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Roberto Carlos tenta barrar livro que trata de cultura durante a jovem guarda
0Publicado na Folha de S. Paulo
Os advogados do cantor Roberto Carlos enviaram, no início deste mês, uma notificação extrajudicial pedindo a interrupção da venda e o recolhimento dos exemplares à disposição, em livrarias, de “Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude”, de Maíra Zimmermann, lançado no último dia 4 de abril pela Estação Letras e Cores.
Resultado de uma dissertação de mestrado em moda, cultura e arte no Centro Universitário Senac e publicado com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o livro aborda a relação do movimento com a consolidação da cultura juvenil no Brasil dos anos 1960.
Segundo a notificação, “o livro traz uma série de situações que envolvem o notificante [Roberto Carlos] e traz detalhes sobre a trajetória de sua vida e intimidade”. Além disso, diz o texto, “a própria capa do livro contém caricatura do notificante e dos principais integrantes da jovem guarda sem que eles nem sequer fossem notificados”.
Zimmermann, que contratou um advogado e enviou uma contranotificação ao escritório de Roberto Carlos, diz que a obra não trata da intimidade do cantor. “A impressão que dá é que eles não tiveram contato com o livro.” Ela destaca que a pesquisa se baseou em arquivos e revistas dos anos 1960. “Não fui bisbilhotar fofocas. É uma pesquisa superséria, resultado do meu mestrado.”
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| Capa do livro “Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude”, de Maíra Zimmermann |
A notificação alega que “a publicação das fotografias também violou o direito autoral de determinados fotógrafos, que não concederam autorização para publicação de suas fotos”. A autora diz que o volume tem apenas uma foto de Roberto Carlos, posada, junto com com Erasmo Carlos, Wanderléa e outros personagens do movimento. A imagem foi comprada de uma empresa licenciada pela editora Abril, detentora dos direitos.
MUDANÇA NO CÓDIGO CIVIL
A notificação se vale de trecho do artigo 5º da Constituição Federal que veda a violação da intimidade e da vida privada, bem como sua exploração indevida. Cita também o artigo 20 do Código Civil Brasileiro sobre o tema.
Esse é justamente o artigo cuja alteração, proposta pelo deputado Newton Lima (PT-SP), foi aprovada pela Câmara dos Deputados neste mês, visando a liberação de filmes ou a publicação de livros biográficos sem autorização da pessoa retratada ou de sua família. O projeto foi encaminhado para votação no Senado.
Foi com base nessa legislação que a Justiça proibiu, em 2007, a comercialização da biografia “Roberto Carlos em Detalhes”, de Paulo Cesar de Araújo, que acabou se tornando símbolo para aqueles que trabalham pela alteração da lei.
Procurado pela Folha, o advogado Marco Antônio Campos, da Campos Escritórios Associados, que representa o cantor, diz que a notificação decorreu da utilização comercial não autorizada da imagem de Roberto Carlos.
“Fazer aquela caricatura de forma desautorizada viola os direitos de imagem do Roberto”, diz, referindo-se à capa do livro. “Não estamos tentando proibir a circulação do livro, não temos nenhuma objeção, nenhuma intenção censória quanto ao conteúdo do livro.”
A notificação, no entanto, refere-se também ao que se entende por “imagem-atributo”, “imagem relacionada à vida do indivíduo em sociedade. É a imagem que se tem de alguém em razão de seus pensamentos e de seu comportamento social”.
“É clara a conclusão de que a imagem e a vida privada do notificante estão sendo indevidamente exploradas pela notificada”, diz o texto.
Sobre a imagem de capa, de autoria de Douglas K. do Amaral, Maíra Zimmermann diz que não se trata de uma caricatura, que se caracteriza por distorções de proporção para acentuar aspectos de uma pessoa e satirizá-la. “É uma ilustração baseada em croquis de moda e não é de nenhuma maneira ofensiva. Pelo contrário, é uma homenagem.”
Dody Sirena, empresário do cantor, disse à Folha que “todo mês, há três, quatro situações de livros ou shows explorando indevidamente a imagem do Roberto”.
“Fazemos a notificação porque a lei nos protege. São tantos casos que eu já passo direto para o escritório jurídico. Fazemos isso em situações que não configuram uma homenagem ao Roberto, mas em casos que usam a imagem dele para ganhar dinheiro”, diz o empresário.
O livro saiu com tiragem de mil exemplares.
Criadora de “Diário de Classe” lançará livro sobre sua experiência
0Publicado por UOL
A criadora do “Diário de Classe”, Isadora Faber, vai escrever um livro sobre sua experiência de ativismo pelas redes sociais. O contrato foi fechado com a editora Gutenberg e o livro deve sair até o fim do ano, explica Alessandra Ruiz, publisher da editora.
No livro, a garota contará toda a trajetória da experiência, começando pelos problemas na escola e a ideia de criar uma página no Facebook para denunciá-los até a fama e as conquistas na escola.
“O livro vai mostrar o poder das redes sociais e a coragem dela em denunciar os problemas de sua escola, mesmo sofrendo represálias”, afirmou Alessandra.
