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Escritora Jane Austen estará nas próximas notas de 10 libras britânicas

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Publicado por AFP [via Folha de S.Paulo]

A nova nota de 10 libras, com o rosto da escritora Jane Austen (1775-1817)

A nova nota de 10 libras, com o rosto da escritora Jane Austen (1775-1817)

A escritora britânica Jane Austen (1775-1817) terá seu retrato estampado nas futuras notas de 10 libras, uma vitória para centenas de feministas britânicas.

A autora de “Orgulho e Preconceito” substituirá Charles Darwin nas notas a partir de 2017, anunciou nesta quarta-feira (24) o Banco da Inglaterra.

Desde 1970, personalidades podem estar nas notas britânicas, além da rainha Elizabeth 2ª, cujo rosto está representado em todos as notas e moedas em circulação.

Jane Austen é a terceira mulher a ser escolhida para receber esta homenagem.

O anúncio em abril da substituição em 2016 nas notas de 5 libras da reformista do século 19, Elizabeth Fry (1780-1845) por Winston Churchill (1874-1965) irritou muitas feministas, que passaram a temer que a rainha fosse a única mulher presente nas notas.

Uma petição, que recolheu 35 mil assinaturas, foi lançada para que uma mulher fosse escolhida para a nova nota de 10 libras. Suas iniciadoras comemoraram a escolha de Austen como um “dia excepcional para as mulheres e fantástica para o poder do povo”.

“Sem esta campanha, sem as 35 mil pessoas que assinaram nossa petição, o Banco da Inglaterra teria varrido as mulheres da história”, declarou a jornalista Caroline Criado-Perez, que lançou a petição.

Jane Austen, que publicou seis grandes romances de sucesso, incluindo “Orgulho e Preconceito”, morreu em 1817 aos 41 anos.

EXPLICAÇÕES

O Banco da Inglaterra assegurou nesta quarta-feira que nunca teve a intenção de banir de suas notas figuras femininas.

A instituição convidou a população a propor ideias para melhorar o processo de seleção das figuras históricas.

“Queremos que a população confie em nosso compromisso com a diversidade”, declarou o novo diretor do Banco, Mark Carney.

“Jane Austen merece seu lugar no círculo de figuras históricas representadas em nosso dinheiro”, acrescentou, ressaltando que a escritora é “reconhecida como uma das maiores da literatura inglesa”.

Umberto Eco: “Informação demais faz mal”

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O escritor italiano diz que a internet é perigosa para o ignorante e útil para o sábio – ela não filtra o conhecimento e congestiona a memória do usuário

Luis Antonio Giron na revista Epoca

PROFESSOR O pensador e romancista italiano Umberto Eco.  Ele desconfia  da internet (Foto: Eric Fougere/VIP Images/Corbis)

PROFESSOR
O pensador e romancista italiano Umberto Eco. Ele desconfia da internet (Foto: Eric Fougere/VIP Images/Corbis)

O escritor Umberto Eco vive com a mulher num apartamento duplo nos 2° e 3°andares de um prédio antigo, de frente para o Palácio Sforzesco, o mais vistoso ponto turístico de Milão. É como se Alice Munro morasse defronte à Canadian Tower em Toronto, Haruki Murakami instalasse sua casa no sopé do Monte Fuji ou então Paulo Coelho mantivesse uma mansão na Urca, à sombra do Pão de Açúcar. “Acordo todo dia com a Renascença”, diz Eco. A enorme fortificação diante de suas janelas foi inaugurada pelo duque Francisco Sforza no século XV e está sempre lotada de turistas. O castelo deve também abrir seus portões pela manhã com uma sensação parecida. Diante dele, vive o intelectual e romancista mais famoso da Itália.

