Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

Posts tagged Philip K Dick

6 livros de ficção científica que todo o geek precisa ler

1

geeks

Publicado no Geekness

Os nerds são uma espécie fascinante que se espalha e prolifera em diversas áreas do conhecimento. Alguns são praticamente paladinos modernos, aficionados por todo o tipo de fantasia medieval. Outros mergulham na cultura oriental e saem lendo tudo de trás pra frente, imitando jutsus e outros marcos da cultura nipônica. Mas, hoje, vamos tratar daqueles nerds obcecados pela ciência, pelas implicações humanas da robotização, pelos delírios na realidade virtual e pelas incursões tripuladas ao espaço desconhecido.

Alguns são obrigatórios na estante (ou no Kindle!) de qualquer geek. Confira seis livros de ficção científica que são mais do que essenciais, mas não se esqueça de deixar nos comentários os livros que marcaram a sua vida e que você recomenda:

livro Duna, de Frank Herbert6) Duna – Frank Herbert

Alguns veteranos devem conhecer Dune 2 como um dos pioneiros jogos de RTS para computadores. O jogo, assim como o extremamente maluco filme de David Lynch, são baseados no clássico de Frank Herbert, lançado em 1965. Herbet criou um intrincado universo que gira em torno de um recurso natural valiosíssimo encontrado apenas no desértico planeta Arrakis. A estrutura de casas nobres disputa o controle desse recurso natural e uma espécie de elo entre a ficção científica e a fantasia se criou neste épico, que pode ser até meio confuso, mas obrigatório livro.

 

 

 

A Máquina do Tempo – H.G. Wells5) A Máquina do Tempo – H.G. Wells

Lançado em 1895, este clássico pioneiro é um dos responsáveis pela popularização do conceito da viagem do tempo na literatura de ficção científica. Mesmo sendo um dos primeiros experimentos,A Máquina do Tempo traz uma ideia bastante inovadora que não foi muito explorada em outras obras: o protagonista, que não é nomeado pelo autor, é um cientista da Era Vitoriana que consegue construir um dispositivo que o leva para o distante ano de 802.701 D.C.

Lá, o viajante encontra uma sociedade aparentemente paradisíaca de humanoides frágeis; os Eloi, incapazes de qualquer esforço físico e demasiadamente desinteressados em qualquer forma de conhecimento. Sustentando esse aparente paraíso, estão os violentos e noturnos Morlocks (se você pensou em X-Men, você é dos meus), que vivem no submundo e mantém as máquinas e indústrias necessárias para manter os Eloi vivos.

O interessante é ver como Wells trabalha bem os temas da distopia e da utopia, com o argumento de que as adversidades mantém a espécie humana sempre se superando: como os Eloi chegaram ao ápice do desenvolvimento e não precisavam mais sequer pensar para sobreviver, definharam pela inatividade.

Vale lembrar que o autor também é responsável por A Guerra dos Mundos, um clássico sobre a invasão de alienígenas à Terra que virou um fenômeno quando lido por Orson Welles no rádio com uma dramatização que pegou bastante gente desprevenida e causou pânico em massa. Ah, é, teve também o filme do Tom Cruise, mas é melhor deixar esse aí pra lá.

 1984 – George Orwell4) 1984 – George Orwell

A distopia é um tema recorrente em obras de ficção científica e poucas são mais icônicas que a descrita por George Orwell em1984. Lançado em 1948, o livro mostra uma sociedade na qual um regime totalitário comanda com mão de ferro todos os aspectos da vida civil. Temos a figura enigmática do Grande Irmão nos vigiando todos por meio da Teletela – um dispositivo ligado 24h por dia nas casas de todos os cidadãos, uma espécie de TV bilateral que mostra a programação do governo e, ao mesmo tempo, vigia os movimentos das pessoas e as pune até mesmo por pensar coisas contrárias ao regime.