“A negociação foi rápida, já tínhamos recebido propostas anteriores, mas achamos que não era o momento. Agora a editora procurou a gente, conversamos com a Isadora, que gostou da ideia e resolveu fazer o livro”, conta Mel Faber, mãe de Isadora.
O texto será escrito pela própria Isadora Faber, com o suporte da editora. O livro trará também depoimentos de personalidades sobre a experiência da menina no “Diário de Classe”.
“Ela está gostando bastante da ideia. A gente está incentivando ela porque sempre tentamos passar a importância dos livros”, afirma a mãe de Isadora.
Após a fama, Isadora Faber, criadora da página “Diário de Classe”, tenta manter rotina escolar

A casa em que mora com a família tem de tudo, até piscina. Também vive lá a avó materna, portadora de uma doença degenerativa que exige cuidados. Isadora e as irmãs ajudam Mel. A tarefa de Isa é alimentar a senhora – o que faz com paciência e carinho / Marco Dutra/UOL
Fama
Isadora Faber foi citada em uma lista de “estrelas ascendentes” brasileiras do jornal inglês Financial Times. A lista de personalidades tem 25 nomes — Isadora está na categoria “social” junto com a escritora Thalita Rebouças — e foi divulgada no dia 22 de fevereiro.
Os protestos de estudantes por melhorias nas escolas públicas ganharam força nas redes sociais com a iniciativa da menina catarinense. A garota deu o que falar: ganhou muitos elogios, fez palestras e concedeu várias entrevistas, mas também criou inimizades, principalmente na escola, teve a casa apedrejada e acabou tendo que ir depor na delegacia mais de uma vez. O último episódio que a envolveu foi uma ameaça de morte pelo Facebook, rede social que a tornou famosa.
Diretora de escola no Rio diz ter sido agredida por aluno de 15 anos
0Segundo diretora-adjunta, “a violência não é comum na escola”.
Estudante foi transferido para outro colégio, diz secretaria.

Os alunos da escola João Kopke fizeram um cartaz escrito “Violência não” na manhã desta segunda (25), após diretora ter sido agredida por aluno. (Foto: Isabela Marinho / G1)
Isabela Marinho, no G1
A diretora da Escola Municipal João Kopke, Leila Soares, em Piedade, no Subúrbio do Rio, afirma ter sido espancada quinta-feira (21) por um aluno de 15 anos. Segundo informou nesta segunda-feira (25) a diretora-adjunta da escola, Ana Paula, Leila sofreu lesões no rosto, ficou com a face muito machucada e está de licença. Ainda de acordo com Ana Paula, o caso foi “pontual” e “a violência não é comum na escola”.
Assista ao vídeo aqui.
A mãe de uma aluna de 13 anos, identificada apenas como Aline, contou ao G1 nesta segunda que desde que a diretora Leila chegou à escola, ela tenta “melhorar o ambiente”. Os alunos da escola fizeram um cartaz escrito “Violência não” na manhã desta segunda.
De acordo com Aline, antes de o aluno agredir a diretora, uma briga entre dois jovens, na semana retrasada, movimentou a escola. “Minha filha me contou que um aluno jogou pedra em outro, que revidou”, disse. A mãe ressaltou ainda que o consumo de drogas no entorno da escola é comum.
Jennifer foi aluna da escola há cinco anos e seu irmão estuda na instituição atualmente. Segundo ela, naquela época, já havia presenciado a tentativa de agressão de um aluno à mesma diretora.
“Acho que é porque ela quase não fica na escola. É difícil encontrá-la aqui. E quando chega quer botar moral e não consegue”, afirmou a ex-aluna. De acordo com Jeniffer, o irmão dela costuma comentar que “a pancadaria” na escola é frequente.
Uma professora da escola, que não quis ser identificada, contudo, disse que a diretora subiu para ver o que estava acontecendo no corredor. Segundo ela, o aluno estava dando uma gravata “de brincadeira” em um colega. O rapaz deu um empurrão e xingou a professora, que disse que chamaria o responsável do aluno. Foi quando ele deu um soco na diretora.
“Ela foi para a sala, ele a imobilizou, deu vários socos nela. Saiu muito sangue, enchemos uma lixeira com papeis. Ela também machucou o ouvido”, contou a professora. A diretora foi encaminhada para o Hospital Salgado Filho. A história foi publicada pelo jornal “O Dia” nesta segunda.
Medo
A professora disse ainda que os professores estão com medo, porque o aluno fez ameaças de que caso fosse expulso, voltaria para matar todo mundo.
Segundo a professora, a afirmação da ex-aluna de que Leila é omissa é uma inverdade e que “ela é muito dedicada” e fica na escola além do horário.
A mãe de uma outra aluna, que não quis se identificar, chegou na porta da escola por volta de 11h20, preocupada.
“Recebi a ligação de uma amiga me dizendo que o aluno que agrediu a diretora é morador do Morro do Urubu e que os traficantes viriam à escola pegar a diretora. Não sei o quanto disso é verdade, mas fiquei com medo e vim aqui ver. Fiquei tranquila quando vi que as portas da escola estão trancadas e que as coisas estão calmas”, contou.
