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Netflix anuncia novas adaptações animadas de Willy Wonka, Matilda, The BFG e outros livros de Roald Dahl

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Netflix anuncia novas adaptações animadas dos livros de Roald Dahl

 

As adaptações de Dahl serão “séries de eventos e especiais”, em vez de shows em andamento, com produção prevista para começar em 2019.

Fernanda Beling, na Oficina da Net

Os populares livros infantis de Roald Dahl estão prestes a ganhar uma nova vida na Netflix, com o serviço de streaming anunciando uma “nova série de eventos animados originais” baseada nos romances icônicos do autor, incluindo Charlie e a Fábrica de Chocolate, Matilda, The BFG, The Twits e mais.

Muitos dos livros de Dahl foram adaptados para live-action antes, desde o icônico Willy Wonka 1971 e a Fábrica de Chocolate, junto com o remake decididamente menos icônico de 2005, o filme Matilda de 1996 e a versão mais recente e grande orçamento da Disney. O BFG, para citar apenas alguns. Mas o acordo da Netflix criará versões animadas dessas propriedades pela primeira vez.

Uma nova perspectiva de negócios da plataforma, versões animadas das histórias de Dahl parecem um passo natural para a Netflix competir com as ofertas de animação de concorrentes como a Disney, com suas alas Pixar e Disney Animation Studio e a Universal’s Illumination, que já adotou uma abordagem semelhante minerando os trabalhos do Dr. Seuss de novas maneiras, incluindo o recém-lançado The Grinch.

A lista completa dos títulos de Dahl incluídos no acordo Netflix são: Charlie e a Fábrica de Chocolate, Matilda, The BFG, Os Filhinhos, Charlie e o Grande Elevador de Vidro, a Maravilhosa Medicina de George, Garoto: Contos da Infância, Indo Solo, O Enorme Crocodilo , A girafa e o Pelly e eu, a história maravilhosa de Henry Sugar e Six More, Billy e os Minpins, o dedo mágico, Esio Trot, Sujo Beasts e Rhyme Stew. Segundo o anúncio da Netflix, as adaptações de Dahl serão “séries de eventos e especiais”, em vez de shows em andamento, com produção prevista para começar em 2019.

Esse formato faz sentido para o trabalho de Dahl, especialmente alguns dos livros mais curtos, é difícil imaginar esticando o livro ilustrado de 32 páginas que é o Enorme Crocodilo em um épico de várias temporadas. E o formato da série também poderia dar alguns dos trabalhos mais longos de Dahl, como Matilda ou os livros de Charlie, mais espaço para expandir suas histórias.

Notavelmente ausente do acordo é The Witches, que assistiu a uma adaptação cinematográfica em 1990, e tem um remake atualmente em obras. Robert Zemeckis é indicado para dirigir, embora poucos detalhes tenham sido anunciados. Os fantásticos Fox e James e o Pêssego Gigante também já foram adaptados para filmes, e ainda podem ser terceirizados de maneiras que colocam questões de direitos, embora isso seja em grande parte especulação.

Fonte: The Verge

Charlie de “A Fantástica Fábrica de Chocolate” era para ser negro

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O primeiro Charlie no filme de 1971

O primeiro Charlie no filme de 1971

 

Willy Wonka e seus ajudantes também tiveram polêmica
Thiago Forato, no Na Telinha

Um dos livros, e que posteriormente teve dois filmes adaptados, “A Fantástica Fábrica de Chocolate“, era para ter seu Charlie de pele negra.

A revelação partiu da viúva do escritor britânico Roald Dahl, Liccy Dahl, em entrevista ao programa “Today”, da BBC. “O primeiro Charlie que ele escreveu era um menininho negro”, contou ela.

O apresentador então questionou o que levou para que essa característica do personagem fosse mudada, mas Liccy garantiu que não sabia. “Uma pena”, declarou.

Donald Sturrock, que foi biógrafo de Dahl, revelou que a mudança se deu por sugestão da agente literária do autor. “Ela considerou uma má ideia ter um herói negro. Ela disse que as pessoas perguntariam a razão daquilo”, relembrou Donald.

Na época do lançamento de seu primeiro livro, Dahl foi acusado de racismo. A primeira versão dos Oompa Loompas, ajudantes de Willy Wonka, eram descritos como pigmeus negros da África. E o sistema de trabalho na fábrica se assemelhava com a escravidão, de acordo com o movimento.

A manifestação contra isso foi grande. Na segunda versão do livro, nos Estados Unidos, ele alterou a origem para um lugar fictício chamado Loompaland.

