Vitrali Moema

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País só deve dominar Leitura em 260 anos

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Criança lê no departamento de leitural infantil da Biblioteca de São Paulo, no Parque da Juventude. Foto: Sergio Neves/AE

 

Essa é a defasagem do aluno brasileiro em relação ao de países desenvolvidos, aponta estudo inédito do Banco Mundial

Renata cafardo, no Estadão

Um relatório inédito do Banco Mundial estima que o Brasil vá demorar 260 anos para atingir o nível educacional de países desenvolvidos em Leitura e 75 anos em Matemática. Isso porque o País tem avançado, mas a passos muito lentos. O cálculo foi feito com base no desempenho dos estudantes brasileiros em todas as edições do Pisa, a avaliação internacional aplicada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).

Esta é a primeira vez que o World Development Report, relatório anual que discute questões para o desenvolvimento mundial, é dedicado totalmente à educação. A conclusão mais importante do documento é que há uma “crise de aprendizagem” no mundo todo. “Nos últimos 30 anos houve grandes progressos em colocar as crianças nas escolas na maioria dos países, mas infelizmente muitas não entendem o que leem ou não sabem fazer contas”, disse ao Estado o diretor global da área de educação do Banco Mundial, Jaime Saavedra.

Segundo o relatório, 125 milhões de crianças no mundo estão nessa situação. Na América Latina e Caribe, apenas cerca de 40% das crianças nos anos finais do ensino fundamental chegam ao nível considerado mínimo de proficiência em Matemática, enquanto na Europa e Ásia são 80%. Na África Subsaariana, só 10% dos alunos têm níveis aceitáveis de Leitura.

O texto sistematiza evidências e casos de sucesso de vários países para traçar um panorama da educação mundial. A Coreia do Sul e, mais recentemente, o Peru e o Vietnã são países citados como alguns dos que conseguiram avançar com reformas e novas políticas. Entre as sugestões de iniciativas para tentar reverter o quadro principalmente nos países em desenvolvimento, estão a valorização do professor, a avaliação dos sistemas, a melhor gestão das escolas e o investimento em educação infantil.

O Brasil é um dos países que fazem parte dessa crise de aprendizagem, apesar de avanços recentes em avaliações. No último Pisa, porém, o País não aumentou sua nota em Leitura e caiu em Matemática. Procurado pelo Estado, o Ministério da Educação não quis comentar o conteúdo do relatório.

Segundo André Loureiro, economista brasileiro do Banco Mundial, a demora para se atingir níveis de países desenvolvidos só vai acontecer “se o país mantiver o passo em que está”. “Mas há reformas que estão sendo feitas, como a do ensino médio, que têm potencial muito grande de afetar essa trajetória”, acredita. Para ele, a flexibilização do currículo e a diminuição do número de disciplinas devem deixar a escola mais atrativa para os jovens.

Sem plano. “O Brasil precisa urgentemente de um plano estratégico de educação”, diz a presidente do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz.

Segundo ela, os avanços do País são lentos porque não se sabe quais são os fatores de fracasso e sucesso das políticas. “A gente abandona as políticas e recomeça do zero sem ter aprendido nada com o passado.” Para Priscila, os dois pontos principais desse plano deveriam ser a valorização do professor e da primeira infância.

“O Brasil teve de expandir o sistema rapidamente para trazer muitas crianças para a escola, precisou de muitos professores e acabou tendo problema com a formação deles”, diz o coordenador de pesquisas do Centro de Políticas Públicas do Insper, Naercio Menezes Filho. Mas, segundo ele, agora o País tem uma oportunidade de corrigir essa questão por causa da queda demográfica. A natalidade diminuiu muito nos últimos anos e o número de alunos no ensino fundamental caiu quase pela metade em 20 anos. “Se mantiver o tamanho das salas, vamos precisar de metade do professores. Podemos selecionar melhor os candidatos.”

