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Xico Sá vai à Bienal e diz que literatura ajuda homem feio com mulheres

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O jornalista e escritor Xico Sá participa nesta terça-feira da Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

O jornalista e escritor Xico Sá participa nesta terça-feira da Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

Publicado no UOL

Não é de hoje que as mulheres que se desmancham pelo romantismo escancarado e exacerbado de Xico Sá. A nova obra do escritor é uma prova disso: “O Livro das Mulheres Extraordinárias” traz 264 páginas nas quais faz odes a 127 moças diferentes, de Lygia Fagundes Telles a Gaby Amarantos, passando por musas do momento, como Isis Valverde e Fernanda Lima.

Segundo ele, o que o guiou nas escolhas dos nomes foi o desejo –e o tesão– que sente por cada uma das beldades. E não para por aí: ele já tem outras cem homenagens prontas, de nomes como Marieta Severo e Tainá Müller, para um segundo volume da obra, que deverá ser lançado em julho de 2015.

Xico estará nesta terça-feira (26) na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, às 16h, no Salão de Ideias, onde conversará com Antonio Prata e Gregorio Duvivier sobre a importância da ironia. Em entrevista ao UOL, o escritor fala do personagem que criou para si mesmo, da recepção das musas às suas declarações e da chance de, um dia, se tornar uma espécie de Wando das letras.

UOL – Em “O Livro das Mulheres Extraordinárias” você vai de Lygia Fagundes Telles e Ilze Scamparini a Gaby Amarantos, MC Pocahontas e até Rê Bordosa, personagem do Angeli. Seu gosto é bastante amplo, não? Há como defini-lo com algo a mais do que apenas “eu gosto de mulher”?
Xico Sá –
Todas as mulheres do livro me despertam uma forma de tesão. Nem sempre o tesão intelectual (risos). Toda essa diversidade só prova que não há padrão em matéria de mulher. O que vale é a lei do desejo.

O que é a mulher para você?
Minha ideia do sagrado, seja ela santa ou “vadia”, no bom sentido do termo.

Além de fantasias, você teve algo real com alguma daquelas mulheres do livro?
Algumas são ex-namoradas, amores, casos passageiros ou belas aventuras da noite. Uma minoria, diga-se. Prefiro não citá-las. A grande maioria, como digo na apresentação do livro, é fantasia que divido deliciosamente com a massa que vê televisão, cinema ou folheia revistas.

E alguma das homenageadas lhe agradeceu, reclamou ou fez algum tipo de manifestação por estar na obra?
Todo dia tenho uma linda resposta das moças. E o melhor: elas têm ido nos lançamentos. Recebi manifestações emocionantes de Patrícia Pillar, Maria Flor, Dira Paes, Fernanda Lima, Camila Morgado, Maria Ribeiro, Nicole Puzzi e Mayana Moura. A Luiza Brunet disse que quase (risos) aceita meu pedido de casamento feito na crônica dedicada a ela. Fora as selecionadas para a ilustração da capa, nenhuma ficou sabendo antecipadamente, então, modestas, dizem que foram surpreendidas. Só estou esperando a Sônia Braga ligar.

Em Paraty, na Flip, você levou pequenas multidões para onde foi e muitas dessas pessoas eram mulheres. Acha que pode virar uma espécie de Wando das letras?
Seria a glória em vida. O Wando das cantadas literárias. Se bem que tem um quê de Serge Gainsbourg e suas baladas de motel também. Aliás, esse gênio francês é um dos guias do livro.

Já lhe aconteceu algo semelhante ao que acontecia com o Wando? De repente uma calcinha atirada em meio a uma leitura.
Em uma apresentação do “Trovadores do Miocárdio”, projeto de declamação de textos passionais e calientes que faço com o Fausto Fawcett, já ameaçaram (risos). Tudo vale a pena para tirar a literatura da solenidade chata que ela tem, essa nossa eterna herança beletrista. Que venham as calcinhas!

