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Você compra mais livros do que consegue ler? Esta palavra te define

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(Foto: Flickr/ABC Open Riverland)

(Foto: Flickr/ABC Open Riverland)

 

Publicado na Galileu

Você não resiste a uma livraria. Mesmo sabendo que já tem vários livros ainda não lidos em casa, entra mesmo assim e sai com novas aquisições. Ou faz o mesmo na internet ao receber um e-mail avisando que alguns livros do assunto pelo qual você tem interesse estão em promoção. Resultado: você tem uma pilha de leituras muito maior do que realmente consegue ler.

Quem é apaixonado por livros provavelmente se identifica com a situação descrita acima. Isso acontece tanto que existem, inclusive, grupos de apoio sobre o assunto em redes sociais voltadas para leitores, como o Goodreads, por exemplo.

Existe ainda uma palavra em japonês que define a sensação já bem conhecida por leitores e compradores ávidos de livros: tsundoku.Trata-se do hábito de comprar materiais de leitura e deixá-los em uma pilha sem nunca serem livros. Em entrevista ao Quartz, o professor de japonês Sahoko Ichikawa, da Universidade Cornell, dos Estados Unidos, explicou que o termo teve origem no século 19 e que “tsunde” significa empilhar coisas e “oku”, deixá-las de lado por um tempo.

Poder da leitura
A ciência estuda a influência que os livros que de fato são lidos têm em seus leitores. Um levantamento recente mostra, por exemplo, que ler Harry Potter faz com que fãs lidem melhor com a morte. Já um estudo publicado no periódico Social Science and Medicine afirma que ler regularmente pode aumentar sua expectativa de vida.

A mania de acumular livros não lidos tem um nome. Em japonês

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Hipótese de que a popularização de leitores digitais acabariam com o acúmulo de livros físicos não se concretizou

Hipótese de que a popularização de leitores digitais acabariam com o acúmulo de livros físicos não se concretizou – Foto: Giulia van Pelt/Creative Commons

 

‘Tsundoku’ foi o nome dado à prática de comprar livros e mantê-los intactos nas estantes de casa

Juliana Domingos de Lima, no Nexo

O hábito de comprar livros que nunca serão lidos e acumulá-los em pilhas é familiar para quem gosta de ler. E há uma única palavra, em japonês, para designar a prática: tsundoku.

Na verdade, o substantivo é um jogo de palavras. “Tsundoku” corresponde à forma oral do verbo “tsunde oku”, que quer dizer “empilhar e deixar de lado por um tempo”. Mas “doku”, palavra expressa por um ideograma, corresponde ao verbo ler. Assim, criou-se uma nova palavra, cujo sentido é a aquisição de materiais de leitura que acabam empilhados, sem nunca serem lidos.

A ilustradora Ella Frances Sanders chegou a criar uma imagem para o vocábulo japonês, em seu livro “Lost in Translation: An Illustrated Compendium of Untranslatable Words from Around the World”.

Ella Frances Sanders ilustrou palavras intraduzíveis para outras línguas - Foto: Reprodução

Ella Frances Sanders ilustrou palavras intraduzíveis para outras línguas – Foto: Reprodução

 

A hipótese de que a popularização de leitores digitais (como Kindle e Kobo) acabariam com o acúmulo de livros físicos ainda não se concretizou – ao que tudo indica, pessoas gostam de juntar papel.

Segundo uma pesquisa do instituto Pew Research Center publicada em setembro de 2016, os livros de papel continuam a ser mais populares que o formato digital nos Estados Unidos.

2,71

bilhões de livros físicos foram vendidos nos EUA só em 2015, segundo o portal “Statista”, especializado em dados

255

milhões de livros físicos foram vendidos no mercado brasileiro em 2015 de acordo com a Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro

Entre as razões que podem explicar por que algumas pessoas continuam comprando livros mesmo quando ainda há outros já empilhados para serem lidos há o status. Possuir muitos livros pode conferir aparência de conhecimento a alguém.

Há ainda outros motivos possíveis, citados pelo site “Ozy”. Às vezes, colecionadores os adquirem por nostalgia – lidos na infância ou adolescência, os livros podem passar a simbolizar um período da vida, diz Susan Benne, diretora executiva da Associação Americana de Livreiros de Antiquários.

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