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Clube do livro
0Em tempos de e-books, livrarias cariocas apostam em encontros presenciais para atrair leitores, que discutem obras, conhecem autores e trocam ideias sobre títulos variados
Publicado na Veja
Clube do Livro da Saraiva: encontros temáticos atraem leitores interessados em discutir autores, livros e estilos como a literatura fantástica. Foto: Saraiva Com livros a um clique de distância, baixáveis em questão de segundos no computador e em leitores digitais, pode ser que a ida às prateleiras das lojas se torne um hábito cada vez menos comum. Na contramão dessa nova realidade virtual, livrarias cariocas se mobilizam para promover reuniões e encontros temáticos para os amantes da literatura: os chamados clubes do livro. Funciona assim: periodicamente, os participantes se reúnem na livraria para debater um assunto, autor ou livro específico. “É uma oportunidade para encontrar pessoas que gostam de livros específicos e conseguir um apanhado de sugestões que inclui desde livros recentes até clássicos”, afirma a designer Samara Maia Mattos, que tem um blog sobre livros e é frequentadora do Clube do Livro da Saraiva, realizado mensalmente na filial do Rio Sul. A ideia de discutir literatura em grupo tem agradado aos clientes e amantes dos livros. “As pessoas sentem necessidade de trocar opiniões, debater suas leituras”, acredita a jornalista Frini Georgakopoulos, que desde 2009 é mediadora e curadora do Clube do Livro da Saraiva.
Já foram tema de encontros desde literatura de terror e clássicos nacionais como Senhora, de José de Alencar, até Shakespeare. “Tive um professor incrível na escola que promovia essas discussões e busco replicar isso no clube, que acabou virando um lugar para o público descobrir livros novos e aprender”, diz Frini, que viu os encontros começarem com dez pessoas e pouco tempo depois já recebia cerca de 100 em eventos mais disputados. “Há uma carência de lugares abertos, não-acadêmicos, para se ler, discutir e se divertir através da literatura”, justifica Guilherme Preger, coordenador do Clube da Leitura do Baratos da Ribeiro, criado em 2007 no sebo homônimo em Copacabana. Hoje, os encontros literários quinzenais são organizados pelos próprios frequentadores da loja, antes famosa por eventos musicais como o Clube do Vinil. Além de livros, há espaço para leitura de contos escritos pelos próprios participantes. “Focamos em livros em prosa, a maioria narrativa, romances e contos. Os últimos motes foram textos de escritores como Edgar Allan Poe e Rubem Fonseca”, explica.
A revolução de Gutenberg e as reformas brasileiras
0Roberto Luis Troster no Observatório da Imprenssa
Amanhã [terça-feira, 23/4] é comemorada uma das criações mais importantes da humanidade: o livro. A festa foi oficializada em 1930, em homenagem a Miguel de Cervantes e a William Shakespeare, que coincidentemente passaram para a imortalidade em abril de 1616. Entretanto, o maior mérito por sua popularização foi de um não escritor: Johannes Gutenberg.
Até o século 15, os livros eram caros, copiados a mão, feitos por encomenda e com muitos erros e diferenças de transcrição – alguns textos de Aristóteles chegam a ter oito versões diferentes. Havia uma seleção conveniente do que deveria ser produzido e muitas das reproduções eram alteradas. Serviam para preservar sistemas de poder e evitar mudanças nas relações sociais.
A inovação do uso de tipos móveis de impressão por Gutenberg objetivava apenas baratear os livros: estima-se que conseguiu um preço final 30 vezes menor que o do exemplar copiado a mão, além de oferecer um produto de melhor qualidade. Mas a inovação fez muito mais do que isso.
O uso da imprensa pode ser considerado como o marco de início do mundo moderno. O acesso a mais informação com livros mais baratos aumentou exponencialmente a alfabetização da classe média europeia e fez com que novas ideias se propagassem pelo mundo. Uma análise estritamente quantitativa mostra uma elevação considerável e sustentada das taxas de crescimento econômico mundial a partir de então.
Capital humano
Os livros impressos quebraram o monopólio da aristocracia e da igreja na difusão do conhecimento. Dessa forma, detonaram uma série de revoluções no mundo: econômicas, políticas, religiosas e científicas. Decretaram o fim do geocentrismo e do absolutismo e o início da rotação de culturas na agricultura e das grandes navegações. Foram fundamentais para a transição entre a Idade Média e o mundo moderno.
