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Ciência sem Fronteiras tem 13,8% de bolsistas em universidades ‘top’ 100

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Programa tem brasileiros em 92 das 100 melhores do ranking Times Higher.
Cerca de 72% destes alunos são de cursos de graduação-sanduíche.

Cauê Fabiano, Ana Carolina Moreno e Paulo Guilherme no G1

1Entre as 100 melhores universidades do mundo, de acordo com o ranking Times Higher Education, divulgado no início de outubro, há 5.425 estudantes brasileiros que obtiveram bolsa pelo programa Ciência sem Fronteiras. O número representa 13,8% dos 39.091 brasileiros, de graduandos a pesquisadores realizando pós-doutorado, que estão atualmente em universidades do exterior por meio do programa do governo.

O resultado vem de um levantamento realizado pelo G1, com as bolsas vigentes e aprovadas até o dia 20 de outubro, a partir de dados disponibilizados pelo próprio programa.
São 3.953 alunos de graduação-sanduíche (ou seja, realizada parte no exterior e parte no Brasil), o que representa 72% dos brasileiros nas instituições “top 100″, mais 854 inscritos em doutorado e 401 bolsistas de pós-doutorado (veja tabela completa).

No total, são 2.733 universidades no exterior que recebem bolsistas do Ciência sem Fronteiras, oriundos de 850 instituições brasileiras, conforme dados informados pelo Ministério da Educação (MEC).

Para o secretário executivo do MEC, Luiz Claudio Costa, a presença de mais de 5 mil alunos do Programa entre as 100 melhores instituições de ensino superior do planeta é bastante significativa. “Desde o início do programa, foi uma determinação que nós trabalhássemos alocando os estudantes nas melhores universidades do mundo, então esse número que nós temos de 13,8% dos alunos entre as 100 melhores é extremamente importante”, avaliou.

No Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), dos Estados Unidos, eleito pela quarta vez a melhor universidade do mundo, há apenas um brasileiro estudando por meio do Ciência sem Fronteiras, ao realizar uma pesquisa de doutorado. De acordo com a instituição, há um total de cinco estudantes do Brasil atualmente matriculados.

Já na Universidade Harvard, segunda do ranking, estão 87 brasileiros do programa atualmente, sendo 19 de graduação, 25 de doutorado e 37 de pós-doutorado. Em Oxford, na Inglaterra, terceira do ranking, são 37 brasileiros. Stanford, a quarta colocada, tem 17. E Cambridge, quinta do ranking, conta atualmente com 47 bolsistas do Ciências sem Fronteiras.

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Ausência de brasileiros

Ao todo, das 100 universidades mais bem colocadas do ranking, 92 têm ao menos um brasileiro bolsista do programa. As oito universidades que não têm brasileiros do Ciências sem Fronteiras no momento são: três no Reino Unido (University College London, London School of Economics and Political Science e King’s College London), quatro na China (University of Hong Kong, Peking University, Tsinghua University e Hong Kong University of Science and Technology) e uma na Turquia, a Middle East Technical University.

Para o secretário-executivo do MEC, a maioria dessas ausências ocorre porque as instituições não se enquadram nas áreas contempladas pelo CsF, e que algumas instituições, mesmo não listadas no ranking, são as melhores em determinados campos do conhecimento. “[O ranking] pega a universidade como um todo, não em áreas específicas. É preciso estar entre as melhores do mundo, e em áreas específicas também”, argumentou.

Em nível internacional, algumas universidades podem não ter a mesma fama de Harvard”
Jefferson Brown, secretário-assistente de diplomacia pública

Partilhando da mesma opinião, o fato de só 13% das bolsas estarem nas 100 melhores universidades, de acordo com o ranking, não quer dizer que a maioria dos estudantes estão em universidades de baixa qualidade, segundo Jefferson Brown, secretário-assistente de diplomacia pública do Escritório de Negócios Ocidentais do governo americano.

Em visita recente ao Brasil, o diplomata contou ao G1 que os bolsistas brasileiros do CSF são alocados em universidades americanas de acordo com o currículo de seus cursos, que podem ser mais ou menos compatível com as instituições dos Estados Unidos.

