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As 15 melhores cidades para estudar no mundo; Paris no topo

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Cidade Luz no topo

Franck Fife/AFP

Franck Fife/AFP

Camila Pati, na Revista Exame

São Paulo – Pela terceira vez seguida, Paris é considerada a melhor cidade para estudantes no mundo inteiro, segundo ranking da Quacquarelli Symonds (QS), consultoria britânica especializada em ensino superior.

Para classificar os destinos mais atraentes para estudantes, a QS avalia a qualidade das universidades de uma cidade, bem como a qualidade de vida que ela proporciona aos seus habitantes, além da acessibilidade em termos econômicos. Ao todo, são 18 critérios, segundo a equipe da QS.

A lista leva em conta a classificação das universidades de cada uma das cidades avaliadas no QS World University Rankings, um dos mais respeitados do mundo, que ranqueia centenas de instituições de ensino superior nos quatro cantos do planeta.

Vale destacar que só as cidades com mais de 250 mil habitantes e com ao menos duas universidades incluídas no World University Rankings são avaliadas. De acordo com a QS, 116 cidades entraram no páreo, e o ranking completo tem as 50 melhores.

Confira nas fotos, quais são as 15 cidades mais bem posicionadas, e a melhor universidade de cada uma delas:

1. Paris, França

Creative Commons

Creative Commons

Cidade: Paris
Pontuação: 412
Posição no ranking 2015: 1º
Posição no ranking 2014: 1º
Número de universidades no ranking da QS: 17
Melhor universidade no ranking: École normale supérieure ENS Paris – 17º melhor do mundo

2. Melbourne, Austrália

Creative Commons/ Rene Cunningham

Creative Commons/ Rene Cunningham

Cidade: Melbourne
Pontuação: 397
Posição no ranking 2015: 2
Posição no ranking 2014: 5
Número de universidades no ranking da QS: 7
Melhor universidade no ranking: University of Melbourne – 33ª melhor do mundo

3.Londres, Inglaterra

Mark Ahsmann/Wikimedia Commons

Mark Ahsmann/Wikimedia Commons

Cidade: Londres
Pontuação: 392
Posição no ranking 2015: 3
Posição no ranking 2014: 2
Número de universidades no ranking da QS: 18
Melhor universidade no ranking: Imperial College London – 2ª melhor do mundo

4. Sydney, Austrália

Wikimedia Commons

Wikimedia Commons

Cidade: Sydney
Pontuação: 388
Posição no ranking 2015: 4
Posição no ranking 2014: 4
Número de universidades no ranking da QS: 5
Melhor universidade no ranking: The University of Sydney – 37º melhor do mundo

5. Hong Kong

Sanfamedia / Flickr Commons

Sanfamedia / Flickr Commons

Cidade: Hong Kong
Pontuação: 387
Posição no ranking 2015: 5
Posição no ranking 2014: 7
Número de universidades no ranking da QS: 7
Melhor universidade no ranking: University of Hong Kong – 28ª melhor do mundo

6. Boston, Estados Unidos

Wikimedia

Wikimedia

Cidade: Boston
Pontuação: 386
Posição no ranking 2015: 6
Posição no ranking 2014: 8
Número de universidades no ranking da QS: 7
Melhor universidade no ranking: Massachusetts Institute of Technology (MIT) – a 1ª do mundo

7. Tóquio, Japão

Tomohiro Ohsumi/Bloomberg

Tomohiro Ohsumi/Bloomberg

Cidade: Tóquio
Pontuação: 385
Posição no ranking 2015: 7
Posição no ranking 2014: 17
Número de universidades no ranking da QS: 12
Melhor universidade no ranking: University of Tokyo – a 31ª melhor do mundo

8. Montreal, Canadá

Divulgação/ Flickr Ville de Montréal/ Denis Labine

Divulgação/ Flickr Ville de Montréal/ Denis Labine

Cidade: Montreal
Pontuação: 380
Posição no ranking 2015: 8
Posição no ranking 2014: 9
Número de universidades no ranking da QS: 3
Melhor universidade no ranking: McGill University – 21ª melhor do mundo

9. Toronto, Canadá

Alberto E. Rodriguez/Getty Images

Alberto E. Rodriguez/Getty Images

Cidade: Toronto
Pontuação: 375
Posição no ranking 2015: 9
Posição no ranking 2014: 13
Número de universidades no ranking da QS: 3
Melhor universidade no ranking: University of Toronto – a 20ª melhor do mundo

10. Seoul, Coreia do Sul

Wikimedia Commons

Wikimedia Commons

Cidade: Seoul
Pontuação: 372
Posição no ranking 2015: 10
Posição no ranking 2014: 14
Número de universidades no ranking da QS: 14
Melhor universidade no ranking: Seoul National University – a 31ª melhor do mundo

