Apaixonada por Histórias

Posts tagged Universidades

Maior grupo de educação dos EUA compra faculdade e entra no Brasil

0

apollo_phoenix
Publicado no UOL

O Apollo Group, maior grupo de educação dos Estados Unidos, anunciou sua entrada no mercado brasileiro. A operação envolve a compra de 75% na participação da Sociedade Técnica Educacional Lapa (Fael), por um valor aproximado em R$ 73,8 milhões (US$ 28,9 milhões).

“A operação está alinhada à estratégia de diversificar os serviços e expandir os negócios para o Brasil, um dos países que têm investido mais em educação superior, com o objetivo de satisfazer a demanda por profissionais qualificados no mercado”, diz Greg Cappelli, presidente-executivo do grupo.

A ideia do projeto é expandir os programas oferecidos pela Fael e melhorar sua qualidade, o que também abrange educação a distância.

O Apollo Group espera que o valor da operação seja diluído em seus resultados financeiros de 2015.

Além de ser dona da Universidade de Phoenix, nos Estados Unidos, a Apollo tem programas educacionais pela Europa, África, Austrália e Ásia.

Fundação Carolina oferece 540 bolsas de estudo na Espanha para latino-americanos

0
ThinkStock

ThinkStock

Publicado por Brasil Post

A Fundação Carolina abriu nesta quinta-feira (4), as inscrições para 540 bolsas de estudo nas universidades espanholas. Os cursos são dirigidos exclusivamente a estudantes de países latino-americanos, nas áreas de humanas, exatas e biológicas.

São 323 bolsas para mestrado, 93 de doutorado e pós-doutorado, 29 bolsas para docentes de universidades, 50 para cursos de especialização na Escola de Verão Complutense, 15 bolsas para o curso de empreendedorismo e 30 para estudos de relações institucionais.

Os cursos oferecidos são de instituições espanholas públicas e privadas com excelência acadêmica, como Universidade de Zaragoza, Universidade de Navarra, Universidade de La Laguna e Universidade de Granada.

Cada universidade tem seu próprio sistema de seleção, que inclui etapas que vão desde a análise dos documentos até entrevistas pessoais ou por webconferência. Os processos seletivos duram, em média, seis meses.

As inscrições para as bolsas de estudo na Escola de Verão Complutense ficarão abertas até o dia 10 de fevereiro. Para os cursos de pós-graduação e estudos institucionais o candidato deve se inscrever até o dia 4 de março. E as inscrições para as bolsas de doutorado e cursos para docentes vão até o dia 9 de abril.

Os candidatos podem encontrar todas as informações no site da Fundação Carolina.

As 15 melhores cidades para estudar no mundo; Paris no topo

0

Cidade Luz no topo

Franck Fife/AFP

Franck Fife/AFP

Camila Pati, na Revista Exame

São Paulo – Pela terceira vez seguida, Paris é considerada a melhor cidade para estudantes no mundo inteiro, segundo ranking da Quacquarelli Symonds (QS), consultoria britânica especializada em ensino superior.

Para classificar os destinos mais atraentes para estudantes, a QS avalia a qualidade das universidades de uma cidade, bem como a qualidade de vida que ela proporciona aos seus habitantes, além da acessibilidade em termos econômicos. Ao todo, são 18 critérios, segundo a equipe da QS.

A lista leva em conta a classificação das universidades de cada uma das cidades avaliadas no QS World University Rankings, um dos mais respeitados do mundo, que ranqueia centenas de instituições de ensino superior nos quatro cantos do planeta.

Vale destacar que só as cidades com mais de 250 mil habitantes e com ao menos duas universidades incluídas no World University Rankings são avaliadas. De acordo com a QS, 116 cidades entraram no páreo, e o ranking completo tem as 50 melhores.

Confira nas fotos, quais são as 15 cidades mais bem posicionadas, e a melhor universidade de cada uma delas:

1. Paris, França

Creative Commons

Creative Commons

Cidade: Paris
Pontuação: 412
Posição no ranking 2015: 1º
Posição no ranking 2014: 1º
Número de universidades no ranking da QS: 17
Melhor universidade no ranking: École normale supérieure ENS Paris – 17º melhor do mundo

2. Melbourne, Austrália

Creative Commons/ Rene Cunningham

Creative Commons/ Rene Cunningham

Cidade: Melbourne
Pontuação: 397
Posição no ranking 2015: 2
Posição no ranking 2014: 5
Número de universidades no ranking da QS: 7
Melhor universidade no ranking: University of Melbourne – 33ª melhor do mundo

3.Londres, Inglaterra

Mark Ahsmann/Wikimedia Commons

Mark Ahsmann/Wikimedia Commons

Cidade: Londres
Pontuação: 392
Posição no ranking 2015: 3
Posição no ranking 2014: 2
Número de universidades no ranking da QS: 18
Melhor universidade no ranking: Imperial College London – 2ª melhor do mundo

