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The Witcher | Casting da série da Netflix começará em breve, revela showrunner no Twitter

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Lauren S. Hissrich explicou que vídeos devem acabar na internet

Arthur Eloi, no Omelete

A série de TV de The Witcher ainda vai demorar um pouco para chegar mas, internamente, o programa da Netflix continua avançando. Agora, a showrunner Lauren S. Hissrich divulgou no Twitter que a produção dará início ao processo de escolha dos atores em breve.

“É sexta a noite em Los Angeles e foi uma ótima semana para The Witcher, então… vamos falar sobre casting. Sim, eu disse a palavra mágica. O processo começará em breve e, não, não falarei quem são as escolhas principais então melhor nem perguntar. Mas há algo muito importante para vocês saberem.”

“Normalmente, quando se faz o casting de uma série, o diretor de elenco escolhe cenas específicas com personagens do piloto para os testes dos atores”, continuou explicando a produtora. “Porém, como vamos fazer um processo internacional (o que significa trocas de email e vídeos gravados pelos atores) e porque sabemos que a internet não guarda nenhum segredo, a equipe de roteiristas optou por criar cenas inéditas para nossos personagens principais.”

“Essas cenas foram criadas para ilustrar precisamente o tom, profundidade e ressonância emocional que precisaremos para Geralt e seus amigos… mas elas não tem spoilers! São livres para nós e para vocês, o que significa que se você passar a ver cenas de The Witcher na internet, elas provavelmente são reais. Mas não irão entregar nada das histórias que contaremos.”

“Vocês estão seguros. Por enquanto… E sim, o nome dele é Jaskier”, disse fazendo alusão ao nome original do poeta companheiro do bruxo, que teve seu nome mudado para Dandelion nos jogos da CD Projekt RED.

A sinopse oficial da série de TV diz: “O bruxo Geralt, um mutante caçador de monstros, luta para encontrar seu lugar em um mundo onde as pessoas provam com frequência serem mais perversas que as bestas.” O programa contará com oito episódios, gravados no leste e centro da Europa – principalmente na Polônia, país de origem da franquia.

A série terá produção executiva de Sean Daniel (Ben-Hur, A Múmia) e Jason Brown (The Expanse), com a produtora de efeitos especiais polonesa Platige Image, encabeçada por Tomek Baginski (A Catedral) e Jarek Sawko (The Fallen Art). Baginski dirigirá pelo menos um episódio de cada temporada.

Na Polônia, país de origem, os contos individuais escritos por Andrzej Sapkowski deram origem à uma saga de livros e série de TV, mas só ganhou fama internacional após o lançamento do game The Witcher, em 2007. É importante ressaltar que o seriado da Netflix não será baseado nos games da CD Projekt RED – saiba mais.

A série de TV de The Witcher é prevista para algum ponto de 2020.

12 livros que virarão séries de TV nesse ano

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A ligação entre TV e livro está cada vez mais próxima, com grandes sucessos e novidades

Priscila Harumi, na Capricho

Depois do sucesso absoluto de The Handmaid’s Tale, Big Little Lies e 13 Reasons Why, as emissoras de TV estão apostando cada vez mais em adaptar livros de sucesso. Recentemente, tivemos algumas novidades vindas desse modelo.

Reese Whiterspoon (que é produtora de Big Little Lies e atua também na série) anunciou que irá produzir e estrelar a adaptação do livro Little Fires Everywhere, ao lado de ninguém menos do que Kerry Washington, que terminou seu trabalho em Scandal.

Além da Shay Mitchell, a eterna Emily de PLL, anunciou que vai voltar para a TV, em uma série listada abaixo, ao lado de Penn Badgley, o Dan de Gossip Girl.

O mundo da TV proporciona um espaço maior para contar a história do que o filme. Além disso, tem também a liberdade criativa de seguir mesmo quando não tem mais história no livro – vide os três sucessos que mencionei que irão continuar apesar de já terem contado a história inteira do livro. Eu acredito que é um risco enorme continuar além do livro (olha o que está acontecendo com a história, não a audiência, de Game of Thrones). Porém, uma vez que as emissoras sentem a glória e sucesso de uma adaptação de livro, dificilmente partem para outra sem espremer o máximo daquele universo.

