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Distrito dos EUA bane livro sobre racismo do currículo escolar após público defini-lo como ‘desconfortável’

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População criticou clássico ‘O Sol é Para Todos’, de Harper Lee. Leitura debate preconceito racial nos Estados Unidos.

Publicado no G1

O distrito escolar de Biloxi, no Mississipi (EUA), decidiu excluir do currículo escolar o livro “O Sol é Para Todos”, de Harper Lee, após receber queixas de que teria uma “linguagem desconfortável”. Até então, a obra integrava a lista de leituras obrigatórias do 8º ano, como forma de estimular que os alunos discutissem assuntos como racismo, empatia e tolerância.

"O Sol é para todos" foi excluído da lista de leituras do 8º ano (Foto: Reprodução)

“O Sol é para todos” foi excluído da lista de leituras do 8º ano (Foto: Reprodução)

 

Ao site americano Sun Herald, o vice-presidente do distrito, Kenny Holloway, disse que “foram muitas queixas sobre o livro. Existe uma linguagem na obra que faz as pessoas se sentirem desconfortáveis. Nós podemos ensinar a mesma lição usando outros livros”. Ele afirmou que haverá unidades na biblioteca, mas os alunos não terão mais de lê-las.

A decisão de banir o livro do currículo escolar suscitou críticas nas redes sociais. Professores e outros usuários do Twitter lamentaram que um país que sofre com o racismo não discuta o assunto nas escolas. “Nós precisamos de mais discussões ‘desconfortáveis’”, disse um jovem. “Nós estamos colaborando para formar crianças intolerantes”, postou outro.

Clássico da literatura

“O Sol é Para Todos” é um clássico da literatura que discute racismo e injustiça – conta a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos, durante a década de 1930. A história debate valores como tolerância, justiça e inocência.

A escritora Harper Lee, morta no ano passado, ganhou o prêmio Pulitzer de ficção em 1961, pela obra “O Sol é Para Todos”. A história foi adaptada para o cinema no ano seguinte, sob a direção de Robert Mulligan.

Charlie de “A Fantástica Fábrica de Chocolate” era para ser negro

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O primeiro Charlie no filme de 1971

O primeiro Charlie no filme de 1971

 

Willy Wonka e seus ajudantes também tiveram polêmica
Thiago Forato, no Na Telinha

Um dos livros, e que posteriormente teve dois filmes adaptados, “A Fantástica Fábrica de Chocolate“, era para ter seu Charlie de pele negra.

A revelação partiu da viúva do escritor britânico Roald Dahl, Liccy Dahl, em entrevista ao programa “Today”, da BBC. “O primeiro Charlie que ele escreveu era um menininho negro”, contou ela.

O apresentador então questionou o que levou para que essa característica do personagem fosse mudada, mas Liccy garantiu que não sabia. “Uma pena”, declarou.

Donald Sturrock, que foi biógrafo de Dahl, revelou que a mudança se deu por sugestão da agente literária do autor. “Ela considerou uma má ideia ter um herói negro. Ela disse que as pessoas perguntariam a razão daquilo”, relembrou Donald.

Na época do lançamento de seu primeiro livro, Dahl foi acusado de racismo. A primeira versão dos Oompa Loompas, ajudantes de Willy Wonka, eram descritos como pigmeus negros da África. E o sistema de trabalho na fábrica se assemelhava com a escravidão, de acordo com o movimento.

A manifestação contra isso foi grande. Na segunda versão do livro, nos Estados Unidos, ele alterou a origem para um lugar fictício chamado Loompaland.

O primeiro filme, de 1971 que foi protagonizado por Gene Wilder, retratou os ajudantes do Senhor Wonka com pele laranja e cabelo verde.

Ketty Valêncio cria livraria focada em autores afro-brasileiros

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(Instagram/Divulgação)

(Instagram/Divulgação)

 

A livraria Africanidades, fundada pela empreendedora Ketty Valêncio, possui um acervo com mais de 60 livros escritos somente por escritores afro-brasileiros

Anna Laura Moura, na Claudia

O preconceito racial se manifesta de diversas formas. Apesar de demonstrações públicas e agressivas de racismo estão cada vez menos frequentes, a discriminação encubada e sutil – aquela disfarçada de atitudes e frases suspeitas – ainda existe e está em todos os lugares, nas grandes instituições e espaços.

Para colaborar com o combate à essa falta de representatividade, a bibliotecária Ketty Valêncio, 34 anos, fundou a Livraria Africanidades. Nela tem de tudo um pouco: com livros sobre feminismo negro, quadrinhos, poesia e religião, todos têm como autores mulheres e homens negros. Ao todo, são mais de 60 exemplares.

