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Startup cria livro de aula com linguagem de game

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Editora aposta em conteúdo curricular em 3D para ajudar professores a darem aulas interessantes e engajar alunos

Tatiana Klix, no Último Segundo

O que é melhor para aprender: um livro ou um jogo? A startup Evobooks , que se considera uma editora de conteúdo curricular, aposta em um produto híbrido para ajudar os professores a tornarem suas aulas mais interessantes e captar a atenção de alunos de qualquer escola: um livro aplicativo com linguagem de game.

A ideia de produzir livros em 3D com lições da matriz curricular foi concebida por um engenheiro e um economista que prestavam consultoria para redes de ensino. Em 2011, Carlos Grieco e Felipe Rezende se deram conta que, apesar de muitas escolas públicas e particulares estarem recebendo tablets e lousas digitais, não existia conteúdo de qualidade para usar essas ferramentas, que muitas vezes ficavam até encostadas em um canto.

“Quem poderia fazer isso? As grandes editoras, mas elas não estavam preparadas para produzir conteúdo engajador para tablets. E nós resolvemos fazer”, conta Grieco, diretor executivo e um dos quatro sócios da Evobooks, terceira startup da série sobre negócios que envolvem educação e tecnologia publicada pelo iG desde quarta-feira.

A empresa fundada burocraticamente em dezembro de 2011, mas que só passou a ter sede em abril de 2012, começou fazendo uma vasta pesquisa em lojas de aplicativos e no meio educacional para entender que tipos de conteúdos digitais estavam disponíveis e o que funcionava ou não em sala de aula antes de definir como seriam os seus livros aplicativos. Segundo Grieco, existem vários produtores de conteúdo fragmentados, que fazem apps de qualidade e nível de interação diferentes, mas é difícil para os professores procurar e fazer a curadoria entre tantas opções.

“Na sala de aula todos têm que compartilhar a mesma tecnologia, mas as pessoas têm níveis de afinidade com os softwares distintos. O aluno, na média, está à frente dos professores, que são responsáveis pelas aulas. Se realmente quisermos ter impacto, não podemos produzir algo super complicado. É preciso respeitar a velocidade da sala de aula”, explica.

Na sala de aula todos têm que compartilhar a mesma tecnologia, mas as pessoas têm níveis de afinidade com os softwares distintos. O aluno, na média, está à frente dos professores, que são responsáveis pelas aulas. Se realmente quisermos ter impacto, não podemos produzir algo super complicado. É preciso respeitar a velocidade da sala de aula

Durante o período de confecção da plataforma, que se estendeu durante todo o ano de 2012, vários protótipos foram colocados fora e simplificados. “Chegamos a uma solução que consideramos ideal para o momento, necessariamente não é a mais inovadora tecnologicamente, mas atende o professor e deixa o aluno motivado”, diz.

Os livros aplicativos da Evobooks têm de 10 a 15 lições cronológicas, com imagens em 3D e linguagem de game, mas apenas quatro botões (para passar a aula, salvar, fazer anotação e marcar uma parte do texto ou imagem). Eles podem ser usados individualmente pelos alunos ou apresentados à turma pelos professores por meio de projetores. Além disso, têm a mesma estrutura de interação – quem usa um aplicativo consegue lidar com todos.

Imagina o professor ter que – além de ensinar, corrigir prova e se aperfeiçoar – fazer curadoria de conteúdo e aprender como se usa cada app?, provoca Grieco.

Divulgação Da direita para a esquerda, os sócios Gustavo Rahmilevitz, Felipe Rezende, Guilherme Otranto e Carlos Grieco.

Divulgação
Da direita para a esquerda, os sócios Gustavo Rahmilevitz, Felipe Rezende, Guilherme Otranto e Carlos Grieco.

Desde o início do ano, com a plataforma pronta, foram lançados 8 aplicativos das disciplinas biologia, física, química, história e geografia. Mas novos títulos estão sendo produzidos. Se tudo der certo, a ideia é mapear boa parte do conteúdo do ensino fundamental 2 e médio. O custo de cada um pela internet é de R$ 29 e para escolas de R$ 2.200 a R$ 6000 por ano, dependendo do tamanho da instituição.

