Posts tagged Pode

Mas não tem um descontinho?

0

1

Hillé Puonto, no Manual Prático de Bons Modos em Livrarias

é quase sempre assim: freguês chega com o livro, pergunta o preço como quem não quer nada (mas querendo muito) e, depois de escutar a resposta, emenda:

- e tem desconto?

a pergunta rola mesmo se o livro estiver com o preço bacana de 9,90. a pergunta rola até no caso daqueles folhetos só com o primeiro capítulo de determinado título, que algumas editoras deixam nas livrarias. e o diálogo que aconteceu esses dias foi mais ou menos assim:

freguês: moça, tem desconto?
livreira: mas é amostra grátis, não é o livro.
freguês ah… mas tem desconto?
livreira: meu senhor, pode levar.
freguês: mas com desconto?

(SOCORRO? qual parte do ‘amostra grátis’ eu esqueci de falar?)

e quando a livreira responde que não, que infelizmente não há descontinho camarada, o harlam shake começa:

- moça, mas nem pra estudante? (não. beijo, meia-entrada)

- nem pra professor? (deveria, mas não tem)

- nem pra advogado? (não. a não ser que eu tenha desconto quando eu for no seu escritório pra tentar processar a vida por danos morais)

- nem se eu pagar em dinheiro? (mas nem se o senhor pagar em tomates)

- nem se eu levar esse exemplar rasgadinho? (não, nem assim)

- olha, eu tenho um problema de visão, será que rola? (MEU AMIGO… MEU AMIGO, NÃO)

- mas é meu aniversário hoje, moça? (cê tá de parabéns, curta um montão na balada, mas não)

- e pra ex-BBB? (só se no seu rg estiver escrito TINA DAS PANELAS)

manual prático de bons modos em livrarias: galera, entenda: não adianta chorar, dançar ou declarar amor na hora de pedir desconto para nós, pois a maioria dos livreiros não tem esse poder. “ah, e se eu conversar com o gerente?”. daí a conversa muda e eu digo: vocês que são lindos, que se entendam. eu, hillé, não sou gerente, não mando em nada, mas posso mostrar o caminho do bem para vocês: aqui ó. o cuponation é um lugar maneiro onde é possível encontrar várias promoções de livros todos os dias. recomendo a lot. e sem fazer qualquer desconto na propaganda.

Justiça condena professor que fez alunos de sete anos segurarem gelo seco

0

Ao todo 14 estudantes foram hospitalizados. Um precisou de tratamento especial

Do ABC Austrália O estudante que sustentou a dor por mais tempo teve queimaduras severas e precisou de tratamento especializado

Do ABC Austrália
O estudante que sustentou a dor por mais tempo teve queimaduras severas e precisou de tratamento especializado

Publicado por R7

O professor de ciências uma escola que fez alunos segurarem gelo seco para testar quem aguentaria mais tempo foi condenado pela Justiça australiana, de acordo com a imprensa local nesta segunda-feira (22).

Segundo o jornal Daily Telegraph, Damien Hilton fez com que os alunos cronometrassem o tempo de seus colegas.

O estudante que sustentou a dor por mais tempo — dois minutos em 20 segundos — teve queimaduras severas e precisou de tratamento especializado. Ao todo, 14 alunos foram hospitalizados. Todos eles na faixa dos sete anos de idade.

A juíza Jennifer Atkinson, de Newcastle, entendeu que o professor instruiu mal os alunos e não deu a importância devida a uma “atividade perigosa”, além de não ter dado as instruções corretas sobre o manuseio do gelo, de acordo com o site ABC.

Hilton pode pegar até dois anos de prisão pelos ferimentos causados aos alunos em fevereiro do ano passado. A defesa do professor vai recorrer da decisão.

Literatura também é moda

2

Tratar livros como os decotes da próxima estação é abrir mão da experiência profunda que a leitura pode dar

livro

Walcyr Carrasco, na Época

Atraído por um casaco fantástico na vitrine, entrei numa loja do Shopping Higienópolis, em São Paulo. O vendedor me explicou que era o único exemplar, por ser peça de desfile. Suspirei, sem esperanças, comparando mentalmente minha barriga com o provável tanquinho do modelo na passarela. Ele insistiu, tirou da vitrine. Não serviu, é claro.