Quanto a literatura lhe ajudou para fazer sucesso entre as mulheres?
Tudo, 100%. Se a literatura já faz bem a homem bonito, imagina a um feio, digo, a um mal diagramado pela própria natureza como este cronista do amor. Tudo que aprendi sobre cantadas literárias está nos truques de Balzac para fazer a sua série de “retratos de mulheres” ou nas sacanagens de Henry Miller.

O Xico Sá que aparece em seus textos é um personagem, um recorte da sua personalidade ou a sua pessoa escancarada?
Um personagem com uma vocação danada para ser eu mesmo. Tudo que o personagem faz eu gosto muito, mas o personagem é mais exagerado, hiperbólico, obcecado. A desgraça é que o personagem bebe e eu que pago pelas ressacas monstruosas.

Antes de “O Livro das Mulheres Extraordinárias” você havia escrito “Big Jato”, duas obras completamente distintas. Por que essa mudança? Pensa em fazer outro romance?
“Big Jato”, que acaba de ser adaptado para o cinema pelo gênio Cláudio Assis, nosso Bigas Luna, é um delírio sobre a infância e adolescência, o tal romance de formação. Embora seja meu livro mais reconhecido, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, não é o melhor. Prefiro “Se um Cão Vadio aos Pés de uma Mulher-Abisco”, que é um romance fragmentado que classifico como idílio. Também completamente diferente do livro das mulheres. Tenho uma baciada de livros, uma dúzia mesmo, e cada um bem distinto do outro. Se eu tiver alguma marca essa é a da contradição e da incoerência.

Na Bienal de São Paulo você vai falar sobre a importância da ironia. Por que ela é fundamental?
Ironia ainda é a melhor forma de tirar uma onda com a vida, com a nossa miserável finitude, como faz, por exemplo, o mais irônico dos nossos escritores, o Machado de Assis de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Mas vou avisar: não funciona para conquistar mulheres. Pelo menos comigo nunca deu certo.

Qual a expectativa de dividir uma mesa com o Antonio Prata e o Gregorio Duvivier? O que acha deles?
Admiro os dois. Sou amigo do Antonio antes de ele nascer, pelo simples ato de ler o pai, o Mário, que adoro. Aliás, amo a mãe dele também, a Marta Góes, assim como a linda Maria, a irmã. O Gregorio não sou amigo ainda por falta de oportunidade, mas a minha chance chegou.

Os dois são garotos novos, têm cara de bons meninos. Se fosse aprimorá-los na arte da sacanagem, quais dicas daria?
Devem ser mais sacanas que todos os catecismos do Zéfiro juntos, mais sacanas que as obras completas do Costinha… Não ter cara de sacanagem é só esperteza, vai por mim. Tenho mais é que aprender essa arte deles.

Evento com vlogueiras atrai centenas de pessoas e causa tensão na Bienal

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Pâm Gonçalves, de 23 anos, e Tatiana Feltrin, de 32, são garotas que fazem vídeos veiculados no Youtube nos quais falam de literatura (Foto: Rodrigo Casarin/UOL)

Pâm Gonçalves, de 23 anos, e Tatiana Feltrin, de 32, são garotas que fazem vídeos veiculados no Youtube nos quais falam de literatura (Foto: Rodrigo Casarin/UOL)

Rodrigo Casarin, no UOL

Ninguém esperava tanta gente para acompanhar a mesa com as vlogueiras Pâm Gonçalves, do canal Garota It, e Tatiana Feltrin, de Tiny Little Things, na noite de sábado (23) na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O evento era para acontecer em um espaço que comportava 80 pessoas, contudo, como aproximadamente 400 fãs queriam ouvir as garotas, o papo rolou de forma improvisada no estande do Espaço Imaginário.

Pâm, de 23 anos, e Tatiana, de 32, são garotas que fazem vídeos veiculados no Youtube nos quais falam de literatura. A quantidade de pessoas dispostas a ouvi-las na Bienal apenas comprova o sucesso que ambas fazem junto ao público principalmente jovem; impressiona a influência que possuem sobre seus seguidores.

