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Vendas de “1984″ crescem quase 7.000% após escândalo de monitoramento nos EUA

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Publicado por Folha de S.Paulo

As vendas de “1984″, de George Orwell, aumentaram quase 7.000% em apenas um dia na Amazon, a maior varejista on-line de livros do mundo.

O aumento se segue à revelação, feita na última quinta (6) pelos jornais “The Guardian” e “Washington Post”, do gigantesco esquema de monitoramento de dados de telefone e internet realizado ilegalmente pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos –tratado por analistas como uma versão real do Big Brother, o Grande Irmão que tudo vê do livro de Orwell.

Na seção “movers & shakers” do site, que dá a lista dos títulos que tiveram o maior aumento de vendas nas últimas 24 horas, o livro está em quarto lugar, com alta de 6.888%. A obra, cuja primeira edição foi publicada em 8 de junho de 1949, saltou da 12.859ª posição para a 184ª no ranking de mais vendidos do site.

Uma outra edição, de 2003, que reúne as duas obras mais famosas de Orwell (“1984″ e “A Revolução dos Bichos”) também entrou para o ranking, na 11ª posição, com alta de 290% nas vendas.

Britânica posa para foto com exemplar de "1984", de George Orwell - Toby Melville/Reuters

Britânica posa para foto com exemplar de “1984″, de George Orwell – Toby Melville/Reuters

Em “1984″, Orwell (1903-1950) cria um futuro distópico em que a sociedade é permanentemente vigiada e controlada pela figura do Grande Irmão.

Na ficção, a vida de cada pessoa é filmada 24 horas por dia, para monitoramento de qualquer ação que possa significar risco ao governo totalitário.

No real e atual esquema para vigiar a vida alheia, o serviço de inteligência do governo americano tem acesso aos servidores das grandes empresas de tecnologia, como Google e Facebook.

Ele está lendo os e-mails?

Barack Obama está lendo seus e-mails? Na dúvida, o site "Obama Is Checking Your Email" (Obama está vendo seu e-mail) reuniu imagens do mandatário americano "comendo tela" dos outros

Barack Obama está lendo seus e-mails? Na dúvida, o site “Obama Is Checking Your Email” (Obama está vendo seu e-mail) reuniu imagens do mandatário americano “comendo tela” dos outros

Há seis anos, agências de segurança e espionagem dos EUA vasculham mensagens eletrônicas, conversas na rede, arquivos, videoconferências, conexões a computadores de civis –incluindo estrangeiros que não moram no país– além de rastrearem as ligações telefônicas internas.

O esquema foi revelado no último dia 6, em reportagens publicadas nos jornais “Washington Post” e “Guardian”. Após a revelação, o presidente americano, Barack Obama, admitiu e defendeu o monitoramento de dados e telefonemas. A justificativa é o combate ao terrorismo.

Idosa encontra em museu diário de namorado morto na Segunda Guerra Mundial, há quase 70 anos

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Laura Mae Davis Burlingame, de 90 anos, mostra a foto que estava no diário do então namorado Foto: Michael Conroy / AP

Laura Mae Davis Burlingame, de 90 anos, mostra a foto que estava no diário do então namorado Foto: Michael Conroy / AP

Publicado por Extra

Antes de morrer na Segunda Guerra Mundial, em 1944, aos 22 anos, o oficial Thomas Jones escreveu o que chamou de “último pedido de vida”: quem encontrasse o diário dele, deveria entregá-lo a Laura Mae Davis, a garota que amava. Mas moça em questão só encontrou o diário na semana passada, quase 70 anos após a morte do rapaz, em uma visita ao Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial, em Nova Orleans, nos Estados Unidos.

Jones morreu em uma batalha contra os japoneses, em uma ilha no Pacífico Sul. Ele foi atingido por uma bala na cabeça, por um atirador de elite. Laura se casou um ano depois, em 1945, e nunca imaginou que o diário que ela deu para Jones havia sobrevivido à guerra. A mulher, de 90 anos, encontrou o documento em uma vitrine do museu, e reconheceu a própria foto nele.

- Eu não tinha ideia de que havia um diário aqui – disse ela, emocionada, em entrevista à agência de notícias Associated Press.