Segundo nota da Polícia Civil, a vítima procurou a delegacia informando ter sido agredida por um aluno de 15 anos. O menor foi ouvido e a vítima encaminhada para exame de corpo de delito. De acordo com a delegada Cristiane Carvalho, da 24ª DP (Piedade), a vítima compareceu à delegacia sem apresentar lesões externas, contudo, foi encaminhada ao IML para averiguar lesões internas, no ouvido.
Ainda segundo a polícia, na delegacia, o aluno contou que agrediu Leila após a diretora do colégio o repreender por ele não voltar à sala após o intervalo de aula.
A Secretaria Municipal de Educação esclareceu, em nota, que não admite este tipo de conduta nas escolas da Prefeitura do Rio e já aplicou o Regimento Escolar Básico do Ensino Fundamental ao caso, com a transferência do aluno para uma outra unidade.
“É triste e lamentável. Não admitimos qualquer tipo de violência nas nossas escolas”, declarou a secretária de Educação, Claudia Costin.
De acordo com a Polícia Civil, o caso foi enviado a Vara da Infância e Juventude e foi registrado na 24º DP (Piedade).
Ex-viciado em crack supera vício, passa em concurso e tenta vestibular
0Gabriela Lima, no G1
Sem dinheiro e sem casa, ele foi parar na Casa de Acolhida, em Goiânia.
Eduardo se casou e sonha em ser psicólogo: ‘Quero ajudar outras pessoas’.
Após viver 10 anos no mundo das drogas e ir parar nas ruas de Goiânia, o auxiliar de serviços gerais Eduardo Matos, 30 anos, é exemplo de superação. Além de se livrar dos vícios, ele passou em um concurso público, se casou e agora quer entrar na universidade: “Sonho em ser psicólogo”.
A mudança de vida de Eduardo começou no lugar onde passam, diariamente, dezenas de sem-teto e moradores de rua: a Casa de Acolhida, um albergue mantido pela prefeitura de Goiânia. Em cinco meses como albergado, trocou a rotina de usuário de drogas por grupos de recuperação para dependentes químicos. Hoje trabalha no local que o acolheu como auxiliar de serviços gerais. “Quero me desenvolver mais, até mesmo para ajudar outras pessoas”, explica.
Usuário de drogas há muitos anos, Eduardo conta que deixou a casa da mãe, em meados de 2011, em Inhumas, na Região Metropolitana de Goiânia, e saiu vagando por cidades do interior de Goiás até chegar à capital. Ele deu entrada na Casa de Acolhida em novembro do mesmo ano, sem dinheiro, sem casa, vários quilos mais magro e dependente químico. “Eu usava tudo. Comecei com maconha, depois fui para a cocaína e o crack. Estava mesmo no fundo do poço”, recorda.
Eduardo diz que não chegou a ser morador de rua. Sem dinheiro para continuar pagando o hotel onde estava, no Setor Campinas, ele deixou o local e procurou uma igreja, em busca de ajuda. No mesmo dia, conseguiu, com ajuda da paróquia, abrigo no albergue municipal.
“Eu estava muito debilitado. Ou mudava de vida ou ia para a rua”, conta. Decidido a ter uma vida diferente, Eduardo começou a frequentar um grupo de ajuda a dependentes químicos e pensou em se internar. Mas em vez de passar nove meses em uma fazenda de recuperação de drogados, preferiu se matricular no programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em um ano, conseguiu terminar o 2º grau.
Paralelamente às aulas no EJA, o auxiliar de serviços gerais começou, por conta a própria, a estudar para o concurso de educador social da prefeitura de Goiânia. Ele foi aprovado e aguarda ser chamado. Enquanto isso, trabalha meio período, faz curso de técnico em eletrotécnica no Senai e divide o restante do tempo entre os estudos e a atenção à esposa.

Após anos longe da escola, Eduardo voltou a estudar e passou em concurso público (Foto: Adriano Zago/G1)
A aprovação no concurso fez Eduardo enxergar novos horizontes. Mesmo sem uma preparação intensiva, ele prestou vestibular para comunicação social-audiovisual, na Universidade Estadual de Goiás. Aprovado na primeira fase, ele não conseguiu passar pela na segunda etapa, mas garante que não vai desistir do desejo de fazer um curso superior: “Agora eu vou estudar para valer, eu vou com tudo, quero passar na Federal [Universidade Federal de Goiás]“.
Quero me desenvolver mais para ajudar outras pessoas”
Eduardo Matos
Restrições
Longe das drogas há pouco mais de um ano, Eduardo admite que leva a vida com algumas restrições. “Eu não me permito mais a algumas coisas. Vou sair para a balada, lugar que tem bebidas? É lógico que se eu fizer isso, vou cair. Também não vou ficar andando com amigos que usam crack”, explica.
Para quem quer superar o vício das drogas, Eduardo dá algumas dicas. “É preciso procurar ajuda e aceitar que a dependência química é um doença crônica, progressiva, incurável”, enumera. Segundo ele, o ponto principal é ter força de vontade.

































