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Veja livros e frases para conhecer Stephen Hawking

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Físico Stephen Hawking (Dan Kitwood / Equipa/Getty Images)

“Meu objetivo é simples. É ter uma compreensão completa do universo, por que ele é como é e por que existe“, chegou a dizer o cientista

Ana Prado, no Guia do Estudante

Considerada uma das mentes mais brilhantes do mundo, o cientista britânico Stephen Hawking morreu nesta quarta-feira (14), aos 76 anos. Curiosamente, ele nasceu no aniversário de 300 anos da morte de Galileu (8 de janeiro de 1942) e morreu no aniversário de Albert Einstein, nascido há exatos 139 anos.

Hawking superou em mais de 5 décadas a expectativa de vida que os médicos lhe haviam dado aos 21, quando o diagnosticaram com esclerose lateral amiotrófica (ELA) e lhe disseram que viveria mais alguns poucos anos. A doença paralisou os músculos do seu corpo, mas não comprometeu suas funções cerebrais – nem sua vontade de compreender o universo.

“Meu objetivo é simples. É ter uma compreensão completa do universo, por que ele é como é e por que existe“, disse ele em uma entrevista em 1985.

Na verdade, Hawking não queria “apenas” entender o universo. Ele também trabalhou para tornar o conhecimento que possuía acessível a todos, como provam os vários livros que escreveu. A linguagem era tão simples e fluida que fazia com que coisas complexas como a teoria da relatividade parecessem simples.

Abaixo, separamos algumas das nossas frases preferidas do cientista. E, depois, você encontrará uma lista com alguns dos seus livros para poder mergulhar mais fundo no seu pensamento.

“Uma das regras básicas do universo é que nada é perfeito. perfeição simplesmente não existe. Sem imperfeição, nem você nem eu existiríamos”.

Into The Universe with Stephen Hawking (2010)

A vida seria trágica se não fosse engraçada.

Entrevista ao The New York Times Magazine, 2004

“Nós somos apenas uma raça avançada de macacos em um pequeno planeta, mas nós podemos entender o universo. isso faz de nós seres especiais”.

Entrevista à revista Der Spiegel, 1988

Um, lembre-se de olhar para as estrelas e não para os seus pés. Dois, nunca desista do trabalho. O trabalho lhe dá sentido e propósito e a vida está vazia sem ele. Três, se você tiver a sorte de encontrar amor, lembre-se de que ele está lá e não o jogue fora “.

Entrevista a Diane Sawyer/ABC News, junho de 2010

Minhas expectativas foram reduzidas a zero quando eu tinha 21 anos. Tudo desde então foi um bônus”.

Entrevista ao New York Times, dezembro de 2004

Eu não tenho ideia [de qual é o seu Q.I.]. Pessoas que se vangloriam do I.Q. são perdedoras “.

Entrevista ao New York Times, dezembro de 2004

Nasci no dia 8 de janeiro de 1942, exatos trezentos anos após a morte de Galileu. Calculo, porém, que cerca de duzentos mil outros bebês também nasceram naquele dia e não sei se algum deles posteriormente se interessou por astronomia.”

Minha Breve História (2013)

“Acredito que pessoas com deficiências devem se concentrar nas coisas que a desvantagem não as impede de fazer, e não lamentar as que são incapazes de realizar.”
Minha Breve História (2013)

Livros escritos por Stephen Hawking

Uma Breve história do Tempo (lançado originalmente em 1988)
Editora Intrínseca
No livro, que se tornou um best-seller, Stephen Hawking discute algumas das maiores dúvidas da humanidade: Qual a origem do universo? E o tempo? Sempre existiu, ou houve um começo e haverá um fim? Existem outras dimensões? O que vai acontecer quando tudo terminar?

O Universo numa Casca de Noz (lançado originalmente em 2001)
Editora Intrínseca
Com a ajuda de ilustrações, fotos e esquemas detalhados, Hawking explica grandes descobertas no campo da física teórica de um jeito amigável e bem-humorado.

Minha Breve História (2013)
Editora Intrínseca
Diferentemente dos outros livros, aqui Hawking conta a sua própria história, desde a infância em Londres no pós-guerra até o reconhecimento científico internacional, incluindo os desafios que precisou enfrentar após ser diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica aos 21 anos. Tudo com bom humor, como era a sua marca.

