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Morador de rua explica por que escolheu Ipanema: ‘O lixo daqui é ótimo para livro’

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André Vieira lê deitado na Praça General Osório Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

André Vieira lê deitado na Praça General Osório Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Bruno Alfano, no Extra

Entre os poucos pertences de André Vieira, de 38 anos, há um exemplar de “É fácil matar”, uma das histórias de Agatha Christie. Ele nunca havia falar da escritora, famosa pelos romances policiais, mas tem se entretido com a história. André lê em sua cama improvisada na Praça General Osório, em Ipanema, Zona Sul do Rio, e encontrou o exemplar no lixo. Ele é um dos moradores de rua que vivem no bairro e que, se depender de uma campanha no Facebook, não receberá mais ajuda de ninguém. Uma página na rede social estimula que moradores do bairro criem constrangimento a quem decida dar esmola a pessoas em situação de rua no bairro. O texto argumenta que essa população não nasceu no bairro e que só voltam para Ipanema porque há pessoas que dão esmola e comida.

“Pessoal, a Superintedência da Zona Sul e a Guarda Municipal do Rio de Janeiro têm retirado estas pessoas e encaminhado a abrigos, mas vocês percebem que eles sempre voltam? Não vão para Santa Cruz, nem para Nova Iguaçu, Campo Grande, eles vem para Ipanema. Por que será? Nascer aqui eles não nasceram. Vem porque tem algo de bom. Esse algo de bom são as pessoas que dão esmola e comida”, argumenta a página Alerta Ipanema.

A proposta do texto, portanto, é fazer com que quem estiver ajudando um morador de rua seja constrangido com a “gritaria” até que pare de ajudar.

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“Eu já faço, mas precido da ajuda de vocês. Quando virem alguém dando comida ou esmola, chamem atenção, façam gritaria, mostrem a todos que estiverem passando, que aquela pessoa tá contribuindo pra que tenhamos mais mendigos nas ruas do bairro. Só assim ficam constrangidos e param”, diz o texto.

Na imagem do post, um homem negro segura uma placa dizendo que o dinheiro de quem dá esmola o mantém na rua o dia inteiro.

— O lixo de Ipanema é ótimo para livros — comenta André, que não se assusta com a polêmica. — Eu entendo quem não quer dar dinheiro para morador de rua. É verdade que nem todo mundo usa bem o dinheiro. Mas dar comida, eu não vejo problema.

André trabalha montando barracas de praia. No verão, consegue R$ 40 por dia. No inverno, paga o almoço — o que já é uma vitória. Ele nasceu em Niterói e, há sete anos, foi viver sob marquises após se viciar em crack. Largou a droga quando percebeu que havia perdido casa, mãe e os cinco filhos, mas não volta para a família. Por orgulho, diz. Quer primeiro se estabilizar num emprego (está tirando os documentos e buscando oportunidade) para depois retornar.

Morador de rua dorme na Praça General Osório, em Ipanema Foto: Agência O Globo

Morador de rua dorme na Praça General Osório, em Ipanema Foto: Agência O Globo

— Aqui em Ipanema é menos perigoso do que em outras partes da cidade. Só às vezes que a gente sofre com preconceito e com covardia. O problema é quando os playboys bebem e querem bater na gente — conta.

Na rua, André construiu família. Tem mulher (que conheceu quando viveu pelas marquises do Centro do Rio) e agora cuida de um cachorro, filhote de pitbull que foi abandonado na General Osório. Um menino, também morador de rua, chama André de pai.

— Eu cuido dele às vezes e ele fala isso por aí — conta.

Depois da repercussão negativa do post, o moderador da página Alerta Ipanema decidiu apagar a postagem. A polêmica, no entanto, se espalhou por Ipanema.

— A gente fica numa situação complicada. Tem cada vez mais gente debaixo da marquise. Tem quem precise mesmo, dá para ver isso. Mas tem gente que não quer nada e fica pedindo — pondera o morador Marcos Vinícius dos Santos. — Quando eu vejo criança, não dá para não ajudar. Mesmo sabendo que, às vezes, são as mães que botam eles para trabalharem pedindo dinheiro.

