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Pela família e pelas crianças! Sete livros que o Brasil precisa banir

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Rodrigo Casarin, no Página Cinco

Exposição cancelada após manifestações em Porto Alegre, peça censurada em Jundiaí, quadro apreendido em Campo Grande… Finalmente honrados cidadãos de bem estão conseguindo acabar com a depravação e a baixaria que tomam conta da arte no país. É mesmo necessário que os bons modos se sobreponham à insensatez de muitos de nossos artistas – se é que podemos chamar de artista alguém que não consegue desenvolver um trabalho que leve a reflexões positivas.

Aproveitando o ótimo momento para a moral e os bons costumes, listo aqui sete livros que, pelo bem de nossas famílias, precisam ser urgentemente banidos do Brasil. Manter as pessoas, principalmente as crianças, afastadas desses embustes literários com certeza nos transformará em uma sociedade melhor:

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Lolita”: é a história de um professor que se apaixona e tenta conquistar uma aluna para quem dá aulas particulares. O problema é que a menina, a ingênua e frágil Dolores, tem 12 anos, e o professor, 40. Ou seja, estamos diante de um claro caso de pedofilia. Não surpreendente que o livro seja de Vladimir Nabokov, um russo que viveu durante a época da União Soviética. Com certeza era um desses comunistas depravados.

O Caderno Rosa de Lori Lamby”: claro que mais cedo ou mais tarde alguém no Brasil tentaria copiar a depravação desse russo que falei acima. Hilda Hilst conseguiu ser ainda pior do que Nabokov e criou uma história erótica protagonizada por uma criança. Sim, uma criancinha de 8 anos. Nojento! Não basta banir o livro, o ideal seria exumarmos o corpo da autora para que pudéssemos prendê-la.

O Ateneu”: não quero me alongar muito nessas apologias à pedofilia, mas também preciso falar desse disparate do Raul Pompeia que virou um clássico da literatura em língua portuguesa. Aqui há o incentivo para que garotos mais fortes protejam os mais fracos em troca de sexo gay (que, graças à justiça, agora poderá ser combatido com tratamento psicológico). O absurdo maior é que esse livro costuma ser trabalhado ou mencionado em sala de aula, impactando diretamente na criação de uma degenerada geração.

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Biga Jato”: olha o que Xico Sá escreve nesse panfleto da zoofilia: “Estava lesado brincando com uma vara de pescar no quintal de casa, ensaio para uma pescaria de responsa, e no volteio da linha de náilon, o anzol, maldita interrogação do universo, dá duas voltas em torno do sol e de mim mesmo, crec, e vai direto para o meu pequeno membro, atravessando o prepúcio, se é que podemos falar com tanta grandeza de uma coisa insignificante e judiada de tanto sexo com cabras, cactos e bananeiras”. Sim, isso mesmo que você leu: sexo com cabras, cactos e bananeiras, animais e plantas. Já pensou se um pai desavisado lê isso para seus filhos? Essa “arte” apenas nos envergonha, não serve para nada. Fogueira nela!

O Evangelho Segundo Hitler”: esqueça aquela história de que não devemos julgar um livro pela capa. Neste caso, fica muito claro o que um tal de Marcos Peres deseja fazer: contar a história de Jesus segundo a ótica do mentor do nazismo. Heresia das bravas. Tomara que quando esse autor morrer a alma dele seja recebida pelo próprio Hitler, que sem dúvidas estará acompanhado do Capiroto em um lugar bem quente.

Jesus Cristo Bebia Cerveja”: heresia não falta na literatura contemporânea em língua portuguesa. Nesse livro, o Afonso Cruz, um lusitano, insinua que Jesus não teria transformado água em vinho, mas em cerveja. Acha que Jesus é um pau d’água que consome essas bebidas bárbaras servidas em botecos sujos, seu Afonso? Vai falar que ele bebia cachaça também?

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Bíblia”: não ia nem falar deste livro, que me parece o pior de todos, mas é preciso evidenciar aquilo que precisamos combater. No tijolo tem de tudo: incentivo para que pais matem seus filhos, filhas fazendo sexo com o pai, sodomitas, um monte de gente recorrendo às imorais prostitutas para se satisfazer e, no ápice, um dos protagonistas sendo torturado até a morte em uma cruz. Um horror, um horror, apologia a tudo o que existe de mais nefasto e cruel. Pior, me parece que crianças são expostas a esse conteúdo em aulas que chamam de catequese. Espero que isso seja apenas um boato.