4. Sydney, Austrália

Wikimedia Commons

Wikimedia Commons

Cidade: Sydney
Pontuação: 388
Posição no ranking 2015: 4
Posição no ranking 2014: 4
Número de universidades no ranking da QS: 5
Melhor universidade no ranking: The University of Sydney – 37º melhor do mundo

5. Hong Kong

Sanfamedia / Flickr Commons

Sanfamedia / Flickr Commons

Cidade: Hong Kong
Pontuação: 387
Posição no ranking 2015: 5
Posição no ranking 2014: 7
Número de universidades no ranking da QS: 7
Melhor universidade no ranking: University of Hong Kong – 28ª melhor do mundo

6. Boston, Estados Unidos

Wikimedia

Wikimedia

Cidade: Boston
Pontuação: 386
Posição no ranking 2015: 6
Posição no ranking 2014: 8
Número de universidades no ranking da QS: 7
Melhor universidade no ranking: Massachusetts Institute of Technology (MIT) – a 1ª do mundo

7. Tóquio, Japão

Tomohiro Ohsumi/Bloomberg

Tomohiro Ohsumi/Bloomberg

Cidade: Tóquio
Pontuação: 385
Posição no ranking 2015: 7
Posição no ranking 2014: 17
Número de universidades no ranking da QS: 12
Melhor universidade no ranking: University of Tokyo – a 31ª melhor do mundo

8. Montreal, Canadá

Divulgação/ Flickr Ville de Montréal/ Denis Labine

Divulgação/ Flickr Ville de Montréal/ Denis Labine

Cidade: Montreal
Pontuação: 380
Posição no ranking 2015: 8
Posição no ranking 2014: 9
Número de universidades no ranking da QS: 3
Melhor universidade no ranking: McGill University – 21ª melhor do mundo

9. Toronto, Canadá

Alberto E. Rodriguez/Getty Images

Alberto E. Rodriguez/Getty Images

Cidade: Toronto
Pontuação: 375
Posição no ranking 2015: 9
Posição no ranking 2014: 13
Número de universidades no ranking da QS: 3
Melhor universidade no ranking: University of Toronto – a 20ª melhor do mundo

10. Seoul, Coreia do Sul

Wikimedia Commons

Wikimedia Commons

Cidade: Seoul
Pontuação: 372
Posição no ranking 2015: 10
Posição no ranking 2014: 14
Número de universidades no ranking da QS: 14
Melhor universidade no ranking: Seoul National University – a 31ª melhor do mundo

11. Zurique, Suíça

Mike Hewitt/Getty Images

Mike Hewitt/Getty Images

Cidade: Zurique
Pontuação: 370
Posição no ranking 2015: 11
Posição no ranking 2014: 11
Número de universidades no ranking da QS: 2
Melhor universidade no ranking: ETH Zurich – 12ª melhor do mundo

12. Vancouver, Canadá

Bruce Bennett/Getty Images

Bruce Bennett/Getty Images

Cidade: Vancouver
Pontuação: 364
Posição no ranking 2015: 12
Posição no ranking 2014: 21
Número de universidades no ranking da QS: 2
Melhor universidade no ranking: University of British Columbia – a 43ª melhor do mundo

13. São Francisco, Estados Unidos

Getty Images

Getty Images

Cidade: São Francisco
Pontuação: 360
Posição no ranking 2015: 13
Posição no ranking 2014: 12
Número de universidades no ranking da QS: 4
Melhor universidade no ranking: Stanford University- a 7ª melhor do mundo

14. Munique, Alemanha

Wikimedia Commons

Wikimedia Commons

Cidade: Munique
Pontuação: 359
Posição no ranking 2015: 14
Posição no ranking 2014: 10
Número de universidades no ranking da QS: 2
Melhor universidade no ranking: Ludwig-Maximilians-Universität München – a 53ª melhor do mundo

15. Cingapura

JeCCo/Creative Commons

JeCCo/Creative Commons

Cidade: Cingapura
Pontuação: 357
Posição no ranking 2015: 15
Posição no ranking 2014: 3
Número de universidades no ranking da QS: 3
Melhor universidade no ranking: National University of Singapore – a 22ª melhor do mundo

Agora veja as melhores universidades do Brasil no ranking da consultoria QS

Marcos Santos/USP Imagens

Marcos Santos/USP Imagens

Universidades de ponta abrem inscrições para bolsas de estudos. Saiba como concorrer

0

Mapa mostra mais de trinta opções cursos de pós-graduação em cinco áreas de estudo que oferecem bolsas integrais ou parciais para brasileiros. Aulas começam no segundo semestre de 2015