O relatório intitulado Aprendizagem para Realizar a Promessa da Educação será apresentado hoje em São Paulo em um evento na Fundação Getulio Vargas (FGV). O texto enfatiza a importância da educação para impulsionar o “crescimento econômico de longo prazo, incentivar a inovação, reforçar as instituições e promover a coesão social”. Há também dados que demonstram que cidadãos mais bem educados valorizam mais a democracia.

Perguntas para Jaime Savedra, diretor global de Educação do banco Mundial

Por que o relatório do Banco Mundial resolveu focar em educação?

Precisamos ter certeza de que as pessoas que cuidam das políticas dos países saibam que o capital humano é mais importante que o capital físico. É crucial mostrar o que está acontecendo, os desafios e o que fazer. Porque todo mundo diz que educação é muito importante para o desenvolvimento, mas esse discurso nem sempre se traduz em busca da certeza de que todos na escola estão aprendendo.

Os países precisam investir mais em educação?

Em alguns países, a resposta é sim, mas em outros, como o Brasil, o dinheiro precisa ser distribuído melhor pelos níveis de ensino e pelo País. A questão é mais sobre como estamos usando os recursos do que colocar mais.

Quais as principais medidas para resolver a crise de aprendizagem?

O ponto principal é que os países precisam atrair os melhores profissionais para serem professores. Em Cingapura, Finlândia, Japão, se aumentou o prestígio da carreira. E isso não é só salário, mas a percepção social da carreira. Outra questão é o gerenciamento das escolas. O serviço das escolas é realmente difícil porque é o de fazer uma criança feliz e dar a ela as ferramentas para uma vida produtiva.

Me Chame Pelo Seu Nome | “O eixo romântico aqui é a inibição”, diz autor do livro que inspirou filme

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André Aciman fala sobre obra que gerou a love story indicada a quatro Oscars

Rodrigo Fonseca, no Omelete

Impulsionado pela indicação ao Oscar de melhor filme, Me Chame Pelo Seu Nome já soma 117 mil pagantes em solo brasileiro, onde o romance que inspirou esta love story produzida pelo carioca Rodrigo Teixeira acaba de chegar às livrarias, pela editora Intrínseca.

Americano nascido em Alexandria, no Egito, o escritor André Aciman assina o livro, transformado em longa-metragem pelo cineasta italiano Luca Guadagnino (Sonho de Amor). A bilheteria dessa adaptação literária, pelo mundo afora, beira US$ 22 milhões. A primeira exibição dele se deu no Festival de Sundance de 2017, seguido de projeção na Berlinale, onde lotou salas de exibição. Seu roteiro, adaptado pelo diretor James Ivory, também está no páreo das estatuetas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Sua narrativa é ambientada na Itália dos anos 1980 e, nela, a paixão move o músico Elio (Timothée Chalamet) e o estudante Oliver (Armie Hammer).

Coroado com 41 prêmios internacionais de janeiro de 2017 até agora, incluindo quatro indicações ao Bafta, o Oscar inglês, o filme revive o clima quente de Cremona em 1983, quando Elio põe suas convicções sexuais e afetivas em xeque, ao se encantar por Oliver, um orientando de seu pai (Michael Stuhlbarg).

Na entrevista a seguir, Aciman fala de sua surpresa em ver seus personagens no páreo do Oscar 2018, que será entregue em 4 de março.

Omelete: Para além da força lírica de sua trama, o que justifica o apelo popular de Me Chame Pelo Seu Nome e o que pode levá-lo a seduzir os votantes da Academia?
André Aciman: As indicações ao Oscar foram totalmente inesperadas. Aliás, nunca esperei que meu romance fosse virar filme. Seu sucesso se deve a uma série de razões: a) ele é lindamente fotografado, capturando a beleza da Itália rural, a luz do verão, as sensações da juventude; b) ao mesmo tempo em que ele faz todo mundo no cinema sentir deseja, querendo tocar ou ser tocado, ele captura os tormentos do primeiro amor, realçando o quanto o querer é caótico e misterioso; c) pouca gente se dá o direito de falar sobre seu primeiro amor, seja por timidez ou por medo; d) o desabafo do pai: não há gay que não tenha desejado, algum dia, ouvir de seu pai palavras de aceitação como as que ouvimos no filme.

