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Existe um método para estudar?

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Entendendo o processo do conhecimento, entenderemos o método da aprendizagem.

Bruno Rissatto, no Blasting News

A palavra “#Estudar” remete a inúmeras incertezas e confusões sobre uma definição clara e precisa do que significa tal conceituação. Algumas pessoas assemelham “estudar” com decorar, ler, escrever, assistir aula, elaborar um cronograma de estudos etc. Mas o que de fato determina afirmarmos que alguém está estudando de maneira correta ou que está estudando de forma errada?

Com base na psicologia histórico-cultural, na dialética do conhecimento, tentaremos definir o #método preciso, cientificamente analisado, que determina qual a melhor forma para #aprender um conteúdo específico.

Existe um processo pelo qual aprendemos, e entendendo como este processo funciona, nos possibilitará ter uma eficiente e rápida aprendizagem nas próximas vezes em que formos pegar um caderno ou um livro para ler.

A dialética do conhecimento

O conhecimento funciona da seguinte forma: primeiro nos deparamos diante de um mundo de coisas e situações diversas, todavia, estas coisas estão no mundo externo, e para aprendermos devemos nos apropriar, internalizar este mundo.

Grosso modo, o conhecimento sempre parte do externo para o interno, e o indivíduo ao se apropriar do objeto do conhecimento, retorna a ele – agora o compreendendo em seu modo mais amplo – com uma nova e mais desenvolvida forma psíquica e basilar para futuros conhecimentos mais avançados.

Analisemos o processo da aprendizagem da fala de uma criança. Antes da criança pequena começar a falar as primeiras palavras, a linguagem já existia independentemente dela. A criança nasce numa cultura já “pronta” e seu desenvolvimento requer uma apropriação desta cultura.

A linguagem, portanto, existe fora dela, externamente a ela. Deve por conseguinte internalizar este código de comunicação paulatinamente, aos poucos.

A criança no início da fala não sabe o significado da palavra – a sua essência – ela apenas está aprendendo sua sonoridade. Ao aprender a pronunciar determinada palavra, o psiquismo da criança ganha uma forma mais desenvolvida que possibilitará à ela aprender outra nova palavra, e assim por diante, mas sempre apoiada em uma base biológica que permite este desenvolvimento acontecer.
O método para estudar

Como então aplicamos a presente análise nos estudos em si e por conseguinte ter a certeza de que estamos estudando da maneira correta? Para aplicarmos o método, devemos usar como analogia a aprendizagem da criança.

Pensemos num conteúdo específico de química, matemática – que ainda não o sabemos e que é um tipo de conhecimento avançado – ou um texto de filosofia super complexo. Devemos ter a consciência, a priori, que não há possibilidade de aprender tais conteúdos de forma imediata, da mesma maneira que o bebê não começa conjugando os verbos ou fazendo concordância nominal.

Primeiro ele parte do simples, conteúdo este pelo qual seu psiquismo está apto a aprendê-lo no momento.

Para isso servem as aulas e por isso é importante assistir às aulas. O professor nada mais é que um facilitador e auxiliador no processo da aprendizagem. Mas quem estuda e deve estudar é o próprio indivíduo.

Vejamos o seguinte exemplo para compreendermos o método de estudo.

O aluno se depara com um texto específico de filosofia, o qual contém uma linguagem super avançada. Naturalmente, na primeira vez que o aluno ler o texto, não irá entender praticamente nada do que está ali escrito. Entretanto, ao assistir à aula sobre o conteúdo em si, o professor terá facilitado parcialmente a compreensão do presente texto.

Na próxima vez em que o aluno retornar ao texto de filosofia, ele terá – através da aula do professor – ganho uma nova forma de conhecimento que servirá de base para uma melhor compreensão do conteúdo, melhorando paulatinamente o entendimento da leitura.

Aplicando o método

O método para estudar pode ser sintetizado na seguinte linha de pensamento: antes da aula, é imprescindível que o aluno leia e estude; por mais que o mesmo não entenda nada do conteúdo.

Logo, após a explicação da aula, o aluno deve retornar a ler e estudar o conteúdo – desta vez o compreendendo mais – por conta e através da explicação do professor. Por conseguinte, o aluno deve repetir este processo sucessivamente, criando novas formas basilares de pensamento que o possibilitará a apropriar-se de novos aprendizados e de novos conteúdos mais avançados.

