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Frankenstein e a Campeã do Carnaval 2018 no Rio de Janeiro

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Daniela Marttos, na Estação Nerd

A Beija-flor levou para a avenida um tema clássico da literatura e foi a campeã do carnaval 2018 no Rio. A escola conseguiu extrair a essência da história de Mary Shelley em carros super criativos e enredo contagiante.

É claro que, leitora e nerd, não entendo muito de carnaval, mas achei muito legal que uma festa popular que tem uma abrangência tão grande, reacenda o interesse por um clássico da literatura. E se você ficou curioso pela história, trouxe aqui algumas informações que podem ser úteis!

O livro escrito em 1816, quando autora tinha apenas 18 anos. Uma das mais célebres histórias de ficção científica e de horror, choca ainda nos dias de hoje por tratar de um tema delicado: os limites da invenção humana, da ciência, medicina ética e por aí vai.

A obra foi inspiração para inúmeros conteúdos da literatura, TV e cinema. Há um sem número de livros, séries e filmes, em que um cientista obcecado pelo poder do conhecimento arrisca-se na área geneticista e da criação da vida, assim como Victor Frankenstein. O médico que cria o monstro “montado” a partir de partes de outras pessoas que ele rouba do cemitério.

E para quem curte um bom e arrepiante romance gótico, e está interessado em ler o clássico, a Companhia das Letras está lançando uma edição especial incluindo: todas as revisões feitas por Mary Shelley, uma introdução da autora e textos críticos de Percy B. Shelley e Ruy Castro. Há ainda um apêndice com textos de Lorde Byron e do dr. John Polidori.

 

Projeto social no subúrbio do Rio de Janeiro vira livro com histórias de superação e depoimentos de famosos

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Wal com a Malu Mader no projeto No Palco da Vida (Foto Jorge Pualino B)

Úrsula Neves, no Cabine Cultural

Um sonho de menino que virou realidade e transforma centenas de vidas. Assim é o projeto No Palco da Vida, idealizado pelo ator Wal Schneider, que está completando dez anos.

Para comemorar o sucesso do projeto, Wal e sua equipe lançam o livro Um Palco e Muitas Vidas, 10 anos de histórias No Palco da Vida de Teresa Montero, no dia 16 de janeiro, na Livraria Argumento, no Leblon. Localizado em um casarão no bairro de Olaria, no Rio de Janeiro, o projeto já atendeu mais de 3000 alunos com aulas gratuitas de teatro, cinema, dança, música, literatura, palestras e acesso a uma biblioteca com mais de 6 mil livros e 8 mil DVDs.

Nascido na cidade de Tabuleiro do Norte, interior Ceará, José Valdemir da Silva Gomes se encantou pelas artes quando o circo chegou à sua cidade. Tinha apenas 7 anos. Aos 17 pegou carona em um caminhão de melões e com apenas R$ 25 no bolso, foi atrás do sonho de se tornar ator. No Rio de Janeiro lavou pratos, fez faxina, mas mesmo com muitas dificuldades, conseguiu ajuda para engrenar nos estudos. Formou-se ator, fez pós-graduação em direção teatral na conceituada CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), adotou o sobrenome de um de seus benfeitores e tornou-se Wal Schneider.

“Em um determinado momento vi que o que eu tinha conseguido – ser ator – não podia parar ali. E agora? Agora eu precisava distribuir a arte, compartilhar com o máximo de pessoas. Não é apenas teatro, é contribuir para a formação do cidadão e do ser humano” – conta Wal, que deu aulas na UERJ e, em seguida ministrou uma oficina no Sesc de Ramos para a meninada do Complexo do Alemão. O interesse foi tanto que a mãe de uma aluna ofereceu o quintal de casa para Wal continuar ensinando sua arte. Tantos vieram que Wal precisou ampliar o espaço e alugou o casarão da Rua Uranos, em Olaria, Zona Norte do Rio, onde hoje funciona o projeto que atende crianças, adolescentes, adultos, a turma da melhor idade e alunos especiais.

