A Bíblia segundo o Gato

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A mágica dos sebos

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Susana Reis, no Literatortura

Minha estante está cheia. Cada dia aperto mais meus livros para se encaixarem direitinho dentro dela. Mas meu tempo para ler essas aquisições está cada vez mais curto. Para se ter uma ideia, comprei cinco livros na Bienal internacional do livro em São Paulo, a uns dois meses atrás, e comecei a ler o primeiro essa semana. E como se não bastasse, toda vez que eu passo em um sebo de livros, sou obrigada a entrar e consequentemente comprar… O resultado são mais livros para ler.

Poucas coisas na vida são melhores como resgatar um livro de um sebo. Talvez apenas lê-lo. É tão bom entrar em uma lojinha cheia de livros abandonados, esquecidos e empoeirados e começar a espirrar. Esses livros, em sua maioria com páginas amarelas, cheiro forte e com a capa caindo, são tão baratinhos em comparação com o que achamos nas livrarias que valem a pena. Aonde eu acharia “O grande Gatsby” em perfeito estado por três reais? Apenas em um sebo.

Dentro de um sebo podemos encontrar relíquias e livros que nunca pensamos que existia. Por exemplo, outro dia achei “Filadélfia”, o livro que foi inspirado no filme de mesmo nome protagonizado por Tom Hanks, por seis reais. Como não levar? Também achei “O Perfume”, de Patrick Süskind, por dez reais. São valores pequenos para livros que com certeza iremos ler. Alias, é um ótimo lugar para arriscar. Já comprei livros desconhecidos, estranhos e, confesso, pela capa. Além de dicionário de inglês!

Sebos também são bons locais para você se despedir de alguns livros e fazer trocas. Afinal todo mundo tem um momento de desespero, em que necessita de dinheiro. Ou melhor, se estiver sem dinheiro para comprar um novo livro, é só pensar naquele seu que você não gosta e trocar no sebo por outro. E quase uma utilidade pública.

Entrar em um sebo é mágico. Quando entro em um, o tempo para. Fico ouvindo a música de fundo (normalmente MPB, samba ou Roberto Carlos) enquanto procuro novidades, sinto o clima do lugar e namoro os livros. Quando não saio da loja com um livro na mão, a sensação é de tristeza. Quando o escolhido aparece, me sinto realizada.

5 sebos virtuais que você não pode deixar de conhecer

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Quer um livro antigo e já não sabe mais onde procurar? Que tal fazer uma pesquisa nos sebos online? Confira uma lista com 5 opções que vão facilitar a sua busca por livros raros

Publicado no Universia Brasil

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Crédito: Shutterstock.com
Os viciados em leitura sabem como é difícil encontrar algumas edições antigas e raras de um livro

Os viciados em leitura sabem como é difícil encontrar algumas edições antigas e raras de um livro. Por não estarem mais disponíveis nas livrarias, esses livros levam um bom tempo para serem encontrados em sebos. Além de paciência e dedicação, também é necessário um ótimo sistema respiratório para passar horas entre as prateleiras de livros antigos. Se você tem interesse por esse tipo de leitura, mas não conta com toda a paciência necessária para consegui-la, que tal optar pelos sebos virtuais? Confira uma lista com 5 sebos online que podem facilitar sua busca por livros antigos.

1. Estante Virtual

O portal conta com um acervo de mais de 1.200 sebos em todo o Brasil. O seu sistema de buscas permite pesquisar os conteúdos de sebos, livreiros e internautas ao mesmo tempo. Além disso, o site ainda possui um blog atualizado com informações sobre o universo dos livros.

2. Sebo do Messias

Com mais de 40 anos de história, o Sebo do Messias é um dos sebos mais tradicionais de São Paulo – e se anuncia como o maior do Brasil. Em sua página na internet é possível encontrar todo o acervo disponível na loja física.

3 Livros Difíceis

O site está há aproximadamente 10 anos no ar e é considerada uma ótima opção para a busca de livros raros e esgotados nas livrarias. Não possui um acervo específico, pois recebe as solicitações e faz as pesquisas em bibliotecas pessoais à venda, bem como em outros sebos ou mesmo em editoras.

