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Com Rapunzel rastafári e fadas do acarajé, baiana lança livro inspirado em contos de fadas clássicos com personagens negros

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‘Os Contos de Fadas na Realidade Afro-baiana’ será lançado no dia 7 de julho, em Salvador.

Livro Os Contos de Fadas na Realidade Afro-Baiana será lançado no dia 7 de julho, em Salvador (Foto: Divulgação)

Livro Os Contos de Fadas na Realidade Afro-Baiana será lançado no dia 7 de julho, em Salvador (Foto: Divulgação)

Lílian Marques, no G1

Rapunzel rastafári, fadas do acarajé, príncipe jamaicano, Chapeuzinho Vermelho protegida por um orixá são alguns dos personagens do primeiro livro da escritora baiana Maria Izabel Nascimento Muller. Intitulada de “Os Contos de Fadas na Realidade Afro-baiana”, a obra foi inspirada em clássicos da literatura infantil e tem personagens negros ou que vivem em cenários da Bahia, como o Pelourinho e Chapada Diamantina.

O livro é também definido pela escritora como muvulcultura, uma forma de incentivar as crianças negras, criando uma identificação com os personagens, antes pertencente ao mundo tido como dos brancos.

Após quase 30 anos de escrita, a publicação será lançada no dia 7 de julho, na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, em Salvador, e tem ainda os santos Cosme, Damião e Do’ou, representando os três porquinhos, os irmão João e Maria cantando e dançando ao som do Olodum e da Timbalada. O livro tem também um trecho dedicado ao tema “histórias de baianidade”, no qual a escritora cria histórias divertidas, como o diário de um tênis, as aventuras de um personagem no carnaval da Bahia e a miscigenação dos anjos.

Em entrevista ao G1, Maria Izabel revelou que a ideia de escrever a publicação surgiu há muitos anos, quando ainda era professora da rede pública de ensino da Bahia e viu a necessidade da sensação de pertecimento em seus alunos negros. Maria Izabel trabalhou em escolas de Salvador por 33 anos. Episódios de racismo que marcaram a vida dela também foram determinantes para essa iniciativa. Hoje, aos 68 anos, ela se divide entre Brasil e Suíça, terra natal do marido dela.

“Começou nos idos de 1982, quando passei por uma situação de racismo em uma pós [graduação]. Quando eu comecei a ensinar estudos africanos passei a ter uma nova visão. Descobri que minhas alunas eram fascinadas pelos contos de fadas. Negras, pobres, que não tinham a realidade dos contos de fadas. Depois de estudos, eu fui observando e olhando os livros de contos de fada. Vi que aqui vivemos numa realidade de 80% de negros e [esses contos] não condizem com nossa realidade, mas não sou contra”, afirmou.

A escritora, que também ilustrou o livro, conta que começou a escrever a obra em 1988, ainda com muita insegurança em falar sobre negritude no Brasil. “Era muito difícil”, disse.

Sem perspectivas de publicação, Maria Izabel guardou os escritos do livro, mas compartilhou o trabalho com alguns colegas de escola. “Só foi publicado agora por falta de oportunidades. Me cobraram muito caro na época e para financiar pelos órgãos públicos eu precisava participar de editais”, disse.

Após pouco mais de dez anos, o trabalho de Maria Izabel foi divulgado em alguns jornais de Salvador e em uma edição especial da Revista TV Escola, do Ministério da Educação, mas ainda sem perspectivas de publicação.

“O trabalho ‘fugiu’ das minhas mãos e foi parar nos jornais e revistas. Em 2000, o Ministério da Educação estava buscando por trabalhos inéditos e me procurou. Veio uma delegação do MEC e fui escolhida para representar o povo negro quando o Brasil completou 500 anos”, afirmou.

A escritora afirma que ainda hoje considera que existe um racismo velado no Brasil, mas que o país já avançou muito em relação a isso. Quando teve a ideia do livro, conta Izabel, o tema mal era debatido. “O racismo colonialista se alimenta até hoje. Mas isso tem melhorado muito. Pelo menos, a gente ja tem a coragem de dizer, não tem mais medo. Minha intenção [no livro] não foi fazer uma separação, mas pegar metáfora e escrever numa realidade mais próxima. A literatura é volátil, usei a metáfora da inclusão e não da exclusão. Existem vários caminhos para a gente se incluir”, disse.

