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Realidade incendiária envolve o Ciclo de Leituras Públicas da USP
0Encontros aproximam o público de peças do teatro ocidental com a mediação de profissionais da área artística
Publicado por Catraca Livre

As leituras acontecem na Sala Experimental Plínio Marcos, com capacidade de 50 lugares. (Reprodução)
O ato de ler e deixar que as palavras escritas percorram as veias passando pelo coração até à mente na forma de desenhos, cenários, rostos e sentimentos é um hábito que precisa ser mantido. Sua prática, fundamental para o desenvolvimento cultural do indivíduo, torna-se o pano de fundo do Ciclo de Leituras Públicas da USP, que já se encontra na 9ª edição.
Entre os meses de maio e junho, o Tusp (Teatro da USP) apresenta programação gratuita sempre às 15h das segundas-feiras, com mediação do agente cultural Otácilio Alacran. A seleção de textos se baseou na “realidade incendiária”, ou o momento crucial em que o personagem precisa tomar uma decisão e, consequentemente, definir o rumo da história. Tal necessidade surge justamente da repressão de ideias ou ideais e acende uma “fagulha” capaz de incinerar a atual condição daquela figura representada.
As peças compuseram o importante cenário do teatro ocidental e as leituras permitem que os participantes entendam o processo de construção das histórias, assim como estilo de cada dramaturgo. Confira a programação completa:
Maio
6/5 O Interrogatório – de Peter Weiss (1965)
13/5 Agreste – de Newton Moreno (2004)
20/5 Biedermann e os Incendiários – de Max Frisch (1958)
27/5 O Balcão – de Jean Genet (1956)
Junho
03/6 Jogos na Hora da Sesta – de Roma Mahieu (1976)
10/6 Novas Diretrizes em Tempos de Paz – de Bosco Brasil (2001)
17/6 A Morte de Danton – de Georg Büchner (1835)
Em livro, Pistorius conta acidente quase fatal e “prova de amor” bizarra
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Um crime no dia dos namorados chocou a África do Sul: ídolo mundial do atletismo, Oscar Pistorius é acusado de matar a namorada, a modelo Reeva Steenkamp, a tiros dentro de casa em Pretória; entenda o caso
Foto: AP
Publicado por Terra
O jornal inglês The Mirror destrinchou episódios marcantes da vida do atleta paralímpico Oscar Pistorius, relatados no livro de memórias Blade Runner. Na obra, o biamputado que atualmente aguarda julgamento pelo assassinato da ex-namorada Reeva Steemkamp conta ter sofrido um acidente automobilístico quase fatal depois de uma briga com outra ex-parceira amorosa e uma surpresa no mínimo estranha para se reconciliar com ela.
Pistorius tinha um relacionamento conturbado com Vicky Miles, com quem namorava em 2006 e a quem o atleta paralímpico chamava de “o grande amor de sua vida”. Após uma forte briga, porém, o sul-africano teria resolvido pegar o carro às 3 da manhã rumo à casa da ex-namorada, a mais de 600 km de distância, para tentar a reconciliação. Ele dormiu no volante e quase morreu ao sofrer um acidente.
“Só acordei quando meu carro bateu em um guard rail. Um lado do veículo estava completamente destruído. Meu comportamento foi imperdoavelmente estúpido e me arrependo desse dia”, escreveu Pistorius. Dias depois, em 14 de fevereiro de 2006 – Dia de São Valentim, equivalente ao Dia dos Namorados em alguns países -, o atleta fez uma “loucura de amor” para tentar sensibilizar Vicky Miles.
Meu comportamento foi imperdoavelmente estúpido e me arrependo desse dia
Oscar Pistorious
Sobre acidente fatal que quase lhe tirou a vida em 2006
“No Dia de São Valentim de 2006, a Vicky acordou e encontrou a surpresa que eu havia preparado enquanto ela dormia. Enchi 200 balões coloridos, um por um, e pendurei nas árvores, no portão e no quintal da casa dela. Depois, peguei uma lata de spray e escrevi artisticamente: ‘eu te amo, tigrona’ na rua em frente à da casa. Ela ficou sensibilizada”, contou.
Curiosamente, Pistorius matou a sua então namorada, a modelo Reeva Steemkamp, exatamente sete anos depois da “prova de amor” que havia feito a Vicky Miles. O crime, cometido na casa do atleta paralímpico, ocorreu na madrugada do último dia 14 de janeiro.

Morta nesta quinta-feira pelo namorado Oscar Pistorius em incidente não-esclarecido, Reeva Steenkamp era modelo, tinha diploma em direito e seria estrela de reality show; veja
Foto: Instagram / Reprodução
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Há 121 anos nascia J.R.R. Tolkien
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Biografia escrita por Marcelo Forlani no Omelete
Bloemfontein, capital do Estado Livre de Orange, na África do Sul, mudou a história de três diferentes mundos no dia 3 de janeiro de 1892. Nasceu ali John Ronald Reuel Tolkien, o primeiro filho do casal de ingleses Mabel e Suffield e Arthur Tolkien. Três anos depois do seu nascimento, Ronald, seu irmão Hilary (dois anos mais novo) e a mãe se mudavam para a Inglaterra. Aquela era a primeira grande mudança na vida dos dois meninos. Seu pai adoeceu e não conseguiu voltar para a sua terra natal. Mabel morou um tempo na casa dos pais, até alugar um chalé na zona rural de Birmingham. Ficar próximo aos avós e no meio do mato ajudou o menino a não sentir tanta falta da figura paterna e, principalmente, lhe ensinou a importância da natureza, sempre tão presente e viva na sua obra.
