Com amor, a garota chamada Estrela

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Amantes da literatura criam Sebos para satisfazer paixão pelos livros

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Jovens se preocupam em ampliar seu acervo e vendê-los a preços acessíveis

Publicado no Portal o Dia

As lojas de livros literários usados, os Sebos, é uma espécie em extinção na cidade. Quem vende afirma que o mercado não gera lucros. Por isso, os amantes da literatura sempre têm dificuldades para encontrar livros antigos e raros com preços acessíveis. Em Teresina, essas obras são vendidas por R$ 25,00 em média. Os preços variam de acordo com o estado de preservação e sua antiguidade.

Cada publicação tem uma história especial. O autor tece personagens, cidades, situações, tudo junto em um produto diagramado, organizado, muitas vezes em capítulos, e exposto na vitrine. Só que um livro acaba sendo muito mais que um mero reprodutor de histórias. Se a obra for profunda e, de alguma forma, atingir o leitor, ele indica o livro para outras pessoas e, se ele não for muito apegado ao objeto físico, acaba repassando-o a amigos, como uma maneira de dividir sensações. Dessa forma, o livro, muito além de seu conteúdo, acaba se fazendo uma história.

Sentindo a necessidade de compartilhar tudo isso, a professora de Literatura, Laís Romero, decidiu criar um Sebo literário dentro de seu apartamento. Entre os brinquedos do filho, Luís, e os gatos que cria no pequeno espaço, Laís arrumou um lugar para pessoas iguais a ela, que sempre estão com sede de boas leituras. Ela faz isso há um ano e afirma que é por prazer. “A venda dos livros não me traz uma renda extra e o que ganho eu não conto como algo relevante. Eu me satisfaço apenas em trocar experiências literárias”, afirma.

A professora de Literatura, Laís Romero, resolveu fazer de seu apartamento um Sebo Literário

A professora de Literatura, Laís Romero, resolveu fazer de seu apartamento um Sebo Literário

O Sebo é visitado por poucas pessoas. “Eu tenho em torno de 20 clientes fieis, muitos deles são amigos”, explica Laís. Com um ano de existência, seu acervo aumenta gradativamente. Laís está sempre a procura de livros e, geralmente, quando vê uma coleção de obras literárias posta de lado e esquecida na casa de alguém, mostra interesse em adquirir.

Ela também tem uma preocupação especial com seus visitantes. “Algumas pessoas descobrem pelas redes sociais a página que eu vendo livros e me procuram, pedem para ver meu acervo. Eu ofereço café e um bom papo. Muitas vezes elas entram no meu apartamento com um livro especifico na cabeça, mas acabam levando dois, três a mais”, esclarece.

A paixão pelos livros também estimulou e aproximou dois jovens universitários. Romário Farias e Ariadne Chaves vendem livros em feiras literárias desde 2012, época em que começaram a namorar. Mas somente em 2015, o casal resolveu “oficializar” a venda de livros e criaram a página “Paranoia Livros”. “Sabemos da força que as redes sociais, bem como os grupos de comercialização e troca de itens possuem e como ainda não possuímos um espaço físico, nós encontramos no mundo virtual um primeiro passo para isso”, explica Romário.

O lucro que é obtido pela venda dos livros, é destinado para a ampliação do acervo. “O objetivo é desenvolver, aumentar o acervo e futuramente dar um espaço físico para os livros e leitores ou pra quem só quer apreciar um café e uma boa conversa”, afirma o universitário.

“O ‘empreendimento paranoico’ do qual estamos investindo, é fundado em amor aos livros e nos mundos criados por eles e que numa sequência de produção, recepção e apropriação transformam vidas e nos fazem encontrar uns aos outros nas discussões sobre as leituras”, conclui Romário.

Enquanto o mercado de livros na cidade é voltado para o próprio mercado, saber que existem pessoas que tratam da literatura como uma forma de estreitar laços, é sentir que, no final, quem acaba ganhando é o leitor, que entra em contato direto com um dos sentidos da literatura: transformar a vida de alguém.

