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Única biblioteca de favela fecha, e três mil livros ficam inacessíveis à comunidade

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Bruno Alfano, no Extra

Os três mil livros da Biblioteca Comunitária Nélida Piñon, na favela Kelson, na Penha, Zona Norte do Rio, estão inacessíveis. A única biblioteca da comunidade fechou há três meses por falta de verba. Com apenas R$ 2.500 por mês, o grupo conseguia oferecer, além do empréstimo de obras literárias, cursos de alfabetização, supletivo e até assistência jurídica.

— Essa biblioteca era financiada com a ajuda de algumas pessoas da comunidade e do Rotary Club. Mas perdemos praticamente todos os apoios — conta o fundador do espaço, Geraldo de Oliveira, de 68 anos, que inaugurou o espaço em 2007 e já recebeu lá a própria Nélida Piñon, escritora da Academia Brasileira de Letras.

Escritora Nélida Piñon já visitou o local Foto: Divulgação

Escritora Nélida Piñon já visitou o local Foto: Divulgação

 

A biblioteca virou referência na comunidade. Foi lá, por exemplo, que a moradora Pâmela Cassimira conheceu as histórias da Chapeuzinho Vermelho e de princesas, quando tinha 5 anos. Assim, aprendeu a ler e tomou gosto.

— É muito ruim a biblioteca fechar. Esse era o único lugar cultural que tinha na favela — afirmou a estudante que, agora, tem 15 anos.

Geraldo de Oliveira fundou o local e agora luta pela sua sobrevivência Foto: Divulgação

Geraldo de Oliveira fundou o local e agora luta pela sua sobrevivência Foto: Divulgação

 

Agora, os livros estão fechados em um espaço inacessível à população. Geraldo já pensa em se desfazer do acervo para que outras pessoas, mesmo longe da Kelson, possam desfrutar da oportunidade de ter uma biblioteca por perto. Ainda não tomou essa decisão porque mantém a esperança de que, a qualquer momento, tudo possa mudar:

— Ler é lutar — resume.

De faxineira a juíza, a história de uma mulher pobre e negra no Brasil

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 A juíza Adriana Queiroz. Aline Caetano

A juíza Adriana Queiroz. Aline Caetano

 

Adriana Queiroz pagou parte dos seus estudos como limpadora de um hospital e escreveu um livro

Maria Martin, no El País

A luz do quarto de Adriana Queiroz estava sempre acessa nas madrugadas. Ela trabalhava durante o dia, estudava às noites e rezava para que quem apenas a via como uma mulher negra, pobre e filha de analfabetos não quebrasse seu sonho. Adriana não queria ser o que os outros esperavam dela, ela queria ser juíza em um país onde a taxa de analfabetismo das mulheres negras (14%) mais que duplica a das brancas (5,8%), segundo o IBGE.

Adriana, com 38 anos, é hoje titular da 1ª Vara Cível e da Vara de Infância e da Juventude de Quirinópolis, em Goiás. Tem cinco pós-graduações, estuda Letras nas horas vagas, mas já foi faxineira. Ela teve que se esforçar muito mais que a maioria dos seus colegas de aula para vestir a toga. E conseguiu. Hoje conta suas conquistas em um livro que acabou de lançar, Dez passos para alcançar seus sonhos – A história real da ex-faxineira que se tornou juíza de direito.

Os pais de Adriana eram trabalhadores rurais no sertão da Bahia e se mudaram para Tupã, um município de 63.000 habitantes no interior de São Paulo, em busca de uma vida melhor. O orçamento familiar aumentou, o pai virou motorista de ônibus e a mãe vendedora ambulante, mas pagar uma faculdade era ainda um sonho de outra classe social. “A vida deles sempre foi muita dura. Meus pais sofreram muito, eles queriam me dar o que eles não alcançaram, mas não tinham condições. Ninguém na minha família tinha condições de me ajudar”, lembra a juíza em uma conversa por Skype.

A magistrada, que sempre estudou em escola pública, foi a terceira classificada no vestibular para cursar direito, mas a única faculdade de sua cidade era privada. Não tinha como pagar, muito menos como cogitar uma universidade pública em outra cidade. “Eu soube do resultado da prova numa sexta e, na segunda, já tinha que fazer a matricula ou perdia a vaga. Tive três dias para decidir o que fazer, ver se teria que abandonar”.

