Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

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Estudante de Manaus cria locadora de livros e garante renda extra

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Segundo a empreendedora Monique, a procura pelo locadora está sendo boa com uma média semanal de oito a 15 livros alugados. Foto: Evandro Seixas

Segundo a empreendedora Monique, a procura pelo locadora está sendo boa com uma média semanal de oito a 15 livros alugados. Foto: Evandro Seixas

O acervo da locadora inclui obras de diferentes gêneros, romance, suspense, terror, fantasia, policial e ficção científica com um preço baratinho.

Larissa Cavalcate, no A Crítica

Uma jovem apaixonada por leitura decidiu disponibilizar sua coleção de livros para locação. Quem gosta de ler e às vezes não tem condições de comprar determinado exemplar, pode agora alugar por um preço bem baratinho.

Em um país onde as pessoas dedicam pouco tempo aos livros – em média, apenas dois são lidos por ano, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, a Locadora Viagens Literárias cumpre um papel importante de difusão da leitura.

A universitária Monique Braga, 19, possui uma verdadeira biblioteca em casa. São mais de 520 livros acumulados ao longo dos anos. Com todos esses livros parados na estante, a jovem teve a ideia de disponibilizar os exemplares para aluguel. Foi então que surgiu a locadora Viagens Literárias, iniciativa pioneira em Manaus que está funcionando há um mês.

“A paixão pela leitura nasceu quando eu ainda era criança e a minha mãe sempre me incentivou. Faço parte de um grupo de blogueiras literárias aqui do Amazonas e durante os eventos que já realizamos, observei que muitas pessoas deixam de ler por não ter condições de adquirir os livros em função do valor estabelecido pelas editoras. Pensei, é melhor disponibilizar o meu acervo para leitura do que deixá-lo parado”, explicou.

Renda Extra
Incentivar o acesso das pessoas a leitura por um preço acessível permite a estudante ganhar uma renda extra. Ela já possui planos para desenvolver o seu próprio negócio. “No momento, estou apenas guardando o dinheiro para expandir a locadora. Pretendo ampliar o acervo com novos lançamentos, abrir um espaço físico porque o meu quarto já está ficando apertado e até realizar eventos, por exemplo, um café literário”, disse.

Acervo
Inclui obras de diferentes gêneros, romance, suspense, terror, fantasia, policial e ficção científica. O aluguel do livro é de quatro a seis reais por semana dependendo da quantidade de páginas e encadernação. As edições especiais em capa dura e em outros idiomas possuem valor especial em virtude dos cuidados que demandam. Não há um limite de dias para aluguel nem a quantidade de títulos. Monique contou que para os leitores interessados em alugar os combos (coleção de livros), é possível negociar o valor e a locadora já planeja desenvolver o cartão fidelidade.

Na prática
Para alugar, os interessados podem contatar a Monique por meio das redes sociais. Um integrante da locadora encaminhará para o leitor a lista de títulos disponíveis, o contrato de aluguel junto com as regras de uso. Após essas etapas, é combinado um local público para ser feita a entrega dos livros.

Opinião
“A iniciativada Monique é sensacional. Muito boa.Eu gosto de e-books. Tenho um leitor digital Kindle no entanto, os livros digitais tem sido uma polêmica no universo dos leitores. Ter um Kindle me permite o acesso a uma infinidade de livros digitais gratuitos na internet, inclusive, com qualidade. Fora o serviço de assinatura Kindle unlimited, é da Amazon, e permite o uso de biblioteca de livros digitais ao mês pelo valor de R$ 19,90. Alguns livros da literatura universal, como Dom Casmurro, estão liberados no domínio público (site governamental). Não é barato comprar livro, mas ainda há sim há quem prefira livros físicos e as editoras investem nisso através dos livros pockets (de bolso) que são baratos e acessíveis”, ressaltou a servidora pública e leitora assídua, Keyseane Silva.

