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Livros que todo mundo deveria ler em 2019

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Imagem: pixabay

Selecionamos os livros mais vendidos e bem avaliados lançados nos últimos meses. Confira a lista e escolha o seu

Publicado no Infomoney

Todos os anos a promessa de “ler mais livros” compete com “praticar exercícios” pela posição de resolução de Ano Novo mais listada ao redor do mundo. Para te ajudar a cumprir pelo menos um dos objetivos da sua lista, selecionamos os melhores livros lançados recentemente, que conquistaram leitores ao redor de todo o mundo e figuram nas listas de mais vendidos e bem avaliados. Confira a seguir:

A Menina da Montanha – Tara Westover

Esse romance foi eleito o livro do ano de 2018 pela Amazon e também integrou a lista de melhores livros do ano de Barack Obama e Bill Gates. A Menina da Montanha é o relato autobiográfico de Tara Westover, uma americana criada nas montanhas de Idaho, onde a família vivia totalmente isolada da sociedade, sem ninguém para oferecer uma educação formal. Quando um dos irmãos da jovem conseguiu chegar à universidade e trouxe notícias da vida além das montanhas, Tara decidiu tentar um novo estilo de vida. Ela aprendeu, de forma autodidata, matemática, gramática e ciência, e conseguiu chegar à universidade, onde estudou psicologia, política, filosofia e história. Sua busca por conhecimento a transformou e a levou para Harvard e Cambridge.

21 lições para o século 21 – Yuval Noah Harari

O aclamado autor de Sapiens e Homo Deus, Yuval Noah Harari, lançou em 2018 “21 lições para o século 21”, que explora o presente e nos conduz por uma fascinante jornada pelos assuntos prementes da atualidade. Seu novo livro trata sobre o desafio de manter o foco coletivo e individual em face a mudanças frequentes e desconcertantes. Seríamos ainda capazes de entender o mundo que criamos?

A Economia das Crises – Nouriel Roubini

Trata-se do novo livro de Nouriel Roubini, conhecido como “Dr Apocalipse”, por ter previsto a última crise financeira muito antes de qualquer outro especialista. Ao contrário dos profissionais da área, Roubini não trata os desastres econômicos como eventos extravagantes, singulares e isolados, sem causa nítida. Décadas de pesquisas em todo o mundo lhe permitiram constatar que eles são previsíveis e passíveis de prognóstico. Roubini se une a Stephen Mihm e, ao compararem crises em diversos países e épocas, eles mostram que os cataclismos financeiros são tão antigos e onipresentes quanto o capitalismo.

Bad Blood: Fraude Bilionária no Vale do Silício – John Carreyrou

Bad Blood traz a história completa da ascensão meteórica e o chocante colapso da Theranos, uma startup multibilionária de biotecnologia. O livro foi escrito por John Carreyrou, premiado jornalista que divulgou a história em primeira mão e perseguiu-a até o fim, apesar da pressão de sua carismática CEO e das ameaças de seus advogados. Em 2014, a fundadora e CEO da Theranos, Elizabeth Holmes, foi amplamente vista como a versão feminina de Steve Jobs: uma brilhante ex-aluna de Stanford cujo “unicórnio” prometia revolucionar a indústria médica com uma máquina que tornaria os testes de sangue mais rápidos e fáceis. Em “Bad Blood”, John Carreyrou conta a história fascinante da maior fraude corporativa desde a Enron, um conto de ambição e arrogância em meio às promessas ousadas do Vale do Silício.

Breves respostas para grandes questões – Stephen Hawking

Um dos livros mais vendidos de 2018, “Breves respostas para grandes questões” traz textos inéditos do físico Stephen Hawking sobre as maiores perguntas da humanidade. Com o livro, somos conduzidos a suas reflexões sobre a origem do universo, a existência de Deus e a natureza do tempo, assuntos sempre submetidos a seu intelecto afiado de cientista. Aliado à curiosidade que o impulsionou por toda a vida, ele projeta seu olhar também para o futuro, buscando soluções para problemas que ameaçam hoje o mundo como o conhecemos, tais como o aquecimento global, a fome e a urgência de um desenvolvimento sustentável.