Ela resolveu, em seguida, pedir conselho e emprego a um professor da cidade. Ele, que trabalhava no corpo administrativo da Santa Casa, conseguiu uma vaga para ela na instituição. De faxineira. Adriana se orgulha daqueles seis meses que limpou o hospital, mas o salário mínimo que recebia não era suficiente para pagar a mensalidade da universidade e ainda ouvia chacota dos colegas. “Força nos braços, advogadinha!”, lhe gritavam. “Esse episódio é muito marcante para mim, justamente por esse preconceito de que alguém que exerce um cargo como eu exercia não possa sonhar alto”.

Faltavam horas para o prazo da matrícula expirar quando Adriana plantou-se na frente do diretor da faculdade. Compartilhou seu sonho de estudar. “Ele se sensibilizou e me concedeu uma bolsa de 50% e diluiu o valor da matrícula nas mensalidades. Assim, durante o dia trabalhava na limpeza e à noite ia estudar”.

Para espanto dos seus conhecidos e familiares, durante a faculdade, Adriana resolveu ser juíza. “Quando anunciei isso as pessoas ficaram espantadas. Não era comum no meu contexto almejar um cargo tão alto. É como se fosse algo inacreditável, faziam questão de frisar que eu era pobre e negra, como se não tivesse nenhuma chance”, lamenta. Decidida, em 2002, terminou os estudos, pediu demissão na Santa Casa, onde já tinha sido promovida ao corpo administrativo e guardou suas coisas em duas sacolas plásticas. Partia para a capital para se preparar. “Eu não tinha nem mala”, relata.

Após alugar um quartinho no bairro da Liberdade e se matricular no curso preparatório para o concurso da magistratura o dinheiro da conta dava para, no máximo, mais dois meses. “Foi um momento muito crítico, o dinheiro estava acabando e eu não tinha conseguido trabalho”, conta Adriana. “Eu me vi de novo nesse dilema de ter ou não que abandonar”. Não precisou. O diretor do curso, o procurador Damásio de Jesus, viu nela uma “pessoa incomum”.

“Logo à primeira vista, olhando nos olhos daquela jovem advogada de 24 anos, tive certeza de que estava diante uma lutadora, uma pessoa incomum, de alguém que, sem dúvida, estava fadada a um grande futuro”, destaca o jurista no prefácio do livro. Damásio ofereceu para ela uma bolsa de 100% do curso durante dois anos e a empregou na biblioteca da instituição. “Fiquei sete anos estudando, sábados, domingos e feriados. Quando as pessoas iam viajar, eu ficava na biblioteca. Depois de inúmeras reprovações, eu consegui. Em janeiro de 2011 passei o concurso e me tornei juíza em Goiânia”.

Caçula de seis irmãos, a única deles que tem ensino superior, Adriana quer motivar agora com o livro a todas as pessoas que, assim como ela, “sonham, mas estão desacreditadas”. “É possível romper os paradigmas sociais”, encoraja. “Eu, particularmente, não sofro racismo hoje. Mas sim vivencio a grande surpresa das pessoas quando me veem. Porque quando o advogado vai procurar o juiz, ele não espera encontrar alguém como eu. Eu não me importo. Eu fico feliz de ter quebrado esse paradigma”.

ONG em Macapá vai ‘vender’ livros em troca de boas ações

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Livros serão 'comprados' com boas ações, em Macapá (Foto: Nexa/Divulgação)

Livros serão ‘comprados’ com boas ações, em Macapá (Foto: Nexa/Divulgação)

 

Clientes precisam demonstrar algum ato de atenção ao próximo para ‘comprar’ livro. ONG recebe doações de livros até o dia 27 de abril para trocar em feira no dia 29.

Fabiana Figueiredo, no G1

Uma campanha em Macapá quer incentivar a leitura e estimular gestos de bondade gratuitos entre as pessoas. A 4ª edição do projeto “Feira 1010 maneiras de comprar um livro sem dinheiro” acontecerá no dia 29 de abril, em um shopping no bairro Trem, Zona Sul da capital.

O projeto é realizado nacionalmente e no Amapá é organizado pela ONG Núcleo de Ex-Achievers do Amapá (Nexa), que leva educação empreendedora a jovens. De acordo com o vice-gerente da Nexa, Willian Amorim, de 19 anos, o projeto começa com a arrecadação dos livros e depois há a “compra” dos produtos cujo “pagamento” é alguma boa ação.

“Além de proporcionar essa reflexão do uso do dinheiro, é também para fazer a pessoa voltar a fazer algo que ela foi esquecendo com o tempo, e valorizar as pessoas. São 1010 ações que as pessoas vão precisar fazer para ‘comprar’ um livro”, explicou Amorim.