11. Zurique, Suíça

Mike Hewitt/Getty Images

Mike Hewitt/Getty Images

Cidade: Zurique
Pontuação: 370
Posição no ranking 2015: 11
Posição no ranking 2014: 11
Número de universidades no ranking da QS: 2
Melhor universidade no ranking: ETH Zurich – 12ª melhor do mundo

12. Vancouver, Canadá

Bruce Bennett/Getty Images

Bruce Bennett/Getty Images

Cidade: Vancouver
Pontuação: 364
Posição no ranking 2015: 12
Posição no ranking 2014: 21
Número de universidades no ranking da QS: 2
Melhor universidade no ranking: University of British Columbia – a 43ª melhor do mundo

13. São Francisco, Estados Unidos

Getty Images

Getty Images

Cidade: São Francisco
Pontuação: 360
Posição no ranking 2015: 13
Posição no ranking 2014: 12
Número de universidades no ranking da QS: 4
Melhor universidade no ranking: Stanford University- a 7ª melhor do mundo

14. Munique, Alemanha

Wikimedia Commons

Wikimedia Commons

Cidade: Munique
Pontuação: 359
Posição no ranking 2015: 14
Posição no ranking 2014: 10
Número de universidades no ranking da QS: 2
Melhor universidade no ranking: Ludwig-Maximilians-Universität München – a 53ª melhor do mundo

15. Cingapura

JeCCo/Creative Commons

JeCCo/Creative Commons

Cidade: Cingapura
Pontuação: 357
Posição no ranking 2015: 15
Posição no ranking 2014: 3
Número de universidades no ranking da QS: 3
Melhor universidade no ranking: National University of Singapore – a 22ª melhor do mundo

Agora veja as melhores universidades do Brasil no ranking da consultoria QS

Marcos Santos/USP Imagens

Marcos Santos/USP Imagens

Universidades de ponta abrem inscrições para bolsas de estudos. Saiba como concorrer

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Mapa mostra mais de trinta opções cursos de pós-graduação em cinco áreas de estudo que oferecem bolsas integrais ou parciais para brasileiros. Aulas começam no segundo semestre de 2015

Universidade de Yale, nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

Universidade de Yale, nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

Bianca Bibiano e Luana Massuella, na Veja on-line

Nessa época do ano, as principais universidades da Europa e dos Estados Unidos abrem inscrições para os processos seletivos de bolsas de estudo para cursos de pós-graduação. Os programas podem cobrir desde uma parte das despesas universitárias até os gastos pessoais do estudante durante a estadia no exterior. “As bolsas de estudos têm sido um grande atrativo para os brasileiros, que são bem recebidos nas universidades devido às suas qualificações acadêmicas, facilidade de entrosamento, perfil de liderança, iniciativa e criatividade”, diz Anna Laura Schmidt, coordenadora de projetos da Fundação Lemann, instituição que financia bolsas de estudos em universidade de ponta, como Harvard, Stanford e Yale, nos EUA.

As vantagens para a carreira do profissional que estuda no exterior vão além da formação acadêmica. “O aprimoramento do idioma, a troca de experiência com estudantes de outras nacionalidades e a vivência em outro país resultam em amadurecimento pessoal e profissional”, diz Leonardo de Souza, diretor-executivo da empresa de recrutamento de executivos Michael Page.

Além do programa Ciência Sem Fronteiras, que oferece bolsas de estudos no exterior para estudantes e profissionais das áreas de engenharia, ciências e tecnologia, a maioria das universidades na Europa e nos Estados Unidos investe em programas de internacionalização e oferece bolsas de estudos para pessoas da América Latina, África, Ásia e Oriente Médio em diversas outras carreiras. Em alguns cursos, cerca de 25% dos estudantes não são nativos.
Participar desses programas, contudo, não é tão simples. Cada universidade tem seu próprio sistema de seleção, que inclui etapas que vão desde a análise dos documentos até entrevistas pessoais ou por webconferência e que começam cerca de seis meses antes do início do curso. Para ajudar estudantes na procura por uma bolsa, o site de VEJA fez uma seleção de 30 cursos de mestrado, doutorado e MBA que oferecem bolsas integrais ou parciais.

Como se inscrever — A inscrição para os programas de bolsa é feita em duas etapas paralelas: a admissão na universidade e a obtenção da bolsa. Isso porque as bolsas são ofertadas por fundações ou grupos de apoio que financiam estudos, como a Fundação Lemann e o Instituto Ling, ambos brasileiros. Além disso, também é possível concorrer pelo processo interno nas universidades, que oferecem bolsas parciais de acordo com o currículo do candidato.