Precisamos combater tudo isso, honrados cidadãos de bem. Afinal, já estamos em 1321 e a Idade Média não comporta mais essas coisas.

Aos 89, idosa lança livro de contos eróticos: ‘sexo é a coisa mais linda’

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Escritora Maria Lygia com a capa do livro 'Triunfos do Amor' (Foto: Isabella Formiga/G1)

Escritora Maria Lygia com a capa do livro ‘Triunfos do Amor’ (Foto: Isabella Formiga/G1)

Freiras, padres, idosos e até parentes vivem romances tórridos em contos.
Escritora de Brasília chama críticos de ‘caretas’: ‘não sou santa, sou mulher’.

Isabella Formiga, no G1

Aos 89 anos, a escritora Maria Lygia Rodrigues Faria lança nesta quarta-feira (24), em Brasília, o décimo terceiro livro da sua carreira: “Triunfos do Amor”, uma coletânea de 13 contos românticos carregados de erotismo. Para a artista, que tem 15 bisnetos e já escreveu até livros infantis, “sexo é a coisa mais linda do mundo e não deve ser escondido”.

“Sei que muitas pessoas vão achar tabu, principalmente pela minha idade – uma mulher beirando os 90 anos falar de sexo como eu falo no livro”, diz. “Acho caretice. [Sexo] não existe? Não foi feito para o homem e para a mulher? Não foi feito para amar? Então por que vou fazer disso um tabu? Tem que ser tudo com muita naturalidade. Não com sem-vergonhice, não com imoralidade. Mas contar o sexo como é não é vergonha. É natural.”

A autora afirma que nenhuma das histórias narradas por ela é inspirada em fatos reais, mas diz que mergulhou na memória para descrever algumas cenas, principalmente as mais “prazerosas” (veja vídeo). Muitos contos se passam em lugares que Maria Lygia descreve em detalhes, mas que ela afirma nunca ter conhecido, como a capital da França e até mesmo motéis.

Um dos contos favoritos da escritora e que ela diz ter tido mais dificuldade em encontrar um desfecho se passa no Rio de Janeiro, onde ela nasceu, e gira em torno de um casal de idosos.

“Eles moravam no mesmo prédio em Copacabana e se cumprimentavam todos os dias. A amizade foi crescendo, começaram então a passear na praia e acabam indo para o motel”, diz. “Quando ela avisa aos parentes que está gostando de uma pessoa, o genro e a filha fazem um verdadeiro escândalo. A família se revolta por achar um absurdo um casal de velhos se apaixonar.”

Maria Lygia diz que passou dias tentando encontrar uma solução para o casal ficar junto e que chegou a consultar a psicóloga para decidir que fim dar ao impasse dos idosos, que vence barreiras para viver o romance.

Em outro conto, a sobrinha pianista viaja para passar uma temporada com o tio, também músico, em Paris. “É uma história vivida antigamente, na época dos cabarés. Ela faz sucesso e eles acabam se apaixonado e tendo um caso de amor”, diz.

Poema de Maria Lygia que faz parte do último livro publicado por ela (Foto: Isabella Formiga/G1)

Poema de Maria Lygia que faz parte do último livro
publicado por ela (Foto: Isabella Formiga/G1)

“Já a história do padre se trata de duas crianças que se conhecem desde pequenas. Ele se torna padre e ela professora, e vão crescendo naquele amor profundo um pelo outro e acabam se apaixonando. Ela acaba esperando um filho dele e ele renuncia tudo por conta do amor deles.”

Maria Lygia diz que, assim como a freira que se apaixona pelo pescador em um de seus contos, ela cresceu sem conhecimento algum de sexo. “Isso me causou problemas na fase da adolescência para a fase adulta. Era um tabu. E acho que não deve ser. É a coisa mais natural do mundo e a mais linda. Desde então, passei a ver o sexo como uma coisa maravilhosa e para ser vivida intensamente.”

