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Jovem supera dificuldade e cria jogos para facilitar o ensino de matemática

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Wilk Oliveira fez games para ‘ajudar aqueles que passam pelo mesmo problema’.
Projeto rendeu prêmio nacional; aplicativos estão disponíveis para download.

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Publicado em G1

Um jovem de 23 anos – que tinha dificuldade em matemática na escola – criou em Pernambuco dois aplicativos para facilitar o ensino da disciplina a estudantes do ensino básico. Wilk Oliveira desenvolveu versões digitais para dois jogos, um de tabuleiro e outro com palitos. O projeto ganhou o prêmio do melhor Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) no Congresso Brasileiro de Informática na Educação.

Ele contou ao G1 que a ideia da virtualização dos jogos partiu do professor Clovis Gomes, da Universidade de Pernambuco (UPE). Dois jogos tradicionais ganharam versões digitais. O primeiro foi “Conquistando com o Resto”.

Um jogo de tabuleiro onde estão dispostos alguns números. Para avançar é necessário jogar o dado – a partir daí, o número da casa é dividido pelo valor em destaque no dado. O resto da divisão é a quantidade de casas que o jogador vai avançar. O segundo jogo digitalizado é o “Desafios com Palitos”. Nele, estão dispostos alguns palitos de fósforos, o jogador precisa fazer equações, desenhos, além de formar algarismos romanos alterando apenas alguns palitos de lugar.

Os jogos foram aplicados em escolas públicas do Agreste. Após a apresentação do projeto pelo curso de Licenciatura em Computação pela UPE em Garanhuns, os aplicativos estão disponíveis para download de forma gratuita no site de Wilk Oliveira.

Wilk Oliveira disse que os jogos estimulam o aprendizado dos conceitos da conversão de valores, dos algarismos romanos e das quatro operações básicas – soma, subtração, divisão e multiplicação. “No início [do projeto] tive dificuldade porque no Ensino Médio eu não sabia muito de matemática. Isso fez com que gerasse em mim o desejo de ajudar aqueles que passam pelo mesmo problema”, afirmou.

Para ele, além do estímulo do ensino da matemática, os jogos são importantes em sala de aula porque trazem a integração do professor com o estudante.

Segundo Oliveira, a brincadeira leva docentes e alunos a momentos de conversação e, consequentemente, à melhoria do diálogo em classe. “É uma avaliação de multiperspectiva, tanto pedagógica quanto computacional, o que gera aprendizado em todos os sentidos”, disse.

O prêmio
Wilk Oliveira ganhou o prêmio de melhor TCC dos cursos de graduação em Informática na Educação do IV Congresso Brasileiro de Informática na Educação (CBIE), promovido pela  Universidade Federal de Alagoas (Ufal), na última semana de outubro. Após seletiva, foram escolhidos seis estudantes para a final e Oliveira saiu vencedor. Ele ganhou um quantia em dinheiro que deve ser revertida na compra de livros, viagens para congressos acadêmicos e cursos.

Mãe de gêmeos cria projeto inovador para melhorar escola pública

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Publicado em Mães de Peito

O que aluno que estuda em uma escola pública gostaria de aprender no ambiente escolar e que fosse além do currículo obrigatório? Aulas de fotografia, música, artesanato, enfim, a ideia é que o aluno sugira o que deseja e o projeto Quero na Escola ajuda a encontrar os voluntários dispostos em tornar aquele sonho da turma em realidade.

A proposta foi idealizada pela jornalista Cinthia Rodrigues, 34, que é mãe de gêmeos de três anos que frequentam uma creche municipal de São Paulo. Ela, que é especializada na área de educação, optou em colocar os filhos na rede pública por acreditar que a educação é a base de tudo e que a sociedade deve participar e exigir uma boa educação sem pagar uma mensalidade, afinal, já pagamos impostos altos para ter esse direito.

A ideia é bem simples: o aluno entra no site do Quero na Escola, pede o que quer e o projeto cria página com os pedidos que ficam à espera do voluntário. “Depois fazemos o processo de agendamento”, comenta.

