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Jornalista e escritor Leandro Narloch acaba de lançar o segundo guia do politicamente incorreto

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Dessa vez, com curiosidades e bizarrices além das fronteiras brasileiras

Maria Júlia Lledó, no Divirta-se

Leandro Narloch é um curioso irremediável. Plugado 24 horas a fatos aparentemente ordinários, o jornalista não deixa nada lhe escapar. Não à toa, logo se aventurou no segmento literário. Na ponta do lápis, ou melhor, no teclado do notebook, registraria o lado B da história que aprendemos na escola. Assunto que fascina o jovem escritor, autor do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil (Ed. Leya, 2012). Dessa vez, Narloch investiu em uma sequência bem mais ampla, com direito a personagens mitificados, como Isaac Newton, Nero, Mussolini e Madre Teresa de Calcutá. “Com o sucesso do primeiro livro, muitos leitores me sugeriam temas a abordar na história do mundo, como o mito de que as fronteiras artificiais destruíram a África, dos samurais burocratas, das bizarrices dos regimes comunistas. A sequência, então, era inevitável”, contou à Revista. Após dois anos de muita pesquisa e paciência da mulher Gisela, como ele brinca, o escritor acaba de lançar o Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, pela mesma editora. Entre alguns spoilers: a fama de bom astrólogo do matemático Galileu e a ausência de qualquer cinto de castidade nas mulheres medievais. Mas esses trechos são leves diante da série de provocações selecionadas por Leandro Narloch para deixar o leitor com as orelhas em pé.

Que critérios você adotou para escolher os fatos abordados no livro?
O critério é o politicamente incorreto. A história do mundo é um assunto amplo, talvez o mais amplo que exista, então selecionei só as histórias e as versões mais desagradáveis, que mais incomodavam a turma do mundo melhor, da sustentabilidade. Foi por isso que, sobre o Império Romano, defendi Nero, e não Julio Cesar — afinal, Nero é o personagem que ocupa o cargo de grande vilão, de anticristo.

Entre esses fatos, algum, em especial, foi surpreendente para você?

Sim, muitos me surpreenderam. Até ler sobre a Revolução Industrial, não havia me dado conta de que as máquinas e as fábricas salvaram, a longo prazo, as crianças do trabalho infantil e criaram milhões de empregos. É bem o contrário da imagem que temos desse período. Também foi incrível entrevistar deputados em Brasília para saber o que eles achavam de frases do livro A Doutrina Fascista, de Mussolini. Sem saber que as frases eram do ditador italiano, diversos deputados concordaram com elas.

Os trechos: “A bomba de Hiroshima salvou milhões de japoneses” e “McDonald’s, a franquia da paz” são algumas passagens polêmicas do livro. Você teme ser considerado radical?
Não, pois quase todas as afirmações do livro vêm de estudos estabelecidos, baseados em algum consenso. A teoria da paz capitalista, por exemplo, já é ponto pacífico para a maioria dos especialistas em relações internacionais. Quando não há esse consenso, eu abro um espaço para ponderação, mostrando os pontos fracos daquela teoria ou versão. Por exemplo, no caso da teoria da paz nuclear, segundo a qual as bombas atômicas evitaram uma terceira guerra mundial, mostro os argumentos contrários a essa ideia. Talvez a afirmação que soe mais radical do livro seja a de que o capitalismo foi a melhor coisa que aconteceu para os pobres na história do mundo. Para mim, no entanto, isso não é radical, é óbvio. Por onde a produção em massa passou, as pessoas deixaram de lidar com problemas de escassez para enfrentar problemas de abundância — comida demais, que gera obesidade; carros demais, que criam engarrafamentos; embalagens demais para poucos lixões.

Além de mostrar o lado B da história do mundo, há a intenção de que o livro seja usado em sala de aula?
Os guias politicamente incorretos são livros parciais, que mostram só uma versão da história. Não devem ser o principal livro dos alunos, mas podem ser usados como um complemento, um instrumento de debate, um antídoto contra a falta de diversidade de opiniões nas aulas de história.