Paixão pela arte
A artista conta que se apaixonou pela escrita aos 8 anos, ao ver o pai recitando um poema, mas lembra que foi expulsa de casa por ele quando passou no vestibular. “Meu pai não queria que eu fosse fazer belas artes porque pensava que não era um lugar próprio para mulheres. Lutei e fiz porque achei que mulher tinha direito a tudo nesse mundo. A mulher tem que lutar pelo lugar dela e não deve se esconder por ser mulher”, diz.

As páginas do livro foram escritas à mão, em casa, e digitadas posteriormente por familiares e editores. “Não tem hora, não tem lugar para escrever. Sento, tenho a cadeira no quarto, e escrevo. O que estou com vontade de escrever escrevo.”

Escritora lê trecho de livro publicado por ela (Foto: Isabella Formiga/G1)

Escritora lê trecho de livro publicado por ela (Foto: Isabella Formiga/G1)

Casada por 44 anos, Maria Lygia conta que perdeu o marido há quase três décadas. O filho também faleceu, em janeiro deste ano. Abalada, a autora diz que tenta tocar a vida, e para isso “devora” toda leitura disponível em casa, além de escrever e pintar fervorosamente. “Sempre fui apaixonada por escrever história, versos, poemas, mas depois fui me dedicando mais à pintura”, diz ela.

Com problemas na vista e dores no braço e no joelho, a artista diz ter dificuldades em continuar pintando. “Com o tempo, vou perder a visão. Vou ter que arrumar um jeito para continuar fazendo alguma coisa”, diz ela, que já pintou centenas de quadros, muitos dos quais decoram a casa em que vive no Setor de Mansões do Lago Norte. Ela também ganhou dezenas de prêmios e condecorações.

A escritora e pintora diz ainda ter muito a ser vivido, que já planeja um novo livro e afirma que não há idade para amar e viver romances. “Para fazer sexo não tem idade, desde que tenha a disposição para fazer”, diz. “Acho que nascemos para sermos felizes. O coração ama até parar de amar.”

O lançamento do livro “Triunfos do Amor” será realizado nesta quarta-feira, às 19h, no restaurante Carpe Diem, na 104 Sul.

Britânicas oferecem sexo em troca de ajuda para pagar universidade

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Relacionamentos "sugar daddy" são facilitados por páginas na internet

Relacionamentos “sugar daddy” são facilitados por páginas na internet

É uma tendência em alta na Grã-Bretanha: mulheres buscam homens maduros e economicamente saudáveis que lhes ofereçam dinheiro para bancar estudos ou dar “mesadas” em troca de uma relação – os chamados “sugar daddy”.

Emma Jane Kirby, na BBC Brasil

Estas relações são conhecidas como “mutuamente benéficas” ou “transacionais”. Mas seria a busca por um “pai rico” uma forma aceita socialmente para se referir ao trabalho sexual?

Freya tem 22 anos. Veste uma calça de academia e uma camiseta gasta. Se expressa de forma natural e confiante.

A jovem decidiu começar a dormir com homens mais velhos em troca de dinheiro ainda na universidade. “Eu amo sexo”, diz Freya. “E, você sabe, eu sou muito boa nisso. Então, conquistar um ‘sugar daddy’, ou dois, foi uma decisão fácil”.

Ela é uma das muitas estudantes na Grã-Bretanha que, cercadas por dívidas, se tornaram “sugar babies”: jovens mulheres que aceitam relações com homens mais velhos e ricos em troca de dinheiro e presentes.

“Meu ‘sugar daddy’ casado me deu cerca de 1 mil libras (cerca de R$ 4,8 mil) por uma noite. Ele estava interessado apenas em sexo. Já o meu ‘sugar daddy’ divorciado me dava entre 1 mil e 2 mil libras como mesada”, diz.

Freya diz ter trabalhado duro para pagar as contas durante a universidade. “Trabalhava em dois empregos durante meu primeiro ano”.

“Era horrível – ganhava 5 libras (cerca de R$ 24) por hora trabalhando num bar e isso estava atrapalhando meus estudos”.

Apesar de reconhecer que o que fazia era um trabalho sexual, Freya diz acreditar que sempre manteve certo grau de controle. “Eram homens muito atraentes – eu escolhi com muito cuidado”.