Para ser selecionado na universidade, o primeiro passo é escolher um curso de interesse. No mapa elaborado por VEJA.com, é possível escolher programas de bolsas de estudo em cinco áreas: negócios, saúde, educação, direito e ciências humanas. Depois, é preciso saber qual curso se enquadra melhor no perfil do candidato. Para isso, basta clicar no nome da universidade no mapa. No site de cada universidade, o candidato encontra informações detalhadas sobre as áreas de estudo priorizadas em cada instituição de ensino e sobre os programas de pesquisas em andamento.

Os processos seletivos são feitos apenas pela internet. Para isso, serão necessários: cópias digitalizadas de diploma universitário; histórico do curso com as notas obtidas em cada disciplina; documentos pessoais; currículo e cartas de recomendação, em inglês, de profissionais ou professores universitários; e certificado de fluência em inglês, que pode ser TOEFL ou IELTS, dependendo da universidade.

É importante atentar para o período de inscrição para envio de toda a documentação necessária. As entrevistas pessoais ou por telefone e outras solicitações serão feitas nos meses seguintes, após o fim do prazo. “Diferente da pós-graduação no Brasil, em que existe uma seleção quantitativa para seleções de bolsas de estudo, no exterior a seleção é mais qualitativa, baseada nos objetivos do profissional, no histórico acadêmico e na sua capacidade de mostrar liderança”, explica Anna Laura. As entrevistas são usadas para detalhar esses aspectos e para comprovar a fluência em inglês do candidato.

Feira divulga vagas na Europa — Entre os dias 29 e 30, os interessados em estudar na Europa podem entrar com em contato com representantes de  diversas universidades na feira Euro-Pós, que acontece no Centro de Eventos São Luiz, em São Paulo. Promovida pelas instituições de fomento ao ensino superior da França (Campus France), Alemanha (DAAD – Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) e Holanda (Nuffic – Organização Neerlandesa para a Cooperação Internacional no Ensino Superior), o evento contará com a participação de países como Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Reino Unido, Irlanda, Hungria, Suíça, Holanda, Alemanha e Itália.

“Será uma oportunidade para que os estudantes interessados em cursos superiores na Europa conheçam mais sobre a instituição onde desejam estudar. Serão 85 expositores entre universidades europeias e instituições oficiais de informação”, afirma Silvia Bauer, coordenadora de marketing do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico. A feira tem entrada gratuita e fica aberta das das 14h às 19h. Para mais informações, acesse o site do evento.

Estupros na USP expõem omissão de universidades

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As denúncias recentes de casos de estupro ocorridos em uma das faculdades mais tradicionais do país expuseram um problema recorrente em várias universidades brasileiras: a omissão das instituições para coibir os abusos em trotes e festas universitárias, especialmente com os chamados “calouros”, que recém-ingressaram na universidade.

Alunas da FMUSP relatam abuso sexual em festas da faculdade em audiência pública

Alunas da FMUSP relatam abuso sexual em festas da faculdade em audiência pública

Renata Mendonça, na BBC Brasil

As alunas da Faculdade de Medicina da USP em São Paulo (FMUSP), vítimas de abusos sexuais em duas festas realizadas dentro do campus, chegaram a denunciar seus agressores, mas se disseram “silenciadas” pela universidade.

“O que essas meninas que sofreram violências mais relatam pra gente de resposta institucional é o silêncio”, conta Ana Luiza Cunha, aluna do 3º ano de medicina e uma das fundadoras do Coletivo Geni, um grupo criado para dar voz às vítimas de violência dentro da FMUSP.

“Essas violências são conhecidas por quem está lá dentro há muito tempo, mas a diretoria se omite, fala que não sabia.”

A FMUSP, porém disse que “se coloca de maneira antagônica a qualquer forma de violência e tem se empenhado em aprimorar seus mecanismos de prevenção destes tipos de casos, apuração de denúncias e acolhimento das vítimas.”

Os casos recentes reacenderam o debate sobre a responsabilidade das universidades diante do que acontece em trotes e festas vinculadas a ela.

Coletivo feminista Geni vestiu camisa contra o machismo em festa no início do ano e sofreu hostilizações

Coletivo feminista Geni vestiu camisa contra o machismo em festa no início do ano e sofreu hostilizações

Legislação

Não há lei federal que discorra sobre o trote universitário por enquanto – há um projeto de lei que ainda tramita no Congresso. No entanto, no caso de São Paulo, já há uma legislação específica que proíbe o trote violento atribuindo às instituições a responsabilidade por adotar medidas preventivas e impedir a prática dele.

Segundo essa lei (nº 10.454) – que entrou em vigor em 1999, após um calouro de medicina ter morrido afogado em um trote da USP -, a universidade pode ser responsabilizada por um aluno agredido ainda que o trote tenha acontecido fora das dependências dela, “porque a relação entre os alunos está ligada à entidade.”

