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Para ler no Natal: os 12 principais livros sobre o Jesus Histórico

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Marcos Nunes Carreiro, no Jornal Opção

51pg3xhylvl-_sx331_bo1204203200_O Jornal Opção convidou os professores André Leonardo Chevitarese, da UFRJ, e Ademir Luiz, da UEG, para listar os livros que achassem mais importantes sobre o Jesus Histórico. A lista é para aqueles leitores que se interessarem mais pelo assunto e quiserem aprofundar a leitura a respeito.

Chevitarese, que em parceria com o professor da Unicamp Pedro Paulo A. Funari, tem um livro muito bom sobre o tema — trata-se de “Jesus Histórico. Uma brevíssima introdução”, publicado pela Editora Kline —, entende que esses são alguns dos títulos mais relevantes para quem quer saber sobre o Jesus Histórico:

“Jesus and Archaeology”, de James H. Charlesworth
Este livro traz 30 trabalhos de especialistas diretamente envolvidos com os estudos arqueológicos e seus impactos para pensar Jesus de Nazaré.

“O Jesus Histórico. A Vida de um Camponês Judeu do Mediterrâneo”, de John Dominic Crossan
Publicado originalmente em 1991, este livro além de oferecer importantes chaves de leituras no campo teórico-metodológico, não deixa o leitor esquecer que qualquer pesquisa neste campo do saber exigirá sempre um olhar transdisciplinar acerca de quem é Jesus de Nazaré.

“The Misunderstood Jew. The Church and the Scandal of the Jewish Jesus”, Amy-Jill Levine
Esta obra nos lembra que Jesus nasceu, viveu e morreu como um judeu, não tendo sido jamais um cristão. Aborda também uma questão decisiva que diz respeito ao antijudaísmo da documentação antiga literária, especialmente o denominado Novo Testamento.

Jesus Magician“Jesus the Magician. Charlatan or Son of God”
, Morton Smith
Um livro indispensável para todos os interessados no tema, especialmente pela lembrança incômoda que ele apresenta acerca das discussões sobre quem é Jesus, como ele foi visto e lido, não pelos seus atuais seguidores, mas por aqueles dos séculos I e II.

“The Life of Jesus Critically Examined”, David Friedrich Strauss
Publicada originalmente em 1835, esta obra continua ainda sendo leitura obrigatória para todos os interessados em realizar pesquisas no campo do Jesus Histórico, especialmente pelo seu aspecto crítico e analítico da documentação.

Ademir Luiz, que também é escritor, está escrevendo um romance que se passa no século I e, para isso, tem lido muitos livros a respeito de Jesus. A seleção que apresenta como leituras indispensáveis sobre o tema, além de compreender “O Jesus Histórico”, de John Dominic Crossan, também citado por Chevitarese, contém:

“O que Jesus disse, o que Jesus não disse”, de Bart D. Ehrman

“Jesus, um judeu marginal”
, de John P. Meier

“Jesus, uma biografia revolucionária”, de John Dominic Crossan

“A morte do messias”, de Raymond E. Brown

“Nascimento do messias”, de Raymond E. Brown

“A vida de Jesus”, de Ernest Renan

“Testemunha ocular de Jesus”, de Carsten Peter Thiede

Professora cria projeto para debater questões de gênero em escola de SP

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Ana Carla Bermúdez, no UOL

Alunos da Emef Frei Francisco de Mont'Alverne, na zona leste de SP

Alunos da Emef Frei Francisco de Mont’Alverne, na zona leste de SP – Arquivo pessoal

Por que, nas escolas, as filas são separadas entre meninos e meninas? E por que é ‘natural’ que, nas aulas de educação física, as meninas joguem vôlei, enquanto os meninos jogam futebol?

Refletindo sobre questões como essas, Mayla Rosa Rodrigues, professora da Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Frei Francisco Mont’Alverne, na Vila Domitila, zona leste de São Paulo, percebeu como a escola costuma reforçar práticas desiguais que acontecem na sociedade.

“Os meninos são muito mais incentivados a desenvolver atividades físicas e muito mais elogiados pelo seu desenvolvimento em matérias como matemática, enquanto as meninas brincam de como “ser mamãe” e são mais incentivadas a se desenvolver em matérias linguísticas”, conta a professora.

A partir disso, Mayla passou a analisar com um olhar mais crítico os livros didáticos e livros de literatura infantil –e encontrou neles também uma repetição de estereótipos, “seja quando apresentam meninas apenas como ajudantes dos meninos cientistas ou quando deixam de mostrar meninas negras”.

Mulheres na História

Mayla resolveu, então, criar o projeto “Mulheres na História”, onde são debatidos estereótipos de comportamento, sejam eles de gênero, raciais, sexuais ou de classe. Para isso, os principais mecanismos que são utilizados com uma turma de alunos do 4º ano são a pesquisa e as leituras biográficas de mulheres.