Ketty é formada em Biblioteconomia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e fundou a livraria afim de promover a representatividade negra na Literatura, que se mostrava ausente tanto na grade de seu curso de graduação quanto em outros locais.

Em entrevista para a CLAUDIA, Ketty conta que seu primeiro contato com a Literatura Afro-brasileira começou muito cedo. “Eu descobri na época do Ensino Médio para a Graduação. Pra mim ela me curou e me salvou. Eu me vi naqueles livros, e senti que eu tinha possibilidade de fazer qualquer coisa que eu quisesse”, conta.

A bibliotecária conta que o racismo na faculdade é muito presente, mas de forma singela. “Tudo que eu estudei não tinha nada que me representasse. Tudo feito por homens brancos, assim como os alunos”. Para ela, faltam negros em todos os espaços. “A graduação é branca”, desabafa.

(Instagram//Ketty Valêncio cria livraria focada em autores afro-brasileiros/Divulgação)

(Instagram//Ketty Valêncio cria livraria focada em autores afro-brasileiros/Divulgação)

A Livraria Africanidades surgiu da vontade de Ketty de fazer com que pessoas negras se vejam nos livros que leiam, e usou seu curso como base. “Através do olhar do bibliotecário, a gente transforma vidas, conseguimos direcionar assuntos e visões. É a partir daí que a Africanidades acontece”. Surgiria então, em 2014, seu projeto.

Mas é claro que, para criar seu próprio negócio, é preciso ter um pouco de conhecimento em empreendedorismo. A bibliotecária se preparou o suficiente. “Fiz MBA na FGV, onde pude criar um plano de negócios. Depois que terminei esse curso, fui executar a livraria na cara e na coragem”, conta.

A livraria não é a principal fonte de lucro para Ketty, que tem um emprego fixo como bibliotecária. Para ela, seu projeto representa toda uma militância negra e resistente em uma sociedade eurocentrada. “A gente milita em todos os espaços. Sendo uma mulher negra, sou questionada, invisibilizada e silenciada. Então, só a minha presença já é uma grande resistência“, afirma.

Os livros do acervo são comprados por consignações ou negociados diretamente com o autor ou a editora. Um dos critérios para que o material faça parte da livraria é ser pouco conhecido, pois a ideia é dar visibilidade para obras alternativas com pouco destaque. “Quanto mais desconhecido pra mim, é melhor. Ainda mais se for por mulheres pretas“, explica.

Além da Africanidades e do emprego fixo, Ketty possui outras atividades na área da militância: já participou de coletivos feministas e, atualmente, trabalha em parceria com a Eparrei e a Heroicas no Mercado Negra – feira de cultura afro onde mulheres negras podem divulgar sua empresa e vender seus produtos.

A livraria ainda não possui um local físico, somente digital. Porém, funciona presencialmente em bancas de eventos da cultura afro e em um ponto de atendimento no salão Paola Afro Hair, localizado na República, centro da São Paulo.

A empreendedora conta que a loja física ainda é um sonho, mas está encaminhado. “Cada mulher preta tem uma história maravilhosa pra contar e pra oferecer. Quando a gente investe nela, damos a ela a possibilidade de continuar lutando, vivendo no mundo“, conta. Estamos na torcida, Ketty!

Com Rapunzel rastafári e fadas do acarajé, baiana lança livro inspirado em contos de fadas clássicos com personagens negros

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‘Os Contos de Fadas na Realidade Afro-baiana’ será lançado no dia 7 de julho, em Salvador.

Livro Os Contos de Fadas na Realidade Afro-Baiana será lançado no dia 7 de julho, em Salvador (Foto: Divulgação)

Livro Os Contos de Fadas na Realidade Afro-Baiana será lançado no dia 7 de julho, em Salvador (Foto: Divulgação)

Lílian Marques, no G1

Rapunzel rastafári, fadas do acarajé, príncipe jamaicano, Chapeuzinho Vermelho protegida por um orixá são alguns dos personagens do primeiro livro da escritora baiana Maria Izabel Nascimento Muller. Intitulada de “Os Contos de Fadas na Realidade Afro-baiana”, a obra foi inspirada em clássicos da literatura infantil e tem personagens negros ou que vivem em cenários da Bahia, como o Pelourinho e Chapada Diamantina.

O livro é também definido pela escritora como muvulcultura, uma forma de incentivar as crianças negras, criando uma identificação com os personagens, antes pertencente ao mundo tido como dos brancos.

