Vitrali Moema

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Flip 2019: Euclides da Cunha será o autor homenageado na próxima edição do evento

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Retrato de Euclides da Cunha feita em 1906 Foto: Reprodução

 

Para a curadora Fernanda Diamant, escritor de ‘Os sertões’ tem muito a dizer sobre Brasil atual

Emiliano Urbim, em O Globo

RIO — Euclides da Cunha (1866-1909) será o autor homenageado da próxima Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A nova curadora, Fernanda Diamant , já havia indicado que em 2019 o evento teria foco maior na literatura de não ficção, o que se confirma agora com o anúncio do engenheiro, jornalista, imortal da ABL e autor de “Os sertões” (1902).

Considerado o primeiro livro-reportagem brasileiro, ele trata da Guerra de Canudos (1896-1897), conflito entre os seguidores de Antônio Conselheiro e o Exército Brasileiro que o escritor presenciou como correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo”. Para Fernanda, a obra-prima de Euclides tem muito a dizer sobre o momento atual do país:

Euclides discute uma série de assuntos muito pertinentes para este momento do Brasil, como o papel do Exército, a questão dos migrantes da seca, a identidade nacional. É um ponto de vista que reverbera hoje no que somos como país hoje.
Fernanda Diamant
Curadora da Flip

— Ele faz grande literatura de não ficção, unindo jornalismo, filosofia e história na narrativa de um conflito. Mas também discute uma série de assuntos muito pertinentes para este momento do Brasil, como o papel do Exército, a questão dos migrantes da seca, a identidade nacional. — diz Fernanda. — É um ponto de vista distanciado, mas que reverbera ainda hoje no que somos como país.

A nove meses do evento, marcado para 10 a 14 de julho na cidade histórica, ainda é cedo para falar em programação, mas Fernanda sinaliza que, assim como foi feito neste ano com Hilda Hilst , devem ser exploradas várias facetas da obra do homenageado.

A série de textos de Euclides sobre a Amazônia, cadernos de desenhos e outras reportagens devem influenciar na formação das mesas de discussão. Obras que tiveram influência do autor carioca, como a prosa de Guimarães Rosa e o filme “Deus e o Diabo na terra do sol” (1964), de Glauber Rocha, também devem ser usadas para aproximar o escritor do século XIX com o público do século XXI.

— É preciso contextualizar algumas passagens, como as teorias deterministas que Euclides apresenta, hoje totalmente ultrapassadas. Mas também destacar a transformação por que Euclides passa e aparece no livro. Ele foi lá cobrir a guerra achando que a República estava fazendo o bem, aos poucos entende como é difícil a vida dos sertanejos e ao final se dá conta que é testemunha de um massacre.

Fernanda, uma das editoras da revista de resenhas “Quatro cinco um”, trabalhava na produção do Teatro Oficina Uzyna Uzona no início da década passada, quando a companhia de São Paulo encenou uma série de espetáculos baseados em “Os sertões”.

— Já tinha essa relação com o autor, que considero um nome fundamental das nossas letras, e fico muito satisfeita que ele seja o homenageado.

Good Omens | Nova série baseada em livro de Neil Gaiman ganha trailer

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Se você gosta de um ótimo humor negro não deve perder Good Omens, a nova série da Amazon Prime

Mabel Rahbani, no Trecobox

Finalmente foi divulgado durante a NYCC 2018 o primeiro trailer da série Good Omens, baseada no livro homônimo de Neil Gaiman (Deuses Americanos) e Terry Pratchett. Trata-se de mais uma produção Original Prime, que traz grande elenco.

Confira o trailer:

A história conta a saga de uma amizade de mais de 6 mil anos entre o anjo Aziraphale (Michael Sheen) e o demônio Crowley (David Tennant), com nada menos que o Fim dos Tempos como plano de fundo. Para melhorar a trama, os dois precisam cuidar do Anticristo, que vem a este mundo na forma de um garoto normal da Inglaterra. Se tudo correr como no livro, poderemos contar também com a presença do Cão, o Guardião do Inferno.