O projeto de publicar o livro foi retomado recentemente, em maio 2017. “Minha intenção é, através da venda do livro, dar oportunidade a alguém que está necessitando, fazer um trabalho social, porque ele está agregado à minha carreira, à minha realidade. É uma contribuição, não é uma vaidade minha. Eu vim de uma realidade muito humilde e, graças a Deus, a meus pais, e muita outras pessoas, tive a oportunidade de estar realizando esse sonho”, revelou.

Izabel conta que investiu cerca de R$ 8 mil para publicar 200 exemplares da obra. Cada livro será vendido por R$ 30. Como a escritora não tem vínculo com nenhuma distribuidora, a publicação pode ser adquirida no dia do lançamento. Quem tiver interesse também pode fazer contato com a escritora pelos telefones 71 98806-4872 ou 71 3230-1219.

Maria Izabel define livro como uma forma de incentivar as crianças negras (Foto: Roberto Leal/ Divulgação)

Maria Izabel define livro como uma forma de incentivar as crianças negras (Foto: Roberto Leal/ Divulgação)

Racismo

Ao G1, a escritora Maril Izabel contou uma história marcante de racismo que ocorreu quando ela ainda era criança. Segundo a escritora, à época do ocorrido ela estava com 9 anos e não chegou a perceber com clareza que, junto com três colegas, estava sendo excluída de uma ativdade escolar por ser negra.

“Uma vez uma pró integrou uma turma de teatro e os quatro negros foram excluídos. Eu questionei e, no dia seguinte, ela trouxe um texto muito direcionado aos negros. Vivi com isso por toda a minha vida, me feriu muito. Era uma cantiga que dizia assim: ‘eram quatro pretinhos, todos quatro da Guiné, e deitaram a fugir dançando siricoté'”, disse a escritora cantando o trecho da música.

Mesmo diante da resistência da mãe, que orientou Izabel a não participar da atividade com a cantiga, ela disse que não tinha consciência do que estava ocorrendo e se sentia feliz por poder se apresentar com os colegas. “No dia da apresentação, todos os colegas apresentaram seus pápeis, e nós quatro [negros] ficamos no fundo da sala, ouvimos todos. Quando terminou todos foram embora, só ficou a professora. Eu perguntei da nossa apresentação e ela mandou a gente se apresentar para a sala vazia. Mas isso para mim foi uma alegria tão grande, mas ao mesmo tempo tinha um sentimento que eu não sabia explicar. Só hoje eu tenho noção de que era tristeza, frustação”, relatou.

Sobre a autora

Maria Izabel do Nascimento Muller nasceu em Jacobina, cidade localizada na Chapada Diamantina, onde se formou em Magistério. Após prestar concurso para professor da rede pública de ensino da Bahia, ela se mudou para Salvador, onde fez o curso de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, pela Universidade Católica de Salvador (Ucsal). Depois, Izabel fez pós-graduação em Estudos Afro e Tradição e Cultura, nas Universidades Federal (UFBA) e do Estado da Bahia (Uneb).

Em 2002, casou com um suíço, se aposentou e foi viver no país do marido, onde estudou alemão e trabalhou como voluntária em um programa da Organização das Nações Unidas (Onu). Em 2012, após o marido se aposentar, Izabel voltou com ele para Salvador e o casal começou a viajar o mundo. Juntos, os dois já conheceram mais de 25 países e fizeram alguns cursos de idiomas por onde passaram. Hoje eles se dividem entre o Brasil e a Suíça.

Mãe denuncia racismo em livros didáticos utilizados em escola do Recife

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Livro didático utilizado em escola no Recife é denunciado por conteúdo racista (Foto: Reprodução/TV Globo)

Livro didático utilizado em escola no Recife é denunciado por conteúdo racista (Foto: Reprodução/TV Globo)

Publicação traz personagens negros como figuras tristes e como faxineiro em exercícios pedagógicos. Segundo Aline Lopes, conteúdo reforça estereótipos e preconceito de cor.

