Vitrali Moema

Posts tagged quadrinhos

Stranger Things: Netflix e Dark Horse fecham parceria para HQs da série

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Publicado no Aficionados

É, nos próximos anos Stranger Things deve se concretizar como uma grande franquia. Apenas alguns dias após anunciar que o programa vai ganhar uma série de livros pela Penguin Random House e videogames pela Telltale Games, a Netflix fechou uma nova parceria: com a Dark Horse.

Isso mesmo, Stranger Things vai ganhar histórias em quadrinhos. E, pelo visto, a parceria foi fechada para “vários anos”.

As aventuras de Will no Mundo Invertido

O anúncio da nova parceria foi feito pela EW nessa segunda-feira, e segundo o veículo, ela consiste em uma “linha de publicações de vários anos”!

Os primeiros quadrinhos – a serem lançados já a partir de setembro – vão explorar as aventuras de Will Byers (Noah Schnapp) depois que ele foi transportado para o extra-dimensional Mundo Invertido. Ao todo, quatro HQs vão contar um pouco do que Will vivenciou na experiência aterradora.

A narrativa não foi apresentada na série, que apenas mostrou o que aconteceu no mundo “normal” enquanto Will estava desaparecido, mas não abordou o que de fato aconteceu com ele entre o momento em que foi sequestrado pelo Demogorgon e o momento em que sua mãe o resgata.

Em declaração oficial, a Dark Horse afirmou que os quadrinhos serão:

“Uma oportunidade de explorar o misterioso mundo de Hawkins, Indiana.”

O presidente da Dark Horse, Mike Richardson, também se pronunciou na declaração:

“A Dark Horse é conhecida por histórias e contadores de histórias campeões. Nós estamos tão empolgados em trabalhar com a Netflix para trazer o mundo de Stranger Things para os quadrinhos.”

As primeiras quatro HQs terão texto de Jody Houser, ilustração de Stefano Martino, pintura de Keith Champagne, cores por Lauren Affe e letreiros por Nate Piekos.

A EW ainda divulgou prévias das primeiras edições, com capas assinadas por Kyle Lambert, Rafael Albuquerque e Aleksi Briclot.

A primeira HQ de Stranger Things tem lançamento marcado para o dia 26 de setembro.

Neil Gaiman anuncia nova linha de quadrinhos de Sandman

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Dyeison Martins, no Poltrona Nerd

Neil Gaiman, autor da celebrada série em quadrinhos Sandman, que foi lançada pela DC Comics (e depois foi para o selo Vertigo) no início dos anos 1990, anunciou a Entertainment Weekly uma nova linha de quadrinhos em seu universo.

Serão lançadas quatro novas séries de quadrinhos ambientadas no mundo de Sandman. Gaiman não irá escrever nenhuma delas, mas estará presente no projeto, que irá expandir o universo do Sonhar.

Sandman narrava as aventuras de Sonho, a personificação antropomórfica dos sonhos, que se encontrava e lidava com deuses, monstros e humanos, enquanto analisava a própria essência das histórias. A série durou oito anos, e foi uma das mais importantes de seu tempo, ganhando diversos prêmios, como o World Fantasy Award.

O novo projeto começará em agosto, com uma edição única que permitirá aos leitores saberem o que acontece com o universo do Sonhar. Sonho está desaparecido, o que trouxe caos ao seu reino. Uma fissura entre os mundos mostra que existe algo além do Sonhar. Lucien ainda é o bibliotecário da biblioteca dos livros sonhados, mas jamais escritos, mas um desses livros foi parar no reino desperto, com um grupo de crianças.

Existe um novo residente no Sonhar, porque agora existe uma Casa dos Sussurros (House of Whispers, em tradução livre), que surgiu junto a Casa dos Mistérios, de Abel, e da Casa dos Segredos, de Cain. Lúcifer caiu de novo, mas dessa vez em um Inferno mais seu. E o menino Timothy Hunter tem sonhos de ser o maior mago da Terra, ou ser seu pior vilão.

The Sandman Universe #1 foi pensada por Gaiman, mas escrita por Nalo Hopkinson, Kat Howard, Si Spurrier e Dan Watters, com arte de Bilquis Everly e capa de Jae Lee. Cada um dos escritores vai escrever uma das novas séries, que ainda não tiveram seus artistas anunciados:

Hopkinson vai escrever House of Whispers, e explicar como a entidade vodu Erzulie chegou no Sonhar com uma casa própria. Isso pode ter relação com uma mulher em coma chamada Latoya, cuja namorada e irmãs usaram o Livro dos Sussuros para curá-la. Agora já acordada, ela acredita que está morta, e passando essa crença para as pessoas ao seu redor e aumentando a fissura que existe no Sonhar.