Para colocar em prática o evento, a ONG está recebendo livros de diversos segmentos. As doações acontecem até o dia 27 de abril em postos de arrecadação na sede do Sebrae Amapá e na escola Augusto Antunes, em Santana, a 17 quilômetros da capital. Não são aceitos livros didáticos, mas os de estilo literário, gibis, revistas e até mesmo paradidáticos podem ser doados para o projeto.

Após as doações, os livros serão catalogados e se estiverem em boas condições serão colocados à disposição na feira, que acontecerá durante todo o dia 29 de abril. Para adquirir o produto, a pessoa deve obedecer a uma ação indicada em cada livro, como ligar para alguém e dizer que ama, falar que os amigos são pessoas importantes, entre outros gestos gratuitos de bondade.

Número de moradores de rua com curso superior cresce 75% em 1 ano no RJ

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Moradores de rua dormem em frente à Defensoria Pública; muitos se arrumam ali antes de irem trabalhar (Foto: Bruno Albernaz / G1)

Moradores de rua dormem em frente à Defensoria Pública; muitos se arrumam ali antes de irem trabalhar (Foto: Bruno Albernaz / G1)

 

No Centro, área de maior concentração, muitos deles dormem por ali para ficar perto do trabalho, sem gastar passagem ou aluguel.

Bruno Albernaz, no G1

No período de 2015 a 2016, o número de moradores de rua com ensino superior completo aumentou de 40 para 70, representando um crescimento de 75%, de acordo com dados estatísticos do Programa de Apoio e Inclusão Social à População de Rua. O estudo é da Prefeitura do Rio.

No Centro, área de maior concentração de moradores em situação de rua, muitos deles dormem por ali para ficar perto do trabalho. Sem dinheiro para passagem e aluguel, acordam bem cedo e se arrumam debaixo de marquises, como a do prédio da Defensoria Pública, e em becos.

Conheço engenheiros, ex-gerentes financeiros de multinacional, advogados. Muitos morando na rua. E não por causa de droga. Uns usam droga, mas para muitos o motivo é outro. É o pessoal que está aí por causa da vida mesmo, da crise”, disse ao G1 um morador de rua.

Ele pediu para ter a imagem preservada para manter a possibilidade de voltar ao mercado de trabalho. Com curso superior e experiência no mercado marítimo em empresas de offshore – termo da língua inglesa que significa “afastado da costa”, ou o trabalho embarcado –, ele conta que a crise financeira que atingiu o mercado levou ele e outros profissionais com curso superior completo a morar nas ruas do Rio.

Número triplica de 2013 para 2016

Índices do levantamento mostram ainda que o número total de moradores de rua vem aumentando ano a ano: saltou de 5.580, em 2013, para quase 15 mil em 2016. Praticamente triplicou em três anos.

O morador aposta no fim da corrupção e na reativação da economia para voltar ao mercado de trabalho.

“Solução é difícil, mas é tentar formas de reativar a economia a qualquer custo para o pessoal voltar, inclusive eu, para o mercado de trabalho. Não vão conseguir debelar essa corrupção totalmente, mas, pelo menos, não chega aos níveis em que estava no último governo. É preciso que o contexto do Brasil melhore.”

O taxista Jorge Claudio Guilhermino trabalha ao lado das sedes da Defensoria Pública e do Ministério Público. Ele diz observar o comportamento dos moradores de rua há, pelo menos, dois anos. Segundo ele, muitos acordam cedo para ir trabalhar.

“Muitos deles trabalham. Por volta das 5h30 da manhã eles pegam suas mochilas e vão para o trabalho. Há quase dois anos que venho observando. E vem aumentando gradativamente o número de moradores de rua”, comenta o taxista.

Guilermino conta ainda que muitos moradores procuram os taxistas para desabafar e contar os motivos pelos quais foram parar na rua. “Pela conversa, muitos têm o grau de cultura bem elevado”, diz.

De acordo com a prefeitura, a cidade do Rio tem, atualmente, 38 abrigos próprios, 22 conveniados e dois Hotéis Acolhedores, destinados a quem quer apenas pernoitar. Com o aumento da população de rua, as 2.177 vagas disponíveis não são suficientes para atender quase 15 mil pessoas.

Café da manhã solidário

Uma das iniciativas para atender os moradores de rua é o Projeto Voar, feito por voluntários de diversas frentes religiosas, que se reúnem uma vez por semana para oferecer a primeira refeição do dia aos moradores de rua.