A banda Queen, que marca presença ao longo do trailer, é outra característica marcante do livro. Isso porque qualquer fita que passa algum tempo no carro do Crowley tocará o melhor do Queen, não importa sua autoria.

Abaixo você pode conferir o poster oficial da série:

Um fato até então desconhecido para muitos é que o livro de 1990 já foi adaptado para uma minissérie da rádio BBC 4

O que tudo indica é que Good Omens terá um visual espetacular e muito fiel ao livro, já que o próprio Neil Gaiman está ajudando na produção. Ainda é muito provável que aconteça uma rápida e especial participação dele em algum dos episódios.

A série terá apenas 6 episódios, contando com um super elenco formado por nomes como Jasmine Hyde, Michael McKean e Adria Arjona. A previsão de estreia é para 2019, ainda sem data definida, com exclusividade na plataforma de streaming Amazon Prime.

Série traz o lendário Jack Ryan de volta às telas

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Personagem criado nos livros de espionagem de Tom Clancy ganha série em serviço de streaming

Rafael Braz, na Gazeta Online

Criado por Tom Clancy em 1984 no livro “Caçada ao Outubro Vermelho”, Jack Ryan se tornou o principal protagonista do escritor americano que emplacou vários best-sellers e virou até uma “grife” para jogos como “Splinter Cell”, “The Division” e “Ghost Recon” antes de sua morte, em 2013 – desde então, alguns escritores, antigos parceiros de Clancy, continuam escrevendo e publicando livros com o personagem.

No cinema, ele já foi vivido por atores de peso: Alec Baldwin (“Caçada ao Outubro Vermelho”), Harrison Ford (“Jogos Patriótico” e “Perigo Real e Imediato”), Ben Affleck (“A Soma de Todos os Medos”) e Chris Pine (“Operação Sombra: Jack Ryan”). Agora é a vez de John Krasinski (“Um Lugar Silencioso”) encarnar o analista da CIA na série devidamente intitulada “Jack Ryan”, disponível no serviço de streaming da Amazon, o Prime Video.

A trama tem início quando o analista se depara com uma série de transações bancárias suspeitas no Iêmen. Sem o apoio de seus superiores, ele decide agir para evitar um “novo 11 de setembro”. Vale ressaltar que o “agir”, no caso, não significa pegar em armas e sair à caça de terroristas, ao menos não em um primeiro momento. O Jack Ryan de Krasinski remonta à origem do personagem, um burocrata que acaba se envolvendo em algo maior do que ele poderia imaginar.

Trama

A primeira temporada da série tem oito episódios (a segunda já está confirmada) e a trama demora um pouco a engrenar muito em função da direção preguiçosa de Morten Tyldum (“O Jogo da Imitação”) no piloto – o veterano em séries Daniel Sackheim e a mexicana Patricia Riggen assumem a partir daí.

O roteiro, em um primeiro momento, é um festival de clichês reciclados de qualquer texto de espionagem internacional filmado nos últimos anos. Felizmente, lá pelo terceiro episódio, quando tanto o protagonista quanto os vilões vão sendo humanizados (dentro do possível), as coisas começam a ficar mais interessantes.

Essa humanização é justamente uma das características mais legais de “Jack Ryan”, a série. Krasinski vem de um papel de sucesso no cinema e se tornou um rosto conhecido para o espectador. Seu personagem não vai resolver gigantescos enigmas ou derrotar, sozinho, uma grande organização terrorista – ele até demonstra certa inaptidão social no jogo de conquista de Cathy (Abbie Cornish) e uma resistência a se tornar um herói, mesmo que tenha um passado de soldado.

O que pesa contra “Jack Ryan”, ao menos para os não-americanos, é a visão americanizada de tudo. Apesar da já citada humanização de alguns vilões, boa parte dos outros personagens árabes é estereotipada; a série inclusive se utiliza da tática “nada contra, tenho até alguns amigos…” ao colocar um mocinho muçulmano, mas o acerto não é total.