Cinthia conta que o Quero na Escola pretender dar uma chance para os alunos, principalmente dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio de ter protagonismo sobre seu aprendizado e fazer um mapa de pedidos para quem quer contribuir com a mão na massa. “A ideia é chamar à atenção das pessoas que se sentem de mãos atadas diante da educação pública que temos atualmente. Assim, podem colaborar com o que sabem e gostam”, comenta a jornalista.

Ela diz que a iniciativa surgiu pois estava cada vez mais incomodada ao ver os resultados insatisfatórios nas avaliações das escolas todos os anos, principalmente, no ensino médio. A jornalista destaca que quase metade dos adolescentes abandona a escola e, dos que não abandonam, poucos aprendem de fato pois se interessam pouco pelo que é ensinado. O objetivo é fazer a escola ser um local prazeroso ao aluno, que haja engajamento dele e de seus pais.

Antes de criar o Quero na Escola, a jornalista tinha ideia de fazer algo voltado para os professores. “Mas, conforme fui na raiz dos problemas, percebi que, em não sendo governo, o melhor que podia fazer era ajudar a tornar o aluno mais interessado”, comenta Cinthia, que teve a ajuda de outras três jornalistas.

Inicialmente o projeto é voltado para as escolas públicas de todo o país. “O aluno deve tomar a iniciativa”, ressalta. “Estamos com 10 escolas atualmente, oito em São Paulo, uma em Minas e uma em Florianópolis. Temos pedidos isolados no Rio e em Tocantins, mas ainda não conseguimos confirmar os dados e conversar com todas as partes”, comenta.

“Descobrimos que eles tinham sim vários interesses e a falta de atendimento a eles, de voz, acabava os frustrando e resultando na postura de ‘desinteressados’”, diz a jornalista, que inscreveu seu trabalho no laboratório de inovação social, Social Good Brasil Lab, sem grandes pretensões, mas é uma das seis finalistas entre os 270 inscritos.

Em dois meses, o Quero na Escola já gerou oito visitas de voluntários às escolas para falar sobre artesanato, fotografia, cerâmica, grafite, contração de história e até uma palestra contra o machismo. “A contação de histórias já foi feita três vezes (três voluntárias diferentes) e a palestra contra racismo e machismo acabou sendo para todos os alunos do período noturno da Escola Estadual Joaquim Alvarez Cruz, em Barragem, na extrema zona sul de São Paulo”, comenta. Em dois meses, mais de 300 alunos já participaram.

Cinthia comenta que ainda não há um ‘modelo de negócio’ para que a ideia siga adiante e seja economicamente viável. “Fizemos tudo nos horários vagos entre os nossos trabalhos remunerados e os cuidados com os filhos”, diz.

Nesta quinta-feira (12) como finalista do Social Good Brasil Lab o projeto concorre a um prêmio financeiro para que possa crescer e atender mais escolas e alunos. “Se ganharmos, vamos melhorar a ferramenta para ficar mais inteligente e automatizada. Se a gente só mantiver o atual índice de crescimento, no ano que vem estaremos com milhares de atendidos e muitas escolas e pessoas serão ‘apresentada’”, planeja.
O projeto vencedor poderá ser voltado por qualquer internauta entre às 17h e 19h. Cada pessoa pode votar apenas uma vez.

Projeto incentiva escrita em escola e na Fundação Casa

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Além de melhora na gramática, livros fazem jovens desenvolverem criatividade e autoestima; professor adota ensino personalizado

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Victor Vieira, em Estadão

Geralmente temida pelos alunos na hora da prova, a página em branco se tornou um convite à criatividade. Um projeto feito em uma escola municipal e duas unidades da Fundação Casa em São Paulo incentiva estudantes a escreverem livros como atividade pedagógica. Além de desenvolver a imaginação, o trabalho ajuda a melhorar a escrita e a autoestima dos jovens.

O professor de Português Luis Junqueira, coordenador do projeto Primeiro Livro, trabalha com a proposta desde 2009, em colégios particulares. Neste ano, ele conseguiu migrar para a rede pública, em caráter experimental. A escrita de obras em sala de aula também está sendo adotada em duas escolas de São Miguel dos Campos, em Alagoas. A Fundação Lemann e o Instituto Inspirare são apoiadores do projeto. Junqueira agora lançou uma campanha de financiamento coletivo para custear a impressão dos livros de seus alunos.