Para produzir cada um deles são chamados professores, que dizem como dariam as aulas de determinados assuntos e ajudam designers e desenvolvedores de games a criar os aplicativos. Alguns deles são desenhados dentro de laboratórios, por exemplo.

Ferramenta para ensino público

Os aplicativos estão sendo usados até agora no Rio de Janeiro, no projeto Gente, uma escola inovadora de ensino médio da rede municipal que conta com parceiros como o Instituto Natura, a Microsoft e a Vivo; no Amazonas, durante aulas transmitidas via satélite para 40 mil alunos de população ribeirinhas onde não há professores locais; em São Paulo, em 10 escolas particulares; e em 4 no Nordeste. Pela loja virtual, foram feitos mais de 50 mil downloads dos produtos.

Mas a ambição da Evobooks é ganhar escala no ensino público, onde o sócio da Evobooks acredita que há maior carência e necessidade de entregar bom conteúdo didático digital. Por isso também, os aplicativos rodam offline, sem necessidade de acessar a internet. No Brasil, ainda há um grande problema de infraestrutura de banda larga nas escolas.

“Não podemos pensar no Santa Cruz (colégio particular de elite em São Paulo), que conta com infinitos recursos, temos que pensar em todos os colégios do País, se queremos criar impacto”, diz Grieco, que adiantou que a startup está em fase adiantada de negociação com um Estado brasileiro para instalar o produto em toda a rede.

Melhores universidades do mundo falam português pela internet

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Veduca oferece videoaulas de ensino superior adaptadas à realidade brasileira

Tatiana Klix, no Último Segundo

Assistir a uma aula de uma universidade top sem nunca ter chegado perto dela é possível desde 2003, quando o MIT disponibilizou seus primeiros cursos pela internet. Para 98% dos brasileiros, no entanto, o sonho de fazer cursos de instituições renomadas como Harvard e Stanford, só pode ser alcançado a partir de março do ano passado, quando foi lançado o portal Veduca, que oferece videoaulas de diversas instituições do mundo em português.

Veduca - O engenheiro Carlos Souza, autor da ideia de traduzir as lições

Veduca – O engenheiro Carlos Souza, autor da ideia de traduzir as lições

A ideia de traduzir lições, amadurecida em 2011 pelo engenheiro Carlos Souza, 32 anos, durante um ano sabático, foi um sucesso. Quatorze meses depois do lançamento, o Veduca reúne mais de 5.500 aulas, que já foram vistas por mais de 170 milhões de pessoas pelo Youtube. “Observando o movimento mundial de Open Course Ware, me dei conta que ele não tinha chegado ao Brasil por dois motivos: só 2% da população brasileira fala inglês fluentemente e as grandes universidades do País não haviam aberto seus conteúdos”, conta Souza, que deixou um emprego em uma multinacional para se tornar empreendedor.

Reprodução - Site reúne 5.500 videoaulas de universidades

Reprodução – Site reúne 5.500 videoaulas de universidades

O Veduca, segunda startup retratada no série do iG sobre novos negócios em educação, começou oferecendo vídeos de aulas de instituições estrangeiras, como Harvard, Stanford, Yale, e MIT, com legendas e de graça. No início deste mês, já chegou ao seu segundo objetivo, o de lançar cursos de universidades brasileiras. Os primeiros MOOCs do País (cursos de nível superior aberto, gratuitos e para grandes público, na sigla em inglês) são ministrados pela USP e veiculados no Veduca. Videoaulas da Unesp e da Unicamp também já estão disponíveis.

Para garantir a rentabilidade do portal, que recebeu aporte de R$ 1,5 milhão de quatro investidores, a empresa aposta em cobrar pela certificação dos cursos. Ou seja, as aulas sempre serão de graça, mas quem quiser receber certificados terá de pagar. O Veduca está negociando parcerias com instituições privadas que farão a intermediação dessas emissões. “O aluno vai assistir às aulas pela internet, mas poderá fazer uma prova posterior e receber um certificado validado pelo MEC”, diz Souza.

O empresário, que tem mais três sócios, diz que o portal não pretende competir com as universidades, mas tem como objetivo democratizar a educação de alta qualidade. Para isso, aposta em fazer parcerias com os melhores produtores de conteúdo. “Somos uma empresa de tecnologia voltada para educação, muito mais do que uma empresa de conteúdo. Acreditamos em fazer curadoria forte e queremos ter a melhor plataforma de aprendizado do mundo”, diz.

