Lopes Sale

Posts tagged terror

Escritores de romances policiais, suspense e terror ganham associação

0

Personificação cinematográfica de Pennywise, o palhaço de It: a coisa, livro de Stephen King | © Frame do Filme

Idealizada por Cláudia Lemes, Aberst tem como objetivo unir escritores dos gêneros e divulgar seus trabalhos. Inscrições para associados estão abertas.

Publicado no Publishnews

Populares ao redor do mundo, as associações de romances de gênero surgiram para fazer com que suas histórias tivessem mais reconhecimento e uma maior valorização. Por aqui, acaba de nascer uma: a Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (Aberst). Idealizada pela escritora Cláudia Lemes, a associação foi criada com o objetivo de unir escritores dos gêneros, fortalecê-los dentro do cenário literário atual, promover eventos de interação entre escritores, publishers, blogueiros e leitores, divulgar obras e novidades e criar uma premiação anual das melhores obras policiais, de suspense e terror do ano.

Escritora Claudia Lemes é fundadora e primeira presidente da associação | © Divulgação

Eleitos por um grupo de aproximadamente 60 autores, o Conselho da Aberst é formado por seis pessoas, entre elas a fundadora como presidente. Tito Prates (embaixador da Agatha Christie no Brasil e escritor), Fábio Fernandes (tradutor de obras icônicas de Ficção Científica e escritor) e Vítor Abdala (escritor de terror e membro da Horror Writers Association) são os conselheiros; Mário Bentes (Publisher da Lendari) é o secretário e Jhefferson Passos (escritor de terror), o tesoureiro.

Além disso, a associação já conta com Associados Honorários como o escritor Raphael Montes, os editores Pedro Almeida e Alessandra Ruiz e o escritor de terror Rubens Francisco Lucchetti.

Ao PublishNews, Pedro, que é também colunista do PublishNews, ressaltou a importância da associação e a mudança que o gênero sofreu nos últimos anos: “nos romances policiais mais resenhados até os anos 2000, havia menos ação e personagens mais filosóficos, bonachões, quando o bom do gênero está na ação, na agilidade e na arquitetura do mistério. Enfim, foi a época em que se vendeu o que a elite cultural quis consumir. Mas agora há espaço para o livro em que o conteúdo volta a ser mais importante que a forma. Uma retomada dos princípios do gênero, seja como Agatha Christie, Bram Stoker, G K Chesterton e Allan Poe”.

Os associados, que podem ser escritores publicados e independentes, editores, capistas, revisores, blogueiros, youtubers e qualquer pessoa envolvida com literatura, terão acesso a uma rede de apoio, com o intuito de divulgar seus livros e lançamentos.

Pedro Almeida é associado honorário da Aberst

Outra vantagem é que esses associados também poderão participar do programa de resenhas da ABERST, que conta com mais de 25 blogs e canais literários que resenharão as obras dos autores associados e terão seus trabalhos e biografias divulgados no site oficial da associação (ainda em construção), e serão convidados para participar de eventos.

Para ajudar na profissionalização de novos autores, a associação também oferecerá cursos e oficinas de escrita com descontos consideráveis para seus associados, que também serão isentos de taxas de inscrição para a participação da Premiação Anual Aberst de literatura, com sua primeira edição prevista para outubro deste ano. Com as inscrições para associados abertas há pouco mais de um mês, a Aberst já conta com 50 deles e pretende ainda fechar parcerias com editoras para facilitar o ingresso de seus autores associados ao mercado, oferecendo sua rede de divulgação em troca.

Stephen King é o rei da adaptação para o cinema e a TV

0
Jogo Perigoso está disponível na Netflix. Foto: Netflix/Divulgação

Jogo Perigoso está disponível na Netflix. Foto: Netflix/Divulgação

Fernanda Guerra, no Diário de Pernambuco

Nos primeiros anos da década de 1970, Stephen King lançou o livro Carrie, a estranha, o primeiro a ser adaptado para os cinemas. Após a versão do filme, outros remakes foram lançados. De lá para cá, as obras do escritor norte-americano, hoje com 70 anos, ganharam projeção expressiva no cinema e na TV, tornando-o um dos autores mais adaptado no segmento audiovisual. Só em 2017, uma longa lista de produções surgiram a partir das obras de King: os filmes A torre negra e It: A coisa estrearam nos cinemas, os longas Jogo perigoso e 1922 foram lançados pela Netflix, que também exibiu a série O nevoeiro, extinta na primeira temporada. Nos Estados Unidos, também foi lançada a série Mr. Mercedes, ainda inédita no Brasil.

