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Livro inédito de J.R.R. Tolkien inicia projeto de sua nova editora no Brasil

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‘A Queda de Gondolin’, organizado e editado pelo filho Christopher Tolkien, tem lançamento simultâneo nos EUA, Reino Unido e Alemanha, e no Brasil, em português, pela HarperCollins Brasil

Guilherme Sobota, no TERRA

Uma nova geração de edições e livros de J.R.R. Tolkien (1892-1973) começa a chegar nesta quinta-feira, 30, às livrarias brasileiras: A Queda de Gondolin, livro inédito do autor, organizado e editado pelo filho Christopher Tolkien, é lançado hoje simultaneamente no Brasil, EUA, Reino Unido e Alemanha – uma iniciativa também inédita alcançada pela nova editora de Tolkien no País, a HarperCollins Brasil.

Nove cidades brasileiras recebem eventos para celebrar o lançamento daquele que provavelmente é o último livro inédito com escritos de Tolkien (Christopher, o responsável pela obra do pai, está com 93 anos e afirma no prefácio que esse é seu último trabalho). Em São Paulo, o evento está marcado para as 20h na Saraiva do Shopping Pátio Paulista (Rua Treze de Maio, 1.947), em parceria com os fãs-clubes Tolkien Talk e O Bolseiro. Haverá concurso de cosplay, leituras do livro e debates sobre a história da obra.

O livro marca também o primeiro trabalho assinado por Tolkien no novo projeto da HarperCollins Brasil para a obra do autor de O Senhor dos Anéis: dois livros biográficos já estão nas livrarias (inclusive a biografia de Humphrey Carpenter, considerada a história mais completa da vida do escritor), mas a proposta da editora é lançar tudo que leva o nome dele na capa. Ainda em 2018, sai Beren e Lúthien (inédito no Brasil); no primeiro de semestre de 2019 estão programados O Silmarillion, Contos Inacabados e As Cartas de J.R.R. Tolkien; e no segundo, O Hobbit e O Senhor dos Anéis – todos com novas traduções.

Para a empreitada, a editora organizou um conselho de tradutores, num trabalho parecido com o aplicado à Bíblia. O conselho é formado pelos pesquisadores Ronald Kyrmse e Reinaldo José Lopes, pelo tradutor Gabriel Brum e pelo gerente editorial da HarperCollins Brasil, Samuel Coto, o responsável pelas obras de Tolkien na casa.

Para o editor, a ideia é levar a literatura de Tolkien a outros alcances, e não deixá-la restrita aos fãs de literatura fantástica. “Tolkien pavimentou o caminho para o que chamamos de literatura fantástica, mas mais do que isso ele queria criar uma mitologia para a Inglaterra, dar uma raiz literária para o seu país”, explica. “Nosso plano não é esquecer o que já foi feito no Brasil, mas repensar o projeto. Tem um trabalho de reposicionamento. Temos usado como analogia as portas dentro de uma casa: oTolkien tem uma complexidade e uma profundidade muito grandes, e algumas portas de acesso a essas profundezas. A única porta que sentimos que está escancarada no Brasil é a porta do universo geek. Mas há outras portas importantes: de literatura infantojuvenil, que tem aplicação na formação educacional, mas também de pesquisas acadêmicas, a porta religiosa e teológica, a linguística, até a botânica.”

O tradutor de A Queda de Gondolin é Reinaldo José Lopes, jornalista, mestre e doutor pela USP em tradução e Tolkien. Para ele, o grau de trabalho formal que Tolkien aplicou em suas obras é comparável ao de grandes escritores contemporâneos seus, como James Joyce e Guimarães Rosa. “Embora a abordagem seja diferente desses autores modernistas, não dá para subestimar o trabalho formal. Além disso, na temática, Tolkien também traz questões muito profundas e importantes para o momento atual, como por exemplo a questão ambiental, da ação do homem sobre a natureza, e principalmente a questão do poder de maneira geral”, explica.