O método para estudar, portanto, se encontra neste processo dialético da apropriação de novos conteúdos. Aprendendo num determinado nível de complexidade, deve-se partir para o próximo e assim consecutivamente.

Por que o maior escritor do Brasil parou de escrever?

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Escritor Raduan Nassar, vencedor do prêmio Camões 2016 - RICARDO BASTOS/FOLHAPRESS

Escritor Raduan Nassar, vencedor do prêmio Camões 2016 – RICARDO BASTOS/FOLHAPRESS

 

Publicado no Jornal Cruzeiro do Sul

Título original: Revista ‘The New Yorker’ publica entrevista com escritor Raduan Nassar

A revista “The New Yorker” publicou no sábado (21), em seu site, um perfil do escritor Raduan Nassar, sob o título “Why Brazil’s Gretatest Writer Stopped Writing” (por que o maior escritor do Brasil parou de escrever).

No texto, Alejandro Chacoff, que mora no Rio e é jornalista da revista “piauí”, repassa a trajetória de Raduan e relata a conversa com o autor dos romances “Lavoura Arcaica” e “Um Copo de Cólera”, que foram traduzidos para o inglês recentemente pela primeira vez.

É uma rara ocasião em que o escritor de 81 anos se deixa entrevistar -no texto, Chacoff recorda que foi em uma entrevista à Folha de S.Paulo, em 1984, que Raduan comunicou que abandonaria a literatura.

Na ocasião, Raduan já havia recebido a aclamação pelos seus dois livros. Ele declarou a Augusto Massi e a Mario Sabino, do suplemento dominical “Folhetim”, que a literatura era uma paixão que se havia esgotado e que naquele momento estava interessado mais interessado em assuntos rurais.

“Minha cabeça hoje fervilha com outras coisas, ando às voltas com agricultura e pecuária, procurando me enfronhar sobre tratores, implementos, formação de pastos, tipos de capim, braquiária, pangola, setária, humidícula etc., tudo isso que, com perdão da autocitação, nada tem a ver com o ‘pasto das ideias’. A menos que me engane.”

Aparentemente, porém, a afirmação do escritor não foi tomada ao pé da letra; o título da reportagem da Folha de S.Paulo não destacava o abandono, que ficou claro quando o escritor, de fato, se retirou da vida literária.

SILÊNCIO

Desde então, Raduan Nassar se expôs muito pouco também à vida pública, de modo geral, falando com a imprensa raras vezes, quase sempre em breves declarações.

Mesmo ao ganhar o principal prêmio da literatura em língua portuguesa, o Camões, em maio de 2016, não quis dar entrevista, limitando-se a exclamar: “Eu não entendi esse prêmio, minha obra é um livro e meio!”

Tampouco deu entrevistas quando lançou sua obra completa, em outubro de 2016 -o volume incluía um ensaio e dois contos avulsos, até então inéditos.

O livro fazia parte das comemorações de 30 anos da Companhia das Letras, que publica sua obra, e o autor surpreendeu os leitores ao aparecer num dos eventos comemorativos do aniversário. Subiu ao palco para receber um prêmio dado pela editora, mas não disse uma palavra.

Raduan Nassar viveu de sua fazenda até se aposentar também desse ofício e mudar-se para São Paulo. Ele doou as terras à Universidade Federal de São Carlos em 2011, com a condição de que elas servissem a um novo campus que facilitasse o acesso de estudantes de comunidades rurais, como conta Chacoff no texto publicado na revista norte-americana.

Chacoff relata o temor de Raduan de ver essas terras privatizadas pelo governo. O texto frisa a convicção do escritor de que o impeachment de Dilma Rousseff foi golpe -durante o processo, Raduan se manifestou publicamente e chegou a discursar a favor de Dilma em Brasília e a publicar um artigo na Folha de S.Paulo.

O autor do perfil tenta, ao final, prover a explicação que o título do texto encerra.

“Em encontros anteriores”, escreve Chacoff, “eu havia hesitado em fazer a pergunta óbvia -‘Por que você parou de escrever?’- dizendo-me que era uma estratégia para deixá-lo à vontade”.