Um dos andares da casa de Eco é dedicado ao escritório e à biblioteca. São quatro salas repletas de livros, divididas por temas e por autores em ordem alfabética. A sala em que trabalha é pequena. Abriga aquilo que ele chama de “ala das ciências banidas”, como ocultismo, sociedades secretas, mesmerismo, esoterismo e bruxaria. Ali estão as fontes principais dos romances de sucesso de Eco: O nome da rosa (1980), O pêndulo de Foucault (1988), A ilha do dia anterior (1994), Baudolino (2000), A misteriosa chama da rainha Loana (2004) e O cemitério de Praga. Publicado em 2010 e lançado com sucesso no Brasil em 2011, o livro provocou polêmica por tratar de forma humorística um assunto sério: o surgimento do antissemitismo na Europa. Por motivos diversos, protestaram a Igreja Católica e o rabino de Roma. A primeira porque Eco satirizava os jesuítas (“São maçons de saia”, diz o personagem principal, o odioso tabelião Simone Simonini). O segundo porque as teorias conspiratórias forjadas no século XIX – como a fraude que ficou conhecida como Os Protocolos dos Sábios do Sião – poderiam gerar uma onda de ódio aos judeus. Desde o início da carreira, em 1962, com o ensaio estético Obra aberta, Eco gosta de provocar esse tipo de reação. Parece não perder o gosto pelo barulho. De muito bom humor, ele conversou com ÉPOCA durante duas horas sobre a idade, o gênero que inventou – o suspense erudito –, a decadência europeia e seu assunto mais constante nos últimos anos: a morte do livro. É difícil de acreditar, mas aquele que era visto como o maior inimigo da leitura pelo computador está revendo suas posições. Ele diz agora que está até gostando de ler livros pelo iPad, que comprou durante sua última turnê pelos Estados Unidos, em dezembro.

ÉPOCA – Como o senhor se sentiu após completar 80 anos?
Umberto Eco –
 Bem mais velho! (risos) Vamos nos tornando importantes com a idade, mas não me sinto importante nem velho. Não posso reclamar de rotina. Minha vida é agitada. Ainda mantenho uma cátedra no Departamento de Semiótica e Comunicação da Universidade de Bolonha e continuo orientando doutorandos e pós-doutorandos. Dou muita palestra pelo mundo afora.

ÉPOCA – O senhor tem sido um dos mais ferrenhos defensores do livro em papel. Sua tese é que o livro não acabará. Mesmo assim, estamos assistindo à popularização dos leitores digitais e tablets. O livro em papel ainda tem sentido?
Eco – 
Sou colecionador de livros. Defendi a sobrevivência do livro ao lado de Jean-Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos estéticos e gnoseológicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. Achávamos impossível ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na questão do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acredita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda não é possível fazer num tablet.

ÉPOCA – Apesar da evolução, o senhor vê a internet como um perigo para o saber?
Eco – 
A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar. Vamos tomar como exemplo o ditador e líder romano Júlio César e como os historiadores antigos trataram dele. Todos dizem que foi importante porque alterou a história. Os cronistas romanos só citam sua mulher, Calpúrnia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúrnia. Se costurou, dedicou-se à educação ou seja lá o que for. Hoje, na internet, Júlio César e Calpúrnia têm a mesma importância. Ora, isso não é conhecimento.

(mais…)

Alunas escrevem carta para a rainha da Inglaterra e recebem resposta ‘real’

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Jovens escreveram uma carta para Elizabeth II durante a aula de inglês.
Carta de resposta da rainha chegou após seis meses em São Vicente, SP.

Bruna Sena e a professora Anna Bongiovanni fizeram parte do projeto (Foto: Mariane Rossi/G1)

Bruna Sena e a professora Anna Bongiovanni fizeram parte do projeto (Foto: Mariane Rossi/G1)

Mariane Rossi, no G1

Um grupo de estudantes de São Vicente, no litoral de São Paulo, recebeu uma carta com respostas exclusivas da rainha Elizabeth II, da Inglaterra. A carta, que foi enviada pelas alunas como parte de um trabalho escolar, foi respondida tópico a tópico pela rainha, para surpresa das estudantes que imaginavam que, no máximo, receberiam uma resposta padrão.