Em tempos de Patriot Act, nos EUA, e outros duros golpes na privacidade online, não dá para não ler 1984 como uma espécie de profecia sinistra que se aproxima cada vez mais da realidade.

 

Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas? – Philip K. Dick3) Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas? – Philip K. Dick

Este livro do viajante Philip K. Dick é a inspiração por trás do clássico Blade Runner, de Ridley Scott e, apenas por isso, já seria elevado ao status de leitura obrigatória. Lançado com o instigante título de Do Androids Dream of Electric Sheep? (ou Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?, em tradução livre), o livro é um marco filosófico na ficção científica, com questionamentos fantásticos acerca do tema.

Uma grande inovação do livro está nos próprios androides, chamados no filme de replicantes. Apesar de serem construções biológicas indistinguíveis dos humanos, eles não possuem reações de empatia e são considerados máquinas que, caso saiam da linha, precisam ser exterminadas. Leia nossa crítica.

 

 

Eu, Robô – Isaac Asimov2) Eu, Robô – Isaac Asimov

Asimov é um dos pais da ficção científica moderna. Em 1950, publicou uma antologia de contos sobre robótica que mudou a percepção da humanidade acerca da inteligência artificial. De lá, saíram as três leis da robótica, um sistema que visa proteger os humanos de seus servos biônicos. São elas:

1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por meio da inação, deixar um humano se ferir.

2ª Lei: Um robô precisa seguir ordens dadas por um humano, a menos que essas ordens entrem em conflito com a 1ª Lei.

3ª Lei: Um robô precisa proteger sua própria existência, a menos que isso entre em confronto com as duas leis anteriores.

Só de ler isso, você já está moderadamente mais inteligente e apto a discutir em uma mesa de bar sobre os princípios básicos da robotização. De nada. Agora compre o livro.

O Guia do Mochileiro das Galáxias – Douglas Adams1) O Guia do Mochileiro das Galáxias – Douglas Adams

Pare tudo o que você está lendo e vá buscar o Guia. Lá, você vai encontrar, em letras amigáveis, uma frase que deve te acompanhar em todos os momentos de sua vida, especialmente os mais desesperadores: Não entre em pânico.

O Guia do Mochileiro das Galáxias é o primeiro de uma série de cinco livros (alguns melhores que os outros, mas todos essenciais, que são: O Restaurante no Fim do Universo; A Vida, O Universo e Tudo Mais; Até Mais e Obrigado Pelos Peixes; e Praticamente Inofensiva) que conta a história de Arthur Dent, um homem britânico comum, sem maiores aspirações a absolutamente nada, que acaba se vendo na posição de um dos últimos sobreviventes da raça humana após a explosão do planeta.

Uma vez no espaço, ele se encontra com o maluco presidente da galáxia, Zaphod Beeblebrox, com uma antiga paixonite, Trillian, e com toda a sorte de personagens malucos no espaço, como uma vaca que se oferece para ser o jantar, um imortal que traçou como missão ofender todas as pessoas vivas no universo e uma banda (inspirada no Pink Floyd: Adams era amigo pessoal de alguns integrantes da banda) que faz um show tão alto que os músicos precisam tocar em um bunker localizado em outro planeta.

Pela premissa, você já vê que o livro não se leva muito a sério e esse talvez seja o melhor elemento do Guia. Por meio de críticas ácidas e extremamente inteligentes, sem perder o humor absurdo típico dos britânicos, Adams desconstrói os vícios e burocracias da humanidade, além da nossa comicamente infrutífera busca pelo sentido da vida, do universo e tudo mais. O livro acabou gerando uma adaptação praticamente inofensiva para o cinema, que, ainda contando com nomes de peso como Martin Freeman, Sam Rockwell, Zooey Deschannel e John Malkovich no elenco, não empolgou nem os fãs, nem a crítica.

Por que publicar os clássicos?