Após quase 30 anos de escrita, a publicação será lançada no dia 7 de julho, na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, em Salvador, e tem ainda os santos Cosme, Damião e Do’ou, representando os três porquinhos, os irmão João e Maria cantando e dançando ao som do Olodum e da Timbalada. O livro tem também um trecho dedicado ao tema “histórias de baianidade”, no qual a escritora cria histórias divertidas, como o diário de um tênis, as aventuras de um personagem no carnaval da Bahia e a miscigenação dos anjos.

Em entrevista ao G1, Maria Izabel revelou que a ideia de escrever a publicação surgiu há muitos anos, quando ainda era professora da rede pública de ensino da Bahia e viu a necessidade da sensação de pertecimento em seus alunos negros. Maria Izabel trabalhou em escolas de Salvador por 33 anos. Episódios de racismo que marcaram a vida dela também foram determinantes para essa iniciativa. Hoje, aos 68 anos, ela se divide entre Brasil e Suíça, terra natal do marido dela.

“Começou nos idos de 1982, quando passei por uma situação de racismo em uma pós [graduação]. Quando eu comecei a ensinar estudos africanos passei a ter uma nova visão. Descobri que minhas alunas eram fascinadas pelos contos de fadas. Negras, pobres, que não tinham a realidade dos contos de fadas. Depois de estudos, eu fui observando e olhando os livros de contos de fada. Vi que aqui vivemos numa realidade de 80% de negros e [esses contos] não condizem com nossa realidade, mas não sou contra”, afirmou.

A escritora, que também ilustrou o livro, conta que começou a escrever a obra em 1988, ainda com muita insegurança em falar sobre negritude no Brasil. “Era muito difícil”, disse.

Sem perspectivas de publicação, Maria Izabel guardou os escritos do livro, mas compartilhou o trabalho com alguns colegas de escola. “Só foi publicado agora por falta de oportunidades. Me cobraram muito caro na época e para financiar pelos órgãos públicos eu precisava participar de editais”, disse.

Após pouco mais de dez anos, o trabalho de Maria Izabel foi divulgado em alguns jornais de Salvador e em uma edição especial da Revista TV Escola, do Ministério da Educação, mas ainda sem perspectivas de publicação.

“O trabalho ‘fugiu’ das minhas mãos e foi parar nos jornais e revistas. Em 2000, o Ministério da Educação estava buscando por trabalhos inéditos e me procurou. Veio uma delegação do MEC e fui escolhida para representar o povo negro quando o Brasil completou 500 anos”, afirmou.

A escritora afirma que ainda hoje considera que existe um racismo velado no Brasil, mas que o país já avançou muito em relação a isso. Quando teve a ideia do livro, conta Izabel, o tema mal era debatido. “O racismo colonialista se alimenta até hoje. Mas isso tem melhorado muito. Pelo menos, a gente ja tem a coragem de dizer, não tem mais medo. Minha intenção [no livro] não foi fazer uma separação, mas pegar metáfora e escrever numa realidade mais próxima. A literatura é volátil, usei a metáfora da inclusão e não da exclusão. Existem vários caminhos para a gente se incluir”, disse.

O projeto de publicar o livro foi retomado recentemente, em maio 2017. “Minha intenção é, através da venda do livro, dar oportunidade a alguém que está necessitando, fazer um trabalho social, porque ele está agregado à minha carreira, à minha realidade. É uma contribuição, não é uma vaidade minha. Eu vim de uma realidade muito humilde e, graças a Deus, a meus pais, e muita outras pessoas, tive a oportunidade de estar realizando esse sonho”, revelou.

Izabel conta que investiu cerca de R$ 8 mil para publicar 200 exemplares da obra. Cada livro será vendido por R$ 30. Como a escritora não tem vínculo com nenhuma distribuidora, a publicação pode ser adquirida no dia do lançamento. Quem tiver interesse também pode fazer contato com a escritora pelos telefones 71 98806-4872 ou 71 3230-1219.

Maria Izabel define livro como uma forma de incentivar as crianças negras (Foto: Roberto Leal/ Divulgação)

Maria Izabel define livro como uma forma de incentivar as crianças negras (Foto: Roberto Leal/ Divulgação)

Racismo

Ao G1, a escritora Maril Izabel contou uma história marcante de racismo que ocorreu quando ela ainda era criança. Segundo a escritora, à época do ocorrido ela estava com 9 anos e não chegou a perceber com clareza que, junto com três colegas, estava sendo excluída de uma ativdade escolar por ser negra.

“Uma vez uma pró integrou uma turma de teatro e os quatro negros foram excluídos. Eu questionei e, no dia seguinte, ela trouxe um texto muito direcionado aos negros. Vivi com isso por toda a minha vida, me feriu muito. Era uma cantiga que dizia assim: ‘eram quatro pretinhos, todos quatro da Guiné, e deitaram a fugir dançando siricoté'”, disse a escritora cantando o trecho da música.