“Sim, na verdade, é prostituição, mas acho que existe um estigma ridículo ligado a esta palavra”.
Consentimento materno

Mary, mãe de Freya, também aceitou ser entrevistada pela BBC, e não parecia incomodada pelas decisões da filha.

“Na verdade, eu tenho muito orgulho dela”, diz Mary. “Acho que é uma coisa muito valente de se fazer e estou feliz que ela me consultou. Claro que meus amigos foram bem contra”.

Garotas dizem que mesadas são usadas para ajudar a pagar por estudos e que nem sempre relacionamentos envolvem sexo

Garotas dizem que mesadas são usadas para ajudar a pagar por estudos e que nem sempre relacionamentos envolvem sexo

Mas o dinheiro faltava na família, diz a mãe, divorciada e com outros filhos que também iriam à universidade.

“Assim que eu vi que Freya estava realmente feliz e gostava do que fazia, não vi nenhum problema e achei que isso era uma boa solução”, diz Mary.

“Todas as crianças nascem com talentos. Minha família nasceu com beleza e atrativo sexual. É como uma commodity”.

Sites de relacionamentos que intermedeiam contatos com “sugar daddies” não definem suas atividades como um serviço de venda sexual, já que isso os colocaria sob risco do ponto de vista legal. Mas só os mais ingênuos não percebem a real finalidade destes espaços.

“Inscreva-se na Universidade Sugar Baby hoje e consiga um patrocinador generoso que pague sua educação”, diz uma voz feminina num anúncio online.

Angela Jacob Bermudo é diretora de imprensa desta página. “Não acredito que (os usuários) esperem por sexo. Diria que aspiram por ele”, diz.

“Uma ‘sugar baby’ conquista estabilidade financeira com uma mesada”, diz Angela. “E (ganha) um mentor e oportunidades de networking. Na Grã-Bretanha, estudantes são quem mais procuram este tipo de serviços”.
Falta de namorado

A ‘sugar baby’ Alana, de 28 anos, ri. “São as jovens garotas que têm o poder! Eu tenho o poder”.

Ela considera esta atividade como um parque de diversões para adultos. “Perdi a conta do número de bolsas Louis Vuitton, das férias – Nova York, as Bahamas”.

Alana diz que, atualmente, tem 13 “pais ricos”, mas que chegou a ter ao menos 40 durante os anos. Quase todos são investidores. Ela diz ter dormido com apenas três deles.

“Sempre termino ganhando aquilo que quero. E esta é a grande razão de tudo isso. Você tem que saber jogar este jogo”.

A jovem, entretanto, diz (mais…)

Presença forte de cenas de sexo gera polêmica na literatura jovem e divide autores e educadores

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Presença forte de cenas de sexo gera polêmica na literatura jovem e divide autores e educadores - Arte

Presença forte de cenas de sexo gera polêmica na literatura jovem e divide autores e educadores – Arte

Descrições com teor sexual aparecem em romances de todos os gêneros, da fantasia ao humor

André Miranda, em O Globo

RIO — Falar em “tabu” talvez seja assumir um moralismo que certamente não combina com o pensamento de milhares de jovens devoradores de um tipo de livro que não para de chegar ao mercado. Por outro lado, não pensar em “tabu” é ignorar que há uma mudança na literatura juvenil, com a publicação de obras que tratam diretamente de sexualidade e trazem detalhadas descrições de relações sexuais entre adolescentes. Algo raríssimo ou impensável há uma década.

O nível de citação pode começar por uma inocente cena de perda de virgindade num quarto escuro, mas pode chegar até a trechos como “eu simplesmente não estava pronta para colocar o *** dele na minha boca”, trecho do livro “Nada é para sempre”, o primeiro volume da série “Garota

— Que eu saiba, nunca tive uma reação negativa por causa das cenas de sexo de meus livros. Na verdade, a única coisa que aconteceu foi um resenhista escrever que eu provavelmente seria virgem, porque minhas cenas de sexo seriam muito irreais — diz a inglesa Ali, cuja obra é publicada no Brasil pelo Seguinte, selo da Companhia das Letras para literatura juvenil. — Eu tenho três filhas, de 5, 9 e 11 anos. Não teria problema algum em deixar minha filha mais velha ler essas cenas. Para o leitor jovem, conhecimento é poder, mas a bússola moral deve ficar bem clara. É uma questão de se posicionar com tolerância e autoridade: “não” significa “não”; não é ruim gostar de sexo; não há problema em ser gay, bissexual ou curioso; não é problema não querer sexo; sexo às vezes é ruim; e pintos têm uma aparência engraçada. Seguindo esses parâmetros, não preciso evitar qualquer assunto em meus livros.