Minha História – Michele Obama

O livro é de autoria da ex-preimeira-dama dos Estados Unidos Michele Obama, que se se consolidou como uma das mulheres mais icônicas e cativantes de nosso tempo.Em suas memórias, um trabalho de profunda reflexão e com uma narrativa envolvente, Michelle convida os leitores a conhecer seu mundo, recontando as experiências que a moldaram — da infância na região de South Side, em Chicago, e os seus anos como executiva tentando equilibrar as demandas da maternidade e do trabalho, ao período em que passou no endereço mais famoso do mundo. Com honestidade e uma inteligência aguçada, ela descreve seus triunfos e suas decepções, tanto públicas quanto privadas, e conta toda a sua história, conforme a viveu.

Medo: Trump na Casa Branca – Bob Woodward

O autor do livro é Bob Woodward – um dos mais destacados repórteres políticos de todos os tempos. Com detalhes sobre a rotina de Trump, diálogos e documentação inédita, o livro abalou a política norte-americana. O autor se vale de centenas de horas de entrevistas com fontes primárias, atas de reunião, diários pessoais, arquivos e documentos para revelar a maneira atabalhoada como são tomadas as decisões na Casa Branca. De assuntos-chave da política internacional, como a Coreia do Norte, Afeganistão, Irã, Oriente Médio, China e Rússia, a pontos cruciais da política interna, como imigração e a violência racial em Charlottesville, MEDO retrata “o colapso nervoso do poder executivo do país mais poderoso do mundo”, afirma Woodward.

Como as democracias morrem – Steven Levitsky e Daniel Ziblatt

Ainda no cenário político, o livro faz uma análise crua e perturbadora do fim das democracias em todo o mundo. Afinal, democracias tradicionais entram em colapso? Essa é a questão que Steven Levitsky e Daniel Ziblatt – dois conceituados professores de Harvard – respondem ao discutir o modo como a eleição de Donald Trump se tornou possível. Para isso comparam o caso de Trump com exemplos históricos de rompimento da democracia nos últimos cem anos: da ascensão de Hitler e Mussolini nos anos 1930 à atual onda populista de extrema-direita na Europa, passando pelas ditaduras militares da América Latina dos anos 1970.

Do Mil ao Milhão. Sem Cortar o Cafezinho. – Thiago Nigro

O livro é leitura obrigatória para quem busca a independência financeira. Escrito por Thiago Nigro, criador do “O Primo Rico”, o livro ensina aos leitores os três pilares para atingir a independência financeira: gastar bem, investir melhor e ganhar mais. Por meio de dados e de sua própria experiência como investidor e assessor, Nigro mostra que a riqueza é possível para todos – basta estar disposto a aprender e se dedicar.

10 livros que todos deveriam ler aos 30 anos

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Entre os mais diversos temas, a lista passa de questões como raça e gênero, relacionamentos até questões sociológicas e econômicas

Publicado no InfoMoney

SÃO PAULO – A fase dos 30 anos pode ser uma das melhores da sua vida. Se por um lado, pode ficar mais complicado com diversas mudanças no âmbito pessoal como a construção de uma família, por exemplo, por outro pode ser um bom momento para consolidar sua carreira e aprendizados.

Considerando isso, o Business Insider selecionou 10 livros que todo mundo deveria ler aos 30 anos. Entre os mais diversos temas, a lista passa de questões como raça e gênero, relacionamentos até questões sociológicas e econômicas. Não há ordem correta de leitura.

Confira:

1. Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

O livro conta a história de um amor que trata de questões de raça, gênero e identidade em Lagos, em 1990. Ifemelu e Obinze vivem um amor enquanto a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar.

2. Eu te darei o sol, de Jandy Nelson

É um livro sobre o relacionamento de Noah e Jude e seus respectivos problemas. O livro é contado por ambas as perspectivas. Uma perda trágica separa os dois e a história começa a trilhar caminhos mais sombrios.

3.  A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao, de Junot Díaz

A vida nunca foi fácil para Oscar: ele é um típico nerd, gentil e obeso. Mora na periferia de Nova Jersey. Ele é professor de redação, mas não tem nenhuma obra publicada. O livro ganhou o prêmio Politzer de Ficção e é considerado um dos melhores romances do século XXI.

4.  O ponto da virada, de Malcolm Gladwell

O jornalista Malcolm Gladwell analisa como ocorrem as grandes mudanças na sociedade e porque acontecem de forma repentina, sem que ninguém as espere. Entre as observações e análises, o autor discute o que faz com que um produto, um serviço ou mesmo atitudes virem moda da noite para o dia, por exemplo.

5. Flow, de Mihaly Csikszentmihalyi

As famosas investigações do psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi revelaram um estado de consciência chamado fluxo. Durante o fluxo, as pessoas geralmente experimentam um profundo prazer, criatividade e um envolvimento total com a vida. O livro ensina como ordenar as informações que entram em nossa consciência.

