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Jovem do Ceará diz ter recebido tema de redação do Enem antes da prova

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Imagem da folha de redação teria sido enviada por WhatsApp; Polícia Federal do Piauí investiga denúncia de vazamento

Publicado por Último Segundo

Um adolescente de Fortaleza (CE) afirmou ter recebido no celular a imagem da folha de redação do Exame Nacional do Ensino Médio 2014 (Enem) antes do início da prova.

O jovem disse em entrevista ao jornal Bom Dia Brasil, da TV Globo, que a foto com o tema da redação “Publicidade infantil em questão no Brasil” lhe foi enviada às 10h50 de domingo (9) por um amigo de Campina Grande (PB). Pouco mais de uma hora antes do início da prova.

“Se chegou a mim lá de Campina Grande, já deve ter vazado para muitos outros Estados”, afirmou o estudante, que não quis se identificar.

Até ontem, a Polícia Federal do Ceará não havia recebido nenhuma denúncia de vazamento do tema de redação do Enem.

Reprodução/Facebook Candidato do Piauí denunciou vazamento do tema de redação do Enem 2014

Reprodução/Facebook
Candidato do Piauí denunciou vazamento do tema de redação do Enem 2014

Polícia Federal do Piauí investiga denúncia

Na quarta-feira (12), um estudante do Piauí denunciou à Polícia Federal o vazamento do tema da redação. De acordo com o estudante, ele teria recebido por Whats App uma imagem com o tema da redação do exame e a foto da prova às 10h47 de domingo (9).

No Facebook, o estudante diz ter recebido a imagem em um grupo do qual fazem parte cerca de 40 pessoas.

A Polícia Federal do Piauí apreendeu este celular e instaurou inquérito policial nessa quinta (13) para apurar o caso.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais afirmou em nota que está trabalhando em parceria com a PF.

“O Inep trabalha em conjunto com a PF para dar, cada vez mais, rigor e segurança à aplicação do exame, garantindo assim a isonomia entre os participantes.”

Prova do 1º dia do Enem 2014 tem Cebolinha e Pequeno Príncipe

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Prova foi de ciências humanas e ciências da natureza.
Exame continua neste domingo (9).

Karina Trevizan, no G1

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O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014 começou neste sábado (8) com a prova de ciências humanas e da natureza. Entre as questões, havia uma tirinha do personagem de história em quadrinhos Cebolinha, criado por Maurício de Sousa, e um trecho do clássico da literatura infantil “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupery. O exame continua neste domingo (9).

A questão com a tirinha do Cebolinha abordou conhecimento sobre aceleração em física. Depois de apresentar uma tirinha de 2006, o candidado deveria responder sobre o vetor aceleração tangencial do coelhinho da Mônica até atingir o Cebolinha.

O trecho de “O Pequeno Príncipe” que apareceu no exame, foi o seguinte: “Quando é meio-dia nos Estados Unidos, o sol, todo mundo sabe, está se deitando na França. Bastaria ir à França num minuto para assistir ao pôr-do-sol.” O candidato tinha de responder qual fenônemo físico é citado nesse parágrafo.

A prfoto_6ova não abordou a crise hídrica e o problema de falta de água no Sudeste diretamente, mas, ainda em ciências da natureza, havia uma questão com um gráfico presente no manual de instrução de uma ducha, que relacionava a vazão da água com a pressão. O candidato teve de calcular o gasto mensal de água de uma família com banho.

Na parte de ciências humanas, o exame deste ano trouxe um pergunta sobre um protesto ocorrido em 1879, na época de D. Pedro II, contra um aumento de 20 réis dna passagem dos bondes. Os candidatos tinham de responder sobre o significado da repressão àquela manifestação.

foto1_2Apareceu também neste primeiro dia uma questão que exigia que o candidato respondesse qual a função da Comissão da Verdade, instituída em 2012 com a finalidade de apurar graves violações de direitos humanos. A prova também trouxe a música de 1960 “Sina do Caboclo”, de João do Vale, que fala sobre a insatisfação do trabalhador rural.

Entre as questões de ciências da natureza havia uma pergunta sobre as sacolas plásticas distribuídas em supermercados. O candidato deveria responder sobre o novo tipo de plástico ecológico que substitui as sacolas de polietileno. Outra pergunta era sobre fotografias em cores tiradas em ambientes iluminados com lâmpadas fluorescentes. Era preciso responder qual é a cor do filtro deveria ser utulizado pelo fotógrafo para evitar que objetos mais claros parecessem verdes na fotografia.

Uma questão sobre filosofia apresentava o detalhe da obra “Escola de Atenas”, do artista Rafael Sanzio (1483 – 1520). Na pergunta, a prova questionava o significado do gesto de Platão, que é reproduzido na imagem apontando o indicador para cima.

Outra pergunta citava o queijo minas, classificado como patrimônio cultural brasileiro. Entre as alternativas, o candidato deveria escolher o bem que compõe o patrimônio nacional e pertence à mesma categoria do queijo minas. As opções eram o mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, o ofício das paneleiras em Goiabeiras (ES), o conjunto arquitetônico e urbanístico de Ouro Preto (MG), o sítio arqueológico e paisagístico de Ilha Do Campeche (SC) e a obra “Tiradentes Esquartejado”, de Pedro Américo.