Com um alto investimento – cada episódio custou US$ 8 milhões –, “Jack Ryan” merecia ter um roteiro do nível de suas cenas de ação. Apesar de interessante e de justificar a maratona, não traz nada que “Homeland”, por exemplo, já não tenha feito melhor.

‘Não acredito no sobrenatural’, diz autor do livro de terror ‘HEX’

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O holandês Thomas Olde Heuvelt (Darkside/Divulgação)

Autor Thomas Olde Heuvelt conta que quis retratar como a sociedade trata o diferente, através da ficção

Mabi Barros, na Veja

A uma viagem de duas horas de Nova York, se esconde o pequeno vilarejo de Black Spring. A pacata rotina dos moradores, no entanto, mascara a convivência diária com uma bruxa enforcada ali no século XVII, que continua a assombrar a cidade. Uma vez por lá, a pessoa está condenada a viver para sempre à sombra de Katherine Van Wyler, ou ter sua mente invadida por pensamentos suicidas, caso tentem escapar do local. Para monitorar as aparições fantasmagóricas, a cidade criou o aplicativo HEX App, que batiza o best-seller da editora Darkside. “Através de HEX, podemos ver como a sociedade trata os elementos alheios a ela, tanto nos tempos de caça às bruxas como hoje”, explica o autor Thomas Olde Heuvelt a VEJA. O livro está sendo adaptado para uma série de TV pelos mesmos roteiristas de It: A Coisa e Annabelle.

Confira entrevista com Thomas Olde Heuvelt, autor de HEX:

O que é preciso para escrever um bom livro terror? O principal é assustar o público, claro. Sempre que recebo mensagens de leitores que contam que tiveram de dormir de luz acesa, ou que meu livro os fez ter pesadelo sinto certo prazer. Um livro de terror realmente bom consegue deixar o leitor com tanto medo que funciona mesmo depois de acabado, e o faz acreditar nos elementos fictícios, até mesmo sobrenaturais. Para mim, a maneira de fazer isso é criar identificação entre o leitor e a trama: você conhece os personagens, porque eles são exatamente como você e seus amigos, e você sabe como são os lugares, porque eles são exatamente como o seu bairro. Uma vez que eu conquisto a confiança do público, vou lá e destruo essa sensação de familiaridade, e deixo o inferno correr solto. Se for bem feito, o leitor fica viciado na trama e acredita em tudo o que você diz.

Existem dois tipos de histórias de terror: as que assustam o leitor e as que os deixam com medo. Qual das duas é HEX? Uma combinação de ambas. Em HEX, a ideia de uma bruxa parada na beira da cama noites a fio, imóvel, encarando você, serve como gatilho para leitores de todo o mundo. É uma imagem que se projeta em nosso último espaço seguro, onde todos os pesadelos deveriam terminar — nosso próprio quarto. Mas, para a maioria dos leitores, o que mais assusta em HEX é a correlação com a vida real. A história mostra como é preciso muito pouco para a sociedade se desfazer em desespero, e pergunta ao leitor como devemos nos comportar se nossas liberdades forem tomadas de nós.

Você buscou inspiração em histórias reais? Não, mas me inspirei em outras ficções. Busquei referências em obras da minha infância como As Bruxas, de Road Dahl, claro, o conto de João e Maria; e, da minha adolescência, A Bruxa de Blair. Essas histórias marcaram minha juventude e me inspiraram a querer escrever minha própria história de bruxa, uma que fosse diferente de todas as outras. Isso posto, a cidade holandesa onde se passa a trama de HEX existe de verdade, e aderiu à caçada às bruxas nos séculos XV e XVII. Então, o respaldo histórico é verdadeiro, assim como as superstições presentes no livro.