Como acontece na obra de Ali, há dúzias de romances para jovens com um conteúdo sexual mais explícito, de todos os gêneros, da fantasia ao humor, boa parte deles lançada no Brasil pelos selos de literatura juvenil das editoras.

Em “Maldosas” (Rocco Jovens Leitores), Sara Shepard escreveu: “As garotas ergueram devagar as bainhas de suas minissaias, mostrando as calcinhas. Os olhos de Humbert saltaram e ele derrubou sua taça de pinot noir em sua calça cáqui, na altura da virilha”. O livro é o primeiro volume da série de mistério “Pretty little liars”, que acompanha a investigação e as consequências da morte de uma adolescente.

Em “Dois garotos se beijando” (Galera Record), David Leviathan entrou fundo no tema: “Ele viu tantas cenas de caras fazendo isso, ficou de *** duro com eles fazendo isso, se masturbou com eles fazendo isso”. Leviathan é conhecido por obras que tratam de personagens gays, e “Dois garotos se beijando”, recém-lançado no Brasil, fala de Aids e narra a história de dois rapazes que resolvem passar 32 horas se beijando para bater um recorde.

Por sua vez, Andrew Smith escreveu, em “Selva de gafanhotos” (Intrínseca): “Ela sempre dava um selinho em Robby depois de me beijar. Isso me deixava com tesão. Imaginava o que ela diria se eu lhe sugerisse um ménage à trois com nós dois em seu novo quarto velho ainda sem móveis”. O romance mistura um mundo pós-apocalíptico com a descoberta da sexualidade do protagonista.

— Nos EUA, o tabu de se escrever sobre sexo foi derrubado com tanta força que os jovens nem mais buscam livros destinados a faixas etárias mais velhas. Hoje, eles se sentem atraídos por obras mais dark, que lidam com morte ou com o fim do mundo — diz Cammie McGovern, autora do romance romântico “Amy & Matthew” (Galera Record).

No livro de Cammie, as descrições sexuais são discretas, mas há trechos como: “O sexo produzia suor e manchas horríveis e constrangedoras. Uma vez, lavando seus lençóis, a mãe dissera para ele: ‘Você é pior do que o seu pai’”.

— A sexualidade é um passo para os jovens amadurecerem. Fico muito feliz que a literatura juvenil tenha se libertado o suficiente para permitir que os autores reflitam a realidade da vida dos adolescentes — afirma Cammie.

A dúvida é se esses autores de livros juvenis que lidam com sexualidade de forma mais direta combinaram antes com os russos — i.e., os pais. Há dois anos, a Companhia das Letras recebeu um pedido de esclarecimentos do Ministério Público do Distrito Federal, motivado por uma carta de pais de um colégio que havia incluído em seu currículo o livro “Aparelho sexual e cia.”, nada mais que um guia bem-humorado sobre sexo para pré-adolescentes.

— Com o tempo, os tabus vão caindo, mas ainda assim há algumas resistências. Os livros da “Garota

Até mesmo Pedro Bandeira, de 73 anos e um dos mais lidos autores de obras juvenis do Brasil, já se viu em meio a polêmica pelo conteúdo de seus livros. Um deles, “Mariana: Menina e mulher”, sobre o madurecimento da protagonista, levou um grupo de pais a reclamar de uma professora que o adotou na escola.

