Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

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“A Internet serve para explorar pessoas burras”, diz Ewan Morrison

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Primeira mesa de sexta-feira (25) também contou com o escritor Sérgio Rodrigues para falar sobre o “Não Legado da Literatura”

Publicado no IBahia

“Grosseira, bajuladora, obcecada por celebridades, ingênua, povoada de textos mal escritos, derivada, consumista, sem originalidade”. Assim define o escritor escocês Ewan Morrison parte da literatura contemporânea, tema do bate-papo que abriu o terceiro dia da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), nesta sexta-feira (25). Junto ao escritor brasileiro Sérgio Rodrigues, Morrison falou sobre a arte de fazer ficção, trajetória literária e sobre a atual configuração do gênero romance, que, segundo ele, definha progressivamente.

“Dom Quixote representou o nascimento do sujeito humano moderno. Antes, ele estava ‘indescoberto’. A descoberta de si mesmo é fundamental para o romance. Em nossa era, isto não é mais importante e o romance vai se desfazendo. Serão coletâneas de textos”, analisa. De acordo com o autor, um dos maiores responsáveis por esse fenômeno é a internet. “Com a internet, são diferentes tipos de romances. Escritores amadores escrevem formas amadoras de histórias e o ‘eu’ vai se desfazendo”, diz, citando em seguida diferentes obras literárias que tiveram sua popularidade impulsionada graças à web, a exemplo de ‘Harry Potter’, ‘Crepúsculo’ e ‘Cinquenta Tons de Cinza’.

Sérgio Rodrigues, por outro lado, é mais cauteloso com relação ao assunto. “Não sei se a previsão dele [Morrison] está correta. A noção de autoria não é eterna. Até hoje não se sabe se Homero foi de fato um homem ou uma reunião de autores”, observa.

Uma ideia ferrenhamente defendida por Morrison é a de que a Internet estaria matando a criatividade e empobrecendo a literatura. Na opinião dele, desde que a rede se popularizou, grande parte dos livros publicados não passam de reproduções e cópias de outras obras já existentes. Como exemplo, citou os inúmeros romances inspirados na série ‘Crepúsculo’ e ‘Cinquenta Tons de Cinza’ – obras estas que também imitam conceitos originais explorados antes. “Existem razões estruturais para isso. Tem a ver com a Internet. É um negócio gigantesco, no qual não há nada de novo”, avalia.

A conversa enveredou para as facilidades de publicação oferecidas pelas plataformas digitais. Sérgio Rodrigues não acredita que o fenômeno tenha gerado uma necessidade de as pessoas publicarem aquilo que escrevem. “Essa ânsia sempre existiu. No passado, o material era engavetado. Com o meio digital, a divulgação do material ficou mais fácil. Por outro lado, existe uma necessidade muito grande de expressão, de colocar a vida na Internet”.

Para Morrison, é ilusão pensar que as formas de autopublicação digital, a exemplo da ‘Amazon’, ajudam o escritor de algum modo, e disparou: “A internet não está aqui para nos ajudar, mas para explorar pessoas burras”.

Hélio de La Peña: ‘Monteiro Lobato está muito ultrapassado’

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Publicado no O Globo

O humorista Hélio de La Peña, do antigo programa Casseta e Planeta, disse, na tarde deste sábado, na Bienal do Rio, em debate no Placar Literário, que tentou ler Monteiro Lobato para seu filho, mas que “o texto está muito ultrapassado”. A declaração foi dada no debate “Gols de letra: dois romances”, em que também estava o jornalista Sérgio Rodrigues, com Francisco Paula Freitas como mediador. O humorista falava da importância de apresentar os livros certos para ajudar a incutir o hábito da leitura nas crianças.

— Acho que essa coisa da introdução da leitura às crianças é problemática. Não tem que ler necessariamente o grande livro, mas o que for interessante para ela. Você pegar livros que são desinteressantes é algo que atrapalha muito a vida de um leitor. A criança não consegue entender mais aquele texto. Tinha que haver uma escrita para, depois, levar a criança ao original. Acho que ocorre um pouco esse problema — disse o humorista.

A declaração veio depois de uma pergunta da plateia, sobre o que seria melhor dar para uma criança, um livro ou uma bola. Antes disso, Sérgio Rodrigues já havia falado sobre a importância de apresentar certos escritores à criança na idade certa.