6. Pequenas delicadezas, de Cheryl Strayed

Centenas de pessoas buscaram os conselhos do Dear Sugar na coluna do site Rumpus – uma comunidade online sobre literatura -, mas encontraram muito mais que uma conselheira, vasculhando as ansiedades contemporâneas.

7. Expiação, de Ian McEwan

O romance conta a história de Briony Tallis, de treze anos, que testemunha um momento quente entre sua irmã mais velha, Cecilia e Robbie Turner, amigo de infância de Cecilia. Mas a compreensão incompleta de Briony sobre a vida adulta traz um crime que mudará tudo.

8. O ano do pensamento mágico, de Joan Didion

O livro muda a todo instante. ‘A vida se transforma rapidamente. A vida muda num instante. Você se senta para jantar e a vida que você conhecia acaba de repente’. Tudo isso é retratado em um casamento, em uma vida, de tempos bons e ruins que vai falar com qualquer um que já amou um marido ou esposa ou criança.

9. Má Feminista – Ensaios Provocativos de Uma Ativista Desastrosa, de Roxanne Gay

Nesta seleção de ensaios engraçados e perspicazes, Roxane Gay nos leva a uma viagem sobre sua própria evolução como mulher negra, ao mesmo tempo em que nos transporta a um passeio pela cultura nos últimos anos.

10. Autorretrato do escritor enquanto corredor de fundo, de Haruki Murakami

A obra é um livro de memórias do escritor japonês Haruki Murakami no qual escreve acerca do seu interesse e envolvimento em corridas de longa distância e a escrita.

Marcelo Gleiser participa da Bienal do Livro do Ceará

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Marcelo Gleiser aproxima questões científicas e filosóficas na busca pelo sentido da existência

Publicado em O Povo

A busca pelo sentido da existência e a vontade de entender nosso papel no universo são questões que permeiam a humanidade. Essas indagações se tornam ainda mais fortes pelo fenômeno que nos rodeia: a vida. É no tripé religião-ciência-filosofia que estão as bases para se enveredar por essa busca, é o que acredita o físico e professor Marcelo Gleiser.

Autor de livros que tratam a ciência de um modo descomplicado – com os quais ganhou dois prêmios Jabuti -, ele estará presente na Bienal do Livro do Ceará para debater a humanidade, o universo e a vida sob perspectiva da ciência, filosofia e religião.

“Vejo uma transformação ocorrendo hoje devido à essa nova percepção da importância e raridade do nosso planeta oferecida pela ciência. Ao nos relacionarmos com o mundo de modo mais profundo, despertamos também um novo tipo de espiritualidade, inspirada pela beleza do mundo natural e por nossa compreensão de que estamos todos juntos no mesmo barco”, comenta.

Aproximar a ciência de quem não entende nada de fórmulas, sem afastar do saber poético ou das questões espirituais pode parecer uma tarefa quase impossível. Porém, Gleiser procura resolver isso ministrando um curso chamado “Física para Poetas”, na Dartmouth College, nos EUA. “Não uso equações e sim ideias para estruturar as aulas. Ideias e os ideais dos homens e mulheres que contribuíram e contribuem para a construção dessa incrível narrativa da natureza chamada ciência”, explica.

Esse cuidado ao estruturar as ideias se reflete na sua escrita. Leitor de Jorge Luis Borges, Edgar Alan Poe, Fernando Pessoa e Monteiro Lobato, é se pondo no lugar do outro que Marcelo tenta escrever. “Quero criar uma narrativa que tenha significado universal, que diga algo válido para o maior número possível de pessoas, independente de onde moram ou no que acreditam”.

Em seu último livro, A simples beleza do inesperado, Marcelo resgata da infância momentos que refletem a busca pela essência e o mistério das coisas que não consegue explicar. Portanto, é ainda na infância que a curiosidade deve ser explorada, podendo formar inclusive novos leitores.

Para ele, é no fazer perguntas que crescemos, porém, o processo educacional não é desenhado para incentivar a dúvida, e sim o culto da certeza. “As crianças que perguntam ‘por quê?’ são em geral silenciadas, sua curiosidade tachada de errada ou de inapropriada. Isso é um crime, e pagamos o preço no final, criando uma sociedade apática, que não se questiona sobre o mundo ou sobre a importância de suas vidas. O Brasil tem muita gente criativa, mas precisa de muitas mais”, defende o professor.