Para a promotora do Ministério Público do Estado de São Paulo, Paula Figueiredo, que instaurou um inquérito para apurar os casos de violações aos direitos humanos na USP, a universidade tem o dever de investigar esse tipo de violência. “As coações aos novatos ocorreram lá dentro, há, sim, um dever da faculdade de apurar o que aconteceu e dar uma resposta”, disse à BBC Brasil.

A promotora explica que, mesmo em casos de festas organizadas por Atléticas – como é o caso da Carecas no Bosque, onde ocorreu um dos abusos -, “a diretoria da universidade tem responsabilidade por tudo o que acontece dentro do campus.”

O inquérito foi instaurado e agora Paula Figueiredo segue ouvindo depoimentos dos envolvidos. Segundo ela, se for comprovado que “a conduta da instituição gerou danos a uma pessoa, ela pode ter que fazer medidas compensatórias concretas, como uma manifestação expressa de retratação ou até promover políticas de inclusão.” Há ainda a possibilidade de ela ter que pagar uma indenização para o fundo de direitos coletivos que financia ações sociais.

Relatos

Relatos de abusos – sexuais ou físicos – em trotes ou festas universitárias não são uma exclusividade da FMUSP e costumam ser recorrentes nas universidades brasileiras em geral.

“Tem muito disso. Mulheres que têm que simular sexo oral na banana, tenho um amigo que teve um cigarro apagado na mão por um veterano”, conta uma estudante da Unesp Botucatu (SP) que não quis ser identificada.

Na UFMG, uma caloura foi pintada com tinta marrom, enrolada em uma corrente e chamada “Chica da Silva” em 2013. Na UFPR, em 2012, os veteranos do curso de Direito distribuíram um manual de sobrevivência dos calouros ensinando “como se dar bem na vida amorosa utilizando a legislação brasileira.”

Manual de conduta entregue aos bixos de Direito da UFPR em 2012

Manual de conduta entregue aos bixos de Direito da UFPR em 2012

A Unesp de Bauru tem o tradicional “leilão de RP (Relações Públicas)”, em que calouras desfilam para veteranos do curso de Engenharia e são leiloadas em lotes – eles pagam uma quantia (que pode ser de R$ 50, R$ 100) e levam as calouras para as repúblicas. Até 2007, o evento acontecia em uma sala de aula, mas foi proibido pela faculdade e atualmente ocorre em repúblicas.

Segundo a coordenadora do programa USP Diversidade (vinculado à pró-reitoria), Heloisa Buarque, “esse escândalo da USP acontece não por causa dos rituais, mas pelo estupro, porque isso ninguém pode aceitar”. “A imagem da FMUSP é importante, mas é o momento de ela mostrar que ela não vai aceitar mais isso. Há tradições que não têm que ser mantidas.”

Muitas vezes, por serem considerados uma “tradição” dos cursos, os rituais impostos por veteranos nos trotes acabam sendo encarados como algo “normal” para os alunos novos.

“Isso é meio perverso porque realmente ninguém está lá contra a vontade, mas normaliza-se a violência a um ponto de as pessoas pensarem ‘eu tenho que aturar essa violência pra fazer parte disso'”, disse Ana Luiza. Ela conta que o próprio Coletivo Geni sofre hostilizações na USP de pessoas que não concordam com as “violências” que elas estão denunciando.

“Muitos falam que é culpa da vítima, que não é abuso porque a menina estava bêbada e permitiu. Outros vieram nos criticar quando usamos uma camiseta contra o machismo no trote dizendo que ‘não tem machismo na faculdade'”.

Combate

Algumas faculdades promovem atividades culturais ou o chamado “trote solidário” para substituir os tradicionais rituais de tinta e brincadeiras praticados pelos veteranos. Além disso, algumas criaram ouvidorias ou “disque-trote” para os alunos fazerem denúncias.

No IME, calouros simulam sexo com mulher desenhada no chão

No IME, calouros simulam sexo com mulher desenhada no chão

A Unesp Botucatu chegou a abrir uma Comissão Central de Sindicância esse ano para apurar abusos em trotes – no mês passado, essa comissão anunciou a expulsão de Luís Yori Almeida Galvão, aluno da Medicina, acusado de praticar o trote violento. Já a Unicamp coloca comissões de plantão para fiscalizar o trote dos cursos.

Algumas faculdades particulares enfrentam o mesmo problema e também buscaram soluções. No caso da PUC, em Sorocaba, alunos da medicina criaram um Grupo de Apoio ao Primeiranista, que inclui núcleos e apoio psicológico e social para dar suporte a calouros que sofram eventuais violências ou tenham algum tipo de problema na faculdade.