4. Traça

O site conta com um acervo de mais de 60 mil obras e cataloga aproximadamente 300 novos títulos por dia. Além disso, o site possui um blog com as tirinhas da “Traça”, mascote do sebo.

5. Sebos Online

O site conecta sebos, livreiros e leitores ao redor do Brasil e do mundo. Nele é disponibilizado um vasto acervo de livros e revistas, bem como CDs, DVDs e vinis. Conta com peças novas até as esgotadas nas demais lojas.

Com livros baratos e raridades, sebos da Tijuca (RJ) têm clientela fiel e resistem à tecnologia

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Mauricio Peixoto no Yahoo Notícias

A s lojas de compra e venda de livros usados, conhecidas como sebos, resistem bravamente à chegada dos e-books ao mercado brasileiro e à concorrência de grandes livrarias. O Centro concentra esse comércio tradicional, mas a Tijuca faz parte do roteiro dos fãs de “páginas amarelas”. A Caverna do Saber (que fica dentro da Livraria Eldorado, na Rua Conde de Bonfim 422), o Livreiro Saens Peña (em frente ao antigo Cine Carioca, na Rua das Flores) e a Livraria da Cultura (Rua Uruguai 268-B) são alguns dos locais mais visitados por quem prefere ler em páginas de papel e busca bons preços e exemplares raros nas estantes.

Ilson Perez, funcionário do Caverna do Saber, conta que o sebo, aberto há quatro anos, tem cerca de 20 mil livros, com preços que variam de um real a R$ 2.400. O exemplar mais caro da loja foi publicado em 1902. Escrito em francês por Paul de Musset, é intitulado “Viagem pitoresca à Itália” (em tradução livre). Uma outra relíquia do estabelecimento é “Rio de Janeiro: Formação e desenvolvimento da cidade”, encomendada pelo governo do estado em 1965 como parte das comemorações pelos 400 anos da cidade. Está à venda por R$ 300.

– Nós avaliamos o preço de um livro de acordo com sua raridade e importância. Mas fazemos promoções, oferecemos bons exemplares por um real, R$ 5 ou R$ 10 para ganhar clientela – informa Perez.

Segundo ele, os livros à venda em sebos têm algo nem sempre encontrado em exemplares novos: charme.

– Muitos têm lindas dedicatórias e trechos importantes sublinhados. Nós guardamos diversos objetos que achamos dentro dos exemplares, como fotos, dinheiro antigo e marcadores. Quem vai a um sebo namora os livros, sabe que não está num simples comércio – afirma Perez.

Cliente assíduo da loja, o ator Wal Schneider, morador da Tijuca, conduz um projeto social em Ramos e costuma comprar muitos livros sobre teatro para mostrá-los aos seus alunos.

– Encontro livros raros de cinema e teatro a preços em conta. Estou levando a coleção completa “Teatro vivo”, que a Editora Abril lançou em 1976. Há peças de todo o mundo, são obras fantásticas – comemora Schneider.

(mais…)

Qual será o futuro dos sebos?

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Publicado originalmente no O Globo

Seu José Germano repete a mesma rotina há 60 anos. Chega às 6h30min em seu sebo e vai embora apenas às 19h. Depois de ter sido faxineiro, entregador e atendente, ele é o atual e único dono da tradicionalíssima Livraria São José, no Centro. Mas o alfarrábio não está mais na Rua São José, onde já teve até quatro pontos diferentes. O novo endereço, após passar pela Rua do Carmo e a Praça Tiradentes, é a Avenida Primeiro de Março 37. Teve que se mudar para sobreviver.

A livraria está acabando por conta do livro digital. Principalmente os sebos. Porque eu vendo livro velho e não existe livro digital velho, não é? — argumenta ele que, aos 74 anos, se rendeu, ao menos, à venda pela internet. — Não temos mais aquela clientela que tínhamos nas décadas de 1970, de 1980. Há 20 anos, se alguém me oferecesse uma biblioteca de 5 mil, eu não pensava duas vezes. Hoje, não sei.