Para quem é fã do gênero terror e suspense, o longa-metragem Jogo perigoso, baseado no livro homônimo publicado em 1992, traz objetos clássicos do terror psicológico, como psicopata e alucinações, elementos recorrentes na obra do autor. Dirigido por Mike Flanagan, o título abrange para questões como machismo, pedofilia e abuso sexual. A produção acompanha Jessie (Carla Gurgino) presa à cama – mote que fez o público associar ao filme Louca obsessão (1992).

Com repercussão menor que Jogo perigoso, 1922 é estrelado por Thomas Jane, na pele de um fazendeiro que mata a esposa, Arlete (Molly Paker), auxiliado pelo filho, Henry (Dylan Schmid). Ele planeja cometer o crime quando ela decide se divorciar, vender a fazenda e se mudar para a cidade acompanhada do filho. O catálogo da Netflix também contempla outros títulos assustadores da obra do autor: Pacto maligno, Conexão mortal e Cemitério maldito, além de três temporadas do seriado Under the dome.

Evento de literatura de Terror aproxima jovens a obras clássicas e contemporâneas do gênero

0
Obras do gênero terror estarão no evento (Foto: Divulgação)

Obras do gênero terror estarão no evento (Foto: Divulgação)

O maior evento de literatura de terror do estado do Pará acontece nos dias 27 e 28 de outubro, em uma livraria de um shopping na Travessa Padre Eutíquio em Belém.

Publicado no G1

Bruxas, vampiros, zumbis e outras criaturas sobrenaturais, bem como o medo real escrito por autores ao longo de centenas de anos estarão em debate na terceira edição do Thriller in The Book: Convenção das Bruxas. O maior evento de literatura de terror do estado do Pará acontece nos dias 27 e 28 de outubro, em uma livraria de um shopping na Travessa Padre Eutíquio em Belém.

“O evento surgiu como uma possibilidade de unir os leitores do gênero, e hoje, depois de três anos, tem muita gente apoiando, como as 14 editoras nacionais que estão conosco e também as centenas de participantes que já vieram nas edições passadas”, disse Everton Assis, um dos organizadores do evento.

Esse ano a organização do evento decidiu dividir em dois dias devido o número de atividades. Haverá leitura dramática do poema “O Corvo” de Edgar Allan Poe, bate papo com autores paraenses, uma hora dedicada à autora das Crônicas Vampirescas, Anne Rice, além da discussão sobre dezenas de livros que foram lançados recentemente no gênero de thriller e terror.

“Serão quase 50 livros sorteados para os participantes, além de discussões sobre muitas questões do gênero, que está crescendo na cidade. Muitas obras às vezes passam despercebidas nas prateleiras”, diz Everton Assis.

Segundo ele, a exemplo do ano passado, haverá ainda um concurso de fantasias. “Queremos que esse ano seja uma verdadeira convenção de fãs do gênero”, diz.

“O Corvo” dramatizado

Desde que foi lançado em 1846, o Poema “O Corvo”, escrito por Edgar Allan Poe, um dos principais precursores do gênero do terror, atingiu um sucesso estrondoso em todo o mundo, sendo referenciado por outros grandes autores, como Neil Gaiman, além de estar presente na cultura pop, a exemplo dos Simpsons que fez um episódio especial sobre ele. Pensando nisso, em parceria com o grupo teatral “Teatro de Apartamento” será realizada uma leitura dramática, com o objetivo mostrar a importância e imponência do poema.

O autor paraense Andrei Simões ressalta que “O Corvo” deu respeitabilidade a Poe, que até o momento da publicação, não era muito levado a sério como escritor. “Este é um poema atemporal e imortal, pois trabalha um medo simples e primitivo de forma extrema, complexa e cirúrgica”, diz.