Marcando esses dez anos de sucesso, o livro Um Palco e Muitas Vidas, 10 anos de histórias No Palco da Vida conta trajetória do projeto, que já recebeu vários prêmios, e traz depoimentos de artistas que apoiam e ajudam a causa, como Dira Paes, Malu Mader, Bianca Ramoneda, Bete Mendes, Ruth de Souza, Amir Haddad, dentre outros. Escrito por Teresa Montero, biógrafa da escritora, Clarice Lispector, com orelha por Sergio Fonta, quarta capa assinada por Elizabeth Jhin e Malu Mader, a obra já pode ser adquirirda nas livrarias Eldorado e Copabooks e online apenas pelo site da Livraria Eldorado. Toda a renda das vendas será revertida para a manutenção do projeto, inclusive o percentual da editora e da autora.

Prêmios recebidos pelo projeto No Palco da Vida

Prêmio AABB de Melhor Expressão Artística pelas peças Os Meninos da Rua Paulo e Memórias de Nossa Infância – 2011
Prêmio Extraordinários, na Categoria Superação do Jornal Extra (por voto popular) – 2015.
Prêmio João Canuto – Direitos Humanos – MHuD – 2015.
Prêmio Heloneida Studart de Cultura – ALERJ – 2017

Confira um vídeo promocional do projeto com a participação das atrizes Dira Paes e Malu Mader:

Teresópolis, RJ, recebe primeira Feira do Livro nesta semana

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Feira do livro vai até o dia 30 de janeiro em Teresópolis (Foto: Ascom Teresópolis | Divulgação)

 

Evento ocorre na Calçada da Fama e terá shows e contação de histórias até o dia 30 de janeiro.

Publicado no G1

Teresópolis, na Região Serrana do Rio, recebe a primeira Feira do Livro nesta semana. O evento começou nesta segunda-feira (8), na Calçada da Fama, na Várzea, e terá shows e contação de histórias até o dia 30 de janeiro.

“Nossa ideia é trazer a cultura a preços acessíveis, para incentivar a leitura em todas as classes sociais”, explica um dos expositores da feira, Michel Abreu.

De acordo com a Secretaria de Cultura de Teresópolis, a Feira do Livro, promovida pela Associação Brasileira do Livro, tem também a participação de livrarias da cidade.

Segundo o expositor Joaquim Pereira, 80% dos livros vendidos são usados e têm preços atrativos. “O público está gostando”, comentou.

O evento agrada aos leitores, como Mariana Neves, de 18 anos, que estava olhando os exemplares e contou que lê mais de dez livros por ano. Quem também gostou da iniciativa foi Luís Carlos dos Santos, de 45 anos.

“Eu encontrei na feira alguns livros de filosofia e continuei pesquisando outros títulos. A feira está muito boa”, afirmou.

Carlos Heitor Cony planejava lançar “Operação Condor” em 2018

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Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

A obra seria uma reedição revista e ampliada de O Beijo da Morte. Funeral do jornalista e escritor será na terça-feira (9/1)

Publicado no Metrópoles

O jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, que morreu na sexta (5/1), aos 91 anos, no Rio de Janeiro, planejava lançar, este ano, Operação Condor, reedição revista e ampliada de O Beijo da Morte, romance-reportagem em coautoria com a escritora e jornalista Anna Lee, sobre a morte de JK, Jango e Carlos Lacerda, de acordo com a Ediouro.

“Com a exumação do corpo de Jango, Anna colheu novas informações, viajou, entrevistou diferentes pessoas, pesquisou documentos e está finalizando o original para entregar à Nova Fronteira”, informou a editora, em nota.

Cony morreu de falência múltipla de órgãos e será cremado na próxima terça-feira (9/1), no Memorial do Carmo, no Rio.

Cony deixou orientação por escrito, lavrada em cartório, para que seu velório e enterro fossem reservados aos familiares. Ele dispensou todo ritual ao qual, como membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), teria direito.

Biografia
Ele trabalhou como funcionário público da Câmara Municipal do Rio de Janeiro até 1952, quando se tornou redator da Rádio Jornal do Brasil. Depois, passou por diversas redações, incluindo as dos jornais “Correio da Manhã” e “Folha de S. Paulo”.

Cony já publicou contos, crônicas e romances. O romance mais famoso dele é de 1995, “Quase Memória”, que vendeu mais de 400 mil exemplares. Esse livro marcou o retorno do jornalista à atividade de escritor/romancista. Seu romance “A Casa do Poeta Trágico” foi escolhido o Livro do Ano, obtendo o Prêmio Jabuti, na categoria ficção.