A Faculdade de Medicina do ABC implantou câmeras pelo campus e também criou sindicâncias para investigar abusos. Em uma delas, dois alunos foram expulsos e quatro suspensos por terem levado calouros a um educandário próximo à faculdade e aplicado o trote do “cartão vermelho” (colocaram pimenta no ânus dos alunos).

No entanto, a punição acabou sendo revertida. “Os alunos foram à Justiça Comum e conseguiram reverter. O Ministério Público tem que trabalhar junto com as faculdades pra isso. Tem que mexer na lei”, disse à BBC Marco Akerman, à época vice-diretor da Faculdade de Medicina do ABC e atualmente professor da Faculdade de Saúde Pública da USP.

“Nossa formação é universitária, não é diversitária. Acaba sendo machista porque a maioria dos professores e diretores são homens, e aí vai se formando uma cultura de formação machista, homofóbica e racista”, explicou.

“A Universidade tem que assumir a organização do trote e das atividades de recepção junto com alunos. Tem que tirar isso da penumbra, mostrar pra sociedade o que está acontecendo.”

Proibição

Outra opção muito discutida nas universidades – inclusive na FMUSP – é a proibição de festas com álcool dentro do campus. Essa medida foi adotada pela Faculdade de Medicina do ABC, mas não agradou nem aos alunos, nem aos pais deles.

“Recebemos um abaixo-assinado com 600 assinaturas de alunos e 150 de pais. Eles acham que é mais seguro os filhos irem a festas na faculdade do que fora dela”, disse Akerman.

Concurso de "Miss Bixete" é comum nos trotes de universidades do Estado de São Paulo

Concurso de “Miss Bixete” é comum nos trotes de universidades do Estado de São Paulo

A FMUSP por enquanto apenas suspendeu as festas no campus. Na semana passada, a diretoria anunciou a “criação do Centro de Defesa dos Direitos Humanos, com assistência jurídica, ouvidoria, assistências psicológica e de saúde, para apoio de alunos da instituição que se sentirem vítimas de qualquer tipo de violação”, e disse que vai ampliar o sistema de vigilância, além de estabelecer novas regras para o consumo de álcool na faculdade.

O Coletivo Geni está otimista com as medidas e espera que as ações sejam estendidas a toda USP. “A universidade tem que fazer uma autocrítica, tem que sair do seu isolamento e voltar a se preocupar com o tipo de aluno que ela está formando e se esses profissionais vão trazer uma transformação da sociedade para que ela não seja só uma fábrica de diplomas”, concluiu Ana Luiza.

Ciência sem Fronteiras tem 13,8% de bolsistas em universidades ‘top’ 100

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Programa tem brasileiros em 92 das 100 melhores do ranking Times Higher.
Cerca de 72% destes alunos são de cursos de graduação-sanduíche.

Cauê Fabiano, Ana Carolina Moreno e Paulo Guilherme no G1

1Entre as 100 melhores universidades do mundo, de acordo com o ranking Times Higher Education, divulgado no início de outubro, há 5.425 estudantes brasileiros que obtiveram bolsa pelo programa Ciência sem Fronteiras. O número representa 13,8% dos 39.091 brasileiros, de graduandos a pesquisadores realizando pós-doutorado, que estão atualmente em universidades do exterior por meio do programa do governo.

O resultado vem de um levantamento realizado pelo G1, com as bolsas vigentes e aprovadas até o dia 20 de outubro, a partir de dados disponibilizados pelo próprio programa.
São 3.953 alunos de graduação-sanduíche (ou seja, realizada parte no exterior e parte no Brasil), o que representa 72% dos brasileiros nas instituições “top 100″, mais 854 inscritos em doutorado e 401 bolsistas de pós-doutorado (veja tabela completa).

No total, são 2.733 universidades no exterior que recebem bolsistas do Ciência sem Fronteiras, oriundos de 850 instituições brasileiras, conforme dados informados pelo Ministério da Educação (MEC).

Para o secretário executivo do MEC, Luiz Claudio Costa, a presença de mais de 5 mil alunos do Programa entre as 100 melhores instituições de ensino superior do planeta é bastante significativa. “Desde o início do programa, foi uma determinação que nós trabalhássemos alocando os estudantes nas melhores universidades do mundo, então esse número que nós temos de 13,8% dos alunos entre as 100 melhores é extremamente importante”, avaliou.

No Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), dos Estados Unidos, eleito pela quarta vez a melhor universidade do mundo, há apenas um brasileiro estudando por meio do Ciência sem Fronteiras, ao realizar uma pesquisa de doutorado. De acordo com a instituição, há um total de cinco estudantes do Brasil atualmente matriculados.