Haverá concurso de fantasias (Foto: Divulgação)

Haverá concurso de fantasias (Foto: Divulgação)

Autores paraenses

Desde a sua criação o “Thriller in The Book” funciona como uma vitrine dos autores paraenses, mostrando o que vem sendo publicado na região relacionado ao gênero. Andrei Simões afirma que eventos assim são fundamentais para escritores independentes como ele. “É a nossa chance de conversar cara a cara com fãs de terror e congregar com essas pessoas”, diz.

Além de Andrei Simões, esse ano participarão do bate papo Igor Quadros, autor de Agonia, Breno Torres, que lançou a antologia de contos de terror “Pesadelos Infaustos”, Clara Gianni que tem um conto publicado no livro “Vampiro: um Livro Colaborativo” e Lenmack, um autor independente que tem contos publicados em uma plataforma de livros digitais.

Serviço: Thriller in The Book Ano 3: Convenção das Bruxas, nos dias 27 e 28 de outubro, na Livraria Leitura do Shopping Pátio Belém. Dia 27 às 18h e dia 28 às 16h. Informações: soodaredacao@gmail.com.

Darkside Books apresenta Creepshow, HQ escrita por Stephen King

0

Obra foi baseada no filme homônimo de 1982

Fernando Rhenius, no Vavel

A DarkSide Books revelou nesta terça-feira, 19, o lançamento Creepshow, primeira HQ escrita por Stephen King. O filme lançado em 1982 tem como diretor George A. Romero (A Noite dos Mortos-vivos) e King como roteirista.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

O filme é uma homenagem aos quadrinhos de terror dos anos 80. No longa King apresenta pequenas histórias, que iniciam quando, Billy é repreendido pelo pai por causa de uma revistinha de terror, intitulada como Creepshow. Enfurecido o pai acaba jogando a revista no lixo que com o vento, revela as páginas. Tudo isso em uma noite de Dia das Bruxas.

A primeira história “Dia dos pais”, Nathan Grantham (Jon Lormer), um velho, sai da sua sepultura para comer o bolo do dia dos pais e dar um fim em Bedelia (Viveca Lindfors), filha que o matou.

No segundo conto “A morte solitária de Jordy Verril”, interpretado por Stephen King, é um pequeno agricultor que presencia um meteorito cair em suas terras. Pensando em saldar suas dívidas, Verril resolve vender o objeto. Assim que toca na peça, o agricultor se transforma em planta e uma substância que “vaza” do artefato acaba transformando a vegetação da pequena fazenda.

Leslie Nielsen apresenta na terceira história. Intitulada “Indo com a Maré” Richard Vickers (Nielsen) enterra sua esposa e seu amante na areia, para serem afogados pelo mar. O destino acaba traindo mais uma vez Vickers, já que os amantes voltam para se vingar.

Uma caixa é o objeto central do quarto conto. “A Caixa” conta a história de Mike (Don Keefer), que encontra uma estranha caixa em uma faculdade com uma terrível criatura em seu interior. Finalizando o filme, “Vingança Barata”. Upson Pratt (E.G. Marshal) tem mania de limpeza, o que acaba incomodando as baratas.

Baseado no filme, King adaptou a história para os quadrinhos. A arte ficou por conta de Bernie Wrightson, um dos criadores e o primeiro ilustrador de O Monstro do Pântano, e capa de Jack Kamen, autor da EC Comics.

8 melhores filmes de terror baseados em livros

0
Cena de 'Deixa Ela Entrar' (Foto: Reprodução)

Cena de ‘Deixa Ela Entrar’ (Foto: Reprodução)

Oscar Nestarez, na Galileu

Fãs de horror tendem a ser insaciáveis. Mal terminam de ler um livro de que gostaram e já começam a imaginar como seria a adaptação para o cinema, quem interpretaria o(a) protagonista, quem seria encarregado da direção, etc.

E, caso a adaptação já exista, correm aos milhares e milhões para assisti-la, de modo a comparar com a obra literária e a trocar impressões com outros aficionados.

Os tempos atuais são prova disso. A nova adaptação de It, romance de Stephen King, vem quebrando recordes de público — com uma semana de exibição, já virou o filme de horror mais bem-sucedido da história, em termos de bilheteria.

