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Alunos deixam livros em pontos de ônibus para incentivar leitura, em GO

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Projeto é realizado no Conjunto Riviera, em Goiânia, desde início do ano.
População, que pode levar livros gratuitamente, é estimulada a doar itens.

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Publicado no G1

Um projeto desenvolvido por alunos do Colégio Metropolitano, que fica no Conjunto Riviera, em Goiânia, visa promover o hábito pela leitura. Os estudantes deixam livros nos pontos de ônibus e, enquanto esperam pelo transporte, os usuários podem passar o tempo e adquirir cultura. Além disso, a ação incentiva que as pessoas doem os livros que não são mais usados para que outros possam usufruir do conhecimento.

O projeto “Leitura no Ponto” é realizado desde o início deste ano. “Nós vimos a necessidade de influenciar os nossos alunos para a leitura, assim como todas as pessoas do bairro em que a gente mora. Com isso, surgiu a ideia de colocar os materiais nos pontos, quando a população está ociosa. Aí, ela pode se distrair e ao mesmo tempo aprender”, afirmou a professora Iara Dias.

No total, os alunos já arrecadaram cerca de 200 livros, que foram distribuídos pelo bairro. Pelo menos três vezes na semana um grupo sai pelas ruas, acompanhado pelos diretores e professores, para repor e reorganizar as publicações. “Muita gente que não tem condições, então o projeto é um incentivo a leitura”, ressaltou a estudante Luiza Vieira.

O diretor do colégio, Paulo Cesar Arcanjo, diz que a ideia já traz resultados positivos. “O que mais impressiona as pessoas é a liberdade de poder pegar um livro e levar para casa, gratuitamente. Aí, quando a gente chega para repor esse material, as caixas continuam cheias por outros livros que foram doados por elas”, relatou.

O estudante Kelvin Leonardo, que estava em um dos pontos esperando o ônibus, aprovou a iniciativa dos alunos. “Acho interessante, pois é um tempo ocioso, que você não está fazendo nada, e qualquer leitura é bem-vinda”, disse.

Já o aposentado João Gualberto destacou que o projeto ajuda a amenizar o tempo de espera pelo transporte. “Demora, quando perde um [ônibus], tem que esperar pelo outro e, com os livros, fica melhor”, disse.

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Escola pública do DF é premiada três vezes em Olimpíada de Matemática

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A estudante Luísa Karoline participa do projeto "Matemática todo dia" do CEM (Centro de Ensino Médio) 9 de Ceilândia (DF). "Por morarmos em uma região pobre de Brasília, somos criados a nos formar e procurar um emprego simples. Agora, faculdade, mestrado e doutorado estão presentes cada dia mais em nossos planos", afirma (Foto: Roberto Jayme/UOL)

A estudante Luísa Karoline participa do projeto “Matemática todo dia” do CEM (Centro de Ensino Médio) 9 de Ceilândia (DF). “Por morarmos em uma região pobre de Brasília, somos criados a nos formar e procurar um emprego simples. Agora, faculdade, mestrado e doutorado estão presentes cada dia mais em nossos planos”, afirma (Foto: Roberto Jayme/UOL)

Jéssica Nascimento, no UOL

Muito esforço, motivação e amor pelos estudos. Segundo alunos e profissionais do CEM (Centro de Ensino Médio) 9 de Ceilândia (DF), este é o verdadeiro segredo para manter o título de colégio premiado três vezes na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas).

O primeiro título veio em 2007, fruto da inclusão do projeto “Matemática todo dia” que ocorre no turno contrário às aulas, todas as quintas-feiras entre 19h e 22h. Desde a criação, a iniciativa já atendeu mais de 350 alunos.

Segundo a professora Paula Nishikawa, a vitória não causou espanto.

“Trabalhamos arduamente durante três anos com os alunos, sabíamos que essa luta iria nos trazer recompensas. No entanto, quando soubemos do resultado foi uma emoção que tomou conta de toda a escola”, explica a professora de matemática.

Jogos de raciocínio lógico, filmes e aulas interativas fazem parte da rotina dos alunos no projeto. O diretor do CEM 9 José Gadelha conta que os estudantes participam por vontade própria e não faltam a nenhuma aula.