Se a história não é mais contada somente pelos vencedores, teríamos, então, nas próximas gerações, livros de história mais abrangentes?
Não acredito que a história seja contada pelos vencedores. Quase sempre é contada pelos ressentidos, pelos que serão vencedores. Afinal, muitas vezes se usa a história como uma arma política — de Hitler a Evo Morales, os políticos ganham poder quando conseguem implantar a versão em que eles aparecem como redentores. Torço para que, no futuro, os cidadãos fiquem mais atentos a esse tipo de estratégia.

10 Momentos em que se torna impossível ler livros

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Douglas Eralldo, no Listas Literárias

Ok. Somos fãs dos livros e da leitura, mas existem determinados momentos que o prazer de ler um livro se torna praticamente impossível, e por mais que tentamos, a leitura não prossegue. Hoje o Listas Literárias publica 10 momentos em que dificilmente você será capaz de ler um livro:

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1 – Dor de Cabeça: Pois é, não é só no momento de “namoro” que as dores de cabeça podem se tornar um grande vilão. Para quem gosta de ler, dores de cabeça também são um “empata leitura”, pois é praticamente impossível conectar-se a uma leitura em casos de dor de cabeça;

22 – Em Estrada Esburacada: Todo leitor aproveita cada momento para dedicar-se aos livros, por isso eles sempre nos acompanham durante as viagens. O problema é quando se trafega por estradas esburacadas, aí ou escolhemos salvar nossas pupilas sem correr o risco de deslocá-las, ou adiamos a leitura. E não vá pensando que isso aconteça só em estradas interioranas, esse Brasil tem uma boa quantidade de rodovias inimigas da leitura;

3 – No Rala e Rala: Não que eu pense que alguém já tenha tentado, ou faça (afinal os gostos são sempre surpreendentes, assim como a utilidade dos livros), mas certamente esse não é o melhor momento para ler livros;

4 – Vizinhos Funkeiros: Nada contra o exótico gosto de nossos amigos funkeiros, mas o problema é que não basta para eles gostar de funk, e como se estivessem no Facebook os danadinhos compartilham, quase sempre com um “puta som” seja na caranga, no buzão, ou no apartamento ao lado. Duvido alguém se concentrar na leitura com a risada do Mister Catra no último volume;

35 – Problemas de Visão: Esse é realmente complicado. Eu mesmo passei por isso antes de diagnosticar a necessidade de usar óculos. Se você não sabe que possui problemas de visão, e ainda assim insiste em ler livros chega um momento que isto se torna quase impossível. As palavras não se conectam, e como um imã em repulsão, os livros se distanciam de você;

6 – Na Feira: Você até pode ver leitores em locais públicos, inclusive em bares ou restaurantes, mas quero ver alguém encontrar alguém lendo no meio da feira. Certamente os constantes gritos com o preço do tomate e da cebola não contribuem para a concentração na leitura;

7 – Na hora do Futebol: Olha até acredito que as meninas consigam abandonar as novelas (alias os livros são melhores que elas mesmo) para a leitura de um livro, mas isso jamais, jamais acontecerá com os meninos. A fidelidade ao horário do futebol é tamanha, que se torna impossível ler naquele momento, independente do jogo que esteja passando na tevê;

8 – No Meio de um Bombardeio: Esse item entrou na lista porque dia desses selecionamos 10 imagens de soldados lendo durante o descanso no front. Agora imagina “as bombas pegando” o quão alto seriam jogados aqueles livros na correria;

9 – No meio da “DR”: Não que isso seja impossível, na verdade o que quero aqui é proteger a integridade física dos leitores do Listas Literárias. Certamente mergulhar em uma leitura durante uma discussão de relação seria um ótimo escape, além de tentador, mas isso, guardem bem, não é nem um pouco aconselhável;