A atividade, realizada em uma escola particular de São Vicente, foi proposta pela professora de inglês Anna Gongiovanni aos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental. Os alunos deveriam escrever uma carta em inglês para alguma personalidade americana ou britânica. “A mídia divulgou demais o jubileu de diamante da rainha, que representa os 60 anos de reinado. Como ela estava na mídia, uma turma preferiu escrever para ela. Elas fizeram a carta. Eu não mexi na essência. Só corrigi a gramática”, conta.

Carolina Simões, Júlia Machado, Bruna de Araújo e Bruna Sena, todas de 14 anos, se juntaram para discutir o que desejavam escrever para a majestade. Em três aulas de inglês, elas montaram uma carta para a rainha Elizabeth. “A gente mandou um parabéns pelo jubileu. Também falamos que gostávamos da língua inglesa, que era um sonho nosso viajar para a Inglaterra e que a gente acompanhava muito a monarquia”, conta Bruna Sena.

As estudantes precisaram pesquisar palavras no dicionário e utilizar termos mais formais, tudo em inglês. Uma das alunas escreveu a carta à mão e, após algumas aulas, a carta estava pronta, de acordo com todos os protocolos exigidos pelo de Palácio de Buckingham. “Quando se escreve uma carta informal você usa expressões, contrações, uma linguagem simples, coisas que não são permitidas em uma linguagem formal. A carta tem que ser bem elaborada e elas fizeram isso com muita propriedade. A única coisa que eu fiz foi corrigir, mas eu deixei a ideia delas. E eu acrescentei uma coisa. Congratulei ela pelo jubileu de diamantes, dizendo que eu já havia viajado muitas vezes e que sempre gostei do Reino Unido”, explica a professora.

Carta da rainha Elisabeth enviada às estudantes de São Vicente, SP (Foto: Mariane Rossi/G1)

Carta da rainha Elisabeth enviada às estudantes
de São Vicente, SP (Foto: Mariane Rossi/G1)

A carta foi enviada em outubro do ano passado para a rainha Elizabeth. Depois do começo do ano, Anna e as alunas já tinham perdido as esperanças de receber uma resposta. Elas tinham ouvido falar que a rainha não respondia mais as cartas enviadas por fãs e, por isso, pensaram que o recado delas seria mais um entre outros do mundo inteiro que não teria resposta. “Alguns amigos meus tentaram e não conseguiram resposta. Eu perdi as esperanças. Eu registrei o recibo do correio e deixei na direção da escola, porque talvez as meninas pudessem me questionar um dia.”, explica Anna. Mas, no começo de abril deste ano, elas tiveram uma surpresa. Uma correspondência chegou no colégio, em São Vicente, com as iniciais da realeza inglesa.

A coordenadora mostrou a carta para a professora de inglês, que ficou bastante surpresa. “Quando eu vi o emblema da rainha, eu não acreditei. O dia inteiro eu dei aula sorrindo, porque geralmente eu sou muito séria em sala de aula, mas naquele dia eu não conseguia”, lembra Anna. As alunas também ficaram radiantes com a notícia. “A gente mandou, mas a gente não imaginava. Quando a professora falou da resposta foi uma surpresa muito grande”, conta Bruna.

Envelope da carta enviada pela Rainha Elisabeth (Foto: Mariane Rossi/G1)

Envelope da carta enviada pela Rainha Elisabeth
(Foto: Mariane Rossi/G1)

A carta veio endereçada com o nome do colégio, da professora e das alunas. A mensagem foi escrita pela assessora da rainha e falava que a majestade agradecia pelas congratulações pelo jubileu de diamante. Ela também agradecia pelas estudantes a terem escolhido durante o projeto de inglês e pelas coisas boas que escreveram a ela. Apesar da rainha não ter tempo para responder pessoalmente todas as cartas que recebe diariamente, ela ficou muito feliz em ouvir a mensagem das jovens, segundo a mensagem. “Eles têm circulares feitas. Sempre mandam circulares agradecendo. A nossa foi a assessora pessoal da rainha que mandou, respondendo tudo sobre o que nós falamos. Elas leram a carta e responderam para nós. Ela me agradece a gentileza e agradece as alunas. Foi muito legal. Foi uma coisa pessoal e por isso fiquei muito feliz, porque raramente isso acontece”, afirma. Além da carta com a resposta, a rainha também enviou um cartão com várias fotos, feitas durante o jubileu de diamantes.