“Sobre os rankings, precisamos olhar mais de perto. Se você quer estudar agricultura, você não vai para [a Universidade] Yale, você talvez vá para a [Universidade] Purdue [que fica no estado de Indiana]. Você precisa olhar as áreas de estudo. Em nível internacional, algumas universidades podem não ter a mesma fama de Harvard”, explicou ele.

“Nós vemos que as pessoas conhecem um número de universidades famosas, mas pode ser que haja uma da qual eles nunca ouviram falar, mas que é perfeita para eles.” Segundo Brown, dentro dos Estados Unidos há institutos que produzem rankings das universidades do país de acordo com as diferentes áreas de estudo.

O coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro da Universidade de Brasília (UnB), o professor Isaac Roitman, também avalia o posicionamento dos estudantes brasileiros entre as melhores universidades do mundo como positivo, mesmo que, para ela, sejam necessárias mudanças no programa. “O índice é bom, considerando que nenhuma universidade brasileira foi ranqueada como a melhores do planeta”, frisou Roitman.

Contudo, Isaac destacou medidas que considera importantes para o “aperfeiçoamento do Programa”, com destaque para definição de tutores no Brasil que façam acompahamento do andamento dos estudos do bolsista, além de apoio emocional dos alunos.

“[É necessária a] adequação das metas nas próximas edições de forma que possamos mandar para o exterior estudantes que apresentem potencial cognitivo e maturidade, iImplantação de um sistema de avaliação continuo nos egressos do programa após o retorno ao país e introduzir monitoramento do aprendizado acadêmico e de distúrbios emocionais”, enumerou o professor.

Graduandos, mestres e doutores

Apenas em instituições dos EUA, qualificadas no Top 100, existem alunos realizando dissertações de mestrado: 203 brasileiros entre bolsistas vigentes fazem a pesquisa em 26 universidades norte-americanas. A melhor colocada entre elas, a Universidade da Califórnia em Berkeley, que ocupa a 8ª posição no ranking, possui apenas um estudante dessa modalidade.

Já as universidades que mais recebem brasileiros inscritos no programa do governo, a Universidade de Toronto (21ª colocada do ranking) lidera com 648 estudantes, 95,2% desse total fazendo graduação. A escola canadense é seguida por duas universidades australianas: Universidade Monash (443 alunos) e a Universidade de Queensland, contando com 439 bolsistas brasileiros. Em ambos esses casos, a maioria é majoritariamente formada por alunos de graduação: 98,1% e 94,7%, respectivamente.

O Brasil deu um passo estratégico no sentido da internacionalização”
Luiz Claudio Costa, secretário-executivo do MEC

Por outro lado, há cinco entre as 100 melhores universidades que possuem apenas um bolsista brasileiro do programa no quadro de alunos. Além do Caltech, nos EUA, as universidades de Kyoto, no Japão, Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, a Scuola Normale Superiore di Pisa, na Itália e a Universidade Vanderbilt, nos EUA, possuem um único brasileiro pesquisador.

Internacionalização

Para Luiz Claudio Costa, os resultados parciais do programa mostram que o país caminha para uma troca mais produtiva no ponto de vista acadêmico, a partir do contato que os estudantes têm com o aprendizado no exterior. “O Brasil deu um passo estratégico no sentido da internacionalização”, avaliou Costa, frisando que o CSF atraiu a atenção de universidades estrangeiras.

“O programa hoje tem um reconhecimento mundial, vários países têm procurado o brasil para fazer conosco parcerias”, destacou o secretário-executivo, apontando que o projeto conseguiu aliar a qualidade das insituições de ensino em outras nações com os padrões de exigência da CAPES e CNPq, para que essas universidades figurem entre as instituições que podem oferecer bolsas a brasileiros.

“Isso vai trazer para as instituições brasileiras um avanço muito grande, e em pouco tempo. E mais: temos vários estudantes que já estão fazendo intercâmbio, e isso já está gerando intercâmbio de pesquisas”, concluiu.

Falta de proficiência

Desde julho de 2011, quando foi criado, o Programa Ciência sem Fronteiras já implementou 71.478 bolsas, conforme dados do Painel de Controle do programa. A meta, de acordo com o governo, é implementar 101 mil bolsas em até 2015. Depois de aprovado, o aluno tem direito a uma série de benefícios enquanto estiver realizando a pesquisa ou a graduação no país escolhido. Ao total, são 18 áreas de conhecimento contempladas pelo programa e que permitem a inscrição para bolsas de estudo, incluindo engenharia, nanotecnologia, biologia, ciências exatas, entre outras.