Quando o mediador do papo perguntou quem ali já havia lido obras por indicação das duas, praticamente todos levantaram a mão. Ao abrirem espaço para perguntas da plateia, alguns confessaram ler clássicos da literatura nacional e até mesmo estudar tradução por conta de Tatiana, que demonstrou preocupação com essa segunda revelação. “Acho complicado influenciar pessoas a seguir um ramo tão importante, mas tão pouco valorizado”.

Ambas disseram que hoje se sentem mais à vontade falando do que escrevendo resenhas, e a preferência é falar sobre o que gostam. “Não faço mais vídeos de livros que não gostei porque às vezes as pessoas se doem muito fácil. E nem sempre é o autor, mas os fãs”, disse Pâm.

Ao serem questionadas sobre suas bibliotecas básicas, a vlogueira do Garota It respondeu de pronto “A Lista Negra”, de Jennifer Brown, obra a qual fez referência e implorou para que o público lesse durante boa parte do evento, e ainda lembrou de “Jogos Vorazes”, de Suzanne Collins, e “Peças Infernais”, de Cassandra Clare. Já Tatiana também deu seu pitaco de literatura pop ao falar de John Green, mas ainda destacou Edgar Alan Poe, Gabriel García Márquez e Jorge Luis Borges.

Enquanto falavam e as perguntas iam chegando, o mediador tinha o cuidado de separar piadinhas, xavecos ou elogios à beleza das duas –ao todo, foram cinco pedidos de casamento destinados a Pâm e Tatiana. Elas admitem que esse tipo de assédio também acontece em suas páginas na internet. Pâm diz que vem principalmente de quem chega às páginas por acaso, sem conhecer o seu trabalho. Já Tatiana contorna a situação fazendo com que seu marido marque presença em alguns vídeos.

Tensão

Pouco antes das 19h, hora marcada para o início do papo, o clima era de bastante tensão no Espaço Imaginário. Enquanto organizadores andavam de um lado para o outro buscando soluções para atender o enorme público que queria adentrar ao lugar –que já estava lotado há horas–, pessoas do lado de fora reclamavam bastante, alegando problemas variados.

“A mulher da organização disse que não adiantava chegar antes das 18h30, que só distribuiriam ingressos nessa hora. Então cheguei às 18h, mas não tinha mais ingresso. Disseram que às 16h já estava cheio de gente aqui e deixaram elas entrar”, queixou-se Viviane Paganotti, 34 anos, vendedora, de São Paulo. “Teve um evento antes e as pessoas que estavam nele não iriam sair, para ficar também para este. Nós estamos em muitos, então não nos deixaram entrar. Umas 17h30 disseram que não tinha mais lugar”, relatou Natália Lima, estudante de 15 anos, que veio do Rio de Janeiro para a Bienal.

Segundo Sergio Lopes Servollo, agitador cultural do Sesc e responsável pela programação e coordenação do espaço, o que aconteceu foi que, às 15h, houve uma primeira aglomeração de pessoas para esperar pela distribuição das 80 senhas para a mesa, que só aconteceria às 18h30. Após explicarem como funcionaria a retirada dos bilhetes, esse público de dispersou. Contudo, às 16h30 já havia, novamente, mais de duzentas pessoas aguardando para acompanhar o papo de Pâm e Tatiana. Como a fila apenas aumentava, optaram por distribuir as senhas, imaginando que o problema se resolveria. Não foi o que ocorreu.

Com o espaço lotado e seus arredores tomado por pessoas querendo acompanhar o papo, tiveram que procurar uma solução. “O público tem toda razão em reclamar. Nosso medo era que houvesse algum tumulto, nos preocupamos com a segurança”, disse Sergio. Ao final, a solução encontrada – as garotas na rampa e todo o público acompanhando o papo –pareceu agradar a todos. “Não esperávamos uma procura tão grande, impressionou a todos”, revela Sergio. As palavras de Pâm vão ao encontro do que disse o responsável pelo espaço. “Isso é muito estranho para gente, imaginei que não ia nem lotar o lugar”.