O rapaz de 22 anos pediu que o diário fosse entregue para a namorada Foto: / AP

O rapaz de 22 anos pediu que o diário fosse entregue para a namorada Foto: / AP

Laura foi até o museu na esperança de encontrar alguma foto de Jones, com quem havia namorado ainda na adolescência. Ela era líder de torcida e ele jogava na equipe de basquete da mesma escola. Os dois foram ao baile de formatura juntos. Laura ficou empolgadíssima ao descobrir o registro do romance de tantos anos.

- Eu pensei que poderia encontrar fotos dele e dos companheiros que serviram na guerra com ele, e artigos sobre o local onde eles serviram – contou a anciã.

Laura só encontrou o diário 70 anos depois Foto: / AP

Laura só encontrou o diário 70 anos depois Foto: / AP

Laura recebeu permissão para olhar o diário de perto. Afinal, foi a primeira vez em 17 anos que alguém se reconhecia nos documentos expostos ali.

Após a morte de Jones, o diário foi encaminhado para a irmã dele. Depois, o documento ficou com o sobrinho dele, e foi entregue ao museu em 2001. Ele disse que não chegou a entrar em contato com Laura por receio de que causasse problemas no casamento dela. Coisa que a americana jurou ser impossível:

- Meu marido e Tommy eram ótimos amigos – garante.

Laura ficou emocionada com a quantidade de vezes que Jones mencionou o nome dela no diário, onde havia inúmeras cartas nunca enviadas para a amada e para os pais. Laura teve que deixar o documento para trás, no museu, mas saiu com a garantia de que receberia uma cópia digitalizada, conforme pediu o oficial, há 69 anos:

“Todo o meu amor para Laura, por quem o meu coração está completamente preenchido. Então, se você tiver a chance, por favor devolva o diário a ela. Estou escrevendo isso como meu último desejo”, suplicou Jones.

Thomas “Cotton” Jones morreu em 1944 Foto: / AP

Thomas “Cotton” Jones morreu em 1944 Foto: / AP

Quase metade dos aprovados em medicina no Sisu migra de estado

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Com 46,85%, mobilidade em medicina é o triplo da média geral, diz MEC.
Em 11 estados, alunos locais são minoria entre os matriculados na carreira.

Ana Carolina Moreno, no G1

Quase metade das vagas de medicina oferecidas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) no primeiro semestre deste ano – que estão entre as mais cobiçadas do processo seletivo – foi ocupada por estudantes que não moravam no mesmo estado da instituição em que vão estudar. Levantamento feito pelo Ministério da Educação a pedido do G1 mostra que, das 1.731 matrículas em cursos de medicina oferecidas pelo Sisu, 46,85% foram preenchidas por calouros de outros estados. Veja a tabela da mobilidade de medicina pelo Sisu

A migração provocada pelas vagas em medicina é mais que o triplo da mobilidade média registrada pelo governo federal na edição do primeiro semestre de 2013 do Sisu. Segundo os números do MEC, 13% dos matriculados em todas as 118.996 vagas já preenchidas no país são “forasteiros” nos estados em que vão fazer faculdade.

O Sisu usa as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para selecionar candidatos. As inscrições para a edição do 1º semestre de 2014 terminam às 23h59 desta segunda-feira (27).

Para os cursos de medicina em 2013 foram oferecidas vagas em universidades públicas de 19 estados, menos no Distrito Federal, Amapá, Espírito Santo, Pará, Rio Grande do Norte, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe.

1Acre, Amazonas, Roraima, Mato Grosso e Paraná foram os que mais receberam calouros de medicina de outros estados, com mais de 70% de estudantes “forasteiros”. No total, em 11 estados os alunos locais são minoria entre as matrículas do curso (Veja na tabela ao lado).

Para especialistas, a alta mobilidade das vagas de medicina, em comparação com a média geral, é um fenômeno não muito diferente do que já acontecia antes nos vestibulares para carreiras muito disputadas, onde os estudantes com acesso aos melhores métodos de ensino costumavam ocupar a maioria das vagas.