Certa tarde, conta ele, sentiu abertura, e viu que Raduan considerava a questão com cuidado. “Por um momento, nos sentamos um de frente para o outro em silêncio. Então ele olhou ao longe e disse: ‘Quem sabe? Eu realmente não sei’.”

Confira a reportagem na íntegra aqui. 

(Folhapress)

A educação como privilégio de classe

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Alunos realizam simulados para o Enem em uma escola pública da Bahia. Suami Dias GOVBA

Alunos realizam simulados para o Enem em uma escola pública da Bahia. Suami Dias GOVBA

 

O que o governo Temer pretende com a PEC 241 é dificultar ainda mais o acesso ao ensino superior

Luiz Ruffato, no El País

Em 2007, o escritor Raduan Nassar – autor da obra-prima Lavoura Arcaica – tentou doar sua fazenda Lagoa do Sino, situada em Buri, interior de São Paulo, para a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), com uma única condição: a de que as terras, transformadas em campus universitário, fossem utilizadas para propiciar acesso a jovens sem poder aquisitivo, incluindo filhos de trabalhadores rurais, negros e indígenas. A doação incluía mais de 3.500 m² de área construída, três pivôs centrais de irrigação, quatro silos armazenadores, dois secadores de grãos, sistema de secagem a gás, maquinaria (colheitadeira, tratores, pulverizadores), e muitos outros implementos. O estado São Paulo, à época governado por José Serra, rejeitou a oferta.

Três anos depois, Raduan Nassar conseguiu efetivar a doação para o governo federal, então sob o comando de Luiz Inácio Lula da Silva – hoje a fazenda pertence à Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e vem cumprindo seu objetivo de democratização do ingresso no ensino superior. No entanto, o campus corre agora o risco de ser privatizado ou fechado por conta do estrangulamento de recursos, caso seja aprovada, em definitivo, a PEC 241, em discussão no Senado após tramitar pela Câmara dos Deputados. Se isso ocorrer, o escritor deixou claro que abrirá litígio contra a União por ver frontalmente contrariado o objetivo da doação.

A rara atitude de Raduan Nassar, de desprendimento pessoal e visão de coletividade, se notabiliza ainda mais quando nos sabemos mergulhados em uma sociedade doentiamente egoísta e individualista, que enxerga no próximo alguém a ser explorado ou confrontado, nunca aquele com quem possamos partilhar algo. Mas, infelizmente, a ação contrária, que se desenha em um horizonte próximo, de manter a educação não como direito, mas como privilégio de classe, não é novidade para os que agora estão no poder. O presidente não eleito, Michel Temer, apenas sistematiza o pensamento corrente da elite paulista (não por coincidência também elite tucana), que, acima de partidos, defende interesses ideológicos.

O sistema de cotas em universidades estaduais para alunos provenientes de escolas públicas existe no estado do Rio de Janeiro desde 2000 – no ano seguinte, estabeleceu-se também o critério de cotas raciais para negros ou pardos, adotadas por outros estados ao longo da primeira década do século XXI, incluindo cotas para indígenas. A partir de 2003, as universidades federais também instituíram pouco a pouco os sistemas de cotas, atualmente vigentes em todas elas, além de abolir o vestibular na maioria das instituições, substituído pelo resultado da prova do Enem, submetidas as vagas ao Sistema de Seleção Unificada (SISU). Mas não o estado de São Paulo, comandado pelos tucanos desde 1995, há 21 anos, portanto.

São Paulo possui três sistemas públicos de ensino superior – e apenas a Unesp, com campus espalhados por 24 cidades e oferta de cerca de 7 mil vagas, possui cotas para alunos provenientes de escolas públicas (45% do total), sendo que, destas, 35% são reservadas para negros, pardos ou indígenas, processo iniciado em 2014. As outras duas universidades, USP e Unicamp, permanecem alheias aos sistemas de cotas. Somente a partir do ano passado, a USP passou a disponibilizar parte de suas 11 mil vagas ao ingresso por meio do SISU. Para o próximo ano, serão 2,3 mil vagas, sendo 1,1 mil vagas para alunos vindos de escolas públicas e 586 para autodeclarados negros, pardos ou indígenas.