“Os estudantes mais velhos trazem os mais novos, participam ativamente como voluntários. Nossos ex-alunos que já estão na UnB (Universidade de Brasília) também fazem questão de frequentar o projeto”, diz.

Luísa Karoline, Douglas Alves, Cleverson Messias, Luana Soares, Everton Fernandes e Adeson Willard, todos entre 16 e 17 anos receberam menção honrosa da OBMEP.  Já Edgar Sampaio, conseguiu a medalha de prata. Para ele, foco e disciplina fazem a diferença na hora de fazer a prova.

“Estudo diariamente 3h e também refaço os testes. Quero ser professor de matemática ou engenheiro aeroespacial”.

Quebrando barreiras

A idealizadora do projeto Alessandra Lisboa, 40 anos, se emociona ao falar da iniciativa. Ela conta que o “Matemática Todo Dia” nasceu de uma inquietação pessoal de como mudar a relação da matéria no colégio e como auxiliar os jovens a irem mais longe.

“Pensar que uma escola inserida num contexto de vulnerabilidade social, que tinha tudo para dar errado e que está dando certo, sendo transformada, e provando transformações na vida dos estudantes é algo maravilhoso”.

A estudante Luísa Karoline, 16, ressalta a importância do projeto na vida acadêmica. Ela agora, poderá sonhar de verdade com um futuro promissor. “Por morarmos em uma região pobre de Brasília, somos criados a nos formar e procurar um emprego simples. Agora, faculdade, mestrado e doutorado estão presentes cada dia mais em nossos planos”.

Os alunos também reclamam da falta de incentivo em outras escolas. Segundo eles, muitos professores passam apenas o básico e não se preocupam em mostrar a matemática aplicada no dia-a-dia. “Temos que olhar por trás dos números e saber o que significa a história e o contexto de uma equação, por exemplo.

Consigo resolver diversos problemas na minha vida utilizando a matéria”, diz Douglas.

Professora espalha 120 livros em Araraquara para incentivar a leitura

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Darcy Aparecida Dantas arrecadou parte das obras com parentes e amigos.
Cada exemplar distribuído nas ruas é acompanhado por bilhete de estímulo.

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Publicado no G1

Uma moradora de Araraquara (SP) apaixonada por literatura resolveu espalhar livros pela cidade. A ideia é levar às pessoas nas ruas alguns títulos de bibliotecas e facilitar a leitura diária. Em três semanas, ela já deixou 120 obras em quatro bairros.

“Se as pessoas não vão até os livros, eu levo os livros até as pessoas. Ler é um dos meios para a gente viajar e conhecer mundos”, justificou Darcy Aparecida Dantas, professora, escritora e integrante da Academia de Letras da cidade.

Ela contou que se inspirou em projetos desenvolvidos na região para colocar a ideia em prática e arrecadar os livros. Alguns exemplares faziam parte de sua coleção e outros foram doados por parentes e amigos. Uma vez entregues para o projeto, os títulos foram embalados em plásticos para evitar que se deteriorassem com a chuva e cada um ganhou um bilhete de incentivo.

Um deles chegou ao aposentado Francisco Paiva Neto. Ele encontrou uma obra no banco da Praça da Matriz e não perdeu tempo. “Eu adoro livros, adoro ler e gostaria que muita gente fizesse o mesmo para aprender um pouco mais, para ter mais noção da vida e para pararmos de ser tão ambiciosos”, comentou.

Petrônio Alves de Azevedo também encontrou um exemplar. O livro estava no ponto de táxi onde trabalha. Ele contou que viu duas pessoas passando pela embalagem, mas elas não se interessaram e ele decidiu se aproximar. “Eu gosto muito de ler, então para mim é um tesouro. Você acaba se transformando no personagem do livro e vive a história”, disse.

Agora ele tem um companheiro enquanto espera por passageiros e sabe que, quando acabar a aventura, deve passá-la adiante. “Há pessoas que não têm condições de comprar um livro e, quando você passa, dá o direito de outras pessoas aprenderem também”.

Projeto ensina Libras para alunos, professores e comunidade do ES

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Atividade é realizada na escola Marina Barcellos, em Vila Velha.
Famílias e professores dizem que contato melhorou após início das aulas.