Universidade de Yale, nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

Universidade de Yale, nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

Bianca Bibiano e Luana Massuella, na Veja on-line

Nessa época do ano, as principais universidades da Europa e dos Estados Unidos abrem inscrições para os processos seletivos de bolsas de estudo para cursos de pós-graduação. Os programas podem cobrir desde uma parte das despesas universitárias até os gastos pessoais do estudante durante a estadia no exterior. “As bolsas de estudos têm sido um grande atrativo para os brasileiros, que são bem recebidos nas universidades devido às suas qualificações acadêmicas, facilidade de entrosamento, perfil de liderança, iniciativa e criatividade”, diz Anna Laura Schmidt, coordenadora de projetos da Fundação Lemann, instituição que financia bolsas de estudos em universidade de ponta, como Harvard, Stanford e Yale, nos EUA.

As vantagens para a carreira do profissional que estuda no exterior vão além da formação acadêmica. “O aprimoramento do idioma, a troca de experiência com estudantes de outras nacionalidades e a vivência em outro país resultam em amadurecimento pessoal e profissional”, diz Leonardo de Souza, diretor-executivo da empresa de recrutamento de executivos Michael Page.

Além do programa Ciência Sem Fronteiras, que oferece bolsas de estudos no exterior para estudantes e profissionais das áreas de engenharia, ciências e tecnologia, a maioria das universidades na Europa e nos Estados Unidos investe em programas de internacionalização e oferece bolsas de estudos para pessoas da América Latina, África, Ásia e Oriente Médio em diversas outras carreiras. Em alguns cursos, cerca de 25% dos estudantes não são nativos.
Participar desses programas, contudo, não é tão simples. Cada universidade tem seu próprio sistema de seleção, que inclui etapas que vão desde a análise dos documentos até entrevistas pessoais ou por webconferência e que começam cerca de seis meses antes do início do curso. Para ajudar estudantes na procura por uma bolsa, o site de VEJA fez uma seleção de 30 cursos de mestrado, doutorado e MBA que oferecem bolsas integrais ou parciais.

Como se inscrever — A inscrição para os programas de bolsa é feita em duas etapas paralelas: a admissão na universidade e a obtenção da bolsa. Isso porque as bolsas são ofertadas por fundações ou grupos de apoio que financiam estudos, como a Fundação Lemann e o Instituto Ling, ambos brasileiros. Além disso, também é possível concorrer pelo processo interno nas universidades, que oferecem bolsas parciais de acordo com o currículo do candidato.

Para ser selecionado na universidade, o primeiro passo é escolher um curso de interesse. No mapa elaborado por VEJA.com, é possível escolher programas de bolsas de estudo em cinco áreas: negócios, saúde, educação, direito e ciências humanas. Depois, é preciso saber qual curso se enquadra melhor no perfil do candidato. Para isso, basta clicar no nome da universidade no mapa. No site de cada universidade, o candidato encontra informações detalhadas sobre as áreas de estudo priorizadas em cada instituição de ensino e sobre os programas de pesquisas em andamento.

Os processos seletivos são feitos apenas pela internet. Para isso, serão necessários: cópias digitalizadas de diploma universitário; histórico do curso com as notas obtidas em cada disciplina; documentos pessoais; currículo e cartas de recomendação, em inglês, de profissionais ou professores universitários; e certificado de fluência em inglês, que pode ser TOEFL ou IELTS, dependendo da universidade.

É importante atentar para o período de inscrição para envio de toda a documentação necessária. As entrevistas pessoais ou por telefone e outras solicitações serão feitas nos meses seguintes, após o fim do prazo. “Diferente da pós-graduação no Brasil, em que existe uma seleção quantitativa para seleções de bolsas de estudo, no exterior a seleção é mais qualitativa, baseada nos objetivos do profissional, no histórico acadêmico e na sua capacidade de mostrar liderança”, explica Anna Laura. As entrevistas são usadas para detalhar esses aspectos e para comprovar a fluência em inglês do candidato.

Feira divulga vagas na Europa — Entre os dias 29 e 30, os interessados em estudar na Europa podem entrar com em contato com representantes de  diversas universidades na feira Euro-Pós, que acontece no Centro de Eventos São Luiz, em São Paulo. Promovida pelas instituições de fomento ao ensino superior da França (Campus France), Alemanha (DAAD – Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) e Holanda (Nuffic – Organização Neerlandesa para a Cooperação Internacional no Ensino Superior), o evento contará com a participação de países como Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Reino Unido, Irlanda, Hungria, Suíça, Holanda, Alemanha e Itália.