A professora diz que sempre tenta incentivar os alunos de alguma forma, mas concede todo o mérito do resultado do trabalho às alunas que se dedicaram muito durante o projeto. Segundo ela, a turma sempre foi muito dedicada durante as aulas, tinham vontade de realizar a atividade e isso fez a diferença. Ela apenas lamenta não ter guardado uma cópia ou tirado uma foto da carta feita pelas alunas.

A resposta da rainha animou não só o grupo de meninas, mas todo o colégio. Agora, alguns alunos já vieram conversar com a professora sobre o projeto e estão empolgados para escrever cartas para outras personalidades. “O mais interessante agora é que todos os alunos querem escrever para o Barack Obama e para a NASA. Mas como isso é uma coisa séria não pode ser feito em cinco minutos”, finaliza a professora.

Confira a tradução da carta:

“A rainha gostaria de agradecer a sua carta e a mensagem de felicitação que você enviou para Sua Majestade pelo jubileu de diamante. A rainha achou muito gentil vocês escreverem para ela no projeto de inglês. Ela ficou muito apreciada pelo seus votos e as coisas boas que vocês disseram. Embora a rainha não tenha tempo para responder pessoalmente a todas as centenas de pessoas que escrevem para ela todos os dias, ela ficou muito feliz em receber a carta. Tenho que agradecer mais uma vez pelo cuidado que vocês tomaram com a carta, e eu espero que você entenda isso, porque Sua Majestade recebeu tantos cartões e cartas em seu jubileu de diamante, que não foi possível responder-lhe até agora”.

Cartão enviado em comemoração ao jubileu de diamantes da rainha Elizabeth (Foto: Mariane Rossi/G1)

Cartão enviado em comemoração ao jubileu de diamantes da rainha Elizabeth (Foto: Mariane Rossi/G1)

Pelo Twitter, Mano Brown rebate críticas e chama Lobão para briga

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O rapper Mano Brown, do Racionais MCs  (foto: Apu Gomes/Folhapress)

O rapper Mano Brown, do Racionais MCs (foto: Apu Gomes/Folhapress)

Publicado na Folha de S.Paulo

O rapper Mano Brown, dos Racionais MCs, respondeu nesta quinta-feira (2), via Twitter, aos ataques feitos a ele e a seu grupo pelo cantor Lobão.

Em reportagem publicada nesta quinta na Folha, o músico carioca disse que “os Racionais são o braço armado do governo, são os anseios dos intelectuais petistas, propaganda de um comportamento seminal do PT”.

Lobão lança nesta semana o livro “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, em que fala que, no clipe mais recente dos Racionais, Mano Brown “brada clichês anacrônicos, exatamente como era de se esperar de um papagaio piegas. O chamado idiota útil”.

Pelo Twitter, Brown respondeu ao cantor. “Não entendo a postura dele agora. Ele, que pregava a ética e rebeldia, age como uma puta para vender livro.”

O rapper chamou Lobão de “leviano” e “desinformado”. “Nos anos 1980 as ideias dele [Lobão] não fizeram a diferença para a gente aqui da favela”, completou.

O líder dos Racionais convocou o músico para um encontro. “Tô sempre no Rio de Janeiro, se ele quiser resolver como homem, demorô! Do jeito que aprendi aqui.”

Também pelo Twitter, a produtora Paula Lavigne escreveu: “@ManoBrownOF vc segura o Lobão q vai ter uma fila pra bater! Kkkk até eu fui esculhambada! Vamos cobrar royalties desse livro!”.

Na entrevista publicada pela Folha, Lavigne é a “rainha [de captar incentivos na Lei Rouanet]”. Ela ainda reeviou o comentário: “Lobão ta achando q @ManoBrownOF é Painho e Gil? Kkkkkk agora corre, Lobinha, corre! Kkkk”. “Eu não quero bater no Lobão, quero dinheiro vendendo livro: Royalties p @gilbertogil @falacaetano @ManoBrownOF @criolomc @siteoficialrc @emicida”, escreveu Lavigne

O rapper Emicida também se manifestou pelo Twitter. “Pela quantidade de gente me pedindo opinião, logo concluo, tem algum infeliz desinformado falando besteira sobre o hip hop em algum lugar.”

