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Por que ler — e não ver — ‘O Grande Gatsby’

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Maria Carolina Maia, na Veja

Há cerca de um mês, desde que O Grande Gatsby do diretor australiano Baz Luhrmann (Moulin Rouge) estreou no circuito comercial americano e em seguida fez o seu debute internacional no 66º Festival de Cannes, não se fala de outra coisa: como o longa se tornou mais uma tentativa fracassada de adaptar para as telas do cinema a obra-prima do americano F. Scott Fitzgerald. Antes dele, três tentaram, sem sucesso. Em 1926, apenas um ano depois da publicação do livro, Herbert Brenon apresentou sua versão, muda, para o clássico da era do jazz. Em 1949, Jay Gatsby, o anti-herói romântico que sobe na vida de maneira ilícita para reconquistar um (rico) amor de juventude. Vinte e cinco anos mais tarde, era a vez de Mia Farrow e Robert Redford assumirem os papéis que agora estão com Leonardo DiCaprio e Carey Mulligan, em uma produção que tinha de nostalgia o que a nova tem de glitter. Cada uma, como se vê, atirou para um lado. E nenhuma acertou a alma de O Grande Gatsby.

Razões não faltam, desde o fato tantas vezes confirmado de que um filme não pode substituir um livro. Por questão de espaço, mesmo: não cabe em um longa-metragem de duas ou três horas todo o conteúdo que se deita nas páginas de um livro. Mesmo que esse livro, como é o caso do título de Fitzgerald, seja curto, de pouco mais de cem páginas.

Na lista abaixo, você encontra outros pontos que explicam por que a leitura é imprescindível. E por que, afinal, é melhor investir no livro e não no longa. Se nenhuma delas for suficiente, resta ainda aquela que é capaz de convencer até mesmo um papa: na praça há anos, e por diversas editoras, O Grande Gatsby tem exemplares mais baratos que um ingresso de cinema.

Por que ler ‘O Grande Gatsby’

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Pelo valor histórico
O Grande Gatsby é um clássico. Há quem diga até que é o maior clássico da literatura americana. É, portanto, leitura obrigatória para quem gosta de livro ou deseja ter cultura geral. Além do mais, é um livraço, bem escrito e saboroso. A sua leitura vale a pena. Se nenhum diretor ou estúdio de cinema conseguiu até agora um resultado satisfatório na conversão do romance em filme, isso só comprova a complexidade que é transportar uma obra desse porte para a sala escura. E que o melhor acesso a essa história continua sendo pelas letras.

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Pela beleza do texto
Quem quiser apenas ver o filme, e não ler o livro, vai perder trechos incríveis como esses:

“– Se não fosse pela neblina, daria para enxergar a sua casa do outro lado da baía – disse Gatsby. – Há sempre uma luz verde brilhando a noite toda na extremidade do seu cais.

Daisy tomou o braço de Gatsby, mas ele parecia absorto no que acabara de dizer. Talvez lhe ocorresse que o significado daquela luz se esvaíra para sempre. Comparada à enorme distância que o separava de Daisy, a luz lhe parecera antes muito próxima, quase a ponto de tocá-la. Tão próxima quanto uma estrela da lua. Agora era de novo uma luz verde no cais. Sua coleção de objetos mágicos havia diminuído.”

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Pela genialidade do autor
Na edição de O Grande Gatsby lançada no ano passado pela Penguin Companhia, um ensaio do crítico britânico Tony Tanner que antecede o romance dá exemplos do trabalho de mestre empreendido por Fitzgerald. Fez toda a diferença, por exemplo, ele ter dado pouca voz ao protagonista, que é menos conhecido pelo que diz do que pelo que escreve sobre ele o narrador, Nick Carraway, tornando-se ainda mais nebuloso para o leitor. “De acordo com as convenções da narrativa ficcional, quando um narrador põe o discurso de outro personagem entre aspas ou travessão, é que aquelas são as palavras exatas: ele tem a obrigação de lembrar tudo à perfeição, o que é ligeiramente implausível”, escreve Tanner. “Pois bem, pelas minhas contas rudimentares, cerca de 4% do livro está nas palavras do próprio Gatsby, e é revelador saber que Fitzgerald reduziu consideravelmente o montante de discurso direto dado a Gatsby no rascunho do romance. Por exemplo: ‘Jay Gatsby!’, ele gritou de súbito numa voz retumbante. ‘Lá vai o grande Jay Gatsby. É isso que as pessoas vão dizer — espere só para ver.’”. Com tais rompantes, Gatsby entregaria a si mesmo, revelando-se de forma demasiado crua e inequívoca. Por meio da subtração sistemática, Fitzgerald torna seu herói muito mais misterioso, menos óbvio, uma figura essencialmente mais elusiva. Em lugar disso, temos mais espaço para Nick teorizar, especular e imaginar –e talvez suprimir, remodelar, fantasiar.”

