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Cães ajudam crianças a ler melhor na Lituânia

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Livia Mara, na Folha de S.Paulo

Uma menina lê um livro enquanto um cachorro escuta a história, ao seu lado, na Biblioteca Nacional em Vilnius.

Na Lituânia, crianças têm cães como aliados em uma terapia para ganharem confiança e aperfeiçoarem a leitura.

“Ao ler para um cachorro, a criança não fica estressada. Ela se acalma porque ninguém vai interrompe-la ao primeiro erro ou pedir que recomece a leitura de uma passagem. As crianças têm o controle da situação e isso é algo que lhes é conveniente”, disse à agência AFP Viktorija Pukenaite, coordenadora do projeto.

As sessões duram cerca de 15 minutos e envolvem crianças de 4 a 12 anos.

(Fotos: Damien Simionart/AFPTV/AFP)

Os jovens leitores podem abraçar e acariciar o animal durante o período da leitura. Para que essa relação seja tranquila, os cães precisam passar por um curso de terapeuta antes de ingressarem no projeto.

Segundo a AFP, o programa, lançado em 2016, tem como objetivo contribuir para a manutenção a 100% da taxa de aptidão para leitura das pessoas com mais de 15 anos no país.

Por que procurar refúgio nos livros quando a realidade parece insuportável?

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Biblioterapia, livros como terapia ILUSTRAÇÃO DE DIEGO MIR.

Biblioterapia, livros como terapia
ILUSTRAÇÃO DE DIEGO MIR.

 

A biblioterapia pode ser um porto seguro, um alívio para nossa alma e um antídoto contra as adversidades

Marta Rebón, no El País

Foi abandonado, o mundo já não é maravilhoso. Como em um jet lag permanente, não consegue se conectar com a realidade que o envolve. Freud dizia que as palavras e a magia foram no princípio a mesma coisa. É por isso que continuamos procurando refúgio nos livros quando a vida nos prega uma brincadeira estúpida? Você, passageiro em momentos ruins, abre um romance e em suas páginas encontra algo parecido a um bote salva-vidas, um alívio balsâmico ao desassossego.

Os leitores vorazes sabem bem que as bibliotecas e as livrarias são uma panaceia eficaz à alma, como já se afirmava na Antiguidade. A ficção e a poesia, afirma a romancista Jeanette Winterson, são remédios que curam a ruptura que a realidade provoca em nossa imaginação. Como diz a máxima horaciana dulce et utile, nos ensinam prazerosamente. O eco das palavras, seu ritmo, e as imagens com uma grande carga emocional inundam e ativam os recônditos de nossa consciência. Quando lemos um texto literário inteligente e sedutor, o mundo se torna mais habitável.

Entre os benefícios de se ler ficção, o primeiro, por mais óbvio que pareça, é chegar a nos conhecer melhor. Proust, a quem hoje poucos negarão sua aptidão à ciência cognitiva, afirmava que cada leitor, quando lê, é o próprio leitor de si mesmo. Acrescentava que a obra do escritor não é mais do que uma espécie de instrumento ótico que este oferece ao outro para permitir-lhe discernir o que, sem esse livro, não seria capaz de ver por si mesmo. Entrar no universo dos romances é viver múltiplas vidas. Com um livro nas mãos se abre diante de nós um terreno para a experimentação de inúmeras circunstâncias. A biblioterapia é possível graças ao choque de identificação que se produz no leitor quando se vê refletido na história. Sentimos empatia por outras pessoas, outras formas de pensar. A leitura, além disso, é uma aventura intelectual trepidante. Para o Nobel de Literatura André Gide, ler um escritor não é só ter uma ideia do que ele diz, mas viajar com ele.

Ler nos coloca em um espaço intermediário: ao mesmo tempo em que deixamos em suspenso nosso eu, nos conecta com nossa essência mais íntima, um bem valioso para se manter certo equilíbrio nesses tempos de distração. A leitura, dizia María Zambrano, nos brinda com um silêncio que é um antídoto ao barulho que nos rodeia. Ela nos procura um estado prazeroso semelhante ao da meditação e nos traz os mesmos benefícios que o relaxamento profundo. Ao abrir um livro conquistamos novas perspectivas, pois a ficção divide com a vida sua essência ambígua e multifacetada. Uma vez que só podemos ler um número limitado de títulos, o que procuramos? Obras que reafirmem nossas crenças, ou façam com que essas balancem? Para Kafka era muito claro, só deveríamos nos adentrar nas obras que incomodam: “Um livro precisa ser um machado que abre um buraco no mar gelado de nosso interior”.