Passados quatro anos, os Tolkien saem de Sarehole para uma casa em Moseley. Foi no renomado colégio King Edwards que Ronald iniciou sua brilhante e longa história acadêmica. A mãe de Tolkien morreu quando ele tinha 12 anos. O padre Francis ficou encarregado da educação dos dois, que continuavam sua constante mudança de endereços. Quando dividia um quarto com seu irmão, no segundo andar da pensão da Sra. Faulkner, conheceu Edith Bratt, uma menina três anos mais velha que ele e futura mãe de seus filhos (John, Michael, Christopher e Priscilla).
O romance dos dois é um parágrafo à parte nesta história. Filha de mãe solteira, Edith também ficara órfã há pouco tempo quando os dois se conheceram. Segundo consta na biografia de Tolkien, ela era bastante bonita, baixa, esguia, de olhos cinzentos, um rosto firme e límpido e cabelos curtos e escuros. Os dois foram proibidos de se relacionar pelo padre Francis, que se preocupava com o rumo da vida do jovem rapaz. Ambos continuaram se encontrando e trocando cartas até que ela foi transferida para outra cidade. Obediente, Tolkien só voltou a procurá-la após completar 21 anos. Quando isso aconteceu, ela estava noiva de outro, pois achava que aquele amor havia sido esquecido. Tolkien conseguiu convencê-la de que eram feitos um para o outro e se casaram em 22 de março de 1916.
Na época em que se dedicava exclusivamente aos estudos, Tolkien fundou com seus amigos de colégio a T.C.B.S (Tea Club Barrovian Society). O clube do chá (tea club) remete às tardes em que os garotos passavam na biblioteca tomando chá enquanto estudavam para as provas finais. Depois, já de férias, eles mudaram os encontros para a loja do Barrow, daí o nome Barrovian Society, ou sociedade barroviana.
Com o estouro da Primeira Guerra Mundial, Tolkien teve que se alistar para defender o exército inglês. No front ele pegou uma doença chamada febre das trincheiras, causada pela falta de higiene, e voltou para a Inglaterra. As baixas para o T.C.B.S. foram mais profundas do que isso. Alguns de seus membros fundadores acabaram sucumbindo. A amizade entre eles, porém já havia transformado suas vidas. Toda esta cumplicidade pode ser vista na obra de Tolkien, principalmente na lealdade da Comitiva do Anel, em O Senhor dos Anéis.
Enquanto se recuperava da doença começou a rabiscar O Livro dos Contos Perdidos (The Book of Lost Tales), que mais tarde virou O Silmarillion (The Silmarillion). É neste momento que Tolkien começa a desenvolver o seu universo de orcs e elfos baseados nas lendas finlandesas que ele tanto estudou. Com o fim da Guerra, Tolkien volta a Oxford e retoma seus estudos e carreira acadêmica.
Com a estabilidade, o professor passou a dedicar atenção especial à família. Enquanto corrigia um bolo de provas, uma folha em branco foi o impulso que precisava para começar a colocar no papel as histórias que contava para os filhos. Tudo começava com numa toca no chão vivia um hobbit e as histórias narravam as aventuras de Bilbo Bolseiro, um ser menor que um anão, de pés grandes e peludos, pertencente a esta raça chamada hobbit.
A história caiu nas mãos do editor Stanley Unwin que, depois de ver a velocidade com que seu filho de 10 anos lia a obra, decidiu publicá-la. O Hobbit (The Hobbit – 1937) só tinha um problema. As 310 páginas de sua versão original foram consideradas muito poucas pelos leitores, que a esta altura já podiam ser chamados de fãs. Uma continuação foi encomendada ao escritor, mas com toda a sua responsabilidade (com as aulas) e detalhismo, Tolkien levou nada menos do que 12 anos para terminar O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings), que foi lançado em três volumes – os dois primeiros em 1954 e o terceiro no ano seguinte.
Em 1959, Tolkien, já famoso pela sua obra, se aposenta como professor. As Aventuras de Tom Bombadil, Tree and Leaf e Smith of Wootton Major foram publicados respectivamente em 1962, 1964 e 1967. No ano de 1965, uma versão pirata de O Senhor dos Anéis é lançada nos Estados Unidos. A obra influencia os hippies que difundiam sua ideologia pacifista da Califórnia para o mundo. Sua esposa faleceu em 1971, aos 82 anos. Um ano depois, ele volta para Oxford e recebe o título de Comandante da Ordem do Império Britânico e de Doutor Honorário em Letras pela Universidade de Oxford.