— Isso aconteceu há muitos anos. Só porque eu descrevia as mudanças biológicas da menina, quiseram decapitar a professora — recorda Bandeira. — Mas, sobre esses novos livros, é preciso diferenciar o que se chama de juvenil. Minha obra é adotada em escolas, no ensino fundamental. Quem escreve para essa faixa de público não descreve sexo. Em “A droga da obediência”, o máximo que eu me permiti foi dizer que “os peitinhos da Magri estão começando a crescer”. Já esses livros que trazem descrição sexual são destinados a jovens adultos e são de compra espontânea. São para jovenzinhos que já têm pelos sexuais, já fazem sexo com a namorada. Não vejo problema.

Thalita Rebouças é outra sensação entre os adolescentes brasileiros que também diz ter um cuidado grande com o tema. Ela cita como exemplo seu romance “Era uma vez minha primeira vez”, em que diz não ter precisado entrar em detalhes para falar sobre a perda da virgindade.

— Eu nunca coloquei a palavra *** num livro meu, e nunca vou colocar. Acho que é mais importante mostrar o que se passa por dentro do personagem do que descrever sexo. Pode ser que eu seja careta, mas não sou eu que vou dar esse tipo de detalhe para o leitor — diz. — Do mesmo jeito que há meninas de 14 anos mais maduras do que gente de 30, há meninas de 14 com mentalidade de 10. Por isso, os pais devem olhar os livros antes. São eles que conhecem melhor os filhos.

O problema em haver controle dos pais é que, mais uma vez, seria preciso combinar antes com os russos — desta vez, os filhos. Muitos desses livros podem ser conseguidos com colegas ou baixados ilegalmente na internet. Por exemplo, “Antes de morrer”, de Jenny Dowhan, lançado pela editora Agir em 2008, mas hoje fora de catálogo, surge em cópia digital numa simples busca no Google.

A obra, que conta a história de uma menina de 16 anos com uma doença incurável, traz trechos como: “Ele tem dificuldade para tirar a cueca, abaixando-a por cima do *** duro. Tiro a calcinha, percebo que estou tremendo. Estamos os dois nus. Penso em Adão e Eva”.

— A mudança de conteúdo nesses livros é uma consequência natural. Tudo o que um jovem quer saber sobre sexo hoje está na internet — analisa a antropóloga Mirian Goldenberg, que acabou de lançar o romance “Sexo” (Record), escrito com base em suas pesquisas com mulheres. — Falar sobre sexo não é mais um grande tabu, uma grande questão, nem para adolescentes e nem mesmo para idades mais jovens. Livros assim seriam precoces para a minha geração, mas não são para a geração de hoje. Já há algumas décadas, por causa da Aids, passou-se a se falar mais sobre sexo. A educação sexual entrou na vida dos jovens.

A educadora Tania Zagury, contudo, se preocupa com a maneira como determinadas situações são apresentadas para os jovens e com suas consequências. Ela destaca que, hoje, crianças de 2 anos já conseguem usar tablets com desenvoltura e podem ter acesso a um conteúdo inapropriado se não houver supervisão dos pais. Se crianças fazem isso, um adolescente, portanto, teria um universo infinito de possibilidades à sua disposição.

— Houve um estudo na Europa mostrando que a violência sexual cresce muito entre jovens, em parte porque vem sendo apresentada em filmes, livros, séries e jogos não como distorção, mas como algo normal — avalia Tania. — Os pais precisam prestar atenção. A sociedade se preocupa com a venda, não com a qualidade. Se os livros não passarem pelo crivo dos pais, o conhecimento que seria uma benesse se torna um problema.

Jovem ganha dinheiro escrevendo livro de sexo com dinossauros

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"Taken by the Pterodactyl" (Levada pelo Pterodáctilo)

“Taken by the Pterodactyl” (Levada pelo Pterodáctilo)

Yannik D´Elboux, no UOL

Com mais de 40 livros eróticos sobre sexo entre mulheres e dinossauros, uma norte-americana, na faixa dos 20 anos, encontrou um caminho para fazer o que gosta e aumentar sua renda. Sob o pseudônimo de Alara Branwen, ela escreve em coautoria com a amiga Christie Sims, que também usa nome fictício, grande parte das histórias, à venda em formato digital na loja virtual Amazon.

Os títulos de seus livros são curiosos. Entre os mais populares estão: “Mating with the Raptor” (Acasalamento com o Raptor), “Taken by The T-Rex” (Levada pelo T-Rex) e “Ravished by Triceratops” (Violentada pelo Triceratops).