7 livros essenciais para quem é apaixonado por mitologia

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Giuliana Viggiano, na Galileu

Com o passar dos séculos, cada sociedade criou um jeito próprio de viver — e sobreviver. Uma dessas maneiras é a mitologia, que ajudou os povos a entenderem a vida, os fenômenos e o significado de tudo. Muitos anos depois, a humanidade olha para o passado com interesse e curiosidade.

Se você é uma dessas pessoas que quer entender melhor o que fomos — e o que somos — os livros dessa lista são uma boa pedida. Confira:

A História da Mitologia para Quem Tem Pressa, de Mark Daniels (Editora Valentina, 200 páginas, R$ 22,90)
Curtinho e de fácil leitura, A História da Mitologia para Quem Tem Pressa traz uma visão rápida sobre algumas das mitologias mais importantes, como a egípcia, a nórdica e a grega. Ideal para quem quer saber um pouquinho de tudo.

Mitologia Nórdica, de Neil Gaiman (Intrínseca, 188 páginas, preço sob consulta)
O livro foi lançado recentemente por Gaiman e já é um sucesso. O autor, que tem um dom especial para criar histórias que envolvem mitologia, reuniu 15 contos que explicam o que existe além de Thor e Loki na mitologia nórdica.

Mitologia dos Orixás, de Reginaldo Prandi (Companhia das Letras, 624 páginas, R$70)
Em 301 relatos e histórias mitológicas, Reginaldo Prandi explica o que são e como vivem esses deuses africanos tão importantes para a formação da cultura brasileira.

Tudo o Que Precisamos Saber Mas Nunca Aprendemos sobre Mitologia, de Kenneth C. Davis (Difel, 728 páginas, preço sob consulta)
Essencial para quem deseja descobrir um pouco sobre todos os povos do mundo. Vai muito além dos mitos gregos e romanos, passando pela Índia, pela Mesopotâmia, entre outras culturas.

As Melhores Histórias da Mitologia Japonesa, de Carmen Seganfredo (Artes e Ofícios, 205 páginas, R$40)
Em 23 contos, a autora Carmen Seganfredo conta as bases da mitologia japonesa, desde a origem do mundo até suas faces mais terríveis.

Mitos Clássicos, de Jenny March (Galerinha Record, 560 páginas, preço sob consulta)
As histórias mais famosas — e imperdíveis — das mitologias grega e romana estão reunidas em Mitos Clássicos. O livro ideal para quem quer entender um pouco mais sobre a fascinante cultura desta parte do mundo.

As Mais Originais Histórias da Mitologia Galesa, de Carmen Seganfredo (Artes e Ofício, 264 páginas, R$35)
As lendas presentes nessa coletânea são algumas das mais divertidas e originais histórias de mitologia. O livro teve por base muito do Mabinogion, coletânea de manuscritos do galês medieval, traduzido por Lady Charlotte Guest.

10 livros para ler num domingo de manhã

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Filipe Larêdo, no Papo de Homem

Domingo de manhã. Sete horas. Apesar de todo o cansaço que a rotina semanal de trabalho lhe trouxe, você não consegue continuar dormindo. Sendo casado, olha pro lado e percebe que sua companheira – ou seu companheiro – não está nem perto de querer se despertar. Sendo solteiro, não tem coragem de acordar seus amigos com um telefonema tão cedo. Assim, o domingo de manhã lhe envolve em seus feitiços silenciosos e tranquilos, fazendo com que você não sinta mais vontade de fazer mais nada. E eis que surge uma excelente oportunidade de ler.

Sim. Uma boa leitura num domingo de manhã é algo inestimável na vida de um mortal que quer curtir seu dia deitado, sentado, em pé ou de qualquer forma que seu corpo desejar, contanto que seja na frente de um livro.

E para deixar esse dia tão especial, separamos algumas excelentes leituras para se fazer num domingo de manhã. Todos são ótimos livros e certamente poderão ser lidos numa tacada só, às vezes por serem curtos ou por terem uma ótima fluidez.

Preparados?

A Pérola (John Steinbeck – Record, 128 páginas)

John Steinbeck, A Pérola

Ganhador do Prêmio Nobel de 1962, esse autor americano ficou conhecido por suas tramas simples, mas marcantes e intensas.

Em A Pérola, Steinbeck apresenta ao leitor um casal de pescadores que descobre a maior pérola do mundo no litoral do México.