As crianças e jovens têm liberdade para a escolha do tema – de ficção ou baseado em fatos reais – e também são responsáveis pelas ilustrações. Cada capítulo é acompanhado por Junqueira e sua equipe, durante encontros presenciais ou por arquivos virtuais compartilhados. Os retornos são feitos em mensagens de texto ou videoaulas, que indicam erros e sugestões.

Na Escola Municipal Campos Salles, em Heliópolis, na zona sul, o projeto é feito com alunos do 5.º e do 8.º anos do ensino fundamental. “Muita gente ia mal em Português e agora sabe usar a pontuação, os parágrafos, por causa do projeto”, conta Emily Santos, de 11 anos, que sonha dar aulas de Português quando adulta. “Gosto muito de ler e escrever”, acrescenta ela, do 5.º ano.

Segundo a coordenadora pedagógica da escola, Amélia Arrabal Fernandez, o contato mais frequente com as palavras trouxe confiança aos alunos. “Eles têm costume de dizer que não sabem e depois ficam perplexos de ver que conseguiram”, explica. As crianças também se ajudam, compartilham dicas, dificuldades e conselhos para os rumos dos personagens dos colegas.

“Pensei que ia ser difícil, mas agora meu livro está praticamente pronto”, conta Renato Salgado, também de 11 anos, autor de uma história sobre moradores de rua. “No fim do ano, quero ter sucesso e dar vários autógrafos”, prevê ele, do 5.º ano do fundamental. Os autores mirins terão direito a uma festa de lançamento dos livros, com direito a pelo menos 20 obras para cada um.

O desafio, confirma Luiz Junqueira, é menos complexo do que parece. “Nessa idade, as crianças são criativas e abertas. Nosso trabalho é sistematizar”, explica. A orientação dos professores envolve tarefas diversas: desde o debate de técnicas narrativas – como construção de personagens – até lidar com o bloqueio de imaginação dos pequenos autores.

Como permite a cada aluno seguir um ritmo, a aprendizagem no projeto é personalizada. “Aquele com problemas em vírgulas ou reticências, melhora na pontuação. Outro, em nível sofisticado de texto, aprende mais sobre estilos literários”, diz. “Eles também passam a ver diferente o outro e dão um salto de maturidade.”

Superação. Fechados na Fundação Casa, os internos reencontram a liberdade ao se dedicar à escrita. “O projeto me ajuda a voltar a sonhar e controlar a ansiedade aqui dentro”, relata Carlos (nome fictício), de 18 anos, interno da unidade da Vila Maria, na zona norte.

“Quando ficar pronto, quero mostrar esse trabalho para minha avó”, conta ele, autor um livro de auto-ajuda, que mistura experiências pessoas e reflexões sobre a vida. “Quero trabalhar sobre esperança, perdão e recomeço.”

Entre os adolescentes que cumprem medidas socioeducativas, os temas dos livros mudam. “A dimensão da realidade é distinta. Na Fundação Casa, estão bem ligados ao concreto, ao real. Na escola particular, o aluno costuma ir pelo universo da fantasia”, diz Junqueira. Histórias de superações, em busca do final feliz, também são recorrentes.

Aos internos, a participação é facultativa. A sexta-feira de aulas é o segundo dia mais esperado pelos autores da Fundação – a exceção é o sábado, quando recebem visitas da família. “O preconceito que sofremos é grande. Fazer o livro mostra que todos temos potencial”, afirma Mário (nome fictício), de 17 anos.

Projeto brasileiro para lixo orgânico vence disputa internacional em SP

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Equipe do IFG-GO foi premiada em competição latino-americana.
Estudantes desenvolveram processador que diminui volume do lixo.

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Publicado no G1

Uma equipe brasileira formada por seis estudantes e uma professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG-GO) foram premiados por desenvolver um processador de resíduos orgânicos domésticos. A máquina é baseada na compactação e diminuição do volume do lixo.

A apresentação da equipe levou o prêmio de melhor apresentação durante competição latino-americana de inovação, a I2P Latin America, realizada na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, na última semana.