Você fez pesquisa para o livro? Em termos de cenário sim, já que ele é tão importante para a história. No livro, a cidade acaba se tornando um personagem. A edição original, de 2013, se passa em uma pequena cidade holandesa no meio das colinas. Quando eu estava procurando por uma correspondente americana para HEX, achei bastante apropriado usar o Hudson Valley, no Estado de Nova York, já usado como cenário por Nathaniel Hawthorne, Washington Irving, Edgar Allen Poe etc. Apesar da cidade de Black Spring ser fictícia, a localização é real, fica na Floresta Black Rock, a duas horas de Hudson e da cidade de Nova York, perto da Academia Militar de West Point. Todos esses recursos foram de grande utilidade para a história.

Existe algum paralelo entre o sociedade atual e aquela em que Katherine foi condenada? Os paralelos são inconfundíveis. Através de HEX, podemos ver como a sociedade trata os elementos alheios a ela, tanto nos tempos de caça às bruxas como hoje. Não há muita diferença. Temos assistido à crise dos refugiados na Europa, em que pessoas aparentemente decentes surtam diante da chegada de imigrantes, que fogem da guerra e da tortura. São forasteiros reais, humanos. Imagine o que aconteceria se uma entidade sobrenatural invadisse a sua cidade… as pessoas se transformariam em animais. Nós não mudamos muito nesse aspecto desde o século XVII. Este é o ponto que o livro tenta defender.

Na sua opinião, por que as pessoas gostam de ler histórias de terror? Existe algum prazer em sentir medo? As pessoas contam histórias de terror desde o começo dos tempos, isso serve a um propósito. Por que andamos de montanha russa, ou assistimos a filmes de terror? Porque, assim, podemos liberar nossos medos sem sair da zona de segurança. A realidade é assustadora, nos deixa ansiosos. Essa descarga promovida pelas histórias de terror acaba, então, fazendo bem para a nossa mente, é saudável senti-la de vez em quando. Além disso, é divertido. A primeira coisa que você ouve após uma cena de terror nos cinemas é uma risada de alívio, porque sabemos que estamos seguros, apesar do susto. Claro, como escritor, eu tento corromper essa sensação de segurança, e deixar os leitores com medo a ponto de dormirem com as luzes acesas.

Você teve alguma experiência pessoal com bruxaria? Eu, na verdade, sou bastante cético. Não acredito nas coisas sobrenaturais sobre as quais escrevo. Nunca vi uma pessoa morta voltar à vida, e odeio relatos pessoais sobre fantasmas. Se eu não estava lá, como vou saber se não foi um truque de luz, uma sombra ou uma ilusão da mente da pessoa? Por isso, fico reticente em escrever minhas experiências com o sobrenatural. Uma vez, eu realmente vi algo que não consegui explicar. Só uma vez. Mas, como você não estava lá, como vai saber que não foi um truque de luz ou uma sombra?

HEX vai ser adaptado para a televisão. O que não pode faltar para a série se manter fiel ao livro? Eu sou um dos consultores da série, mas a parte mais importante é confiar naqueles que estão adaptando o roteiro. São todos grandes nomes do terror de Hollywood — por exemplo, Gary Dauberman, o roteirista, escreveu também os roteiros de Annabelle e It: A Coisa, com base no livro de Stephen King. Então, eu confio que eles vão fazer justiça ao livro.

Pequenos detalhes definem o que é normal na rotina dos cidadãos de Black Spring e o que não é. Como você pretende levar esses pormenores para a TV sem aborrecer os espectadores? O jeito mundano, prático com que os cidadãos de Black Spring lidam com o sobrenatural é exatamente a força do romance — e o que torna essa história tão perfeita para a televisão. Quando a bruxa surge no meio da sala de estar, os personagens, ao invés de sair correndo, colocam uma toalha sobre o rosto e leem o jornal. A justaposição da rotina dos moradores, seus medos e superstições costuram a trama. Há um mundo de personagens maravilhosos para explorar, como Grim, o cara que lidera a organização responsável por monitorar a bruxa com o HEX-App, ou o Griselada, o açougueiro que oferece um prato de patê caseiro para a bruxa todas as tardes de quarta-feira para ficar “de bem” com ela. Acho que a série, se der certo, pode ser ao mesmo tempo engraçada e muito, muito assustadora.

