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Reitores da UFF, UFRJ, Unirio, Rural e Cefet-RJ propõem federalização da Gama Filho e UniverCidade

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Alunos da Gama Filho e UniverCidade protestam contra o descredenciamento das instituições Domingos Peixoto / Agência O Globo

Alunos da Gama Filho e UniverCidade protestam contra o descredenciamento das instituições Domingos Peixoto / Agência O Globo

Publicado em O Globo

Dirigentes assinaram nota em que defendem que medida atenderia “aos anseios das forças sociais, políticas e estudantis”

RIO — Em reunião realizada nesta terça-feira (14) na Universidade Federal Fluminense (UFF), os reitores da UFRJ, da Unirio, UFRRJ e da UFF e o diretor-geral do Cefet-RJ assinaram uma nota propondo que a Universidade Gama Filho e do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) sejam federalizadas.

Alunos das duas instituições que foram descredenciadas pelo Ministério da Educação (MEC) fizeram um protesto, no início da noite desta terça-feira, no Centro do Rio. Um grupo, formado por cerca de 300 pessoas, seguiu pela pista lateral da Avenida Presidente Vargas, sentido Praça da Bandeira.

A federalização seria uma alternativa ao fechamento da Gama Filho e da UniverCidade. No documento assinado pelos dirigentes das instituições federais de ensino superior do Rio, eles argumentam que a medida atenderia “aos anseios das forças sociais, políticas e estudantis”, em referência aos cerca de 10 mil alunos afetados pelo descredenciamento das duas instituições.

Veja a íntegra da nota abaixo, assinada por Roberto Salles (reitor da UFF), Antônio José Ledo Alves da Cunha (reitor em exercício da UFRJ), Luiz Pedro San Gil Jutuca (reitor da UFRJ), Ana Maria Dantas Soares (reitora da UFRRJ) e Carlos Henrique Figueiredo Alves (diretor-geral do Cefet-RJ).

“Nós, reitores das universidades federais e o diretor-geral do Cefet do Rio de Janeiro, abaixo assinados, enfatizamos nossa preocupação com a qualidade da educação, bem como a responsabilidade do governo federal no credenciamento e acompanhamento das universidades, faculdades e cursos em funcionamento no país. Assim, apoiamos como solução a federalização da Universidade Gama Filho e do Centro Universitário da Cidade, ambos do Estado do Rio de Janeiro.

Reconhecendo o grande avanço na educação nos últimos anos e a continuidade das ações positivas do atual governo, conclamamos a presidenta da República, Dilma Rousseff, e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, para que considerem a nossa proposta de federalização, já que possuem todas as condições técnicas e políticas para a implementação da proposta para, com isso, atender aos anseios das forças sociais, políticas e estudantis.

Consideramos também que o caminho para a solução do problema, que atinge os membros da comunidade acadêmica (alunos, servidores docentes e técnico-administrativos), com forte impacto social, não seja uma simples redistribuição dos estudantes, tarefa que não é fácil e pode se mostrar inviável a curto e médio prazo, agravando a situação.

Como educadores, entendemos que a e ducação não pode ser vista como um negócio, mas um investimento de longo prazo, cuja maior responsabilidade cabe aos governos. Neste sentido, reafirmamos a nossa disposição para colaborar com o processo de federalização, mantendo o compromisso com a educação de qualidade”.

Formandos da UFF elegem o pedreiro Amarildo como patrono da turma

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Ana Carolina Pinto no jornal Extra

A turma de Arquitetura e Urbanismo: foco na responsabilidade social

A turma de Arquitetura e Urbanismo: foco na responsabilidade social

Em um ano marcado por manifestações populares em todo o país, os 16 jovens formandos de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF) mostraram que estão antenados com os acontecimentos no Brasil e escolheram como patrono da turma o pedreiro Amarildo de Souza, torturado e morto por policiais da UPP da Rocinha, comunidade carioca onde morava.

– A gente não pode fechar os olhos para o que está acontecendo. Escolher um arquiteto seria a escolha de qualquer turma de Arquietetura. Os jovens estao acordando e achamos que essa colação seria um bom momento de mostrar que nós também temos esse foco. Os professores tentam deixar isso bem presente para a gente. A paraninfa, professora Sonia Ferraz, de Teoria da Habitação, foi escolhida por este trabalho também, de reflexão. Os dois formam um conjunto da crítica politcosocial da turma – conta Amanda Barros Ferreira, de 24 anos, formanda que participou da organização da cerimônia.

Luana Fonseca Damásio, responsável pelo discurso junto com Bruno Amadei, enfatiza ainda a tradição de pensamento crítico da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF.