Chimamanda Ngozi Adichie tem livro de contos lançado pela 1ª vez no Brasil

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Chimamanda Ngozi ficou, mundialmente, conhecida depois de falar dos riscos da história única no TED Talks

Chimamanda Ngozi ficou, mundialmente, conhecida depois de falar dos riscos da história única no TED Talks

 

Em 12 histórias curtas, ela fala de migrações, relacionamentos amorosos, a relação da mulher negra com o próprio cabelo e racismo

Publicado no UAI

Chimamanda Ngozi Adichie virou uma estrela na internet: suas participações no programa de palestras TEDTalks somam milhões de visualizações. Um trecho foi usado por Beyoncé na canção Flawless (outros 60 milhões de cliques no YouTube). Suas duas obras mais recentes são manifestos feministas que figuram nas listas de mais vendidos mundo afora. Mas o livro que chega agora ao Brasil, No Seu Pescoço, uma reunião de contos publicada nos EUA em 2009, vem para lembrar que a nigeriana é, antes de tudo, escritora de ficção.

Em 12 histórias curtas, a autora explora temas que também aparecem nos seus romances, especialmente Meio Sol Amarelo e Americanah (romance de 2014, outro dos trabalhos que transformaram Chimamanda em celebridade): migrações entre África e EUA, relacionamentos amorosos, a relação de mulheres negras com o próprio cabelo. Racismo.

O desafio que ela se coloca, entre ser artista e ser ativista ao mesmo tempo, é buscar a “verdade emocional”, porque ela concorda que escritores em uma missão podem se tornar maus autores. “Quando artistas permitem que a missão afunde todo o resto, quando personagens se tornam não defeituosos e complexos, mas falantes achatados, isso (fazer arte ruim) pode ser verdade”, diz, por e-mail, à reportagem.

“Dito isso, eu realmente acho que a maior parte dos artistas está numa missão, a questão é se essa missão é bem executada. O próprio ato de escrever, de contar uma história, é político. Porque a arte não cai do céu. A arte que criamos é um produto dos espaços que ocupamos no mundo. E eu não penso que a missão deva ser grandiosa, ela pode simplesmente ser, por exemplo, a missão de humanizar uma parte do mundo que há muito foi enredada no estereótipo.”

O sucesso com o ativismo feminista também é ambíguo para a escritora – ela relata vários casos de pessoas (homens) que lhe dirigiram hostilidades em eventos públicos, num nível que ela não havia experimentado antes. “E agora me chamam para qualquer evento feminista no mundo”, brincou em outra entrevista recente.

“Quando escrevo sobre feminismo, isso vem de um lugar por fim ideal, de um desejo de trabalhar em direção a um mundo que é verdadeira igualitário”, diz. Para Educar Crianças Feministas: Um Manifesto também foi lançado pela Companhia das Letras este ano (o título original é Dear Ijeawele, or A Feminist Manifesto in Fifteen Suggestions).

A obra é uma versão reduzida de uma carta que Chimamanda enviou para uma amiga, que lhe pediu conselhos para criar a filha como feminista. “Penso que é moralmente urgente termos conversas honestas sobre outras maneiras de criar nossos filhos, na tentativa de preparar um mundo mais justo para mulheres e homens”, escreve – ela também é mãe de uma pequena de 20 meses. O livro é um dos 10 mais vendidos do Brasil este ano na categoria não ficção, segundo o PublishNews.

Sobre os contos de No Seu Pescoço, Chimamanda diz que eles representam um lugar na sua carreira, mas não demonstra muito entusiasmo ao falar deles: a recepção crítica em língua inglesa, na época do lançamento, foi mista.

Michiko Kakutani escreveu no The New York Times que o livro mostra a África “em uma comovente coleção de contos, e que não é aquela África com que os americanos estão familiarizados pela televisão ou manchetes de jornal”. Em outra resenha no mesmo veículo, o crítico Jess Ross escreve que em alguns contos Chimamanda parece tentar “entregar as notícias que o Ocidente quer ouvir sobre a África: vítimas de dar pena, vilões incorrigíveis, sobreviventes inspiradores”. Em seguida, porém, ele ressalta que essa impressão não dura muito e que a autora “calmamente eviscera as pretensões dos ocidentais cujo interesse na África mascara uma venalidade gananciosa e vaidosa”.