Tamanha riqueza desperta neles e em seu povoado sentimentos vis como a inveja, a ira e o egoísmo. A história se desenrola em cima do mito da sorte grande, porém vai muito mais além, usando metáforas morais que levam o leitor a se questionar se tudo aquilo vale realmente a pena.

O livro foi adaptado para o cinema em 1946 e contou com a ajuda do próprio Steinbeck no roteiro. Na tevê brasileira, coube a Dias Gomes fazer a adaptação.

O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry – Agir, 96 páginas)

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“O quê? Um livro infantil?”. Respondo que sim, senhores, O Pequeno Príncipe é um livro infantil tão fascinante, que deve ser lido por todos, inclusive adultos. Isso porque ele transporta o leitor para o mistério da infância, para uma época que os sonhos se misturavam com a realidade constantemente.

De leitura ágil e sensível, é uma obra que comoveu milhões de pessoas de diversas nações em todos os continentes. Até hoje ela continua sendo uma referência em literatura e o fato de ter sido traduzida para mais de oitenta línguas é uma prova disso.

E se você não tem esse livro em casa – o que eu acho difícil –, ficará impressionado com a facilidade que terá de encontrar em qualquer livraria ou sebo perto da sua casa.

Leitura perfeita para um domingo de manhã.

Bartleby, o Escriturário: uma história de Wall Street (Herman Melville – L&PM Pocket, 96 páginas)

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Para aqueles que estão um pouco insatisfeitos com a rotina de trabalho e não sabem o que fazer, essa pode, ou não, ser uma boa receita literária. Tudo porque a história começa quando um bem-sucedido advogado contrata Bartleby como auxiliar de escritório.

Muito solícito e proativo, ele tem todas as qualidades de um funcionário modelo. Mas tudo mudo quando, do dia pra noite, ele resolve responder a um pedido do chefe com um desconcertante “prefiro não fazer”.

Essa insubordinação com o chefe foi aclamado por intelectuais como Albert Camus e Jorge Luis Borges, que a consideraram como uma metáfora iconoclasta de destruição das morais do mundo, principalmente aquelas construídas dentro de uma realidade sistemática que é a dos tempos modernos.

A festa de Babette (Karen Blixen – Cosac Naify, 64 páginas)

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Um livro cuja adaptação cinematográfica ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro (1988) só pode ter uma qualidade digna de recomendação.

Fugitiva do massacre à Comuna de Paris em 1871, Babette aparece misteriosamente num vilarejo na costa da Noruega, durante uma noite de tempestade. Em troca de abrigo, ela oferece seus serviços de cozinheira para duas irmãs protestantes, que prontamente aceitam.

Acontece que um dia, Babette ganha uma bolada na loteria e, em vez de deixar pra trás aquelas que a acolheram, prefere organizar um suntuoso banquete em homenagem ao pai das benfeitoras, um respeitado pastor puritano.

Lisístrata: A greve do Sexo (Aristófanes – L&PM pocket, 128 páginas)

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Cansadas das guerras e sem nenhuma representação na política ateniense, as mulheres decidem fazer a única coisa que está ao seu alcance para acabar com os conflitos na Grécia do séxulo V a.C.: recusam-se a fazer sexo com seus maridos. E declaram que vão permanecer com essa postura até que seja assinado um tratado de paz.

Que coisa, não?

Em forma de teatro, essa comédia apresenta a heroína Lisístrata, líder da revolta feminina, que comanda as mulheres contra a destruição que vem sendo feito pelos homens. De caráter pacifista, é uma obra que merece ser lida.

A Arte de Produzir Efeito sem Causa (Lourenço Mutarelli – Companhia das letras, 208 páginas)

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Como já é de seu estilo, Mutarelli não perde tempo com cenas desnecessárias e imprime um ritmo rápido e alucinante em suas narrativas. E é esse o caso de A arte de produzir efeito sem causa.

Com diálogos longos e intensos, o livro conta a história do infeliz Júnior, que depois de abandonar o emprego e o casamento, pede abrigo ao pai. Sem ânimo para recomeçar, passa os dias no sofá da sala, no bar onde bebe com seus antigos amigos desocupados ou nas conversas com Bruna, uma bela estudante que também mora no apartamento do pai.

Rapidamente o leitor vai penetrando na consciência distorcida de Júnior e descobre que o personagem está no limite de sua própria sanidade.