Howard vai escrever Books of Magic, sequencia de uma minissérie escrita por Gaiman em 1990, e explorar a educação mágica de Timothy Hunter, que está separado entre dois destinos.

Spurrier vai escrever The Dreaming, que vai seguir o elenco de apoio de Sandman, como Lucien, o corvo Matthew e como eles viajam através do Sonhar, procurando Sonho.

Watters vai escrever Lucifer, que encontra o personagem título cego e destituído, vivendo em uma pensão de uma quieta cidade, onde ninguém pode sair.

The Sandman Universe #1 vai sair em agosto.

Han Solo ganhará livros e quadrinhos antes do lançamento do filme

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Publicações terão ligação direta com o novo longa

Fabio de Souza Gomes, no Omelete

Além de Han Solo: Uma História Star Wars, a Disney planeja lançar uma série de livros que mostrarão outras histórias envolvendo o mercenário. A EW revelou detalhes das publicações, que terão ligação direta com o filme e responderão dúvidas envolvendo o novo longa baseado no personagem.

Ron Howard assumiu o comando do filme após a saída de Phil Lord e Chris Miller – saiba mais. O elenco conta com nomes como Alden Ehrenreich, Donald Glover, Woody Harrelson, Emilia Clarke e Thandie Newton. A estreia no Brasil está marcada para 24 de maio.

Han Solo foi originalmente interpretado por Harrison Ford na franquia Star Wars, enquanto Lando Calrissian foi vivido por Billy Dee Williams em O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi.

Lugar Nenhum | Adaptação em quadrinhos do clássico de Neil Gaiman mostra Londres sombria e mágica

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Publicação será lançada este mês no Brasil

Fabio de Souza Gomes, no Omelete

A Panini lançará este mês Lugar Nenhum, encadernado que reúne a minissérie baseada no best-seller criado por Neil Gaiman. Adaptada por Mike Carey e Glenn Fabry, a obra teve sua capa divulgada. Confira:

Richard Mayhew é um jovem rapaz normal, com um emprego normal, e que está tendo um dia completamente normal até que uma ação fora do normal deixa tudo de cabeça para baixo. Quando percebe uma jovem ferida nas ruas de Londres, ele para e tenta ajudá-la. E, graças a isso, sua vida jamais voltará à normalidade.

A misteriosa jovem – conhecida pela alcunha de Porta – vem da Londres Abaixo, uma incrível e perigosa cidade subterrânea desconhecida dos habitantes da metrópole da superfície. Quando volta da jornada a essa bizarra cidade, Richard descobre que ninguém mais da Londres Acima se lembra dele. É como se ele nunca tivesse existido.

O que ele quer agora é voltar à antiga vida, mas Croup e Vandemar – uma dupla de cruéis assassinos – estão em seu encalço e dificultarão ao máximo a tentativa de voltar ao normal. No caminho para normalidade estão ainda uma provação que colocará a sanidade de Richard em risco, a mortífera travessia da Ponte da Noite e um terrível confronto com a Besta-Fera de Londres!

O caminho para conseguir o que busca passa por um anjo chamado Islington e o segredo que ele tem mantido oculto no fundo da Rua de Baixo há incontáveis anos. Um segredo que tem o potencial de ser o fim para Richard, Porta e todos os moradores de Londres de Baixo.

‘Moby Dick’, clássico de Herman Melville, chega ao Brasil em quadrinhos

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A investida é do francês Christophe Chabouté, publicada agora no Brasil pela editora Pipoca & Nanquim Foto: Divulgação

A investida é do francês Christophe Chabouté, publicada agora no Brasil pela editora Pipoca & Nanquim
Foto: Divulgação

‘Moby Dick’, levado mais de dez vezes à televisão e ao cinema (desde 1926, em um filme dirigido por Millard Webb) é homenageado também nos quadrinhos.

Publicado no JC Online

O crítico literário Harold Bloom, em seu Cânone Americano, erige, ao lado de Walt Whitman, Herman Melville como o mais “ambicioso e sublime” escritor norte-americano. Em sua época, contudo, Melville (1819-1891) foi tido como um mero escriba de romances náuticos. Morreu soterrado pelo ocaso na cova rasa em que a crítica deposita os corpos dos ditos escritores medianos. Melville só iniciou sua escalada ao posto de um dos baluartes do tal “grande romance americano” quando, passadas três décadas de sua morte, foi resgatado por autores como William Faulkner e D.H Lawrence, que buscavam terreno fértil para fincar as raízes literárias americanas além dos versos de Henry Wadsworth Longfellow e do fugere urbem de Henry David Thoreau.