Aluno lê livro sobre Aqualtune, símbolo de resistência negra - Arquivo Pessoal

Aluno lê livro sobre Aqualtune, símbolo de resistência negra – Arquivo Pessoal

“As crianças estão pesquisando mulheres que fizeram parte da nossa história e que são frequentemente apagadas e silenciadas. Por exemplo, muitos sabem quem foi Martin Luther King, mas poucos conhecem [a ativista negra norte-americana] Rosa Parks”, explica Mayla.

Para a professora, é papel da escola desconstruir a ideia de que apenas os homens constroem e transformam a história. “Quando mulheres são apresentadas apenas como coadjuvantes, elas passam a acreditar que essa é sua única possibilidade”, afirma.

Entre as mulheres que os alunos já estudaram, estão Aqualtune, grande símbolo de resistência negra e avó de Zumbi dos Palmares; Jackie Joyner-Kersee, atleta americana de destaque no heptatlo e no salto a distância; e Maria da Penha, líder brasileira de movimentos em defesa dos direitos da mulher e que inspirou a criação da lei homônima que completa uma década este ano.

Mudanças no comportamento

Mayla, que se considera feminista, conta que para ela as desigualdades de gênero sempre foram motivo de inquietação. “Fui criada pela minha mãe com mais duas irmãs e, toda vez que alguém via minha casa minimamente bagunçada, o comentário era imediato: ‘como uma casa com tanta mulher pode ser bagunçada?’. Aquilo me incomodava muito”, lembra.

É justamente essa visão de mundo que a professora busca ampliar, além de não limitar o potencial das crianças em “caixinhas” de coisas destinadas apenas para meninas ou para meninos. Com a realização do projeto, ela diz que a mudança no comportamento das crianças é nítida.

“Os conflitos que enfrentávamos no início do ano estão quase extintos, pois as crianças passaram a se respeitar mais, a entender o limite do outro e a ouvir o ‘não’ do colega. Além disso, como todas as crianças se sentem ouvidas, o interesse delas em sala de aula aumentou consideravelmente.”
Autonomia e pensamento crítico

Outro reflexo do projeto é um maior desenvolvimento da autonomia das crianças, que não esperam mais que apenas a professora traga leituras ou diga a elas o que escrever. “Elas me trazem notícias que querem discutir em sala ou livros que gostariam que eu lesse para todos e criticam filmes e livros que não tenham personagens negros”, explica Mayla.

Apesar de o projeto ter sido desenvolvido por iniciativa própria, a professora ressalta a importância do suporte da escola. “Desde que comecei a desenvolver o projeto em sala, recebi apoio da equipe gestora, além de muitos elogios”, afirma.
Escola sem Partido

Para Mayla, “todo profissional da educação deveria ter autonomia em sala de aula” – uma ideia que bate de frente com o programa “Escola sem Partido”, que condena uma suposta doutrinação ideológica no ensino.

“Quando defensores do programa dizem que os professores não são isentos de ideologia e, por isso, vão ensinar às crianças o que se deve pensar, ignoram que elas não são sujeitos sem capacidade de crítica”, explica.

A professora ainda diz que a escola é um espaço onde o direito de aprendizagem da criança e a pluralidade de ideias e de concepções devem ser mantidos. “Há a necessidade urgente de se pensar em práticas inclusivas, que considerem as diferenças e a diversidade de opiniões sem demonizá-las, nunca o contrário”.

Escola do interior do Ceará adota respeito à diversidade como disciplina em sala de aula

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A Escola Estadual Júlia Catunda, em Santa Quitéria, foi credenciada pelo MEC como instituição que promoveu criatividade na grade curricular

Publicado na Tribuna do Ceará

Escola Estadual Júlia Catunda, em Santa Quitéria (FOTO: Divulgação)

Escola Estadual Júlia Catunda, em Santa Quitéria (FOTO: Divulgação)

 

De acordo com a Constituição Federal Brasileira, a educação é um direito de todos. É nessa perspectiva que há dois anos a Escola Estadual Júlia Catunda, em Santa Quitéria, a 220 km de Fortaleza, inseriu em sua grade curricular o respeito à diversidade como disciplina fundamental para os alunos do ensino médio da instituição.

Ensinar adolescentes sobre diversidade sexual, cultural e religiosa pode ser sim uma alternativa para melhorar o convívio social. Mesmo que para alguns abordar o tema na escola ainda seja inadequado, a ideia vem dando certo e garantindo o bom relacionamento entre os alunos.