Em 2 de setembro de 1973, em Bornemouth, J.R.R. Tolkien faleceu, aos 81 anos. O mundo real em que vivemos, o mundo das fantasias que imaginamos, e a Terra Média que, junto com ele, descobrimos.
Que bom!
dica da Luciana Leitão
‘O sistema colocou uma máscara de ferro no mercado editorial’, diz André Schiffrin
1Iona Teixeira Stevens, no PublishNews
Começou ontem o Simpósio Internacional Livros e Universidades da Edusp. Na primeira mesa, André Schiffrin, da New Press, falou sobre conglomeração e monopólio nas mídias. Já o acadêmico Laurence Hallewell, da universidade de Columbia, contou sobre sua experiência como pesquisador da História do livro no Brasil. Paulo Franchetti, diretor editorial da Editora da Unicamp, refletiu sobre o papel das editoras universitárias.
André Schiffrin fez uma apresentação incisiva, lançando inúmeras críticas sobre o rumo da indústria editorial nos últimos anos. Comentando sobre a fusão Penguin Random House e a compra da Mondadori, ele ressaltou que a maioria dos grupos que possuem editoras têm outros interesses, maiores e mais lucrativos, como é o caso da Bertelsmann, News Corp, Pearson etc. O objetivo das fusões seria então “não perder tanto dinheiro com livros”. O resultado, segundo ele, são menos pessoas, e menos livros. “Hoje em dia as editoras têm mais contadores que editores. E não são os contadores que vão perder o emprego com as fusões”, disse o publisher, que possui 55 anos de mercado, “a Random house tem orgulho do fato de estar em cima de um cemitério de umas duzentas editoras pequenas, que hoje não passam de selos colocados nos livros na saída da linha de impressão” critica o editor.
Mas, para Schiffrin, a maior mudança no mercado editorial aconteceu quando os grupos passaram a exigir que todos os livros tivessem lucro: “Não podíamos mais dizer ‘vamos usar a receita do nosso best seller para financiar Foucault’. Todo mundo sabe que você tem que ir devagar com os livros importantes”. E isso afeta as editoras universitárias também. Schiffrin conta o caso da editora universitária de Oxford, na Inglaterra, cujos publishers devem ter retorno de 1 milhão de dólares pelos livros por ano. “Isso exclui livros difíceis e politicamente inovadores.” Ele lembra que , nos anos 50 e 60, o catálogo das editoras comerciais era similar ao das universitárias, e que hoje isso mudou. “Com uma indústria que publica milhares de livros por ano, é interessante entrar numa livraria e ver o que não está lá”, lamenta André Schiffrin.
A Amazon também não escapa de sua crítica: “A Amazon já declarou que quer ‘eliminar o meio de campo’, ou seja, as livrarias. Eles querem, com os preços que colocam nos livros, acabar com o paperback. E sem o paperback as editoras não se sustentam”. A previsão de Schiffrin é pessimista, ele acredita que no futuro haverá 5, 4 ou até 3 editoras em cada país controlando o mercado editorial: “O sistema colocou uma máscara de ferro no mercado editorial”.
O acadêmico Laurence Hallewell fez um apanhado de sua palestra sobre a aparição do livro, mostrando como a tipografia influenciou a expansão das línguas na Inglaterra, Itália, França, Portugal e Brasil. Também explicou a origem de seus estudos sobre a história do livro no Brasil. “A superioridade física e estética dos livros brasileiros em relação aos da região da América latina despertou meu interesse nesse mercado no país” disse Hallewell, em português correto e com sotaque que poderia ser ao mesmo tempo do Rio de Janeiro, Portugal e Goa. Ele concluiu a mini-palestra com o caso do da língua tupi guarani na indústria editorial nacional. “Esquecemos até quando o tupi guarani sobreviveu, e a importância que teve no início da colonização. O Brasil poderia ter tido destino igual a do Paraguai, expressando-se e sentindo o mundo pelo guarani e usando a língua velha da Europa pra questões de governo”.
Já Paulo Franchetti, diretor da editora da Unicamp, afirmou que não vinha como exemplo de sucesso, mas de problema das editoras universitárias brasileiras. Para ele, há duas diferenças entre as editoras comerciais e as universitárias. Primeiramente, a produção dos livros por docentes; o intuito de utilizar os títulos na sala de aula; o papel na formação de bibliotecas universitárias e a avaliação criteriosa dos pares caracterizam as editoras universitárias. Em segundo lugar está o retorno acadêmico, e não financeiro, que buscam as editoras universitárias, diferentemente de editoras comerciais voltadas para o mundo acadêmico. “Eu creio que as editoras universitárias de primeira linha possuem não um lugar concorrente, mas um lugar que ninguém mais ocupa, de formação de catálogo especializado e de intervenção no mercado de forma ‘anti-mercadológica’”. Franchetti também só vê interesse em editoras universitárias que publicam títulos com abrangência nacional, não apenas regional, e que ainda não compensa investir em livros digitais. “O custo de produção é muito alto, representa 30% de um livro em papel. O público é restrito, não temos como fazer esse investimento e ter o retorno com livro digital.”




