Na maioria das tramas, criaturas poderosas, sedutoras e dominadoras envolvem heroínas que não resistem aos encantos dos monstros, quase sempre sexualmente insaciáveis e dotados de membros enormes. Apesar das protagonistas serem mulheres, Alara afirma que os homens representam metade dos seus leitores.

Em entrevista ao UOL Comportamento por e-mail, a autora erótica, que evita aparecer na mídia, fala um pouco mais sobre como surgiu o interesse em criar histórias com seres fantásticos. Além disso, Alara Branwen revela que segue no gênero erótico e que os dragões são a bola da vez no trabalho da dupla.

UOL:  Você é uma escritora profissional? Tem outro trabalho?

Alara Branwen: Sou escritora profissional por enquanto, mas estou trabalhando em vários empreendimentos comerciais, entre eles, em uma editora.

UOL: Quando você começou a escrever erotismo com dinossauros? Você foi a criadora desse gênero?

Alara: Iniciei no meio de 2013. Não, não sou a criadora, de jeito nenhum! Muitas pessoas me mostraram vários exemplos desse gênero, que datam desde os anos 1960.

UOL: E como você teve essa ideia de escrever sobre sexo com dinossauros?

Alara: Eu estava dando uma caminhada um dia quando, de repente, por alguma razão, eu pensei no “Jurassic Park” [“Parque dos Dinossauros”, filme de Steven Spielberg]. Então minha mente voltou para o meu trabalho. Os dois se misturaram e “boom”: nasceu o erotismo com dinossauros.

UOL: Você sempre teve interesse em literatura erótica? Você acha que dinossauros são excitantes?

Alara: Eu, sinceramente, fiquei interessada nesse tipo de literatura por duas razões. A primeira é que eu sempre gostei de escrever livros eróticos. É divertido e sempre achei excitante criar mundos e personagens sensuais. A segunda razão, quando comecei, é porque eu estava em uma situação financeira difícil e precisava do dinheiro.

UOL: Como estão indo as vendas dos seus livros no site da Amazon? Em média, quantos você vende por mês?

Alara: Não gosto de falar de números específicos nem quanto dinheiro estou ganhando, mas posso revelar isso: minha renda é maior do que a de 70% dos lares nos Estados Unidos.

UOL: Como seus leitores reagem ao seu trabalho? Eles ficam curiosos ou excitados com seus livros?

Alara: Acredite ou não, muitos dos meus leitores realmente gostam do meu trabalho. Alguns acham apenas divertido, enquanto outros se excitam com meus livros. Entretanto, a maioria que se excita com os textos não verbaliza muito esse fato.

UOL: Além de dinossauros, você escreve histórias eróticas sobre outras criaturas?

Alara: Sim, escrevo sobre as mais variadas criaturas fantásticas. Dragões, grifos, hidras, ogros. Nomeie uma criatura e eu provavelmente já devo ter escrito uma história a respeito dela.

UOL: Os dinossauros sempre representam homens em seus livros? Conte-me um pouco sobre o teor das histórias.

Alara: Os dinossauros representam machos nos meus livros. Eles não são apenas homens, são dinossauros. Seus pensamentos são bem diferentes dos nossos. A maior parte das histórias é sobre mulheres que são pegas em situações estranhas, nas quais elas devem ou querem fazer sexo com a criatura a fim de ter prazer, sair de uma situação ruim ou, simplesmente, porque elas querem.

UOL: Você planeja traduzir seus livros?

Alara: Eu gostaria de traduzir meus livros para várias línguas. Tenho falado com uma pessoa nesse momento para traduzir para o português e o espanhol.

UOL: Quais são seus próximos projetos?

Alara: Atualmente, estou trabalhando em histórias eróticas de diferentes gêneros. Mas tenho escrito vários livros eróticos com dragões.

UOL: Você pode revelar seu nome verdadeiro? Se não, por que você prefere mantê-lo em segredo?

Alara: Eu prefiro manter minha identidade secreta. Eu valorizo minha solidão algumas vezes e não quero que as pessoas venham atrás de mim, constantemente, me identificando como a “dino porn lady” [senhora do pornô dinossauro].

 

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