Café da manhã é oferecido por voluntários todas as segundas-feiras em praça no Flamengo (Foto: Bruno Albernaz / G1)

Café da manhã é oferecido por voluntários todas as segundas-feiras em praça no Flamengo (Foto: Bruno Albernaz / G1)

 

Em uma praça no Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, voluntários levam sucos, café, sanduíche e roupas. Em filas organizadas, essa população é alimentada e ainda ouve palavras de incentivo durante a ação solidária do grupo. Segundo o advogado e voluntário Chrisóstomo Telésforo, muitos possuem empregos e estão na rua de forma transitória.

Pedido por doações

Os voluntários do Projeto Voar contam ainda que o alimento oferecido gratuitamente não é suficiente para alimentar toda a população de rua.

“O grupo se esforça muito para fazer o trabalho. Mas aumentou muito a população de rua. Nós atendemos mais de 300 moradores. O café consiste em frutas, café com leite, chocolate, água, suco e sanduíche. Fazemos isso com muito sacrifício. O que a gente pede é que venham até a gente trazendo sua contribuição”, diz uma voluntária.

Chrisóstomo Telésforo diz que conhece gente que conseguiu arrumar um emprego, como, por exemplo, cozinheiro e segurança, e pôde sair das ruas.

“Muitas pessoas estão na rua e querem sair. Eles usam a rua como forma transitória. Assim que eles arrumam esses empregos com carteira assinada, eles conseguem, em pouco mais de um mês, dormir em um alojamento. Ou arrumam um lugar para ficar”, diz o advogado.

O pintor Luiz Cláudio Nascimento, de 46 anos, veio de Minas Gerais para o Rio com o sonho de trabalhar na construção civil no estado. Segundo ele, tem dia que não é possível ir trabalhar por falta de dinheiro.

Eu trabalho, sou pintor de parede. Às vezes não é possível ir trabalhar por não ter como comprar a passagem. Banho, por exemplo, é muito difícil. Eu tomo banho no meu trabalho. É muito difícil ficar na rua. Eu estou só esperando juntar meu dinheirinho para ir embora”, conta Luiz Cláudio.

O idoso Waldecir Pereira é morador de rua e também ajuda o grupo com trabalho voluntário. Para ele, quem mora na rua só não se alimenta e não trabalha se quiser.

Quem tá na rua e disser que passa fome é mentira. Só se não correr atrás de nada mesmo. Se não trabalhar e não correr atrás, aí passa fome. Até trabalho tem. Cata lata, cata papelão, alguma coisa a pessoa tem que fazer para poder se manter na rua.

Pessoas mais velhas e ricas são as que mais baixam livros piratas, diz estudo

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(Foto: Jonathan Auxier / The Scoop)

(Foto: Jonathan Auxier / The Scoop)

Lucas Carvalho, no Olhar Digital

A empresa antipirataria Digimarc, em parceria com o instituto de pesquisa Nielsen, divulgou nesta semana um curioso estudo sobre o perfil das pessoas que baixam conteúdo pirata na internet. O foco da pesquisa, porém, é naqueles que têm o hábito de piratear livros digitais.

O objetivo do estudo foi o de identificar que tipo de pessoa baixa ebooks piratas: gênero, idade, renda e outros detalhes. Para a surpresa dos pesquisadores, o estudo concluiu que pessoas mais velhas e de classes mais altas são as que mais recorrem à pirataria.

A maioria dos entrevistados (60%) tem mais de 30 anos de idade, enquanto 65% ganham mais do que US$ 60 mil por ano – equivalente a uma média de R$ 15 mil por mês, em conversão direta. A maioria também tem ensino superior completo (40%), enquanto outros 32% são pós-graduados.

Mas por que pessoas, em tese, mais ricas e mais velhas preferem baixar livros piratas em vez de comprar ebooks, que costumam ser bem mais baratos do que livros físicos, por exemplo? Para 58% dos participantes no estudo, a pirataria é “mais conveniente” do que pagar por uma cópia digital original.

Ainda assim, 42% disseram que, além de piratear livros, também compram ebooks originais pela internet, a partir de plataformas como a da Amazon e o iTunes. Na hora de baixar um conteúdo ilegalmente, 31% fazem isso por torrent ou por sites de troca de conteúdo direto, como o 4shared.

Por fim, a pesquisa conclui que o mercado editorial perde US$ 315 milhões por ano graças ao download ilegal de ebooks. O estudo foi feito com 516 pessoas identificadas pela Nielsen como “piratas” ao longo dos últimos seis meses.

Via TorrentFreak

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