“Para mim, escrever ficção é um processo de contar a minha própria verdade e, ao mesmo tempo, espero levar outras pessoas comigo”, diz Adichie ao Estado. “A decisão de escrever cabe a uma pessoa, mas a decisão de publicar o trabalho é sobre outras pessoas. Eu não pretendo, na minha ficção, mudar a cabeça de ninguém, mas sempre fico feliz ao escutar que mudei.”

Ela rejeita a ideia de que os contos tratam sobre mal-entendidos. “Culturas são diferentes e pessoas olham de maneiras diferentes para as mesmas coisas”, explica. Ela também não quis comentar se mais ficção vem aí. “Sou uma mulher igbo supersticiosa e não falo sobre trabalhos em andamento”, ressalta.

Em uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em 2014, Chimamanda se dizia feliz com Obama na presidência, embora não concordasse com algumas decisões do ex-presidente americano. Agora, com Trump destilando ataques contra imigrantes, ela diz se sentir muito mal. “Esse fato (a eleição de Trump) me fez perceber como todas as democracias são profundamente frágeis”, admitiu ainda.

O encontro que ajudou sem-teto a se tornar escritor best-seller após 27 anos nas ruas

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THOMAS SAMSON/AFP/Getty Images Image caption Roughol pedia esmola na avenida Champs-Élysées quando encontrou o político Jean-Louis Debré

THOMAS SAMSON/AFP/Getty Images
Image caption Roughol pedia esmola na avenida Champs-Élysées quando encontrou o político Jean-Louis Debré

 

Jean-Marie Roughol viveu nas ruas de Paris por 27 anos, até que um encontro casual mudou sua vida. De sem-teto, ele se tornou escritor de um best-seller.

Publicado na BBC Brasil

Ele pedia esmola na avenida Champs-Élysées, próximo ao Arco do Triunfo, quando Jean-Louis Debré, ex-ministro do Interior e ex-presidente da Assembleia Nacional da França, chegou de bicicleta.

“Eu estava tomando conta da bicicleta dele”, contou Roughol ao programa Outlook da BBC. “A gente estava conversando, quando ouvimos algumas pessoas dizendo: ‘olha, é aquele político, o Jean-Louis Debré, e ele está conversando com um mendigo'”.

O tom do comentário não agradou o político, que reagiu com uma proposta que abriria um novo capítulo na vida de Roughol.

“Naquele momento, a expressão de Jean-Louis mudou. Ele não gostou da forma que se referiam a mim. Foi nessa hora que ele falou: Jean-Marie, por que você não escreve um livro sobre sua experiência? Aí as pessoas vão ver como é a vida sob sua perspectiva. Vamos publicá-lo”, relembra.

KENZO TRIBOUILLARD/AFP/Getty Images Image caption Jean-Louis Debré, ex-ministro do Interior, encorajou Roughol a escrever o livro

KENZO TRIBOUILLARD/AFP/Getty Images
Image caption Jean-Louis Debré, ex-ministro do Interior, encorajou Roughol a escrever o livro

O livro, intitulado Je tape la manche : Une vie dans la rue (“Eu peço esmola: uma vida na rua”, em tradução livre para o português), já vendeu 50 mil cópias.

“Eu jamais poderia imaginar que o livro seria um sucesso. Achava que se conseguisse vender 50 cópias, seria um milagre. E, de repente, eu estava concedendo um monte de entrevistas”, conta.

Era a primeira vez que Roughol se aventurava no mundo da escrita.

“Não comecei imediatamente. Se passaram 6 meses até eu pegar papel e caneta. Jean-Louis me encorajou a escrever quando eu pudesse, aos poucos. Eu sempre carregava um caderninho comigo e ia preenchendo com a minha história”, relata.

Jean-Louis Debré, que foi um político de perfil conservador e ministro durante a Presidência de Jacques Chirac, fez questão de se envolver pessoalmente na revisão da obra.

