Ansiedade 3 - Ciúme

Posts tagged presos

500 mil livros estão presos em depósito à espera de licitação no MinC

0

Three Old Book

Livros, que poderiam revitalizar o acervo de espaços culturais como a Biblioteca Nacional, estão lacrados há três anos no local

Paulo Lannes, no Metrópoles

Conhecido por ser o principal símbolo da recuperação do centro histórico do Rio de Janeiro (RJ), o Porto Maravilha também esconde uma evidência do descaso com o setor cultural do país. Em um dos depósitos do local, estão guardados, há três anos, cerca de 500 mil livros – catálogos, romances brasileiros e obras especializadas – pertencentes ao Ministério da Cultura (MinC).

Esses exemplares, de responsabilidade do Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) do Ministério da Cultura, deveriam ser distribuídos para bibliotecas públicas de todo o país. O Metrópoles teve acesso a imagens que evidenciam a situação de abandono do material. Confira:

livros-porto-maravilha-1

livros-porto-maravilha-2

livros-porto-maravilha-3

Doação de livros a presidiários aumenta após reportagem do GLOBO

0
Há também mais 19 bibliotecas vinculadas às escolas públicas que funcionam no sistema prisional, entre elas a do presídio Evaristo de Moraes - Márcia Foletto / Agência O Globo

Há também mais 19 bibliotecas vinculadas às escolas públicas que funcionam no sistema prisional, entre elas a do presídio Evaristo de Moraes – Márcia Foletto / Agência O Globo

 

Biblioteca Nacional encaminhará mais de 1.200 volumes a unidades carcerárias do estado

Caio Barreto Briso, em O Globo

RIO – Após a publicação da reportagem sobre remição de pena pela leitura, no último domingo, muitas pessoas entraram em contato com o jornal interessadas em doar livros para o sistema prisional do Rio. O GLOBO recebeu vinte contatos por e-mail e a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) também foi procurada. A Biblioteca Nacional vai doar 18 kits com 68 livros – 1224 volumes no total – para serem distribuídos nos presídios do estados: são publicações da casa que contam a história de Dona Ivone Lara, Chico Buarque, Aluisio de Azevedo e, entre outros, Machado de Assis. Quem quiser doar pode procurar diretamente a Seap no telefone (21) 2334-6267.

– Estamos montando sete novas nos presídios. Antigamente elas ficavam onde preso não tinha acesso, hoje ficam no miolo das unidades. Estamos providenciando também carrinhos de supermercado para distribuir os livros de cela em cela. Algumas unidades não fazem isso porque não têm como transportar os livros, mas até para isso dependemos de parceria – afirma Patrícia Freitas dos Santos, coordenadora de inserção social da Seap e membro do Conselho Penitenciário do Estado.

A secretaria usa uma viatura para buscar os livros: a Biblioteca Nacional já está esperando o veículo buscar o material doado. Enquanto reforça seu acervo de 40 mil livros, espalhados por 54 unidades prisionais, a Seap elabora em parceria com a UniRio o novo programa de remição de pena para a população carcerária fluminense, que se aproxima dos 50 mil presos. Após ser lançado em novembro e beneficiar 188 presos, agora será formada uma nova turma com 500 internos. A universidade vai usar professores e alunos de Letras voluntários, que ajudarão os presos na escolha do livro e na redação de uma resenha sobre o mesmo, exigência para a remição ser aprovada.

Após essa etapa, as resenhas ainda precisam receber o aval da Vara de Execuções Penal (VEP) e pelo Ministério Público estadual. Cada livro lido equivale a quatro dias de pena a menos, uma garantia prevista na lei federal 12.433/2011, que passou a permitir que, além do trabalho, o estudo também sirva para diminuir pena – a recomendação 44 do Conselho Nacional de Justiça, dois anos depois, formalizou a proposta da remição pela leitura especificamente.