Neta de Clarice Lispector ilustra livro clássico da avó publicado há quase 50 anos

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‘A Mulher Que Matou os Peixes’ – que tem um dos melhores inícios de livro da chamada literatura infantojuvenil – completará meio século em 2018

Bia Reis, no Estante de Letrinhas

“Essa mulher que matou os peixes infelizmente sou eu. Mas juro a vocês que foi sem querer. Logo eu! Que não tenho coragem de matar uma coisa viva! Até deixo de matar uma barata ou outra.
Dou minha palavra de honra que sou pessoa de confiança e meu coração é doce:
perto de mim nunca deixo criança nem bicho sofrer.
Pois logo eu matei dois peixinhos vermelhos que não fazem mal a ninguém
e que não são ambiciosos: só querem mesmo é viver.
Pessoas também querem viver, mas felizmente querem também
aproveitar a vida para fazer alguma coisa de bom.
Não tenho coragem ainda de contar agora mesmo como aconteceu. Mas prometo que no fim deste livro contarei e vocês, que vão ler esta história triste, me perdoarão ou não.
Vocês hão de perguntar: por que só no fim do livro?
E eu respondo:
– É porque no começo e no meio vou contar algumas histórias de bichos que eu tive, só
para vocês verem que eu só poderia ter matado os peixinhos sem querer.”

Não há resenha que dê conta de fazer um convite melhor a esta leitura do que este começo de livro. Trata-se de A Mulher Que Matou os Peixes (Rocco Pequenos Leitores), de Clarice Lispector, e que foi relançado com novo projeto gráfico. Clarice já revela o final – confessando o crime – e provoca a vontade de entender porque outras histórias iriam influenciar na opinião do leitor, que tem todo o direito de perdoá-la ou não. É um “vai encarar ou não”?

Sorte de quem aceitar o mergulho. Sem nos avisar claramente, o livro é uma série de contos sobre relações da autora com bichos ou de outras pessoas ou até mesmo algumas aventuras entre os próprios animais. Tudo “verdade pura”, diria Emília. Nas histórias, de tudo um pouco: um amigo que criava uma rata e que foi comida por um gato; o cachorro Dilermando, que viveu com ela na Itália; uma ilha repleta de borboletas. Mas as duas histórias mais impactantes sem dúvida são a sobre a macaca Lisete e a briga dos cachorros Max e Bruno.

Clarice comprou a “miquinha” Lisete de um vendedor de rua, que “estava vestida com saia vermelha, e usava brincos e colares baianos”. Cinco dias depois, o animal dá sinais de doença e a família se dá conta de que a compra não foi lá muito responsável e que ela já estava doente antes e que o diagnóstico era o pior.

Mas a mais impactante, sem dúvida, acontece com um amigo da autora, Roberto, que tinha um cachorro chamado Bruno. O cachorro tinha um grande companheiro, outro cachorro vizinho chamado Max. Só que Bruno era extremamente possessivo com seu dono e, certa vez, Max foi fazer festinha para o dono do amigo e Bruno achou que era um ataque.

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Para defender o dono, atirou-se em cima de Max, que não tinha culpa nenhuma. Mas Max, vendo-se ferozmente atacado, reagiu. E o resultado foi uma luta sangrenta.

A história continua como se fosse daqueles filmes sobre crimes recheados de vingança e fatalidade. Preparem-se: olhos arregalados das crianças cobrirão o mediador deste livro de perguntas!

Neste passeio por histórias de perda, Clarice não menospreza nem por um segundo a capacidade leitora e de elaboração cognitiva e emocional da criança. Só um exemplo do quanto ela trata a criança como leitor – não “futuro leitor”. Assume-se narradora e se coloca nas emoções e contradições da vida, como faz em A Vida Íntima de Laura e em O Mistério do Coelho Pensante.

A edição relançada pela Rocco este ano, no entanto, tem algo de ainda mais especial: as ilustrações e o projeto gráfico. A arte ficou por conta de Mariana Valente, neta da autora, que já tem seu trabalho publicado na obra para adultos de Clarice. As colagens há emocionam desde a capa, com uma intervenção a uma foto clássica de Clarice com as mãos no rosto, que tem tudo a ver com o sentimento dela de “vergonha” diante do crime cometido. Mas todo o livro é um deleite de imagens em colagens interessantíssimas por si só e emocionantes pela pesquisa realizada.