Enquanto esperava, observei a decoração da loja. Aqui e ali, havia alguns livros encadernados, antigos. Um deles era Three loves (Três amores), do escocês A.J. Cronin, lançado em 1957. Levei um choque. Nos anos 1960, Cronin era popularíssimo no Brasil. Hoje, ninguém mais fala nele.

Três amores é um livro lindo. A protagonista, Lucy, vive seu primeiro amor com o marido, de cuja morte é indiretamente culpada. O segundo com o filho, a quem se dedica loucamente, para receber, em troca, ingratidão. Finalmente, vem a fé. Entra para um convento, para uma vida de adoração.

Nunca li uma descrição tão minuciosa da vida entre as freiras, em que os assuntos religiosos se mesclam com necessidades triviais, como economizar sabonetes. Mais uma vez, a heroína se frustra. É um livro profundo, intenso. Surpreso por vê-lo transformado em objeto de decoração, ainda disse ao vendedor:

– Este livro aqui é incrível. Você precisa ler.

– Ah, tá – respondeu o rapaz, sem interesse algum.

E botou o casaco de novo na vitrine.

Fiquei pensando: a gente fala muito nas lapelas dos paletós que ora são mais estreitas, ora mais largas, no caimento das saias, nos tecidos e nas cores que estão em moda. Mas hoje tudo se tornou fashion. Autores entram e saem de moda como os decotes femininos.

Fui procurar Cronin no site de uma grande livraria. Só encontrei um de seus livros em português: A cidadela. Autor da frase “Só o amor e a arte tornam a existência humana suportável”, Somerset Maugham (1874-1965) também saiu de moda. Seu romance Servidão humana (1915) tornou-se filme de sucesso. Em O fio da navalha, foi o primeiro a trazer o misticismo oriental para a literatura ocidental.

Minha adorada Doris Lessing, inglesa, Prêmio Nobel de 2007, influenciou toda uma geração nos anos 1960 e 1970 com O carnê dourado (1962). Falava abertamente do desejo feminino, das questões das mulheres. Quando veio ao Brasil, há cerca de três décadas, esperei horas na fila de autógrafos, simplesmente para dizer, num bilhetinho: “I love you”. Ela me respondeu: “Thank you!”. Tiete total! Ultimamente, se falo nela, ninguém tem ideia de quem é.

E o que dizer dos autores nacionais? Os grandes nomes da literatura brasileira foram salvos por constar da lista do vestibular. Ler Vidas secas (1938), de Graciliano Ramos, foi marcante na minha vida. Também senti o mesmo por Grande sertão: veredas (1956), de Guimarães Rosa, que se tornou até uma inesquecível série de TV.

Livros como esses não foram totalmente esquecidos, mas não fazem parte da vida das pessoas. Durante décadas, era importante lê-los, até para não ficar por fora. No Google, encontrei resumos desses livros e outros clássicos, para o estudante apressado. Como se um resumo substituísse o universo de um escritor. Autor virou truque para ter nota.

Eu poderia gastar o resto desta coluna citando autores maravilhosos, esgotados ou acumulando pó nas prateleiras. A literatura não morreu, longe disso. Pelo que ouço das editoras, nunca se vendeu tanto no país. Mas, hoje, os livros acontecem e são esquecidos rapidamente. Ninguém tem obrigação de ler só alta literatura. Quando dou palestras em escolas, sempre digo às professoras:

– Livro não é remédio. Não tem de ser engolido à força. A leitura também deve se transformar num ato de prazer.

O grande hit atual é Cinquenta tons de cinza (2011), de Erika Leonard James, que trouxe o sadomasoquismo para o universo até então dominado pelos romances açucarados. Confesso: nem com o livro o mundo dos chicotinhos me atraiu. Enfim, é moda.

Sinto falta do tempo em que o livro não era parte do modo fashion de viver. Grandes autores, e também os comerciais, como Cinquenta tons, proporcionam um novo olhar sobre a vida. Tratá-los como os decotes da próxima estação é abrir mão da possibilidade de passar pela experiência profunda que um livro pode dar. É um passo atrás, porque um livro pode marcar a vida toda. É só a gente permitir.