As garotas

O canal do “Garota It” no Youtube conta com mais de 50 mil assinantes, enquanto o do “Tinny Little Things” se aproxima dos cem mil. O esquema das garotas é semelhante: uma câmera ligada, um único ângulo, frontal, registrando o que elas pensam sobre os livros que andam lendo ou que recebem em casa das editoras. Costumam durar entre 10 e 15 minutos e as avaliações e discussões quase sempre se resumem às histórias e aos personagens das obras abordadas. Mas, ainda que ambas sejam uma referência para esse formato de publicação na internet, há sensíveis diferenças entre as duas.

Pâm (que na verdade chama Pâmela) Gonçalves tem 23 anos, mora em Tubarão, Santa Catarina, e, por conta do blog, desistiu do curso de Sistemas de Informação para estudar Publicidade e Propaganda, curso no qual está para se formar. Ela é a típica leitora da geração Harry Potter – série que, ao ser citada na conversa, arrancou urros da plateia –, que passou a adolescência convivendo com o mundo mágico de J. K. Rowlling, sua autora favorita, e depois seguiu suas leituras com obras como “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer, e “Jogos Vorazes”.

Seus vídeos costumam trazer obras que se encaixam no chamado “jovem adulto”, termo utilizado para definir os trabalhos que focam no leitor que acaba de deixar a adolescência. São títulos como “A Extraordinária Garota Chamada Estrela”,  de Jerry Spinelli, “Um Caso Perdido”, de Colleen Hoover, e “Sem Você Não é Verão”, de Jenny Han. Conta que começou a “blogar sobre livros porque não encontrava ninguém que fizesse isso”.

Já Tatiana Feltrin é formada em Letras, dá aulas de inglês, mora em Diadema e, ainda que vez ou outra fale sobre algum “Águas para Elefantes”, “O Menino do Pijama Listrado” ou quadrinhos e mangás, nos últimos tempos vem mesmo é abordando grandes clássicos em seus vídeos. Passeando pelo Tinny Little Things, surgem comentários sobre Aldous Huxley, Fiódor Dostoiévski, Umberto Eco, Miguel de Cervantes, Jack London e até mesmo uma série de vídeos sobre a leitura de “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust.

A ideia é mostrar que a literatura de entretenimento, os livros pops, são sim legais, mas há coisas bacanas além deles, que os clássicos podem ser vistos, lidos e discutidos de uma maneira menos carrancuda do que a feita pela escola. “Quando falamos deles de forma mais simples, de ‘Dom Quixote” ou “Os Miseráveis’, por exemplo, as pessoas gostam e os procuram”.

Apesar disso, o vídeo que fez com que seu vlog alavancasse foi sobre “50 Tons de Cinza”, de E. L. James, que resenhou  antes da obra sair no Brasil, quando as pessoas ainda estavam curiosas com o fenômeno internacional. Sua opinião não foi favorável ao livro e até hoje a vlogueira diz receber xingamentos por conta disso.

A quantidade de pessoas dispostas a ouvir as voglueiras Pâm Gonçalves e Tatiana Feltrin na Bienal comprova o sucesso que ambas fazem junto ao público principalmente jovem (Foto: Rodrigo Casarin/UOL)

A quantidade de pessoas dispostas a ouvir as voglueiras Pâm Gonçalves e Tatiana Feltrin na Bienal comprova o sucesso que ambas fazem junto ao público principalmente jovem (Foto: Rodrigo Casarin/UOL)

Autobiografia de Naldo tem sabor de chocolate

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O cantor Naldo e seu irmão Lula

O cantor Naldo e seu irmão Lula

Rafael Costa, na Veja

Naldo Benny enfrentou um ruidoso processo de divórcio para se casar com Ellen Cardoso, a Mulher Moranguinho, em uma celebração da qual seu filho se negou a participar. Mas as desavenças familiares são águas passadas – ao menos, nas páginas de Cada Vez Eu Quero Mais (Planeta, 91 páginas, 31,90 reais), autobiografia que o cantor de Amor de Chocolate lança na tarde deste domingo, na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, com título emprestado de um verso do seu maior hit. A obra, para ficarmos na mesma música, tem sabor de chocolate: nela, o cantor adoça tudo o que viveu, para contar da maneira mais positiva a sua trajetória, desde quando era conhecido como Ronaldo Jorge na Vila do Pinheiro, no Rio, até o momento em que se viu na varanda do Hotel Fasano, na praia de Ipanema, ao lado do ator Will Smith, ouvindo um bloco de Carnaval cantar, na rua embaixo, versos da sua canção.