Quais foram as suas referência literárias em relação à juventude na criação de sua prosa?
Romancistas britânicos, russos e franceses estabeleceram uma tradição de olhar sobre a juventude de maneira incisiva e lírica. Flaubert alcançou isso em novembro; Turgenev fez isso em Primeiro Amor; e D. H. Lawrence chegou a essa dimensão em Filhos e Amantes. Todos estes livros trouxeram uma acurada visão da juventude porque os três aliavam ensejos de nostalgia a um desabafo de revelação. Ser jovem é estar do lado da fantasia. Um observador mais arguto da natureza humana perceberá isso e há de perdoar os erros cometidos em nome dessa aposta juvenile no que há de fantástico. A juventude pode expressar uma paixão de maneira direta porque ela não tem a medida das palavras. O amor de juventude dribla qualquer outro amor.

Que lugar sobrou para as histórias de amor na litetarura contemporânea?
O amor sempre vai estar no topo do ranking dos assuntos mais procurados na Arte. Mas, o amor, para ser interessante, deve encarar dificuldades, transpor fronteiras ou encarar interdições, como vemos em Romeu & Julieta, por exemplo. O eixo romântico de Me Chame Pelo Seu Nome é a quebra da inibição. Em outras palavras, minha história mostra que a proibição está na gente e não nos outros. Elio reluta a dizer o que sente por travas internas: vergonha, medo e negação o silenciam. Mas ele dribla a inibição. O amor sempre dá um jeito de nos pegar pelo pé.

Como você analisa as formas recentes de representação da homoafetividade na literatura anglo-americana?
Não estou muito familiarizado com retratos literários mais recentes do amor gay. Eu leio muito James Baldwin e E.M. Forster e, anos atrás, li Mary Renault e Marguerite Yourcenar. Mas, a maioria dos relatos sobre a homoafetividade fala sobre incidentes trágicos, preconceito, violência, hostilidade de parentes e o pavor trazido pela Aids. O que eu tentei fazer em Me Chame Pelo Seu Nome foi evitar que qualquer um desses tópicos pontuassem a história de amor de Olvier e Elio. O único intruso permitido seria a distância. A passagem do tempo os afasta.

“A escola está ultrapassada”

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O jornalista americano Paul Tough é autor do best-seller 'Como as crianças aprendem' (Paul Terefenko/Divulgação)

O jornalista americano Paul Tough é autor do best-seller ‘Como as crianças aprendem’ (Paul Terefenko/Divulgação)

Autor de best-seller americano explica por que desenvolver habilidades emocionais desde cedo é tão essencial para o sucesso na vida adulta

Luisa Bustamante, na Veja

Nas rodas de educação, muito se fala sobre habilidades socioemocionais, que fogem da cartilha do conteúdo propriamente dito, como colaboração, curiosidade e capacidade de resistir às adversidades. Às vezes, o debate é ainda etéreo; noutras, começa a ter feições mais claras, indicando caminhos de como desenvolvê-las. Em sua extensa pesquisa, o jornalista americano Paul Tough, 50 anos, autor do livro Como as Crianças Aprendem (Ed. Intrínseca), vai por esta linha mais objetiva e sem academiquês. Ele foi a escolas e entrevistou economistas, psicólogos e neurocientistas para entender a relevância de tais habilidades no competitivo século XXI. Em visita ao Rio de Janeiro, Tough falará sobre o tema neste sábado (1) em um encontro organizado pelo grupo educacional Eleva. A seguir, os principais trechos da entrevista que concedeu ao site de VEJA.

Seus livros enfatizam a importância das chamadas habilidades socioemocionais no desenvolvimento infantil. Elas podem ser ensinadas?
Sim, em casa e na escola. Um ensino de qualidade, voltado para este século, não deve mais se restringir àquele conjunto limitado de capacidades medidas em testes padronizados. O conhecimento continua, claro, a ser fundamental, mas os especialistas já têm clareza de que há este outro lado do aprendizado que é também determinante para o sucesso na vida. São habilidades que podem soar abstratas: garra, otimismo, curiosidade, trabalho em equipe, resiliência – é possível lapidar todas elas.