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Pela profundidade do texto
É fato: um filme não consegue reproduzir a densidade de um livro. É uma questão de espaço, de formato. E quem assistir ao longa não vai perceber – ao menos da mesma maneira de quem ler o livro – a profundidade dos sentimentos que envolvem o narrador, Nick, e sua visão do protagonista, Gatsby, de quem se torna cúmplice e amigo. De novo as palavras do professor Tanner, um comentário sobre uma das passagens mais impactantes do romance: “‘Palpável sem ser real’ é uma clara distinção neoplatônica (o verdadeiro Real deve ser encontrado, ou buscado, no reino das Ideias ou Formas imutáveis). Mas Nick descreve algo mais do que um momento de pânico existencial, tal como relatado por Sartre em A Náusea, quando Roquentin, encarando uma árvore, experimenta a terrível sensação da absurda e horrenda gratuidade das coisas – uma epifania negativa na qual a matéria sem significado se torna monstruosa, ‘ameaçadora’ e ‘grotesca’. Para Gatsby, pensa Nick, é assim que o mundo vazio e destituído de seu sonho deve ter se revelado; para Nick, talvez, é assim que o mundo sem Gatsby, sem as suas fantasias obstinadas, porém condenadas, está parecendo.”

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Cena do longa purpurinado de

Pelo avesso do sonho americano
Não há modo melhor para descrever — do que em palavras — o pesadelo em que o sonho americano se converteu para muitos no século XX. É o que Fitzgerald faz ao descrever, por exemplo, a desolação de uma área chamada de “vale das cinzas”. “Um sítio surreal onde as cinzas crescem como trigo em sulcos, colinas e jardins grotescos; onde as cinzas tomam a forma de casas, chaminés e fumaça e, por fim, num esforço transcendental, assumem a forma de homens cinzentos que se movem debilmente e se desmancham no ar poeirento. Vez por outra, uma fileira de carros sujos vinha rastejando pela pista invisível, soltava um rangido horripilante e freava”. O especialista britânico em literatura americana Tony Tanner destaca na passagem o uso da palavra “transcendental”, segundo ele um termo caro aos americanos e empregado com ironia pelo autor de O Grande Gatsby. “Trata-se de uma transcendência negativa, uma dissimulação, o completo oposto do que Emerson e seus amigos esperavam para o continente, com a terra produzindo e cultivando verdadeiras cinzas”, diz Tanner. “Fitzgerald não foi o primeiro nem será o último americano a ter uma visão entrópica da América – o grande continente agrário se tornando uma espécie de depósito de lixo ou terra desolada, na qual, com suprema perversidade, a única coisa que brota é a morte.”

Ficção feita por fãs vira negócio para a Amazon

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Ronaldo Lemos, na Folha de S.Paulo

Todo mundo já sabe. Os livros da trilogia “Cinquenta Tons” foram escritos como fanfiction da série “Crepúsculo”. A autora E. L. James redigiu a trama na internet a partir do universo criado pela escritora Stephenie Meyer, tratando dos recatados vampiros Bella e Edward.

Com o sucesso na rede, James mudou o nome dos personagens e a série vendeu 70 milhões de livros, aumentando em 75% o lucro da editora Random House em 2012.

Esse acidente vira agora modelo de negócios oficial para a Amazon. Na semana passada a empresa anunciou o serviço Kindle Worlds, que transforma a fanfiction em atividade profissional.

Funciona assim: a Amazon está adquirindo direitos não apenas sobre livros em si, mas também sobre seus universos ficcionais, como as séries “Gossip Girl” e “The Vampire Diaries”.

Quem entrar no Kindle Worlds pode escrever tramas baseadas nesses universos, mudando o destino dos personagens e criando novas possibilidades.

Se a narrativa vender, a Amazon paga 35% do valor para o fã que fez o texto e um valor não revelado para o autor original do universo. É uma aposta que enxerga a criação literária como processo coletivo.

O problema é a pasteurização da fanfiction. As diretrizes da Amazon vedam conteúdo “ofensivo” ou “pornográfico” e a mistura de universos ficcionais diferentes.

Considerando que essa é a essência da fanfiction (como demonstra “Cinquenta Tons”), autores mais ousados vão permanecer nos fóruns underground. Em todo caso, a Amazon dá mais uma sacudida no mercado literário.

Mick Jagger não escreverá autobiografia por achar ‘chato’

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Em entrevista à ‘Q Magazine’, o líder dos Rolling Stones lembrou que já tentou escrever sobre a sua vida em 1983, mas desistiu

Publicado por Estadão

Mick Jagger, o líder dos Rolling Stones, declarou que não escreverá sua autobiografia porque considera que revirar seu passado é “chato” e “deprimente”.