Publicado no G1

A funcionária pública Aline Lopes pretende ir ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) denunciar por racismo o conteúdo de um livro didático utilizado na educação de crianças de três anos. Os exercícios na publicação, da editora Formando Cidadãos, propõe que os estudantes circulem o lar em que as pessoas estão felizes, mostrando uma família negra triste e outra família feliz, de cor branca.

Segundo Aline, que é mãe de duas crianças negras, os exercícios reforçam os estereótipos e o preconceito de cor. Há dois meses, a tarefa de casa da página 16 pedia para que o estudante circulasse a imagem de pessoas felizes.

A figura de negros tristes e brancos felizes chamou a atenção da filha mais velha de Aline, de cinco anos. “Minha filha, quando viu a página, perguntou ‘por que a família negra é triste? Eu sou negra e não sou triste’. Isso, para uma criança, é muito sério”, disse Aline.

Em maio, outra atividade incomodou a funcionária pública. A criança precisa cobrir a linha pontilhada para ligar o profissional à área de trabalho. E a única figura negra está com uma vassoura e é representada por um servente.

“Meu filho, de três anos, já entende o que é para fazer nos exercícios e, ao abrir a tarefa, já começou a fazer rapidamente. Analisando o conteúdo, eu vi do que se tratava. O problema não é a função de ser servente, é que esse papel seja sempre creditado apenas aos negros”, aponta.

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Segundo Aline, que não quis revelar o nome da escola em que os livros são utilizados, a instituição se mostrou receptiva às reclamações e afirmou que não compactua com o reforço dos preconceitos e que vai realizar um trabalho pedagógico com os estudantes sobre o assunto. “Eu tirei meus filhos de outra escola justamente porque a discussão não é tão abrangente. Nesta, a situação é melhor e eles se comprometeram a cobrar da editora dos livros medidas para resolver o caso”, explicou.

Em nota, a editora Formando Cidadãos, responsável pelo livro, disse que repudia qualquer tipo de intolerância e preconceito e ressaltou que todo o material é bem representativo quanto às etnias. A empresa informou, ainda, que o fato ocorrido nas páginas 16 e 32 do livro ‘Natureza e Sociedade – 3 anos’ é um tema importante e, por esse motivo, dedicaria esforços para resolver o caso e que, em 2018, na próxima edição, a situação estaria resolvida.

Bolsista negra é hostilizada em atividade no campus da FGV de SP

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Prédio da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo

Prédio da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo – FGV – divulgação

 

Joana Cunha e Jairo Marques, na Folha de S.Paulo

Uma caloura do curso de administração da FGV-SP, uma das faculdades mais conceituadas do país, foi hostilizada dentro do campus da instituição durante um campeonato esportivo interno, na última sexta (3). Da torcida, uma pessoa ainda não identificada gritou para a garota, que estava na lateral da quadra: “Negrinha, aqui, não!”.

A aluna, que tem 17 anos, faz parte do programa de bolsas de estudos da faculdade, que atende pessoas de baixa renda, numa tentativa de ampliar a diversidade na escola, diminuindo a elitização. Após a agressão, o jogo foi interrompido, e parte dos alunos se mobilizou para encontrar o responsável pelo ato.

O caso gerou comoção entre estudantes de administração, que não conseguiram identificar quem era o agressor, porque estavam na arquibancada oposta à do curso de economia, de onde saiu a ofensa. Procurada, a FGV informou que abriu uma sindicância para apurar o caso.

A garota não quer ser identificada e não quis dar entrevista. Ela está recebendo apoio do coletivo 20 de Novembro, que reúne estudantes negros da escola e chegou a emitir uma nota, em redes sociais, repudiando o ato. “Não vamos admitir que atos como esse continuem acontecendo dentro dos muros da instituição. Exigimos que a coordenação do curso de economia apure o fato e responsabilize os envolvidos”, informa parte da nota.

Após a repercussão do caso entre o alunato, o diretor da escola de economia, Yoshiaki Nakano, também redigiu nota de repúdio sobre o caso –divulgada entre os alunos. “Consideramos inaceitáveis e injustificáveis quaisquer ações preconceituosas ou intolerantes e ressaltamos que estas são passíveis de sanções por má conduta, tais como advertência, suspensão ou exclusão previstas em regimento e normas da escola”, diz trecho do documento.