Somos uma empresa de tecnologia voltada para educação, muito mais do que uma empresa de conteúdo. Acreditamos em fazer curadoria forte e queremos ter a melhor plataforma de aprendizado do mundo.

Perseguindo esse caminho, o Veduca lançou este ano três funcionalidades tecnológicas que melhoram a experiência de quem quer aprender pelos vídeos: uma ferramenta que proporciona a interação entre estudantes do portal, outra de quiz e testes e uma que é inédita, que permite interação entre o aluno e a videoaula. “É como um caderno vivo, no qual o estudante poderá fazer anotações no vídeo. Depois de assitir à toda aula, ele poderá clicar na anotação e o vídeo começa no momento exato em que o professor está falando de determinado assunto”, explica o fundador do site.

Realidade brasileira
Além da língua, o Veduca também se diferencia de outras plataformas de cursos online que oferecem aulas de universidades, como o Coursera e o Edx (plataforma online do MIT e Harvard), por focar em formações adaptadas à realidade e necessidades do Brasil. Segundo Souza, mesmo as aulas de universidades americanas não são as mesmas oferecidas nesses sites. “Eles têm cursos muito avançados, voltados para o contexto dos Estados Unidos, como aprendizagem de máquina, inteligência artificial. Quem está pronto para essas aulas no Brasil já fala inglês e pode fazer lá”, diz. O objetivo do Veduca é oferecer aulas dos melhores professores, mas orientado à realidade do País.

Nome Veduca
Fundador e sócios Carlos Souza (idealizador), André Tachian (tecnologia), Eduardo Zancul (conteúdo) e Marcelo Mejlachowicz (financeiro)
Data de fundação Março de 2012
Produto Site de videoaulas em português de ensino superior
Impacto Aulas foram vistas por 170 milhões de pessoas no Youtube e portal teve cerca de 1,7 milhão de acessos desde o lançamento , sendo 900 mil visitantes únicos. Tem 42 mil usuários cadastrados.
Investidores Montain do Brasil, 500 Startups, Nicolas Gautier e Macmillan Digital Education
Faturamento Não divulga

Aos dois meses, já é possível aproximar o bebê dos livros

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Isabela Barros, no UOL

Veja sugestões de livros para criar o hábito da leitura desde bebê

A pedagoga Tatiana R.C. Villar lê para o filho Giovanni, de dois anos, desde quando ele estava na barriga dela. Por volta dos quatro meses, ele já tinha livros próprios para bebês, de tecido e de material plástico. Quando começou a engatinhar, ganhou uma caixa de títulos infantis, para manusear quando quisesse. De lá para cá, o acervo não sai das mãos do menino, que desde que tinha um ano chama a mãe para sentar no chão e ouvir suas histórias, por ele decoradas.

Grávida do segundo herdeiro, Felipe, Tatiana pretende repetir a experiência bem-sucedida de incentivo à leitura. “Estimular o gosto pelos livros é uma das coisas mais importantes que eu posso fazer pelos meus filhos.”

Todo pai sabe que formar leitores é uma tarefa que soma pontos à educação dos filhos. Mas, que dá para começar bem cedo, como na casa dos Villar, a maioria das famílias nem imagina. De acordo com Célia Regina Serrão, professora de pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo, é possível levar livros de plástico para a banheira, por exemplo, a partir dos dois meses. “Esses objetos devem fazer parte da relação de afeto entre o adulto e a criança. É importante estimular essa interação desde sempre”, fala.

Nesses primeiros meses, diz Célia, entram em cena os chamados livros “de nomear”, sem uma trama específica, de modo que, para as crianças, cada página com figuras conte uma história. “O importante é que a criança comece a ter conteúdo para depois quando começar a falar”, afirma.

Mais adiante, quando as crianças começam a andar, é o caso de apresentar os títulos de capa dura. “Aí já temos histórias curtas, mas sem a preocupação de ensinar as letras”, diz Célia. “Literatura é para entreter, nada deve ser forçado.”