Eles afirmam que, além de investimentos na melhoria das redes públicas de ensino, as políticas de ações afirmativas podem auxiliar no processo de democratização das vagas mais procuradas.

Paulistas ocupam mais vagas de fora

Assim como na média de todas as vagas, os paulistas também são os que mais conseguiram aprovações em vagas oferecidas longe de casa. Dos 811 universitários que mudaram de estado para fazer medicina, 211 (ou 26%) são de São Paulo. Um dos motivos para o “êxodo” de paulistas, segundo especialistas, é a baixa oferta de vagas.

1Entre as quatro instituições federais do estado que participam do Sisu, só a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) oferece vagas de medicina. Neste ano, 53 matrículas foram feitas. Na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o curso é um dos sete que ainda não trocaram o vestibular pelo Sisu. A instituição já descartou a mudança para as vagas de medicina em 2014.

São Paulo é o segundo em número absoluto de aprovados na carreira pelo Sisu 2013, mas está apenas na 11ª colocação na lista de estados com o maior número de vagas oferecidas no sistema.

A três dias do fim das inscrições, segundo os balanços divulgados pelo MEC, os três estados que mais inscreveram candidatos no Enem 2013 são São Paulo, Minas Gerais e Ceará. Eles também são os três que mais aprovaram calouros em medicina. Juntos, eles respondem por 45% das vagas na carreira ocupadas neste semestre. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, atribui a predominância dos candidatos de alguns estados na concorrência pelas vagas de medicina ao resultado da meritocracia na qual o Sisu está baseado.

De acordo com o professor Tufi Machado Soares, que dá aulas de estatística da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), cursos como medicina e odontologia já eram ocupados em todo o país por uma minoria da elite, porque a concorrência tem sido historicamente alta. “Isso já acontecia normalmente, e a tendência com o Sisu é aumentar. São cursos que demandam muito do estudante, mas têm um grande retorno”, explica.

No sentido horário: Luciana Rabelo, João Vitor Peter, Tialisson Scotti e Agnes Costa, alguns dos 811 calouros de medicina do Sisu que mudaram de estado para fazer faculdade (Foto: G1)

No sentido horário: Luciana Rabelo, João Vitor Peter, Tialisson Scotti e Agnes Costa, alguns dos 811 calouros de medicina do Sisu que mudaram de estado para fazer faculdade (Foto: G1)

Alunos locais perdem vagas

Durante as inscrições do Sisu, o MEC divulgou um balanço parcial com a lista dos dez cursos com a maior concorrência. Nove deles eram de medicina, incluindo os das universidades federais do Acre (Ufac) e do Amazonas (Ufam). Depois de preenchidas as vagas, o relatório de mobilidade mostra que, no Acre, das 37 matrículas feitas até maio, apenas duas eram de estudantes acreanos. Cinco são mineiros e cinco, paulistas. No caso do Amazonas, só três candidatos locais conseguiram a aprovação, enquanto 11 calouros saíram de São Paulo para estudar no Amazonas.

95% das vagas de medicina na Ufac e na Ufam foram preenchidas por candidatos de fora dos dois estados; apenas 2 acreanos e 3 amazonenses foram aprovados nos cursos, que estavam entre os dez mais procurados do Sisu

Em Alagoas, 56% dos novos alunos de medicina neste ano saíram de outros estados – a grande maioria deles morava em estados que não fazem fronteira com a unidade da federação para onde se mudaram.

O pró-reitor de graduação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Amauri da Silva Barros, afirma ao G1 que respirou um pouco mais aliviado neste ano ao ver o resultado do Sisu. “Foi uma situação muito difícil a de 2012. Em medicina oferecemos 80 vagas e, no final de todas as chamadas, foram 20 alagoanos matriculados”, conta. Neste ano, com a instituição na segunda chamada da lista de espera, esse número já está “entre 20 e 25″, segundo ele, e a expectativa é preencher até 35 das vagas de medicina com calouros locais.

Professores de cursinhos agora correm para se atualizar nos conteúdos do Enem e ajudar os vestibulandos de medicina alagoanos a concorrerem com os milhares de candidatos que decidiram disputar uma vaga no curso desde o ano passado, com a adesão total da Ufal ao Sisu.