– Poucos presos estudam e poucos trabalham, então a leitura surge como alternativa no processo de ressocialização. O desafio é tornar o projeto uma realidade. E a dificuldade inicial é justamente ter os livros – resume o defensor Marllon Barcelos, coordenador do Núcleo do Sistema Penitenciário da Defensoria Pública.

Além do projeto da remição de pena da Seap, há outras iniciativas de incentivo à leitura. Todas as sextas-feiras, por exemplo, três voluntários da doutrina espírita vão ao Presídio Evaristo de Moraes.

– Sempre levamos livros, espíritas ou não, e eles são disputados, lidos e passados de uns para os outros com alegria e sofreguidão. É algo que nos traz alívio e esperança, mostra quanto um bom livro pode mudar o rumo dos pensamentos ociosos e constantes na revolta e desalento – afirma a voluntária Fernanda Levi.

“VIOLÊNCIA SÓ MUDA COM LIVRO NA MÃO”

Outra iniciativa é da Defensoria Pública, que criou um grupo de leitura no Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica. A cada livro lido, as mulheres ganham um kit com sabonete, shampoo e absorvente – artigos raros nas celas, já que apenas uma a cada quatro presidiárias recebe visitas. O projeto foi idealizado há seis meses pela defensora pública Melissa Razuk Serrano. Na Penitenciária Feminina Joaquim Ferreira de Souza, onde estão 394 presas, muitas abraçaram os livros. Simone, por exemplo, já leu este mês “O processo”, de Franz Kafka, “A Cabana”, de William P Young, “O livro dos espíritos” e “O céu e o inferno”, de Allan Kardec. Ela faz parte do programa da remição pela leitura.

– Quem não lê aqui dentro, emburrece – afirma a interna Elenice.

Patrícia, coordenadora de inserção social e servidora da Seap há 20 anos, fica feliz com o aumento das doações. Para ela, é um jeito de a sociedade “se importar com o que acontece dentro desses muros”.

– Ledo engano achar que a violência vai diminuir com militares ocupando nossas ruas. Só muda com livro na mão.

Literatura contribui para encurtar cumprimento de pena nas cadeias

0
Leitura oferece outros caminhos e liberdade mais rápida aos presos

Leitura oferece outros caminhos e liberdade mais rápida aos presos

 

Projeto implantado no Paraná já se espalha pelo resto do Brasil e é considerado modelo.

Marcelo Nannini, no Blasting News

Quem mora na cidade de São Paulo, já deve ter observado em algumas avenidas um grafite feito nos muros onde se desenhou um alienígena lendo um livro. Ao lado do desenho, o criador fez um pequeno quadro com os seguintes dizeres: “Livro te livra”.

Por outro lado, apesar de não terem a liberdade almejada para ver esse grafite, detentos e presos do sistema penitenciário estão indo ao encontro da ideia pintada no muro.

É que surgiu uma iniciativa pioneira, da qual 3 mil presos participam, propondo a leitura mensal de um livro. Em nome da #Cultura, os presos devem escrever um resumo a ser apreciado e avaliado por voluntários ou professores. Caso passem pelo crivo do avaliador, a pena é diminuída em 4 dias.

O projeto surgiu no estado do Paraná e se estima que de 12% a 15% do total de encarcerados aderiram à Remição pela Leitura, em funcionamento desde 2012.

Mesmo ano em que o projeto entrou em vigor por meio da Lei Estadual do Paraná nº 17.329. Passados quase cinco anos, atraiu a atenção de outros estados brasileiros e chegou às portas da Calábria, na Itália, em 2014.

Reconhecido como sucesso, o Remição de Pena pela Leitura faturou alguns prêmios, como o Prêmio Nacional de Boas Práticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
De que maneira o projeto funciona

O alvo principal é fornecer e dar oportunidade ao detento mais conhecimento, disseminar a educação e promover uma formação cultural a ele. Mas, indo mais a fundo, o “Remição” é um modo de fazer cumprir a ressocialização do preso na comunidade e inseri-lo no convívio social, itens primordiais que constam nas premissas do Código Penal Brasileiro.

