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Há 20 anos no Centro Histórico de Cuiabá, sebo resiste à falta de apoio

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Cleito Albuquerque, proprietário do Bazar do Livro - Alair Ribeiro/MídiaNews

Cleito Albuquerque, proprietário do Bazar do Livro – Alair Ribeiro/MídiaNews

Proprietário lamenta a ausência de políticas que incentivem a leitura em Mato Grosso

Cintia Borges, no Midia News

A alternativa mais acessível para os amantes de livros são os sebos – lojas que vendem livros usados. Em Cuiabá, o mais antigo deles sobrevive há quase 20 anos no Centro Histórico.

A crise financeira e política que atingiu o Brasil em 2015 não popoupou o Bazar do Livro, mas a empresa ainda resiste, prestes a completar 20 anos.

O proprietário Cleito Albuquerque afirma que se houvesse mais incentivos por parte do poder público a eventos culturais relacionados à cultura literária, o mercado de livro em Cuiabá estaria em uma melhor situação.

“Em quase vinte anos de funcionamento, o último um ano e meio foi um dos piores para mim. Governo, Prefeitura, Secretaria de Cultura e Educação teriam que fazer mais eventos para fomentar literatura, para estimular a compra de livros. Não só cultura, porque eventos culturais existem, mas feiras de livro são poucas”, disse o empresário.

Ele conta que o recentemente seria realizado um grande evento para a cultura literária, a LiteraMato, mas que foi cancelado sem qualquer explicação.

O evento deveria acontecer entre os dias 19 e 22 de outubro deste ano, mas foi cancelado.

O empresário lembra que o último grande evento para fomento da leitura aconteceu em 2005, com a LiterAmérica, ainda no Governo Blairo Maggi. “[Ricardo Guilherme] Dicke estava vivo, foi mais ou menos em 2010. Faz muito tempo”.

A falta de incentivo e a crise fizeram com que o empreendimento, que antes empregava sete pessoas, hoje funcione apenas com duas.

Outro fator que contribuiu para a queda nas vendas foi o grande números de escolas que mudaram o sistema de ensino. Antes as loja de livros usados tinham grande fluxo de vendas nos materiais didáticos. Com a inserção e crescimento dos sistemas apostilados – como os sistemas de ensino Objetivo, Positivo, COC –, as vendas caíram.

“Na volta às aulas as vendas eram muito fortes. Por enquanto, no que diz respeito a livros literários continua normal”, diz.

Entretanto, a incerteza quanto o futuro ainda gera temor. “Eu vejo uma luz no fim do túnel, mas eu tenho medo. Cuiabá sempre foi fraca no setor literário, falta incentivo”, diz.

História

O Bazar do Livro abriu a sua primeira loja em 1998, na Rua 7 de Setembro, no Centro Histórico de Cuiabá.

“Eu trabalhei em um sebo em Goiânia por dois anos, e trouxe a ideia para cá em junho de 1998. Eu montei junto com meu irmão, mas ele foi mexer com outra área, e há seis anos sou o único dono”, disse.

Um ano depois, o sebo mudou-se para o endereço atual: Rua Antônio Maria Coelho, número 344, no Centro Sul da Capital..

“Já tivemos um filial na Pedro Celestino, na Prainha e na Avenida Mato Grosso. Mas os alugueis eram muito caros”.

Albuquerque lembra dos anos de ouro da livraria. Ele conta que entre os anos 2000 e 2010, o Bazar do Livro teve seu ápice.

Eram vendidos, além dos livros, CDs, DVDs, fitas cacetes e vinis. “Mas a internet tirou isso tudo da gente”, afirma.

“Os vinis também paramos de vender uma época, mas eles voltaram com força, e, recentemente, compramos um lote com duas mil unidades. Tem uns oito anos que não vendíamos”, conta.

O Bazar do Livro vive atualmente de venda e troca de livros usados. O empresário explica que, caso o amante de livros não queira comprá-los, pode levar um usado e trocar por outro.

“A pessoa traz o livro para eu fazer a avaliação. Em resumo é o seguinte: o livro que vale R$ 10 eu troco por outro livro de R$ 5”, conta. Ele ainda esclarece que, atualmente, pela grande quantidade de livros expostos, não faz a compra de títulos.