0

Editor aposta nos ícones da ficção científica para formar leitores do gênero no Brasil

Diogo Sponchiato na revista Galileu

Editora Globo

Já leu Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?. Não? Ok, mas você já assistiu (ou pelo menos ouviu falar) Blade Runner: O Caçador de Androides, certo? É bem provável que não sejam muitos os brasileiros que mergulharam nas páginas do livro de título misterioso de Philip K. Dick, que inspirou o filme de Ridley Scott. Mas, em breve, você terá uma chance de conhecê-lo e se perturbar (e se encantar) com esse autor clássico da ficção científica. A obra será lançada no segundo semestre pela Editora Aleph, principal referência em publicações do gênero no país. Para Adriano Fromer Piazzi, publisher da casa, K. Dick ilustra bem um dos papéis da ficção científica: especular e debater as inquietações humanas em relação ao futuro. Desde que lançou em 2003 Neuromancer — prestigiado livro de William Gibson, uma das fontes do filme Matrix — , a Aleph enveredou para esse nicho que, aos poucos, ganha cada vez mais leitores. Piazzi acredita que muito do preconceito contra o segmento já veio abaixo e, no Brasil, sua valorização se reflete no maior interesse da crítica e da academia. Nessa entrevista, concedida em seu escritório em São Paulo, ele fala dos clássicos e do futuro do gênero e da missão de mostrar ao mundo que ficção científica não se resume a Guerra nas Estrelas e historinhas de robôs.

Em ano de lançamento de ícones da ficção científica no Brasil, conversamos com Adriano Fromer Piazzi, publisher da Aleph, editora que virou referência no segmento. Confira a entrevista na íntegra:

GALILEU: Como é que a ficção científica entrou na editora e veio a se tornar seu carro-chefe?

A Aleph tem 27 anos e foi uma das pioneiras a publicar o gênero. Ela iniciou, nos anos 1990 com o meu pai, uma série de ficção científica com cinco livros, a coleção Zênite. Um deles era o clássico Neuromancer, de William Gibson. Depois passamos por diversas mudanças estratégicas até que, em 2003, por causa do filme Matrix, um consultor nos sugeriu: por que vocês não relançam Neuromancer, já que ele foi uma das fontes inspiradoras do filme? Analisamos essa possibilidade e começamos a discutir a oportunidade de retomar não apenas o Neuromancer, mas uma linha de clássicos de ficção científica com uma proposta diferente: fazer o público jovem conhecer os principais livros de ficção científica. Não só o jovem, mas o público não-leitor de ficção científica. Se ficássemos só com os fãs do gênero, estaríamos ferrados, porque o número deles, em 2003, era muito pequeno. Precisávamos aumentar esse público e nossa estratégia foi buscar dar aos livros uma cara que não fosse tanto de ficção científica. Abandonamos nas capas aquele conceito de naves espaciais e robôs. Pensamos em projetos gráficos mais pops, com mais cara de obra literária. E o marco disso foi o relançamento do Neuromancer, com nova tradução e ilustração do Titi Freak, grafiteiro super conhecido hoje. Depois dele veio Laranja Mecânica, cuja edição no Brasil estava esgotada. Retomamos essa linha e percebemos que havia interesse para um segmento que estava abandonado pelas editoras brasileiras. Daí nossa proposta de publicar tudo que é clássico, livro importante de ficção científica, inédito por aqui ou que se encontrava esgotado há algum tempo. E lançamos Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Philip K.Dick…

E desde então mudou o panorama de leitores desse gênero no Brasil?