— A cada menino de dez anos que você obriga a ler José de Alencar, você mata mais um leitor para todo sempre. Não acho que ele seja um escritor desprezível, apenas acho que não é o momento. Até Machado de Assis é complicado, dependendo da idade. Acho que a escola erra muito — afirmou Rodrigues.

Memórias do futebol

Uma das melhores novidades da Bienal do Rio deste ano, o Placar Literário tinha gente assistindo ao debate da porta. Com uma plateia formada principalmente por jovens, Hélio de La Peña e Sérgio Rodrigues estavam lá para falar de seus livros (“Meu pequeno botafoguense” e “Drible”, respectivamente). Mas, a pedido do mediador, contaram causos famosos da história do futebol, sempre em tom descontraído.

Hélio de La Peña contou aos jovens o caso de Carlito Azevedo, diretor do Botafogo conhecido por suas superstições, uma das marcas da torcida alvinegra. O humorista lembrou que o diretor precisava amarrar as cortinas do clube antes de o time jogar, com medo de o Botafogo perdesse. E que ele precisava fazer Biriba, seu cão preto e branco, com uma mancha que lembrava a estrela do clube, precisava entrar “de qualquer jeito” no campo antes do jogo. “Meu peque botafoguense”, de La Peña, conta a história do Botafogo vista pelos olhos de uma criança.

Já Sérgio Rodrigues, que publica “Drible” no próximo mês, pela Companhia das Letras, recomendou aos jovens que lessem “O negro no futebol brasileiro”, do jornalista Mario Filho.

— Considero esse o grande clássico sobre o futebol brasileiro. Não é uma ficção, mas eu considero o grande romance do futebol, contado com um fabuloso tom de crônica. É um livro sileirque merece ser lido como um clássico sobre a formação cultural brasileira, sem dever nada a “Casa grande e senzala” e “Raízes do Brasil”. Pena que é um livro meio desprezado, espero contribuir para que isso mude — afirmou Rodrigues.

Sérgio Rodrigues fez questão de lembrar, ainda, a campanha que o escrito Lima Barreto fez contra o futebol na imprensa, quando o esporte começou a se disseminar no Brasil. O jornalista lembrou que o futebol era de elite e Lima Barreto, um escritor negro, “com muita consciência de classe”.

— Ninguém previu o que o futebol ia se tornar no Brasil. É uma grande epopeia, com momentos de heroísmo e cafajestagem, sofrimento e libertação. O futebol foi sendo infiltrado pelo povo — afirmou.

Professora da rede estadual de SP dá aula vestida de palhaça

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Lucas Rodrigues, no UOL

Professores da rede estadual de SP fazem manifestação na avenida Paulista

A docente da rede estadual de São Paulo Nancy Almeida Silva, 37, compareceu, caracterizada de palhaça, à assembleia da categoria, que aconteceu nesta sexta-feira (3), no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista. Os professores estão em greve e vão decidir se a paralisação continua.

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 2 mil pessoas interditaram as faixas no sentido Consolação. O sindicato dos docentes contesta o número e acredita que mais de 10 mil pessoas compareceram ao ato.

Formada em letras e há cinco anos trabalhando na sala de aula, Nancy conta que veio à assembleia vestida de palhaça porque é como se sente tratada pelo governo. “Eu sinto como se as autoridades me tratassem dessa forma, mas eu já cansei de dar aula assim. Não como protesto, mas por gosto”, conta.

Ela trabalha na escola Amélia Kerr, na zona sul da capital paulista, e conta que já se vestiu na sala de aula como Gasolina Blue Blue, uma esteticista que fala sobre aplicações de botox e até de Michael Jackson – tudo para que suas aulas ficassem mais divertidas para os alunos.

“Hoje eu dou aula de português assim para incentivar a leitura e fazer brincadeira com os estudantes”, diz Nancy. “As aulas ficaram maravilhosas, tudo que eu dizia os alunos assimilavam, participavam da aula e o conteúdo não ficava chato”.