– Escolhemos o pedreiro Amarildo pois muitos de nós não estão satisfeitos com o modo como a arquitetura do mercado e das instituições corrobora com um modelo de cidade excludente e baseado nos interesses do capital. Essa tradição de pensamento crítico é mantida por uma série de professores ao longo dos anos, inclusive o falecido professor Carlos Nelson Ferreira dos Santos, uma referência nacional.

A escolha do patrono foi feita no grupo que a turma mantém no Facebook, através de uma enquete. Vários nomes foram sugeridos, mas o de Amarildo foi o que teve maior força.

Confira o discurso na íntegra

“O patrono desta turma foi auxiliar de pedreiro. Dedicava-se a executar, com mente, mãos e músculos, o que nós, arquitetos, planejávamos em nossas telas de computador. Seu nome era Amarildo. Pensar no pedreiro Amarildo é pensar no trabalho alienante (no escritório e no canteiro), na divisão social do trabalho, na mão-de-obra executora, afastada do conhecimento… Em uma realidade que reserva a nós, arquitetos, um diploma em mãos, e a ele sacos de cimento nos ombros. Mas é também pensar na potência da autoconstrução, do conhecimento encarnado de quem todos os dias experimenta, improvisa, se desdobra e constrói um saber arquitetônico que a academia não ensina. Ser o homem Amarildo é viver na favela da Rocinha, que, como o professor Gerônimo nos lembra, tem o mais alto índice de tuberculose da cidade. É habitar uma casa e percorrer ruas sem condições básicas de habitabilidade, de segurança, de salubridade. É saber que a Rocinha não precisa de teleférico. Talvez precise, mas antes precisa de coleta de lixo e saneamento de qualidade, dos quais se tem direito apenas na limpa cidade dos ricos. Falar em Amarildo é falar do Morro da Catacumba, na Lagoa, da Praia do Pinto, no Leblon, do Morro do Pasmado, em Botafogo; algumas das favelas apagadas da paisagem carioca. É falar, mais recentemente, da Vila Autódromo e das portas marcadas do Morro da Providência. É falar da gestão municipal que mais removeu no último século e dos tantos mil cariocas que, às custas de um sonho olímpico, têm ameaçado o seu inalienável direito à moradia. É falar do déficit habitacional e, ao mesmo tempo, da política de governo que há décadas vem esvaziando os centros e lotando as favelas e periferias das grandes cidades. É falar dos sem-teto, das ocupações Machado de Assis, Zumbi dos Palmares, Quilombo das Guerreiras, removidas ou ameaçadas de remoção. Saber da prisão, tortura e morte de Amarildo implica em ter o dever de saber da política pública de segurança higienista, da violência policial injustificada e injustificável. Do projeto de segurança e de cidade que extermina a juventude pobre, negra e favelada. Amarildo não foi o primeiro. É saber que estamos a mercê dos desmandos de um Estado que aumenta a cada dia o efetivo policial, constrói mais prisões, instala mais câmeras e atira mais balas de borracha nos professores em greve; ao passo que destrói casas e bairros construidos com suor e autonomia corajosa. Escolher como patrono um pedreiro é apenas um lembrete acerca do compromisso ético que firmamos enquanto arquitetos, de entender quem são os Amarildos, onde moram, como moram, porque moram. Mais que fazer uma homenagem, afirmamos: somos também Amarildos e seguiremos perguntando por ele e por todos os outros.”

Cotistas têm desempenho inferior entre universitários

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Érica Fraga, na Folha de S.Paulo

Alunos de graduação beneficiários de políticas de ações afirmativas, como cotas e bônus, têm apresentado desempenho acadêmico pior que os demais estudantes nas universidades públicas do país, mostram estudos recentes.

As pesquisas também concluem que a diferença de notas perdura até o fim dos cursos e costuma ser maior em carreiras de ciências exatas.

Universitários que ingressaram em instituições públicas federais por meio de ação afirmativa tiraram, em média, nota 9,3% menor que a dos demais na prova de conhecimentos específicos do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), que avalia cursos superiores no país.

No caso das universidades estaduais, cotistas e beneficiários de bônus tiveram nota, em média, 10% menor.

Os dados fazem parte de estudo recente dos pesquisadores Fábio Waltenberg e Márcia de Carvalho, da UFF (Universidade Federal Fluminense), com base no Enade de 2008, que pela primeira vez identificou alunos que ingressaram por políticas de ação afirmativa.

Foram analisados os desempenhos de 167.704 alunos que estavam concluindo a graduação nos 13 cursos avaliados em 2008, como ciências sociais, engenharia, filosofia, história e matemática.