“Ele (Debré) achou uma editora para mim e fazia as correções”, relata Roughol. “Eu cometia muitos erros, já que não terminei a escola. Mas ele dizia: ‘não se preocupe, escreva o que você quiser e eu dou uma olhada”, diz.
Infância conturbada

O livro relata a trajetória de Roughol, que tem origem em uma infância conturbada.

“Eu era maltratado. Não tínhamos o suficiente para comer. Natal simplesmente não exisita. Aniversários nunca eram comemorados. Eu chorava no meu quarto. E uma vez, pensei em me matar”, conta.

Aos 12 anos, ele foi morar com o pai. Mas o ambiente tampouco era acolhedor.

“Meu pai era alcoólatra. Quando estava bêbado, me batia muito. Foi quando comecei a fugir de casa e matar aula. Minha infância foi um inferno. Foi uma época terrível. E isso eventualmente me levou a viver nas ruas.”

“Se eu tivesse pais normais e cuidadosos, minha vida seria bem diferente. Meu sonho na infância era ser arqueólogo. Eu era apaixonado por história”, relata.

Ele tinha 19 anos quando dormiu na rua pela primeira vez.

“Foi no dia seguinte que terminei de servir o Exército. Só tinha 200 francos comigo. Passei a noite no metrô. Esperei o último trem partir e passei a noite na estação”, recorda-se.
‘Um dia de cada vez’

Sem endereço fixo, Roughol não conseguia arrumar emprego. E, para completar, teve os documentos roubados.

“Eu pedia esmola então. Há alguns anos, as pessoas eram bem generosas. Eu passava de três a quatro horas por dia pedindo esmola e era suficiente para o dia. Recentemente, ficou mais difícil. Eu tinha que passar 15 horas por dia pedindo dinheiro. Quando se mora na rua, você vive um dia de cada vez”, afirma.

Além de lutar pela sobrevivência, ele convivia constantemente com o medo de ser roubado.

“É muito difícil encontrar lugares seguros para dormir. Você não quer ficar sozinho para não ser um alvo fácil para assaltantes. Já roubaram meus sapatos enquanto eu dormia. Na primeira noite, você dorme com um olho aberto. Na segunda noite, também. Na terceira, você está tão cansado que nada é capaz de te acordar. É nesse momento que os ladrões te atacam e roubam seus pertences”, afirma.

Apesar da fama repentina, Roughol continuou dormindo na rua por um período, até receber o primeiro pagamento pelo livro.

“Eu continuei pedindo esmola por um tempo. As pessoas eram mais generosas. Me viam na TV e vinham me dar dinheiro. Isso foi antes de eu receber os royalties pelo livro. Quando recebi o dinheiro, consegui meu próprio apartamento, onde vivo há um ano”.
Lar, doce lar

Da solidão das ruas para o conforto do lar, houve um processo de adaptação. A primeira noite em casa foi comemorada com uma bela refeição.

“No início, eu andava pelo apartamento, sem saber o que fazer. Na primeira noite, decidi fazer um bife. Nas ruas, você só come comida barata – sanduíche, kebab, pizza… Então na minha primeira noite no apartamento, eu queria comer algo bem bacana. Foi um momento incrível para mim”, diz.

Roughol se dedica agora a escrever seu segundo livro, uma adaptação da obra para o teatro. E espera que sua história inspire uma mudança de comportamento nas pessoas.

“O importante é não julgar as pessoas que vivem nas ruas. Todo mundo pode acabar na rua. Até mesmo CEOs de grandes empresas. Eu só espero que as pessoas se esforcem mais para falar com moradores de rua. Mesmo que você não dê dinheiro, converse com eles”, sugere.

Com Rapunzel rastafári e fadas do acarajé, baiana lança livro inspirado em contos de fadas clássicos com personagens negros

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‘Os Contos de Fadas na Realidade Afro-baiana’ será lançado no dia 7 de julho, em Salvador.