Livros escolares e paradidáticos geram mais lucros

Pela falta de Sebos físicos dedicados somente a livros literários na cidade, os leitores acabam não tendo muitas opções disponíveis. É fato que encontrar bancas de livros usados no Centro de Teresina é uma tarefa fácil, mas a maioria dessas banquinhas tem todo seu acervo voltado a livros escolares, apostilas e paradidáticos, quase sempre usados e com um preço mais acessível.

Bancas de livros usados que ficam localizadas na Praça do Fripisa priorizam vendas de livros didáticos

Bancas de livros usados que ficam localizadas na Praça do Fripisa priorizam vendas de livros didáticos

Ceiça Ferreira é livreira a mais de 20 anos. A pedagoga de 46 anos é dona de uma loja de livros, junto com mais 7 amigos. Cada dono é responsável por uma parte da loja, além de manterem uma banca de livros escolares na Praça do Fripisa. A loja física só existe a pouco mais de 2 anos, mas durante duas décadas, Ceiça já levou seu acervo para diversas feiras dentro e fora do estado. Ela afirma que consegue se sustentar apenas com a venda de livros. Entretanto, isto só é possível por que em sua loja, ela oferece todos os tipos de livros. “Por mais que eu goste de literatura e sinta prazer em indicar bons livros para os meus clientes, eu sei que nenhum Sebo se sustentaria sem oferecer livros escolares e paradidáticos”, explica.

Fotos: Elias Fontenele/ODIA

Loja da pedagoga Ceiça Ferreira, lucra mais com a venda de livros escolares e paradidáticos

Loja da pedagoga Ceiça Ferreira, lucra mais com a venda de livros escolares e paradidáticos

Para algumas pessoas, a compra do livro usado tem uma diferença do livro novo, que está muito além do preço. Para a estudante do ensino médio, Raíssa Muniz, de 17 anos, um livro usado tem toda uma simbologia por trás de sua história. “Uma obra que pertenceu a uma outra pessoa, já conta por si uma história. Trazer consigo um livro usado é como se apropriar das memórias alheias. E isso quase sempre é uma experiência rica e divertida”, pontua.
Edição: Nayara Felizardo
Por: Aldenora Cavalcante (estagiária)

Portal de sebos começa a vender livros novos

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Alguns títulos oferecidos são mais baratos do que nos concorrentes e chegam a custar quase o mesmo que os usados

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Com um acervo de 12 milhões de livros provenientes de 1.300 sebos e pequenos livreiros espalhados por mais de 300 cidades brasileiras, a Estante Virtual quer ir além da venda de títulos usados e fora de catálogo e entra, agora, na briga pelo mercado de livros novos. Não que esse tipo de comercialização não fosse feito antes. “Há muitos anos os sebos não vendem apenas livros raros e esgotados, como está no imaginário das pessoas. Vendem livros seminovos e, mais recentemente, novos – que compram de ponta de estoque das editoras ou numa transação normal”, explica André Garcia, fundador da Estante Virtual. A abertura para o novo negócio, acredita, vem do fato de as livrarias estarem cada vez mais restritas, até por limitação de espaço, a obras comerciais.

No acervo geral, estão disponíveis 12 milhões de livros

No acervo geral, estão disponíveis 12 milhões de livros

No entanto, os best-sellers não serão ignorados pelos sebos. Muito pelo contrário. Ontem, um exemplar de A Culpa É das Estrelas, o livro mais vendido no País em 2014, estava sendo oferecido no portal pelo Sebovero por R$ 16,99. Na Amazon, que costuma ter os preços mais baixos – e é criticada no mercado por isso – ele custava R$ 20,61. O preço de capa é R$ 29,90. Uma curiosidade: a edição usada mais barata era vendida por R$ 15.

“Ou ele está com preço promocional ou esse livro já está sendo vendido na ponta de estoque porque ele não é o último best-seller”, avalia Garcia, que afirma não haver uma orientação de sua empresa quanto aos preços praticados, ou seja, não há intenção de concorrer de igual com as grandes redes. “Não regulamos. No caso dos usados e seminovos, o preço é muito importante e recomendamos um desconto de 40% ou mais em relação ao preço de capa. No caso dos novos, não pedimos nenhum desconto e eles dão se quiserem. Mas no nosso entendimento, o preço não é o foco no caso dos livros novos. Ele está na diversidade de títulos e na sustentabilidade do mercado.”