O senhor afirma que o melhor momento para as crianças aprenderem tais habilidades é na primeira infância, antes mesmo do primeiro dia de aula. Como os pais podem ajudá-las?
Primeiro, não fazendo com que os filhos se sintam sob pressão. Estudos recentes na área da neurociência mostram que, quando as crianças estão num ambiente altamente estressante, elas têm mais dificuldade de desenvolver essas características que mencionei. A boa notícia é que a melhor defesa contra o estresse infantil está justamente nos pais. A explicação é fisiológica. Se mantêm relação forte e calorosa com os filhos, essas crianças registrarão menores níveis do hormônio do estresse no organismo e estarão em condições melhores para aprender.

O que o senhor observa em comum entre as crianças com mais dificuldade de desenvolver habilidades socioemocionais?
Muitas crescem em um ambiente de adversidades, na extrema pobreza ou submetidas a abuso e negligência. São justamente essas que precisam de mais ajuda. Infelizmente, são também as que costumam receber educação de mais baixa qualidade. Elas precisam ser mais desafiadas. Quando isso ocorre, respondem de forma tão positiva quanto aquelas que vivem em situação mais favorável.

Quais habilidades o senhor considera mais importantes nos dias de hoje?
Sem dúvida, coloco no topo da lista a perseverança e a capacidade de lidar com os obstáculos. Elas são essenciais para a resolução de problemas, para um bom trabalho em equipe e para administrar a frustração diante do fracasso. Cabe aos adultos dar as ferramentas que as crianças precisam para aprender com os erros e se superarem.

Como desenvolver essas habilidades?
Gosto de alguns métodos adotados atualmente. Um deles é trocar a lição tradicional por projetos mais extensos. Em vez de o aluno decorar fórmulas e preencher fichas, ele é forçado a trabalhar em grupo, debruçado sobre vários assuntos e no longo prazo. Esse tipo de tarefa não estimula apenas a perseverança: incentiva também o que a ciência chama de inteligência elástica, capacidade que o aluno tem de se tornar cada vez mais inteligente.

O que mais a escola pode fazer?
Há um senso comum de que devemos dar tarefas fáceis para crianças que enfrentam dificuldades porque assim elas terão uma sensação de realização. Mas isso, na realidade, provoca o efeito contrário. Quando não as instigamos a concluir tarefas complexas, a mensagem é de que o professor não acredita em sua capacidade. Por outro lado, com trabalhos desafiadores e apoio adequado, elas não só aprendem matemática ou ciências como consolidam a autoestima, porque entendem que podem ser bem-sucedidas, que podem se superar. Cito em um de meus livros o trabalho de uma professora de um colégio no Brooklyn, em Nova York, que fazia críticas minuciosas e muito duras a alunos que praticavam xadrez. Assim os ajudou a analisar e a entender seus erros sem que se sentissem derrotados e a desenvolver autocontrole e motivação.

Que países estão fazendo a lição certa?
Ainda não encontrei um país que tenha um bom sistema para ensinar essas habilidades tão requeridas no século XXI. Vejo em muitos deles grupos de educadores atentos a essa questão, em um esforço para encontrar uma maneira de reformar as velhas escolas. Todo mundo se queixa da dificuldade para mudar o ensino. Há barreiras institucionais que precisam ser rompidas para que essa ideia seja disseminada.

Como medir o desenvolvimento de algo tão abstrato como garra ou curiosidade?
Essa medição ainda é um desafio e muitos pesquisadores sérios estão concentrados nisso. Qualquer pai ou professor é capaz de perceber quando um aluno está determinado. Se ele se esforça, está motivado e se envolve nas atividades propostas, é sinal de que a escola está no caminho certo.