Além dos quadrinhos do personagem Cebolinha, a prova também trouxe uma tirinha de Miguel Paiva, publicada em 1988. A imagem traz um homem lendo a Constituição, promulgada naquele ano, dizendo que “todo brasileiro tem direito à moradia”. No desenho, outra personagem responde: “agora lê aquele pedaço bonito que fala de comida, saúde…”. A questão pedia para o candidato indetificar a crítica. Havia também uma questão com uma charge de 1910 sobre a implantação da rede telefônica no Brasil.

Enem 2014: escola católica faz Bênção das Canetas para alunos na véspera da prova

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Freira de Colégio Sagrado Coração de Maria abençoou o material com água benta após Oração do Vestibulando

benzendo canetas

Lauro Neto, em O Globo

Se Deus escreve mesmo certo por linhas tortas, uma escola católica da Zona Sul do Rio de Janeiro tentou garantir a escrita correta de seus alunos com uma Bênção das Canetas na véspera do Enem. Na manhã desta sexta-feira, 35 estudantes do Colégio Sagrado Coração de Maria participaram de uma cerimônia religiosa na capela, na qual ganharam canetas pretas de corpo transparente (como manda o edital do Enem), que foram abençoadas com água benta por uma freira.

Antes de Irmã Glória aspergir a água sobre os alunos e suas canetas, eles receberam um escapulário, rezaram a Oração do Vestibulando, que pede inspiração a Deus para “responder com sabedoria e calma as questões”, além do Salmo 91, um Pai Nosso e uma Ave Maria. Muitos estudantes se emocionaram durante a celebração, entre eles, os amigos Lucas Ripardo e Ana Carolina Gonzaga.

– Me emocionei durante a Bênção das Canetas, pois significou muita coisa, me passou conforto, me senti segura e abraçada. Por estudar aqui há muito tempo, lembrei dos outros anos e simbolizou a preocupação que a escola tem conosco. Sou católica e tenho uma fé muito grande em Deus. Com certeza, esse é um meio de Ele nos tocar durante a prova – acredita Ana Carolina, que quer estudar Arquitetura na UFRJ.

Candidato a uma vaga em Produção Cultural na UFF, Lucas diz não ser tão católico quanto a amiga, mas confessa que a experiência foi marcante a ponto de fazê-lo chorar como em raras ocasiões:

– Nunca choro. Mas esse momento foi bem tocante para mim, pois descarreguei todas as energias que estava sentindo, junto com todo mundo que convivo durante anos. Precisamos disso. Esse fim de semana representa o que batalhamos durante três anos de ensino médio, e queremos fazer o nosso melhor. Precisamos estar o mais tranquilo possível. Acreditar em algo ajuda a se acalmar durante a prova e pensar que vai dar tudo certo.

A cerimônia foi idealizada pelo trio gestor da escola, composto pelo diretor-geral, Amaro França, a diretora pedagógica, Rosana Catete, e o coordenador de serviço de orientação religiosa, Carlos Bruno Araújo. França foi o responsável por invocar a bênção sobre as canetas.

– Que, inspirados pelo Seu Espírito e revelado pelo que eles vão produzir, as respostas sejam as corretas e se aproximem daquilo que é certo. Assim, pedimos com toda a confiança e a fé que abençoe os jovens que irão prestar o Enem, e também esses objetos, que recebendo Sua bênção, se tornam santos, consagrados, em nome de Jesus – disse França.

Questão de prova xinga político e pede cálculo de lançamento de bebê

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Trabalho foi aplicado uma turma do 1° ano do ensino médio em Londrina.
Direção da escola diz que vai conversar com professora sobre o caso.

Em questões do trabalho, professora de física pede para alunos calcularem tempo de queda de um bêbê que foi lançado por um 'pai desnaturado' (Foto: Reprodução)

Em questões do trabalho, professora de física pede para alunos calcularem tempo de queda de um bêbê que foi lançado por um ‘pai desnaturado’ (Foto: Reprodução)

Publicado no G1

Um trabalho de física aplicado aos alunos da turma do 1º ano do ensino médio, em um colégio estadual de Londrina, no norte do Paraná, deixou os estudantes surpresos. As perguntas continham frases que incitavam a violência e a morte. Em uma delas, por exemplo, a professora pede aos alunos que calculem a velocidade de lançamento de um bebê, jogado para o alto pelo “papai desnaturado”, a uma altura de 80 metros. O trabalho foi passado na quarta-feira (6) e deve ser entregue por eles à professora neste dia 13.

“A primeira vez que eu vi o trabalho achei que era uma piada, custei a acreditar. Mas, ao ver todo o trabalho, fiquei em choque”, lembra a mãe de uma estudante que não quis se identificar. Em uma das questões, os alunos devem dizer qual o tempo de queda de um professor que se jogou do telhado e, em uma terceira questão informar se uma pena de galinha e um caminhão cheio de alunos cairão no chão ao mesmo tempo. Um dos alunos mostrou o trabalho para a mãe que decidiu denunciar a professora responsável pelo trabalho.