Por isso, elaborei uma lista com sinistro carinho para, quem sabe, assombrar suas noites e madrugadas. E para atenuar a (inevitável) polêmica e queixas dos leitores, informo que a única ordem seguida é a cronológica. Vamos lá:

Adaptações de Drácula
Começo não por uma, mas por várias adaptações. Drácula, de Bram Stoker, talvez seja o mais famoso romance de horror da história, e continua revisitado por cineastas e roteiristas até hoje. Pode fazer as contas: quantas versões (ou apropriações) você já viu?

Agora, embora o (ótimo, a nosso ver) Drácula, de Bram Stoker, de 1992, tenha esse sobrenome literário, a versão considerada mais fiel ao livro ainda é a de 1931, dirigida por Tod Browning. Sim, aquela cujo conde é interpretado pelo lendário Bela Lugosi — vale lembrar que o ator, após falecer, foi enterrado vestindo a capa do vampiro que eternizou.

Há um consenso entre especialistas de que nenhuma outra versão capturou tão bem a atmosfera vertiginosa da obra de Stoker.

Os inocentes, Jack Clayton, 1961
Do Damien de A profecia (1976) até o recente Boa Noite, Mamãe (2016), crianças assombram e são assombradas em páginas e telas há muito tempo. Mas poucas histórias são mais assustadoras do que aquela apresentada por esta adaptação da obra-prima A volta do parafuso, de Henry James.

Qual história? A de uma jovem babá (interpretada pela excelente Deborah Kerr) que vai cuidar de um casal de crianças em uma mansão, após os empregados anteriores terem desaparecido misteriosamente.

A versão de Clayton mantém o clima pesado e labiríntico da narrativa de James. Quanto a nós, espectadores, vemo-nos desamparados entre vivos que se vão, mortos que voltam e, claro, crianças assustadoras.

O Bebê de Rosemary, Roman Polanski, 1968
Um clássico controverso. Baseado na obra homônima do norte-americano Ira Levin, publicada no ano anterior, o filme de Polanski é poderoso por alguns motivos.

Em primeiro lugar, porque transpõe o tom grave da narrativa para a telona; a história da mocinha (Mia Farrow) grávida vai se adensando até beirar o insuportável — com direito a participações muito especiais (de Anton LaVey, fundador da “Igreja de Satã”, em momento culminante da história).

Em segundo lugar, porque a chegada do Anticristo, aqui, é retratada de forma sinuosa e metafórica, que vai além da dicotomia Deus x Diabo; há vínculos implícitos entre influências sobrenaturais e a sanidade da pobre protagonista. Imperdível para quem é fã de horror psicológico.

O Exorcista, William Friedkin, 1973
Hors concours em qualquer lista de cinema de horror — seja ela composta por adaptações ou não. Apresentado como “o filme mais assustador já feito”, O Exorcista de Friedkin foi baseado no livro de mesmo nome escrito por William Peter Blatty (que depois escreveu e dirigiu uma das continuações).

E ambos, livro e filme, mudaram paradigmas na ficção de horror, tanto pelo sucesso de público quanto de crítica. o filme levou dois Oscar, e foi o primeiro do gênero de horror a ser indicado para o prêmio principal, de melhor película: uma verdadeira façanha.

Para completar, a produção é cercada por mistérios. Mencionamos apenas um: durante as filmagens, oito pessoas morreram de formas ainda não muito bem explicadas.

Horror em Amityville, Stuart Rosenberg, 1979
Outro caso de livro e de filme igualmente poderosos. Publicado em 1977 por Jay Anson, Horror em Amityville tornou-se rapidamente um grande sucesso editorial — foram mais de três milhões de cópias vendidas. E dois anos depois, o livro deu origem à adaptação dirigida por Stuart Rosenberg.

O principal motivo dos arrepios é a velha frase “baseado em fatos reais”. No entanto, aqui é para valer. Anson escreveu sua história a partir dos eventos sobrenaturais vividos pela família Lutz, que, em meados de 1975, mudou-se para uma residência que logo se provou maligna. Vale lembrar também que, um ano antes, na mesma casa, ocorrera um assassinato de proporções brutais (está nos jornais da época, caso você queira pesquisar).