Os brasileiros desenvolveram um processador de resíduos que tritura, compacta e drena líquidos residuais para reduzir o lixo orgânico doméstico.

Segundo a professora Sandra Longhin, participante do projeto, o aparelho facilita o trabalho de compostagem dos resíduos orgânicos inadequados para o aterro sanitário.

“Sabemos que 60% do lixo doméstico é composto de resíduos orgânicos, inadequados para o aterro sanitário”, disse Sandra. “Com o equipamento, o que resta dos resíduos vai diretamente para a compostagem.”

A máquina desenvolvida pelos jovens com o auxílio da docente também promete reduzir o custo do transporte de material inaproveitável devido à redução do volume do lixo. O grupo pretende desenvolver planos de gestão de resíduos para aplicação em condomínios de casas e apartamentos da cidade de Goiânia.

Além da professora Longhin, a equipe vencedora contou com a participação dos estudantes Bruno Alves Rocha e Nadine de Paula Santos, do curso técnico em controle ambiental; Victor Carrijo Guimarães, técnico em mineiração; Rafael Sforni Mota, de engenharia mecânica; Wesley Rosa de Mesquita, de engenharia ambiental; e Augusto Sérgio Patrocínio, técnico em edificações.

Projeto do MIT identifica ‘nerds’ que são ‘reis da gambiarra’ em favelas do Rio

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Gambiarra Favela Tech estimula potencial criativo e artístico de jovens e ensina conceitos básicos de matemática e física.

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Publicado no G1

Pamella está grávida do segundo filho, tem 24 anos, quer estudar psicologia, e mora em Vigário Geral. Luiz tem 19 anos, está em dúvida entre ser arquiteto ou artista plástico e mora em Realengo. Davi tem 14 anos, ainda vai decidir se quer ser advogado ou enfermeiro e mora em Pilares.

Em comum, os três jovens de bairros de periferia do Rio de Janeiro têm a vocação para criar “engenhocas” – ou “gambiarras” -, verdadeiras invenções da engenharia doméstica, e participam do primeiro “Gambiarra Favela Tech”. O projeto tenta identificar “nerds” em diferentes comunidades cariocas, colocando-os em contato, estimulando seu potencial criativo e artístico e ensinando conceitos básicos de matemática e física.

A iniciativa é do laboratório digital Olabi e da ONG Observatório de Favelas em parceria com a Fundação Ford e o MIT (Massachusetts Institute of Technology). O projeto é uma tentativa de devolver a cultura “maker” às suas origens: as oficinas e garagens onde pequenos “gênios” anônimos desenvolvem soluções para os problemas do cotidiano – usando princípios de elétrica, eletrônica e informática, com uma boa dose de criatividade.

Para serem selecionados, todos tiveram de provar alguma habilidade. Há os que montam e desmontam computadores, criam sistemas de iluminação com extensões improvisadas, consertam ventiladores, desenvolvem adaptadores para tomadas, montam pequenos geradores e até lidam com softwares de código aberto.

Ricardo Palmieri, artista digital e especialista em interfaces interativas que trabalha há dez anos com oficinas nos campos da robótica, eletrônica e audiovisual, explica que o termo “maker” é a forma atual para descrever os improvisos criados ao redor do mundo, seja em badalados laboratórios de inovação, comunidades de países em desenvolvimento ou na boa e velha garagem de um avô “professor Pardal”, que “todo mundo tem ou conhece alguém que tenha”.

Ao ministrar as duas semanas de oficinas para Pamella, Luiz, Davi e outros nove colegas num galpão no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, Palmieri trabalha com três objetivos básicos: estimular a originalidade nas soluções, aproximá-los da física e da matemática e romper com preconceitos contra os materiais recicláveis, buscando peças em locais diversos que vão desde a rua até um lixão ou um ferro-velho.

“Alguns vêm de uma situação social mais vulnerável, outros nem tanto, mas todos são moradores de favela ou periferia. É interessante ver como muitos deles dizem ser chamados de ‘malucos’ por pegarem coisas do lixo para montarem suas traquitanas, mas aos poucos vão dando um valor de engenharia e arte a isso, aumentando a autoestima e vendo que podem chegar a resultados surpreendentes”, conta.