“Tenho mais de 40 mil títulos, com certeza. Não há livros novos, 95% são usados”.

Dentre os títulos, há livros para todos os gostos e bolsos. “O preço médio é de R$ 10 a R$ 11. Mas, se você chegar aqui com apenas R$ 10, você consegue levar até cinco livros”, aponta o proprietário para um banca com exemplares a preço promocionais.

Raridade

A grande curiosidade no sebo está no livro “Álbum Gráphico de Mato Grosso”.

Impresso em Hamburgo, na Alemanha, entre os anos de 1913 e 1914, o livro conta com imagens históricas do Estado.

“Salvo o engano foram editadas apenas 300 unidades. Ele tem um preço alto, custa R$ 2 mil. Nós temos apenas ele”.

Serviço

O Bazar do Livro fica na Rua Antônio Maria Coelho, número 344, no Centro Sul da Capital.

6 Dicas para manter a leitura em dia nos tempos de crise

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Fabio Mourão no Dito pelo Maldito

Vamos encarar a realidade, ser um amante de livros pode custar caro. Se contabilizarmos o dinheiro gasto com os exemplares, as idas ao cinema para acompanhar as adaptações cinematográficas, o merchandising, e as vezes até mesmo o material para formar um possível cosplay, com certeza chegaremos a uma despesa que pode estourar qualquer orçamento em tempo de crise. E quando a coisa aperta, infelizmente os nossos livros e quadrinhos costumam ser os primeiros a sofrerem cortes rigorosos. Quando temos que decidir entre comprar uma nova leitura, ou pagar o aluguel para continuar a ter um teto onde ler, fica difícil acompanhar os lançamentos literários. E eu conheço bem esse sentimento.

Atualmente eu moro na capital de São Paulo, uma cidade com uma cena cultural invejável, mas conhecida também por ostentar um dos custos de vida mais alto do país. Mas como tal hábito é quase tão difícil de abandonar quanto a um vício, felizmente passei os últimos anos aperfeiçoando a arte de manter a leitura em dia mesmo quando a conta está no vermelho. Aqui estão algumas boas dicas que desenvolvi nesse tempo difícil que estamos passando no país:

1. Visite a biblioteca da sua cidade
Talvez você nunca tenha se atentado para isso, mas é bem provável que exista pelo menos uma biblioteca municipal em algum lugar da sua cidade. Eu passei grande parte da adolescência dentro de uma, e guardo boas lembranças desses momentos. Tenho certeza que fará o mesmo por você.

Sem contar que hoje em dia as bibliotecas tornaram-se um local público que oferecem bem mais do que apenas livros, muitas dedicam espaço para exposições, eventos e outras até possuem uma gibiteca. Se você gosta de descobrir novos títulos nas livrarias, vai encontrar um mar de possibilidades dentro de uma biblioteca.

2. Migre para os e-Books
Não use a crise como desculpa para colaborar com a pirataria de livros, os autores continuam precisando de dinheiro tanto quanto você. Mas se você nunca se dispôs a experimentar um livro digital antes, este é um bom momento para começar a pensar em passar por essa experiência. Apesar de não ter aquele ‘cheiro de livro novo’ como bônus, e nem suprir a nossa necessidade materialista de ter o exemplar físico, é um fato que os e-Books costumam ser mais baratos, e é isso que importa em tempos de vacas magras.

3. Troque as livrarias por sebos
Talvez, alguns meses atrás, você tivesse plena condições de entrar em uma livraria e sair de lá com sacolas recheadas de lançamentos, mas talvez seja hora de começar a encarar possibilidade de frequentar os sebos da sua cidade, e quem sabe garimpar alguns títulos que estão fora do catálogo das editoras.

Apesar dos sebos terem a fama de abrigar apenas livros antigos, pode-se encontrar títulos bem interessantes em lugares assim, e em exemplares tão bem conservados quanto os das livrarias.

4. Promova uma troca com os seus amigos
Cultivar o hábito da leitura é também acumular dezenas de exemplares por todo canto da casa, mesmo quando não precisa mais deles. Se você tiver sorte suficiente para ter amigos próximos na mesma situação, pode aproveitar a oportunidade para promover uma troca de livros entre vocês. E se eles também estão passando por um aperto financeiro, vale a pena até incentivar uma compra coletiva, em que vocês podem dividir o valor da compra de um livro, e compartilhar o título entre todos.

