Lavvi

Posts tagged pilhas de livros

Bienal do Livro: no feriado, estandes geeks e saldões atraem a atenção do público

0
Estande da Panini, especializada em quadrinhos, movimentou o público da Bienal no feriado - Divulgação/Marcello Zambrana/Light Press

Estande da Panini, especializada em quadrinhos, movimentou o público da Bienal no feriado – Divulgação/Marcello Zambrana/Light Press

Procura por quadrinhos e descontos causou grandes filas no Riocentro

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO — No feriado de sete de setembro, os estandes geeks e os saldões atraíram a atenção do público que veio para a Bienal do Livro do Rio. No pavilhão verde do Riocentro, a aposta da organização em investir nas atividades para fãs de quadrinhos surtiu efeito. À tarde, a equipe do estande da Panini precisou controlar a entrada de visitantes por causa da lotação e uma longa fila se formou. A poucos metros, a situação era mesma no estande da Comix, tradicional loja de HQs de São Paulo que sempre marca presença na Bienal.

O estudante Lucas Martins Vieira, de 18 anos, estava há mais de 20 minutos na fila para entrar no estande da Comix. Ele contou que na Panini a situação era ainda pior. Fã de mangás, Lucas contou que gosta bastante do evento, mas, em geral, compra as revistas e livros pela internet.

— Lá (na Panini) estava muito cheio. Aqui, está melhor – disse Lucas, que tinha dois objetivos bem específicos na loja. — Quero ver duas coisas bem específicas mesmo: o último mangá dos “Cavaleiros do Zodíaco” e um mangá do “Old Boy” porque o meu está muito velho.

Também no pavilhão verde, uma fila se formou na entrada do estande da Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro, por causa da superlotação. O motivo foi o projeto “Mais Leitura”, que vende livros a dois, cinco e sete reais. Através de parcerias, a Imprensa Oficial assume o encalhe das editoras e depois revende por preços populares nos seus pontos de venda, hoje abertos no Shopping Bay Market, em Niterói, e no Bangu Shopping.

A diversidade da oferta — de obras infantis a títulos de psicologia, administração e economia — atraiu uma multidão ao estande na Bienal. Até a tarde de ontem, mais de 22 mil livros tinham sido vendidos. Não era raro ver visitantes com pilhas de livros no caixa.

— Está tudo muito bom. Livros de todos os tipos e todos os preços. Comprei vários infantis para os meus netos — disse a professora aposentada Dilma Tavares.

As amigas Glória Lima, de 22 anos, e Gabriella Domingues, de 21, também aproveitaram as promoções nos estandes de saldões da feira. Com o orçamento apertado, elas compraram um exemplar do primeiro livro da série “Filhos do Éden” (Verus), de Eduardo Spohr, e o romance “Cold Springs: vingança e redenção no Texas” (Record) por R$ 10 cada.

— Nos estandes das editoras mais conhecidas, os preços estão mais caros. E tem uma variação muito grande de preço. A gente viu um dos livros do George R.R. Martin (da série “Game of Thrones”) por R$ 20 num desses estandes de promoção e no estande da editora estava R$ 45 — contou Glória.

As piores coisas de se trabalhar em uma livraria

0

shake-and-co

Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

Creio que não seja necessário citar aqui as vantagens incríveis em se trabalhar em uma livraria. Acho que todo leitor já deve ter deslumbrado essa possibilidade em seus sonhos mais remotos. E em termos de emprego no ramo de vendas no varejo, acredito que ser livreiro deva ser, de longe, o melhor deles. Um ambiente descontraído, colegas de trabalho inteligentes, clientes interessantes, e a vantagem de passar o dia cercado por livros.

Mas como qualquer outro trabalho comum, é claro que esse também possui as suas desvantagens. E para mostrar que nem tudo são flores, mostramos aqui o que há de pior em se trabalhar numa livraria.

Você acaba gastando parte do seu salário em livros
É algo inevitável. Você começa a trabalhar em uma livraria, consegue um desconto como empregado, e logo percebe que está sendo pago com livros. Talvez você já tenha gastado mais do que devia com livros em uma outra ocasião, mas agora você está cercado por centenas desses exemplares te tentando a todo instante, e outros tantos continuam chegando a cada momento.

Imagino que seja necessário anos de experiência e auto-controle para se construir a tolerância de não gastar uma parcela significativa do seu salário em seu próprio emprego.

Sua lista de leitura cresce descontroladamente
Mesmo que você, de alguma forma, consiga se controlar com o gasto em livros, não há como evitar o seu interesse natural por novas leituras, já que agora obrigatoriamente conhecerá cada lançamento que chegar à loja.