Giovanni Villar, de dois anos, já ouvia histórias na barriga da mãe

Giovanni Villar, de dois anos, já ouvia histórias na barriga da mãe

A professora também tem um exemplo bem-sucedido de estímulo à leitura em casa. Sua filha, Larissa, hoje com 22 anos, sempre foi acostumada a dormir depois de ouvir a mãe ler alguma história. “Tínhamos esse cuidado a partir dos oito meses”, diz. “Além de ela sempre ter uma estante para os próprios livros no quarto, Larissa se orgulhava muito disso.”

Segundo Jacqueline Barbosa, professora do Departamento de Linguística da PUC de São Paulo, outra dica é interagir com os leitores iniciantes que já falam fazendo perguntas sobre as tramas e as ilustrações. “Deixar que a criança conte a história é outra prática boa para a formação do hábito de leitura.”

Doutora em letras e mestre em literatura infantil, Maria Heloísa Melo de Moraes, professora aposentada da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), diz que, para crianças menores de dois anos, a relação com a leitura e os livros começa com a aproximação com esse objeto.

“Para a criança, o livro sempre irá competir com o universo lúdico dos brinquedos, por isso deve ser apresentado, inicialmente, como um deles”, diz Maria Heloísa.

De acordo com a especialista, também pode ser interessante deixar que os leitores iniciantes folheiem revistas. “Como seu desenvolvimento motor não permite que as crianças virem as páginas sem rasgar, elas tendem a se encantar com a brincadeira”, diz.

Além da prosa, seu bebê pode se divertir com a poesia. “O som da palavra rimada atrai a criança, daí os poemas serem tão usados nos primeiros anos de escolaridade, facilitando a aprendizagem e prendendo a atenção dos pequenos”, declara Maria Heloísa.

Dicas e orientações à parte, vale lembrar que, com a leitura e com todo o resto, nada vale mais do que o exemplo. Ou seja, quem quer formar filhos leitores precisa começar a ler mais também. “A criança aprende mais com a observação de comportamentos e atitudes do que com sugestões, ordens e indicações do que é certo ou errado”, fala a doutora em letras.

Dez dicas para formar pequenos leitores
1 – Compre livros de tecido e de plástico para que as crianças se acostumem com esses objetos desde os primeiros meses;

2 – Leia para o seu bebê desde sempre;

3 – Monte um espaço exclusivo para os livros dele, como uma caixa ou uma estante pequena no quarto;

4 – Deixe que ele folheie revistas à vontade, mesmo que seja para rasgar algumas páginas;

5 – Estimule conversas sobre as histórias e as ilustrações;

6 – Leia para ele dormir;

7 – Leve-o para livrarias e sessões de contação de histórias a partir do momento em que ele tiver concentração para ouvir essas narrações, geralmente depois de um ano;

8 – Leia poesias para ele;

9 – Apresente-o aos livros de capa dura quando ele começar a andar;

10 – Dê o exemplo e leia mais você também.

Sugestões de bons livros para crianças

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Conheça os conceitos que vão mudar a escola e o aprendizado

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Em evento em São Paulo na semana passada, exemplos de modelos de ensino inovadores dos Estados Unidos mostram como será a educação do futuro

Tatiana Klix, no Último Segundo

“Na sala de aula, cada um é diferente e aprende de forma diferente”. A afirmação feita por Joel Rose, cofundador e diretor executivo da New Classrooms Innovation Partners, em evento em São Paulo na semana passada sobre novos modelos para o ensino público, é senso comum entre professores e o desafio principal de quem pensa e trabalha pela educação do futuro. No Transformar 2013, que reuniu mais de 800 pessoas, entre educadores, gestores e empreendedores, exemplos concretos norte-americanos de escolas inovadoras – e bem sucedidas – mostram que já é possível personalizar a aprendizagem e como não há apenas um modelo para fazer isso.