O iluminado, Stanley Kubrick, 1980
Mais um habitué de qualquer lista. Aqui na nossa, será o único representante das inúmeras adaptações de Stephen King (por motivos de espaço, deixaremos de fora maravilhas como Carrie, ou mesmo It). Mas um representante peso-pesadíssimo, já que tanto o livro quanto o filme estão entre os favoritos de leitores e espectadores da ficção de horror.

Muito já se falou e se fala sobre a magistral leitura realizada por Kubrick do livro (1977) — e é emblemático o fato de que o diretor praticamente ignorou o roteiro que o próprio King havia escrito. No final, o cineasta partiu da premissa literária, mas tomou algumas liberdades significativas (por exemplo, o descarte do background da família Torrance, importante para o livro; Kubrick não detalha a personalidade ou os problemas familiares de cada um deles). Ainda assim, e mesmo que afastados, filme e livro continuam poderosos.

O Enigma de Outro Mundo, John Carpenter, 1982
É bastante comum, entre aficionados, apontar a influência de H.P. Lovecraft nesta discreta obra-prima de horror e ficção científica. No entanto, o livro em que John Carpenter se baseou é de um autor menos conhecido: o norte-americano John W. Campbell, fundador da revista pulp Astounding Science Fiction and Fact.

A obra em questão é Who goes there?, ainda sem edição por aqui (e que já havia sido adaptada para o cinema em 1951, com o filme The thing from another world, de Christian Nyby). E o filme é fiel ao enredo literário: um grupo de pesquisadores isolados no Ártico descobre uma nave alienígena de milhões de anos atrás.

Liderados por Kurt Russell, os cientistas têm de enfrentar criaturas metamórficas e nada menos que medonhas. Isto graças a efeitos especiais que ainda hoje mantêm sua força.

Hellraiser, Clive Barker, 1987
Caso raro em que o autor do livro e o diretor do filme são a mesma pessoa, não poderia faltar por aqui. Embora hoje muitos considerem a “estética oitentista” um tanto carregada, é inegável o sucesso obtido pela adaptação de Clive Barker para sua própria novela The Hellbound Heart.

Ali despontava aquele que se tornaria um dos maiores vilões de telas e páginas: o sacerdote do inferno Pinhead. E, por mais pesada que talvez seja a mão de Barker, muitos fãs vibram até hoje com a carnificina perpetrada pelos Cenobitas no filme — que deu origem a nada menos do que oito continuações (até agora).

Audition, Takashi Miike, 1999
Esta não seria uma lista que se preze sem um exemplar oriental. Então, optamos por um título que consideramos tão aterrorizante quanto sádico.

Baseado em um romance homônimo de Murakami Ryu (1997), Audition é considerado até por iniciados um verdadeiro tour de force. Mas o filme engana os desavisados: a primeira metade — em que um diretor de TV, após a morte da mulher, realiza entrevistas para encontrar uma nova esposa — é pacata, lírica.

No entanto, do meio para a frente, a coisa pesa, e para valer. As sessões de tortura, bem alicerçadas pelo roteiro e por personagens verossímeis, queimam a retina. Há até quem diga que o filme de Takashi Miike, por sua força, acabou eclipsando a obra de Ryu — que passou a ser lida como um mero rascunho do roteiro.

Deixe ela entrar, Thomas Alfredson, 2008
Para concluir, uma pérola (negra) da Escandinávia. Sim, falamos da obra original, a sueca, não da versão norte-americana de alguns anos depois. O filme foi adaptado da novela vampiresca escrita por John Lindqvist, e o diretor, Tomas Alfredson, mantém a fidelidade de sua versão.

Em ambos, Oskar é um menino de 12 anos que sofre bullying na escola e se apaixona pela vizinha Eli. Ela lhe dá forças para reagir, mas guarda um terrível segredo.

O “terrível” não é força de expressão. Livro e filme carregam elementos controversos e viradas realmente arrepiantes. Além disso, as atuações de Kare Hedebrant (Oskar) e de Lina Leandersson (Eli) comovem na mesma medida em que assustam.

*Oscar Nestarez é ficcionista de horror e mestre em literatura e crítica literária. Publicou Poe e Lovecraft: um ensaio sobre o medo na literatura (2013, Livrus) e as antologias Sexorcista e outros relatos insólitos (2014, Livrus) e Horror Adentro (2016, Kazuá).

Go to Top