Como se Preocupar Menos com Dinheiro (John Armstrong – Objetiva, 168 páginas)

como se preocupar menos com dinheiro

Dinheiro é um negócio complicado. Normalmente, quanto mais temos, mais queremos ter, e nunca ficamos satisfeitos com o que conquistamos. Além disso, quando olhamos pro lado e vemos aquele antigo amigo da escola esbanjando sucesso financeiro, sentimos inveja e frustração. E é pra resolver esse problema que John Armstrong nos entrega o seu livro.

Diferente da maioria dos livros sobre o assunto, que insistem em indicar caminhos para ganhar mais e viver com menos, esse vai direto ao ponto e analisa a maneira como nos relacionamos com o dinheiro e qual o seu significado em nossas vidas.

Com uma perspectiva mais humana, que debate temos como a necessidade e o querer, o apego e o desapego, o livro é uma excelente indicação para aqueles que se preocupam demais com dinheiro e acordaram no domingo de manhã se perguntando sobre como resolver seus problemas financeiros.

A Metamorfose (Franz Kafka – Companhia das Letras, 104 páginas)

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Se sente estranho? Acordou bem nessa manhã de domingo? Tem certeza que não nasceu uma dura carapaça em suas costas?

Desculpem a brincadeira, caros leitores, mas a intenção era mostrar a sensação que Gregor Samsa teve ao acordar de um sono intranquilo e descobrir que havia se transformado num monstruoso inseto. No início, pensou que estivesse sonhando, mas aos poucos foi descobrindo que aquela condição ainda lhe traria muitos problemas.

A mais popular de todas as novelas de Kafka, A Metamorfose também é uma das mais importantes obras da história da literatura. Suas pitadas de humor associam o inverossímil ao trágico da existência humana e levam o leitor a uma obra-prima de um mestre da ficção universal.

Azul é a cor mais quente (Julie Maroh – Martins Fontes, 160 páginas)

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Infinitamente mais dramático que o filme, essa bande dessinée — como os franceses chamam os quadrinhos — traz o selo de qualidade que os quadrinhos feitos na França costumam receber. A obra impressa guarda algumas relações com sua versão cinematográfica, mas no fim, a experiência é completamente diferente.

Por meio de textos do diário de Clémentine — que no filme se chama Adèle –, vamos acompanhando seus passos, desde o primeiro encontro com Emma, uma jovem de cabelos azuis por quem se apaixona, até as primeiras descobertas, prazeres, tristezas e tragédias que essa relação reserva.

De sensibilidade aguda, a obra foi merecidamente premiada no Festival d’Angoulême, o mais respeitado evento de quadrinhos do mundo.

Um Copo de Cólera (Raduan Nassar – Companhia das Letras, 88 páginas)

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Um verdadeira clássico da literatura brasileira, esse livro sintetiza o estilo intenso e vibrante de Raduan Nassar.

Depois de uma noite de amor, o homem se irrita com as formigas que destroem sua cerca-viva, e a mulher brinca com o fato de seu amante querer destruir nervosamente o formigueiro. A partir daí o embate entre eles cresce em agressividade, levando-os a um ciclo de destruição e de recriação que se renova no final do livro.

Apesar de sua prosa complexa, com uma oralidade muito próxima da poética e longos períodos, seu ritmo é instigante do começo ao fim. Ao final das 88 páginas, o leitor terá a sensação que pode facilmente reiniciar a leitura, pois tudo volta de onde partiu.

Agora é esperar os domingos que virão e acordar mais cedo de propósito. Claro, temos espaço aberto para mais livros serem comentados aqui nos comentários.

Obs.: algumas capas são de outras editoras e outras possuem versões atualizadas. Ao correr atrás de um desses livros, vale verificar qual é a edição mais recente.

Tudo o que sempre quisemos saber sobre Hemingway e nunca tivemos coragem de perguntar

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O telegrama em que Academia Sueca comunica a Ernest Hemingway a atribuição do Prémio Nobel da Literatura, em Outubro de 1954 ERNEST HEMINGWAY PAPERS COLLECTION/MUSEUM ERNEST HEMINGWAY FINCA VIGÍA

O telegrama em que Academia Sueca comunica a Ernest Hemingway a atribuição do Prémio Nobel da Literatura, em Outubro de 1954
ERNEST HEMINGWAY PAPERS COLLECTION/MUSEUM ERNEST HEMINGWAY FINCA VIGÍA

Da receita do hambúrguer favorito do escritor ao telegrama em que Ingrid Bergman lhe dá os parabéns pelo Nobel da Literatura: 2.500 novos documentos estão agora disponíveis para consulta em Boston.