Já na Universidade Harvard, segunda do ranking, estão 87 brasileiros do programa atualmente, sendo 19 de graduação, 25 de doutorado e 37 de pós-doutorado. Em Oxford, na Inglaterra, terceira do ranking, são 37 brasileiros. Stanford, a quarta colocada, tem 17. E Cambridge, quinta do ranking, conta atualmente com 47 bolsistas do Ciências sem Fronteiras.

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Ausência de brasileiros

Ao todo, das 100 universidades mais bem colocadas do ranking, 92 têm ao menos um brasileiro bolsista do programa. As oito universidades que não têm brasileiros do Ciências sem Fronteiras no momento são: três no Reino Unido (University College London, London School of Economics and Political Science e King’s College London), quatro na China (University of Hong Kong, Peking University, Tsinghua University e Hong Kong University of Science and Technology) e uma na Turquia, a Middle East Technical University.

Para o secretário-executivo do MEC, a maioria dessas ausências ocorre porque as instituições não se enquadram nas áreas contempladas pelo CsF, e que algumas instituições, mesmo não listadas no ranking, são as melhores em determinados campos do conhecimento. “[O ranking] pega a universidade como um todo, não em áreas específicas. É preciso estar entre as melhores do mundo, e em áreas específicas também”, argumentou.

Em nível internacional, algumas universidades podem não ter a mesma fama de Harvard”
Jefferson Brown, secretário-assistente de diplomacia pública

Partilhando da mesma opinião, o fato de só 13% das bolsas estarem nas 100 melhores universidades, de acordo com o ranking, não quer dizer que a maioria dos estudantes estão em universidades de baixa qualidade, segundo Jefferson Brown, secretário-assistente de diplomacia pública do Escritório de Negócios Ocidentais do governo americano.

Em visita recente ao Brasil, o diplomata contou ao G1 que os bolsistas brasileiros do CSF são alocados em universidades americanas de acordo com o currículo de seus cursos, que podem ser mais ou menos compatível com as instituições dos Estados Unidos.

“Sobre os rankings, precisamos olhar mais de perto. Se você quer estudar agricultura, você não vai para [a Universidade] Yale, você talvez vá para a [Universidade] Purdue [que fica no estado de Indiana]. Você precisa olhar as áreas de estudo. Em nível internacional, algumas universidades podem não ter a mesma fama de Harvard”, explicou ele.

“Nós vemos que as pessoas conhecem um número de universidades famosas, mas pode ser que haja uma da qual eles nunca ouviram falar, mas que é perfeita para eles.” Segundo Brown, dentro dos Estados Unidos há institutos que produzem rankings das universidades do país de acordo com as diferentes áreas de estudo.

O coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro da Universidade de Brasília (UnB), o professor Isaac Roitman, também avalia o posicionamento dos estudantes brasileiros entre as melhores universidades do mundo como positivo, mesmo que, para ela, sejam necessárias mudanças no programa. “O índice é bom, considerando que nenhuma universidade brasileira foi ranqueada como a melhores do planeta”, frisou Roitman.

Contudo, Isaac destacou medidas que considera importantes para o “aperfeiçoamento do Programa”, com destaque para definição de tutores no Brasil que façam acompahamento do andamento dos estudos do bolsista, além de apoio emocional dos alunos.

“[É necessária a] adequação das metas nas próximas edições de forma que possamos mandar para o exterior estudantes que apresentem potencial cognitivo e maturidade, iImplantação de um sistema de avaliação continuo nos egressos do programa após o retorno ao país e introduzir monitoramento do aprendizado acadêmico e de distúrbios emocionais”, enumerou o professor.

Graduandos, mestres e doutores

Apenas em instituições dos EUA, qualificadas no Top 100, existem alunos realizando dissertações de mestrado: 203 brasileiros entre bolsistas vigentes fazem a pesquisa em 26 universidades norte-americanas. A melhor colocada entre elas, a Universidade da Califórnia em Berkeley, que ocupa a 8ª posição no ranking, possui apenas um estudante dessa modalidade.

Já as universidades que mais recebem brasileiros inscritos no programa do governo, a Universidade de Toronto (21ª colocada do ranking) lidera com 648 estudantes, 95,2% desse total fazendo graduação. A escola canadense é seguida por duas universidades australianas: Universidade Monash (443 alunos) e a Universidade de Queensland, contando com 439 bolsistas brasileiros. Em ambos esses casos, a maioria é majoritariamente formada por alunos de graduação: 98,1% e 94,7%, respectivamente.

O Brasil deu um passo estratégico no sentido da internacionalização”
Luiz Claudio Costa, secretário-executivo do MEC

Por outro lado, há cinco entre as 100 melhores universidades que possuem apenas um bolsista brasileiro do programa no quadro de alunos. Além do Caltech, nos EUA, as universidades de Kyoto, no Japão, Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, a Scuola Normale Superiore di Pisa, na Itália e a Universidade Vanderbilt, nos EUA, possuem um único brasileiro pesquisador.