Existe um relação entre habilidades emocionais e cognitivas?
Existe. O aluno que vai bem no lado socioemocional tende a se sair melhor nas provas.

A escola é uma instituição ultrapassada?
De modo geral, sim. Deveríamos preparar nossos jovens para carreiras que exigem um nível muito maior de criatividade, colaboração e flexibilidade do que as de trinta anos atrás. No passado, havia muitas profissões em que bastava o funcionário bater ponto, obedecer ordens e executar tarefas repetitivas. Hoje não funciona mais assim, mas as escolas não acompanharam as mudanças do mercado de trabalho.

Que escolas vêm fazendo um bom trabalho?
Gosto do trabalho da Expeditionary Learning Schools, uma rede de 150 escolas nos Estados Unidos. Um dos métodos que aplicam é chamado crew: consiste em formar grupos de dez a vinte alunos que são reunidos no primeiro dia de aula e que fazem encontros todas as manhãs — isso até o fim da carreira escolar. Esses estudantes desenvolvem senso de pertencimento e capacidade impressionante de produzir em equipe. Acho que esse modelo poderia ser replicado.

Como reconhecer uma boa escola?
São aquelas que, por meio de diferentes métodos, não importa, conseguem estimular os alunos a deixar a superfície e a fazer perguntas mais densas. O ensino baseado em projetos e na investigação são mais eficientes do que aquele que incentiva a memorizar fórmulas, como ainda é tão comum. Por serem curiosas, crianças são genuínos cientistas, mas a escola tira isso delas.

Modelo de carreira linear vai desmoronar, diz professora britânica

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Bruno Benevides, na Folha de S.Paulo

No futuro, a criatividade será o maior diferencial entre homem e máquina, diz a professora britânica Lynda Gratton. Especializada em gestão e na relação entre trabalho e tecnologia, ela também vislumbra uma verdadeira revolução na vida profissional, causada pelo aumento da expectativa de vida.

RAIO-X: LYNDA GRATTON, 62

Formação: Especializada em gestão e na relação entre trabalho e tecnologia, professora da London Business School

Obra: “The Shift: The Future of Work is Already Here” (“A mudança: O futuro do trabalho já está aqui”, inédito no Brasil)

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A britânica Lynda Gratton, professora de gestão da London Bussiness School

A britânica Lynda Gratton, professora de gestão da London Bussiness School

 

Folha – Sua pesquisa sobre tecnologia começou a partir de visita a uma vila masai, na Tanzânia, quando viu um morador usando celular. O que isso tem de tão especial?
Lynda Gratton – Mostra que quando temos tecnologia pela primeira vez, a usamos para amplificar o modo como vivemos. Para o masai, o aspecto mais importante da vida são seus animais. Por isso, na minha visita, ele usou o celular para conversar com o irmão sobre as cabras da família. Talvez hoje o masai use seu celular para saber sobre clima ou até para encontrar uma namorada em uma vila vizinha.

Qual o impacto da criatividade no futuro do trabalho?
A tecnologia está substituindo os humanos em trabalhos previsíveis, como anotação de dados, linha de produção e até alguns serviços jurídicos e contábeis. Vamos necessitar que a força de trabalho esteja empenhada na criação de produtos e serviços e em jeitos inovadores de entregá-los. Já o trabalho rotineiro será feito de forma mais efetiva pela tecnologia.

É possível aprender essas habilidades criativas na escola?
O modo como desenhamos nossas instituições tende a limitar a criatividade. O desafio das organizações é ajudar as pessoas a redescobrirem ideias e comportamentos criativos que antes eram naturais para elas. E, também, desenhar o trabalho de modo a encorajar as pessoas a pensar diferente, a falhar e continuar tentando.

O processo de alteração do homem pela máquina, conhecido pelo termo augmentation, deve impactar o trabalho em breve ou ainda leva tempo?
O futuro do trabalho vai ser definido por humanos e computadores trabalhando em sintonia, através da união entre ambos. Isso já está acontecendo. Basta pensar na nossa relação com aplicativos ou em nossos celulares e como eles permitem que facilmente nos comuniquemos em tempo real com outros ao redor do mundo ou que nos movamos entre o ponto A e o B rapidamente. Isso vai aumentar nos próximos anos.

