Lavvi

Posts tagged presos

Professor que usou Bíblia para dar aulas de história a presos recebe prêmio

0
Presos da Penitenciaria Central de Piraquara tem aulas, Plano Estadual de Educacao em prisoes. 09-05-14. Foto: Hedeson Alves

 Foto: Hedeson Alves

Di Gianne percebeu a grande quantidade de Bíblias disponíveis dentro da escola do presídio e decidiu utilizar o livro mais comum do sistema prisional

Larissa Ricci, no Correio Brasiliense

O professor de história mineiro Di Gianne de Oliveira Nunes está entre os 10 vencedores do “Oscar da educação”. Di Gianne, que leciona há 10 anos, colocou em prática um novo método para prender a atenção de seus alunos da Educação de Jovens e Adultos e Ensino Médio (EJA) da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) em Lagoa da Prata, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais: usou a Bíblia para ensinar história aos seus alunos. O prêmio, que reconhece professores de todo o país, foi criado há 19 anos e já reconheceu 211 educadores. Este ano, a Fundação Victor Civita recebeu 5.006 projetos inscritos e 10 foram vencedores da categoria Educadores Nota 10. Di Gianne é o único que representa o estado de Minas Gerais e recebeu o reconhecimento. Agora, concorre como Educador do Ano.

“Regime fechado, visão aberta”, esse foi o nome escolhido por Di Gianne Nunes para seu projeto. Professor de escola pública e privada, foi na Apac que surgiu a ideia de procurar por um método de estudo diferente. “Na unidade prisional, quando eu estava dando aula sobre império romano, um aluno me questionou se existia a possibilidade de estudar por meio da Bíblia. Foi então que percebi que a grande quantidade de Bíblias disponíveis dentro da escola do presídio. Agora, vou utilizar o livro mais comum do sistema prisional a nosso favor”, conta o professor. Ele demorou cerca de dois meses para se preparar para as aulas.

O primeiro desafio enfrentado pelo docente foi separar a fé do histórico. “O cenário da Bíblia é histórico e fértil. Mergulhamos em um trabalho intenso para estudar, analisando as tradições, as culturas e as sociedades dos romanos e dos gregos. Como no presídio os alunos não têm acesso à internet, usamos a Bíblia e os livros de história. Ora líamos um, ora outro e, depois, discutíamos se o fato era comprovado pela arquelogia”, conta. Os alunos aprenderam e se dedicaram: “Eles ficavam ansiosos para as aulas”, diz.
Continua depois da publicidade

As aulas ajudam, inclusive, em outras disciplinas, como literatura e atualidades, para entender os conflitos no Oriente Médio hoje. “Mudou o rendimento na sala de aula. Até na biologia, a lepra, por exemplo, muito citada na Bíblia. Ainda tem preconceito e isso vem desde a época. E tudo isso a gente vai refletindo, desconstruindo.” Além disso, a autoestima dos alunos aumentou e eles ficaram mais confiantes. “A mãe de aluno me ligou e disse, chorando: ‘Meu filho só tinha saído no jornal em páginas policial e, agora, todo mundo voltou a acreditar nele. De repente, ele era vencedor num projeto educacional em nível nacional”, lembra o professor.

Como ele ficou entre os 10 vencedores recebeu R$15 mil. Di Gianne resolveu devidir o valor entre os alunos da turma do EJA: “Nada mais justo. Eles são os protagonistas”, comentou. Agora, no fim de outubro, o professor vai à capital paulista junto com os outros docentes para concorrer ao título de Educador do Ano. Caso fique em primeiro lugar, receberá um vale presente de R$ 5 mil para a escola onde aplicou o trabalho e outro, em igual valor, de R$5 mil, para a escola onde aplicou o trabalho.

Projeto em presídio do ES vai reduzir pena de interno através da leitura

0
Detentos vão frequentar aulas durante o projeto (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Detentos vão frequentar aulas durante o projeto (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Publicado no G1

Um projeto no Espírito Santo está ajudando presos do regime semiaberto a conquistarem a redução de pena por meio da leitura. O “Virando a Página” já funciona em uma penitenciária em São Mateus, no Norte do estado, e foi apresentado nesta segunda-feira (4) a 40 detentos selecionados da Penitenciária Semiaberta de Vila Velha (PSVV), na Grande Vitória.