Internacionalização

Para Luiz Claudio Costa, os resultados parciais do programa mostram que o país caminha para uma troca mais produtiva no ponto de vista acadêmico, a partir do contato que os estudantes têm com o aprendizado no exterior. “O Brasil deu um passo estratégico no sentido da internacionalização”, avaliou Costa, frisando que o CSF atraiu a atenção de universidades estrangeiras.

“O programa hoje tem um reconhecimento mundial, vários países têm procurado o brasil para fazer conosco parcerias”, destacou o secretário-executivo, apontando que o projeto conseguiu aliar a qualidade das insituições de ensino em outras nações com os padrões de exigência da CAPES e CNPq, para que essas universidades figurem entre as instituições que podem oferecer bolsas a brasileiros.

“Isso vai trazer para as instituições brasileiras um avanço muito grande, e em pouco tempo. E mais: temos vários estudantes que já estão fazendo intercâmbio, e isso já está gerando intercâmbio de pesquisas”, concluiu.

Falta de proficiência

Desde julho de 2011, quando foi criado, o Programa Ciência sem Fronteiras já implementou 71.478 bolsas, conforme dados do Painel de Controle do programa. A meta, de acordo com o governo, é implementar 101 mil bolsas em até 2015. Depois de aprovado, o aluno tem direito a uma série de benefícios enquanto estiver realizando a pesquisa ou a graduação no país escolhido. Ao total, são 18 áreas de conhecimento contempladas pelo programa e que permitem a inscrição para bolsas de estudo, incluindo engenharia, nanotecnologia, biologia, ciências exatas, entre outras.

Os auxílios incluem mensalidade, adicional de localidade, acréscimo por dependentes, seguro saúde, auxílio instalação, ajuda para aquisição de material didático e auxílio de deslocamento. Todos os valores dependem da modalidade de bolsa (de graduação a pós-doutorado) e o país escolhido para a pesquisa.

Um dos principais problemas encontrados no Ciência sem Fronteiras foi a falta de proficiência em inglês de muitos estudantes. Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (12) aponta que o Brasil ocupa a 38ª posição no ranking mundial de proficiência em inglês.

No início, muitos optaram por estudar em universidades de Portugal, por causa da facilidade com o idioma. No ano passado, o governo decidiu excluir Portugal do programa para estimular a aprendizagem de outras línguas pelos estudantes. E ainda promoveu um programa de aprendizado em inglês de seis meses. Em abril deste ano, mais de 9 mil alunos que estavam em Portugal foram transferidos para outros países. Destes, 110 estudantes foram excluídos porque não obtiveram a proficiência em inglês.

A Poesia Marginal: 10 belos poemas da “Geração Mimeógrafo”

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Diego Santos, no Literatortura

Durante a dura repressão do regime militar brasileiro, muitos artistas tiveram que encontrar meios alternativos para manifestar sua arte ou seus protestos.

Entre tantos artistas, os poetas tiveram um grande destaque a partir do que se chamou “Geração Mimeógrafo”. Como as obras de tais artistas não eram aceitas por grandes editoras ou eram censuradas por órgãos repressivos, eles acabaram aderindo ao mimeógrafo, que era uma tecnologia mais acessível na época.

O mimeógrafo é aquela máquina que faz cópias de papel escrito em grande escala e utiliza na reprodução um tipo de papel estêncil e álcool.

Desta forma, os poetas divulgavam e vendiam seus trabalhos a preços baixíssimos em universidades, praças e ruas.

No ano de 1975, a editora Brasiliense publicou um livro intitulado “26 Poetas Hoje”, divulgando obras e nomes à margem do circuito editorial estabelecido. Esta arte foi chamada de Poesia Marginal e reuniu grandes nomes, até hoje muito estudados!

Nesta lista, você conhecerá 10 poemas e poetas que marcaram toda essa geração e esta história de resistência à ditadura.

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RÁPIDO E RASTEIRO
Chacal

vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.
aí eu paro, tiro o sapato
e danço o resto da vida

JOGOS FLORAIS
Cacaso

Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá.
Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho,
vira direto vinagre.

Minha terra tem Palmares
memória cala-te já.
Peço licença poética
Belém capital Pará.
Bem, meus prezados senhores
dado o avançado da hora
errata e efeitos do vinho
o poeta sai de fininho.

(será mesmo com dois esses
que se escreve paçarinho?)