“Encontramos diferenças razoáveis. Não são catastróficas como previam alguns críticos das ações afirmativas, mas é importante registrar que existe uma diferença para não tapar o sol com a peneira”, diz Waltenberg.

Para ele, o desnível atual é um preço baixo a se pagar pela maior inclusão. Mas ele ressalta que, com a ampliação da política de cotas (que atingirão 50% das vagas das federais até 2016), é possível que o hiato entre as notas se amplie.

EVASÃO MENOR

Pesquisa recente feita pelo economista Alvaro Mendes Junior, professor da Universidade Cândido Mendes, sobre o resultado de ações afirmativas na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) revela que o nível de evasão entre os cotistas na universidade é menor do que entre outros estudantes.

Mas os dados levantados por ele –que acompanhou o progresso de alunos que ingressaram em 2005 em 43 carreiras– confirmam as disparidades de desempenho.

O coeficiente de rendimento (média das notas) de alunos não beneficiários de ações afirmativas que se formaram até 2012 foi, em média, 8,5%, maior do que o dos cotistas. Em carreiras como ciência da computação e física essa diferença salta para, respectivamente, 43,2% e 73,2%.

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Projeto de mestrado gera troca de farpas entre jornalista e estudante

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Apresentadora do SBT chamou de ‘piada’ estudo que analisava Valeska Popozuda e as relações de gênero no mundo funk
Estudante responde as declarações da jornalista e abre debate sobre o funk no mundo acadêmico

Valeska Popozuda, uma das funkeiras analisadas no mestrado, chama apresentadora de “jornalista dos anos 20” FERNANDO TORQUATTO / Divulgação

Valeska Popozuda, uma das funkeiras analisadas no mestrado, chama apresentadora de “jornalista dos anos 20” FERNANDO TORQUATTO / Divulgação

Leonardo Vieira, em O Globo

RIO – Apesar de ser cada vez mais presente como objeto de estudos nas universidades, o funk ainda gera muita polêmica entre os brasileiros. Na semana passada, a apresentadora do telejornal SBT Brasil, Rachel Sheherazade, afirmou, em tom pejorativo, que o ” funk carioca, que fere meus ouvidos de morte, foi descrito como manifestação cultural. E o pior é que ele é, pois se cultura é tudo o que o povo produz, do luxo ao lixo, o funk é tão cultura quanto bossa nova”.

Veja aqui as declarações da apresentadora.

Rachel se referia ao projeto de mestrado da estudante Mariana Gomes, intitulado “My pussy é o poder. A representação feminina através do funk no Rio de Janeiro: Identidade, feminismo e indústria cultural”. Para a apresentadora, dissertações como essa são inevitáveis no contexto de mais “popularização da universidade”.

Aprovada em segundo lugar na Universidade Federal Fluminense (UFF) para o mestrado em Cultura e Territorialidades, Mariana se propôs a estudar as relações de gênero no mundo funk, problematizando e até contestando a teoria de que funkeiras como Valeska Popozuda e Tati Quebra-Barraco seriam “o último grito do feminismo”. Veja aqui o projeto de mestrado.

Ao ver as declarações no telejornal, a mestranda escreveu uma carta-resposta em seu blog no último domingo (21), onde Mariana questiona, dentre outros pontos, se Rachel teria ao menos lido seu projeto de estudo. O texto teve mais de 10 mil compartilhamentos no Facebook.

– O ataque não foi ao meu trabalho. O preconceito dela começa quando o assunto é popular. Chamar o funk de lixo é não abrir os olhos para uma realidade concreta. Ela direciona isso ao local da favela. A opinião dela tem uma questão de classe muito forte – afirmou Mariana.

Por sua vez, Valeska disse que não iria responder a “essa jornalista dos anos 20”, que “vive presa na época em que a mulher nem direito de frequentar uma escola tinha”. No entanto, a funkeira afirmou:

– Tenho certeza que ela seria muito mais feliz se fosse mais aberta ao funk.

Por meio da assessoria do SBT, a apresentadora informou que não iria mais se pronunciar sobre o assunto.
Debate no mundo acadêmico

Orientadora de Mariana num projeto de iniciação científica por dois anos, a historiadora Adriana Facina entende o debate também como consequência da ampliação do acesso à universidade ocorrida nos últimos anos no Brasil. Entretanto, diferentemente da apresentadora, Facina enxerga o fenômeno mais positivamente.