Podem participar do programa, todos os presos alfabetizados das unidades penais. A cada início de mês, eles devem escolher um livro na biblioteca localizada dentro da penitenciária.

É importante que a escolha da obra seja condizente com o seu nível escolar. O preso tem o prazo máximo de 20 dias para ler a livro que escolheu e, depois disso, mais 10 dias para produzir uma resenha ou um resumo sobre o que entendeu da história. Feito isso, ele deve apresentar sua redação aos avaliadores que, no caso do Paraná, são professores de Língua Portuguesa. Caso os avaliadores deem uma nota igual ou superior a 6,0, o leitor tem direito a ter sua pena reduzida em 4 dias.

Mas isso só será aplicado, depois de elaborar um relatório de atividade de estudo emitido pelos avaliadores, os quais são vinculados pelos Centros Estaduais de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja), órgão paranaense.

As estatísticas mostram que o projeto vem dando bons frutos: até agora, cerca de 57.300 #Livros já foram lidos e a expansão do projeto alcança outros 46 estabelecimentos prisionais por todo o Brasil.

No estado de São Paulo, em vez de professores, existem voluntários – como jornalistas – que fazem da língua portuguesa o seu ofício e comparecem às prisões, a fim de ler os resumos produzidos e aferir se os detentos compreenderam o que leram..

Quando os presos finalmente obtiverem a liberdade, não serão mais alienígenas; mas se lembrarão de que, um dia, um ou vários livros confirmaram a tese do grafiteiro.

“Crime e Castigo” é título mais lido em prisões de segurança máxima

0

crime-e-castigo-1024x525

Ranking do Ministério da Justiça revela que 6.004 livros foram lidos pelos detentos desde 2010

Publicado no Notícias ao Minuto

A memória de um crime e as possibilidades de redenção costuram a trama de “Crime e Castigo”. O clássico da literatura mundial, escrito pelo russo Fiódor Dostoiévski em 1866, é o título de mais lido por presos das penitenciárias de segurança máxima do Brasil. O ranking do Ministério da Justiça tem base no projeto Remição pela Leitura, que concede redução de quatro dias de pena a cada livro lido e resenhado.

Cada detento pode ler (e escrever sobre) até 12 livros ao ano, o que representa 48 dias a menos na sentença. Segundo dados do ministério, divulgados colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, desde 2010, 6.004 resenhas foram escritas nas penitenciárias de Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Norte e Rondônia.

A lista mais procurados nas bibliotecas, na categoria filosofia, é vice-liderada por “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, vencedor do Nobel de Literatura em 1998. Na obra, o escritor português traça “imagem aterradora e comovente de tempos sombrios”. Terceira colocada entre as obras filosóficas é “Através do Espelho”, de Jostein Gaarder. Do mesmo autor de “O mundo de Sofia”, o livro conta a história de “Cecília Skotbu, uma menina que vive intensamente, mesmo com o diagnóstico de câncer”.

“A Menina Que Roubava Livros” também integra a lista de preferidas. A obra de Markus Zusak apresenta a menina Liesel Meminger, em plena Segunda Guerra. Ladra de livros, ela encanta a Morte, que “rastreia as pegadas dela de 1939 a 1943”.

Existe, sim, esperança para os presidiários: livros e pessoas

0
Os livros são a solução | Divulgação

Os livros são a solução | Divulgação

 

Afonso Borges, em O Globo

Depois que “O Globo” publicou o texto abaixo, fui procurado pelo Servas-MG para uma parceria ao projeto “Segunda Chance – Rodas de Leitura”. A ideia é convocar a sociedade civil para ajudar, na forma de doações de livros literários para compor e melhorar o acervo das bibliotecas prisionais e convidar voluntários para conversar sobre literatura com os presidiários. Uma ponta importante foi costurada nesta parceria: eu tenho know-how para a estratégia mas de nada adianta se não houver um convênio com a Secretaria do Sistema Prisional, que decide a entrada e saída de pessoas e bens duráveis, em uma ponta e com o próprio Judiciário, em outra, permitindo a remissão de pena aos reclusos que topem participar da iniciativa que é, também da parte deles, voluntária. Ou seja, há esperança. E a chave está aí: este é um projeto semente, que pode e deve ser replicado em todos os lugares do Brasil.