Sob ameaça dos leitores digitais

O livreiro da São José é apenas uma das pontas desse intrincado negócio de compra e venda de livros usados. Ele representa o perfil mais tradicional, com a loja com corredores longos, clientes de longa data, iluminação menos potente, estantes empoeiradas e edições antigas. Mas Germano não é o único tipo de livreiro que está tendo que se adaptar a uma nova realidade em que o digital se torna cada vez mais comum, principalmente com a chegada iminente da gigante do comércio eletrônico Amazon ao Brasil. Essas lojas especializadas em obras de segunda mão vão sobreviver após a colisão desse asteroide?

— Sinceramente não sei como um sebo se reinventaria como loja física — diz Camila Cabete, gerente de Publisher Relations da Kobo, o leitor digital que lançará uma loja no Brasil até o fim do ano, em parceria com a Livraria Cultura. — Eu continuarei usando sebos. Porém, não sei como se comportarão os nativos digitais.

O caminho restrito ao comércio online é a opção de alguns livreiros de longa tradição física para tentar evitar a fossilização. É o “exército de um homem só”, argumenta Marcelo Latcher. Ele já participou direta e indiretamente da criação de dezenas de lojas. Hoje, mantém apenas a Gracilianos do Ramo, mas só virtualmente.

— Sebo tem os seus dias contados, mas ainda é possível ganhar muito dinheiro na decadência — disparou Latcher, que faz parte de uma geração de livreiros mais jovem que a de Germano. — No futuro, o livro será comprado em um antiquário. Vai ser algo chique. Mas isso não me incomoda em absoluto.

Uma vez que se optou pela internet, o principal caminho adotado no Brasil tem sido a Estante Virtual. Segundo o criador do site, André Garcia, 97% das transações de livros usados na internet brasileira acontece sob o domínio da sua empresa. Garcia, ainda mais jovem que Latcher, não tem qualquer receio das transformações, e diz não ter visto qualquer impacto do livro digital: “fez cócegas no mercado nacional”.

— O e-reader vai continuar seguindo como parcela minoritária do mercado aqui — aposta ele, que disse estar preparado para enfrentar a Amazon, caso ela também venda livros de segunda mão no mercado nacional, como faz nos Estados Unidos e em outros países como França e Reino Unido.

De toda forma, ele é outro que não quer ficar parado e já planeja explorar outras áreas, inclusive a obra eletrônica. — Mas em uma competição, o livro físico ganha dos e-books nesse nicho exatamente por sua materialidade.

Nem toda livraria de usados aposta unicamente na venda on-line, entretanto. Maurício Gouveia, um dos donos da Baratos da Ribeiro, de Copacabana, cadastra apenas um percentual pequeno do acervo, por conta do alto custo de implementação e a baixa vendagem pelo meio.

— Nosso cliente não é o cara que procura o livro X ou Y. Nosso cliente é o cara o que aparece para saber se pintou algo de novo, que gosta de bater papo, dar uma passadinha — explica ele, que acredita que o aluguel no Rio de Janeiro é um problema muito maior que a Amazon.

Livreira aposta em convivência pacífica

Tendo experiência de quase 30 anos nas livrarias “tradicionais”, Graça Neiva, do Luzes da Cidade, em Botafogo, sugere que nos sebos sempre se pode encontrar surpresas. Já as que vendem obras novas estão homogeneizadas.

— Dizem os mais velhos que a TV era uma ameaça ao cinema. E, apesar de ter diminuído de tamanho, a indústria do cinema não vai tão mal assim. No livro, vai ter que ter acomodação — conta ela que, há anos, quando o assunto livro digital começou a aparecer no Brasil, colocou uma placa, em tom de brincadeira, anunciando que eles estavam comprando Kindles, o leitor digital da Amazon. — Já tinha gente querendo passar o Kindle antigo!

Entre livreiros à moda antiga e outros conectados, fica o mais interessado no assunto, o leitor. Bibliófilo, além de poeta, professor e acadêmico, Antonio Carlos Secchin é autor do “Guia de sebos” que, apesar de estar na quinta edição, ele acredita que já nasce obsoleto. A razão? O crescimento dos sebos virtuais.

— Mas como todo mundo pode se autodenominar livreiro, há uma série de informações erradas circulando pela internet, que eu nem acho que seja de má-fé. Como quando se anuncia um título e é outro. O colecionador que está em busca de uma edição específica, acaba tendo que tomar bastante cuidado.