Biografia
Membro da Academia Brasileira de Letras, Carlos Heitor Cony nasceu no Rio em 1926. Sua estreia na literatura se deu com os romances “A Verdade de Cada Dia” e “Tijolo de Segurança”. Lançados em 1957 e 1958, os dois livros receberam o Prêmio Manuel Antônio de Almeida – abrindo uma carreira de distinções literárias que mais tarde incluiriam o Prêmio Jabuti (em 1996, 1998 e 2000) e o Prêmio Machado de Assis, em 1996, pelo conjunto da obra, além da comenda de Artes e Letras concedida em 2008 pelo governo francês.

Em meados dos anos 60, Cony já tinha oito livros publicados – além de ficção, coletâneas de crônicas. “Todos eram romances de forte afirmação do individualismo, numa época e num país com pouca tolerância para com individualismos. As esquerdas viam Cony com desconfiança, apesar de seus livros saírem por uma editora sobre a qual não restava a menor dúvida: a Civilização Brasileira, de Ênio Silveira, um homem ligado ao Partido Comunista. Ênio podia não concordar com Cony quanto à linha apolítica e alienada que imprimia a seus romances, mas não abria mão de tê-lo entre seus editados. Cony era talvez o maior escritor profissional do Brasil – produzia um romance por ano, firmara um público certo e não dava bola para os críticos”, escreveu Ruy Castro sobre o autor no Estado no final dos anos 90.

Em 1967, no entanto, lançaria um livro seminal em sua trajetória: “Pessach, a Travessia”. A obra retrata um escritor carioca que, em pleno regime militar, rejeita qualquer tipo de posição política mais radical, assim como renega sua origem judaica. Pouco depois de completar 40 anos, no entanto, acaba se comprometendo, involuntariamente, com questões políticas. O livro continha crítica dura ao Partido Comunista. Em 1999, o autor voltaria ao tema com “Romance Sem Palavras”, no qual continuava a história do escritor Paulo.

Ditadura
Em entrevista publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo em 2008, Cony relembrou o período da ditadura ao falar do romance “O Ventre” – e tratar da melancolia e do pessimismo que são normalmente associados à sua obra, influência, naquele instante, do pensamento de Sartre.

“Havia nessa época um tom exagerado de bossa nova, de desenvolvimento, que não me encantava. Da mesma forma que não aderi à literatura engajada que surgiu depois da Revolução de 1964, mesmo depois de preso pelos militares. Nessa época, escrevi “Antes, o Verão”, um romance completamente alienado, sem nenhum referência política, assim como “Balé Branco”, que veio em seguida. Mesmo “Pilatos”, que saiu em 1973, quando a situação continuava difícil. É curioso que alguns críticos entenderam ao contrário, identificando o homem castrado do romance como uma alusão ao que viviam os cidadãos, alijados politicamente. Mas não era nenhuma metáfora para mim. Minha crítica aberta estava nos textos que escrevia para os jornais, especialmente o Correio da Manhã”, disse.

“Pilatos” é ainda hoje considerado por muitos o grande livro de Cony – inclusive pelo próprio autor. Lançado em 1973, narra a história de um homem que, após sofrer um acidente, vaga pelas ruas do Rio com o órgão sexual mutilado em um jarro, encontrando diferentes personagens pelo caminho. Havia na obra uma sátira sobre a situação política e a contestação no Brasil. E o autor, feliz com o resultado, decidiu abandonar a escrita de romances. Foi o que fez, ao menos pelos próximos 20 anos, até a publicação, em 1995, de “Quase Memória”.

Nele, o escritor explora território nem sempre claro que existe entre a ficção e a memória – e o faz a partir das lembranças que têm do pai. O cineasta Ruy Guerra trabalha há anos na adaptação para o cinema da obra e, em 1996, em texto publicado no caderno Cultura, explicaria como a relação entre pais e filhos o levou à produção.

“Houve mesmo uma vez que cheguei a aflorar o assunto e dediquei-lhe um rápido parágrafo, quando falava de algumas lembranças da minha juventude. Só que depois achei que ele merecia mais, e melhor, e resolvi deixar para outra ocasião. Só que agora a questão se tornou muito mais difícil. Surgiu um livro. Um livro magnífico, que conta as aventuras de um pai que faz lembrar o meu. Talvez por isso me tenha tocado tão profundamente o seu humor e sua ternura. Quase Memória é o livro que eu gostaria de ter escrito sobre o meu pai. Como escrever agora algo sobre a matéria? Só me resta aceitar a sabedoria do destino, fazer um filme com o seu romance, e assim cumprir a minha promessa de infância, de outro modo, sob uma outra forma, com um outro pai.”