A ideia é que os presos leiam até 12 livros por ano, o que vai implicar em uma redução de pena de até 48 dias dentro desse período. O objetivo é estender o projeto a outros presídios do estado.

“Há um ano esse projeto começou em São Mateus, vem dando certo, e a gente trouxe essa ideia agora para a Grande Vitória. O projeto piloto começa agora nessa unidade de semiaberto e a intenção é que dando certo, e vai dar, ele comece a funcionar em todas as unidades prisionais do estado”, explicou a defensora pública Roberta Ferraz.

O interno Magno Gabriel Coser vai ler O Pequeno Príncipe (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

O interno Magno Gabriel Coser vai ler O Pequeno Príncipe (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

O curso será coordenado por professores e alunos de uma faculdade particular de Vitória. No final da leitura de cada livro, haverá uma avaliação.

“Eles vão fazer a leitura dessas obras e nós vamos dar todo o apoio logístico, estaremos a todo momento junto a eles, apoiando o trabalho para que eles entendam. Depois, os detentos que têm até o ensino fundamental farão um resumo e os que têm até o ensino médio farão uma resenha, que é algo mais denso”, explicou o pedagogo Antônio Alves de Almeida.

As aulas da primeira turma de Vila Velha começam na próxima semana, mas o primeiro livro já foi escolhido: O Pequeno Príncipe.

“É importante frisar que O Pequeno Príncipe é aquela leitura que quem não leu, tem que ler. A cada idade que você faz essa leitura, da infância até a terceira idade, você descobre coisas novas, por isso ele é um clássico. E ele mexe com a nossa sensibilidade. Quando, por exemplo, o autor diz que você se torna eternamente responsável por aquilo que cativas, isso mexe com qualquer ser humano, é lindo”, disse o pedagogo.

O interno Magno Gabriel Coser foi um dos selecionados para o projeto. Ele disse que está ansioso para começar a leitura.

“Nunca li O Pequeno Príncipe, mas já li outros livros, sou um amante da leitura. Essa vai ser uma nova história, que a gente vai aprendendo dia após dia, como vou aprender com O Pequeno Príncipe agora”, disse.

E opinou sobre o projeto Virando a Página. “Isso ajuda qualquer um que quer conquistar seu objetivo de ir embora, não praticar nenhum delito mais. É uma oportunidade muito grande para nós, que estamos sem o direito de ir e vir.”

A expectativa é de que a leitura traga mais conhecimento e oportunidades para os internos. “Vai ressocializar, vai trazer mais capacitação para os nossos presos na oralidade, na comunicação, autoconhecimento até. isso vai ser estendido para outras unidades semiabertas, unidades fechadas e até a de presos provisórios”, falou a juíza da Vara de Execuções Penais, Patrícia Faroni.

Livros e avaliações

Ao longo do projeto, alguns livros utilizados serão:

O Pequeno Príncipe, de Antonie de Saint-Exupery
O Guardião, de Nicholas Sparks
O Jogo do Anjo, de Carlos Ruiz Zafon
O Fio das Miçangas, de Mia Couto
O Menino do Pijama Listrado, de Jhon Boyne

Os resumos e resenhas serão avaliados por uma equipe voluntária com conhecimentos técnicos na área de educação, sendo necessário que o interno obtenha o mínimo de 60% na avaliação profissional. Serão considerados os grau de instrução e as possibilidades de cada indivíduo.

O projeto Virando a Página é realizado pela Defensoria Pública do Estado em parceria com uma faculdade particular de Vitória e apoio do Tribunal de Justiça do Estado e Secretaria de Estado da Justiça.

500 mil livros estão presos em depósito à espera de licitação no MinC

0

Three Old Book

Livros, que poderiam revitalizar o acervo de espaços culturais como a Biblioteca Nacional, estão lacrados há três anos no local

Paulo Lannes, no Metrópoles

Conhecido por ser o principal símbolo da recuperação do centro histórico do Rio de Janeiro (RJ), o Porto Maravilha também esconde uma evidência do descaso com o setor cultural do país. Em um dos depósitos do local, estão guardados, há três anos, cerca de 500 mil livros – catálogos, romances brasileiros e obras especializadas – pertencentes ao Ministério da Cultura (MinC).