A vida de Naldo, ao menos no livro, não foge daquela história conhecida do menino humilde que decidiu investir em seu talento para alcançar o sucesso. Uma atitude louvável, ainda mais para quem, como ele diz ter feito, conseguiu atravessar a juventude sem ceder ao crime organizado ou às drogas, elementos que o rodearam no percurso. O problema é que o orgulho do músico por sua travessia – sem falar no fato de ele se declarar uma pessoa do bem – é exagerado a ponto de dar ao livro um grosso verniz chapa-branca.

1Com poucas páginas e letras garrafais, Cada vez eu Quero Mais é uma leitura fácil, rápida e pobre em detalhes, tanto sobre a vida pessoal como profissional do cantor, elementos que colocam um tempero a mais em uma biografia. No caso de Naldo, grande parte das situações narradas no livro pode ser facilmente encontrada no Google. Faltam detalhes sobretudo ao desfecho de Lula, irmão e parceiro musical no início da carreira, assassinado em 2008. Seu corpo foi encontrado dois dias depois, carbonizado, no Instituto Médico Legal (IML). O episódio, desde a morte até o luto, é narrado em pouco mais de uma página, sem qualquer menção a quem poderia ter cometido o crime. É muito pouco, dada a importância do MC na vida do cantor. “Fiquei uns quatro meses deprimido, me forçava a sair do escritório apenas por achar que era o que Lula desejaria”, escreve Naldo, para já no parágrafo seguinte reaparecer restaurado, narrando a sua “volta por cima”.

Já o filho, Pablo Jorge, 16, fruto do casamento com Branka Silva, mal é citado e aparece apenas – com a metade de seu corpo – em uma foto quando bebê, no colo do pai.

Cada Vez Eu Quero Mais é uma leitura voltada exclusivamente para os fãs de Naldo Benny, que podem se comover com a história de superação e a batalha do cantor para sair do morro carioca e chegar à varanda do Hotel Fasano. E só. Já aqueles que procuram uma boa biografia, com histórias controversas e elementos inéditos, podem poupar trinta reais e meia-hora da vida com uma leitura de pouquíssima relevância.

A biografia de Naldo em cinco tópicos

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* Chapa-branca
Ao longo de todo o livro, Naldo exalta de maneira exacerbada sua história de superação e seu jeito de bom moço. A narrativa ofusca alguns fatos controversos de sua vida, como a briga judicial com sua ex-mulher, a produtora musical Elizete Pereira, mais conhecida como Branka Silva, em julho do ano passado, e a relação tortuosa com seu filho, Pablo Jorge, fruto do casamento com Branka, que tem apenas seu nome citado em poucos momentos da biografia. “Fui exposto desde cedo à realidade das drogas, assalto, roubo e crime, mas eu tinha muito medo de decepcionar minha mãe. E meu pai, que sempre nos ensinou que as conquistas vinham de trabalho e dedicação, também fez o que pôde para afastar desse cotidiano perigoso da gente”. Um dos – muitos – trechos em que Naldo destaca a importância de seus pais em sua vida e seu bom caráter.

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* Morte do irmão

A morte de Lula, seu irmão mais novo e parceiro musical no início da carreira, é citada brevemente, assim como muitos outros episódios da biografia. O episódio, desde o assassinato do MC, que é encontrado com o corpo carbonizado Instituto Médico Legal (IML), em 2008, até o luto vivido pelo cantor, é narrado ao longo de pouco mais de uma página, em que Naldo se limita a descrever que passou cerca de quatro meses deprimido e que acabou voltando ao trabalho com apoio da equipe da gravadora. “Mais bem cercado na época pelas gravadoras, tive apoio da equipe e dos empresários, que me trataram com carinho e não pressionaram para que eu voltasse logo a trabalhar”, escreve o funkeiro.