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Publicado no G1

A necessidade de promover uma comunicação eficaz entre estudantes com deficiência auditiva e ouvintes fez com que uma escola municipal de Vila Velha, na Grande Vitória, decidisse abrir as suas portas aos sábados para ensinar a Língua Brasileira Sinais‎ (Libras) a estudantes, professores, funcionários da unidade de educação e comunidade. Com a utilização de diversas atividades, incluindo exercícios com música, os participantes do projeto ‘Libras: ouvindo e aprendendo a cultura surda’ contam que os resultados positivos já podem ser sentidos dentro da sala de aula e de casa.

Atualmente a escola Marina Barcellos, localizada no bairro Araçás, possui quatro estudantes deficientes auditivos, com idades de oito e 11 anos. De acordo com o professor Valdeir dos Santos, responsável pela iniciativa, a ideia surgiu ao perceber a dificuldade que os alunos que não ouviam tinham para estabelecer contato com as demais pessoas. “Quando eu comecei a trabalhar na escola, eu percebi que as famílias não sabiam Libras para se comunicar com as crianças em casa. E não adianta só o aluno aprender na escola. Então nós estamos disseminando a Libras para facilitar essa comunicação”, declarou.

A ação ganhou apoio e integrantes, incluindo a diretora da escola, Roseliene Vionet. Ela é uma das profissionais da escola que decidiu aprender a linguagem de sinais para melhor entender as prioridades de cada estudante. “Quando essas crianças começaram a chegar, nós começamos a sentir essa necessidade. Elas chegavam perto da gente segurando as roupas íntimas e a gente achava que era vontade de ir ao banheiro, mas era fome, porque a barriga doía”, relembra a educadora.

A diretora também explicou a necessidade de abrir a atividade para os pais. “Porque eles ensinaram o que eles entendiam ser certo, mas hoje eles já não entendiam mais. Hoje todos nós viemos para o projeto, porque os professores, as crianças e os moradores sentem essa necessidade”, disse.

Para as professoras que mantêm contato todos os dias com esses estudantes, os pontos positivos são fortemente sentidos no trabalho e no resultado conquistado pelos estudantes. “A gente tem feito um trabalho bem melhor agora, porque a gente compreende mais o aluno e ele tem mais rendimento em sala”, declarou a professora Cristina Meirelles.

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Libras em casa

Uma das beneficiadas com as aulas foi estudante Laisla Amaral, de nove anos. Filha do meio, ela possui outros dois irmãos que nasceram sem a audição. Sem conhecer os sinais, ela contou que a relação entre eles acabava se tornando complicada. “No começo era difícil para mim, porque eu não entendia nada. Quando vim para essa escola, eu aprendi a Libras e consegui falar com meus irmãos”, explica a garota.

Se entre os filhos a situação já era complicada, para os pais das três crianças não ter uma ferramenta eficaz de comunicação de tornou um problema. A dona de casa Gilmara do Amaral relembra que tudo ficou ainda mais complicado após os filhos começarem a fazer parte do projeto e abandonar os velhos sinais.

“Quando chegou a estudar Libras, nossa senhora, mudou tudo e a gente ficou perdido. Eu chegava na escola e conversava com a professora e com a diretora que eu não estava entendendo o que os meninos chegavam em casa e falavam. Foi quando surgiu a oportunidade de estar trazendo a comunidade, os professores da escola os funcionários, porque ninguém sabia se comunicar com eles”, esclareceu.

Mesmo para quem passou anos sem aprender a linguagem, poder começar agora tem se tornado uma grande experiência. A integrante Elane Soares tem dois sobrinhos deficientes auditivos. “Logo quando eles nasceram, o mais velho hoje está com 22 anos, foi uma dificuldade muito grande. Hoje a gente se orgulha por ter dois surdos na nossa família”, comentou.

De porta em porta pelo Brasil

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Projeto Poesia Viva – A Poesia Bate a Sua Porta completa cinco anos e comemora 31 mil livros distribuídos pelo país

Abrangência. A criadora do projeto, Andreia Donadon Leal, durante entrega de exemplares em Serra do Carmo, um distrito de Mariana

Abrangência. A criadora do projeto, Andreia Donadon Leal, durante entrega de exemplares em Serra do Carmo, um distrito de Mariana

Vinícius Lacerda em O Tempo

A inquietude causada pelo excesso de livros guardados em casa e a vontade de estimular a leitura na cidade de Mariana encorajaram a escritora e artista plástica Andreia Leal a começar, ainda em 2009, o projeto Poesia Viva – A Poesia Bate à Sua Porta, que leva obras literárias a variadas residências familiares da cidade.