Em todo caso, fico muito feliz de ver mais adaptações de livros para a TV. Por isso, decidi reunir alguns dos livros que irão ou já estão virando série de TV nesse ano e que acho que você vai gostar também:

1) You / Você, de Caroline Kepnes

(Freeform/Divulgação)

Como mencionei, esse é o livro que convenceu Shay Mitchell a voltar para a TV depois do final de Pretty Little Liars. Mas ela não volta sozinha, com Penn Badgley, o Dan de Gossip Girl, também no elenco. O livro é uma das coisas mais estranhas que foram lançadas recentemente. Ele é contado em segunda pessoa, quando um gerente de uma livraria chamado Joe começa a stalkear obessivamente uma cliente que ele conheceu. As coisas ficam cada vez mais intensas enquanto ele vai tentando se aproximar dela. Vibes de PLL e GG nos anos iniciais, hein?

2) O Tempo Entre Costuras, de María Dueñas

(Netflix/Divulgação)

Estava namorando começar esse livro recentemente e de repente abro a Netflix e lá está a adaptação dele para a TV. O livro acontece em quatros etapas, que são as reviravoltas na vida de Sira Quiroga, em que o drama entrelaça a história da protagonista com quatro personagens históricos. É um thriller que conta momentos históricos (eu amo séries que falam de História) e que tem muito romance também.

3) Sharp Objects / Objetos Cortantes, de Gillian Flynn

(HBO/Divulgação)

Ok, quem não ficou perplexa com Garota Exemplar? A mesma mente que criou aqueles personagens fascinantes também está ajudando a adaptar outro sucesso literário dela para a TV. No Brasil, o livro tem o nome de Objetos Cortantes, da editora Intrínseca. Na TV, chega pela HBO com Amy Adams no elenco e não sei se a emissora irá traduzir o título (Big Little Lies/Pequenas Grandes Mentiras não foi traduzido). Serão 8 episódios que prometem tirar nosso fôlego, mostrando uma repórter que volta para a cidade natal para explorar uma história de um duplo homícidio, enquanto lida com seus próprios problemas psicológicos.

4) Throne of Glass / O Trono de Vidro, de Sarah J. Maas

(Galera Record/Divulgação)

Essa série me lembrou muito os livros YA (young adults) da Kiera Cass, de A Seleção, mas a associação mesmo é com a Khaleesi de Game of Thrones. A autora tinha apenas 16 anos quando escreveu o primeiro dessa série de livros, que agora vai ser adaptado para a TV, quinze anos depois. A série ganhou o nome de Queen of Shadows e será exibida pelo Hulu. Ela irá contar a história de Celaena Sardothien, uma assassina profissional, com um passado misterioso.

5) Who Fears Death, de Nnedi Okorafor

(Penguim/Divulgação)

Em vez de estar trabalhando no final de Game of Thrones, George R. R. Martin está produzindo outra adaptação de livros para a TV. Dessa vez, não será um livro dele, mas vai também ser exibida pela HBO. A trama se passa na África, em uma era pós-apocalíptica e terá uma protagonista feminina. Ela é uma garota que nasce nesse mundo decaído, depois que sua mãe é estuprada e descobre que tem poderes especiais, o que a torna alvo de um poder malígno.

6) Good Omens, de Neil Gaiman e Terry Pratchett

(BBC/Divulgação)

Eu amei American Goods, a série adaptada do livro de Neil Gaiman para a Amazon. Esse novo livro que será adaptado para a TV, foi escrito junto com Pratchett, no ínicio dos anos 1990 e terá Michael Sheen e David Tennant no elenco. Eles serão um anjo e um demônio que decidem viver na Terra e salvar humanos dos Últimos Tempos. O próprio Neil está escrevendo essa adaptação.

7) Vulgar Favor, de Maureen Orth

(FX/Divulgação)

Esse livro está sendo uma das adaptação mais intensas da TV e não me espantaria levar vários Emmys no fim do ano. Na TV, virou The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story. Outro super gol de Ryan Murphy, que já tinha arrasado com o primeiro ACS que mostrou o julgamento de O.J. Simpson. Essa história do assassinato de Versace é hipnotizante, intensa e tem uma crítica poderosa. Será que veremos Darren Criss levar muitos prêmios?

8) Sweetbitter / Tintos e Tantos, Stephanie Danler

(Globo Livros/Divulgação)

A Starz tem apostado mais no público feminino depois do sucesso arrasador de Outlander. Esse livro é um bestseller que conta a história de Tess, uma garota de 22 anos que vai viver em Nova York e começa a trabalhar em um badalado restaurante na cidade, em que descobre um mundo cheio de fofocas e babados.

9) McMafia, de Misha Glenny

(BBC/Divulgação)

Essa é uma história sobre o crime organizado, de “atiradores na Ucrânia a lavagem de dinheiro em Dubai, passando por cartéis de drogas no Canadá a cyber criminosos no Brasil”! A série mostra Alex Godman, um homem que passa a vida tentando fugir da ligação da sua família com o crime organizado e acaba sendo sugado por esse universo. A série já está em exibição na Amazon Prime Video, apesar de ser uma produção da BBC.