Os auxílios incluem mensalidade, adicional de localidade, acréscimo por dependentes, seguro saúde, auxílio instalação, ajuda para aquisição de material didático e auxílio de deslocamento. Todos os valores dependem da modalidade de bolsa (de graduação a pós-doutorado) e o país escolhido para a pesquisa.

Um dos principais problemas encontrados no Ciência sem Fronteiras foi a falta de proficiência em inglês de muitos estudantes. Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (12) aponta que o Brasil ocupa a 38ª posição no ranking mundial de proficiência em inglês.

No início, muitos optaram por estudar em universidades de Portugal, por causa da facilidade com o idioma. No ano passado, o governo decidiu excluir Portugal do programa para estimular a aprendizagem de outras línguas pelos estudantes. E ainda promoveu um programa de aprendizado em inglês de seis meses. Em abril deste ano, mais de 9 mil alunos que estavam em Portugal foram transferidos para outros países. Destes, 110 estudantes foram excluídos porque não obtiveram a proficiência em inglês.

A Poesia Marginal: 10 belos poemas da “Geração Mimeógrafo”

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Diego Santos, no Literatortura

Durante a dura repressão do regime militar brasileiro, muitos artistas tiveram que encontrar meios alternativos para manifestar sua arte ou seus protestos.

Entre tantos artistas, os poetas tiveram um grande destaque a partir do que se chamou “Geração Mimeógrafo”. Como as obras de tais artistas não eram aceitas por grandes editoras ou eram censuradas por órgãos repressivos, eles acabaram aderindo ao mimeógrafo, que era uma tecnologia mais acessível na época.

O mimeógrafo é aquela máquina que faz cópias de papel escrito em grande escala e utiliza na reprodução um tipo de papel estêncil e álcool.

Desta forma, os poetas divulgavam e vendiam seus trabalhos a preços baixíssimos em universidades, praças e ruas.

No ano de 1975, a editora Brasiliense publicou um livro intitulado “26 Poetas Hoje”, divulgando obras e nomes à margem do circuito editorial estabelecido. Esta arte foi chamada de Poesia Marginal e reuniu grandes nomes, até hoje muito estudados!

Nesta lista, você conhecerá 10 poemas e poetas que marcaram toda essa geração e esta história de resistência à ditadura.

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RÁPIDO E RASTEIRO
Chacal

vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.
aí eu paro, tiro o sapato
e danço o resto da vida

JOGOS FLORAIS
Cacaso

Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá.
Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho,
vira direto vinagre.

Minha terra tem Palmares
memória cala-te já.
Peço licença poética
Belém capital Pará.
Bem, meus prezados senhores
dado o avançado da hora
errata e efeitos do vinho
o poeta sai de fininho.

(será mesmo com dois esses
que se escreve paçarinho?)

COGITO
Torquato neto

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

UMA NOITE
Afonso Henriques Neto

o tio cuspia pardais de cinco em cinco minutos.
esta grama de lágrimas forrando a alma inteira
(conforme se diz da jaula de nervos)
recebe os macios passos de toda a família
na casa evaporada

mais os vazios passos
de ela própria menina.

a avó puxava linhas de cor de dentro dos olhos.
uma gritaria de primos e bruxas escalava o vento
escalpelava a tempestade
pedaços de romã podre
no bolor e charco do tanque.

o pai conduzia a festa
como um barqueiro
puxando peixes mortos

nós
os irmãos
jogávamos no fogo
dentaduras pétalas tranças
fotografias cuspes aniversários
e sempre
uma canção
só cal e ossos
a mãe de nuvem parindo orquídeas no cimento.