10 – Quando Você Não Está Afim: Como eu disse o hábito da leitura é um prazer, um prazer que não nos ensinam na escola, pois lá esse hábito geralmente é uma obrigação. Mesmo aquele leitor mais dedicado tem dias que não está a fim de ler nada, eu mesmo as vezes passo por esses dias. Por isso não force, se naquela hora, ou naquele dia não estiver afim, simplesmente não leia;

Com apenas 26% de leitores plenos, país precisa “correr atrás” da formação de mediadores, diz representante do MinC

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Em Passo Fundo, secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) José Castilho Marques Neto reconheceu que o orçamento para eventos culturais é limitado

Fernanda da Costa, no Zero Hora

Com apenas 26% de leitores plenos, país precisa "correr atrás" da formação de mediadores, diz representante do MinC Diogo Zanatta/Especial

José Castilho Marques Neto fala sobre as prioridades do Ministério da Cultura Foto: Diogo Zanatta / Especial

Formar pessoas é a principal prioridade do Ministério da Cultura, conforme o secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) José Castilho Marques Neto. Em Passo Fundo para a abertura da 15ª Jornada Nacional de Literatura, ele também reconheceu que o orçamento federal para realização de eventos culturais ainda é limitado.

Em entrevista coletiva nesta terça-feira, o secretário afirmou que, atualmente, apenas 26% dos alfabetizados no Brasil são leitores plenos, aqueles capazes de compreender o conteúdo dos textos. Por isso, segundo ele, é prioridade máxima do MinC “correr atrás” de políticas públicas que auxiliem no aumento da porcentagem. Entre elas, a principal seria a formação de pessoas:

— Há muito orçamento para compra de livros, mas existe pouquíssima verba para formar pessoas.

O MinC quer incentivar o desenvolvimento de mediadores de leituras, que segundo Castilho parte das universidades.

— É preciso que as universidades se engajem na formação de mediadores de leitura. Os professores que trabalham com a educação básica saíram de uma universidade. É um clico — afirma.

Com apoio dos mediadores, a meta estabelecida pelo MinC é de aumentar, até 2020, a média atual de leitura de 1,3 livros por ano para quatro livros anuais.

Embora a curto prazo os esforços do órgão estejam voltados à democratização da leitura, há um desejo, a longo prazo, de “institucionalização das políticas de leitura”, nas palavras de Castilho.

— Não podemos mais ter políticas episódicas para o livro e a leitura, onde avançamos de um lado e retrocedemos de outro — relata.

Orçamento para eventos culturais é limitado

Este ano, a organização da Jornada Nacional de Literatura esbarrou em dificuldades para captar recursos, uma realidade da maioria dos eventos culturais no país. Castilho admitiu que, apesar dos esforços do governo federal em apoiar o setor, a dificuldade persiste:

— É notório que o orçamento do Ministério da Cultura não é suficiente para o conjunto das atividades necessárias para o desenvolvimento da cultura no país — admitiu.

A perspectiva do órgão, conforme o secretário, é que estes eventos possam ser cada vez mais compartilhados com setor privado.

Falta de leitura prejudica economia

O secretário ainda explicou que há um trabalho no MinC voltado à investigação do impacto da falta de leitura na economia do país. Segundo ele, o órgão buscará saber, por meio de uma pesquisa, quanto as empresas perdem com a “não leitura”, que prejudica a comunicação e o crescimento das instituições.

— Queremos que os governos e a sociedade civil entendam que o incentivo à leitura aquecerá a economia. O Brasil precisa da leitura muito mais do que a leitura precisa do Brasil _ completa o secretário.

Veja como evitar que a sua redação seja anulada no Enem

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Marcelle Souza, no UOL

Neste ano, o candidato que colocar receita de miojo ou hino do time no meio da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) terá o seu texto anulado pela banca. Além de trechos sem conexão com o tema, é preciso ficar atento à quantidade de linhas, aos argumentos usados e à estrutura do texto para não zerar a redação.