“A mensagem é: em quem você pode confiar ao jogar o poder na mão de alguém? A resposta é: ninguém. Existe ali também um aspecto teológico, da decadência do homem em relação a Deus. Esse ceticismo saudável em relação a qualquer forma de poder é importante”, conclui.

O novo livro é um material inédito editado por Christopher Tolkien, e é um dos “três grandes contos” referentes à Primeira Era da mitologia deTolkien – o que seria a Antiguidade para os personagens de O Senhor dos Anéis, da Terceira Era.

Uma parte do material já era conhecida dos fãs, mas o novo livro traz um nível de detalhamento inédito sobre a história da cidade élfica construída para ficar escondida do vilão Melkor – que em última instância a descobre e a leva à queda.

“O livro traz elementos de várias fases da carreira literária de Tolkien, desde os anos 1910 até os 1950, é um corte transversal no qual o leitor vai conseguir ter uma visão de conjunto da mitologia que o autor construiu”, explica Lopes. “Nessa versão original do texto, dragões e monstros têm um aspecto quase robótico. O pessoal costuma fazer relação entre isso e a participação do Tolkien na 1.ª Guerra, quando ele testemunhou a ação de aviões e tanques”, explica.

Por amor à literatura, professor aposentado de Conquista aprendeu sozinho sete idiomas

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Dimas domina inglês, espanhol, latim, italiano, francês, grego e alemão (Foto: Reprodução/ Tô Indo)

Além do português, Dimas Oliveira domina o inglês, espanhol, latim, italiano, francês, grego e alemão. Autodidata, que nunca foi ao exterior, vê na literatura chance de conhecer o mundo.

Barbara Almeida, no G1

Mestre na arte de ensinar e aprender. Essa é uma das principais características de um professor de história aposentado de Conquista, no Triângulo Mineiro, que aprendeu sozinho sete idiomas.

Além do português, língua nativa, Dimas da Cruz Oliveira, de 63 anos, domina o inglês, espanhol, latim, italiano, francês, grego e alemão.

“Eu vejo na língua o instrumento para a literatura. Desde criança eu tive interesse de aprender outros idiomas para conhecer vários autores muito talentosos. E então, por curiosidade, comecei com dez anos a aprender o espanhol e não parei mais”, explicou.

Dimas foi criado em Conquista, fez graduação em História em Uberaba, em 1976, e lecionou em São Paulo (SP) por alguns anos e em escolas públicas estaduais do Triângulo Mineiro. Apaixonado por literatura, o autodidata tem mais de 500 livros em uma pequena biblioteca em casa.

“Pra mim um texto não é uma simples palavra, eu vivo intensamente aquela história. É um flagrante real. Através da literatura eu conheço o mundo inteiro”, contou.

Autodidata

Dimas nunca frequentou aulas de idiomas, nem mesmo conhece o exterior. Além disso, o método que utiliza para aprender línguas não tem auxílio de redes sociais. Todos os idiomas ele aprendeu com auxílio de livros na língua e gramática.

O aposentado dedica oito horas por dia para praticar todos os idiomas que domina e ainda está aprendendo holandês e russo.

“Eu utilizo o método indutivo que é lento e muito difícil. Eu associo a leitura com gramática com auxílio sempre de um dicionário. Já tentei frequentar cursinhos, mas fiquei sem como pagar e não tenho muita facilidade em lidar com tecnologias”, contou Dimas.

Dimas tem mais de 500 livros e dedica mais de oito horas por dia aos estudos (Foto: Reprodução/ Tô Indo)

Sorridente e simpático, o professor diz que francês e alemão são as línguas que ele tem mais facilidade. No entanto, o latim e o grego antigo são os grandes desafios do autodidata que frequenta missas celebradas em latim em São Paulo.

“Meu entusiasmo substitui a falta de recursos, um amor muito grande pelo saber. Sou um eterno curioso e é muito gratificante ver o fruto do meu esforço”, comemorou.

Melhor caminho

Um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dezembro do ano passado demonstra que o Brasil tem 11,8 milhões de analfabetos. Metade da população adulta não tem sequer o nível fundamental.