Sim, o público cresceu significativamente. E isso foi acompanhado de uma valorização da cultura geek. A ascensão do geek começou a ser observada por pessoas que não se enquadravam geralmente nesse perfil. Virou cool ser nerd, ser geek… E a ficção científica acompanhou esse processo. Antes era uma coisa de nicho, exclusiva de fã. Outras pessoas passaram a notar que ela é uma literatura de inspiração. A ficção científica tem um diferencial, por exemplo em relação à literatura de fantasia, porque se propõe a algo mais realista, de base científica. Por mais que algo seja absurdo ali, ele será embasado, terá uma explicação. Hoje ficou feio não ler Asimov. Dá pra dizer que é a mesma coisa que não ler Gabriel Garcia Márquez. E, particularmente no Brasil, a ficção científica passou a ganhar atenção da academia, a virar objeto de muitos trabalhos, dissertações de mestrado… As pessoas estão estudando, por exemplo, Philip K. Dick [autor de, entre outros, o livro que inspirou o filme Blade Runner]. Ele é um filósofo, que usa a ficção científica como pano de fundo. O preconceito contra esse nicho tem diminuído na medida em que as pessoas percebem que ele não se resume a Guerra nas Estrelas. Aliás, os puristas nem consideram Guerra nas Estrelas ficção científica. Ela seria uma fantasia espacial: a Força se refere a algo mágico. É mais fantasia que ficção científica. Diferente do Star Trek, que seria uma ficção científica no sentido clássico.

Com base nisso, dá pra dizer que o segmento tem um bom horizonte pela frente?

Temos livros que vendem muito e outros, bem pouco. O que mais vende aqui na editora hoje é o Laranja Mecânica, seguido do Neuromancer. O autor que mais vende é o Asimov. Não são vendas exorbitantes, mas é um mercado que tem muito a ser explorado. Ainda há muita gente que não sabe o que é ficção científica, que acha que isso só tem a ver com robôs. No início, fazíamos questão de não mencionar, de não propagar que aqueles eram livros de ficção científica. Queríamos passar a impressão de que William Gibson, Philip K. Dick e os outros eram somente literatura. Hoje estamos mostrando cada vez mais nossa cara de ficção científica.

Como você avalia a evolução da ficção científica ao longo do século 20, período que rendeu os clássicos que vocês têm publicado?

O grande boom da ficção científica se deu na chamada Golden Age, a idade dourada desse segmento, o que aconteceu lá nos anos 1930, 1940. Foi ali que surgiram os grandes autores: Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Robert Heinlein. Nessa época o tema era mais hard, científico mesmo. Asimov faz questão de explicar cientificamente cada um dos processos que aborda, como se viaja no espaço, como é possível chegar até certa galáxia. Eles tinham essa preocupação porque eram cientistas. Clarke foi o inventor do satélite. Sim, a ideia de um satélite veio de um autor de ficção científica. O próprio Asimov publicou, dentro da sua numerosa obra, vários livros de divulgação científica. Eles tinham esse cuidado com a precisão nas questões que envolviam ciência. Nos anos 1960 e 70, vem o movimento New Age, representado por Philip K. Dick, que procura trazer abordagens existenciais, sociológicas e filosóficas a esse tipo de literatura. É dessa fase Ursula Le Guin, uma das poucas mulheres que se sobressaem no gênero, autora de um livro fantástico, A Mão Esquerda da Escuridão, que é um verdadeiro tratado sociológico, de libertação sexual, onde a ficção científica só aparece como pano de fundo mesmo. Fazer a história se passar em outro planeta serve apenas para gerar estranheza. É um planeta onde o ser humano não tem sexo, que ele só se manifesta no momento do cio e isso é aleatório: a natureza faz o indivíduo ser homem ou mulher; na próxima vez, isso pode se inverter. Assim, você pode ser pai e mãe em uma sociedade de andróginos que, tirando o período de cio, não tem apetite sexual. Aí, um enviado especial vai para lá e passa a viver dentro dessa estranheza, se apaixona por alguém, que nem sabemos o que é. A ficção serve, nesse caso, como cenário onde são feitas indagações sociológicas e psicológicas. Já nos anos 1980 começa o movimento Cyberpunk, que pode ser resumido por aquele clima de Blade Runner. Os autores passam a abordar aspectos sombrios da tecnologia. Ela passa a ser vista não mais como algo positivo. O clássico que abre esse caminho é o Neuromancer, do Gibson.

(mais…)

Go to Top