Contudo, Secchin não acredita que o principal movimento dos sebos seja da busca de uma obra rara. Para ele, o que faz o caixa das livrarias de segunda mão é o best-seller. E aí, o livro digital poderia se tornar um problema.

— Enquanto o livro no sebo for mais barato, vai ter público. Agora é esperar para saber quando o livro digital vai ficar mais barato.

dica do João Marcos

Bom e barato: sebos são alternativa para quem procura livros

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Imagem Tumblr

Publicado originalmente no Portal InfoMoney

O hábito da leitura ainda está longe de fazer parte da realidade da maioria dos brasileiros. Essa falta de interesse faz com que o Brasil exiba um número vergonhoso: o de índice de 1,8 livro vendido por pessoa ao ano. Além de questões subjetivas, como o estímulo da escola e da família à leitura desde os primeiros anos de alfabetização, muitos alegam que deixam de ler porque não podem comprar um livro devido ao seu preço elevado.

No entanto, para um dos coordenadores do Plano Nacional do Livro, Jeferson Assumção, isso ocorre justamente por causa do pouco interesse à leitura que existe no País. “É um círculo vicioso: as pessoas dizem que não compram o livro porque ele é caro, mas também ele é caro porque têm poucos compradores de livros”, afirmou, destacando que essa falta de hábito é capaz até de anular os efeitos da desoneração fiscal aos livros promovida pelo governo em 2004.

Aventure-se nos sebos
Enquanto esse “círculo vicioso” não se quebra, quem está com o orçamento apertado a ponto de não poder adquirir um livro pode recorrer aos sebos. E se você é daqueles que associam os sebos a lugares empoeirados, cheirando a bolor e desorganizados é bom rever seus conceitos. Hoje, o consumidor encontra lojas de livros usados que aliam preço baixo à qualidade de atendimento, disponibilizando lojas bem arejadas e limpas, e que até contam com espaços culturais e lanchonetes.

Algumas delas, apostando na comodidade de seus clientes, já aderiram ao comércio virtual, e colocam todo seu acervo na rede, com possibilidade de entregar o produto em casa.

Para os que estão à procura de títulos específicos, existem sebos especializados nas áreas de ciências humanas (psicologia, filosofia, política, história, artes, etc), jurídicas, evangélicas, e até aqueles que contam com edições esgotadas nas livrarias comuns.

Em relação a preços, dependendo do livro, a diferença pode valer a pena. Para se ter uma idéia, uma edição nova de uma obra de referência, como o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, custa cerca de R$ 140, enquanto a versão usada é vendida por R$ 85.

Já o Código de Processo Civil (volume 1) pode ser encontrado ao preço de R$ 37 em um sebo, enquanto na livrariacusta R$ 73,20. Se a opção for por um best-seller, como Harry Potter e a Pedra Filosofal, o livro novo é vendido por aproximadamente R$ 29, enquanto a versão de segunda mão é cotada a R$ 23.

Um clássico da literatura brasileira, como Os Sertões, de Euclides da Cunha, é comercializado pelo valor de R$ 35, em um sebo, e por quase R$ 52, no caso da edição nova.

Quanto à forma de pagamento, além do dinheiro e dos cheques, algumas lojas oferecem a possibilidade de efetuar as compras com cartão de crédito, de débito ou ainda com depósito em conta-corrente.

Cuidados na compra
Uma boa parte dos sebos, hoje, comercializam livros em tão bom estado que até parecem novos. No entanto, você pode se deparar com alguns produtos mais antigos (embora bem conservados). Para que o barato não fique mais caro, é importante verificar aspectos gerais do livro, como se ele possui páginas com anotações ou marcações à tinta, dobraduras nas capas e manchas no miolo, além de corte irregular; marcas de cupim, que podem interferir na leitura; bordas escurecidas ou marcas de umidade.

Caso verifique um desses problemas e ainda assim queira levar o livro, a dica é pechinchar um desconto. Outra possibilidade é oferecer um livro que você já possui como parte do pagamento da obra que está adquirindo.

Caso vá comprar pela rede, colete o máximo possível de informações sobre o produto, já que você só terá contato com ele no dia da entrega. Use o espaço para perguntas e faça quantas considerar necessárias, para que o negócio fique o mais claro possível.

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