Com 63 anos, Dimas estuda para aprender russo e holandês (Foto: Reprodução/ Tô Indo)

Ainda de acordo com o IBGE, os brasileiros que não sabem ler nem escrever correspondem a 7% da população do país e a taxa maior está entre os mais idosos. A pesquisa também aponta que o número é superior entre as pessoas pretas ou pardas.

Mas nenhum desses dados vão de encontro com Dimas, que idoso, negro e estudante e professor de escola pública. Ele vê na educação a forma da felicidade.

Autodidata ministra palestras e frequenta missas celebradas em latim (Foto: Reprodução/ Tô Indo)

“Eu ensino e aprendo todos os dias. É necessário dedicação. Hoje ministro paletras, mas sempre por amor a educação”, finalizou o professor.

“Talvez esse nome encubra uma escrita a quatro mãos”, diz tradutor dos livros de Elena Ferrante

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Foto: biblioteca azul / Divulgação

Foto: biblioteca azul / Divulgação

Responsável pela tradução da Tetralogia Napolitana para o português, Maurício Santana Dias falou com exclusividade ao Informe Especial

Cadu Caldas no Zero Hora

Maurício Santana Dias é o responsável pela tradução para o português de um dos maiores fenômenos literários dos últimos tempos, aTetralogia Napolitana, da escritora italiana Elena Ferrante. Só o primeiro volume, A Amiga Genial, vendeu mais de 2 milhões de exemplares no mundo.

Em conversa com o Informe Especial, o professor da USP, pai de duas meninas, uma de nove e outra de sete, fala sobre a experiência de traduzir um texto tão identificado com o universo feminino. Discute sobre a verdadeira identidade de Elena Ferrante e as teorias de que o pseudônimo que assina a obra encubra uma escrita a quatro mãos.

A tetralogia napolitana narra, grosso modo, a história de amizade entre duas mulheres. Obviamente, traz muitas nuances do universo feminino, sentimentos difíceis de ser compreendidos sob uma ótica masculina. Como foi a experiência de traduzir a obra?
É um desafio a mais a ideia de se colocar no lugar do outro, diferente do seu. Acho que o fato de eu ler muita literatura de homem, de mulher, e estar sempre atento influencia. E também o fato de eu viver em um ambiente bastante feminino – tenho uma mulher e duas filhinhas. Isso tudo favorece o contato com essa outra realidade que não é própria do seu sexo. De todo modo, acho que é uma função o própria do tradutor se impregnar do texto que está traduzindo.

Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

 

Como foi o convite para traduzir Elena Ferrante?
Eu já vinha falando da Ferrante desde o início dos anos 2000, quando li o primeiro romance dela, muitos anos antes do lançamento da tetralogia. Na época não foi muito além disso. Até que, em 2014, me ligaram da editora perguntando se eu conhecia e se eu gostaria de fazer. E eu respondi: “Olha, é uma autora de que eu gosto muito, mas ainda não conheço a tetralogia”. Estava começando a sair na Itália. Pedi duas semanas para responder. Li o primeiro volume, A Amiga Genial, gostei bastante e topei na hora fazer. A princípio eu não sabia se conseguiria dar conta dos quatro volumes, porque são 1,7 mil páginas e eu tenho muitos compromissos na USP (onde leciona no departamento de Letras). Eu sabia que eles tinham prazo e queriam que os livros fossem traduzidos com certa velocidade.

Quanto tempo teve para traduzir A Amiga Genial?
O primeiro volume foi o mais rápido, levei de três a quatro meses. Traduzi todos os quatro em um ano e meio.

Como era a rotina?
Geralmente traduzo à noite. As meninas vão dormir (tenho uma de três e outra de sete), e aí emendo e às vezes vou até bem tarde. Durante o dia fico dedicado aos meus compromisso na universidade, o horário que eu tenho para fazer é à noite.