RECEITA
Nicolas Behr

Ingredientes:

2 conflitos de gerações
4 esperanças perdidas
3 litros de sangue fervido
5 sonhos eróticos
2 canções dos beatles

Modo de preparar

dissolva os sonhos eróticos
nos dois litros de sangue fervido
e deixe gelar seu coração

leve a mistura ao fogo
adicionando dois conflitos de gerações
às esperanças perdidas

corte tudo em pedacinhos
e repita com as canções dos beatles
o mesmo processo usado com os sonhos
eróticos mas desta vez deixe ferver um
pouco mais e mexa até dissolver

parte do sangue pode ser substituído
por suco de groselha
mas os resultados não serão os mesmos
sirva o poema simples ou com ilusões

TIRA-TEIMA
Bernardo Vilhena

Tire a faca do peito
e o medo dos olhos
Ponha uns óculos escuros
e saia por aí. Dando bandeira

Tire o nó da garganta
que a palavra corre fácil
sem desculpas nem contornos
Direta: do diafragma ao céu da boca

Tire o trinco da porta
liberte a corrente de ar
Deixe os bons ventos levantarem a poeira
levando o cisco ao olho grande

Tire a sorte na esquina
na primeira cigana ou no velho realejo
Leia o horóscopo e olhe o céu
lembre-se das estrelas e da estrada
Tire o corpo da reta
e o cu da seringa
que malandro é você, rapaz
o lado bom da faca é o cabo

Tire a mulher mais bonita
pra dançar e dance
Dance olhando dentro dos olhos
até que ela morra de vergonha

Tire o revólver e atire
a primeira pedra
a última palavra
a praga e a sorte
a peste, ou o vírus?

MUITO OBRIGADO
Francisco Alvim

Ao entrar na sala
cumprimentei-o com três palavras
boa tarde senhor
Sentei-me defronte dele
(como me pediu que fizesse)
Bonita vista
pena que nunca a aviste
Colhendo meu sangue: a agulha
enfiada na ponta do dedo
vai procurar a veia quase no sovaco
Discutir o assunto
fume do meu cigarro
deixa experimentar o seu
(Quanto ganhará este sujeito)
Blazer, roseta, o país voltando-lhe
no hábito do anel profissional
Afinal, meu velho, são trinta anos
hoje como ontem ao meio-dia
Uma cópia deste documento
que lhe confio em amizade
Sua experiência nos pode ser muito útil
não é incômodo algum
volte quando quiser

SONETO
Ana Cristina César

Pergunto aqui se sou louca
Quem quer saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu

Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida

Pergunto aqui meus senhores
quem é a loura donzela
que se chama Ana Cristina
E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?

AMOR BASTANTE
Paulo Leminski

quando eu vi você
tive uma ideia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

OLHOS DE RESSACA
Geraldo Carneiro

minha deusa negra quando anoitece
desce as escadas do apartamento
e procura a estátua no centro da praça
onde faz o ponto provisoriamente

eu fico na cama pensando na vida
e quando me canso abro a janela
enxergando o porto e suas luzes foscas
o meu coração se queixa amargamente
penso na morena do andar de baixo
e no meu destino cego, sufocado
nesse edifício sórdido & sombrio
sempre mal e mal vivendo de favores

e a minha deusa corre os esgotos
essa rede obscura sob as cidades
desde que a noite é noite e o mundo é mundo
senhora das águas dos encanamentos

eu escuto o samba mais dolente & negro
e a luz difusa que vem do inferninho
no primeiro andar do prédio condenado
brilha nos meus tristes olhos de ressaca

e a minha deusa, a pantera do catre
consagrada à fome e à fertilidade
bebe o suor de um marinheiro turco
e às vezes os olhos onde a lua

eu recordo os laços na beira da cama
percorrendo o álbum de fotografias
e não me contendo enquanto me visto
chego à janela e grito pra estátua

se não fosse o espelho que me denuncia
e a obrigação de guerras e batalhas
eu me arvoraria a herói como você, meu caro
pra fazer barulho e preservar os cabarés.

Estudo aponta 12 tendências tecnológicas para universidades brasileiras

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Recursos devem chegar ao ensino superior em até cinco anos, caso de apps móveis e realidade aumentada. Mapeamento é assinado por 41 especialistas
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Bianca Bibiano, em Veja

Estudo divulgado nesta quinta-feira pelo grupo americano New Media Consortium aponta que nos próximos cinco anos as universidades brasileiras estarão mais inseridas no mundo digital, com aulas em laboratórios remotos, uso de assistentes virtuais e aplicativos móveis aliados ao aprendizado. As conclusões do documento, divulgado com exclusividade por VEJA.com, são assinadas por um grupo de 41 pesquisadores que, pela primeira vez, analisou as tendências tecnológicas que despontam no cenário nacional. “O Brasil tem uma peculiaridade: sua população tem grande apreço pela tecnologia, mas ainda não a insere em atividades educativas”, explica Larry Johnson, pesquisador responsável pelo estudo.