COGITO
Torquato neto

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

UMA NOITE
Afonso Henriques Neto

o tio cuspia pardais de cinco em cinco minutos.
esta grama de lágrimas forrando a alma inteira
(conforme se diz da jaula de nervos)
recebe os macios passos de toda a família
na casa evaporada

mais os vazios passos
de ela própria menina.

a avó puxava linhas de cor de dentro dos olhos.
uma gritaria de primos e bruxas escalava o vento
escalpelava a tempestade
pedaços de romã podre
no bolor e charco do tanque.

o pai conduzia a festa
como um barqueiro
puxando peixes mortos

nós
os irmãos
jogávamos no fogo
dentaduras pétalas tranças
fotografias cuspes aniversários
e sempre
uma canção
só cal e ossos
a mãe de nuvem parindo orquídeas no cimento.

RECEITA
Nicolas Behr

Ingredientes:

2 conflitos de gerações
4 esperanças perdidas
3 litros de sangue fervido
5 sonhos eróticos
2 canções dos beatles

Modo de preparar

dissolva os sonhos eróticos
nos dois litros de sangue fervido
e deixe gelar seu coração

leve a mistura ao fogo
adicionando dois conflitos de gerações
às esperanças perdidas

corte tudo em pedacinhos
e repita com as canções dos beatles
o mesmo processo usado com os sonhos
eróticos mas desta vez deixe ferver um
pouco mais e mexa até dissolver

parte do sangue pode ser substituído
por suco de groselha
mas os resultados não serão os mesmos
sirva o poema simples ou com ilusões

TIRA-TEIMA
Bernardo Vilhena

Tire a faca do peito
e o medo dos olhos
Ponha uns óculos escuros
e saia por aí. Dando bandeira

Tire o nó da garganta
que a palavra corre fácil
sem desculpas nem contornos
Direta: do diafragma ao céu da boca

Tire o trinco da porta
liberte a corrente de ar
Deixe os bons ventos levantarem a poeira
levando o cisco ao olho grande

Tire a sorte na esquina
na primeira cigana ou no velho realejo
Leia o horóscopo e olhe o céu
lembre-se das estrelas e da estrada
Tire o corpo da reta
e o cu da seringa
que malandro é você, rapaz
o lado bom da faca é o cabo

Tire a mulher mais bonita
pra dançar e dance
Dance olhando dentro dos olhos
até que ela morra de vergonha

Tire o revólver e atire
a primeira pedra
a última palavra
a praga e a sorte
a peste, ou o vírus?

MUITO OBRIGADO
Francisco Alvim

Ao entrar na sala
cumprimentei-o com três palavras
boa tarde senhor
Sentei-me defronte dele
(como me pediu que fizesse)
Bonita vista
pena que nunca a aviste
Colhendo meu sangue: a agulha
enfiada na ponta do dedo
vai procurar a veia quase no sovaco
Discutir o assunto
fume do meu cigarro
deixa experimentar o seu
(Quanto ganhará este sujeito)
Blazer, roseta, o país voltando-lhe
no hábito do anel profissional
Afinal, meu velho, são trinta anos
hoje como ontem ao meio-dia
Uma cópia deste documento
que lhe confio em amizade
Sua experiência nos pode ser muito útil
não é incômodo algum
volte quando quiser

SONETO
Ana Cristina César

Pergunto aqui se sou louca
Quem quer saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu

Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida

Pergunto aqui meus senhores
quem é a loura donzela
que se chama Ana Cristina
E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?

AMOR BASTANTE
Paulo Leminski

quando eu vi você
tive uma ideia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

OLHOS DE RESSACA
Geraldo Carneiro

minha deusa negra quando anoitece
desce as escadas do apartamento
e procura a estátua no centro da praça
onde faz o ponto provisoriamente

eu fico na cama pensando na vida
e quando me canso abro a janela
enxergando o porto e suas luzes foscas
o meu coração se queixa amargamente
penso na morena do andar de baixo
e no meu destino cego, sufocado
nesse edifício sórdido & sombrio
sempre mal e mal vivendo de favores

e a minha deusa corre os esgotos
essa rede obscura sob as cidades
desde que a noite é noite e o mundo é mundo
senhora das águas dos encanamentos

eu escuto o samba mais dolente & negro
e a luz difusa que vem do inferninho
no primeiro andar do prédio condenado
brilha nos meus tristes olhos de ressaca

e a minha deusa, a pantera do catre
consagrada à fome e à fertilidade
bebe o suor de um marinheiro turco
e às vezes os olhos onde a lua

eu recordo os laços na beira da cama
percorrendo o álbum de fotografias
e não me contendo enquanto me visto
chego à janela e grito pra estátua

se não fosse o espelho que me denuncia
e a obrigação de guerras e batalhas
eu me arvoraria a herói como você, meu caro
pra fazer barulho e preservar os cabarés.

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