Inês Nadais, no Público

“Não há nenhuma razão para que um hambúrguer na sertã fique cinzento, gorduroso, fino como uma folha de papel e sem sabor. Podemos acrescentar todo o tipo de gulodices e sabores à carne picada – cogumelos cortados, molho cocktail, alho e cebola aos quadradinhos, amêndoas moídas, uma grande colher de Picalilli, ou o que quer que chame a nossa atenção. O ‘Papa’ prefere esta combinação.” Começa assim – e a isto segue-se uma lista de ingredientes que inclui duas colheres de sopa de alcaparras, outra de salva picada e um terço de chávena de vinho branco ou tinto – um dos documentos do espólio de Ernest Hemingway (“Papa”, para os que lhe foram verdadeiramente chegados) que a Biblioteca e Museu Presidencial John F. Kennedy, em Boston, pôs no início desta semana à disposição dos investigadores.

Ao todo, são 2.500 novas possibilidades de espreitar pelo buraco da fechadura para a vida de um escritor que se diz ter sido muito maior do que ela – incluindo, além da receita do seu hambúrguer favorito dactilografada pela sua última mulher, Mary, a factura do Buick Super Station Wagon que comprou em 1959 num stand automóvel em Key West, a licença de porte de arma emitida pelo Governo cubano nove anos antes, vários bilhetes de touradas a que assistiu em Espanha, e os telegramas em que Spencer Tracy, John Huston (“Grande, Papa, grande”) e Ingrid Bergman (“Afinal os suecos não são assim tão estúpidos”) o felicitam pela atribuição do Prémio Nobel da Literatura em 1954 (além do próprio telegrama em que a Academia Sueca lhe comunica a deliberação).

Armazenado durante décadas na cave da casa onde o escritor viveu entre 1939 e 1960 nos arredores de Havana – a Finca Vigía, em San Francisco de Paula –, o espólio que a Biblioteca e Museu Presidencial John F. Kennedy agora torna acessível depois de uma extensa operação de digitalização constitui a segunda parte da verdadeira arca do tesouro que Jenny Phillips, neta do editor Maxwell Perkins, ali encontrou praticamente ao abandono em 2001, juntamente com uma biblioteca pessoal de mais de nove mil livros anotados à mão, uma grafonola com um disco de Glenn Miller e várias garrafas abertas de Cinzano.

Em 2008, uma primeira remessa deste espólio inédito, reunindo cerca de três mil documentos (correspondência pessoal, diários, manuscritos originais) fora já colocada ao dispor dos estudiosos; desta vez, é sobretudo a memorabilia pessoal de Hemingway que se torna pública, pronta a segredar-nos tudo o que sempre quisemos saber sobre o autor de Por Quem Os Sinos Dobram (1940) e nunca tivemos coragem de perguntar.

Cartas, postais de Natal, telegramas, passaportes e outros documentos pessoais, facturas, contas da mercearia, da oficina, da livraria e do bar, notas de encomenda, receitas, anotações, extractos bancários – é todo um Hemingway de carne e osso, um Hemingway do dia-a-dia, que se revela, notava Tom Putman, o director da biblioteca, no comunicado distribuído à imprensa na passada terça-feira. “Congratulamo-nos por disponibilizar aos investigadores cópias destes materiais que permitem um vislumbre único do quotidiano de Hemingway. Tratando-se, como se trata, de uma figura literária frequentemente retratada como maior do que a vida, este acervo serve para humanizar o homem e para compreender o escritor”, acrescentava na mesma nota o responsável pela instituição norte-americana.

Deve-se sobretudo à Finca Vigía Foundation, que Jenny Phillips criou em 2002 para preservar o que Hemingway deixou para trás em Cuba e a sua viúva não pôde ou não quis trazer para os EUA, a preservação e a digitalização deste imenso espólio, feita em colaboração com o Conselho Nacional do Património Cultural de Cuba – tal como se deve a Jenny Phillips o restauro da casa onde Hemingway viveu a maior parte da sua vida, e da qual saiu em 1960 para uma viagem sem regresso (acabaria por suicidar-se em Julho de 1961 na sua casa de Ketchum, Idaho).