Segundo a diretora do colégio Edna Torres, a intenção é preparar o jovem para além do vestibular. “Desde 2014 estamos trabalhando esta questão de diversidade dentro e fora da sala de aula. Semanalmente nós realizamos projetos de inclusão como forma de preparar os jovens para as diversidades que eles vão encontrar na vida”, diz a diretora.

O projeto, intitulado como Desenvolvimento Pessoal e Social (DPS), permite um melhor convívio entre os adolescentes. Nesse conceito, os alunos são incentivados a apresentar trabalhos sobre as diversas religiões e falar sobre o tema dentro de sala de aula. “Independente da escolha sexual ou religiosa todos nós temos que entender que são pessoas comuns. Então, debatemos críticas sociais de forma a educar pais, alunos, professores e moradores do município a terem um melhor convívio. Os alunos perderam a vergonha de mostrar realmente que são”, afirmou Edna Torres.

Para a aluna Ana Beatriz, do 3º ano do ensino médio, a ideia aproximou todos aqueles que frequentam a escola. “Começamos a nos conhecer melhor, a nos relacionar melhor e aprender mais um com o outro. E isso foi importante para o desenvolvimento de todos os alunos. Com esse projeto, não vemos mais casos de bullying ou falta de respeito entre os alunos. Sabemos que somos todos iguais”, ressalta a estudante, que pretende ser professora de português.

Além das aulas preparatórias para o vestibular, os alunos são condicionados a discutirem assuntos relacionados ao respeito fora de sala de aula. Pelo menos uma vez por semana, os jovens vão em comunidades próximas à escola para difundir um tema abordado pelos professores.

“Semanalmente um tema é escolhido para ser debatido fora da escola. Por exemplo, na última semana escolhemos amizade como tema. A partir disso, os alunos colhem leituras, vídeos, imagens e todo tipo de material que fale sobre isso e vão ensinar à comunidade próxima as maneiras que eles devem adotar para conseguir um bom relacionamento tomando como base a amizade”, conclui Edna.

Reconhecimento

Para ingressar o novo conteúdo, professores e coordenadores se reuniram durante todo o ano de 2013 para elaborar formas de explorar a disciplina. Mesmo com pouco tempo de funcionamento, a novidade já causou interesse. No ano passado, a escola foi selecionada pelo Ministério da Educação como uma das 178 instituições que promoveram a invenção e criatividade na grade curricular. Ao todo, 600 escolas de todos os municípios do Brasil concorrem a esse incentivo.

Para a Edna Torres, o projeto atingiu até os pais dos alunos. “O projeto foi bem aceito tanto pelos próprios alunos quanto pelos pais. Os pais dos jovens incentivam o resto da comunidade a respeitar mais, a ser mais sociável e adquirir um bom convívio entre todos. Então, foi um projeto pequeno que está ganhando um bom crescimento”.

A importância da educação na vida da comunidade

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Se estivéssemos preparados para exercer a nossa cidadania, respeitando o direito de ir e vir, respeitando o direito do outro, não seria necessário quebra-molas ou guarda de trânsito, pois procurávamos dirigir com responsabilidade, respeitando o pedestre, o outro motorista, e causando menos acidentes e transtornos sociais

Educação e sociedade

Publicado em Administradores

Na semana do trânsito, pergunto: Por que Precisamos de quebra-molas? Por que precisamos de guarda de trânsito? Como cidadão, o que estamos fazendo para melhorar? e as organizações não governamentais, como vêm contribuindo neste processo?

Se estivéssemos preparados para exercer a nossa cidadania, respeitando o direito de ir e vir, respeitando o direito do outro, não seria necessário quebra-molas ou guarda de trânsito, pois procurávamos dirigir com responsabilidade, respeitando o pedestre, o outro motorista, e causando menos acidentes e transtornos sociais.

Se estivéssemos preparados para exercer a nossa cidadania, respeitando a individualidade do outro, não seria necessário guarda de trânsito, pois os veículos e motos não seriam estacionados na contra-mão ou em local inadequado como frente de garagens, vias públicas sem permissão para estacionamento, nas esquinas e não transitavam pela via pública na contra-mão, não passavam com sinal fechado e teríamos respeito pelo pedestre, parando quando eles fossem atravessar a via pública (exemplo disto é a frente das escolas, onde precisam guardas para que pais e alunos atravessarem), assim, causando menos acidentes e transtornos para a população.

Diante de disto e muito mais, os governantes são obrigados a investirem mais no trânsito fazendo quebra-molas, criando Secretarias e contratando pessoal para fiscalizar.

São também obrigados a investirem mais na saúde em função da grande quantidade de acidentes causados por motoristas e motoqueiros que dirigirem embriagados ou que entregam veículos e motos a menores e pessoas desabilitadas, enfim, pela falta de educação, não a educação no trânsito, mas a educação cidadã que ensina a respeitar a individualidade, o direito do outro para que o seu também possa ser respeitado.