A senhora diz que dinheiro não deve ser o único aspecto no trabalho. Quais os outros?
As organizações precisam oferecer aos empregados recursos intangíveis, como treinamento de habilidades, vitalidade, bem-estar e capacidade de desenvolver redes que os ajudarão a se mover entre carreiras no futuro.

As organizações devem oferecer aos funcionários a capacidade de aprimorar sua empregabilidade. As mais inovadoras já começam a experimentar. Muitas pessoas querem focar em sua saúde e, ao mesmo tempo, sabem da necessidade de aumentar seu grau de empregabilidade e sua habilidade de se transformar, já que terão uma vida profissional mais longa.

Qual o impacto da maior expectativa de vida no trabalho?

O modo como estruturamos o trabalho é baseado em um modelo de vida com três estágios: educação, trabalho e aposentadoria. Esse modelo vai desmoronar. Muitas pessoas não poderão se aposentar aos 60 anos, se pudermos viver bem até 100 anos.

Além disso, ficar aposentado por 30 anos não é atraente para o bem-estar social e psicológico. Vamos estender o trabalho até uma idade avançada e criar mais períodos de descanso, recuperação e reciclagem durante a vida profissional. Vamos mudar do modelo de três estágios para um de múltiplos níveis.

As empresas precisarão criar mais opções para permitir às pessoas períodos de descanso, de recuperação e de treinamento e estudo. Também devem entender que a idade não vai mais ter relação direta com o estágio da vida, já que cada um deverá usar as diferentes opções que existem para sequenciar a vida como achar melhor.

Quais são as melhores cidades no mundo para se estudar?

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Além de Montreal (foto), o Canadá tem Vancouver e Toronto na lista

Além de Montreal (foto), o Canadá tem Vancouver e Toronto na lista

 

Publicado no UOL via BBC Brasil

Qual é a melhor cidade do mundo para ser estudante? De acordo com o ranking 2017 das melhores cidades universitárias, realizado pela consultoria britância QS (Quacquarelli Symonds), trata-se de Montreal. A cidade canadense desbancou Paris, que perdeu pela primeira vez em quatro anos a liderança do ranking, ficando em segundo lugar dentre as 100 cidades que fazem parte da lista.

O Brasil aparece no ranking representado por duas cidades: São Paulo (69º) e Rio de Janeiro (94º). A capital paulista caiu seis posições em relação ao último levantamento, de 2016, enquanto o Rio de Janeiro fez sua estreia na lista.

Para entrar no ranking, as cidades devem ter uma população de pelo menos 250 mil habitantes e ser sede de, pelo menos, duas universidades que fazem parte do QS World University Rankings.

O ranking é baseado em um conjunto de parâmetros, como a qualidade das universidades, custo e qualidade de vida, caráter internacional, acesso ao mercado de trabalho e experiência estudantil.

A edição de 2017 ampliou a lista para 100 cidades – no levantamento anterior, foram contempladas 75.
Lista das melhores cidades para ser estudante

1. Montreal (Canadá)
2. Paris (França)
3. Londres (Inglaterra)
4. Seul (Coreia do Sul)
5. Melbourne (Austrália)
6. Berlim (Alemanha)
7. Tóquio (Japão)
8. Boston (Estados Unidos)
9. Munique (Alemanha)
10. Vancouver (Canadá)
69. São Paulo (Brasil)
94. Rio de Janeiro (Brasil)

Destinos alternativos

O Canadá aparece bem classificado em termos de conveniência para estudantes internacionais. Além de Montreal, Vancouver aparece na 10ª posição e Toronto em 11º no ranking. O país tem a vantagem de oferecer cursos em duas línguas: inglês e francês.

O resultado reforça a tese de que o Canadá pode concentrar uma parcela maior do rentável mercado de educação internacional, especialmente diante das incertezas sobre as mudanças nas regras de entrada dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump.