Resenhas de biblioterapia

— Remédios literários, de Ella Berthoud e Susan Elderkin. Um original e divertido livro sobre biblioterapia que fala do poder curativo da palavra escrita.

— A leitura como plegária, de Joan-Carles Mèlich (sem edição no Brasil). Uma reflexão sobre a leitura e a escrita em 262 fragmentos filosóficos.

— Por que ler os clássicos, de Italo Calvino. O escritor nos lembra que os clássicos nunca deixam de surpreender e resistir ao tempo.

— Poema, de Rafael Argullol (inédito no Brasil). Um breviário contemporâneo erudito e sensível de reflexões sobre a condição humana e o discorrer do mundo.

— Intérprete de males, de Jhumpa Lahiri. A escritora indaga sobre as barreiras que personagens de diferentes culturas devem saltar em sua busca da felicidade.

— A morte de Ivan Ilitch, de Leon Tolstói. Um luminoso romance que na realidade é um poema capaz de nos reconciliar com nossa condição mortal.

— Pequeno fracasso, de Gary Shteyngart. Depois de se mudar com sua família a Nova York, o garoto judeu russo Igor se transforma em Gary, um personagem que narra a experiência de viver dividido entre dois países que são inimigos.

— Doce Canção, de Leila Slimani. Disseca as circunstâncias de um crime e lança luz sobre as contradições da sociedade atual.

Nova rotina e pressões levam vestibulandos a procurar terapia

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Publicado em Folha de S.Paulo

A entrada na universidade marca a mudança para uma nova rotina, novas responsabilidades e às vezes uma nova casa, longe da família.
Tanta novidade pode trazer também ansiedade, depressão e outros problemas. Quando a situação se complica para além do que é possível resolver sozinho, serviços de apoio psicológico das faculdades entram em cena.

Foi a um deles que Larissa Prado recorreu quando saiu da casa dos pais, em Santos (SP). Aos 18, foi morar sozinha para cursar psicologia na Universidade de São Paulo. A distância da capital paulista até a família era curta (55,5 km), mas o processo de transposição das raízes foi difícil.

“É uma sensação de não pertencer a lugar nenhum. Não me sentia pertencendo à casa da minha mãe nem à minha casa em São Paulo. Você fica meio perdido”, diz.

Larissa, 23, buscou atendimento no próprio Instituto de Psicologia onde estuda. Ela pagou pelo serviço, o que nem sempre é necessário. As consultas, se cobradas, custam no máximo 10% do salário mínimo, ou seja, R$ 78,80.

Lucas Alves, 23, também procurou o serviço da USP, no segundo semestre. “Há o aspecto doloroso de reconhecer verdades e ansiedades.”

Em São Paulo, universidades como Unicamp, Ufscar, Unesp, PUC e FGV oferecem atendimento aos alunos sem custo extra.


FILA

Pode haver espera, como na Unesp, que atendeu 1.661 alunos no ano passado -a universidade tem 47 mil matriculados. O Grapal, dedicado aos 4.103 alunos da Faculdade de Medicina da USP, faz em torno de 1.200 consultas por ano. Na Unicamp, com cerca de 35 mil alunos, foram atendidos 1.199 em 2014.

Os coordenadores dos atendimentos ressaltam o segredo em relação aos atendimentos psicológicos. “Algumas pessoas têm medo de ir por achar que vai entrar no histórico escolar, mas isso não acontece, o sigilo é total”, diz a psiquiatra Tânia Freire de Melo, responsável pelo Sappe (Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica ao Aluno), da Unicamp.

A busca pelo auxílio, segundo o psicanalista Tiago Corbisier Matheus, que dirige o programa da FGV, diminui no decorrer do curso.

O psiquiatra do serviço da Medicina da USP Emmanuel Nunes de Souza concorda: “No quinto e sexto ano, o aluno encontra situações mais fortes, mas já está mais ambientado, sabe lidar melhor”.

VESTIBULAR

O atendimento às vezes começa já no ensino médio, quando os alunos lidam com o nervosismo pelo vestibular, as expectativas dos pais e a pressão de tirar notas altas.

Esses casos são a especialidade de Paulo Motta, professor de psicologia da Unesp. “Tem muito estresse e cobrança da escola. O próprio desempenho no vestibular fica comprometido”, diz.