O casal Daniela Nogueira Mendes, 23 e Fabio Bruno Queiroga, 22 na Fundação Getúlio Vargas (FGV), onde tem bolsa integral e cursa administração pública

O casal Daniela Nogueira Mendes, 23 e Fabio Bruno Queiroga, 22 na Fundação Getúlio Vargas (FGV), onde tem bolsa integral e cursa administração pública

 

MOMENTO HISTÓRICO

Com mensalidades superiores a R$ 3.500, a FGV (Fundação Getulio Vargas) tem entre seus alunos os filhos de alguns dos empresários mais ricos do país e de presidentes das maiores empresas. Desde que intensificou a oferta de bolsas a estudantes de baixa renda, há cerca de três anos, a instituição criou uma coordenadoria da diversidade para promover a integração entre os alunos.

Não há cotas na FGV, todos os bolsistas do programa foram aprovados nos processos seletivos convencionais. Neste ano, a fundação matriculou dois refugiados africanos, um de Camarões e outro de Angola, que serão bancados por recursos oferecidos pelo escritório Mattos Filho.

“Isso [a agressão] é um marco. Estamos vivendo um momento de entrada do diferente na GV e ele tem esse tipo de recepção por parte dos que reinaram sempre”, afirmou Danilo Santos, aluno bolsista e negro, que defende a causa. A FGV declarou que “repudia qualquer tipo de discriminação, seja de raça, cor, sexo ou religião”. A instituição, porém, não admitiu envolvimento de um de seus alunos.

“A FGV já constituiu, de imediato, uma comissão de sindicância para apurar os fatos, sendo prematuro fazer qualquer prejulgamento acerca destes, notadamente quanto à suposta autoria, considerando que o evento esportivo era aberto ao público em geral e não restrito a alunos da instituição.”

Questionada pela reportagem, a instituição não informou se tem imagens de câmeras de segurança da quadra onde ocorreu a partida. A diretoria da instituição não quis dar entrevista.

Em nota, a assessoria de imprensa disse apenas que “com base na conclusão dessa comissão [de sindicância] serão adotadas todas as medidas cabíveis, inclusive junto às autoridades constituídas, com as quais a FGV nunca se eximiu de contribuir.”

Youtuber patrocinado pelo MEC ofendeu negros, gays e nordestinos

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Lukas Marques, do canal ‘Você Sabia’, que recebe dinheiro para defender o novo ensino médio, pediu desculpas por tuítes após revelação do Sensacionalista

Publicado na Veja

O youtuber Lukas Marques, um dos apresentadores do canal “Você Sabia?, contratado pelo Ministério da Educação (MEC) para promover a reforma do ensino médio aprovada pelo governo Michel Temer (PMDB), já publicou no Twitter dezenas de postagens em que ofende negros, gays e nordestinos, além de chamar mulheres de “vadia” e “prostituta”.

Os tuítes ofensivos foram revelados pelo Sensacionalista, site de humor que também publica textos em VEJA e VEJA.com. As publicações de Lukas divulgadas pelo blog podem ser vistas aqui .

Crítico da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ele fez vários ataques à petista durante a campanha de 2014 e, após a vitória dela, também a seus eleitores. “Nordeste todo elegeu a Dilma porque pensa com a barriga e não com a cabeça’” e “Nordeste, c… do mundo”, foram alguns dos tuítes.

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Também há várias ofensas a homossexuais, como: “Aparece cada viado escroto me seguindo no Instagram”, “nada contra gays, mas não me diga que isso é normal” ou “a pior coisa que tem é sapatão”.

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Negros também são alvos de ataques do youtuber. “Não sou racista…só acho que os pretos poderiam se f… mais”, “Malditos pretos macumbeiros” e “Procurando quem me roubou numa multidão de pretos”.

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Quanto às mulheres, mais baixaria:

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Boa parte dos posts foi publicada entre 2011 e 2014, quando Lukas tinha entre 14 e 17 anos – ele nasceu em setembro de 1997. Logo após a publicação do Sensacionalista, Lukas retirou alguns dos posts e publicou dois tuítes em que se desculpa: “Não é como eu penso e me arrependo de ter postado. Nunca Tive a intenção de ofender ninguém”, escreveu.

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Lukas apresenta o “Você Sabia?”, junto com Daniel Miolo. O vídeo em que defendem a reforma do ensino médio teve 1,7 milhão de visualizações. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o “Você Sabia?” recebeu 65.000 reais do MEC.