Esses exemplares, de responsabilidade do Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) do Ministério da Cultura, deveriam ser distribuídos para bibliotecas públicas de todo o país. O Metrópoles teve acesso a imagens que evidenciam a situação de abandono do material. Confira:

livros-porto-maravilha-1

livros-porto-maravilha-2

livros-porto-maravilha-3

Doação de livros a presidiários aumenta após reportagem do GLOBO

0
Há também mais 19 bibliotecas vinculadas às escolas públicas que funcionam no sistema prisional, entre elas a do presídio Evaristo de Moraes - Márcia Foletto / Agência O Globo

Há também mais 19 bibliotecas vinculadas às escolas públicas que funcionam no sistema prisional, entre elas a do presídio Evaristo de Moraes – Márcia Foletto / Agência O Globo

 

Biblioteca Nacional encaminhará mais de 1.200 volumes a unidades carcerárias do estado

Caio Barreto Briso, em O Globo

RIO – Após a publicação da reportagem sobre remição de pena pela leitura, no último domingo, muitas pessoas entraram em contato com o jornal interessadas em doar livros para o sistema prisional do Rio. O GLOBO recebeu vinte contatos por e-mail e a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) também foi procurada. A Biblioteca Nacional vai doar 18 kits com 68 livros – 1224 volumes no total – para serem distribuídos nos presídios do estados: são publicações da casa que contam a história de Dona Ivone Lara, Chico Buarque, Aluisio de Azevedo e, entre outros, Machado de Assis. Quem quiser doar pode procurar diretamente a Seap no telefone (21) 2334-6267.

– Estamos montando sete novas nos presídios. Antigamente elas ficavam onde preso não tinha acesso, hoje ficam no miolo das unidades. Estamos providenciando também carrinhos de supermercado para distribuir os livros de cela em cela. Algumas unidades não fazem isso porque não têm como transportar os livros, mas até para isso dependemos de parceria – afirma Patrícia Freitas dos Santos, coordenadora de inserção social da Seap e membro do Conselho Penitenciário do Estado.

A secretaria usa uma viatura para buscar os livros: a Biblioteca Nacional já está esperando o veículo buscar o material doado. Enquanto reforça seu acervo de 40 mil livros, espalhados por 54 unidades prisionais, a Seap elabora em parceria com a UniRio o novo programa de remição de pena para a população carcerária fluminense, que se aproxima dos 50 mil presos. Após ser lançado em novembro e beneficiar 188 presos, agora será formada uma nova turma com 500 internos. A universidade vai usar professores e alunos de Letras voluntários, que ajudarão os presos na escolha do livro e na redação de uma resenha sobre o mesmo, exigência para a remição ser aprovada.

Após essa etapa, as resenhas ainda precisam receber o aval da Vara de Execuções Penal (VEP) e pelo Ministério Público estadual. Cada livro lido equivale a quatro dias de pena a menos, uma garantia prevista na lei federal 12.433/2011, que passou a permitir que, além do trabalho, o estudo também sirva para diminuir pena – a recomendação 44 do Conselho Nacional de Justiça, dois anos depois, formalizou a proposta da remição pela leitura especificamente.

– Poucos presos estudam e poucos trabalham, então a leitura surge como alternativa no processo de ressocialização. O desafio é tornar o projeto uma realidade. E a dificuldade inicial é justamente ter os livros – resume o defensor Marllon Barcelos, coordenador do Núcleo do Sistema Penitenciário da Defensoria Pública.

Além do projeto da remição de pena da Seap, há outras iniciativas de incentivo à leitura. Todas as sextas-feiras, por exemplo, três voluntários da doutrina espírita vão ao Presídio Evaristo de Moraes.

– Sempre levamos livros, espíritas ou não, e eles são disputados, lidos e passados de uns para os outros com alegria e sofreguidão. É algo que nos traz alívio e esperança, mostra quanto um bom livro pode mudar o rumo dos pensamentos ociosos e constantes na revolta e desalento – afirma a voluntária Fernanda Levi.

“VIOLÊNCIA SÓ MUDA COM LIVRO NA MÃO”

Outra iniciativa é da Defensoria Pública, que criou um grupo de leitura no Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica. A cada livro lido, as mulheres ganham um kit com sabonete, shampoo e absorvente – artigos raros nas celas, já que apenas uma a cada quatro presidiárias recebe visitas. O projeto foi idealizado há seis meses pela defensora pública Melissa Razuk Serrano. Na Penitenciária Feminina Joaquim Ferreira de Souza, onde estão 394 presas, muitas abraçaram os livros. Simone, por exemplo, já leu este mês “O processo”, de Franz Kafka, “A Cabana”, de William P Young, “O livro dos espíritos” e “O céu e o inferno”, de Allan Kardec. Ela faz parte do programa da remição pela leitura.