No entanto, quando observamos de perto esses números – já bastante modestos, 21% do total – nos deparamos com a mentalidade classista do processo: das 2,3 vagas a serem preenchidas pelo resultado da prova do Enem, mais da metade (1,2 mil) são destinadas às Humanidades – só a área de Letras absorve 252 candidatos. E as vagas para quem se autodeclarar negro, pardo ou indígena concentram-se em cursos como Pedagogia, Letras, Ciências Sociais, Filosofia, História, Geografia e licenciaturas em Ciências da Natureza e Matemática (322 vagas, 55% do total). Ou seja, aquelas carreiras pelas quais nossa elite, de forma equivocada, possui verdadeiro desprezo, pois destinam-se à formação de professores.

Outros cursos, considerados mais “nobres”, mantêm-se redutos exclusivos. Por exemplo, as várias engenharias oferecem um total de 1892 vagas, das quais 175 pelo SISU (9%) e 5 (sim, cinco!) para quem se autodeclarar negro, pardo ou indígena – enquanto nos cursos de Medicina, de um total de 275 vagas, apenas 10 são oferecidas pelo SISU e nenhuma para negros, pardos ou indígenas. Já a Unicamp, que possui outras 3,3 mil vagas, não participa diretamente do SISU e nem possui sistema de cotas – oferece bônus para alunos oriundos de escolas públicas e para quem se autodeclara negro, pardo ou indígena.

As universidades públicas brasileiras sempre foram espaço reservado para formação da nossa elite econômica, que também o é intelectual e politicamente. O panorama mudou um pouco com os sistemas de inclusão social – cotas para alunos oriundos de escolas públicas (em geral pobres) e para negros, pardos e indígenas. Mudou um pouco, repito, porque a grande massa de jovens pobres – seja de que etnia for – ainda tem que pagar para estudar em escolas privadas, em geral de péssima qualidade. Mas o que o governo Temer pretende com a PEC 241 é dificultar ainda mais o acesso ao ensino superior, realizando o desejo da nossa sociedade, que, como afirmou o ex-secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, defende a manutenção da pobreza para que continuem existindo cozinheiras, faxineiras, lavadeiras – ou, em outras palavras, para que subsista um exército de mão de obra disponível para o usufruto da casa grande.

Caminhos para combater a intolerância literária no Brasil

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É um absurdo completo a não obrigatoriedade de livros literários para o Enem. Ou para qualquer vestibular

Afonso Borges, em O Globo

O tema da redação do Enem foi estimulante: “caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”. Para escrever sobre este assunto, os alunos precisam de uma coisa só: terem lidos livros. E será que isso foi feito? Querem apostar que a internet vai ficar recheada de teorias conspiratórias sobre a questão das igrejas evangélicas, eletrônicas e, principalmente, sobre os atentados terroristas?

É um absurdo completo a não obrigatoriedade de livros literários para o Enem. Ou para qualquer vestibular. Ou para qualquer prova classificatória para o ensino superior. Dou aqui sete motivos:

1. Muita gente tem birra da palavra “obrigatório”, aqui mal utilizada. A palavra certa deveria ser “selecionado”. E pronto. Normalmente, são dez livros. E é pouco. Só dez livros que devem ser lidos no curso de um ano, até a data de realização da prova. É pouco;

2. A maioria dos opositores à lista obrigatória alega que ninguém deve ser obrigado a nada. Esta teoria é covarde, porque transfere para um amigo imaginário, bem infantil, a eleição dos títulos que devem ser lidos para a prova do Enem. E pior: tira a responsabilidade do professor, em especial de literatura, de criar um método inteligente de abordagem e análise dos livros selecionados;

3. Está provado e comprovado que a lista de livros para o vestibular aumenta o índice de leitura no país. Muito a contragosto, os estudantes têm que ler. E quem lê, mesmo que obrigado neste momento, tem uma grande, imensa chance de ler outros, por vontade própria;

4. Vamos falar da literatura brasileira. A lista de livros para o vestibular é, tradicionalmente, um tremendo apoio aos autores brasileiros. Tem a lista dos clássicos, claro, sempre cai Machado de Assis, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Fernando Sabino, Rubem Braga. Mas a lista sempre inclui autores novos, e isso é um estímulo às vendas, ao mercado e à popularidade destes autores;