10) The Patrick Melrose Novels, de Edward St. Aubyn

(Showtime/Divulgação)

Olha só quem está de volta na TV! Benedict Cumberbatch vai estrelar uma nova série de livros premiadas, como o protagonista Patrick Melrose. Será uma série em 5 partes, em que cada episódio será baseado em um livro diferente, desde os anos 60 no sul da França aos anos 80 em Nova York, passando pelo começo dos anos 2000 na Inglaterra. A série está sendo adaptada pelo escritor David Nicholls, que é o autor de One Day/Um Dia, aquele livro que foi adaptado para o cinema com Anne Hathaway de arrancar o coração.

11) The Little Drummer Girl, de John le Carré

(HBO/Divulgação)

Essa série só me chamou a atenção porque é do mesmo autor de The Night Manager, que na Globo passou como O Gerente da Noite. A série terá Florence Pugh e Alexander Skarsgard (que levou os prêmios tudo por Big Little Lies) no elenco. Ela se passa nos anos 1970 na Grécia, mostrando Charlie, uma menina que começa uma amizade com um estranho que conhece durante as férias. Esse estranho (Skarsgard) se chama Becker, um militar israelense que a envolve em uma trama que não é puramente romântica, como ela imagina no começo.

12) Outlander, de Diana Gabaldon

(Starz/Divulgação)

SIM! Eu sei que Outlander já está bem avançada e não é nenhuma novidade. Mas eu não ia perder a chance de vir falar dela para vocês mais uma vez! Eu comecei a ler os livros a partir do terceiro, porque a 3a temporada demorou uma vida para estrear. Eu estou ansiosíssima para assistir Claire e Jamie nos EUA, durante os anos iniciais da guerra pela independência contra a Inglaterra. Urgh, só espero que não demorem muito para anunciarem a data de início da 4a temporada!

As Crônicas Vampirescas | Bryan Fuller produzirá adaptação televisiva das obras de Anne Rice

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Produtor de Star Trek: Discovery e Deuses Americanos também pode tornar-se o showrunner da nova série de TV

Arthur Eloi, no Omelete

Bryan Fuller, produtor de Star Trek: Discovery e Deuses Americanos, se juntou à série de TV de As Crônicas Vampirescas, obras de Anne Rice que inspiraram A Entrevista com o Vampiro, clássico de 1994.

A informação é do The Hollywood Reporter onde a presidente da Paramount TV Amy Powell afirma que Fuller está trabalhando ao lado de Anne e Christopher Rice, filho da autora que escreverá o roteiro do piloto e assumirá a produção executiva do seriado. Além disso, Fuller também pode tornar-se o showrunner do seriado.

No Twitter, Christopher Rice publicou uma foto ao lado de Fuller e de Anne Rice, dando as boas vindas ao produtor – veja abaixo:

Em 2017, a Paramount TV e a Anonymous Content adquiriram os direitos aos 11 livros da autora. “O rico e vasto mundo que ela criou com As Crônicas Vampirescas é incomparável e sofisticado, com tons góticos dos anos 90 que serão adequados perfeitamente para o público. A série é recheada de personalidades atraentes liderados por Lestat, indiscutivelmente um dos melhores personagens originais da literatura ou qualquer outra arte”, afirmou Powell à Variety na época.

As histórias da autora já chegaram aos cinemas com A Entrevista Com Vampiro, longa lançado em 1994 com Brad Pitt e Tom Cruise no elenco. Em 2016, Josh Boone havia anunciado que estava trabalhando no roteiro de um remake, mas com a autora recuperando os direitos de seus livros o longa está travado. A Rainha dos Condenados, de 2002, também é baseado nas histórias de Rice.

Ainda não há data de estreia, título ou emissora definida para a série de TV das Crônicas Vampirescas.

Belas Maldições | Foto inédita da série de TV de Neil Gaiman mostra o visual do Arcanjo Gabriel

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Mensageiro de Deus será vivido por Jon Hamm na adaptação

Arthur Eloi, no Omelete

Belas Maldições, adaptação televisiva da obra de Neil Gaiman, teve uma nova imagem divulgada que mostra o visual do Arcanjo Gabriel, o mensageiro primário de Deus que será vivido por Jon Hamm (Mad Men, Baby Driver) – veja abaixo:

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A trama será ambientada nos últimos dias que antecedem o apocalipse enquanto a raça humana se prepara o julgamento final, acompanhando a procura do anjo enrolado Aziraphale e do demônio Crowley pelo anticristo.