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Conta a ilustradora no final do livro: “Adoro ‘criar memórias’. Adoro recolher materiais nostálgicos, cheios de histórias e carinho: fotos de pessoas, documentos, cartas, objetos pessoais desconhecidos encontrados em feiras de antiguidades”. “Para criar memórias deste livro, busquei inspiração nos arquivos da minha família”, continua Mariana, revelando que, por mais que já tivesse feitos trabalhos em livros da avó, este foi especial. “Esta história, escrita há mais de quatro décadas e dedicada aos netos, toca em questões que sempre assustaram a Mari pequena e a Mari adulta: morte e finitude. Acho importantíssimo falar sobre esses temas para crianças. Como fez Clarice, e como eu faço agora, em sua companhia, por meio de imagens. Com muita delicadeza, a mulher que matou os peixes nos aproxima daquilo que inevitavelmente teremos de encarar. Assim como vem sendo a minha relação com Clarice, minha avó, que mesmo sem tê-la conhecido me ensina a cada palavra.”

Das coisas que só a literatura nos causa.

Geladeiras viram bibliotecas públicas para compartilhar leitura de livros em Macapá

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50 'galadeirotecas' serão espalhadas em espaços públicos de Macapá com livros à disposição (Foto: Paulo Rocha/Fumcult)

50 ‘galadeirotecas’ serão espalhadas em espaços públicos de Macapá com livros à disposição (Foto: Paulo Rocha/Fumcult)

Rita Torrinha, no G1

Uma campanha intitulada “Doe Livros, Compartilhe Leitura!” pede doação de títulos de literatura infanto-juvenil, adulto e revistas em quadrinhos. O acervo vai ser usado no projeto “Geladeiroteca”, que transformam geladeiras sem uso em bibliotecas. Elas serão colocadas em áreas de lixeiras viciadas, Unidades Básicas de Saúde (UBSs), praças e outros espaços inusitados de Macapá.

O lançamento da campanha será em outubro, mas ainda não foi informada a data. As geladeiras serão preenchidas com livros e ficarão à disposição das pessoas, que podem escolher, ler e, se quiserem, até levar para casa. A iniciativa é da Fundação Municipal de Cultura (Fumcult), que quer incentivar o hábito da leitura, ampliar o acesso aos livros e ajudar o meio ambiente.

Para conseguir fornecer o maior número possível de livros para a população, é preciso reunir um acervo grande. Por isso, mesmo antes do lançamento oficial, os interessados em apoiar a campanha podem levar doações ao prédio da fundação, localizada na Rua Eliezer Levy, com a Avenida Mendonça Furtado.

O uso de geladeiras como bibliotecas não é inédito no Brasil. Já existe em cidades como Goiânia, Florianópolis e Cuiabá, e nesses lugares o projeto virou referência.

Em Macapá, o projeto iniciará com 50 “geladeirotecas”. Elas foram confeccionadas após serem encontrados em lixeiras públicas ou doadas por pessoas que pretendiam descartá-las, como conta o diretor-presidente da Fumcult, Sérgio Lemos.

Para ajudar, a população pode doar gibis, revistas e livros de literatura (Foto: Paulo Rocha/Fumcult)

Para ajudar, a população pode doar gibis, revistas e livros de literatura (Foto: Paulo Rocha/Fumcult)

“Provavelmente o destino dessas geladeiras seria o ferro velho ou simplesmente iam continuar sendo mais um volume nas problemáticas lixeiras. Mais de 20 delas nós encontramos no lixo, durante ações de limpeza da prefeitura. As demais recebemos de pessoas conhecidas que iriam jogá-las fora”, conta.

Ainda de acordo com o titular da pasta, a instalação dessas geladeiras funcionará de forma rotativa, para que alcance maior público.

A intenção é que as pessoas se deparem com elas e se surpreendam, tenham curiosidade de pegar livros, de lê-los e de ajudar a cuidar do espaço onde estará a biblioteca inusitada. A previsão é que elas comecem a circular pela cidade em dezembro.

Morador de rua explica por que escolheu Ipanema: ‘O lixo daqui é ótimo para livro’

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André Vieira lê deitado na Praça General Osório Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

André Vieira lê deitado na Praça General Osório Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Bruno Alfano, no Extra

Entre os poucos pertences de André Vieira, de 38 anos, há um exemplar de “É fácil matar”, uma das histórias de Agatha Christie. Ele nunca havia falar da escritora, famosa pelos romances policiais, mas tem se entretido com a história. André lê em sua cama improvisada na Praça General Osório, em Ipanema, Zona Sul do Rio, e encontrou o exemplar no lixo. Ele é um dos moradores de rua que vivem no bairro e que, se depender de uma campanha no Facebook, não receberá mais ajuda de ninguém. Uma página na rede social estimula que moradores do bairro criem constrangimento a quem decida dar esmola a pessoas em situação de rua no bairro. O texto argumenta que essa população não nasceu no bairro e que só voltam para Ipanema porque há pessoas que dão esmola e comida.