Livro Os Contos de Fadas na Realidade Afro-Baiana será lançado no dia 7 de julho, em Salvador (Foto: Divulgação)

Livro Os Contos de Fadas na Realidade Afro-Baiana será lançado no dia 7 de julho, em Salvador (Foto: Divulgação)

Lílian Marques, no G1

Rapunzel rastafári, fadas do acarajé, príncipe jamaicano, Chapeuzinho Vermelho protegida por um orixá são alguns dos personagens do primeiro livro da escritora baiana Maria Izabel Nascimento Muller. Intitulada de “Os Contos de Fadas na Realidade Afro-baiana”, a obra foi inspirada em clássicos da literatura infantil e tem personagens negros ou que vivem em cenários da Bahia, como o Pelourinho e Chapada Diamantina.

O livro é também definido pela escritora como muvulcultura, uma forma de incentivar as crianças negras, criando uma identificação com os personagens, antes pertencente ao mundo tido como dos brancos.

Após quase 30 anos de escrita, a publicação será lançada no dia 7 de julho, na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, em Salvador, e tem ainda os santos Cosme, Damião e Do’ou, representando os três porquinhos, os irmão João e Maria cantando e dançando ao som do Olodum e da Timbalada. O livro tem também um trecho dedicado ao tema “histórias de baianidade”, no qual a escritora cria histórias divertidas, como o diário de um tênis, as aventuras de um personagem no carnaval da Bahia e a miscigenação dos anjos.

Em entrevista ao G1, Maria Izabel revelou que a ideia de escrever a publicação surgiu há muitos anos, quando ainda era professora da rede pública de ensino da Bahia e viu a necessidade da sensação de pertecimento em seus alunos negros. Maria Izabel trabalhou em escolas de Salvador por 33 anos. Episódios de racismo que marcaram a vida dela também foram determinantes para essa iniciativa. Hoje, aos 68 anos, ela se divide entre Brasil e Suíça, terra natal do marido dela.

“Começou nos idos de 1982, quando passei por uma situação de racismo em uma pós [graduação]. Quando eu comecei a ensinar estudos africanos passei a ter uma nova visão. Descobri que minhas alunas eram fascinadas pelos contos de fadas. Negras, pobres, que não tinham a realidade dos contos de fadas. Depois de estudos, eu fui observando e olhando os livros de contos de fada. Vi que aqui vivemos numa realidade de 80% de negros e [esses contos] não condizem com nossa realidade, mas não sou contra”, afirmou.

A escritora, que também ilustrou o livro, conta que começou a escrever a obra em 1988, ainda com muita insegurança em falar sobre negritude no Brasil. “Era muito difícil”, disse.

Sem perspectivas de publicação, Maria Izabel guardou os escritos do livro, mas compartilhou o trabalho com alguns colegas de escola. “Só foi publicado agora por falta de oportunidades. Me cobraram muito caro na época e para financiar pelos órgãos públicos eu precisava participar de editais”, disse.

Após pouco mais de dez anos, o trabalho de Maria Izabel foi divulgado em alguns jornais de Salvador e em uma edição especial da Revista TV Escola, do Ministério da Educação, mas ainda sem perspectivas de publicação.

“O trabalho ‘fugiu’ das minhas mãos e foi parar nos jornais e revistas. Em 2000, o Ministério da Educação estava buscando por trabalhos inéditos e me procurou. Veio uma delegação do MEC e fui escolhida para representar o povo negro quando o Brasil completou 500 anos”, afirmou.

A escritora afirma que ainda hoje considera que existe um racismo velado no Brasil, mas que o país já avançou muito em relação a isso. Quando teve a ideia do livro, conta Izabel, o tema mal era debatido. “O racismo colonialista se alimenta até hoje. Mas isso tem melhorado muito. Pelo menos, a gente ja tem a coragem de dizer, não tem mais medo. Minha intenção [no livro] não foi fazer uma separação, mas pegar metáfora e escrever numa realidade mais próxima. A literatura é volátil, usei a metáfora da inclusão e não da exclusão. Existem vários caminhos para a gente se incluir”, disse.