O primeiro filme, de 1971 que foi protagonizado por Gene Wilder, retratou os ajudantes do Senhor Wonka com pele laranja e cabelo verde.

Adultos não deviam se sentir envergonhados por lerem clássicos da literatura infantil

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Publicado por Literatortura

Não julgue um livro pela capa – mas sim por suas páginas!

Por trás de toda a histeria causada pela nova capa do livro “A Fantástica fábrica de chocolate”, de Roald Dahl, há questões muito mais relevantes: para quem são escritos os livros? – e que diferença prática isso faz?

O romance em questão, lançado há 50 anos e publicado originalmente “para crianças” foi relançado pelo selo britânico Penguin Modern Classics, numa edição “para adultos”. Seja qual for a sua opinião sobre a capa – para mim, uma boneca vestindo marabu é lindamente perturbador e coube muito bem ao estilo da terrível Verônica Salt – trata-se de um clássico. O romance de Roald Dahl deve ser considerado canônico, independentemente de quem o leia.

Adultos passaram a se interessar por livros infantis através da série Harry Potter e esse interesse continuou vivo quando Crepúsculo e Jogos Vorazes foram lançados. As grandes editoras chegaram ao ponto de relançá-los com capas mais infantilizadas, como se quisessem nos relembrar de que eles também foram feitos para crianças.

 

É incontestável que o atual público do mercado editorial nunca foi tão amplo – o que gera, portanto, um ambiente em que confusões como essa certamente virão a ocorrer. Algumas gerações atrás houve uma discussão parecida envolvendo Enid Blyton e George Orwell. Nos Estados Unidos, Philip Roth lançou, em 1969, um romance “para adultos” chamado O Complexo de Portnoy. Em 1973, Judy Blume lançou Deenie, para “adolescentes”. Masturbação é um tema recorrente em ambos, o que resultou no banimento dos mesmos de várias livrarias dos EUA. Roth, no entanto, jamais diria que seu livro foi escrito para crianças e Blume nunca afirmou que sua obra era destinada ao público adulto. Portnoy é inegavelmente um clássico da literatura estadunidense; Deenie, por sua vez, pode ter sido a responsável pelo desenvolvimento da maturidade emocional de muita gente.

Muitos livros lançados hoje em dia são obras “cruzadas”: protagonistas crianças inseridas em tramas densas e elaboradas. Como leitor, de qualquer faixa etária, você deve-se fazer apenas uma única pergunta: esse livro é bom ou não?

Apesar de muitos livros infantis conterem capas bobinhas, isso não precisa ser um padrão. Se você vir o seu filho lendo um livro que te desagrade, pergunte a ele o que ele acha da história e encontre um livro que contenha essas características, mas de qualidade superior.

A ideia de que um livro oferecer algum tipo de proteção às crianças que o leem é uma tremenda bobagem – a versão original de muitos contos de fadas, por exemplo, é macabra o suficiente para revirar o estômago de qualquer adulto. Há muita porcaria sendo publicada ultimamente e creio que isso se deve ao fato de que hoje há uma gana doentia em tentar adivinhar o que vai vender ou não. Editores deveriam parar de perder tempo se perguntando se um livro é “literatura” ou “comercial”, se é para “adultos” ou “crianças” – eles deveriam apenas se perguntar se possuem em mãos livros bons ou ruins.

Exemplo: quando 50 tons de cinza foi lançado, toda a discussão que o envolveu – além da vergonha de se admitir de o ter lido – era a respeito de seu alto teor erótico. Então, eu disse que, se o objetivo das pessoas era de fato ler literatura erótica, que as direcionássemos a bons livros eróticos, como por exemplo A História de O. Por motivos óbvios, fui dissuadida a evitar tal assunto. Entretanto, mantive o meu ponto: não interessa a qual gênero literário 50 Tons de cinza pertence. O que interessa é que se trata de um péssimo romance. Mas um péssimo romance que vendeu, como todos sabem. Contudo, um possível relançamento de A História de O não venderia também?

Atualmente, há um novo rótulo para livros em alta, o que as editoras chamam de “thriller”. Parece-me uma estratégia de marketing degradante e de muito mau gosto. Soa como “não fique constrangido ao ler este livro, pois se trata de uma obra genial”.

Ninguém que já tenha lido um thriller o viu dessa maneira, porque um thriller bem escrito é apenas um livro bem escrito – sem a necessidade de tal denominação. John Le Carré, ou qualquer um de seus devotos fãs, sabem muito bem do que estou falando. Quando O Espião Perfeito foi lançado, ninguém menos que Philip Roth o descreveu como “o melhor livro já lançado desde a segunda guerra”. Nada de thriller. Livro.

