ainda temos uma polícia branca que pode ser muito racista e agressiva contra pessoas negras. Temos senadores e políticos que pensam em novos jeitos de privar eleitores negros do direito ao voto. Temos a revogação de leis de direitos civis e proteções no Departamento de Justiça. A escravidão acabou, mas há novos jeitos de colocar as pessoas negras em “seu lugar”.

Como você vê a discussão contemporânea sobre o racismo e suas origens, presentes, hoje em dia, nas artes?
Há mais artistas negros fazendo arte. Não estou certo sobre os resultados disso. A escravidão é pouco discutida nas escolas e a arte não deveria substituir a boa educação. Não temos uma exploração histórica sustentada na América, seja sobre o genocídio dos nativos, seja sobre a escravidão africana.

O narrador fala de um “imperativo” americano: “Se conseguir ficar com ele, é seu. Sua propriedade, escravo ou continente”. Esse imperativo segue vivo?
Nosso país é movido pelo capitalismo. Nós ainda temos interesse em exportadores de petróleo. Sim, os EUA passam muito tempo garantindo que os ricos permaneçam ricos.

A protagonista de seu romance aprende a ler. Você pensou na metáfora em que isso representa um tipo de liberdade?
Sim, claro, como é para qualquer um. Especialmente para pessoas que se alfabetizam mais tarde na vida. Nas narrativas de escravidão, esse é um grande momento, quando eles escapam, chegam ao Norte e aprendem a ler. De repente, todo um mundo se abre para eles. Queria isso para Cora. Ela começa como um objeto, sem conhecimento do mundo. Assim que aprende a ler, pode viajar além da sua localidade.

Esta é uma das partes mais interessantes do livro: como escravos eram punidos se fossem vistos lendo.
Em muitos estados, era ilegal ensinar escravos a ler. Uma vez que você lê, já não está completamente escravizado.

O protagonista era homem quando você teve a ideia do livro. Por que a mudança?
Isso foi antes de começar a escrever. Vinha de uma série de narradores masculinos e não quero fazer a mesma merda o tempo inteiro. Há uma escritora, Harriet Jacobs, que escreveu de maneira atraente sobre a escravidão, sobre como uma garota se torna mulher numa plantação e fica subjugada pelos desejos dos mestres – e então tem filhos. São dilemas diferentes dos de um homem.

Qual é a sua opinião sobre o primeiro ano de administração Donald Trump?
Ninguém, incluindo Trump, pensava que ele venceria. Era uma ideia para ganhar dinheiro na campanha, mas aí muitas coisas deram errado no mundo (risos). E agora é um período muito obscuro. A cada dia surge uma nova atrocidade perpetrada por ele ou por sua administração. Há um empurra-empurra entre direita e esquerda, democratas e republicanos. Se a gente não morrer num holocausto nuclear, alguma parte do dano que ele está fazendo será desfeita, mas no meio tempo muita gente vai se machucar, muita gente vai morrer e o prejuízo será da sociedade americana e das nossas relações pelo mundo. Para dizer o mínimo.

Cem Anos de Solidão será escrito em braille na Colômbia

0

livroembraille-432b81e327bfdcc3ea430061e5b0f804-1200x600

Publicado no Metro

Após uma doação realizada pela ONG “Once de Espanha” para a biblioteca nacional da Colômbia, deficientes visuais vão poder ler, pela primeira vez, em braille, o livro “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez.

A edição em braille da obra terá seis volumes estará disponível a partir de dezembro na Biblioteca Nacional da Colômbia. “É um trabalho bem grande, porque um livro em braille é volumoso, uma vez que as páginas têm um espaço maior do que os livros comuns. Então, quando alguém inicia a tarefa de publicar um livro em braille, geralmente possui diversos volumes”, disse à ANSA o coordenador da Biblioteca Nacional, Camilo Páez.

Além dos livros, a doação também inclui diversos equipamentos eletrônicos especiais para que a biblioteca use para ajudar as pessoas cegas ou com pouca visão.

De acordo com dados do Inci (Instituto Nacional para Cegos da Colômbia), existem no país mais de 1,2 milhão de pessoas com cegueira parcial ou total.

Go to Top