Para Ben Sowter, responsável pela Unidade de Inteligência da QS, a crescente popularidade do Canadá faz parte do aumento de “alternativas para os destinos de estudo tradicionalmente dominantes, tanto na Europa como na América do Norte”.

“O Canadá vai se tornar um ator importante”, prevê Sowter. Segundo ele, o país norte-americano pode atrair estudantes dos Estados Unidos, enquanto o Reino Unido pode perder alunos para a Irlanda, Holanda e países escandinavos.

Um porta-voz da cidade de Montreal confirma que houve um grande aumento no número de estudantes internacionais, especialmente da China, Índia, França e Irã.

Queda de Paris

Paris aparece, por sua vez, como a segunda colocada no ranking. A queda em relação ao levantamento anterior é atribuída ao custo de vida e à diminuição de certos critérios desejáveis, como segurança.

Sowter não acredita, no entanto, que haja uma ligação com os ataques terroristas na capital francesa. Ele afirma que poucas cidades são apontadas nas entrevistas com os alunos como mais atraentes do que Paris.

Segundo ele, os estudantes concordam que não há cidades com “risco zero”, seja Boston, Berlim ou Paris, todas têm mantido seu apelo.
Londres é Londres

Já a terceira cidade mais atraente para os estudantes, segundo o estudo, é Londres.

As instituições de ensino britânicas estão preocupadas, no entanto, com o impacto que o Brexit (saída da União Europeia) pode ter no Reino Unido, fazendo com que seja percebido como um destino menos acolhedor para os estudantes estrangeiros.

Pesquisas recentes de universidades britânicas revelaram uma queda de 7% na candidatura de estudantes da União Europeia.

Ainda não há sinais, no entanto, de um impacto negativo sobre Londres no ranking deste ano, uma vez que a capital do Reino Unido subiu da quinta para a terceira posição na lista.

É importante lembrar que a desvalorização da libra após o Brexit também facilitou o acesso a estudantes estrangeiros em termos financeiros.

As universidades de Londres obtêm alta pontuação devido à qualidade. “Nenhuma cidade possui a variedade e qualidade de universidades como Londres”, diz.

Assim como Boston (oitavo lugar) –que conta com a Universidade de Harvard, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) e a Universidade de Boston–, Londres e Paris também se beneficiam do grande número de instituições de ensino.

Fortaleza alemã

Além do Canadá, o outro único país com duas cidades no top 10 é a Alemanha, com Berlim, em sexto, e Munique, na nona posição.

O resultado reflete as vantagens financeiras da Alemanha para estudantes estrangeiros, que não pagam sequer taxa de matrícula.
Ásia vem aí

Os países asiáticos – principalmente China e Índia – fornecem o maior número de estudantes estrangeiros.

Mas os países asiáticos também estão atraindo alunos internacionais, com cinco cidades no top 20 do ranking, lideradas por Seul, que subiu para o quarto lugar, e Tóquio, que está em sétimo.

Xangai é a cidade chinesa com a melhor classificação, ocupando o 25º lugar. Já Mumbai (ex-Bombaim) é a primeira cidade indiana na lista, na 85ª posição.

Além de São Paulo (69º) e Rio de Janeiro (94º), outras cidades latino-americanas que aparecem no ranking são: Buenos Aires (42º), Cidade do México (51º), Santiago (62º), Bogotá (73º), Monterrey (76º) e Lima (99º).

O fato é que a competição para atrair estudantes internacionais é um grande negócio. Os Estados Unidos continuam sendo o maior mercado, e as cifras anuais mostram que, pela primeira vez, mais de um milhão de estudantes estrangeiros se encontram em universidades do país. Apenas a China enviou cerca de 330.000 alunos.

Além dos benefícios que resultam dos contatos transnacionais para pesquisa e da projeção da influência cultural a nível internacional, estima-se que os estudantes estrangeiros contribuam com quase US$ 36 bilhões para a economia dos EUA.

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