Você acredita que a indústria do entretenimento está mais aberta a produções não-americanas? Com certeza. Basta olhar para alguns dos recentes sucessos da Netflix, as séries Dark e The Rain, que são respectivamente da Alemanha e Dinamarca. Existem muitos exemplos de filmes e séries não-americanos que fazem sucesso mundo afora. É ótimo. HEX, no entanto, vai ser uma história bem americana, apesar do comportamento tipicamente holandês da cidade diante do sobrenatural.

Você lê algum autor brasileiro? Além de Paulo Coelho, nenhum. Sempre que estou em turnê por um país específico, procuro aprender sobre sua literatura e seus autores, e também os mitos e lendas do lugar. Fico feliz por existir a tradução, e sermos capazes de ler histórias de outras culturas.

Quais são seus próximos projetos? Eu ainda estou no meio da turnê mundial de HEX — é incrível como esse livro tem vida longa. Para promovê-lo fora do meu país natal, a Holanda, já visitei os Estados Unidos, o Reino Unido, o Brasil, a Ucrânia, a Polônia e a França, e ainda vou para a China e a República Tcheca. Eu também estou terminando meu próximo romance, que, adianto, vai tratar de possessão. Muito já foi falado sobre o tema, há sempre um demônio ou um espírito maligno que se apossa de uma pessoa, que vem a ser exorcizada por um padre. Já na minha trama, um alpinista sofrerá um acidente horrível e descerá possuído pelo espírito da montanha. Eu não sou uma pessoa religiosa, mas, sempre que estou nas montanhas, sinto que elas são como seres vivos, têm alma. Não seria ótimo ter uma força da natureza furiosa dentro de si?

Netflix: 2ª temporada de ’13 Reasons Why’ chega em meio a polêmicas

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13 reasons why; Os 13 porquês (Netflix/Divulgação)

Boa parte dos fãs da série se perguntam sobre a decisão de produzir mais episódios para a história, que chegam ao serviço de streaming na sexta-feira, 18

Publicado na Exame

São Paulo – Por que fazer uma segunda temporada para uma série sobre uma garota que tirou a própria vida? Especialmente quando tanto a morte quanto os motivos que a levaram a isso foram totalmente destrinchados no primeiro ano. É o que boa parte dos fãs de 13 Reasons Why, da Netflix, se perguntam sobre a decisão de produzir mais episódios para a história, que chegam ao serviço de streaming na sexta-feira, 18.

Em entrevista ao Estado, Alisha Boe, que vive a jovem Jessica Davis, responde. “Há tantas histórias a serem contadas”, diz a atriz. Após uma primeira temporada focada em Hannah, ela acredita que os personagens que a cercam merecem ter as próprias histórias ouvidas. “A vida continua depois que Hannah morre e estamos explorando esse lado.”

Alisha esteve na última semana no Brasil, acompanhada dos colegas Christian Navarro, que vive Tony Padilla, e Brandon Flynn, intérprete de Justin Foley, que também opina sobre as críticas. “Entendo que há um grupo de fãs de livros que se tornam produtos audiovisual. Há sentimentos diferentes quando você lê um livro ou vê uma série”, pondera.

“Mas desafio todas essas pessoas a ver a última temporada de Game of Thrones, foi muito boa!”, brinca o ator, que pede que as pessoas deem uma chance ao segundo ano de 13 Reasons Why.

Nesta temporada, o foco é o julgamento iniciado pela mãe de Hannah, a garota que comete suicídio, contra a escola Liberty, onde ela estudava. O objetivo é provar, usando como referência 13 fitas cassetes gravadas pela jovem em vida – o mote da primeira temporada – que sua morte veio em decorrência do bullying sofrido por ela no colégio, além de ter sido abusada sexualmente por um colega de classe, que também atacou uma amiga sua, Jessica.