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* Busca pela fama

A busca pela fama é uma das partes mais interessantes da biografia, senão a única. Apesar de ser descrita sem muitos detalhes, Naldo fala sobre os “nãos” que recebeu de alguns produtores e o preconceito que sofria de muitos funkeiros pelo fato de tentar emplacar um estilo com mais melodia e letras românticas, que não citavam temas como crime, drogas e sexo. “O funk na época era mais pesado; as letras seguiam a linha da porrada ou sacanagem, não tinha sutileza ou romantismo. Não era exatamente a nossa praia, mas era o que fazia sucesso. Eu sempre tentava puxar os versos para ‘censura livre’. (…) O tal produtor nos recebeu supermal. A casa dele não tinha varanda, só um quintal para a gente atravessar e se molhar ainda mais. (…) Ao entrara na casa dele, a gente sentou e tudo estava molhado, e ele reclamou, grosseiro, desandando a falar que era responsável pela caravana tal, que administrava uns trinta MCs e blá-blá-blá”.

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* Historia de superação

A vida de Naldo contada em seu livro, não foge daquela história conhecida do menino humilde que decidiu investir em seu talento para alcançar o sucesso profissional, ou o estrelato. A história de superação, apesar de ser algo louvável, é citada em diversos momentos da obra, muitas vezes desnecessariamente. “Nessa hora, um filme passou na minha cabeça – uma história que começa como tantas outras, um moleque que desejava ter uma roupa de marca ou um tênis bacana, uma trajetória comum como a de qualquer garoto da favela. Ali, porém, no coração da praia mais famosa do mundo, na varanda de um hotel de luxo, esse menino da Vila do Pinheiro estava deixando o superstar de Hollywood de boca aberta”, escreve Naldo sobre o momento em que está ao lado de Will Smith na varanda do Hotel Fasano, no Rio de Janeiro, enquanto uma multidão na rua canta versos de sua música.

Imagem de Amostra do You Tube

* Primeiro sucesso

Pouco depois da morte de Lula, Naldo se viu obrigado a seguir carreira solo e lançou o álbum Na Veia, em 2009. O disco foi produzido por uma gravadora independente e ganhou vida graças ao investimento do próprio cantor, que começou a ganhar uma “quantia razoável de dinheiro” como compositor. Uma de suas obras é a canção Depois do Amor, que viria a ser gravada por Belo e Perlla. As músicas, no entanto, foram todas compostas em parceria com o irmão, como o hit Como Mágica, primeira canção a fazer sucesso em nível nacional. “Peguei a grana que eu tinha juntado com os direitos autorais de Depois do Amor e Como Mágica, e banquei a gravação desse novo CD. A turma da música já conhecia a gente, os caras da rádio, locutores, diretores etc.”

Bruxa cantora é a estrela de novo conto de J. K. Rowling

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Publicado por Folha de S.Paulo

A escritora britânica J. K. Rowling publicou mais um conto no site “Pottermore“, dedicado ao universo criado por ela em sua saga de livros de sucesso, “Harry Potter”. Dessa vez, a personagem principal é uma bruxa cantora, Celestina.

O nome da bruxa é mencionado diversas vezes nos livros de Potter, mas ela nunca aparece de fato.

Num texto de 500 palavras, Rowling esclarece um pouco sobre a vida da bruxa, considerada uma “sensação internacional da música”. A escritora fala um pouco do início da carreira de Celestina, de seus pontos altos e da vida pessoal da artista fictícia.

A escritora britânica J. K. Rowling, em imagem feita em Londres, em setembro de 2012 - / Lefteris Pitarakis/Associated Press

A escritora britânica J. K. Rowling, em imagem feita em Londres, em setembro de 2012 – / Lefteris Pitarakis/Associated Press

Além da história, há também um arquivo de áudio, o primeiro do site. Trata-se da faixa “You Stole my Cauldron but You Can’t Have My Heart” (em tradução livre, você roubou meu caldeirão, mas não pode ter meu coração).