Barros diz que a inscrição para medicina saltou de 2.700 em 2011 para 7.800 no ano seguinte. “E o nosso ensino básico está na UTI há anos, aí quebra a gente.”

Em entrevista ao G1, Mercadante afirma que os indicadores educacionais ainda mostram discrepância grande entre as regiões brasileiras, mas a solução para a concorrência nacional criada pelo Sisu não é a reserva de vagas, e sim o investimento na melhoria da educação. “Estamos fazendo um investimento grande no ensino público médio, e parcerias para focar onde temos mais dificuldade no ensino médio. Temos que melhorar a qualidade no ensino para que haja condições de competir”, afirma.

Cursinhos veem aprovação despencar

No curso pré-vestibular do Colégio Contato, em Maceió, o número de estudantes que conquistavam uma vaga em medicina na Ufal caiu drasticamente. “A nossa aprovação era de 35 alunos, 40 alunos. Hoje reduziu para dez”, afirma Sandro Fonseca, coordenador do curso.

O aluno começou a sentir o peso do Enem, então, por conta disso, o esforço dele tem que ser maior, ele sabe que a concorrência não é só local, é nacional”
Sandro Fonseca,
coordenador do cursinho do Colégio Contato

“Antes era muito mais fácil para um estudante alagoano entrar na medicina na Ufal”, diz. Segundo Fonseca, a nota de corte do Sisu 2013 na carreira foi de 872 no Enem.

Para reduzir o déficit entre os estudantes locais e os candidatos de outras partes do país, o coordenador afirma que os professores estão buscando mais qualificação para preparar seus vestibulandos. “A gente continua correndo atrás, aprimorando, fazendo reciclagem de professor, de material, mudando tudo. O aluno começou a sentir o peso do Enem. Então, por conta disso, o esforço dele tem que ser maior, ele sabe que a concorrência não é só local, é nacional.”

Médicos que não ficam na cidade

Um dos efeitos do aumento da concorrência do curso de medicina da Universidade Federal do Acre, no entanto, foi a decisão dos vestibulandos locais de disputar uma vaga na carreira em processos seletivos de outros estados, que ainda não aderiram ao Sisu.

Segundo Ticiana Paula Castro de Souza, diretora do cursinho Aprovação, de Rio Branco, “os alunos não estão acreditando mais no Enem”. Ela afirma que isso ocorre tanto pelo aumento da disputa quanto pelas polêmicas a respeito da correção da prova da redação.

“Tenho aluno aprovado na Unir [Universidade Federal de Rondônia], na UEA [Universidade Estadual do Amazonas]. Os alunos acreanos estão procurando faculdades em outras regiões onde o vestibular é melhor para eles”, contou ela.

A diretora afirma ter visto a concorrência das vagas de medicina da Ufac subir de 40 para 200 candidatos por vaga. A maioria dos aprovados de outros estados acaba optando por se mudar para Rio Branco porque não conseguiu vaga em outras regiões, e o objetivo costuma ser voltar para casa após a conquista do diploma.

“A maioria vai embora do estado, e o estado fica sem médico. Até nisso é ruim para a cidade de Rio Branco. A cidade está precisando de médicos”, reclama Ticiana.

São efeitos que não se tinha muita noção que poderiam acontecer, nem uma avaliação segura das suas consequências”
Jaime Tadeu Oliva,
professor do IEB-USP

Jaime Tadeu Oliva, professor do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da Universidade de São Paulo, acredita que a alta mobilidade do Sisu em cursos concorridos é uma de várias consequências que a centralização de mais de 100 mil vagas em um único sistema de seleção pode provocar.

“Esse efeito e certamente muitos outros que vão se percebendo são efeitos que não se tinha muita noção de que poderiam acontecer, nem uma avaliação segura das suas consequências. São efeitos mais ou menos inesperados, que precisam ser repensados”, explica. Oliva não acredita que eles indiquem o fracasso do Sisu, mas defende a possibilidade de busca de alternativas, como uma reserva mínima de vagas.