Polêmicas

A discussão sobre abuso sexual na série vem no momento em que Hollywood fala sobre o tema, após denúncias contra o produtor Harvey Weinstein e outros nomes do entretenimento, como o autor do livro que deu origem a 13 Reasons Why, Jay Asher, que não tem envolvimento com a produção.

“O louco é que o roteiro ficou pronto duas semanas antes de começarmos a gravar, que foi quando saíram as notícias”, relembra Alisha. “Tudo isso me fez perceber como essa história é importante, especialmente para essa geração, que são os próximos líderes.” Ao mesmo tempo em que repudia a demora histórica para o assunto vir à tona, ela se diz aliviada. “Sou uma jovem atriz nessa indústria que, por causa de todas as mulheres que denunciaram, provavelmente nunca vou lidar com isso na minha carreira.”

Na primeira temporada, além da crueza das cenas de estupro, o momento em que Hannah tira a própria vida causou grande polêmica e fez serviços de prevenção ao suicídio, de vários países, se manifestarem contra a série. “Só queremos que as pessoas tenham conversas abertas sobre saúde mental”, diz Alisha.

“Queremos ser uma plataforma para pessoas perceberem que têm responsabilidade sobre elas mesmas”, completa Brandon. “Mesmo quando você é uma vítima, por mais difícil, você é responsável por seu bem-estar mental e físico. Às vezes, quem você acha que pode ajudar não ajuda.”

Diante da gravidade do tema, a Netflix criou alertas. Antes de iniciar os episódios, um vídeo com o elenco anuncia o site 13reasonswhy.info, que direciona os espectadores para centrais de apoio. Os atores também se ajudam. “Filmamos juntos num lugar que não é nossa casa. Conversamos sobre o que aconteceu no dia”, relata Navarro. “É importante poder falar e ser ouvido”, acrescenta ele.

Os fãs que torcem o nariz para a segunda temporada da série 13 Reasons Why têm como principal argumento o fato de que a história da protagonista, Hannah Baker, vivida por Katherine Langford, foi encerrada após o seu suicídio e a divulgação das 13 fitas cassetes gravadas por ela, nas quais ela revela a decisão de tirar a própria vida. Para contrariar esses fãs, Hannah está de volta na segunda temporada. Como isso vai acontecer, porém, é um mistério sobre o qual a Netflix faz segredo.

O certo é que a personagem é vista de volta tanto em trailers quanto em imagens de divulgação da segunda temporada da série, nas quais ela aparece interagindo, de alguma forma, com Clay Jensen (Dylan Minnette), o outro protagonista. Na primeira temporada, a interação entre os dois era por meio das fitas e por lembranças de momentos juntos, flertes e da amizade entre eles, abalada junto com os acontecimentos com a garota no colégio.

Além disso, há a batalha judicial que a mãe de Hannah, Olivia (Kate Walsh), move contra a escola Liberty, por conta de todo o bullying sofrido pela garota por lá, o que teria motivado o suicídio, algo que pode revelar memórias sobre a vida dela que ainda não foram exploradas na primeira temporada.

Seja como for, é fato que a Netflix e os produtores de 13 Reasons Why precisavam aproveitar o talento de Katherine Langford, revelada na série. Além do imenso sucesso entre o público, sua performance rendeu à jovem, que tem apenas 22 anos, recém-completados, uma indicação para o Globo de Ouro de melhor atriz em série de drama este ano, na mesma categoria em que concorriam Caitriona Balfe (Outlander), Claire Foy (The Crown), Maggie Gyllenhaal (The Deuce) e Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale), que foi a vencedora do prêmio.

Na última semana, Katherine chegou a ser, também, uma das convidadas do disputadíssimo baile de gala do MET Museum, em Nova York.

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