O que a Estante Virtual está iniciando agora, a Amazon já faz, por exemplo, nos Estados Unidos – mas não aqui, por ora. Sebos consultados pelo Estado disseram que ainda não foram procurados pela empresa.

Até o fim de janeiro, pequenas livrarias também vão poder vender seus livros pelo portal. “Um dos pilares da Estante Virtual é a sustentabilidade, sempre privilegiando os pequenos e médios players. Queremos democratizar o acesso dos leitores ao livro estejam eles onde estiverem. Queremos inverter a lógica da hiperconcentração”, diz.

Principal portal do gênero, a Estante Virtual entrou em conflito com os fornecedores este ano ao aumentar suas tarifas – sua comissão varia hoje entre 8% e 12% e ela recebe R$ 42 de mensalidade. “Foi uma tensão gerada por uma movimentação que envolveu um aumento do patamar de serviços. Muito do que fizemos foi pedido dos livreiros, e não havia como viabilizar sem uma revisão da tarifa.” Alguns ameaçaram tirar o acervo do ar. “Mas a saída foi infinitesimal, não chegou a 10.”

A mágica dos sebos

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Susana Reis, no Literatortura

Minha estante está cheia. Cada dia aperto mais meus livros para se encaixarem direitinho dentro dela. Mas meu tempo para ler essas aquisições está cada vez mais curto. Para se ter uma ideia, comprei cinco livros na Bienal internacional do livro em São Paulo, a uns dois meses atrás, e comecei a ler o primeiro essa semana. E como se não bastasse, toda vez que eu passo em um sebo de livros, sou obrigada a entrar e consequentemente comprar… O resultado são mais livros para ler.

Poucas coisas na vida são melhores como resgatar um livro de um sebo. Talvez apenas lê-lo. É tão bom entrar em uma lojinha cheia de livros abandonados, esquecidos e empoeirados e começar a espirrar. Esses livros, em sua maioria com páginas amarelas, cheiro forte e com a capa caindo, são tão baratinhos em comparação com o que achamos nas livrarias que valem a pena. Aonde eu acharia “O grande Gatsby” em perfeito estado por três reais? Apenas em um sebo.

Dentro de um sebo podemos encontrar relíquias e livros que nunca pensamos que existia. Por exemplo, outro dia achei “Filadélfia”, o livro que foi inspirado no filme de mesmo nome protagonizado por Tom Hanks, por seis reais. Como não levar? Também achei “O Perfume”, de Patrick Süskind, por dez reais. São valores pequenos para livros que com certeza iremos ler. Alias, é um ótimo lugar para arriscar. Já comprei livros desconhecidos, estranhos e, confesso, pela capa. Além de dicionário de inglês!

Sebos também são bons locais para você se despedir de alguns livros e fazer trocas. Afinal todo mundo tem um momento de desespero, em que necessita de dinheiro. Ou melhor, se estiver sem dinheiro para comprar um novo livro, é só pensar naquele seu que você não gosta e trocar no sebo por outro. E quase uma utilidade pública.

Entrar em um sebo é mágico. Quando entro em um, o tempo para. Fico ouvindo a música de fundo (normalmente MPB, samba ou Roberto Carlos) enquanto procuro novidades, sinto o clima do lugar e namoro os livros. Quando não saio da loja com um livro na mão, a sensação é de tristeza. Quando o escolhido aparece, me sinto realizada.

5 sebos virtuais que você não pode deixar de conhecer

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Quer um livro antigo e já não sabe mais onde procurar? Que tal fazer uma pesquisa nos sebos online? Confira uma lista com 5 opções que vão facilitar a sua busca por livros raros

Publicado no Universia Brasil

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Crédito: Shutterstock.com
Os viciados em leitura sabem como é difícil encontrar algumas edições antigas e raras de um livro

Os viciados em leitura sabem como é difícil encontrar algumas edições antigas e raras de um livro. Por não estarem mais disponíveis nas livrarias, esses livros levam um bom tempo para serem encontrados em sebos. Além de paciência e dedicação, também é necessário um ótimo sistema respiratório para passar horas entre as prateleiras de livros antigos. Se você tem interesse por esse tipo de leitura, mas não conta com toda a paciência necessária para consegui-la, que tal optar pelos sebos virtuais? Confira uma lista com 5 sebos online que podem facilitar sua busca por livros antigos.