Você costuma ter contato com os autores que traduz? Sabemos que Elena Ferrante é um pseudônimo, mas alguma troca de mensagens, talvez?
Não tive. A editora me falou que, se eu tivesse alguma questão de tradução, eu poderia entrar em contato com eles. Mas, por uma questão de princípio, eu prefiro não incomodar os autores. Eu lido com a autoria, que já está imposta no texto. Mas não lido com o sujeito autor. Até porque a maioria dos autores que eu traduzi já não estão vivos. Também nunca topei com nada que fosse tão desconcertante a ponto de eu não conseguir resolver no embate com o próprio texto.

Maurício Santana Dias com as duas filhas Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Maurício Santana Dias com as duas filhas Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Qual o segredo do sucesso da tetralogia?
Eu acho que ela tem várias qualidades. Primeiro, uma escrita muito dinâmica, muito rápida. Ela consegue encadear as ações com uma habilidade incrível. Ao mesmo tempo, faz um contraponto entre o inconsciente dos personagens e o universo da vida pública. Traça um painel da vida italiana dos últimos 50 anos que é incrível: o feminismo, as mudanças políticas, a revolução cultural. Uma série de problemas que dizem respeito à experiência do Ocidente. E, ao mesmo tempo, à grande história cultural da Itália.

Os leitores acabam de certo modo se identificando com as personagens, ora com a Lila, ora com a Lenu. Isso também acontece com o tradutor? Quem tu prefere?
Acho que é uma espécie de oscilação permanente, porque o próprio texto te faz se aproximar ora de uma, ora de outra. Outra sacada interessante da escritora, que cria uma espécie de gangorra com as duas personagens, ambivalentes. Era uma espécie de movimento pendular. Mas, como tradutor, também tinha que me distanciar e ter uma abordagem mais técnica, diferente da do leitor.

Existe uma teoria de que o livro foi escrito a quatro mãos. De que um autor seria mais a Lenu e o outro, a Lila. O que o seu olhar técnico diz?
Acho bem provável. Tendo conhecimento das últimas notícias, tudo indica que, de fato, a autora principal da Elena Ferrante é a Anita Raja, que é uma tradutora do alemão. Ela é casada com um escritor muito premiado, o Domenico Starnone, e eu tenho a suspeita de que eles meio que escrevem em conjunto. Talvez esse nome encubra uma escrita a quatro mãos. Eu acabei de traduzir romances dele que têm um tipo de escrita muito próximo. Os diálogos, o ritmo narrativo, isso meio que consolidou a minha hipótese de que ou os dois escrevem a quatro mãos ou têm um intercâmbio tão forte que isso acaba contaminando o texto.

O livro original tem muita vida, muito em decorrência da língua italiana, carregada de emoção. A versão em inglês é um pouco mais fria. Tu acha que isso é uma barreira da própria língua ou depende do tradutor escolhido?
O fato de ser uma língua neolatina, mais íntima da nossa cultura, até pela nossa forte colonização italiana, sobretudo no Sul, pode criar alguns vínculos afetivos que nos colocam numa sintonia fina com aquele texto. Mas acho que também depende bastante do tradutor perceber todos os tons, porque é muito rico de carga emocional, afetiva, da memória. É um trabalho que requer essa sintonia fina que o tradutor tem que perceber sempre.

Qual o teu livro preferido de Elena Ferrante?
Dias de Abandono foi o primeiro que eu li e eu gosto bastante dele. Até foi publicado em português. Naquele momento eu estava traduzindo a tetralogia e até sugeri uma outra tradutora para o trabalho (Francesca Cricelli). Acho esse um grande romance, muito interessante. Acho que a tetralogia tem um valor que é justamente essa visão do contexto cultural da Itália. Dias de Abandono é uma questão muito pontual, que é a história de uma separação e a dor da perda sentida por essa mulher que é abandonada pelo marido por uma mulher mais jovem. A trama se circunscreve a essa cena privada afetiva. Não tem a dimensão pública que a tetralogia tem. Um dos grandes trunfos da tetralogia é conjugar a experiência mais íntima e privada com essa outra experiência, a da vida pública. No conjunto, a tetralogia é a grande obra da Ferrante. Embora, se comparar individualmente Dias de Abandono com a A Amiga Genial (primeiro volume da tetralogia), aí tenho minhas dúvidas.