Literatura e ciência

O convite para que Gleiser viesse à Bienal partiu da busca por fomentar uma literatura científica que interaja com a sociedade, comenta Inácio Arruda, secretário de Ciência e Tecnologia do Estado. Para o secretário, é preciso entregar produtos literários que facilitem o conhecimento desses fenômenos que acontecem em nossas vidas.

Durante os dias da Bienal, textos acadêmicos que versam sobre temas como química e botânica, produzidos por pesquisadores cearenses, serão apresentados como um modelo do que pode ser feito.“Na Bienal vamos fazer esse exercício de ver o que podemos aperfeiçoar, a linguagem que podemos utilizar para aproximar as pessoas, e não que elas se assustem com uma fala totalmente científica”.

Inácio também acredita que “descomplicar” esse tipo de leitura pode ser a porta de entrada para outros saberes. “Há ainda um mercado que é pouco explorado. Se publicam muitas teses, as pessoas ficam receosas de ler. Se você deixar essa produção voltada somente para a academia, você deixa de transformar um produto que poderia trazer muita riqueza”, conclui.

Casais posam nus para calendário em apoio à Biblioteca da Diversidade

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O espaço tem como objetivo reunir obras literárias que abordem, de alguma forma, questões pertinentes ao público LGBT

Paulo Lannes, no Metrópoles

Em busca de verba para a construção da Biblioteca da Diversidade em Brasília, o bibliotecário Cristian Santos desenvolveu um calendário pelo 2º ano seguido. Porém, diferentemente da 1ª vez, em que havia apenas homens, a nova edição conta com casais héteros e homossexuais nus, clicados lendo livros e trocando carícias.

A Biblioteca da Diversidade tem como objetivo reunir obras literárias que abordem, de alguma forma, questões pertinentes ao público LGBT. “Quero criar um local onde minorias sexuais e religiosas possam se sentir contempladas”, afirma Cristian Santos.

Santos comenta que, para construir o espaço, é necessário um investimento de ao menos R$ 800 mil. “É o dinheiro necessário para o aluguel do espaço e a manutenção do acervo”, explica. Ele estima que a biblioteca funcione em uma das lojas localizadas à beira da W3 Sul (quadras 500).

Até o momento, Cristian já reuniu R$ 35 mil, dinheiro recebido pela venda de 400 exemplares do calendário de 2016 e a verba recebida no Prêmio Casa de Las Américas pelo livro “Devotos e Devassos”.

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Prova de português da Fuvest 2017 foi menos difícil que a da 1ª fase, dizem professores

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Segundo professores ouvidos pelo G1, questões não estavam fáceis, mas foram menos difíceis que as da primeira fase aplicada em novembro, que surpreendeu pelo nível de dificuldade.

Ana Carolina Moreno, no G1

A prova de português e redação da segunda fase da Fuvest 2017 foi menos difícil do que as questões objetivas da primeira fase, e que a prova da segunda fase da edição anterior, segundo afirmaram ao G1 professores de cursos pré-vestibulares de São Paulo. Neste domingo (8), mais de 20 mil candidatos foram convocados para responder a dez questões de língua portuguesa e literatura e escrever uma redação. Foi o primeiro de três dias de prova na etapa final de seleção dos calouros da Universidade de São Paulo (USP) e da Santa Casa de São Paulo. A prova teve quatro horas de duração e, segundo a Fuvest, o índice de abstenção do primeiro dia foi de 8,5%.

De acordo com Claudio Caus, professor de português do Cursinho da Poli, “não é uma prova fácil, mas não estava tão difícil quanto a primeira fase indicava que seria, e quanto a segunda fase do ano passado”. Segundo ele, as questões de português da primeira fase da Fuvest 2017, que foi aplicada em novembro, estava “cavernosa”.

Maria de Lourdes Cunha, professora de literatura do Curso e Colégio Objetivo, afirma que o fato de a primeira fase ter sido muito difícil pode ter levado a Fuvest a “frear” o nível de dificuldade. “Tiraram o pé do acelerador”, comparou ela. Maria de Lourdes lembra, porém, que o fato de a prova não estar tão difícil não significa que ela foi fácil. “Foi uma prova para bons leitores, para bons alunos”, resumiu ela.

Para Eduardo Calbucci, supervisor de português do Anglo, o grau de dificuldade da prova foi semelhante ao da segunda fase de anos anteriores, mas, como a prova da primeira fase tinha sido mais difícil, poderia haver a expectativa de que o padrão se repetiria.