O exame será realizado nos dias 26 e 27 de outubro e, na hora de escrever a redação, é preciso ter cuidado com argumentos que podem ser interpretados como desrespeito aos direitos humanos, o que pode acabar com o sonho da vaga em uma universidade.

“A redação do Enem exige que o candidato demonstre o mínimo de respeito pela vida, então é importante evitar opiniões unilaterais, extremas, radicais e discriminatórias”, afirma Francisco Platão Savioli, professor da USP (Universidade de São Paulo) e supervisor de português do Anglo Vestibulares.

Por isso, é recomendável que o estudante evite defender no texto atitudes extremas e questionáveis, como a pena de morte, a violência policial e a deportação de imigrantes. “A boa redação é a que mostra uma visão ampla, sustentada com bons argumentos, que tenham o menor grau de refutação possível”, afirma Savioli.

Para a professora Maria Aparecida Custódio, do laboratório de redação do curso e colégio Objetivo, o texto do Enem é um exercício de cidadania e deve evitar deboches e preconceitos. Se o tema for violência no trânsito, por exemplo, o candidato pode ter a redação zerada se defender a máxima “olho por olho, dente por dente”.

“O texto deve propor civilidade, educação no trânsito, campanhas na mídia, atuação mais rígida dos órgãos fiscalizadores, mas jamais defender a morte de um motorista que causou um acidente”, afirma.

Para ter uma boa nota
Quem pretende tirar uma boa nota deve, em primeiro lugar, ler atentamente o enunciado da redação e os textos de apoio. A partir daí, o aluno precisa entender qual é a proposta central e pensar em um texto que mostre o seu próprio repertório de leitura e que utilize dados dos textos da coletânea apresentada pelo exame.

Nesse sentido, se o tema proposto é a violência causada pela desigualdade social, por exemplo, o aluno vai perder pontos se abordar outro aspecto ligado à violência, já que a banca pode entender a abordagem como fuga do tema.

A leitura atenta da proposta também costuma indicar qual ponto de vista é proposto pelo exame. Como exemplo, ela cita o tema do Enem 2012 “Movimento imigratório para o Brasil no século XXI“. A partir dos apresentados na proposta, a professora diz que não foi bem vista a redação que defendia a expulsão dos imigrantes do país ou a redução de direitos desses cidadãos.

Se o estudante for contra, vai precisar usar argumentos muitos sólidos e que em nenhum momento agridam os direitos humanos. “Não é para fazer média com a banca, mas usar os textos para apresentar uma análise crítica, com uma proposta de intervenção”, afirma a professora do Objetivo.

Outras dicas
Além do cuidado com os argumentos utilizados, o candidato precisa ficar atento ao tipo de texto pedido: dissertativo-argumentativo. Escrever uma narração ou uma poesia, por exemplo, é garantia de anulação da prova.

A banca exige ainda que o texto tenha no mínimo sete linhas, ou então será considerado insuficiente e será zerado pela banca.

Inserir desenhos e textos completamente desconexos com o tema da proposta serão considerados “descompromisso com o exame” e redação será anulada.

Correção
A redação do Enem será corrigida por dois especialistas, de forma independente. Cada corretor dará uma nota entre zero e 200 para cada uma das cinco competências exigidas, totalizando mil pontos. A nota final corresponde à média aritmética simples das notas dos dois corretores.

Caso ocorra uma diferença de 100 pontos ou mais entre as duas notas totais ou se a diferença de suas notas em qualquer uma das competências for superior a 80 pontos, a redação passará por uma terceira correção.

Se não houver discrepância entre o terceiro corretor e pelo menos um dos outros dois corretores, a nota final do candidato será a média aritmética entre as duas notas totais que mais se aproximarem, sendo descartadas as notas não convergentes.

Caso o terceiro corretor apresente discrepância com os outros dois corretores, a redação corrigida por uma banca composta por três corretores que atribuirá a nota final ao texto do candidato.

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