Conheça conceitos que vão transformar as escolas (e onde foram aplicados):

Personalização – Entender as necessidades de cada estudante é o diferencial da School of One, uma plataforma criada para escolas de Nova York por Rose e Christopher Rush e que tem a tecnologia como principal aliada para a tarefa. Baseado em uma avaliação feita no início do ano, o sistema elabora um mapa de habilidades e plano de estudos individual. Mas, para isso, utiliza experiências de outros alunos. Um enorme repositório de lições está disponível e o banco de dados prevê que tipo de atividade é mais adequado ao perfil de cada um. “A melhor maneira de aprender pode ser com aulas online, em grupos ou estudando sozinho. O nosso algorítimo usa as experiências já aplicadas para identificar isso”, explicou Rose. Uma receita parecida é usada no grupo de escolas Summit, na Califórnia , na qual os estudantes também passam por uma avaliação no início do ensino médio, para elaborar um plano de estudos de acordo com seus objetivos de carreira. A tecnologia, novamente, é usada para avaliar em todos os momentos o que cada aluno já aprendeu e se já está pronto para aprender mais. “Cada um segue no seu ritmo”, contou a diretora executiva da rede, Dianne Tavenner.

Entrevista com Tavenner: “É possível educar todas as crianças em alto nível”

Divulgação Salas de escolas orientadas pela New Classrooms proporcionam que cada um aprenda do seu jeito

Divulgação
Salas de escolas orientadas pela New Classrooms proporcionam que cada um aprenda do seu jeito

Plataforma adaptativa – Para proporcionar o ensino personalizado, existem plataformas tecnológicas de ensino online que ajudam a elaborar e entregar os conteúdos necessários para os diferentes tipos de alunos. José Ferreira, fundador da Knewton, ferramenta que fornece lições de matemática, diz que o volume gigante de informações – maior que o do Facebook – que sua base de dados oferece revoluciona o ensino. A plataforma mostra ao professor com agilidade o que os estudantes aprendem, quando erram, no que tem dificuldades e como aprendem e ajuda a elaborar aulas.

Inovação: Recursos Educacionais Abertos podem globalizar a educação

Ensino híbrido – A sala de aula já não tem mais um professor falando em frente ao quadro negro e alunos sentados em carteiras organizadas em fileiras iguais nas oito escolas públicas gerenciadas pela ONG New Classrooms, de Joel Rose. Para que cada um possa aprender do seu jeito, também é realizada uma mudança física e os alunos sentam nas mais variadas formas: sozinhos, em grupos pequenos ou grandes, em frente a computadores ou usando material impresso. No espaço reorganizado, fazem atividades distintas, algumas online e outras, não. Para que esse modelo híbrido funcione, o papel do professor também muda para o de mentor. Segundo Tavenner, das escolas Summit, os docentes acompanham as atividades realizadas em um espaço grande, sem paredes, e orientam os alunos de várias formas: resolvendo dúvidas, questionando, provocando debates, orientando atividades e projetos.

Divulgação Na escola Quest to Learn, em Nova York, alunos aprendem jogando

Divulgação
Na escola Quest to Learn, em Nova York, alunos aprendem jogando

Engajamento – O interesse das crianças é o ponto de partida para o aprendizado na escola de ensino fundamental Quest to Learn, em Nova York. Apoiada pelo Instituto of Play, um estúdio de design sem fins lucrativos liderado por Brian Waniewski, a escola constrói o engajamento dos alunos por meio de jogos. Segundo Waniwski, a lógica dos videogames é apropriada para o aprendizado porque proporciona um ambiente com regras, nas quais há etapas a serem vencidas, mas que tolera erros. E mais: oferece feedback constante. Para usar esses elementos, o Instituto of Play tem profissionais especializados em criar jogos educativos que dão suporte aos professores e incentiva também os alunos a inventarem os seus próprios. Outra forma de promover o engajamento é conectar o ensino com a realidade. Essa é a aposta de Melissa Agudelo, reitora de admissões do grupo de 11 escolas High Tech High, de São Diego. “Os alunos precisam ver sentido no que aprendem”, diz. Nas escolas, há muitas atividades práticas, os alunos saem da sala de aula e têm experiências na comunidade e precisam resolver problemas reais.

Videoaulas: Criador da Khan Academy vê País como parceiro na revolução educacional

Educação por projetos – O fim da grade de disciplinas separadas é uma das experiências das escolas High Tech High para tornar o aprendizado mais relevante aos alunos. Segundo Agudelo, os estudantes não são divididos por série, nível de habilidade e aprendem vários conteúdos integrados. Para isso, os professores estimulam alunos a desenvolverem projetos, solucionar problemas, nos quais precisam usar vários tipos de conhecimento. Nesse caso, professores de áreas diferentes se envolvem com os mesmos projetos.