Sob a aparência de espontaneidade e sem informar que se trata de comentário pago, o vídeo reforça os principais pontos da reforma, como o aumento da carga horária, e rebate as principais críticas, como as de que a nova fórmula vai excluir disciplinas e prejudicar o aprendizado básico como um todo. “Você que quer trabalhar com história não vai querer ficar perdendo tempo com célula”, diz Lukas no vídeo.
Gasto de R$ 295 mil

Outros canais no YouTube receberam dinheiro do MEC para defender a reforma. Em resposta a VEJA, o ministério revelou que a campanha com “influenciadores digitais” reuniu seis canais e custou no total 295 mil reais aos cofres públicos. Também receberam dinheiro os canais “Pyong Lee”, “Rafael Moreira”, “Malena”, “T3ddy” e “Rato Borrachudo”, escolhidos, segundo o ministério, pelo “critério de veiculação de mídias digitais”.

O MEC diz que não orientou os youtubers a omitirem em seus vídeos que se tratava de conteúdo patrocinado. Segundo o ministério, a contratação e a orientação aos canais é de responsabilidade da agência de publicidade contratada – não informou qual era – e que a recomendação era a de que os posts contivessem “informações que identificam ser conteúdo publicitário.”

Segundo o ministério, o valor gasto é inferior ao das mídias tradicionais, como rádio e televisão, e pesquisas apontam que 92% dos jovens de 15 a 25 anos se informam por meio do YouTube. A pasta diz, ainda, que os canais “complementam a estratégia de comunicação institucional” da divulgação da reforma.”

Juiz obriga jovens racistas a ler autores negros e visitar museu do Holocausto

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Escola de Ashbourn, em Virgínia, foi depredada com tinta por jovens no ano passado - Reprodução/Facebook

Escola de Ashbourn, em Virgínia, foi depredada com tinta por jovens no ano passado – Reprodução/Facebook

 

Objetivo era ensinar americanos entre 16 e 17 anos sobre a gravidade de discursos de ódio

Publicado em O Globo

RIO — Um juiz dos Estados Unidos resolveu educar, ao invés de simplesmente punir, cinco adolescentes que haviam feito pichações com expressões racistas e imagens vulgares em uma escola de uma comunidade negra de Ashburn, no estado de Virginia. Os jovens, entre 16 e 17 anos, receberam uma sentença nada comum: visitar o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, em Washington; ler livros de autores negros, judeus e afegãos; e, ainda, escreveu um trabalho escolar sobre o discurso de ódio. A intenção do juíz foi mostrar aos meninos, que não tinham passagens anteriores pela polícia, o significado das suas ações e o quanto a disseminação do discurso de ódio poderia prejudicar a sua cidade.

A escola depredada pelos jovens recebeu alunos negros entre 1892 e a década de 1950, quando os negros não podiam ter aulas junto com os alunos brancos. Nas paredes, escreveram: “poder branco”. No entanto, segundo o juíz, eles foram mais influenciados pela ingenuidade adolescente do que por ódio racial cultivado a longo prazo. Um dos jovens chegou a escrever também “poder marrom” no muro da escola.

Os cinco adolescentes confessaram ter invadido e depredado a escola no tribunal do condado de Loundoun. Eles usaram tinta em spray para danificar a escola histórica. E disseram que haviam escolhido vandalizar a escola porque um dos meninos envolvidos no caso havia deixado uma outra escola — que é proprietária do prédio da escola histórica — em más condições.

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O caso gerou comoção em Ashbourn. No Facebook, a escola disse que contou com mais de 600 voluntários para restaurar o prédio depredado no ano passado — que hoje já está novinho em folha.

O juíz, que é filho de uma bibliotecária, disse que ela sempre recorria aos livros para aprender sobre o mundo. E achou que esta era uma boa oportunidade para ensinar aos jovens uma lição de vida.

— Aquele realmente pareceu ser um bom momento para ensinar. Nenhum deles parecia compreender, até que tudo isso explodiu nos jornais, a seriedade do que haviam feito. Era uma oportunidade para ensiná-los sobre raça, religião e discriminação — afirmou o juíz ao “Washington Post”.

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