Tufi Machado Soares, da UFJF, acredita que a lei de cotas, que fará com que, a partir de 2016, metade de todas as vagas das universidades federais sejam destinadas a estudantes de escola pública e negros, pardos e indígenas, também ajudará no processo de democratização do acesso ao ensino superior.

Com preços até 50% menores do que no Brasil, gráficas chinesas seduzem editoras nacionais

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Só no ano passado, 13,5 mil toneladas de livros produzidos na China chegaram aos portos do país, 2 mil toneladas a mais do que em 2011
Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) recorre ao governo federal para pedir uma política mais protecionista

Nos últimos meses, toneladas de livros impressos na China desembarcaram nos portos do Brasil Reproduções

Nos últimos meses, toneladas de livros impressos na China desembarcaram nos portos do Brasil Reproduções

Cristina Tardáguila e Maurício Meireles, em O Globo

RIO — Nos últimos meses, toneladas e toneladas de livros impressos na China desembarcaram nos portos do Brasil. Foram milhares. A editora Cosac Naify trouxe títulos como “Linha do tempo do design gráfico do Brasil”, de Chico Homem de Melo e Elaine Ramos. A Companhia das Letras, “Asterios Polyp”, de David Mazzucchelli. A Sextante imprimiu em território chinês livros da coleção 1001, conhecida por títulos como “1001 lugares para conhecer antes de morrer”. E a Record também foi atrás. Trouxe, de navio, lançamentos como “História da beleza”, de Umberto Eco, e “Diablo III — O livro de Caim”, de Deckard Cain. Todas essas editoras enxergaram lá, do outro lado mundo, uma forma de reduzir pela metade o custo de produção e de, assim, levar às livrarias obras 50% mais baratas do que se tivessem sido impressas em território nacional.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Brasil importou da China 13,5 mil toneladas de livros no ano passado — o equivalente, em peso, a quase 3,5 milhões de exemplares de “Cinquenta tons de cinza”, da Intrínseca. Foram cerca de 2 mil toneladas a mais do que em 2011. O total de 2012 supera em quatro vezes o volume de livros que veio da Europa, região que ocupa o segundo lugar no ranking das importações de livro.

O salto alertou a Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), já pressionada pelo crescimento da venda de ebooks no país. O mercado estima que, em março, 150 mil livros digitais tenham sido comercializados no Brasil — dez vezes mais do que em setembro, pouco antes de a Apple abrir sua loja virtual no país. De olho nos números, a Abigraf solicitou reuniões tanto com a Receita Federal quanto com o Ministério da Fazenda. Na pauta: as chances de ter uma política mais protecionista. O debate, no entanto, segue em aberto.

— A gente optou por imprimir alguns livros na China porque, em vários casos, aqui no Brasil, eles seriam completamente inviáveis. É o que ocorre com “Linha do tempo do design gráfico do Brasil” — conta Aline Valle, gerente de produção gráfica da Cosac. — Se tivesse sido impressa aqui, a edição custaria R$ 400.
No site da editora, na tarde de ontem, a obra saía por R$ 212.

O interesse na China é tanto que, em novembro, a Cosac mandou Aline à região para conhecer e estreitar laços. A preocupação da editora era, sobretudo, não fechar contratos com empresas que usassem, por exemplo, mão de obra em situação irregular. Aline conta ao GLOBO que não viu nada parecido com isso nas empresas que visitou e que a Cosac só imprime em gráficas que tenham condições de trabalho internacionalmente certificadas.

— Os números da coleção 1001 são um ótimo exemplo de como o baixo custo de produção pode gerar grandes resultados (de venda) — diz Tomás Pereira, sócio-fundador da Sextante. — A série foi lançada a R$ 59,90, quando custaria, normalmente, quase R$ 100 (se feita no Brasil).

Prazo de entrega é visto como inconveniente

Rodar livros na China tornou-se atraente até para empresas de menor porte, como a editora de George Ermakoff.

— Tenho quatro livros prontos para serem impressos lá. Vale muito a pena — conta o editor. — Trazer da China, de navio, um livro de arte que pese mais ou menos 1,5 quilo custa US$ 0,40, ou R$ 1. É o mesmo valor cobrado no trajeto de caminhão entre São Paulo e Rio. A vantagem fica no custo da impressão. Na China, ele é 50% menor.