5. Conheça os escritores da sua região
Já que está faltando grana para bancar os títulos da lista dos dez mais vendidos, é uma boa oportunidade para fazer o que você já deveria ter feito desde que começou a se interessar pela literatura, incentivar o trabalho dos escritores da sua cidade e região. Pode começar se conectando a cena literária local, frequentando os festivais, feiras e outros eventos culturais, onde se pode encontrar bons títulos independentes a preços mais acessíveis.

6. De graça também é bom
As vezes nos vemos tão empenhados em comprar, ganhar ou conquistar determinados livros que já são lançados no mercado ostentando o status de ‘objetos de desejo’, que ficamos cegos para diversas oportunidades de leituras gratuitas que nos rodeiam pela rede. Praticamente toda plataforma digital possui suas ofertas de títulos sem custo para o leitor, seja pequenos contos, capítulos avulsos, prelúdios, e até obras inteiras esperando para serem lidas sem cobrar absolutamente nada por isso. A nossa lista com os 10 Melhores e- Books grátis para o Kobo pode te ajudar no início desse processo.

Amantes da literatura criam Sebos para satisfazer paixão pelos livros

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Jovens se preocupam em ampliar seu acervo e vendê-los a preços acessíveis

Publicado no Portal o Dia

As lojas de livros literários usados, os Sebos, é uma espécie em extinção na cidade. Quem vende afirma que o mercado não gera lucros. Por isso, os amantes da literatura sempre têm dificuldades para encontrar livros antigos e raros com preços acessíveis. Em Teresina, essas obras são vendidas por R$ 25,00 em média. Os preços variam de acordo com o estado de preservação e sua antiguidade.

Cada publicação tem uma história especial. O autor tece personagens, cidades, situações, tudo junto em um produto diagramado, organizado, muitas vezes em capítulos, e exposto na vitrine. Só que um livro acaba sendo muito mais que um mero reprodutor de histórias. Se a obra for profunda e, de alguma forma, atingir o leitor, ele indica o livro para outras pessoas e, se ele não for muito apegado ao objeto físico, acaba repassando-o a amigos, como uma maneira de dividir sensações. Dessa forma, o livro, muito além de seu conteúdo, acaba se fazendo uma história.

Sentindo a necessidade de compartilhar tudo isso, a professora de Literatura, Laís Romero, decidiu criar um Sebo literário dentro de seu apartamento. Entre os brinquedos do filho, Luís, e os gatos que cria no pequeno espaço, Laís arrumou um lugar para pessoas iguais a ela, que sempre estão com sede de boas leituras. Ela faz isso há um ano e afirma que é por prazer. “A venda dos livros não me traz uma renda extra e o que ganho eu não conto como algo relevante. Eu me satisfaço apenas em trocar experiências literárias”, afirma.

A professora de Literatura, Laís Romero, resolveu fazer de seu apartamento um Sebo Literário

A professora de Literatura, Laís Romero, resolveu fazer de seu apartamento um Sebo Literário

O Sebo é visitado por poucas pessoas. “Eu tenho em torno de 20 clientes fieis, muitos deles são amigos”, explica Laís. Com um ano de existência, seu acervo aumenta gradativamente. Laís está sempre a procura de livros e, geralmente, quando vê uma coleção de obras literárias posta de lado e esquecida na casa de alguém, mostra interesse em adquirir.

Ela também tem uma preocupação especial com seus visitantes. “Algumas pessoas descobrem pelas redes sociais a página que eu vendo livros e me procuram, pedem para ver meu acervo. Eu ofereço café e um bom papo. Muitas vezes elas entram no meu apartamento com um livro especifico na cabeça, mas acabam levando dois, três a mais”, esclarece.

A paixão pelos livros também estimulou e aproximou dois jovens universitários. Romário Farias e Ariadne Chaves vendem livros em feiras literárias desde 2012, época em que começaram a namorar. Mas somente em 2015, o casal resolveu “oficializar” a venda de livros e criaram a página “Paranoia Livros”. “Sabemos da força que as redes sociais, bem como os grupos de comercialização e troca de itens possuem e como ainda não possuímos um espaço físico, nós encontramos no mundo virtual um primeiro passo para isso”, explica Romário.