– Ao tornar acessível o ensino superior a uma parcela maior da sociedade que, até então, estava excluída, novos temas e estudos surgirão naturalmente. Como que alguém pode considerar irrelevante para o estudo uma música como o funk, que é ouvida por milhões de jovens? O tema da Mariana é relevante porque o funk não é só uma manifestação de massa, mas há também a questão de gênero. A presença masculina é predominante no funk e em toda a sociedade brasileira – explicou Facina, que já deu aulas sobre a história do funk na UFF.

Quem segue a mesma linha de Facina é a professora de Comunicação e Cultura Popular da UFF, Ana Lúcia Enne. Para ela, ainda há uma “cristalização do preconceito” em relação a certos movimentos culturais:

– Que bom que o mundo acadêmico está aberto não só a objetos canonizados! Compreender o mundo e a realidade a sua volta é um dos papeis fundamentais da universidade.

A professora se diz orgulhosa de seus alunos da graduação de Estudos de Mídias Sociais, curso no qual é vice-coordenadora. Em março, a fim de realizarem um trabalho de final de período, estudantes de Ana Lúcia apresentaram um flash mob num dos principais endereços culturais do Rio, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Ao som de “Ah lek lek lek”, os alunos viraram um sucesso em redes sociais. Veja aqui o vídeo.

Menos de um mês depois, sete formandos do curso escolheram ninguém menos do que a funkeira Valeska Popozuda como patronesse na cerimônia de colação de grau.

Valesca Popozuda é escolhida como patronesse em formatura da UFF

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Alunos do curso de mídia queriam uma representante da cultura de massas.
‘Foi uma surpresa enorme, até perguntei se não era trote’, diz funkeira.

Paulo Guilherme, no G1

A funkeira Valesca Popozuda é patronesse da turma de formandos em Estudos de Mídia da UFF (Foto: Alexandre Durão/G1)

A funkeira Valesca Popozuda é patronesse da
turma de formandos em Estudos de Mídia da UFF
(Foto: Alexandre Durão/G1)

Os formandos do curso de curso de Estudos de Mídia da Universidade Federal Fluminense resolveram quebrar a tradição da faculdade e elegeram como patronesse a funkeira Valesca Popozuda. A cantora, dançarina e destaque de escola de samba dá o nome à turma de sete alunos que concluíram o curso no final do ano passado e colaram grau na semana passada no campus da universidade, em Niterói. Este grupo de concluintes da graduação será sempre conhecida como “Turma Valesca Popozuda”.

Foi a primeira vez que o patrono de uma turma do curso não foi alguém do meio acadêmico. Em anos anteriores, personalidades como o antropólogo espanhol-colombiano Jesús Martín-Barbero e o professor de direito Milton Santos foram escolhidas como patrono. A decisão dos estudantes da turma atual de formandos surpreendeu até a homenageada. “Eu me senti honrada! Cheguei a perguntar ao meu empresário se não era trote”, disse Valesca. “Foi uma surpresa enorme, fiquei muito feliz.”

A formanda Letícia Gabbay, de 24 anos, disse que a escolha da turma de seis moças e um rapaz pelo nome de Valesca Popozuda foi unânime. “Queríamos quebrar paradigmas e escolher alguém que representasse bem a cultura de massa, que estudamos muito no nosso curso”, explica Letícia. A turma chegou a cogitar escolher outro nome do funk, MC Catra, mas o nome de Valesca ganhou força entre as meninas do grupo.

A turma de formandos de Estudos de Mídia da UFF colou grau na última quarta-feira (3); Valesca não pode ir ao evento (Foto: Arquivo pessoal/Leticia Gabbay)

A turma de formandos de Estudos de Mídia da UFF colou grau na última quarta-feira (3); Valesca não pode ir ao evento (Foto: Arquivo pessoal/Leticia Gabbay)

“A Valesa Popozuda é uma figura polêmica. Por ser mulher, siliconada, tudo ligado a ela tem estigma muito forte de cultura de massas”, diz a formanda. “Sabemos que existe muito preconceito com o movimento funk, que hoje em dia é um dos mais autênticos da música brasileira.”

A cantora diz que sente orgulho de ser funkeira de 34 anos. “O funk entrou na minha vida como um filho”, diz Valesca. Infelizmente ainda existe discriminação com quem canta funk. Fico feliz em saber que este ritmo é estudado nas universidades.”

Popozuda não pode comparecer à colação de grau porque no dia já tinha um show agendado, mas prometeu participar da festa de comemoração dos formandos. A turma estuda fazer um evento em uma casa de shows de funk em São Gonçalo. A universidade preparou uma placa com o nome na patronesse: Valesca Reis Santos.

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