– Quem não lê aqui dentro, emburrece – afirma a interna Elenice.

Patrícia, coordenadora de inserção social e servidora da Seap há 20 anos, fica feliz com o aumento das doações. Para ela, é um jeito de a sociedade “se importar com o que acontece dentro desses muros”.

– Ledo engano achar que a violência vai diminuir com militares ocupando nossas ruas. Só muda com livro na mão.

Literatura contribui para encurtar cumprimento de pena nas cadeias

0
Leitura oferece outros caminhos e liberdade mais rápida aos presos

Leitura oferece outros caminhos e liberdade mais rápida aos presos

 

Projeto implantado no Paraná já se espalha pelo resto do Brasil e é considerado modelo.

Marcelo Nannini, no Blasting News

Quem mora na cidade de São Paulo, já deve ter observado em algumas avenidas um grafite feito nos muros onde se desenhou um alienígena lendo um livro. Ao lado do desenho, o criador fez um pequeno quadro com os seguintes dizeres: “Livro te livra”.

Por outro lado, apesar de não terem a liberdade almejada para ver esse grafite, detentos e presos do sistema penitenciário estão indo ao encontro da ideia pintada no muro.

É que surgiu uma iniciativa pioneira, da qual 3 mil presos participam, propondo a leitura mensal de um livro. Em nome da #Cultura, os presos devem escrever um resumo a ser apreciado e avaliado por voluntários ou professores. Caso passem pelo crivo do avaliador, a pena é diminuída em 4 dias.

O projeto surgiu no estado do Paraná e se estima que de 12% a 15% do total de encarcerados aderiram à Remição pela Leitura, em funcionamento desde 2012.

Mesmo ano em que o projeto entrou em vigor por meio da Lei Estadual do Paraná nº 17.329. Passados quase cinco anos, atraiu a atenção de outros estados brasileiros e chegou às portas da Calábria, na Itália, em 2014.

Reconhecido como sucesso, o Remição de Pena pela Leitura faturou alguns prêmios, como o Prêmio Nacional de Boas Práticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
De que maneira o projeto funciona

O alvo principal é fornecer e dar oportunidade ao detento mais conhecimento, disseminar a educação e promover uma formação cultural a ele. Mas, indo mais a fundo, o “Remição” é um modo de fazer cumprir a ressocialização do preso na comunidade e inseri-lo no convívio social, itens primordiais que constam nas premissas do Código Penal Brasileiro.

Podem participar do programa, todos os presos alfabetizados das unidades penais. A cada início de mês, eles devem escolher um livro na biblioteca localizada dentro da penitenciária.

É importante que a escolha da obra seja condizente com o seu nível escolar. O preso tem o prazo máximo de 20 dias para ler a livro que escolheu e, depois disso, mais 10 dias para produzir uma resenha ou um resumo sobre o que entendeu da história. Feito isso, ele deve apresentar sua redação aos avaliadores que, no caso do Paraná, são professores de Língua Portuguesa. Caso os avaliadores deem uma nota igual ou superior a 6,0, o leitor tem direito a ter sua pena reduzida em 4 dias.

Mas isso só será aplicado, depois de elaborar um relatório de atividade de estudo emitido pelos avaliadores, os quais são vinculados pelos Centros Estaduais de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja), órgão paranaense.

As estatísticas mostram que o projeto vem dando bons frutos: até agora, cerca de 57.300 #Livros já foram lidos e a expansão do projeto alcança outros 46 estabelecimentos prisionais por todo o Brasil.

No estado de São Paulo, em vez de professores, existem voluntários – como jornalistas – que fazem da língua portuguesa o seu ofício e comparecem às prisões, a fim de ler os resumos produzidos e aferir se os detentos compreenderam o que leram..

Quando os presos finalmente obtiverem a liberdade, não serão mais alienígenas; mas se lembrarão de que, um dia, um ou vários livros confirmaram a tese do grafiteiro.

Go to Top