Livro ensina como largar a faculdade e aprender sozinho

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Tatiana Klix, no Último Segundo

Ir para a faculdade ainda é um plano quase unânime para jovens americanos, que se preocupam desde o início do ensino médio com suas notas – um dos critérios usados pelas instituições de ensino superior para selecionar estudantes – e em como vão pagar pelo curso mais tarde. Quase. Nos últimos anos, o aumento do desemprego e índices crescentes de graduados que passam dificuldades para honrar o crédito estudantil recebido antes da formatura fazem com que uma parcela deles questione a validade do curso superior. Para esses adolescentes, ou outros que ainda não pensaram nisso, um livro lançado este mês nos Estados Unidos – Hacking your Education (Hackear sua educação, em livre tradução) – incentiva a largar a faculdade e dá dicas de como aprender – e muito – fora das salas de aulas.

Dale Stephen largou a faculdade e fundou um movimento pelo auto-aprendizado nos EUA

Dale Stephen largou a faculdade e fundou um movimento pelo auto-aprendizado nos EUA

O autor da obra, Dale Stephen, de 21 anos, desistiu dos estudos formais quando estava no segundo semestre e recomenda a experiência. Ele é líder do movimento sem fins lucrativos Uncollege (sem faculdade), cujo site foi lançado em 2011 para difundir a ideia de que é possível ter sucesso sem colocar os pés em uma universidade.À época, descontente com o ambiente e o conhecimento que estava adquirindo no curso superior, decidiu que iria se desenvolver sozinho e transformar isso numa causa para revolucionar a educação. Para botar o projeto em prática, contou com a ajuda de US$ 100 mil (cerca de R$ 200 mil) do Thiel Fellowship , um programa que escolhe 20 jovens com menos de 20 anos por ano para abandonar a faculdade e se dedicar a algum projeto fora dela.

Dois anos depois, Stephen já concedeu inúmeras entrevistas, escreveu artigos, deu palestras, promoveu seminários e agora lançou seu livro pela editora Penguin. Em todos esses meios, o conceito essencial repetido por ele é o mesmo, de que o investimento realizado para cursar uma graduação nem sempre traz o melhor retorno e aprender sozinho fica cada vez mais fácil, através das informações disponíveis na internet.

“As pessoas aprendem de formas diferentes, em velocidade e tempo diferentes. E hackear a educação permite que você aprenda o que, quando, como e onde quiser”, explica Stephen em seu blog. Segundo ele, não é preciso ser um gênio para se sair bem fora da escola, mas ter criatividade e confiança.

Livro ensina como a aprender sozinho

Livro ensina como a aprender sozinho

No site Uncollege há uma sessão com recursos de educação online, como o Coursera (de uma universidade tradicional) e outros independentes, como o creativeLIVE (de aulas ao vivo gratuitas com experts em vários temas), dicas de como planejar a educação informal, leituras sobre o tema e entrevistas com profissionais bem sucedidos que desistiram da faculdade. O livro apresenta o mesmo tipo de conteúdo, aprofunda as razões pelas quais Stephen acredita tanto no que chama de auto-aprendizagem e ensina como encontrar mentores, construir redes de contatos, onde achar conteúdos e como reuni-los de forma a desenvolver a própria educação.

Curso

Além do livro, para quem quer seguir esse caminho, o defensor do ensino informal, também oferece um curso. O programa especial chamado Gap Year conduz 10 pessoas ao longo de um ano no processo de auto-aprendizado. No treinamento, os aprendizes recebem aulas para desenvolver um plano de aprendizado individual durante três meses em São Francisco, viajam para o exterior por mais três meses e entram em contato com pessoas e empresas inovadoras, desenvolvem um projeto pessoal nos três meses seguintes e terminam o programa trabalhando no que ele chama de “mundo real”, durante mais três meses. Tudo isso, por US$ 12 mil (R$ 24 mil). Mas Stephen garante que dá para chegar ao mesmo objetivo por bem menos, apenas transformando a vida em educação e vice-versa.

dica do Chicco Sal

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