Com David Tennant e Michael Sheen vivendo os protagonistas, o elenco também contará com Jack Whitehall, Michael McKean e Miranda Richardson. Whitehall será Newton ‘Newt’ Pulsifer, um balconista fracassado que torna-se caçador de bruxas; McKean viverá o sargento Shadwell, líder do exército caçador de bruxas; já Richardson será a madame Tracy, uma médium e cortesã que ajuda os dois a salvarem o mundo do apocalipse.

Recentemente a produção também adicionou Anna Maxwell Martin (Philomena) como Belzebu; Mireille Enos (The Killing) viverá Guerra, enquanto Lourdes Faberes (Knightfall) será Poluição.Yusuf Gatewood (The Originals), por sua vez, dará vida a Fome. E o quarto cavaleiro, a Morte? Neil Gaiman brinca: “Torcemos para que a Morte seja interpretada pela Morte”.

Gaiman servirá como roteirista e showrunner dos seis capítulos, que ainda não têm data de estreia definida. A série será uma parceria entre a BCC e a Amazon. O serviço de streaming também abriga Deuses Americanos, outra adaptação da obra do escritor britânico.

Jô Soares lança primeira parte de autobiografia ‘desautorizada’

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Perto dos 80 anos, apresentador ‘exibido’ revisita longa carreira na TV e no teatro

Perto dos 80 anos, apresentador ‘exibido’ revisita longa carreira na TV e no teatro

Jô Soares lança sua biografia – Marcos Alves / Agência O Globo

Patrícia Kogut, em O Globo

SÃO PAULO — Quando Jô Soares completou 18 anos, seus pais perderam tudo. O garoto que tinha estudado nas melhores escolas, uma delas na Suíça, e morava no anexo do Copacabana Palace, viu seus planos de cursar o Instituto Rio Branco serem interrompidos. Em vez disso, foi trabalhar numa firma de exportação de café, desempenhando pequenas tarefas de escritório.

Por força desse golpe do destino e do seu talento incontestável (e inescapável) de criador, entretanto, aos poucos, acabou enveredando pelo show. Aonde ele chegou com isso é notório.

Em “O livro de Jô — Uma autobiografia desautorizada” (escrito com Matinas Suzuki), o artista, que completa 80 anos em janeiro, relata esse caminho. Na sua narrativa, não há acerto de contas, algo tão comum no gênero. Em contrapartida, sobra generosa diplomacia, reforçando a impressão de que o Itamaraty perdeu um ótimo quadro.

Jô é pródigo em lembranças gentis, engraçadas e em boas palavras para todos os que menciona. Vai emendando uma história deliciosa na outra, num fluxo que rompe a ordem cronológica — embora ela esteja na estrutura do texto, que começa com seu nascimento. Ele avança e recua diversas vezes no tempo quando é preciso abrir um parêntese para contar algum caso — e toda hora essa situação se apresenta.

— O livro é assim porque não tenho recalques, a vida me abençoou. É como eu sou, não estou me gabando — esclarece, acrescentando que o trabalho ainda não terminou, pois falta o segundo volume (a ser lançado no segundo semestre de 2018), mas chegou perto da conclusão.

Jô faz os relatos para Matinas, que organiza e mais tarde reenvia para que ele escreva o texto final. É, resume, “um trabalho de estivador”. As longas conversas deles acontecem entre livros e perto do computador. Lá, conserva arquivos e arquivos com registros da carreira e que servem a confirmar datas. Nessa biblioteca, há preciosidades como a “Enciclopédia Larousse” “que foi do vovô Leal e diz, num verbete, que o avião é uma invenção de futuro improvável”. Tudo serve como fonte para a pesquisa, que escava os primórdios da TV no Brasil, os anos dourados no Rio, o mundo do teatro e o da música.

Poliglota, “exibido” (por autodefinição), afiado, o escritor, dramaturgo, ator, diretor, músico, enfim, homem renascentista, ele imprimiu todas essas marcas nessas 445 páginas iniciais. A autobiografia é “desautorizada” porque “nela, não há censura. É diferente de uma biografia não autorizada, que alguém escreve à revelia da pessoa retratada”, diz.

A censura, aliás, é um tema recorrente na conversa. Jô conta que uma das grandes alegrias que teve foi ler a Constituição de 1988, ainda em copião. Ele recebeu o texto das mãos de Ulysses Guimarães, então presidente da Assembleia Nacional Constituinte.