Ainda assim, afirma Johnson, há iniciativas que estão dando resultado e que apontam para mudanças no curto prazo. “Nas melhores universidades do país já há um movimento para mudar o padrão de aula, saindo das atividades expositivas e caminhando para a prática, onde o aluno também é protagonista”, diz. “No entanto, ainda há muito que avançar, porque não estamos falando apenas de aparelhos, mas sim de práticas de ensino, como a sala de aula invertida.” Nesse modelo, o estudante faz leituras, exercícios e assiste a vídeos em casa e utiliza o tempo na universidade para tirar dúvidas e debater com o professor.

Para o pesquisador, contudo, tendências como essa esbarram na cultura cultivada pelas universidades. “O professor, mesmo no ensino superior, ainda acha que o smartphone atrapalha o andamento da aula e proíbe seu uso, enquanto a experiência internacional tem relatado sucesso no uso desses aplicativos móveis para fazer atividades do curso, como pesquisas na internet.” Esse contexto, diz Johnson, faz com que as mudanças apareçam em poucas universidades, que nos próximos anos serão referência para outras. “Tanto o aluno quanto o professor brasileiro ainda não estão preparados para trabalhar com a tecnologia, mas já é possível ver experiências que podem servir de referência para os demais.”

Servir de referência é exatamente o objetivo do relatório, que vem sendo produzido há mais de dez anos. Em janeiro, o grupo divulgou o relatório das tendências mundiais com análise de 43 países, que, ao contrário do Brasil, acenam para o uso mais intenso de impressoras 3D e de monitoramento de dados dos alunos como estratégia de ensino. “Alguns docentes com que conversamos no Brasil ainda não sabem o que são esses recursos e não tem ideia de como usá-los nas aulas. Por isso, pensamos que no Brasil o avanço se derá primeiro com aplicativos móveis e mudanças na didática do professor”, diz. Mudanças que, segundo o pesquisador, são inevitáveis. “A universidade precisa se adequar ao avanço tecnológico, porque é ela quem forma os profissionais que vão atuar no mercado daqui a alguns anos. Se ela não protagonizar essa mudança, corre o risco de passar ensinamentos obsoletos.”

Além do desafio imposto pela cultura universitária que ainda prioriza aulas expositivas, há, segundo o relatório, o desafio da infraestrutura e da expansão do acesso. “Acreditamos que isso seja um ponto que será solucionado com facilidade no Brasil, já que hoje quase todo o país é conectado. Ainda assim, é necessário pensar em políticas públicas que viabilizem o uso de internet principalmente aos estudantes de baixa renda. Sem isso, não há avanço”, conclui o especialista. O estudo do NMC em parceria com a Saraiva vai ainda acompanhar a inserção das tecnologias nas universidades pelos próximos três anos e a ideia é que, ao final desse processo, seja possível identificar os avanços que contribuíram para o ensino.

Greves pesam na escolha de alunos por universidades

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Paralisações frequentes podem fazer vestibulando desistir de algumas instituições

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Bárbara Ferreira, Estadão

Antes até de entrarem nas universidades públicas do País, os candidatos já se preocupam com as greves. Nessa etapa de preparação, uma das principais dúvidas é sobre como os calendários escolares podem ser afetados.

No último dia 19, a Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, encerrou uma greve de 116 dias, uma das maiores de sua história. Antes, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também haviam encerrado suas paralisações.

Na USP, unidades que aderiram à greve, como a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), cursarão o segundo semestre até fevereiro de 2015.

Com receio de que o curso de Medicina, com duração média de seis anos, se prolongue com possíveis paralisações, Camila Yumi Morita, de 19 anos, que faz cursinho no Etapa, passou a dar prioridade a uma faculdade particular no vestibular. “Com greves, o curso vai levar ainda mais tempo”, explica.

Com a ajuda dos pais, ela definiu que a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo – instituição privada com ingresso pelo exame da Fuvest – é a opção mais adequada para ela. “As greves foram um fator decisivo para essa escolha. Três meses sem aula, por exemplo, é tempo demais”, afirma.