Portanto, a educação é importante, não apenas como ciência que ensina a ler, a escrever, ou a formar técnicos, mestres e doutores, mas também como instrumento de formação cidadã, educação esta que começa antes da sala de aula, ou seja, começa em nossa casa, começa pelo respeito mutuo entre pais e filhos, ou melhor, com o respeito à família.

Produtor ajuda a levar escola de SP da UTI ao topo do Enem

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marcio

Publicado em Folha de S.Paulo

Há pouco mais de uma década e meia, o produtor cultural Marcio Lozano, 32, se matriculava em um colégio cujo fechamento era dado como certo.

A Escola Estadual Prof. Antônio Alves Cruz, em Pinheiros (zona oeste), passava por uma crise.

A gravidade uniu ex-alunos, professores e estudantes, como Lozano, a escola se reestruturou e tornou-se a estadual mais bem avaliada da cidade no Enem (sem considerar as técnicas).

Eu tinha 14 anos quando entrei na Alves Cruz. Era meu primeiro ano do ensino médio. Tinha acabado de sair da escola em que estudei a vida inteira porque, quando entrei na sala de aula, vi amigos fazendo um mapa de assalto a uma farmácia.

A Alves Cruz também tinha uma energia agressiva, de consumo de drogas no pátio, no banheiro. Eu estudava à noite, e a escola tinha pouquíssimos alunos. Sempre ouvi da direção e dos professores que ela iria fechar.

Em 2000, um grupo de ex-alunos dos anos 70 resolveu fazer uma festa para homenagear seus professores.

No processo de produção, descobriram que a escola estava fechando e decidiram que tinham que fazer alguma coisa a respeito.

Aquilo me tocou, vi que tinha algo de interessante a ser feito. Comecei a participar de reuniões no horário da aula, à noite. Éramos só um grupo de pessoas que resolveu defender aquele lugar.

Começamos com um fórum de educação no mesmo ano. Era, no fundo, uma forma de discutir sobre os problemas da escola pública.

Como tinha muita gente mais velha e em várias posições, conseguimos mobilizar a mídia, captar recursos, organizar uma série de coisas.

Concluímos que tínhamos três caminhos a seguir: lutar para reformar o prédio da escola, fornecer para os professores ferramentas para viabilizar o trabalho dentro de sala de aula e ocupar os espaços ociosos da Alves Cruz.

Queríamos que ela fosse aberta para a comunidade nos fins de semana, como forma de dizer que estávamos lá.

Criamos uma ONG, a Fênix, porque precisávamos captar dinheiro. Cada um começou a ajudar com o que sabia fazer.

Fizemos oficinas de produção de velas, violão, mangá. Fizemos campanhas de matrícula no metrô, divulgando as oficinas. Começaram a aparecer alunos, e os projetos trouxeram pessoas para a escola. A Alves Cruz saiu da UTI, mas, mesmo assim, ficou aos trancos e barrancos por alguns anos.

Em 2005, a chegada da Solange [diretora atual] foi um divisor de águas. A escola começou a melhorar nas avaliações oficiais e a ganhar a atenção pública.

Ao mesmo tempo, as atividades de final de semana cresceram, criamos o projeto do maracatu e acho que recebemos umas 10 mil inscrições nas oficinas até hoje.

Depois de alguns anos, a Alves virou um espaço de cultura que não era só do bairro, era da cidade.

Por volta de 2012, a Secretaria de Educação chamou a Solange para uma reunião. Ela foi achando que a escola seria fechada, mas voltou com a notícia de que a Alves foi escolhida para gestar o programa de educação em tempo integral do governo do Estado.

A Alves Cruz era uma escola que ia fechar e agora tinha a oportunidade de ajudar o governo a pensar alternativas para a educação pública. Isso foi muito significativo.

Sempre fui da ONG. Tornar-me diretor da Fênix foi consequência desse percurso de trabalho na escola.

Estou lá em quase todos os finais de semana há 15 anos. E meu filho sempre esteve lá também.

Quando eu era criança, escola pública era sinônimo de escola do governo. Para o meu filho, é o lugar em que a gente vai brincar nos finais de semana. Quando ele chegou no ensino médio e a gente o matriculou na Alves Cruz, foi porque era uma escola boa.

E nós somos a escola. Cada pessoa interessada em cuidar daquele lugar e trabalhar por esse objetivo é a escola.

Eu me sinto feliz e responsável. Não pelo que passou, mas por continuar mantendo aquele lugar, porque o trabalho não tem fim. Enquanto pudermos, temos que continuar dizendo isso às pessoas: é preciso cuidar das escolas.

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