1. Estante Virtual

O portal conta com um acervo de mais de 1.200 sebos em todo o Brasil. O seu sistema de buscas permite pesquisar os conteúdos de sebos, livreiros e internautas ao mesmo tempo. Além disso, o site ainda possui um blog atualizado com informações sobre o universo dos livros.

2. Sebo do Messias

Com mais de 40 anos de história, o Sebo do Messias é um dos sebos mais tradicionais de São Paulo – e se anuncia como o maior do Brasil. Em sua página na internet é possível encontrar todo o acervo disponível na loja física.

3 Livros Difíceis

O site está há aproximadamente 10 anos no ar e é considerada uma ótima opção para a busca de livros raros e esgotados nas livrarias. Não possui um acervo específico, pois recebe as solicitações e faz as pesquisas em bibliotecas pessoais à venda, bem como em outros sebos ou mesmo em editoras.

4. Traça

O site conta com um acervo de mais de 60 mil obras e cataloga aproximadamente 300 novos títulos por dia. Além disso, o site possui um blog com as tirinhas da “Traça”, mascote do sebo.

5. Sebos Online

O site conecta sebos, livreiros e leitores ao redor do Brasil e do mundo. Nele é disponibilizado um vasto acervo de livros e revistas, bem como CDs, DVDs e vinis. Conta com peças novas até as esgotadas nas demais lojas.

Com livros baratos e raridades, sebos da Tijuca (RJ) têm clientela fiel e resistem à tecnologia

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Mauricio Peixoto no Yahoo Notícias

A s lojas de compra e venda de livros usados, conhecidas como sebos, resistem bravamente à chegada dos e-books ao mercado brasileiro e à concorrência de grandes livrarias. O Centro concentra esse comércio tradicional, mas a Tijuca faz parte do roteiro dos fãs de “páginas amarelas”. A Caverna do Saber (que fica dentro da Livraria Eldorado, na Rua Conde de Bonfim 422), o Livreiro Saens Peña (em frente ao antigo Cine Carioca, na Rua das Flores) e a Livraria da Cultura (Rua Uruguai 268-B) são alguns dos locais mais visitados por quem prefere ler em páginas de papel e busca bons preços e exemplares raros nas estantes.

Ilson Perez, funcionário do Caverna do Saber, conta que o sebo, aberto há quatro anos, tem cerca de 20 mil livros, com preços que variam de um real a R$ 2.400. O exemplar mais caro da loja foi publicado em 1902. Escrito em francês por Paul de Musset, é intitulado “Viagem pitoresca à Itália” (em tradução livre). Uma outra relíquia do estabelecimento é “Rio de Janeiro: Formação e desenvolvimento da cidade”, encomendada pelo governo do estado em 1965 como parte das comemorações pelos 400 anos da cidade. Está à venda por R$ 300.

– Nós avaliamos o preço de um livro de acordo com sua raridade e importância. Mas fazemos promoções, oferecemos bons exemplares por um real, R$ 5 ou R$ 10 para ganhar clientela – informa Perez.

Segundo ele, os livros à venda em sebos têm algo nem sempre encontrado em exemplares novos: charme.

– Muitos têm lindas dedicatórias e trechos importantes sublinhados. Nós guardamos diversos objetos que achamos dentro dos exemplares, como fotos, dinheiro antigo e marcadores. Quem vai a um sebo namora os livros, sabe que não está num simples comércio – afirma Perez.

Cliente assíduo da loja, o ator Wal Schneider, morador da Tijuca, conduz um projeto social em Ramos e costuma comprar muitos livros sobre teatro para mostrá-los aos seus alunos.

– Encontro livros raros de cinema e teatro a preços em conta. Estou levando a coleção completa “Teatro vivo”, que a Editora Abril lançou em 1976. Há peças de todo o mundo, são obras fantásticas – comemora Schneider.

(mais…)

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