Me ajuda aqui?

0
aff, calaboc

aff, calaboc

Hellen Bortoleto, no Manual Prático de Bons Modos em Livrarias

êta sábado maravilhoso. livraria com movimento igual ao da 25 de março, musiquinha rolando pra descontrair o ambiente, crianças serelepes correndo de um lado para o outro, e para deixar o dia com um gostinho de quero mais, um casal aborda a livreira:

freguesa: moça, cê poderia me indicar algum livro parecido com ‘o senhor dos anéis’?

(talvez algum do tolkien psicografado?)

livreira: olha, como você deve saber, ‘o senhor dos anéis’ tem um estilo muito especifico. você conhece os livros do r.r.martin?

(antes que a livreira pegasse o livro, a freguesa demonstra que não está muito confortável)

freguesa: ah não moça, não gosto desse tipo de literatura (alôalô coerência? sdds coerência? por onde anda menina coerência?) prefiro algo mais parecido, sei lá, com o tolkien mesmo ou algo tipo o dan brown. você tem ou não?

(careta pode. grosseria não pode)

livreira: não temos. dan brown e tolkien são autores muito prestigiados, não há obras como as deles, sabe.

freguesa: então quero um policial. eu já li de tudo, moça, me mostre algo diferente.

(depois de vasculhar todo seu acervo mental de livros, quase se dando por vencida por questões óbvias, e um pouco desanimada, a livreira pergunta)

livreira: você já leu ‘os homens que não amavam as mulheres’?

freguesa: não, não, haha. eu te peço um livro policial e você me indica um livro de relacionamento?

(é, gata. miau)

manual prático de bons modos em livrarias: dois séculos trabalhando em livraria e eu ainda não consigo entender a freguesia que pede indicação de leitura, mas nunca aceita nenhuma sugestão. alguém me ajuda nessa empreitada, por favor?

Startup da semana: GoBooks

0

Empresa que aluga livros universitários com desconto negocia o seu primeiro aporte e prepara expansão

Ligia Aguilhar, no Estadão

O empreendedor Marcus Teixeira, de 24 anos, viveu uma situação clássica entre os estudantes universitários: ao longo do curso, se viu às voltas com a falta de dinheiro para comprar alguns livros e, ao terminar a graduação em Relações Internacionais, em meados de 2012, concluiu que muitas das publicações que adquiriu tratavam de assuntos com os quais não pretendia mais lidar na sua vida profissional.

O fundador da GoBooks, Marcus Teixeira, planeja a expansão da startup. FOTO: Divulgação

O fundador da GoBooks, Marcus Teixeira, planeja a expansão da startup. FOTO: Divulgação

Esse gasto desnecessário ficou martelando na cabeça de Teixeira até se transformar na premissa para o desenvolvimento de um negócio poucos meses depois. Ex-funcionário da aceleradora carioca 21212, Teixeira mergulhou no mundo do empreendedorismo, conheceu no local de trabalho seu futuro sócio – o engenheiro da computação Vitor Oliveira, 26 anos –, e identificou uma oportunidade no mercado para criar uma empresa de aluguel de livros universitários.

Em novembro do ano passado, entrou no ar a página-teste da GoBooks, que hoje não apenas aluga, mas também vende livros universitários no Rio de Janeiro. Funciona assim: o usuário entra no site, escolhe o livro desejado e faz o aluguel por um preço que, segundo o fundador, chega a ser 80% mais barato do que o valor de capa. O pagamento é concluído pelo Moip ou pelo PayPal e o livro é entregue no endereço indicado. No geral, o estudante pode permanecer com os itens alugados até o fim do semestre e, para facilitar a devolução, a empresa instalou pontos de coleta dentro das principais universidades cariocas. “Em duas semanas, tivemos mais de dez mil visualizações na página e recebemos e-mails de 2,5 mil estudantes interessados”, afirma Teixeira.

O projeto acabou selecionado para participar do programa de aceleração da 21212, onde o modelo de negócio foi aprimorado. “Aprendi uma metodologia e desenvolvi tudo na aceleradora. Lá, tive acesso a empresários de sucesso que provavelmente eu não teria facilidade de encontrar fora. A aceleradora foi um porto seguro”, diz.