“Pessoal, a Superintedência da Zona Sul e a Guarda Municipal do Rio de Janeiro têm retirado estas pessoas e encaminhado a abrigos, mas vocês percebem que eles sempre voltam? Não vão para Santa Cruz, nem para Nova Iguaçu, Campo Grande, eles vem para Ipanema. Por que será? Nascer aqui eles não nasceram. Vem porque tem algo de bom. Esse algo de bom são as pessoas que dão esmola e comida”, argumenta a página Alerta Ipanema.

A proposta do texto, portanto, é fazer com que quem estiver ajudando um morador de rua seja constrangido com a “gritaria” até que pare de ajudar.

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“Eu já faço, mas precido da ajuda de vocês. Quando virem alguém dando comida ou esmola, chamem atenção, façam gritaria, mostrem a todos que estiverem passando, que aquela pessoa tá contribuindo pra que tenhamos mais mendigos nas ruas do bairro. Só assim ficam constrangidos e param”, diz o texto.

Na imagem do post, um homem negro segura uma placa dizendo que o dinheiro de quem dá esmola o mantém na rua o dia inteiro.

— O lixo de Ipanema é ótimo para livros — comenta André, que não se assusta com a polêmica. — Eu entendo quem não quer dar dinheiro para morador de rua. É verdade que nem todo mundo usa bem o dinheiro. Mas dar comida, eu não vejo problema.

André trabalha montando barracas de praia. No verão, consegue R$ 40 por dia. No inverno, paga o almoço — o que já é uma vitória. Ele nasceu em Niterói e, há sete anos, foi viver sob marquises após se viciar em crack. Largou a droga quando percebeu que havia perdido casa, mãe e os cinco filhos, mas não volta para a família. Por orgulho, diz. Quer primeiro se estabilizar num emprego (está tirando os documentos e buscando oportunidade) para depois retornar.

Morador de rua dorme na Praça General Osório, em Ipanema Foto: Agência O Globo

Morador de rua dorme na Praça General Osório, em Ipanema Foto: Agência O Globo

— Aqui em Ipanema é menos perigoso do que em outras partes da cidade. Só às vezes que a gente sofre com preconceito e com covardia. O problema é quando os playboys bebem e querem bater na gente — conta.

Na rua, André construiu família. Tem mulher (que conheceu quando viveu pelas marquises do Centro do Rio) e agora cuida de um cachorro, filhote de pitbull que foi abandonado na General Osório. Um menino, também morador de rua, chama André de pai.

— Eu cuido dele às vezes e ele fala isso por aí — conta.

Depois da repercussão negativa do post, o moderador da página Alerta Ipanema decidiu apagar a postagem. A polêmica, no entanto, se espalhou por Ipanema.

— A gente fica numa situação complicada. Tem cada vez mais gente debaixo da marquise. Tem quem precise mesmo, dá para ver isso. Mas tem gente que não quer nada e fica pedindo — pondera o morador Marcos Vinícius dos Santos. — Quando eu vejo criança, não dá para não ajudar. Mesmo sabendo que, às vezes, são as mães que botam eles para trabalharem pedindo dinheiro.

Chimamanda Ngozi Adichie tem livro de contos lançado pela 1ª vez no Brasil

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Chimamanda Ngozi ficou, mundialmente, conhecida depois de falar dos riscos da história única no TED Talks

Chimamanda Ngozi ficou, mundialmente, conhecida depois de falar dos riscos da história única no TED Talks

 

Em 12 histórias curtas, ela fala de migrações, relacionamentos amorosos, a relação da mulher negra com o próprio cabelo e racismo

Publicado no UAI

Chimamanda Ngozi Adichie virou uma estrela na internet: suas participações no programa de palestras TEDTalks somam milhões de visualizações. Um trecho foi usado por Beyoncé na canção Flawless (outros 60 milhões de cliques no YouTube). Suas duas obras mais recentes são manifestos feministas que figuram nas listas de mais vendidos mundo afora. Mas o livro que chega agora ao Brasil, No Seu Pescoço, uma reunião de contos publicada nos EUA em 2009, vem para lembrar que a nigeriana é, antes de tudo, escritora de ficção.