A música foi gravada por Celestina Warbeck and the Banshees, banda que se apresenta ao vivo todo dia na atração Beco Diagonal, do parque The Wizarding World of Harry Potter, em Orlando, nos Estados Unidos.

Rowling já descreveu Celestina no passado como uma de suas personagens “fora dos holofotes” favoritas em toda a saga. O nome da cantora é inspirado no de uma ex-colega da autora, com quem ela trabalhou na Anistia Internacional, em Londres.

‘Ninguém se torna líder lendo um livro’

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O AMERICANO JAMES HUNTER, AUTOR DO BEST-SELLER O MONGE E O EXECUTIVO, LANÇA DE VOLTA AO MOSTEIRO PRIMEIRO NO BRASIL, ONDE VENDEU 80% DOS EXEMPLARES DO ANTERIOR. EM ENTREVISTA À NEGÓCIOS, ELE QUESTIONA A FORÇA DE VONTADE DOS GESTORES

JAMES HUNTER (FOTO: SEXTANTE/EDILSON DIAS)

JAMES HUNTER (FOTO: SEXTANTE/EDILSON DIAS)

Ariane Abdallah, na Época Negócios

Toda vez que o escritor americano James Hunter vem ao Brasil, escuta a mesma pergunta: por que seus livros vendem tanto por aqui? Os dois anteriores, Como se Tornar um Líder Servidor e O Monge e o Executivo, tiveram 80% de seus exemplares vendidos no Brasil (o equivalente a cinco milhões de cópias). Em sua 25ª passagem pelo Brasil, para o lançamento do novo livro, ele arriscou outro palpite para o sucesso com o público local: “Acho que meu livro faz tanto sucesso aqui por causa da esperança dos brasileiros”, afirmou em entrevista à NEGÓCIOS. “A esperança em relação a uma mudança no estilo de liderança.”

De Volta ao Mosteiro mostra o retorno do protagonista da ficção, o executivo John Daily, ao mosteiro que visitou por uma semana no livro anterior. Nessa volta, ele lamenta que não conseguiu colocar em prática os conceitos de liderança que aprendeu na primeira temporada. “É duro ser um bom líder”, diz Hunter. “Tem que fazer um esforço enorme”. Segundo ele, a principal dificuldade é que, em geral, as pessoas querem mudar o mundo, sem mudar a si mesmas. “Não basta reclamar do chefe ou do político – tem que chegar em casa e ser um bom pai, filho, amigo, líder.”

A seguir, ele antecipa – e reforça – algumas das lições do novo livro. De Volta ao Mosteiro será lançado primeiro no Brasil.

Por que é tão difícil agir como um líder servidor no dia a dia das empresas?

Porque nós somos criaturas de hábitos. Temos os mesmos comportamentos durante toda a vida. Um gerente de 30 anos de idade e dez de carreira, que não sabe reconhecer o trabalho dos subordinados, não os ajuda a agir com excelência, que permite a existência da mediocridade, está habituado a agir assim. Você realmente acredita que ele vai mudar porque leu meu livro? Ninguém nunca se tornou um líder melhor lendo meu livro ou assistindo às minhas palestras. Não há atalhos. Não existe um pó mágico. É duro mudar. Demanda muito esforço. Mas é possível. E esse esforço tem sido feito por um monte de bons líderes que conheço.

O que eles fizeram de diferente da maioria para ter sucesso?

Você tem que fazer a escolha e ter a disposição para mudar. Quando lê um livro, você tem alguns pensamentos, que podem se tornar ações. Mas, para isso, tem que decidir. Ações se tornam hábitos. Hábitos se tornam seu caráter. Seu caráter se torna seu destino. Nós nos tornamos o que praticamos repetidamente. Liderança é uma habilidade aprendida. Nós dizemos que acreditamos nisso, mas não sei se realmente acreditamos. Pense em um músico, um jogador de futebol ou de golfe. Você poderia aprender a tocar piano ou se tornar um ótimo jogador de futebol lendo livros sobre o assunto? Pode se tornar um jogador de golfe assistindo ao Tiger Woods jogar? Você até pode aprender sobre piano, futebol e golfe. Mas se quiser ter um ótimo desempenho nessas áreas vai ter que praticar. Muito. De novo e de novo.