Outra mudança radical provocada pela inovação de Gutenberg foi a Reforma Protestante. Ao conseguir imprimir milhares de cópias de suas 95 teses e distribuí-las por toda a Europa, Lutero difundiu sua mensagem e granjeou seguidores.
As revoluções políticas na Europa e na América e a industrial na Inglaterra ilustram a força transformadora das ideias. Coincidentemente, os países que se ajustaram mais rapidamente foram os que mais cresceram. Há muitos paralelos entre a revolução de Gutenberg e o momento atual.
A transformação radical em razão da tecnologia e da globalização antecipa uma economia baseada no conhecimento e em cadeias produtivas globais. A questão central é a adequação das pessoas, empresas e países. Alguns, como a China, estão levando vantagem.
No Brasil, observa-se um crescimento menor do PIB e um encolhimento maior do setor industrial em relação ao resto da América Latina e do mundo. As explicações incluem a política educacional capenga, o protecionismo, reservas de mercado e o foco nos lucros de curto prazo. Vive-se uma realidade que exige um novo paradigma, com outras noções de tecnologia, tributação, logística, políticas macroeconômicas, velocidade de adaptação e de acesso ao conhecimento.
Jorge Luis Borges: os livros podem ter nos emburrecido?
0Alessandro Martins, no Livros e Afins
Procurava alguns elementos para ir adiante no texto em que o Paulo tenta responder à eterna pergunta: por que, afinal, lemos?
Buscava alguma palavra de Borges que me desse uma luz, que mostrasse algo à frente no escuro caminho de lugares comuns que ora preparo.
Afinal, um dos maiores escritores que já tivemos por aí não cansava de dizer que sua maior ambição era ser um bom leitor tão somente.
Atirei no que vi. Acertei no que não vi.
Encontrei um texto José Nêumanne em que ele descreve seu encontro com Borges.
Achava que a invenção de Gutenberg era uma das maiores responsáveis pelo “emburrecimento” da humanidade. Ele gostaria de ter vivido no tempo dos copistas, aqueles monges medievais que anotavam com sua caligrafia bem desenhada os textos que seus colegas de claustro teriam de ler. O trabalho penoso dos copistas funcionava como um rigoroso sistema de controle de qualidade, a seu ver. A facilidade da publicação de textos impressos por tipos móveis o irritava: “Veja o que ocorre por causa da imprensa: imprime-se qualquer porcaria. Qualquer idiota escreve qualquer coisa. Você não acha isso um horror?”, perguntou-me, quase exigindo a confirmação. Claro que concordei – logo eu, pobre de mim, que vivo do que imprimo.
Claro que se, por um lado, o livro democratizou a manifestação da burrice pelo lado da produção, também tornou acessível a inteligência pelo lado do consumo.
Afinal, sem ele não conheceríamos Shakespeare ou Homero ou seja lá qual for o seu escritor preferido.
(publicado originalmente em 27 de janeiro de 2008)
Talvez eu nem conhecesse Borges. Podemos dar a essa declaração a licença do exagero didático, apesar de sua boa dose de verdade.
De qualquer forma, recomendo a leitura integral desse texto que ajuda a conhecer um pouco mais da personalidade e das idéias desse escritor argentino. Achei-o precioso.
Blogs que conectam poesias
0Jovens de Caruaru e cidades circunvizinhas adotam a internet como ferramenta de produção literária
Jénerson Alves de Oliveira, para o Livros e Pessoas
Eles podem ser chamados de “literautas” (ou seja, literatos e internautas). Trocando a pena pelas teclas, jovens autores pernambucanos encontram na internet formas de divulgação de suas obras literárias. Segundo eles, os blogs são ferramentas poderosas de interação artística, e transformam-se em um parnaso virtual. Jovens de Caruaru e cidades circunvizinhas, como Bonito, Belo Jardim e Garanhuns adotam essas ferramentas. E, podem crer: têm dado certo.