‘Mesma espécie’
O clima de criatividade e empolgação no Galpão Bela Maré, que leva o nome do complexo de favelas atualmente em processo de pacificação, contagia quem visita a oficina com adesivos coloridos e cartazes espalhados pelas paredes e um burburinho constante em torno das criações.

“A gambiarra é essa coisa de teste mesmo. Você junta uma coisa com a outra e vai vendo no que dá, é instintivo”, diz Pamella Magno Braga. Para ela, a sensação de trabalhar com os outros 11 colegas é como “encontrar pessoas da mesma espécie”.

Gabriela Agustini, do laboratório digital Olabi, explica que essa é justamente a ideia do projeto. “Não esperamos que após duas semanas eles criem invenções mágicas que resolvam todos os problemas das suas comunidades. O interessante é ver que esses meninos e meninas que já criam suas próprias soluções, mas nunca deram a isso o nome de robótica ou eletrônica.”

Segundo ela, cada um recebeu uma bolsa de R$ 500 para custear despesas de transporte e alimentação e poder se afastar de seus empregos pelo período.

MIT e favelas
O Olabi integra a rede Fab Lab, de mais de 200 laboratórios de inovação, criada em 2009 por um programa sem fins lucrativos do MIT e atualmente presente em 40 países.

“Selecionamos jovens de diferentes idades e interesses, inspirados por essa filosofia de que é na diversidade que acontece a inovação”, diz Gabriela Agustini. Ao identificar talentos ‘nerds’ em favelas e comunidades de diferentes partes do Rio, os organizadores esperam impactar o futuro desses jovens, potencializando suas capacidades e abrindo novas oportunidades.

Com apenas 14 anos, Davi Leite Pereira deixa claro que já entendeu o conceito de “networking”. “Todo mundo aqui se identificou muito rápido. Vamos ficar em contato depois.”

Gilberto Vieira, gestor de projetos do Observatório de Favelas, explica que, ao término da oficina, o Galpão Bela Maré abrigará um laboratório “maker” de forma permanente, e que a ideia é que os jovens das comunidades do entorno passem a ver a cultura criativa como algo “descolado” e interessante, propiciando um ambiente fértil para identificar novos talentos.

“A gambiarra é genuinamente favelada. É onde a luz e a internet não chegam direito, onde os serviços são irregulares, a janela não fecha e as coisas precisam de conserto logo. O ‘hype’ se apropriou disso e criou a cultura ‘maker’, e agora estamos trazendo isso de volta para a favela”, conclui.

Conheça um pouco mais sobre três dos 12 selecionados pelo Gambiarra Favela Tech:

Davi Leite Pereira, de 14 anos, estudante

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“Vou descobrir muitas coisas novas nesse curso. Por exemplo, tem fios negativos e positivos. Essa nem minha mãe sabia”, conta o menino Davi Leite Pereira, de 14 anos, que já ganhou o apelido de “mascote” por ser o mais novo do grupo.

Nascido na Vila Kennedy, comunidade da Zona Oeste do Rio, ele agora mora em Pilares com os três irmãos, o padrasto e a mãe, para quem a seleção no Gambiarra Favela Tech não deve ter sido grande surpresa.

“Minha mãe também faz muita gambiarra e me incentiva, mesmo quando meus irmãos me chamam de maluco. Eu conserto coisas em casa desde pequeno. Uma vez abri um ar-condicionado inteiro e depois não sabia montar de novo. Já mexi com extensões elétricas e também criei uma tomada nova para um ventilador, emendando o fio num benjamim”, conta.

Ele diz que “se amarra” em origamis (dobraduras de papel japonesas) desde criança e que tudo começou com a curiosidade pelos eletrônicos e a necessidade de arrumar aparelhos quebrados em casa, mas agora quer ir mais longe.

O plano é “entender mais de eletrônica e informática”, embora pense em cursar faculdade de direito ou enfermagem, mas também se interesse por grafite e artes plásticas. Para ele, o contato com os novos conhecimentos e a interação com os colegas têm sido motivo de empolgação.

“Já aprendi coisas que eu nem imaginava. Agora peguei um forninho elétrico num ferro-velho e pretendo construir uma caixa de surpresas ou um boneco. E, se esquentar demais, peguei um motorzinho para criar um mini ventilador que vai acoplado”, explica.