“Depois que me casei com J.B. Donadon-Leal (escritor e professor da Universidade Federal de Ouro Preto), vi que ele tinha muitos livros parados em casa. Eu achava aquilo um absurdo: todas aquelas obras envelhecendo, sendo que outras pessoas poderiam estar lendo. Daí resolvi distribuir”, conta Andreia.

Não por acaso, a primeira beneficiada foi a vizinha de Andreia. Em seguida, ela passou a caminhar até outros bairros da cidade histórica para levar os livros, e mais tarde a outras cidades, como Santa Bárbara, Ouro Preto e Viçosa.

Não tardou para que o projeto tomasse forma e ficasse nacionalmente conhecido. No mesmo ano de sua criação, recebeu o Prêmio VivaLeitura, concedido pelo Ministério da Cultura. “Na época, quando o ministro Juca Ferreira estava fazendo o discurso para anunciar o vencedor, ele disse que o ministério atuava em duas linhas para estimular a leitura: bibliotecas e escolas. Em seguida ele completou, afirmando que faltava uma terceira: a família. Quando ele disse isso, tive certeza que tínhamos vencido”, recorda-se.

O motivo da convicção ao ouvir o anúncio vem de um dos alicerces do projeto. Ao distribuir os livros, que reúnem doações variadas e obras de sua autoria, Andreia não apenas os entrega, mas faz questão de conversar com todos os moradores da casa. “Com o tempo, percebemos que, ao abordar uma família, conseguimos atingir outras duas ou três, pois elas passam os livros adiante”, relata.

Com relação ao estímulo, Andreia garante que o projeto atinge pessoas de todas as idades e atribui esse alcance às conversas estabelecidas com cada participante do projeto. “Eu sempre falo que não precisa ler um livro todo de imediato. Leia um conto todo dia ou de três em três dias, do jeito que achar melhor. O importante é inserir isso na rotina, assim como tratamos o trabalho e a resolução de problemas. Mas é preciso que o livro esteja lá, e, por isso o projeto é importante”, sublinha. “E não importa se a pessoa é alfabetizada ou não, o contato com o livro vai além disso”.

Ainda sobre o fomento à leitura, Andreia enxerga que o ineditismo do projeto está no fato de reverter uma ordem há muito estabelecida. “Temos como objetivo desmitificar a figura do escritor e fazemos isso, acredito, ao percorrer um caminho contrário: em vez de o leitor ir em busca do livro, o escritor leva o livro até o leitor. Quanto o próprio autor bate na porta e conversa com você, o incentivo é bem maior”, afirma.

Obstinação. Desde o seu surgimento, o Poesia Viva cresceu. Atualmente, a artista computa 31 mil livros distribuídos por 17 cidades do interior de Minas Gerais, incluindo comunidades quilombolas, e por outros 13 Estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e Distrito Federal. Também começaram a entregar em empresas. “Tudo começou com uma mineradora cujos funcionários estavam muito estressados. Nós levamos os livros até lá e, agora, na hora do almoço, eles leem”, relata.

Desde a origem da iniciativa, Andreia faz esse trabalho apenas com o suporte da Prefeitura Municipal de Mariana. Para a distribuição local, ela sempre conta com a ajuda de voluntários.

“Nunca tivemos nenhum patrocínio. O dinheiro que ganhamos em 2009 (R$ 30 mil) serviu para imprimir livros de escritores locais, que foram distribuídos gratuitamente. Acho que não temos sorte, mesmo com muita visibilidade. Nem espero mais por um patrocínio, já estou acostumada”, afirma, lamentando o fato de ter enviado projetos para diversos editais e leis de incentivo, mas sempre sem sucesso.

Para continuar essa empreitada, ela pondera, o combustível mais eficaz é o retorno que tem dos beneficiados. “Teve esse garoto que perdeu o pai, e a mãe começou a entrar em depressão. Depois que passamos na casa dele, eles começaram a ler juntos, a mãe melhorou, e hoje o menino até escreve poesias. Esse resultado é fantástico, e isso me faz seguir em frente”.

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