O lucro que é obtido pela venda dos livros, é destinado para a ampliação do acervo. “O objetivo é desenvolver, aumentar o acervo e futuramente dar um espaço físico para os livros e leitores ou pra quem só quer apreciar um café e uma boa conversa”, afirma o universitário.

“O ‘empreendimento paranoico’ do qual estamos investindo, é fundado em amor aos livros e nos mundos criados por eles e que numa sequência de produção, recepção e apropriação transformam vidas e nos fazem encontrar uns aos outros nas discussões sobre as leituras”, conclui Romário.

Enquanto o mercado de livros na cidade é voltado para o próprio mercado, saber que existem pessoas que tratam da literatura como uma forma de estreitar laços, é sentir que, no final, quem acaba ganhando é o leitor, que entra em contato direto com um dos sentidos da literatura: transformar a vida de alguém.

Livros escolares e paradidáticos geram mais lucros

Pela falta de Sebos físicos dedicados somente a livros literários na cidade, os leitores acabam não tendo muitas opções disponíveis. É fato que encontrar bancas de livros usados no Centro de Teresina é uma tarefa fácil, mas a maioria dessas banquinhas tem todo seu acervo voltado a livros escolares, apostilas e paradidáticos, quase sempre usados e com um preço mais acessível.

Bancas de livros usados que ficam localizadas na Praça do Fripisa priorizam vendas de livros didáticos

Bancas de livros usados que ficam localizadas na Praça do Fripisa priorizam vendas de livros didáticos

Ceiça Ferreira é livreira a mais de 20 anos. A pedagoga de 46 anos é dona de uma loja de livros, junto com mais 7 amigos. Cada dono é responsável por uma parte da loja, além de manterem uma banca de livros escolares na Praça do Fripisa. A loja física só existe a pouco mais de 2 anos, mas durante duas décadas, Ceiça já levou seu acervo para diversas feiras dentro e fora do estado. Ela afirma que consegue se sustentar apenas com a venda de livros. Entretanto, isto só é possível por que em sua loja, ela oferece todos os tipos de livros. “Por mais que eu goste de literatura e sinta prazer em indicar bons livros para os meus clientes, eu sei que nenhum Sebo se sustentaria sem oferecer livros escolares e paradidáticos”, explica.

Fotos: Elias Fontenele/ODIA

Loja da pedagoga Ceiça Ferreira, lucra mais com a venda de livros escolares e paradidáticos

Loja da pedagoga Ceiça Ferreira, lucra mais com a venda de livros escolares e paradidáticos

Para algumas pessoas, a compra do livro usado tem uma diferença do livro novo, que está muito além do preço. Para a estudante do ensino médio, Raíssa Muniz, de 17 anos, um livro usado tem toda uma simbologia por trás de sua história. “Uma obra que pertenceu a uma outra pessoa, já conta por si uma história. Trazer consigo um livro usado é como se apropriar das memórias alheias. E isso quase sempre é uma experiência rica e divertida”, pontua.
Edição: Nayara Felizardo
Por: Aldenora Cavalcante (estagiária)

Portal de sebos começa a vender livros novos

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Alguns títulos oferecidos são mais baratos do que nos concorrentes e chegam a custar quase o mesmo que os usados

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Com um acervo de 12 milhões de livros provenientes de 1.300 sebos e pequenos livreiros espalhados por mais de 300 cidades brasileiras, a Estante Virtual quer ir além da venda de títulos usados e fora de catálogo e entra, agora, na briga pelo mercado de livros novos. Não que esse tipo de comercialização não fosse feito antes. “Há muitos anos os sebos não vendem apenas livros raros e esgotados, como está no imaginário das pessoas. Vendem livros seminovos e, mais recentemente, novos – que compram de ponta de estoque das editoras ou numa transação normal”, explica André Garcia, fundador da Estante Virtual. A abertura para o novo negócio, acredita, vem do fato de as livrarias estarem cada vez mais restritas, até por limitação de espaço, a obras comerciais.

No acervo geral, estão disponíveis 12 milhões de livros

No acervo geral, estão disponíveis 12 milhões de livros

No entanto, os best-sellers não serão ignorados pelos sebos. Muito pelo contrário. Ontem, um exemplar de A Culpa É das Estrelas, o livro mais vendido no País em 2014, estava sendo oferecido no portal pelo Sebovero por R$ 16,99. Na Amazon, que costuma ter os preços mais baixos – e é criticada no mercado por isso – ele custava R$ 20,61. O preço de capa é R$ 29,90. Uma curiosidade: a edição usada mais barata era vendida por R$ 15.