Paulo Ricardo Hernandes, 16, que cursa o terceiro ano do Objetivo, em São Paulo, conhece o problema. “Escolher a carreira é um processo de autoconhecimento. As escolas não estimulam muito essa reflexão”, diz o aluno.

Para a coordenadora pedagógica Vera Lúcia da Costa Antunes, do Objetivo, “o maior fator de insegurança é não saber a matéria”.

Já Mariana Yumi da Cruz, 17, do colégio Bandeirantes, afirma que a ansiedade piora porque “os professores fazem bastante pressão” em relação ao vestibular.

Em escolas como o Móbile, o Agostiniano Mendel e o Santa Cruz, psicólogos e pedagogos coordenam espaços para discutir angústias em relação ao futuro profissional.
Quando o caso é mais grave, porém, a recomendação é procurar um profissional para atendimento individual.

“A orientação educacional acolhe, mas não é próprio da função da escola oferecer um tratamento ou acompanhamento psicológico individualizado”, diz Marina Muniz Nunes, psicóloga e diretora do ensino médio do Santa Cruz.

ONDE PROCURAR AJUDA
Unicamp – Sappe (Serviço Assist. Psicológica e Psiquiátrica ao Aluno)
Gratuito; tel. (19) 3521-6643

Medicina-USP – Grapal (Grupo de Assist. Psicológica ao Aluno)
Gratuito; tel. (11) 3061-7235

UFSCAR – Departamento de Atenção à Saúde
Gratuito; tel. (16) 3351-8200

Unesp – CPA (Centro de Psicologia Aplicada)
Gratuito; tel. (14) 3203-0562

FGV – Pró Saúde: pro.saude@fgv.br

PUC – PAC Setor de Atendimento Comunitário: (11) 3670-8035; pac.procrc@pucsp.br

Estudante chinesa processa governo por livros didáticos que classificam homossexualidade como ‘transtorno’

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Iniciativa partiu de Chen Qiuyan; segundo ela, material sugere que gays podem ser ‘curados’ com terapia de eletrochoque.

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Publicado no G1

Uma estudante da China está processando o Ministério da Educação do país por livros didáticos que descrevem a homossexualidade como um “transtorno”.

A iniciativa partiu de Chen Qiuyan, que afirma tê-los descoberto na biblioteca de sua universidade. Segundo ela, os livros sugerem que os gays podem ser “curados” com terapia de eletrochoque, informou a agência de notícias estatal Xinhua.

Um tribunal de Pequim acolheu a denúncia e pediu que o material seja recolhido.

“Os homossexuais já estão sob grande pressão”, disse Chen, que entrou com ação usando um pseudônimo, mas desde então vem usando o nome verdadeiro para falar com a imprensa internacional.

“O estigma adicional difundido por esses livros causam danos aos direitos dos homossexuais. O ministério deveria monitorar e supervisionar esse conteúdo”, acrescentou ela.

Chen, que estuda em uma universidade pública na província de Guangdong, no sul do país, afirmou que vinha consultando alguns livros após sentir-se confusa sobre a sua própria orientação sexual. “Depois de lê-lo, eu fiquei aterrorizada. Fiquei com mais medo de admitir que sou gay”, disse ela em entrevista ao jornal americano The New York Times.

A China parou de classificar a homossexualidade como uma doença mental em 2001, mas dezenas de livros publicados desde então ainda a descrevem como um “transtorno”, informou a Xinhua, citando uma pesquisa conduzida por uma ONG local.

No ano passado, um tribunal de Pequim emitiu uma decisão história contra uma clínica que oferecia “terapia de conversão gay”, o primeiro caso do tipo no país.

Febre colorida

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Especialistas comprovam os efeitos terapêuticos dos livros para pintar, maior fenômeno editorial recente que tem conquistado cada vez mais adultos

Paula Rocha, na IstoÉ

Em uma movimentada livraria na cidade de São Paulo, duas clientes na faixa dos quarenta anos discutem por causa de um livro. “Esse é o último exemplar e eu preciso dele”, diz uma delas. No que a outra responde “mas eu também preciso”, enquanto um vendedor tenta acalma-las. O motivo do debate não é o recém-lançado “Philia”, de Padre Marcelo Rossi, ou o novo “Ansiedade”, de Augusto Cury, ambos na lista dos mais vendidos no País, mas sim uma singela obra praticamente sem frases e com 96 páginas ilustradas em preto e branco. Trata-se do título “Jardim Secreto” (Editora Sextante), um livro com desenhos para serem coloridos por adultos. Desde que foi lançada no Brasil, em dezembro de 2014, a obra vendeu mais de 600 mil cópias e motivou o surgimento de dezenas de títulos similares, em um fenômeno literário que surpreende editoras e leitores e que já ganhou ares de febre.