Para Caus, do Cursinho da Poli, “a Fuvest continua tendo uma certa exigência de conteúdo, mas também com demanda de reflexão, exige do aluno senso crítico que se sobrepõe ao conteúdo”.

Gramática

Os professores afirmaram que a Fuvest seguiu exigindo conceitos de gramática, ainda que não no modelo tradicional, que já foi abandonado em anos recentes. “Gramática caiu de uma forma muito interessante, muito inteligente”, afirmou o professor Heric Palos, coordenador de língua portuguesa do Colégio Etapa. “Há tempos o gramatiques não faz mais parte do exame. A Fuvest primou neste ano por esse tipo de questão. Às vezes você ouve as pessoas falando que mão cai mais gramática no vestibular. Está aí a Fuvest para provar que cai, sim. Toda a base gramatical está lá. A questão dos tempos verbais, colocações pronominais, voz passiva, pontuação, figuras de linguagens, tudo está lá. É muito bonita a prova, muito bem feita.”

Uma questão de figuras da linguagem mereceu destaque dos professores. A questão 01, que trouxe a transcrição de um vídeo narrado pela atriz Camila Pitanga sobre a Amazônia, pediu que os estudantes soubessem o que é uma prosopopeia, ou seja, quando seres inanimados ganham sentimentos humanos. “Na hora que eu personifico a floresta, transformo a floresta em gente, o sofrimento dela fica mais chocante, mais impactante”, afirmou Palos.

Literatura

Os professores afirmaram que a Fuvest seguiu seu padrão, ao dedicar 60% da prova de português à língua e à linguagem, e 40% à literatura. Neste ano, quatro livros da leitura obrigatória foram abordados: “Mayombe”, de Pepetela, “O cortiço”, de Aluísio Azevedo, “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, e “Sagarana”, de Guimarães Rosa, com o conto “A hora e a vez de Augusto Matraga”.

Para o professor Claudio Caus, do Cursinho da Poli, a principal surpresa desta lista foi “Mayombe”. “Já não era tão esperado porque foram três questões na primeira fase, mas a obra se repetiu nessa”, disse ele.

Maria de Lourdes, do Objetivo, lembra que, assim como em anos anteriores, estudantes que não leram a obra por completo até poderiam arriscar esboçar uma resposta em duas das quatros questões. “Uma questão de ‘O cortiço’ foi sobre o determinismo. Se o aluno teve uma orientação de um professor, ele poderia responder sim, mas lendo só o resumo não pode. As questões não são sobre a história, são sobre o entendimento da história. É para o aluno refletir”, explicou ela. “Só a história não cai no vestibular. O que o Joãozinho fez quando Pedrinho abriu a porta? Isso não cai mais.”

Redação

Segundo os professores, a única parte da primeira prova da segunda fase da Fuvest que chegou a surpreender foi a redação. Eduardo Calbucci, do Anglo, essa foi a maior diferença entre outras edições da prova.

“O que teve diferença substancial em relação ao ano passado foi a redação. Foi bem diferente em relação ao formato da prova. A redação usou, no ano passado, uma coletânea de textos com uma proposta difícil, sobre utopia, mas tinha quatro fragmentos para fazer a formulação. Nesse ano havia apenas um texto e uma explicação da banca sobre ele. O candidato tinha que usar mais o repertório dele para conseguir fazer a redação”, disse ele.

A professora Maria de Lourdes, do Objetivo, acredita que o tema deu mais abertura aos estudantes. “Ele podia ir pela linha política, da educação, da religião, da família, podia ter amplitude”, disse ela. Por isso, a produção da redação pode ter sido facilitada.

Caus, professor do Cursinho da Poli, lembra que, “apesar de Kant ser um filósofo considerado bastante hermético e complexo, o texto usado na prova não era muito difícil”.

De acordo com Heric Palos, do Etapa, a tradução do texto o tornou acessível aos estudantes, e o tema “O homem saiu da menoridade?” tem uma relação um pouco menos velada com as questões sociais do que temas abordados nos últimos três anos do vestibular da USP. “Nos três últimos exames havia uma relação mais direta entre a proposta e questões sociais. Agora a relação é um pouco mais velada, mas está dentro da proposta também.”

Segundo os professores, a abertura da abordagem na prova de redação permitiu que os candidatos usassem seu repertório pessoal para redigir o texto, mas, por outro lado, um erro que pode descontar pontos é se o candidato abordou aspectos demais e acabou tocando no assunto apenas de forma tangencial.

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