“Ou ele está com preço promocional ou esse livro já está sendo vendido na ponta de estoque porque ele não é o último best-seller”, avalia Garcia, que afirma não haver uma orientação de sua empresa quanto aos preços praticados, ou seja, não há intenção de concorrer de igual com as grandes redes. “Não regulamos. No caso dos usados e seminovos, o preço é muito importante e recomendamos um desconto de 40% ou mais em relação ao preço de capa. No caso dos novos, não pedimos nenhum desconto e eles dão se quiserem. Mas no nosso entendimento, o preço não é o foco no caso dos livros novos. Ele está na diversidade de títulos e na sustentabilidade do mercado.”

O que a Estante Virtual está iniciando agora, a Amazon já faz, por exemplo, nos Estados Unidos – mas não aqui, por ora. Sebos consultados pelo Estado disseram que ainda não foram procurados pela empresa.

Até o fim de janeiro, pequenas livrarias também vão poder vender seus livros pelo portal. “Um dos pilares da Estante Virtual é a sustentabilidade, sempre privilegiando os pequenos e médios players. Queremos democratizar o acesso dos leitores ao livro estejam eles onde estiverem. Queremos inverter a lógica da hiperconcentração”, diz.

Principal portal do gênero, a Estante Virtual entrou em conflito com os fornecedores este ano ao aumentar suas tarifas – sua comissão varia hoje entre 8% e 12% e ela recebe R$ 42 de mensalidade. “Foi uma tensão gerada por uma movimentação que envolveu um aumento do patamar de serviços. Muito do que fizemos foi pedido dos livreiros, e não havia como viabilizar sem uma revisão da tarifa.” Alguns ameaçaram tirar o acervo do ar. “Mas a saída foi infinitesimal, não chegou a 10.”

A mágica dos sebos

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Susana Reis, no Literatortura

Minha estante está cheia. Cada dia aperto mais meus livros para se encaixarem direitinho dentro dela. Mas meu tempo para ler essas aquisições está cada vez mais curto. Para se ter uma ideia, comprei cinco livros na Bienal internacional do livro em São Paulo, a uns dois meses atrás, e comecei a ler o primeiro essa semana. E como se não bastasse, toda vez que eu passo em um sebo de livros, sou obrigada a entrar e consequentemente comprar… O resultado são mais livros para ler.

Poucas coisas na vida são melhores como resgatar um livro de um sebo. Talvez apenas lê-lo. É tão bom entrar em uma lojinha cheia de livros abandonados, esquecidos e empoeirados e começar a espirrar. Esses livros, em sua maioria com páginas amarelas, cheiro forte e com a capa caindo, são tão baratinhos em comparação com o que achamos nas livrarias que valem a pena. Aonde eu acharia “O grande Gatsby” em perfeito estado por três reais? Apenas em um sebo.

Dentro de um sebo podemos encontrar relíquias e livros que nunca pensamos que existia. Por exemplo, outro dia achei “Filadélfia”, o livro que foi inspirado no filme de mesmo nome protagonizado por Tom Hanks, por seis reais. Como não levar? Também achei “O Perfume”, de Patrick Süskind, por dez reais. São valores pequenos para livros que com certeza iremos ler. Alias, é um ótimo lugar para arriscar. Já comprei livros desconhecidos, estranhos e, confesso, pela capa. Além de dicionário de inglês!

Sebos também são bons locais para você se despedir de alguns livros e fazer trocas. Afinal todo mundo tem um momento de desespero, em que necessita de dinheiro. Ou melhor, se estiver sem dinheiro para comprar um novo livro, é só pensar naquele seu que você não gosta e trocar no sebo por outro. E quase uma utilidade pública.

Entrar em um sebo é mágico. Quando entro em um, o tempo para. Fico ouvindo a música de fundo (normalmente MPB, samba ou Roberto Carlos) enquanto procuro novidades, sinto o clima do lugar e namoro os livros. Quando não saio da loja com um livro na mão, a sensação é de tristeza. Quando o escolhido aparece, me sinto realizada.

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