Ermakoff diz ainda que nem a Lei Rouanet nem a Lei do ICMS do Rio de Janeiro — ambas de incentivo à produção cultural — fazem referência a impressões no exterior.

— Consultei vários advogados e especialistas sobre isso. Ainda assim, para me proteger, só imprimo na China as obras que não têm lei de incentivo.

Quanto à qualidade do que vem de lá, as editoras brasileiras dizem não ter queixas.

— O papel chinês tem boa qualidade, e o ajuste de cores é muito bom — acrescenta Ermakoff, que lançará nos próximos meses “Geneviève Naylor — Uma fotógrafa norte-americana no Brasil” e “Parc Royal”, ambos vindos da Ásia.

Sônia Jardim, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e vice-presidente da Record, editora que tem seu próprio parque gráfico, faz eco:

— O padrão de qualidade deles é espetacular. Quanto mais caprichado for o acabamento do livro, mais vantajoso é imprimir na China. Os gráficos chineses já frequentam feiras internacionais, oferecendo o serviço. É comum vê-los em Bolonha (Itália) e Frankfurt (Alemanha).

Imprimir na China tem, entretanto, pelo menos um inconveniente: o prazo. Entre a entrega dos arquivos na gráfica chinesa (via internet) e a chegada dos livros às prateleiras brasileiras, podem se passar até 120 dias. Só o trajeto de navio leva, em média, um mês e meio. A solução chinesa não é, portanto, interessante para os best-sellers, que precisam ser repostos com agilidade, sob o risco de fracassar ante a busca dos leitores.

— É por isso que a gente só faz impressão na China em situações bastante específicas, como é o caso das coedições internacionais, que não permitem que as obras sejam impressas aqui — explica Mauro Palermo, diretor da Globo Livros, empresa que trouxe da Ásia títulos como “O livro da psicologia”, “O livro da economia” e “O livro da filosofia”.

Por coedição entende-se uma obra de origem estrangeira impressa em diversas línguas ao mesmo tempo e num mesmo lugar. A decisão sobre o local, nesse caso, cabe à editora dona do título. E aí a escolha tem sido quase sempre a China. Ao falar sobre o crescimento das impressões chinesas, os editores brasileiros fazem essa ressalva. Estão computadas aí muitas coedições internacionais, cada vez mais frequentes no Brasil.

— A situação tem diversos componentes. O que tira a competitividade da indústria gráfica brasileira é, sobretudo, o custo de operação e a mão de obra — afirma Fábio Mortara, presidente da Abigraf, lembrando que o setor investiu US$ 1,2 bilhão em maquinário no ano passado e que usa equipamentos semelhantes aos dos chineses (vindos da Europa).

20 mil aqui, 100 mil lá

Segundo Mortara, enquanto o Brasil tem 20 mil gráficas operando, a China possui 100 mil, e há notícias de que o Estado chinês subsidie a indústria milenar de seu país.

O que mais preocupa a associação da classe é a possibilidade de o maior comprador de livros do Brasil — o governo federal — adquirir material impresso na China em detrimento do mercado brasileiro.

— Por ano, o governo federal compra um terço dos exemplares que circulam no país. São cerca de 150 milhões de livros didáticos — diz Mortara. — Em 2012, quando vimos que a disputa com a China se agravaria, conseguimos que o governo concordasse em só comprar material impresso aqui. Até agora, para 2013, não temos qualquer garantia.

— A gente não tem nenhuma intenção de prejudicar o mercado brasileiro. Prezamos por nossas parcerias com as gráficas nacionais. E seria ótimo se pudéssemos fazer tudo, a um bom custo, no Brasil. Mas também estamos tentando fechar nossas contas — pondera Aline Valle, da Cosac, que lançou mais de 20 títulos nos primeiros quatro meses do ano, 13 deles made in China.

Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção?

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Marilyn Wedge, no Cultivando o Equilíbrio

Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?

TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.

Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.

Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.

Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.

A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.

E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.

A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre – que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.

Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.

Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.

Texto original em Psychology Today

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