Relações humanas
Ainda que toque em temas políticos, a obra de Cony tem como foco, antes de mais nada, as relações humanas – e, em direção ao final da vida, essas relações se transformam na possibilidade de reencontro. “Quase Memória”, na aproximação que o autor tenta com a figura paterna, faz parte desse processo, assim como “A Casa do Poeta Trágico”, lançado em 1997, que evoca a ideia de que todo homem tem a capacidade de distinguir entre o bem e o mal, mas nem sempre a sabedoria de se decidir por um ou outro. Como coloca o professor gaúcho Antonio Hohlfedt, em texto publicado na edição dos “Cadernos de Literatura Brasileira” dedicada a Cony, o autor lança mão de recursos memorialísticos para contar histórias da classe média urbana, no quadro da falência da família e da busca da identidade e do sentimento de vazio dos narradores”, dentro do conceito de que “a literatura é um modo de resistência”.

O modo como tratou esses temas deu ao autor a pecha de pessimista inveterado. O jornalista Zuenir Ventura, amigo do escritor, discordaria, no entanto, em texto também publicado nos Cadernos de Literatura Brasileira. “Desconfiem do auto-proclamado Cony pessimista e muito menos acreditem no Cony cínico. Ou melhor, acreditem, mas considerem que é uma atitude filosófica, moral, intelectual, uma visão do mundo que é desmentida a cada dia por sua prática de vida. Gozador, ele deve se divertir com o efeito sobre os outros da imagem que criou de pessimista, mal-humorado e rabugento.”

Na mesma entrevista de 2008 citada acima, Cony falava dos problemas de saúde – “Segundo Ruy Castro, eu já me tornei o mais antigo doente terminal do Brasil” – e da falta de disposição para escrever novos romances. De lá para cá, a Alfaguara realizou trabalho de reedição de suas obras – mas Cony se dedicaria apenas ao jornalismo, seja nas colunas que publicava no jornal Folha de S. Paulo, seja na publicação de reuniões de crônicas. “Com 60 anos de carreira jornalística, é só abrir a gaveta e sacar alguma”, brincava.

Perfil do escritor brasileiro não muda desde 1965, diz pesquisa da UnB

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Análise de 692 romances de 383 escritores mostra que mais de 70% deles são homens, 90% brancos e pelo menos a metade veio do Rio e de SP

Paulo Lannes, no Metropoles

Uma pesquisa realizada na Universidade de Brasília (UnB) traz um relato desanimador sobre a literatura nacional: as grandes editoras seguem publicando obras de escritores brasileiros com o mesmo perfil há mais de 50 anos. O trabalho compreende livros nacionais lançados entre 1965 e 2014. Mais de 70% deles foram escritos por homens, 90% são brancos e pelo menos a metade veio do Rio de Janeiro e de São Paulo.

A análise também entrou no enredo da literatura nacional, chegando à conclusão de que os personagens retratados se aproximam da realidade dos escritores. Cerca de 60% são protagonizados por homens, sendo 80% deles brancos e 95% heterossexuais.

“Os dados mostram que há uma homogeneidade entre os escritores e os romances publicados no Brasil. Isso praticamente não mudou ao longo das décadas. É muito preocupante”, afirma a professora do Departamento de Teoria Literária Regina Dalcastagnè, coordenadora da pesquisa.

Pesquisa
O trabalho, realizado pelo Grupo de Estudos em Literatura Contemporânea da UnB ao longo de 14 anos, contou com a participação de mais de 30 universitários. A pesquisa fez um recorte por editoras em três períodos diferentes.

O primeiro deles foi entre 1965 e 1979, que contava com publicações da José Olympio e da Civilização Brasileira. O segundo recorte foi de 1990 a 2004, com a presença da Companhia das Letras, da Rocco e da Record. Já o último compreende 2005 a 2014 e quase as mesmas editoras, trocando apenas a Rocco pela Objetiva.

“Com a pesquisa, percebemos que as editoras não estão dispostas a diversificar o cenário literário. Assim, caso o leitor esteja atrás de literatura produzidas por mulheres, negros e de diferentes regiões terá que buscar independentes, com menor alcance às livrarias brasileiras”, conclui Regina Dalcastagnè.

Confira, em detalhes, o resultado do estudo da UnB:

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