Se mais alguém quiser se aprofundar nessa rotulação interminável, certamente verá em J. K. Rowling a próxima “vítima” a ser analisada: ele escreveu, por muitos anos, livros infantis e se tornou famosa por isso. Mais recentemente, um romance para adultos e dois thrillers foram lançados pela mesma. Os seus livros “de gente grande” foram comicamente apontados pela quantidade notável de palavrões, como se ela tivesse guardado-os por todos esses anos.

Contudo, em vez de dividi-la em categorias, você apenas se pergunta se ela é uma boa escritora ou não. É possível traçar muitas semelhanças entre seus livros. Seu estilo não é excepcional, mas é funcional: ainda que por vezes sua escrita seja previsível, Rowling é uma escritora deveras instigadora e consegue criar um universo coerente e conduzi-lo com maestria. E o mais importante: ela é capaz de entrar na mente das crianças como poucos escritores o fazem.

Ironicamente – ou não, se você jogar todas essas classificações e rótulos no lixo – a visão de Rowling das crianças é muito mais clara em Morte Súbita, em que os adolescentes roubam a cena: eles são rebeldes, cheios de traumas, inteligentes e indecisos. Mas todos estão doidos para se envolver com o mundo exterior e irem adiante, rumo à próxima fase de suas vidas.

E então eu li A Fantástica fábrica de chocolate. Trata-se de um excelente livro, sem dúvida alguma. Algo mais importa?

Traduzido por Pedro Lima

PS: Traduzido de: aqui!

PPS: O presente texto é um artigo de opinião postado no site do jornal britânico Telegraph escrito por Gaby Wood, não contendo necessariamente a opinião da equipe do Literatortura.

Edição comemorativa de ‘A fantástica fábrica de chocolate’ traz capítulo perdido

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Livro de Roald Dahl, que completa 50 anos, teve conteúdos descartados pelo autor à época por serem ‘subversivos’

Johnny Depp na versão de 2005 de 'A fantástica fábrica de chocolate' - Reprodução

Johnny Depp na versão de 2005 de ‘A fantástica fábrica de chocolate’ – Reprodução

Publicado em O Globo

RIO — Para comemorar os 50 anos de um clássico da literatura infantojuvenil, a Penguin lançará uma nova edição de “A fantástica fábrica de chocolate”, de Roald Dahl, com um capítulo “perdido”. “Charlie bucket” havia sido escrito pelo autor em 1961 e havia ficado escondido em seus papéis, uma vez que Dahl desistiu dele porque o rascunho era “subversivo” para o público infantil. Um trecho pode ser lido no site do jornal “The Guardian“.

Publicado originalmente em 1964, “A fantástica fábrica de chocolate” fez sucesso tanto em papel quanto nas adaptações cinematográficas (de 1971 e 2005). No entanto, Dahl acabou excluindo trechos do livro antes de sua publicação original. O motivo seria o “teor subversivo” de trechos como “Charlie bucket” (“O balde do Charlie”), originalmente o quinto capítulo do romance.

Na passagem, o pequeno Charlie é acompanhado pela mãe (e não o avô, como é conhecido) à fábrica que dá nome ao livro. Dois personagens, que nunca chegaram a aparecer no romance, quase são esmagados e retalhados ao tentarem roubar caramelo de vagões que se dirigiam à sala de prensagem e corte dos doces. Um trecho mostra a “polêmica” que Dahl quis evitar:

“‘Aquele buraco’, disse o senhor Wonka, ‘leva diretamente ao que chamamos de Sala de Prensagem e Corte. Nela, o caramelo cru é levado dos vagões até a boca de uma máquina enorme. Ela o prensa até que ele fique fino e suave. Depois disso, várias facas descem e cortam, cortam, cortam, picando em quadradinhos, prontos para a loja.'”

Lançada em 1971, a versão cinematográfica com Gene Wilder no papel de Willy Wonka não foi sucesso de bilheteria, mas se tornou um clássico do cinema. Já a versão de Tim Burton, com o velho colega Johnny Depp, arrecadou mais de US$ 470 milhões.

No início de agosto, o livro havia causado polêmica por conta de sua nova capa. Muitos leitores e críticos disseram que o conteúdo da capa nada tem a ver com a temática do romance. Além disso, foi criticado o teor “assustador” dela, com olhar “psicopático”, afirmaram usuários de redes sociais.

Nova capa do romance de Roald Dahl foi considerada assustadora - Divulgação

Nova capa do romance de Roald Dahl foi considerada assustadora – Divulgação

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