Traduzir uma obra é uma experiência totalmente pessoal. Tu te sente um pouco coautor do livro ou no momento em que está traduzindo tenta abrir mão dessa ideia de autoria?
De algum modo, o tradutor está sempre reescrevendo a obra. Que se chame isso de coautoria ou reescrita. Porque, de fato, ele faz a obra acontecer em um contexto e uma língua diferente. Se o tradutor não tiver atenção ao tom e ao ritmo da prosa, nuances e detalhes, não funciona. Ele pode até conhecer muito bem a língua, mas não basta. A tradução, principalmente a literária, é sempre uma reescrita.

Qual foi o ponto mais complicado na tradução da tetralogia napolitana?
Tem momentos em que a tradução requer mais do tradutor. Naqueles momentos em que parece que há um extravasamento de fluxo de consciência, embora não chegue a entrar em um monólogo interior, como Virginia Woolf. Há momentos em que a autora entra tanto dentro dos movimentos psíquicos dos personagens, sobretudo da Lenu e, às vezes, da Lila, que isso exigiu mais. Captar o ritmo e o tom exato. É um dos grandes lances do livro, passa muito pelo ouvido. Sem que o tradutor consiga pegar essa pulsação do texto, a tradução não será boa, mesmo que seja tecnicamente correta.

Como tu te tornou um tradutor de italiano?
Eu tenho formação em Letras na área de português-italiano pela UFRJ, a Federal do Rio de Janeiro. Quando eu estava ainda terminando a graduação, comecei a fazer minhas primeiras traduções. Já faz mais de 20 anos que traduzo profissionalmente. Cada vez mais aparecem propostas e eu também faço minhas sugestões para as editoras. No caso da tetralogia, recebi o convite. Várias outras vezes são projetos meus.

Como surgiu o gosto pelo italiano? Tem família de origem italiana?
Nenhum parentesco. Sou um dos poucos da áreas de italianística que não tem sobrenome italiano. Foi tudo via estudo. Primeiro aqui e depois na Itália. A paixão toda passa pela minha formação na área de literatura.

Frederico Lourenço, escritor português e tradutor da Bíblia, virá para a Flip 2017

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Autor também traduziu do grego para o português clássicos como ‘Odisseia’ e ‘Ilíada’. Festa Literária Internacional de Paraty acontece de 26 a 30 de julho.

Publicado no G1

O escritor português Frederico Lourenço, autor de romances e de traduções de clássicos como “Odisseia” e “Ilíada”, de Homero, além da “Bíblia”, vai estar na 15ª Festa Liberária Internacional de Paraty (Flip), anunciou a organização nesta terça-feira (2).

No evento, que acontece de 26 a 30 de julho, Lourenço vai lançar o primeiro dos seis volumes de sua tradução da “Bíblia” direto do grego antigo. No Brasil, a obra sai pela Companhia das Letras.

O escritor e tradutor português Frederico Lourenço, autor de romances e de traduções da "Odisseia", da "Ilíada" e da "Bíblia", que vem para a Flip 2017 (Foto: André Nassife/Divulgação)

O escritor e tradutor português Frederico Lourenço, autor de romances e de traduções da “Odisseia”, da “Ilíada” e da “Bíblia”, que vem para a Flip 2017 (Foto: André Nassife/Divulgação)

Também ensaísta, o escritor “irá debater as possibilidades da tradução entre línguas separadas por séculos, a os dilemas da condição humana que atravessam a cultura ocidental desde a Grécia Clássica até os dias de hoje, além de outros temas que permeiam todo o universo literário”, informa a organização da Flip em nota.

Lourenço é o terceiro nome anunciado para a Flip 2017. Os outros dois são o premiado jamaicano Marlon James, ganhador o Man Booker Prize en 2015, e Diamela Eltit, conhecida pelo seu trabalho experimental e considerada uma das principais escritoras chilenas das últimas décadas.