O rapper ainda acrescentou: “fui trabalhar, deixo esta canção para o Pai destas polêmicas idiotas do dia de hoje. rs.”, postando sua música “Zóião”.

Na entrevista, Lobão disse que “Emicida, Criolo, todos têm essa postura, neguinho não olha, não te cumprimenta. Vai criar uma cizânia que nunca teve, ódios [raciais] estão sendo recrudescidos de razões históricas que nunca aconteceram aqui. Estão importando Black Panthers, Ku Klux Klan. Tem essa coisa de “branquinho, perdeu, vamos tomar seu lugar”. Como permitem esse discurso?”.

Procuradas pela Folha, outras pessoas citadas por Lobão, como Roberto Carlos, Edu Lobo e Criolo, não se pronunciaram até o início desta tarde.

Retrato do músico Lobão em sua casa na cidade de São Paulo (foto: Danilo Verpa/Folhapress)

Retrato do músico Lobão em sua casa na cidade de São Paulo (foto: Danilo Verpa/Folhapress)

A biblioteca roubada

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Graças ao Censo Escolar de 2011, descobrimos que 72,5% das escolas públicas brasileiras simplesmente não têm bibliotecas. Isto equivale a 113.269 escolas.

Vladimir Safatle, na Folha de S.Paulo

“A Carta Roubada” é um dos contos mais célebres de Edgar Allan Poe. Nele, o escritor norte-americano conta a história de um ministro que resolve chantagear a rainha roubando a carta que lhe fora endereçada por um amante.

Desesperada, a rainha encarrega sua polícia secreta de encontrar a carta, que provavelmente deveria estar na casa do ministro. Uma astuta análise, com os mais modernos métodos, é feita sem sucesso. Reconhecendo sua incompetência, o chefe de polícia apela a Auguste Dupin, um detetive que tem a única ideia sensata do conto: procurar a carta no lugar mais óbvio possível, a saber, em um porta-cartas em cima da lareira.

A leitura do conto de Edgar Allan Poe deveria ser obrigatória para os responsáveis pela educação pública. Muitas vezes, eles parecem se deleitar em procurar as mais finas explicações, contratar os mais astutos consultores internacionais com seus métodos pretensamente inovadores, sendo que os problemas a combater são primários e óbvios para qualquer um que queira, de fato, enxergá-los.

Por exemplo, há semanas descobrimos, graças ao Censo Escolar de 2011, que 72,5% das escolas públicas brasileiras simplesmente não têm bibliotecas. Isto equivale a 113.269 escolas. Um descaso que não mudou com o tempo, já que, das 7.284 escolas construídas a partir de 2008, apenas 19,4% têm algo parecido com uma biblioteca.

Mesmo São Paulo, o Estado mais rico da Federação, conseguiu ter 85% de suas escolas públicas nessa situação. Ou seja, um número pior do que a média nacional.

Diante de resultados dessa magnitude, não é difícil entender a matriz dos graves problemas educacionais que atravessamos. Difícil é entender por que demoramos tanto para ter uma imagem dessa realidade.

Ninguém precisa de mais um discurso óbvio sobre a importância da leitura e do contato efetivo com livros para a boa formação educacional. Ou melhor, ninguém a não ser os administradores da educação pública, em todas as suas esferas. Pois não faz sentido algum discutir o fracasso educacional brasileiro se questões elementares são negligenciadas a tal ponto.

Em política educacional, talvez vamos acabar por descobrir que “menos é mais”. Quanto menos “revoluções na educação” e quanto mais capacidade de realmente priorizar a resolução de problemas elementares (bibliotecas, valorização da carreira dos professores etc.), melhor para todos.

A não ser para os consultores contratados a peso de ouro para vender o mais novo método educacional portador de grandes promessas.

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