Lucy Nicholson/Reuters O cantor Mick Jagger

Lucy Nicholson/Reuters
O cantor Mick Jagger

Foi o que disse o músico inglês em uma entrevista à Q Magazine em sua edição de julho, que foi repercutida nesta quarta-feira, 29, pelos veículos de imprensa britânicos, em que revela que não tem intenção de escrever o livro, apesar de “recentemente” terem voltado a lhe pedir isso.

Recentemente, Keith Richards lançou suas memórias com grande sucesso editorial no livro Life (Vida), em que dedica várias alfinetadas a Jagger, que conhece desde a infância.

Apesar de sua repetida recusa a seguir os passos do guitarrista do grupo, Jagger lembrou que anteriormente, em 1983, já tentou escrever uma autobiografia pela qual supostamente lhe deram um adiantamento de 1 milhão de libras.

“Fiz isso por dinheiro nos anos 1980 ou início dos 1990. Comecei a escrever, mas era deprimente e chato revirar o passado”, admitiu o músico, prestes a completar 70 anos.

Jagger explicou que também não gostou à época de ter que contar sobre a intimidade de pessoas próximas: “Queriam que falasse de todas essas pessoas próximas a mim e que divulgasse todos esses segredos. Me dei conta de que não queria fazer isso. Portanto desisti e devolvi o dinheiro”.

Sua ex-mulher, a modelo americana Jerry Hall, recebeu uma oferta parecida para escrever sua autobiografia e, assim como Mick Jagger, devolveu o pagamento antecipado após reconsiderar a proposta.

Os Rolling Stones são a atração principal do famoso festival de Glastonbury, que acontece em junho, e no mesmo mês farão dois shows em Hyde Park, em Londres.

País com a melhor educação do mundo, Finlândia aposta no professor

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Professores possuem mestrado e têm liberdade para criar currículo.
Finlândia lidera rankings internacionais de qualidade de ensino.

Universidade na Finlândia (Foto: AFP)

Universidade na Finlândia (Foto: AFP)

Vanessa Fajardo, no G1

O país com a melhor educação do mundo é a Finlândia. Por quatro anos consecutivos, o país do norte da Europa ficou entre os primeiros lugares no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que mede a qualidade de ensino. O segredo deste sucesso, segundo Jaana Palojärvi, diretora do Ministério da Educação e Cultura da Finlândia, não tem nada a ver com métodos pedagógicos revolucionários, uso da tecnologia em sala de aula ou exames gigantescos como Enem ou Enade. Pelo contrário: a Finlândia dispensa as provas nacionais e aposta na valorização do professor e na liberdade para ele poder trabalhar.

Jaana Palojärvi esteve em São Paulo nesta quinta-feira (23) para participar de um seminário sobre o sistema de educação da Finlândia, no Colégio Rio Branco. A diretora do ministério orgulha-se da imagem de seu país “tetracampeão” do Pisa. O ranking é elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e aplicado a cada três anos com ênfase em uma área do conhecimento. No último, em 2010, o Brasil ficou na 53ª colocação entre 65 países. Uma nova edição do Pisa será lançada em dezembro.

1Na Finlândia a educação é gratuita, inclusive no ensino superior. Só 2% das escolas são particulares, mas são subsidiadas por fundos públicos e os estudantes não pagam mensalidade. As crianças só entram na escola a partir dos 7 anos. Não há escolas em tempo integral, pelo contrário, a jornada é curta, de 4 a 7 horas, e os alunos não têm muita lição de casa. “Também temos menos dias letivos que os demais países, acreditamos que quantidade não é qualidade”, diz Jaana.

A diretora considera que o sistema finlandês de educação passou por duas grandes mudanças, uma na década de 70 e outra em 90. A partir do início da década de 90, a educação foi descentralizada, e os municípios, escolas e, principalmente, os professores passaram a ter mais autonomia.

“Fé e confiança têm papel fundamental no sistema finlandês. Descentralizamos, confiamos e damos apoio, assim que o sistema funciona. O controle não motiva o professor a dar o melhor de si. É simples, somos pragmáticos, gostamos de coisas simples.”

Jaana Palojärvi é diretora do Ministério da Educação da Finlândia (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Jaana Palojärvi é diretora do Ministério da Educação
da Finlândia (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

O governo também não costuma inspecionar o ensino das 3.000 escolas que atendem 55.000 estudantes na educação básica. O material usado e o currículo são livres, por isso podem variar muito de uma unidade para outra.

“Os professores planejam as aulas, escolhem os métodos. Não há prova nacional, não acreditamos em testes, estamos mais interessados na aprendizagem. Os professores têm muita autonomia, mas precisam ser bem qualificados. Esta é uma profissão desejada na Finlândia.”