“Nós pais esperamos que os professores deem continuidade a educação que os nossos filhos recebem em casa, mas nem sempre isso acontece”, lamenta a mãe da estudante.

Segundo a aluna que denunciou o problema, um grupo de estudantes mostrou o trabalho para a coordenação da escola no dia 7 de agosto. “Eles disseram que iam tomar providências sobre o caso, mas até agora o trabalho não foi anulado ou cancelado”, declara.

Ainda de acordo com a estudante, a professora de física sempre foi uma pessoa tranquila. “Nós só temos problemas com ela [professora] quanto à aprendizagem. Ela não sabe explicar, não consegue passar o conteúdo direito. Mas, nunca demonstrou nenhum problema de comportamento ou de saúde”, afirma a aluna do 1° ano do ensino médio.

O diretor da escola disse que vai conversar primeiro com a professora, uma profissional de 60 anos de idade, e só depois deve marcar uma reunião com os pais dos estudantes. Já a chefe do Núcleo de Educação de Londrina, Lúcia Cortez, se surpreendeu com o conteúdo do trabalho. “É um palavreado que não é comum. Não faz parte do vocabulário do dia a dia do professor”, diz.

Para a professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e doutora em educação, Lucinea Rezende, faltou bom senso na preparação das perguntas. “Não foi uma ideia feliz, me parece. Há outras formas de se aproximar dos alunos sem precisar de utilizar uma linguagem dessa maneira, como está”.

Dica do Emerson Catarina

Prova que cita Popozuda revela dois problemas graves das escolas

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Para especialistas, referência à música ‘Beijinho no Ombro’ em prova de filosofia do ensino médio no DF mostra falta de preparo dos professores

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Bianca Bibiano, na Veja on-line

O uso de temas que fazem parte do cotidiano dos estudantes em provas escolares é comum nas escolas, seja para despertar o interesse por uma disciplina, seja para exemplificar um problema. O uso da música Beijinho no Ombro, da funkeira Valesca Popozuda, em uma prova de filosofia do Ensino Médio, mostrou como esse recurso pode distorcer o aprendizado. A questão formulada por um professor do Centro de Ensino Médio (CEM) 3 de Taquatinga, no Distrito Federal, pediu aos alunos que identificassem um trecho do hit e apresentou a cantora como uma “grande pensadora”. Seria uma “provocação”, disse o docente em entrevistas. Segundo especialistas ouvidos pelo site de VEJA, o episódio revela dois problemas graves das escolas no Brasil: a predileção pelo construtivismo como teoria de ensino e o desconhecimento por parte dos professores da ciência cognitiva.

“O construtivismo surge nas escolas em sua versão mais rasa, que sugere que ‘o aluno constrói o seu conhecimento’ a partir do seu interesse por determinado assunto, o que não é verdade. Esse problema é somado ao fato de que os professores não sabem como o cérebro aprende e acreditam que só com referências a temas pop ou chocantes o aluno se lembrará da matéria. As pesquisas mostram o contrário: uma pessoa aprende e se lembra de um tema quando ele é pensado e refletido”, afirma o especialista em educação e colunista de VEJA Gustavo Ioschpe.

Claudio de Moura Castro, pesquisador em educação e também colunista de VEJA, acredita que os professores confundem contextualização com banalização do ensino. “É claro que devemos colocar o assunto trabalhado nas disciplinas num contexto que leve em conta o mundo do aluno. Mas isso não é possível o tempo todo, há certos conteúdos que o estudante precisa aprender e aos quais ele só dará uso efetivo mais adiante. A filosofia é um deles”, afirma.

Para Ocimar Alavarse, especialista em sistemas educacionais e professor da Universidade de São Paulo, a citação à funkeira Valesca Popozuda como “grande pensadora contemporânea” em uma prova escolar “desvaloriza o ato de pensar, a própria filosofia”. “Ela não é consagrada como pensadora no sentido clássico da filosofia e colocá-la nesse papel só serve para confundir o aluno.”

Após a grande repercussão de sua prova na internet, o professor de filosofia do CEM 3 Antônio Kubitschek tentou explicar por que considera a cantora uma pensadora. “Qualquer pessoa que consiga construir um conceito é um filósofo. A todo momento em que você abre sites e revistas de fofocas, aparece que fulano ‘deu beijinho no ombro’. Ela acabou criando um conceito. Se ela influencia a sociedade com o que ela pensa, eu a considero sim uma pensadora”.

Para Alavarse, entretanto, a explicação do professor não condiz com o esperado de um docente da disciplina. “Usando esse argumento ele consagra o que nem de longe está consagrado. A questão nada tem a ver com o que vigora nos currículos de filosofia, tanto no Brasil quanto em outros países”, diz.

O mais correto, segundo Alavarse, seria usar a música para problematizar uma questão com base em teorias consagradas da filosofia. “O problema não é usar uma música de funk ou de qualquer outro estilo musical, mas sim jogá-la em uma prova como se fosse uma teoria validada.”

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