— A censura não volta graças a uma cláusula pétrea e a Dr. Ulysses. Mas essas patrulhas que existem hoje no Brasil são a coisa que mais me choca.

CONTRA QUALQUER ATAQUE À ARTE

Jô fala das críticas sofridas por Daniela Thomas pelo seu mais recente longa, “Vazante” (filme, que foi apontado por alguns como uma “obra racista”).

— É uma sacanagem o que disseram de “Vazante”, tive nojo. O filme é lindo. Condeno veementemente esses ataques. Eles não refletem um zelo com a nossa cultura, ao contrário, espelham um recalque, uma tristeza de quem não tem sucesso. Nada disso aniquila o talento da Daniela.

Em suas memórias, Jô relembra a peça “Timbira”, encenada em 1958, em que Jardel Filho, louro de olhos azuis, interpretava um índio. Antes de entrar em cena, o ator tinha seu corpo inteiramente pintado, trabalho que demorava horas. Depois, colocava uma peruca para completar a caracterização do índio que dava título ao espetáculo. Como isso seria recebido hoje?

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— Algumas pessoas de algum movimento diriam que o ator escalado teria de ser um índio. Mas qualquer um pode fazer qualquer papel, é teatro!

Da mesma forma, Jô acredita que o humor não deve nunca ter barreiras ideológicas.

— Há uma vigilância equivocada, que faz com que muita gente esqueça que o principal é a irreverência. O limite do humor é só o que não é engraçado, o resto é livre. Um exemplo é o Fábio Porchat, que tem um talento natural. Ele pode falar sobre o que quiser! Fez um esquete sensacional sobre uma empresa de telecomunicações que é a patrocinadora do seu espetáculo.

Outra armadilha perigosa, lembra, é a da autocensura prévia. Foi o que quase aconteceu com o Capitão Gay. O personagem foi uma das estrelas de “Viva o Gordo”, nos anos 1980, e um de seus prediletos entre inúmeros que marcaram a carreira. Mas quase não foi ao ar.

— Um belo dia, levantei da cama com uma ideia: criei um personagem gay, uma bicha colorida, alegre — conta. — Quando contei minha intenção, o Borjalo (Mauro Borjalo, que cuidava de controle de qualidade na Globo) resistiu. Disse que havia um militar de alta patente em Brasília cujo sobrenome era Gay e que pareceria uma provocação. Eu reagi, dizendo que não poderíamos censurar o que ainda estava dentro da gaveta. Boni me apoiou, e o personagem foi ao ar, tornando-se um sucesso instantâneo. Anos mais tarde, eu estava num aeroporto e fui interpelado por um desconhecido que se apresentou: “Sabe quem eu sou? O coronel Gay! Quero dizer que adoro o Capitão Gay”. Ou seja, a gente ia censurar uma coisa e o cara ali, adorando.

Na véspera dessa entrevista, Jô tinha gravado o “Conversa com Bial”, no mesmo estúdio que ocupou por tantos anos na Globo (o programa está no Globoplay). Foi comovente para ambos (“chorei, o Bial chorou”):

— Fiquei emocionado por estar ali na posição do entrevistado. Só no dia seguinte, me dei conta de que ele inverteu a ordem da mesa, e eu estava sentado à direita, onde sempre fiquei posicionado no meu programa a vida inteira. Por isso fiquei tão à vontade!

Ao ouvir que essa parece uma observação de um psicanalista, diz que nunca fez análise, embora tenha lido Freud e, mais ainda, Jung.

— Eu quero conviver com meus mistérios. Não sou contra. Acho que todo mundo deve fazer, menos eu. Minha análise é minha profissão.

Perguntado se tem planos na televisão, faz uma negativa com a cabeça:

— Viu a força com que mexi a cabeça? Quase destronquei o pescoço! Depois de 58 anos sem parar, quero parar de fazer TV pelo menos pelos próximos 20.

Em contrapartida, tem muitos projetos no teatro. O primeiro deles é a direção de “A noite de 16 de janeiro”, da russa Ayn Rand (“não resisto a uma peça que tem o nome do dia em que nasci”). Também quer voltar a atuar em “A lição”, de Ionesco. Finalmente, a atriz Bete Coelho, sua amiga, convidou-o a fazer uma adaptação de “The wisdom of Eve” (de Mary Orr). Além da TV, ele só abriu mão do trompete (“não tenho mais saco, exige muita dedicação. Você fica uma semana sem ensaiar e perde o biquinho”).

Instado a escolher, entre tantas áreas de atuação — humorista, escritor, diretor, ator — uma que o defina, sintetiza:

— Sou um artista. Tudo o que faço são dedos da mesma mão.

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