“Frederico Lourenço é um destacadíssimo ensaísta e intelectual no campo dos estudos clássicos, tradutor da ‘Ilíada’, da ‘Odisseia’ e agora da ‘Bíblia’ em sua versão grega, um projeto de peso imenso”, afirmou em nota a curadora da Flip 2017, Joselia Aguiar.

“Foram poucos, e até agora todos padres, os que se dedicaram a essa tarefa, a de trazer para a língua portuguesa esse conjunto de livros que influencia toda a história do Ocidente, recuperando seu valor literário. Nesta Flip, será um daqueles momentos imperdíveis em que vamos fazer uma espécie de balanço da tradição ocidental a partir da literatura.”

Perfil de Frederico Lourenço

Nascido em Lisboa em 1963, Frederico Lourenço dá aula de Estudos Clássicos, Grego e Literatura Grega na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde é professor associado.

Além dos clássicos de Homero, traduziu duas tragédias de Eurípides, “Hipólito” e “Íon”. Pelo trabalho com a “Odisseia”, ganhou o prêmio de tradução do PEN Clube Português e da Associação Portuguesa de Tradutores.

Seu primeiro romance é “Pode um desejo imenso” (2002), volume inicial da trilogia de mesmo nome, que inclui “O curso das estrelas” (2002) e “À beira do muro” (2003). Lançou também a coletânea de contos “A formosa pintura do mundo” (2004).

Lançou ainda coletâneas de crônicas e poemas, além de ensaios sobre dança e cultura grega clássica. De seu trabalho de não ficção, destacam-se ainda dois livros autobiográficos: “Amar não acaba” (2004) e “A máquina do Arcanjo” (2006).

Mais sobre a Flip 2017

A 15ª Flip vai homenagear o escritor Lima Barreto. Nascido no Rio de Janeiro em 1881 e morto apenas 41 anos depois, o autor é conhecido pelo livro “Triste Fim de Policarpo Quaresma” e pelas críticas sociais e políticas ao Rio e ao Brasil.

A obra de Lima Barreto já vinha sendo cogitada como tema de discussões na Flip há alguns anos. E o evento, sobretudo em 2016, foi criticado pela ausência de autores e autoras negras em sua programação.

De acordo com a organização da Flip, “a edição resgatará a trajetória de um homem que estabeleceu-se como escritor no Rio de Janeiro, capital da Primeira República e da cultura literária do país. Em um meio marcado pela divisão de classes e pela influência das belas letras europeias, era difícil para um autor brasileiro com as suas origens afirmar seu valor”.

Joselia Aguiar, jornalista que é a curadora da Flip 2017, lembrou em nota que Lima Barreto por muito tempo “ficou na ‘aba’ de literatura social, e sua obra e trajetória possibilitaram muitos debates sobre a sociedade brasileira”.

“O que eu gostaria, mesmo, é que a Flip contribuísse para revelar o grande autor que ele é. Para além das questões importantíssimas sobre o país que ajuda a levantar, tem uma expressão literária inventiva e interessante, à frente de sua época em termos formais, capaz de inspirar toda uma linhagem da literatura em língua portuguesa.”

Prêmio Oceanos aceitará livros em português de qualquer país

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Eduardo Saron, Ana Sousa Dias, Manuel da Costa Pinto e Selma Caetano durante coletiva de imprensa para anúncio das mudanças no Oceanos - Alessandro Giannini

Eduardo Saron, Ana Sousa Dias, Manuel da Costa Pinto e Selma Caetano durante coletiva de imprensa para anúncio das mudanças no Oceanos – Alessandro Giannini

 

Inscrições para concurso literário começa nesta sexta-feira

Alessandro Giannini, em O Globo

SÃO PAULO — O Itaú Cultural anunciou na manhã desta quinta-feira a internacionalização do Oceanos — Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa. A partir deste ano, serão aceitos livros publicados em quaisquer países, contanto que escritos em língua portuguesa. Até o ano passado, eram aceitos apenas títulos de autores brasileiros e portugueses publicados no Brasil. As inscrições começam nesta sexta-feira e podem ser feitas por meio do site do instituto (www.itaucultural.org.br).