A ideia começou quando a professora, hoje efetiva, era eventual. “Eu estava decidida a parar de dar aula, por desrespeito dos alunos e dos colegas, mas resolvi fazer uma revolução e ser como eu sou, me vestir do jeito que eu gosto e mostrar quem sou na sala de aula”, conta.

“Luto agora pelo piso, pela redução da jornada, pela não privatização do nosso hospital e também em prol dos colegas da categoria O”, afirma a docente. “Eu já fui professora temporária e foi horrível. Só duas faltas por ano, e eu estava no período de efetivação, então tinha que faltar para ir ao curso de formação”.

Admirável mundo sem livros

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Sérgio Rodrigues, na Veja

O Pop Literário de Sexta volta com o curta-metragem inglês The last bookshop (“A última livraria”), de Richard Dadd e Dan Fryer, produção independente recém-saída do forno que imagina um futuro distópico com toques de “Admirável mundo novo” e “1984”.

Resta no mundo uma única – e maravilhosa – livraria. Essa notável resistência comercial se deve exclusivamente à teimosia do velho dono, que não vê um cliente cruzar a porta da loja há vinte e cinco anos. Até que um dia aparece por lá um garoto e…

Um alerta: com vinte minutos de duração, o filme tem diálogos e não está disponível em versão legendada. Atenção para o nome do Grande Irmão, que é revelado perto do final triste e pessimista (mas não completamente): GamaZone. (Via Paris Review.)

Escola tem biblioteca e laboratório de informática fechados para alunos

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Estudantes reclamam que computadores foram trocados e novos livros chegam, mas entrada não é permitida por falta de profissional responsável em unidade em São Paulo

Cinthia Rodrigues, no IG

A escola estadual Aristides de Castro, no Itaim Bibi, bairro nobre de São Paulo, tem sala de leitura e laboratório de informática, mas alunos que estudam no local há quatro anos reclamam que nunca frequentam os ambientes. Apesar de bem equipadas, as salas estão proibidas aos estudantes porque não há um profissional responsável pelo local.

De acordo com os estudantes, novos computadores chegaram a unidade que, segundo dados informados pela Secretaria Estadual de Educação ao Censo Escolar em 2012, já contava com laboratório de informática com internet banda larga de 10 megas. “A gente voltou a perguntar e os professores dizem que a diretora já mandou mil pedidos para o governo e nenhum foi atendido em anos”, diz Suzane Melo, de 14 anos (de agasalho no vídeo ao lado da amiga Luana Costa, 13 anos).

Ela está no 9º ano (antiga 8ª série), estuda ali há 4 anos e acha que vai se formar no ensino fundamental e deixar a escola sem nunca ter usado os equipamentos. “A biblioteca é a mesma coisa. Todo ano chegam vários livros, fica tudo novinho lá parado”, lamenta. Segundo ela, os professores se mostram preocupados com o aprendizado e muitos trazem material próprio de casa. “É uma escola boa por eles, mas a própria professora diz que em 10 anos que está aqui nunca viu usarem o laboratório.”

O colega Rodrigo Ramos, 14 anos, mora em Paraisópolis, mas em vez das escolas do próprio bairro perde cerca de uma hora e meia de ônibus escolar diariamente para ir até a Aristides de Castro. “Minha mãe fez questão de procurar uma escola melhor. Pelo menos, os professores não faltam, mas tem muitos problemas. Mesmo coisas que estão lá, não estão disponíveis para usar”, reclama.

Todas as escolas com computador

Dados do Censo Escolar mostram que as escolas públicas já têm mais computadores do que a rede particular . Pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil de 2010 realizada em 497 instituições de ensino em regiões urbanas do Brasil já mostrava que 100% das unidades têm computador. A consulta informava que a falta de uso estaria ligada ao pouco conhecimento sobre tecnologia dos educadores. Para os alunos da Aristides, no entanto, é a burocracia que atrapalha. “Nossos professores chegam a recomendar e mesmo orientar o uso de computador para pesquisa fora da escola, mas eles dizem que o laboratório daqui precisa de um responsável”, lamenta Suzane.

Às 16h45, a Secretaria de Educação enviou a seguinte nota: “A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informa que encaminhará uma equipe de supervisores para averiguar a situação da Escola Estadual Aristides de Castro apontada pela reportagem para que sejam adotadas as providências cabíveis”

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