Rachel (Constance Wu) em ‘Podres de Ricos’ (//Divulgação)

Livro que deu origem ao filme em cartaz nos cinemas foi inspirado na idílica realidade das famílias milionárias de Singapura

Mabi Barros, na Veja

Mansões de cair o queixo, jatinhos particulares e festas de casamentos orçadas em dezenas de milhões de dólares. É assim, banhada no luxo, que a trama de Asiáticos Podres de Ricos (Editora Record) envolve o leitor no universo daquele 1% da população que detém boa parte das riquezas do mundo, com a ajuda de um apurado humor e um quê de contos de fadas. O livro, primeiro de uma trilogia, inspirou a comédia romântica Podres de Ricos, em cartaz no Brasil, se passa em Singapura e acompanha o deslumbre de uma jovem americana de origem chinesa ao descobrir que seu namorado é, como diz o título, podre de rico. Por trás da ostentação da história fictícia está a história real da família do autor, Kevin Kwan.

O escritor singapurano Kevin Kwan (Vincent Yu/AP)

“Eu venho de uma família singapurana bastante tradicional”, escreveu ele em ensaio para a revista Town and Country. “Nossa árvore genealógica remonta ao ano 946, com a união de três famílias, criando o extenso clã que inspirou meus romances e o filme derivado.”

(Tradução: Ana Carolina Mesquita; editora Record; 490 páginas) (//Divulgação)

Segundo o escritor de 45 anos, a avó Egan Oh era uma mulher independente, que não tinha planos de se casar. Até que sua vizinha a fez mudar de ideia ao lhe apresentar o irmão mais novo Arthur P.C. Kwan. Egan vinha de uma família de classe alta. Seu pai foi um dos fundadores o OCBC Bank, um dos bancos mais antigos de Singapura. Enquanto Arthur era um famoso oftalmologista que, por seus trabalhos filantrópicos, chegou a ganhar o título de cavaleiro pela rainha Elizabeth II.

A vizinha e irmã de Arthur que uniu o casal era Margaret Kwan Fu Shing, que, ao lado do marido, criou um império na indústria de cosméticos iniciada com a Tiger Balm — pomada multiuso chinesa, que continua no mercado até hoje. “Eles viviam em uma propriedade que pertenceu ao sultão Johor e era uma das maiores casas de Singapura”, conta o autor sobre a residência de sua tia-avó.