Em 12 histórias curtas, a autora explora temas que também aparecem nos seus romances, especialmente Meio Sol Amarelo e Americanah (romance de 2014, outro dos trabalhos que transformaram Chimamanda em celebridade): migrações entre África e EUA, relacionamentos amorosos, a relação de mulheres negras com o próprio cabelo. Racismo.

O desafio que ela se coloca, entre ser artista e ser ativista ao mesmo tempo, é buscar a “verdade emocional”, porque ela concorda que escritores em uma missão podem se tornar maus autores. “Quando artistas permitem que a missão afunde todo o resto, quando personagens se tornam não defeituosos e complexos, mas falantes achatados, isso (fazer arte ruim) pode ser verdade”, diz, por e-mail, à reportagem.

“Dito isso, eu realmente acho que a maior parte dos artistas está numa missão, a questão é se essa missão é bem executada. O próprio ato de escrever, de contar uma história, é político. Porque a arte não cai do céu. A arte que criamos é um produto dos espaços que ocupamos no mundo. E eu não penso que a missão deva ser grandiosa, ela pode simplesmente ser, por exemplo, a missão de humanizar uma parte do mundo que há muito foi enredada no estereótipo.”

O sucesso com o ativismo feminista também é ambíguo para a escritora – ela relata vários casos de pessoas (homens) que lhe dirigiram hostilidades em eventos públicos, num nível que ela não havia experimentado antes. “E agora me chamam para qualquer evento feminista no mundo”, brincou em outra entrevista recente.

“Quando escrevo sobre feminismo, isso vem de um lugar por fim ideal, de um desejo de trabalhar em direção a um mundo que é verdadeira igualitário”, diz. Para Educar Crianças Feministas: Um Manifesto também foi lançado pela Companhia das Letras este ano (o título original é Dear Ijeawele, or A Feminist Manifesto in Fifteen Suggestions).

A obra é uma versão reduzida de uma carta que Chimamanda enviou para uma amiga, que lhe pediu conselhos para criar a filha como feminista. “Penso que é moralmente urgente termos conversas honestas sobre outras maneiras de criar nossos filhos, na tentativa de preparar um mundo mais justo para mulheres e homens”, escreve – ela também é mãe de uma pequena de 20 meses. O livro é um dos 10 mais vendidos do Brasil este ano na categoria não ficção, segundo o PublishNews.

Sobre os contos de No Seu Pescoço, Chimamanda diz que eles representam um lugar na sua carreira, mas não demonstra muito entusiasmo ao falar deles: a recepção crítica em língua inglesa, na época do lançamento, foi mista.

Michiko Kakutani escreveu no The New York Times que o livro mostra a África “em uma comovente coleção de contos, e que não é aquela África com que os americanos estão familiarizados pela televisão ou manchetes de jornal”. Em outra resenha no mesmo veículo, o crítico Jess Ross escreve que em alguns contos Chimamanda parece tentar “entregar as notícias que o Ocidente quer ouvir sobre a África: vítimas de dar pena, vilões incorrigíveis, sobreviventes inspiradores”. Em seguida, porém, ele ressalta que essa impressão não dura muito e que a autora “calmamente eviscera as pretensões dos ocidentais cujo interesse na África mascara uma venalidade gananciosa e vaidosa”.

“Para mim, escrever ficção é um processo de contar a minha própria verdade e, ao mesmo tempo, espero levar outras pessoas comigo”, diz Adichie ao Estado. “A decisão de escrever cabe a uma pessoa, mas a decisão de publicar o trabalho é sobre outras pessoas. Eu não pretendo, na minha ficção, mudar a cabeça de ninguém, mas sempre fico feliz ao escutar que mudei.”

Ela rejeita a ideia de que os contos tratam sobre mal-entendidos. “Culturas são diferentes e pessoas olham de maneiras diferentes para as mesmas coisas”, explica. Ela também não quis comentar se mais ficção vem aí. “Sou uma mulher igbo supersticiosa e não falo sobre trabalhos em andamento”, ressalta.

Em uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em 2014, Chimamanda se dizia feliz com Obama na presidência, embora não concordasse com algumas decisões do ex-presidente americano. Agora, com Trump destilando ataques contra imigrantes, ela diz se sentir muito mal. “Esse fato (a eleição de Trump) me fez perceber como todas as democracias são profundamente frágeis”, admitiu ainda.

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