Os docentes da Finlândia ganham, em média, 3 mil euros por mês, em torno de R$ 8 mil reais, considerado um salário “médio” para o país. Para conquistar a vaga é preciso ter mestrado e passar por treinamento. O salário aumenta de acordo com o tempo de casa do professor, mas não há bônus concedidos por mérito. A remuneração não é considerada alta. “Em compensação, oferecemos ao professor um ambiente de trabalho interessante.”

Os professores têm muita autonomia, mas precisam ser bem qualificados. Esta é uma profissão desejada na Finlândia”
Jaana Palojärvi, diretora do Ministério da Educação da Finlândia

Jaana diz que a educação na Finlândia faz parte de uma cultura, resultado de um trabalho longo, porém, simples, mas evita dar lições ou conselhos a outras nações. “Temos muitas diferenças em relação ao Brasil, que é enorme, somos um país pequeno de 5,5 milhões de habitantes. Na Finlândia não temos a figura do Estado, a relação fica entre governo, município e escola. O sistema é muito diferente. A Finlândia não quer dar conselhos, nós relutamos muito em relação a isso”, afirma.

Mais do que o bom resultado do país no Pisa, Jaana comemora a equidade entre as escolas – também apontada pelo exame. “Para nós, é o mais importante. Queremos que as escolas rurais localizadas nas florestas, ou do Norte que ficam sob a neve em uma temperatura negativa de 25 graus, tenham o mesmo desempenho das da capital, das áreas de elite. E (este desempenho) é bem semelhante.”

Entre todos os países testados pelo Pisa, a Finlândia tem a menor disparidade entre as escolas. O resultado tem explicação. Lá, os alunos mais fracos estão sob a mira dos docentes. “Os professores não dedicam muita atenção aos bons alunos, e sim aos fracos, não podemos perdê-los, temos de mantê-los no sistema.”

‘Tecnologia é ferramenta, não conteúdo’

Tecnologia também não é o forte das escolas finlandesas, que preferem investir em gente. “Não gostamos muito de tecnologia, ela é só uma ferramenta, não é o conteúdo em si. Tecnologia pode ser usada ou não, não é um fator chave para a aprendizagem.”

A educação básica dura nove anos. Só 2% dos estudantes repetem o ano, o índice de conclusão é de 99,7%. O segredo do sucesso não está ligado ao investimento, segundo Jaana, que reforça que o país investe apenas 6% de seu PIB no segmento. “O sistema de educação gratuito não sai tão caro assim, é uma questão de organização”, afirma.

A diretora do ministério da Finlândia esteve na terça-feira (21) em uma audiência pública na Comissão de Educação e Cultura do Senado, em Brasília, para apresentar o modelo de educação do seus país aos parlamentares brasileiros.

Jaana Palojärvi, diretora do Ministério da Educação da Finlândia, apresenta o sistema finlandês em São Paulo (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Jaana Palojärvi, diretora do Ministério da Educação da Finlândia, apresenta o sistema finlandês em São Paulo (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

EUA: pela 1ª vez, escola integra brancos e negros em baile de formatura

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Casais de brancos e negros entraram juntos para o primeiro baile de formatura sem a segregação racial Foto: Daily Mail / Divulgação

Casais de brancos e negros entraram juntos para o primeiro baile de formatura sem a segregação racial
Foto: Daily Mail / Divulgação

Publicado por Terra

Pela primeira vez na história de um colégio da Geórgia alunos brancos e negros puderam dançar juntos no baile de formatura, no último sábado. A festa aconteceu quase 60 anos após a Suprema Corte dos Estados Unidos ter decidido pela proibição da segregação racial nas escolas do País. As informações são do Daily Mail.

A festa contou com toda a pompa de uma formatura de ensino médio normal americana, com casais chegando juntos em limusines, as meninas usando vestidos longos com babados e muita animação. A única diferença é que os alunos da Wilcox County High School terminaram com a tradição de segregação da comunidade depois de levantar dinheiro para um baile integrado.

Durante décadas, o distrito escolar evitou a união das raças, promovendo bailes separados organizados pelos pais. Mas este ano quatro amigos – dois negros e dois brancos – se uniram para acabar com a prática de fazer festas de formatura separadas para brancos e negros. Eles começaram uma campanha no Facebook pelo baile integrado, que rapidamente ganhou mais de 26 mil seguidores.

Após o sucesso da festa, o distrito escolar anunciou que a partir do próximo ano o baile de formatura integrado será adotado oficialmente pelas escolas. A decisão pode representar o fim definitivo de um dos bastiões da segregação racial que ainda perduram nos Estados Unidos.

dica da Rina Pri

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