5. Para fazer o Enem não é necessário ler livro algum. Eles defendem a generalidade, que o estudante leia de tudo um pouco, porque pode cair qualquer coisa. Mas que teoria é esta? Se pode cair qualquer coisa, de preferência, o estudante não lê nada. Quando existe uma lista, existe critério, método, pesquisa e análise. Quando existe uma lista, cria-se um hábito. O estudante tem que ler estes dez livros;

6. Vamos falar dos critérios de escolhas dos livros. Olhem para o passado, vejam as listas. São todas, todas, ÓTIMAS. Os clássicos estão ali, mas sempre tem um Carlos Herculano Lopes, uma Lya Luft, um Moacyr Scliar, um Antonio Torres, um Luis Giffoni. Sem a lista, o que temos? Nada. Simplesmente nada. É a vitória da ausência de critério, da ausência de método, da frivolidade irresponsável com que o governo e o Ministério da Educação têm tratado a questão do livro nos últimos anos. Vai ver que é por isso que o governo parou de comprar livros para o ensino básico, coisa que vem sendo feita desde os tempos de Getúlio Vargas. Enfim, parei. Ah, falta o sétimo. O sétimo é cabal: a lista de livros obrigatórios formou leitores que, infelizmente — ou não —, começaram ali a sua vivência literária. Aqui é o Brasil, amigos, lembrem-se disso.

E fica aqui a minha sugestão para o tema de redação do ano que vem: “caminhos para combater a intolerância literária no Brasil”.

Afonso Borges é escritor e produtor cultural

A difícil tarefa de ler um livro na era das distrações

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Camile Carvalho no Vida Minimalista

Estudo Jornalismo, e em uma das disciplinas – Jornalismo e Internet – sempre levantamos a questão do formato de texto para a web. “Tem que ser texto curto, com mais imagens, interativo“, afirma o professor que trabalha em um grande jornal, quando nos explica sobre o comportamento do novo leitor de internet. Não adianta escrever muito, no jornal online precisamos de textos curtos ou o leitor sairá da página.

Estamos na era da informação (ou seria da distração?), e a forma de comunicação tem mudado a cada dia. Fica até difícil acompanharmos toda essa transformação e claro, arriscar analisar uma situação em mudança é um tanto leviano pelo simples fato de que períodos históricos são melhores analisados quando nos afastamos dele. Mas, uma coisa é certa: estamos tão sobrecarregados de informação – nunca na história da humanidade tivemos tantas possibilidades – que parecemos uma formiga no açucareiro. Queremos apanhar o mundo com apenas duas mãos.

A questão é, em que tipo de leitor estamos nos transformando? Hermano Freitas, em seu perfil do Medium, traduziu recentemente um texto de Hugh McGuire sobre por que não conseguimos mais ler. McGuire fala sobre como as distrações digitais, como por exemplo checar email a cada 10 minutos e conferir o twitter, nos dá uma sensação de prazer causada pela liberação de dopamina, hormônio responsável pela sensação de bem-estar e felicidade. Assim, ler um livro físico – ou qualquer texto grande – de forma contínua, nos faria sentir falta dessa sensação de checar se chegou alguma mensagem importante, o que nos faz parar de tempos em tempos para buscar mais uma dose, mesmo que não tenha nada novo nas nossas redes sociais.

Segundo McGuire,

“aprender a ler livros de novo” pode ser também uma forma de libertar minha mente destes detritos digitais empapados de dopamina, deste tsunami de informações digitais sem objetivo, algo que teria um benefício duplo: leria livros de novo e recuperaria minha mente.

Insistir na leitura, portanto, seria como uma meditação. Seria como livrar nossa mente das distrações externas e, mais que isso, lutar contra o fluxo da busca incessante de prazer em outras atividades. Claro, há quem fique completamente confortável durante uma leitura longa, não podemos generalizar, mas o que vem acontecendo com as novas tecnologias é que pegar um livro em papel com longos blocos de texto está competindo com estímulos provocados pelos meios digitais.

A questão é, será que o antídoto para tantas distrações e buscas por prazer em pequenas gotas de informação seria uma leitura mais consistente de um livro físico? Será que o livro digital também nos traria essa atenção plena ou se encaixaria no esquema das distrações digitais? A resposta eu não sei, mas por via das dúvidas, deixarei um clássico na minha cabeceira.

E você, como lida com as distrações? Consegue sentar-se calmamente e ler um bom livro ou fica distraído checando as redes sociais e interrompendo a leitura?

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