Foi então que a percepção de seus romances mudou drasticamente e as adaptações de suas obras espraiaram-se pelas mais diversas mídias. Peter Ustinov filmou Billy Budd, O Marinheiro em 1962 para refletir as tensões da guerra fria.

Bartleby, o Escrivão, adaptado em 1970 por Anthony Friedman e em 2001 por Jonathan Parker, foi enfim reconhecido como a pérola niilista-burocrata-corporativa que é, cada dia mais atual em um mundo globalizado e robotizado. Nada mais justo que sua obra-prima, Moby Dick, levada mais de dez vezes à televisão e ao cinema (desde 1926, em um filme dirigido por Millard Webb), seja homenageada também nos quadrinhos.

A história da baleia branca já havia sido quadrinizada, entre muitos outros, pelo italiano Dino Battaglia (1967), pelo francês Paul Gillon (1983) e pelos norte-americanos Bill Sienkiewicz (1990) e Will Eisner (2001), sendo este o autor de The Spirit (1940) e um dos maiores estetas da história dos quadrinhos, responsável por inovações gráficas que perduram até hoje no formato. A investida mais recente, de 2014, é do francês Christophe Chabouté, publicada agora no Brasil pela editora Pipoca & Nanquim.

Estética 

Logo no início de Moby Dick, o traço fino e bastante definido de Chabouté se faz notar, lembrando outro mestre francês, Moebius. A modulação da espessura do traço, embora tímida, está lá dando volume aos objetos e criando um dos mais belos efeitos marítimos dos quadrinhos.

Por mais que boa parte da trama se passe em alto-mar, a paisagem nunca fica monótona graças à ambientação detalhada dos cenários em planos abertos. Para focar a atenção do leitor, Chabouté economiza traços nos planos médios e closes, alternando as angulações de plongée e contra-plongée.

Como o autor desenha em preto e branco, sem o uso de retículos ou degradê, as imagens são sempre chapadas, trabalhando em cima do forte contraste entre luz e sombra. Em alguns momentos, a cena só é visível a partir da ausência de luz; em outros, o Sol parece ofuscar o leitor. Há diversas sequências de vinhetas em planos abertos nas quais somente a silhueta do navio ou dos personagens é visível ou uma pretensa câmera se mantém fixa enquanto a ação transcorre de um canto a outro em silêncio.

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Este, aliás, é um elemento muito bem utilizado pelo quadrinista: o silêncio. Embora boa parte do texto original tenha sido mantido – citações do livro abrem cada capítulo -, não é pequeno o desafio de transmitir sem palavras essa atmosfera inicialmente leve, até cômica, que vai ganhando tons mais sombrios e épicos à medida que o drama se desenrola.

Talvez alguém que não seja iniciado na linguagem dos quadrinhos não consiga aproveitar o ritmo cadenciado e os longos silêncios beckettianos que Chabouté imprime para tentar se aproximar da verve filosófica da prosa de Melville. O francês deixa de lado a tradicional sequência frenética “ação a ação” dos quadrinhos ocidentais e assume o contemplativo estilo “perspectiva a perspectiva”, mais característico dos mangás japoneses.

É uma excelente solução, mas é claro que a linguagem de Melville é insubstituível, como ocorre com qualquer adaptação. Por isso, a dramaticidade de alguns momentos, especialmente os mais próximos do final, acaba comprometida com a ausência de palavras.

Trabalhos de Chabouté

Moby Dick é um dos melhores trabalhos de Chabouté, cuja primeira aparição foi em Les Récits (1993), uma antologia sobre o poeta Arthur Rimbaud, mas não é sua primeira adaptação de um clássico literário: o quadrinista de 50 anos, até então inédito no País, publicou Construire un Feu (2007), inspirado em To Build a Fire, de Jack London.

Um de seus destaques é a trilogia Purgatoire (2003-2005), uma biografia em quadrinhos de Henri Désiré Laundru, serial killer e uma espécie de Barba Azul da França, responsável por 11 assassinatos entre 1915 e 1919, mencionado por Marcel Proust em sua obra Em Busca do Tempo Perdido e inspiração de Charles Chaplin em Monsieur Verdoux.

Tão injustiçado em vida, Melville foi tratado como subproduto cultural, tal como, em outros tempos, o jazz, o romance em prosa e a fotografia. Não é por acaso que sua obra tenha sido retratada com tamanha excelência por outra manifestação artística relegada à margem durante muito tempo: os quadrinhos.

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