“Não há nenhuma verdadeira bomba [neste grupo de 2.500 novos documentos].  O valor que têm está na sua textura de quotidiano, na forma como compõem um retrato de Hemingway. Quando partiu de Cuba, ele não sabia que não ia voltar. Os seus sapatos ainda lá estão. É como se tivesse saído para voltar dentro de momentos”, apontou ao New York Times Sandra Spanier, que dirige o Hemingway Letters Project.

Foi na Finca Vigía, de resto, que Hemingway escreveu obras tão importantes para o cânone literário do século XX como Por Quem os Sinos Dobram e O Velho e o Mar (1952), além dos já póstumos Paris é uma Festa (1964), Ilhas na Corrente (1970), Verão Perigoso (1985), O Jardim do Éden (1986) e Verdade ao Amanhecer (1999).

Em Boston, esta nova remessa vem engrossar a Ernest Hemingway Collection da Biblioteca e Museu Presidencial John F. Kennedy, na qual estão depositados mais de 90 por cento dos materiais do espólio do escritor. Apesar de o escritor e o presidente assassinado em 1963 nunca terem chegado a conhecer-se pessoalmente – Kennedy convidou-o para a sua tomada de posse, mas Hemingway estava já demasiado doente para viajar –, a viúva do Nobel da Literatura quis agradecer com a doação iniciada em 1972 a intervenção da Casa Branca junto das autoridades cubanas logo após a morte do marido.

Estando então suspensas, na sequência da crise da Baía dos Porcos, as viagens entre Cuba e os EUA, o regime de Fidel aceitou o pedido de Kennedy para que Mary Hemingway pudesse deslocar-se a Havana e recolher documentos e bens pessoais do autor – em troca, o Governo cubano reclamou a Finca Vigía e o recheio remanescente, que agora começa a abrir-se ao mundo para que possamos finalmente saber que mesmo nos anos terminais em que a vida começava realmente a tornar-se mais pequena do que ele, Hemingway continuava a mandar vir de Nova Iorque azeitonas, caracóis franceses e sopa de tartaruga.

Passaporte norte-americano de Ernest Hemingway ERNEST HEMINGWAY PAPERS COLLECTION/MUSEUM ERNEST HEMINGWAY FINCA VIGÍA

Passaporte norte-americano de Ernest Hemingway
ERNEST HEMINGWAY PAPERS COLLECTION/MUSEUM ERNEST HEMINGWAY FINCA VIGÍA

Receita do hambúrguer favorito de Hemingway, dactilografada pela sua última mulher ERNEST HEMINGWAY PAPERS COLLECTION/MUSEUM ERNEST HEMINGWAY FINCA VIGÍA

Receita do hambúrguer favorito de Hemingway, dactilografada pela sua última mulher
ERNEST HEMINGWAY PAPERS COLLECTION/MUSEUM ERNEST HEMINGWAY FINCA VIGÍA

 

Forest Whitaker pode dirigir filme baseado no livro “A Cabana”

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Antônio Tinoco no Cinema em Cena

De acordo com o site da Variety, Forest Whitaker (O Mordomo da Casa Branca) está na fase final de negociações para dirigir, roteirizar e estrelar The Shack (“A Cabana”, em português). O filme será uma adaptação do best-seller homônimo de William P. Young, que vendeu mais de 10 milhões de cópias desde sua publicação (veja foto abaixo).

A história apresentará um homem cuja filha mais nova é sequestrada durante as férias familiares. A partir de evidências encontradas em uma cabana abandonada, as autoridades concluem que a menina foi assassinada. Anos depois, o pai recebe uma mensagem aparentemente de Deus que o convida a retornar ao local.

Whitaker tem experiência como diretor, pois assumiu a função em produções como Falando de Amor, Quando o Amor Acontece e A Filha do Presidente. Se as negociações derem certo, essa será a primeira vez que ele vai dirigir, roteirizar e estrelar um longa.

Ainda não há previsão para o início das filmagens de The Shack.

Recentemente, o ator foi cotado para se juntar a Liam Neeson (Fúria de Titãs 2) em Busca Implacável 3. Ele poderá ser visto nos cinemas ao lado de Christian Bale (O Grande Truque) e Woody Harrelson (Zumbilândia) em Tudo por Justiça, que estreia no dia 7 de março.

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