O projeto de publicar o livro foi retomado recentemente, em maio 2017. “Minha intenção é, através da venda do livro, dar oportunidade a alguém que está necessitando, fazer um trabalho social, porque ele está agregado à minha carreira, à minha realidade. É uma contribuição, não é uma vaidade minha. Eu vim de uma realidade muito humilde e, graças a Deus, a meus pais, e muita outras pessoas, tive a oportunidade de estar realizando esse sonho”, revelou.

Izabel conta que investiu cerca de R$ 8 mil para publicar 200 exemplares da obra. Cada livro será vendido por R$ 30. Como a escritora não tem vínculo com nenhuma distribuidora, a publicação pode ser adquirida no dia do lançamento. Quem tiver interesse também pode fazer contato com a escritora pelos telefones 71 98806-4872 ou 71 3230-1219.

Maria Izabel define livro como uma forma de incentivar as crianças negras (Foto: Roberto Leal/ Divulgação)

Maria Izabel define livro como uma forma de incentivar as crianças negras (Foto: Roberto Leal/ Divulgação)

Racismo

Ao G1, a escritora Maril Izabel contou uma história marcante de racismo que ocorreu quando ela ainda era criança. Segundo a escritora, à época do ocorrido ela estava com 9 anos e não chegou a perceber com clareza que, junto com três colegas, estava sendo excluída de uma ativdade escolar por ser negra.

“Uma vez uma pró integrou uma turma de teatro e os quatro negros foram excluídos. Eu questionei e, no dia seguinte, ela trouxe um texto muito direcionado aos negros. Vivi com isso por toda a minha vida, me feriu muito. Era uma cantiga que dizia assim: ‘eram quatro pretinhos, todos quatro da Guiné, e deitaram a fugir dançando siricoté'”, disse a escritora cantando o trecho da música.

Mesmo diante da resistência da mãe, que orientou Izabel a não participar da atividade com a cantiga, ela disse que não tinha consciência do que estava ocorrendo e se sentia feliz por poder se apresentar com os colegas. “No dia da apresentação, todos os colegas apresentaram seus pápeis, e nós quatro [negros] ficamos no fundo da sala, ouvimos todos. Quando terminou todos foram embora, só ficou a professora. Eu perguntei da nossa apresentação e ela mandou a gente se apresentar para a sala vazia. Mas isso para mim foi uma alegria tão grande, mas ao mesmo tempo tinha um sentimento que eu não sabia explicar. Só hoje eu tenho noção de que era tristeza, frustação”, relatou.

Sobre a autora

Maria Izabel do Nascimento Muller nasceu em Jacobina, cidade localizada na Chapada Diamantina, onde se formou em Magistério. Após prestar concurso para professor da rede pública de ensino da Bahia, ela se mudou para Salvador, onde fez o curso de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, pela Universidade Católica de Salvador (Ucsal). Depois, Izabel fez pós-graduação em Estudos Afro e Tradição e Cultura, nas Universidades Federal (UFBA) e do Estado da Bahia (Uneb).

Em 2002, casou com um suíço, se aposentou e foi viver no país do marido, onde estudou alemão e trabalhou como voluntária em um programa da Organização das Nações Unidas (Onu). Em 2012, após o marido se aposentar, Izabel voltou com ele para Salvador e o casal começou a viajar o mundo. Juntos, os dois já conheceram mais de 25 países e fizeram alguns cursos de idiomas por onde passaram. Hoje eles se dividem entre o Brasil e a Suíça.

5 livros para se tornar um profissional de elite

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O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler.

Dalila Ribeiro, no Administradores

Já dizia Mark Twain, o homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler.

A leitura de bons livros são portas abertas para o conhecimento, para um profissional que deseja crescer na carreira e se destacar no mercado de trabalho, tão importante quanto investir em conhecimento técnico é investir em desenvolvimento pessoal e quando falamos em desenvolvimento pessoal falamos, entre outras coisas, em:

• Tornar-se alguém com uma visão de mundo mais abrangente e mais estratégica;
• Exercitar o autoconhecimento, saber gerir suas emoções e estar consciente do poder que a sua mente exerce sobre a sua vida;
• Aprender a usar a sua mente a favor do seu sucesso e bem-estar, construindo dia após dia uma mentalidade positiva que preze pelo prazer dos resultados a longo prazo;
• Buscar meios de equilibrar todas as áreas da sua vida, como por exemplo saber ser estratégico para conciliar a carreira profissional com a vida financeira e familiar;