Já segundo Átila Silva Zanone, diretor do colégio Elite Vale do Aço, de Minas Gerais, as paralisações da USP e Unicamp, duas das melhores universidades do País, não afetam a escolha da maioria dos alunos. Mas ele explica que as greves podem influenciar na decisão por instituições locais. “Em Minas, até pouco tempo atrás, universidades federais como as de Viçosa e de Ouro Preto, que têm historicamente mais greves, eram preteridas em relação à UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), localizada na capital.”

Escolas e universidades no Brasil desestimulam aluno empreendedor

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Escolas e universidades no Brasil desestimulam aluno empreendedor

Sabine Righetti, na Folha de S.Paulo

Responda rápido: o que é, na sua opinião, um estudante universitário bem sucedido?

Se você respondeu que é o aluno que consegue um estágio ou um trabalho em uma grande empresa –de preferência uma “multinacional”– você acaba de dar uma resposta muito comum entre brasileiros.

Aqui nos Estados Unidos, onde estou nesse momento, a resposta seria bem diferente. Nos EUA, um universitário bem sucedido é aquele que cria o seu próprio negócio. Ele identifica uma oportunidade, tem uma ideia e desenvolve uma solução. É um tipo Mark Zuckerberg, 30, que criou o Facebook quando ainda estudava em Harvard. Há vários exemplos como ele pelo país.

No Brasil, assim como em muitos países latino-americanos, ou países em desenvolvimento, as escolas e as universidades não preparam seus estudantes para criar, para arriscar, para ousar. O gol é trabalhar em uma empresa na sua área de estudos, ganhar bem e conseguir manter seu emprego.

De onde vem isso? Tenho algumas hipóteses.

A primeira hipótese é que países de economia historicamente instável, como o Brasil, tendem a educar seus jovens para que eles arrisquem menos. É assim: arrume logo seu emprego e não invente moda. Se você trabalhar para o governo, então, melhor ainda. Atire a primeira pedra quem é da minha geração (30-40 anos) e nunca ouviu dos pais que deveria trabalhar no governo.

Pois é.

Aqui, entramos na minha segunda hipótese: a própria família desestimula os brasileiros a se arriscarem a criar novos negócios e novas soluções. É melhor arrumar um emprego, não sabemos o dia de amanhã. Uma postura protecionista, muito parecida, aliás, com a de famílias de países árabes, por exemplo.

ERRAR É FEIO

Mais: no Brasil é “feio” errar. Se você errou, você não deveria nem ter tentando. Não te avisaram que poderia dar errado? Por que foi teimoso e insistiu em tentar? Essa é, na maioria das vezes, a lógica brasileira. Já nos EUA, errar tem uma ligação com “ousadia”. Só erra quem tentou fazer diferente. Isso é extremamente bem visto na cultura local.

Eu estou justamente nos EUA, que é um dos países mais inovadores do mundo, fazendo uma pesquisa para entender o processo de inovação e de empreendedorismo por aqui. Como exatamente a escola e a universidade aqui conseguem estimular o empreendedor?

No Brasil, algumas iniciativas foram criadas recentemente na tentativa de despertar o empreendedorismo. Mas tenho dúvidas sobre a eficiência delas.

Alguns cursos tradicionais de engenharia, como a Poli-USP, criaram uma disciplina opcional sobre “inovação” há alguns anos. Neste ano, a Poli-USP criou ainda um curso opcional chamado “empreendedorismo”. Mas falar sobre inovação e empreendedorismo em um contexto em que o aluno tem uma grade fixa e pouco flexível de disciplinas, com cerca de 40 horas-aula por semana, é, de fato, estimulante? Parece-me que não.

Da mesma forma, de nada adianta colocar bilhões de reais em agências federais de fomento de inovação sendo que quem poderia recorrer a esses recursos foi educado em uma cultura de pouco risco e muita insegurança.

Se a gente começar a mudar a educação agora –e mudar também o jeito como encaramos o risco e o erro–, talvez na próxima geração teremos mais empreendedores. Mas é preciso mudar agora.

Esse post foi escrito da Filadélfia, EUA, onde estou conduzindo uma pesquisa sobre inovação com apoio da Fundação Einsenhower.

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