Mesmo diante da resistência da mãe, que orientou Izabel a não participar da atividade com a cantiga, ela disse que não tinha consciência do que estava ocorrendo e se sentia feliz por poder se apresentar com os colegas. “No dia da apresentação, todos os colegas apresentaram seus pápeis, e nós quatro [negros] ficamos no fundo da sala, ouvimos todos. Quando terminou todos foram embora, só ficou a professora. Eu perguntei da nossa apresentação e ela mandou a gente se apresentar para a sala vazia. Mas isso para mim foi uma alegria tão grande, mas ao mesmo tempo tinha um sentimento que eu não sabia explicar. Só hoje eu tenho noção de que era tristeza, frustação”, relatou.

Sobre a autora

Maria Izabel do Nascimento Muller nasceu em Jacobina, cidade localizada na Chapada Diamantina, onde se formou em Magistério. Após prestar concurso para professor da rede pública de ensino da Bahia, ela se mudou para Salvador, onde fez o curso de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, pela Universidade Católica de Salvador (Ucsal). Depois, Izabel fez pós-graduação em Estudos Afro e Tradição e Cultura, nas Universidades Federal (UFBA) e do Estado da Bahia (Uneb).

Em 2002, casou com um suíço, se aposentou e foi viver no país do marido, onde estudou alemão e trabalhou como voluntária em um programa da Organização das Nações Unidas (Onu). Em 2012, após o marido se aposentar, Izabel voltou com ele para Salvador e o casal começou a viajar o mundo. Juntos, os dois já conheceram mais de 25 países e fizeram alguns cursos de idiomas por onde passaram. Hoje eles se dividem entre o Brasil e a Suíça.

Mãe denuncia racismo em livros didáticos utilizados em escola do Recife

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Livro didático utilizado em escola no Recife é denunciado por conteúdo racista (Foto: Reprodução/TV Globo)

Livro didático utilizado em escola no Recife é denunciado por conteúdo racista (Foto: Reprodução/TV Globo)

Publicação traz personagens negros como figuras tristes e como faxineiro em exercícios pedagógicos. Segundo Aline Lopes, conteúdo reforça estereótipos e preconceito de cor.

Publicado no G1

A funcionária pública Aline Lopes pretende ir ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) denunciar por racismo o conteúdo de um livro didático utilizado na educação de crianças de três anos. Os exercícios na publicação, da editora Formando Cidadãos, propõe que os estudantes circulem o lar em que as pessoas estão felizes, mostrando uma família negra triste e outra família feliz, de cor branca.

Segundo Aline, que é mãe de duas crianças negras, os exercícios reforçam os estereótipos e o preconceito de cor. Há dois meses, a tarefa de casa da página 16 pedia para que o estudante circulasse a imagem de pessoas felizes.

A figura de negros tristes e brancos felizes chamou a atenção da filha mais velha de Aline, de cinco anos. “Minha filha, quando viu a página, perguntou ‘por que a família negra é triste? Eu sou negra e não sou triste’. Isso, para uma criança, é muito sério”, disse Aline.

Em maio, outra atividade incomodou a funcionária pública. A criança precisa cobrir a linha pontilhada para ligar o profissional à área de trabalho. E a única figura negra está com uma vassoura e é representada por um servente.

“Meu filho, de três anos, já entende o que é para fazer nos exercícios e, ao abrir a tarefa, já começou a fazer rapidamente. Analisando o conteúdo, eu vi do que se tratava. O problema não é a função de ser servente, é que esse papel seja sempre creditado apenas aos negros”, aponta.

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Segundo Aline, que não quis revelar o nome da escola em que os livros são utilizados, a instituição se mostrou receptiva às reclamações e afirmou que não compactua com o reforço dos preconceitos e que vai realizar um trabalho pedagógico com os estudantes sobre o assunto. “Eu tirei meus filhos de outra escola justamente porque a discussão não é tão abrangente. Nesta, a situação é melhor e eles se comprometeram a cobrar da editora dos livros medidas para resolver o caso”, explicou.

Em nota, a editora Formando Cidadãos, responsável pelo livro, disse que repudia qualquer tipo de intolerância e preconceito e ressaltou que todo o material é bem representativo quanto às etnias. A empresa informou, ainda, que o fato ocorrido nas páginas 16 e 32 do livro ‘Natureza e Sociedade – 3 anos’ é um tema importante e, por esse motivo, dedicaria esforços para resolver o caso e que, em 2018, na próxima edição, a situação estaria resolvida.

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