Um exemplo é a estudante caruaruense Natali Gomes. Autora do blog ‘Pensando Em Tudo Antes de Dormir’, a jovem percorre vários estilos literários, como crônicas, poemas e contos. “Escrevo aquilo que eu gostaria de ler. Baseio-me em minha vida, mas escrevo como uma forma de tornar a realidade mais interessante”, confidencia. Natali aprendeu a ler aos 4 anos de idade, e desde cedo desenvolveu um gosto acurado pela leitura. Joaquim Manuel de Macêdo, Machado de Assis, William Shakespeare e Emily Bronte estão entre os autores que ela mais aprecia.
Apesar da adoção do blog, ela também tem o idílio de publicar obras impressas. Inclusive, a jovem escritora já tem 10 livros concluídos, manuscritos. Um deles, inclusive, está pronto para ir à gráfica. Mesmo sem querer muitos detalhes, ela adianta que a obra é um romance adolescente com aspectos realistas, permeando um clima de suspense em certos momentos.
A estudante Agnes Caroline lançou o blog ‘Bailarina Azul’ em julho do ano passado, mediante o incentivo de um professor. Ela explica que o nome do blog é carregado de significados. “A bailarina é meiga, doce e determinada, pois tem de romper limites físicos e psíquicos. A cor azul representa o infinito. Então, o blog representa essa poesia, que é meiga, doce, mas também determinada a ponto de alcançar o infinito inatingível”, explana. A predominância temática da poesia de Agnes é o cotidiano. Ela se inspira no simples, no que parece ser banal, e passa despercebido pelo olhar da maioria – mas é o instante-já captado pela sensibilidade da artista que se converte em palavras.
Até a poesia popular encontra espaço na web. O repentista Nogueira Netto, considerado um dos expoentes entre a nova geração no estado, também vale-se do seu blog para divulgar motes, sextilhas e sonetos, além de divulgar agenda de cantorias. Em uma postagem, ele conta que fez uma espécie de ‘desafio’ através do MSN com o poeta modernista Joabe Tavares, abordando a efemeridade da existência. Uma das estrofes improvisadas por Nogueira foi a seguinte quadra: “Sentindo que a razão / Tá findando pouco a pouco / A minha maior loucura / É pensar que não sou louco”.
Em Garanhuns, a universitária Gabriella Weiss, que cursa Psicologia, e se intitula “escritora amadora” é uma das mais profícuas artífices das letras naquela cidade. Ela possui um ‘mix’ de talentos: escreve poemas, contos, crônicas, compõe músicas e canta. Boa parte do seu material escrito está no blog ‘Alameda da Esperança’. No perfil, Gabriella destaca que tudo começou despretensiosamente. “Eu costumo escrever pra mim. Costumo vir ao meu blog e falar um pouco das minhas experiências, ou apenas falar sobre alguns princípios que aprendi na palavra de Deus. Percebi, então, que pessoas se identificaram, que algumas palavras as tocaram e as fizeram repensar sobre os planos do Senhor para elas. Isso é inspirador para mim”, exclama.
Além deles, nomes como Fernanda Thafnes, Glenny Lorrayne, Anderson Kleyton, Rafael Neto, Marcelo Kislitsyn, Núbia Maher, Andreza Ferreira, Taís Santos e Shirley Ferreira fulguram entre os novos nomes que transformam sentimentos em vernáculos, e buscam transformar a rede mundial de computadores na rede mundial da literatura.
Blogs
Natali Gomes: pensandoemtudoantesdedormir.blogspot.com.br/
Agnes Caroline: bailarinazul.blogspot.com.br/
Nogueira Netto: nogueiranetto.blogspot.com.br/
Gabriella Weiss: http://alameda7.wordpress.com/
Fernanda Thafnes: http://saidasopostas.tumblr.com/
Glenny Lorrayne: http://lunae.blogspot.com
Anderson Kleyton: http://flordelibra.blogspot.com.br/
Rafael Neto: nosbordoesdaviola.blogspot.com.br/
Marcelo Kislitsyn: http://www.marcelokislitsyn.blogspot.com.br/
Nubia Maher: devaneioseretalhos.blogspot.com.br/
Andreza Ferreira: http://adeafrer.blogspot.com/
Taís Santos: http://taislaianysantos.blogspot.com.br/
Shirley Ferreira: http://shirleyisa.blogspot.com/




