— Chegamos ao momento que eu tanto acalentava há muito tempo. Estamos eliminando três palavras do regulamento: “publicados no Brasil”. A partir deste ano, qualquer livro em língua portuguesa publicado em qualquer lugar do mundo no ano anterior ao prêmio poderá concorrer. Ficou muito mais fácil — disse Selma Caetano, durante coletiva de imprensa para anúncio das mudanças no Oceanos.

Como parte da ampliação do concurso literário, o Itaú Cultural apresentou também a crítica literária portuguesa Ana Sousa Dias, que passa a integrar o corpo de curadores com os brasileiros Selma Caetano, que coordena o grupo, e Manuel da Costa Pinto. A ideia, segundo o triunvirato de curadores, é possibilitar que obras brasileiras, portuguesas e africanas sejam representadas de forma mais ampla e concorram em igualdade de condições.

— Creio que as pessoas vao se surpreender com a quantidade e a qualidade dos livros portugueses que surgirão. Vai ficar mais complicado, mas vai ficar mais completo. Com a vantagem de termos esse mapeamento da cena literária em língua portuguesa — disse Ana Sousa Dias.

Ainda segundo os participantes da coletiva, livros editados em Brasil e Portugal que sejam inscritos pelas duas editoras serão considerados. Mas, segundo os curadores, para avaliação será considerada a primeira edição. No caso das edições simultâneas, o autor terá a prerrogativa de escolher qual será avaliada.

O processo de avaliação, em si, permanece inalterado, assim como o valor total dos prêmios em dinheiro (R$ 230 mil) e a distribuição entre os quatro vencedores (R$ 100 mil para o primeiro lugar, R$ 60 mil para o segundo, R$ 40 mil para o terceiro e R$ 30 mil para o quarto).

Os inscritos passam por três peneiras, sendo que todos os livros serão lidos. Na primeira etapa, os curadores indicam um júri de avaliação formado por 40 especialistas que, entre julho e setembro, leem todos as obras e indicam por meio de votação os 50 melhores. Na segunda, entre setembro e novembro, um júri intermediário, formado por seis integrantes eleitos pelo corpo de jurados da fase anterior, avalia os semifinalistas e elege os dez melhores entre eles. Na última etapa, os mesmos seis jurados escolhem os quatro vencedores.

O prêmio tem um custo total de cerca de R$ 1,4 milhão, dos quais R$ 800 mil são incentivados por Lei Rouanet e R$ 600 mil de modo direto pela instituição. Os valores incluem a premiação de R$ 230 mil.

Em dez edições, o Oceanos premiou cinco autores não-brasileiros. No ano passado, foram recebidas 740 inscrições, entre as quais estavam 14 livros de autores portugueses, dois de angolanos e um de um autor moçambicano. Os quatro vencedores foram, pela ordem do primeiro ao quarto: “Galveias”, do português José Luís Peixoto; “A resistência”, de Julián Fuks; “O livro das semelhanças”, da poeta mineira Ana Martins Marques, e o livro de contos “Maracanazo e outras histórias”, do jornalista carioca Arthur Dapieve.

Recentemente, Selma e Costa Pinto passaram 20 dias em Portugal conversando com editores locais sobre a premiação e foram recebidos pelo ministro português da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes. Com isso, a expectativa é de que o aumento no número de inscritos seja da ordem de 50%.

– Nessas conversas, os editores portugueses estimaram entre 200 e 300 inscrições de livros lusos a mais – disse Selma Caetano.

Costa Pinto acrescentou que a produção de poesia portuguesa também pode ganhar destaque.

– Portugal é o país da poesia. E há uma produção muito grande, inclusive de pequenas editoras – disse o crítico literário e curador do prêmio.

Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, disse que para este ano não haverá ampliação do prêmio em dinheiro, mas nãos descartou a possibilidade para o próximo ano.

– Estamos estudando isso para a edição de 2018 – disse ele.

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