O que exatamente tem que se praticar para ser um bom gestor?

Por exemplo, eu encontro chefes que não elogiam suas equipes. Nunca têm uma boa palavra para dizer aos funcionários. Isso não significa que esses líderes sejam más pessoas – eles só têm maus hábitos. O que podem fazer sobre isso? Podem definir que vão elogiar sinceramente duas pessoas por dia no escritório. Para gerenciar a mudança, no fim do dia, eles anotam em suas planilhas quem elogiaram e o que foi dito. São duas pessoas por dia, dez por semana, 130 a cada trimestre e 500 por ano. Eu vi líderes muito ruins se tornarem ótimos. Você acha que as pessoas não podem mudar? Estamos errados de pensar isso. Elas podem. O que está errado é pensar que isso é fácil.

Que outras ferramentas você sugere para haver uma mudança real de comportamento?

Sugiro três regras. A primeira é entender que todos nós temos questões. Há uma distância entre o que nós precisamos ser, como líderes, e o que nós somos, de fato. As lacunas entre essas duas coisas são as suas questões. Se você pensa que não tem questões, isso é mais uma questão. Aliás, é a pior de todas.

A regra número dois é que todo o resto das pessoas sabe sobre suas questões. Você pensa que sua equipe não sabe? Pensa que sua família não sabe? Elas sabem. E se você pensa que não, faça uma pesquisa e eles vão lhe dizer. Pense no seu chefe ou nos professores ruins que tinha na escola, por exemplo. Todo mundo sabe quem são eles e o que fazem de ruim. Nós passamos metade das horas em que estamos acordados no trabalho. Você acha que existem segredos? Não há segredos.

Regra número três: por que você não faz algo a respeito dessas questões? Por que não pega alguns feedbacks, faz um plano e, com isso, muda alguns comportamentos? Por exemplo, o líder senta em frente à sua equipe e mostra seu plano: “Vou trabalhar nessas questões. Porque vocês todos disseram que eu não os levo em consideração, que eu aceito mediocridade. Não vou fazer mais isso. Aqui está meu plano. E vocês têm permissão de vir ao meu escritório me falar quando me virem fazendo isso.” As pessoas levam a sério mudar nessas circunstâncias. Porque não há mais onde se esconder.

Mas falar a verdade para os chefes não é algo fácil. Até porque muitos dizem querer ouvir, mas algumas pessoas não confiam nisso. Sentem medo de sofrer punições se o fizerem.

Os líderes têm que descobrir maneiras de conseguir que as pessoas digam a verdade. Crie métodos anônimos, confidenciais, se for o caso. Quando presto consultoria às empresas, temos questões sobre os líderes que os funcionários respondem anonimamente: “Você confia no seu chefe? Ele é paciente? É educado? Sabe escutar? Ajuda as pessoas a atingirem a excelência? São líderes que você se sente seguro de seguir?”. As pessoas precisam de feedback. Eu conheço líderes que pensam que estão fazendo um bom trabalho, que as pessoas estão motivadas e gostam deles, e eu penso: “Ai, meu Deus. Você está de brincadeira?”. Tem um monte de líderes que não tem ideia de quanto as pessoas pensam mal deles. Eles precisam de feedbacks uma ou duas vezes por ano de toda a equipe, de seus pares.

Você disse que as pessoas não mudam lendo livros, mas já recebeu retornos de leitores que disseram ter mudado a partir da leitura de seus livros?

Algumas pessoas vão mudar apenas lendo o livro. Devo dizer isso. Mas só 10% delas, no máximo. Chamamos esses casos de reação emocional significativa. Eu recebo e-mails dessas pessoas: “Ai, meu Deus! Jesus… Eu vou mudar.”. E elas realmente mudam. Mas 90% de nós – eu incluído – precisam de um empurrão. Precisamos de um plano, de suporte, de alguém perguntando de tempos em tempos sobre seu plano.

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