E chamamos tudo isso de desenvolvimento pessoal porque para conseguir agir de acordo com esses princípios não é suficiente ter o conhecimento intelectual sobre esses assuntos, é necessário que você compreenda como a sua mente e seu corpo podem assimilar tudo isso de modo a tornar essas premissas parte da sua rotina. Para isso existem cinco livros incríveis que todo profissional de elite precisa ler, são livros que vão levar você para um próximo nível de compreensão e atitudes na sua vida pessoal, profissional e financeira.

01 – Poder Sem Limites – Anthony Robbins

Escrito por Anthony Robbins quando ele tinha apenas 25 anos, figura entre os seus melhores junto com “Liberte o Gigante Interior”. Nesse livro você consegue aprender muito sobre como mudar a sua vida de acordo com a realização dos seus sonhos, você poderá entrar em contato com poderosa metodologia da PNL (Programação Neurolinguística) ensinada por Tony nos seus seminários, cuja participação chegam a custar 6mil dólares.

02 – Liberte o Gigante Interior – Anthony Robbins

660 páginas que você não consegue parar de ler, também com base na metodologia da PNL, esse livro é uma porta aberta para o autoconhecimento e para a configuração de uma mente (Mindset) poderosa. Se você quer compreender porque tem determinados comportamentos que vêm atrapalhando o seu sucesso e quer encontrar meios para superar as dificuldades e mudar de uma vez por todas, instalando hábitos vencedores e eliminado hábitos que atrasam você, se você quer conviver melhor com as pessoas a sua volta, se você quer melhorar a sua capacidade de liderança, se você quer aprender a configurar a sua mentalidade para alcançar o sucesso, então você precisa ler esse livro.

03 – Pai Rico Pai Pobre – Robert Kyiosaki

Gostaria de transformar os seus ganhos em uma fortuna? Gostaria de deixar de viver para pagar as contas? Quer aprender a fazer o dinheiro trabalhar para você? Robert Kyiosaki traz tudo isso em uma leitura leve e gostosa, sem complicações e com um poder transformador. Embora Pai Rico Pai Pobre seja uma obra que se dedica muito a dizer porque as pessoas devem trabalhar para elas mesmas, você enquanto assalariado pode aprender muito sobre como não deve se comportar diante da sua vida financeira enquanto trabalhador e também lança um olhar muito esclarecedor sobre como devemos lidar com a questão do dinheiro em si. Uma grande leitura para quem deseja melhorar a administração financeira.

04 – Pense e Enriqueça – Napoleon Hill

Napoleon Hill (1883-1970) passou 20 anos de sua vida estudando o comportamento de pessoas de sucesso, analisando o que essas pessoas faziam que as proporcionavam a realização de grandes sonhos, foram entrevistados por ele mais de 16mil pessoas, entre eles os 500 milionários mais importantes da época, que mostraram a ele a fonte de sua riqueza. No livro Pense e Enriqueça ele lança luz sobre os principais traços comportamentais dos grandes vencedores e divulgou o conceito de Master Mind da forma como ele é conhecido hoje, se mostra uma leitura leve e daquelas que não conseguimos parar de ler. Gostaria de saber os segredos do sucesso de nomes como Thomas Edison, Henry Ford, Theodore Roosevelt e John D. Rockefeller? Então não perca tempo e corre atrás do seu exemplar.

05 – Inteligência Emocional – Daniel Goleman

Escrito em 1995 pelo psicólogo americano Daniel Goleman, esse livro vai instalar na sua mente os mecanismos para que você consiga melhorar e desenvolver a cada dia a sua Inteligência Emocional, com bases científicas muito bem fundamentadas Goleman consegue explicar de um jeito leve a importância fundamental das emoções humanas em todas as esferas da vida deixando bem claro, como e porque, todos nós devemos nos dedicar a esse aprendizado se quisermos de fato sermos pessoas de sucesso.

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