Entre as recomendações dos clientes e colegas de trabalho, e os livros que acidentalmente descobrirá em um dia normal de trabalho, lamento dizer que sua lista de leitura será sempre uma ‘missão impossível’.

É o fim da agradável experiência de conhecer novas livrarias
A felicidade de explorar uma nova livraria, nunca mais será a mesma depois que você trabalha em uma. Além do fato de ser difícil comprar livros na loja concorrente, quando você pode conseguir o mesmo produto mais barato no próprio trabalho.

E, é claro, comparações com a sua própria loja serão inevitáveis, e passará grande parte do tempo tentando encontrar diferenças das quais você tem absoluta certeza que faria de uma forma bem melhor.

Livros são pesados
Apesar de ser uma informação um tanto óbvio, é algo que realmente só se leva em consideração depois que se sente a dor muscular de levar caixas e mais caixas de livros de um lado pro outro. Algo que passei recentemente com a minha recente mudança.

Algumas grandes livrarias ainda possuem prateleiras que vão até o teto, o que implica em subir escadas com pilhas de livros. E mesmo nas menores, ser livreiro exige mais do físico do que se imagina. Pode não parecer, mas carregar pilhas de livros, agachar para alcançar as prateleiras inferiores e organizar as estantes, é um trabalho bem cansativo.

Você tem que ajudar as pessoas a encontrar algumas leituras ‘questionáveis’
Claro que nem todo cliente terá o mesmo interesse literário que o seu, mas por mais que você conviva bem com esse fato, você encara as suas ‘dicas de leitura’ como parte do seu trabalho. Mas nem sempre conseguirá evitar que o público leve uma uma obra, ou autor, que você desaprova e fez de tudo para escondê-lo nos cantos obscuros da loja.

Certamente a pior parte desse trabalho é ter que ajudar as pessoas a encontrar livros que você considere moralmente desprezíveis. Livros que apoiam algum regime autoritário, obras com ‘desinformações perigosas’, e autores de ideias duvidosas. Cada funcionário tem a sua própria forma de lidar com essa situação, mas em qualquer ocasião é sempre uma posição terrível para se estar.

A mania de acumular livros não lidos tem um nome. Em japonês

0
Hipótese de que a popularização de leitores digitais acabariam com o acúmulo de livros físicos não se concretizou

Hipótese de que a popularização de leitores digitais acabariam com o acúmulo de livros físicos não se concretizou – Foto: Giulia van Pelt/Creative Commons

 

‘Tsundoku’ foi o nome dado à prática de comprar livros e mantê-los intactos nas estantes de casa

Juliana Domingos de Lima, no Nexo

O hábito de comprar livros que nunca serão lidos e acumulá-los em pilhas é familiar para quem gosta de ler. E há uma única palavra, em japonês, para designar a prática: tsundoku.

Na verdade, o substantivo é um jogo de palavras. “Tsundoku” corresponde à forma oral do verbo “tsunde oku”, que quer dizer “empilhar e deixar de lado por um tempo”. Mas “doku”, palavra expressa por um ideograma, corresponde ao verbo ler. Assim, criou-se uma nova palavra, cujo sentido é a aquisição de materiais de leitura que acabam empilhados, sem nunca serem lidos.

A ilustradora Ella Frances Sanders chegou a criar uma imagem para o vocábulo japonês, em seu livro “Lost in Translation: An Illustrated Compendium of Untranslatable Words from Around the World”.

Ella Frances Sanders ilustrou palavras intraduzíveis para outras línguas - Foto: Reprodução

Ella Frances Sanders ilustrou palavras intraduzíveis para outras línguas – Foto: Reprodução

 

A hipótese de que a popularização de leitores digitais (como Kindle e Kobo) acabariam com o acúmulo de livros físicos ainda não se concretizou – ao que tudo indica, pessoas gostam de juntar papel.

Segundo uma pesquisa do instituto Pew Research Center publicada em setembro de 2016, os livros de papel continuam a ser mais populares que o formato digital nos Estados Unidos.

2,71

bilhões de livros físicos foram vendidos nos EUA só em 2015, segundo o portal “Statista”, especializado em dados

255

milhões de livros físicos foram vendidos no mercado brasileiro em 2015 de acordo com a Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro

Entre as razões que podem explicar por que algumas pessoas continuam comprando livros mesmo quando ainda há outros já empilhados para serem lidos há o status. Possuir muitos livros pode conferir aparência de conhecimento a alguém.

Há ainda outros motivos possíveis, citados pelo site “Ozy”. Às vezes, colecionadores os adquirem por nostalgia – lidos na infância ou adolescência, os livros podem passar a simbolizar um período da vida, diz Susan Benne, diretora executiva da Associação Americana de Livreiros de Antiquários.

Go to Top