Luiz Cláudio de Almeida Santos, de 19 anos, estudante
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Acompanhar o raciocínio de Luiz Cláudio de Almeida Santos, de 19 anos, requer atenção e concentração redobradas. O que para o interlocutor é uma série de pequenas invenções e engenhocas, nada mais é do que o dia a dia normal do carioca de Realengo, bairro da Zona Oeste do Rio, que faz curso técnico de desenho de construção civil com bolsa do governo federal.

Se a caixa de som estragou porque o cabo de alimentação queimou, ele adapta o fio para um cabo USB. “Ficou melhor, porque agora carrega no computador, tablet, liga no celular. Gostei mais”, conta. Se não tem um suporte de mesa para poder olhar o smartphone enquanto trabalha, cria uma base articulada de improviso.

E, como se não fosse suficiente, ele explica que o suporte para o celular era necessário para poder olhar mensagens “enquanto monto e desmonto um computador, troco as memórias. Mas notebook é mais complicado, porque as peças são totalmente diferentes”.

Passatempo antigo do garoto, montar e desmontar eletrônicos é algo que ele faz com desenvoltura, apesar de nunca ter estudado para isso. “Ventilador é fácil. Sempre quis mesmo era entender como o computador funciona, e meu sonho era construir um robô”, conta, acrescentando que quando precisa de uma ferramenta mas não tem dinheiro para comprar, costuma improvisar e criar seus próprios utensílios.

Além do talento para a tecnologia, Luiz gosta de desenhar, pintar, e de ler mangás (quadrinhos japoneses). Ele tem na internet seu grande aliado: “Quando não sei fazer alguma coisa, vejo vídeos no You Tube. Assisto com atenção e vou aprendendo”, conta, enquanto rabisca algo no papel.

Ao fim da entrevista, mostra o resultado: “um lagarto gigante com um braço mecânico” e explica o que mais tem chamado sua atenção nas oficinas. “Estou gostando dessa liberdade que eles estão passando para a gente. Posso fazer algo mais artístico, mas também posso entender de coisas técnicas e juntar as duas coisas”, conta.

Questionado sobre o futuro, o carioca diz que gostaria de ser arquiteto, para tornar os ambientes do seu bairro mais “agradáveis”.

“No subúrbio, os pedreiros não são muito criativos. Fazem tudo quadrado, de qualquer jeito. Eu gostaria de ajudar as pessoas tornando as casas mais aconchegantes, mais direcionadas para o que elas precisam”, diz.

Pamella Magno Braga, de 24 anos, estudante
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Estudante do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pamella Magno Braga, de 24 anos, trabalha há três como bolsista num ponto de cultura digital, um programa do Ministério da Cultura – o que tem aumentado seu interesse por gambiarras.

“Sempre gostei de mexer com elétrica, inventar coisas. Já criei uma luminária a partir de uma extensão, fazendo várias emendas, e cada uma acendia uma lâmpada. Funcionou por pouco tempo, mas funcionou”, conta, bem humorada, a carioca de Vigário Geral, comunidade da Zona Norte do Rio.

Mãe de Fernando, de três anos, ela aguarda a chegada de Augusto para setembro, e diz que o marido aprova as engenhocas. “No verão teve um dia que estava fazendo muito calor, e não tínhamos ventilador. Eu me dei conta que o vento vinha da janela do corredor, e montei umas cartolinas cortadas como velas de navio, para canalizar a brisa para o quarto. Deu certo, ficou fresquinho”, explica.

Acostumada a lidar com softwares livres, onde o usuário ajuda a criar o código dos programas, ela também é viciada em garimpar peças e aparelhos na rua e em depósitos. A jovem diz que recentemente levou um botão de semáforo de pedestres para casa, mas ainda não sabe o que vai inventar com ele.

“Vou levar essa oficina para o ponto de cultura digital, vou reproduzir isso por lá. O que estou aprendendo aqui vai me ajudar, sem dúvida, porque estou vendo que você pode implementar o conceito de gambiarra para tudo, desde as soluções mais caseiras até coisas eletrônicas mais complexas. O importante é improvisar”, afirma.

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