Para criar o acervo da GoBooks, Teixeira e o sócio fizeram uma pesquisa com estudantes das principais universidades do Rio de Janeiro para saber quais eram os livros mais utilizados em cada curso de graduação. Atualmente, o site tem 120 títulos dos cursos de Administração, Economia, Engenharia e Medicina. O plano é expandir o acervo, o número de cursos atendidos e a área de atuação da empresa para todo o sudeste até o fim deste ano. Para isso, a GoBooks precisa de investimento. Os empreendedores dizem já estar em fase final de negociação com um fundo para iniciar a nova fase, que culmina com a graduação da empresa na aceleradora. Teixeira está otimista. Vai mudar para um escritório que – ressalta – já pertenceu ao Peixe Urbano. E onde espera, quem sabe, crescer tanto quanto os antigos donos.

Inspiração

A referência do modelo de negócio dos empreendedores é o site norte-americano Chegg, que faturou mais de US$ 200 milhões em 2011. O site começou alugando livros em papel, em 2007, inspirado no modelo de negócio da Netflix. Depois passou a vendê-los e, hoje, também trabalha com o aluguel de livros digitais.

O site da GoBooks foi reformulado recentemente. FOTO: Reprodução

O site da GoBooks foi reformulado recentemente. FOTO: Reprodução

Grandes varejistas como a Amazon também entraram no mercado de aluguel de livros nos Estados Unidos, neste caso, com as versões digitais. Algumas bibliotecas americanas já permitem o empréstimo de livros nos e-readers. Isso levou o segmento a enfrentar dilemas semelhantes aos vividos pelo mercado fonográfico. Algumas editoras se recusam a fornecer livros para bibliotecas e empresas que se dispõem a fazer o empréstimo das publicações, enquanto outras querem limitar o número de vezes que um livro pode ser emprestado, baseados no tempo de vida de um exemplar em papel. Tudo isso por conta dos direitos autorais.

No Brasil, a GoBooks usa a seu favor o argumento de que o aluguel é melhor para as editoras do que a fotocópia de trechos dos livros, prática comum entre os estudantes que não querem gastar com o livro original. ”Nós mostramos para as editoras que estamos criando um novo mercado e que ele é benéfico, porque é um espaço que elas sempre perderam para as cópias”, afirma Teixeira, que já fechou algumas parcerias, mas ainda enfrenta resistência de alguns selos. “Elas olham com medo por causa do que aconteceu com o mercado fonográfico”, diz.

A GoBooks trabalha com um modelo semelhante ao das livrarias. Os títulos são comprados em consignação para venda, enquanto alguns exemplares vão para aluguel. A startup também compra livros usados de estudantes, que antes tinham apenas os sebos como opção. Para garantir a qualidade, todos os livros alugados têm, obrigatoriamente, que ser exemplares da última edição. O ciclo de vida é curto – cada unidade pode ser alugada no máximo 3 vezes.

Para garantir a sustentabilidade do modelo, a empresa já organiza projetos para promover a doação dos livros que não forem mais usados. Pelos cálculos dos empreendedores, o aluguel de livros no Brasil é um mercado de R$ 2,9 bilhões – o cálculo é baseado no gasto de R$ 1,2 mil por estudante ao ano com a compra de livros universitários.

Atualmente, a GoBooks tem 5 mil usuários cadastrados. O desafio no curto prazo é escalar o modelo para cumprir a meta de chegar a outras regiões. Desafio maior do que esse só a concorrência de peso que pode surgir no futuro, se players como a Amazon, por exemplo, que possui operação no Brasil, decidirem replicar o serviço de aluguel de livros digitais no Brasil. A GoBooks planeja entrar no mercado de livros digitais em até três anos. “O Brasil tem algumas particularidades. Uma pessoa que presta concurso público não quer mais ver os livros de estudo depois que for aprovada em um exame. Há também um grande potencial com livros do ensino médio. O aluguel é só a ponta do iceberg. A Chegg tem patrocínios de bolsas e outras funcionalidades hoje. Há muito o que ser explorado”, conta Teixeira.

Go to Top