REFÚGIO Helena Sordili usa o livro "Jardim Secreto" para relaxar e esquecer os problemas

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Helena Sordili usa o livro “Jardim Secreto” para relaxar e esquecer os problemas

 

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Pode reparar. Há cerca de um mês, redes sociais como Instagram e Facebook foram invadidas por fotos de desenhos coloridos, feitos especialmente por mulheres entre 34 e 54 anos de idade. “Nós sabíamos do sucesso do livro na Europa e nos Estados Unidos, mas nunca imaginamos que a repercussão no Brasil tomasse proporções tão gigantescas”, diz Nana Vaz de Castro, gerente de aquisições da Sextante. Em abril, a editora lançou no País o título “Floresta Encantada”, de Johanna Basford, mesma autora do “Jardim Secreto”, e a venda desses itens explodiu. “Aqui no País, o ‘Jardim’ já está indo para a 14ª reimpressão, enquanto o ‘Floresta’, desde a Páscoa, já vendeu 400 mil exemplares”, diz Nana. E assim como acontece com seu predecessor, o segundo livro de colorir mais vendido do Brasil tem sumido das prateleiras das livrarias com velocidade impressionante. “A enorme procura por esses produtos pegou o mercado editorial de surpresa”, diz Thiago Oliveira, coordenador comercial de livros nacionais da Livraria Cultura. “Quando chegam, acabam muito rápido e as editoras estão tendo de produzir mais para suprir a demanda.”

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Um dos motivos que explicariam a popularidade dos livros de colorir para adultos é o fato de eles proporcionarem uma espécie de desintoxicação do mundo virtual. “É uma forma de me desconectar. Para colorir, saio da frente do computador e do celular”, conta a designer e blogueira Helena Sordili, de 38 anos, que foi pega pela febre multicolorida há cerca de dois meses. Outra qualidade muito atribuída aos livros é seu caráter anti-estresse, apesar das brigas geradas pelos exemplares. “Quando estou pintando, entro numa espécie de transe. Esqueço os problemas e nem escuto as pessoas a minha volta”, diz Helena. Sensação que pode ser alcançada com outras atividades ocupacionais, acredita Selma Ciornai, psicóloga e fundadora do curso de arte-terapia do Instituto Sedes Sapientiae. “Assim como uma terapia ocupacional, o ato mecânico de colorir exige concentração e esvazia a mente, proporcionando um estado mais relaxado e meditativo”, diz.

MANIA Ivonete já gastou R$ 1 mil em materiais e aguarda a chegada de mais lápis de cor

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Ivonete já gastou R$ 1 mil em materiais e aguarda a chegada de mais lápis de cor

Mas, assim como a discussão entre as mulheres do início da reportagem, nem tudo são flores para os leitores dos livros de colorir. Para a corretora de móveis Ivonete Nogueira da Silva, de 50 anos, apesar do apelo anti-estresse, os títulos podem estressar muita gente que não consegue pintar como gostaria. “As empresas não estavam preparadas para essa loucura. Há um mês comprei pela internet uma caixa de lápis de cor com 72 cores que não chegou até agora”, diz Ivonete, que calcula já ter gasto cerca de R$ 1 mil em materiais para colorir. Segundo informações da Faber-Castell, a busca por lápis de cor no País quintuplicou em abril, em relação ao mesmo período do ano passado. “Nossa prioridade hoje é atender a essa forte demanda e normalizar os estoques nos pontos de vendas”, diz Claudia Neufeld, diretora de marketing da Faber-Castell. Segundo Ibraíma Dafonte Tavares, editora executiva da Editora Alaúde, que está prestes a publicar mais dois títulos do nicho, a mania dos livros de colorir dá sinais de que deve continuar. “Eu acho que a tendência continua este ano. O fato é que as pessoas ficam verdadeiramente felizes colorindo esses livros”, diz. Depois de conseguirem comprá-los, é claro.

Fotos: João Castellano/ Ag. Istoé; Thiago Bernardes/Frame

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