Pois conseguimos viabilizar o programa, que começa agora. Só acessar o site www.servas.org.br

E colaborar doando livros ou se inscrevendo como voluntário para as rodas de leituras.

Aqui, o texto:

O bom exemplo foi dado. Mas quem disse que seria fácil?, como perguntam os ingleses… Com cerimônia oficial e pose para foto, o ministro da Educação, Mendonça Filho, e a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, anunciaram ato de doação de 20 mil livros para formação de bibliotecas em 40 presídios brasileiros. Um bom exemplo. Mas este é um assunto espinhoso.

Vamos às contas: são apenas 500 livros para cada unidade prisional. Uma biblioteca módica deve ter, no mínimo, três vezes mais, segundo orientação da ONU. Outra: o MEC informa que o acervo está disponível, ou seja, já estava lá, guardado. É uma boa notícia. Mas se estavam lá, não houve curadoria, não houve escolha dos títulos. Livros, preferencialmente, de literatura de ficção brasileira.

Outra dúvida, localizada no coração do problema: por que o Ministério da Educação, sozinho? Todos sabem que os órgãos ligados ao mundo do livro e da leitura estão subordinados ao Ministério da Cultura. Fazem parte do seu organograma há décadas. Este programa deveria ser entregue ao cargo do ministro Roberto Freire, que, certamente, fará uma gestão balizada e tecnicamente adequada, dada a qualidade de seus pares, como Mansur Bassit, que militou anos na Câmara Brasileira do Livro, e o bibliotecário Cristian Santos, responsável pela Diretoria de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas.

Está em vigor, há anos, a Lei de Remissão de Pena Através da Leitura. Basta o preso ler um livro por mês, fazer um resumo e entregar. Em contrapartida, dias da sua pena serão subtraídos. Por que não informar isso, no anúncio, como um dos motivos? Milhares de encarcerados pelo país já desfrutam deste benefício. São inúmeros os projetos e programas de incentivo ao hábito da leitura no âmbito dos presídios no Brasil. Da pequena Araxá, no sul de Minas, à periferia de Porto Alegre.

O mais importante desta iniciativa é o exemplo. A força de transformação contida no livro é imensa. E de todas as atividades do campo da cultura, a única realmente factível para o presidiário é a leitura, devido ao fator óbvio do confinamento. A leitura é campo fértil para a mudança. Não é por acaso que a Bíblia é o objeto mais caro, mais bem cuidado, mais protegido, ali. Voltando às iniciativas exitosas, a Penitenciária de Montenegro, no Rio Grande do Sul, criou o ofício de facilitador de livros. Tal atividade é necessária por uma questão de segurança: os presos não podem circular até as salas de leitura para buscar os exemplares.

O que o facilitador faz? Enche uma caixa de feira com livros e roda a penitenciária à procura de leitores. Devido à presença dos facilitadores, quase todo o acervo está emprestado. E o melhor: a cada três dias no ofício, um dia a menos na prisão, como remissão de pena. Isso é exemplo.

E como não é fácil, é necessário facilitar: convidem os bibliotecários, especialistas em leitura e responsáveis pelas inúmeras iniciativas já existentes no país no campo do livro no mundo prisional para participar. Por quê? Porque é um bom exemplo. Porque os brasileiros querem ajudar. Porque todos querem participar de uma possibilidade de transformação concreta que a leitura nos presídios proporciona. Façam deste bom exemplo uma ação comunitária, pública, participativa. E confiram os resultados. Será um incêndio de transformação literária, humana e cidadã. Querem apostar?

Go to Top