“Será uma oportunidade para que os estudantes interessados em cursos superiores na Europa conheçam mais sobre a instituição onde desejam estudar. Serão 85 expositores entre universidades europeias e instituições oficiais de informação”, afirma Silvia Bauer, coordenadora de marketing do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico. A feira tem entrada gratuita e fica aberta das das 14h às 19h. Para mais informações, acesse o site do evento.

Estupros na USP expõem omissão de universidades

0

As denúncias recentes de casos de estupro ocorridos em uma das faculdades mais tradicionais do país expuseram um problema recorrente em várias universidades brasileiras: a omissão das instituições para coibir os abusos em trotes e festas universitárias, especialmente com os chamados “calouros”, que recém-ingressaram na universidade.

Alunas da FMUSP relatam abuso sexual em festas da faculdade em audiência pública

Alunas da FMUSP relatam abuso sexual em festas da faculdade em audiência pública

Renata Mendonça, na BBC Brasil

As alunas da Faculdade de Medicina da USP em São Paulo (FMUSP), vítimas de abusos sexuais em duas festas realizadas dentro do campus, chegaram a denunciar seus agressores, mas se disseram “silenciadas” pela universidade.

“O que essas meninas que sofreram violências mais relatam pra gente de resposta institucional é o silêncio”, conta Ana Luiza Cunha, aluna do 3º ano de medicina e uma das fundadoras do Coletivo Geni, um grupo criado para dar voz às vítimas de violência dentro da FMUSP.

“Essas violências são conhecidas por quem está lá dentro há muito tempo, mas a diretoria se omite, fala que não sabia.”

A FMUSP, porém disse que “se coloca de maneira antagônica a qualquer forma de violência e tem se empenhado em aprimorar seus mecanismos de prevenção destes tipos de casos, apuração de denúncias e acolhimento das vítimas.”

Os casos recentes reacenderam o debate sobre a responsabilidade das universidades diante do que acontece em trotes e festas vinculadas a ela.

Coletivo feminista Geni vestiu camisa contra o machismo em festa no início do ano e sofreu hostilizações

Coletivo feminista Geni vestiu camisa contra o machismo em festa no início do ano e sofreu hostilizações

Legislação

Não há lei federal que discorra sobre o trote universitário por enquanto – há um projeto de lei que ainda tramita no Congresso. No entanto, no caso de São Paulo, já há uma legislação específica que proíbe o trote violento atribuindo às instituições a responsabilidade por adotar medidas preventivas e impedir a prática dele.

Segundo essa lei (nº 10.454) – que entrou em vigor em 1999, após um calouro de medicina ter morrido afogado em um trote da USP -, a universidade pode ser responsabilizada por um aluno agredido ainda que o trote tenha acontecido fora das dependências dela, “porque a relação entre os alunos está ligada à entidade.”

Para a promotora do Ministério Público do Estado de São Paulo, Paula Figueiredo, que instaurou um inquérito para apurar os casos de violações aos direitos humanos na USP, a universidade tem o dever de investigar esse tipo de violência. “As coações aos novatos ocorreram lá dentro, há, sim, um dever da faculdade de apurar o que aconteceu e dar uma resposta”, disse à BBC Brasil.

A promotora explica que, mesmo em casos de festas organizadas por Atléticas – como é o caso da Carecas no Bosque, onde ocorreu um dos abusos -, “a diretoria da universidade tem responsabilidade por tudo o que acontece dentro do campus.”

O inquérito foi instaurado e agora Paula Figueiredo segue ouvindo depoimentos dos envolvidos. Segundo ela, se for comprovado que “a conduta da instituição gerou danos a uma pessoa, ela pode ter que fazer medidas compensatórias concretas, como uma manifestação expressa de retratação ou até promover políticas de inclusão.” Há ainda a possibilidade de ela ter que pagar uma indenização para o fundo de direitos coletivos que financia ações sociais.

Relatos

Relatos de abusos – sexuais ou físicos – em trotes ou festas universitárias não são uma exclusividade da FMUSP e costumam ser recorrentes nas universidades brasileiras em geral.

“Tem muito disso. Mulheres que têm que simular sexo oral na banana, tenho um amigo que teve um cigarro apagado na mão por um veterano”, conta uma estudante da Unesp Botucatu (SP) que não quis ser identificada.

Na UFMG, uma caloura foi pintada com tinta marrom, enrolada em uma corrente e chamada “Chica da Silva” em 2013. Na UFPR, em 2012, os veteranos do curso de Direito distribuíram um manual de sobrevivência dos calouros ensinando “como se dar bem na vida amorosa utilizando a legislação brasileira.”

Manual de conduta entregue aos bixos de Direito da UFPR em 2012

Manual de conduta entregue aos bixos de Direito da UFPR em 2012

A Unesp de Bauru tem o tradicional “leilão de RP (Relações Públicas)”, em que calouras desfilam para veteranos do curso de Engenharia e são leiloadas em lotes – eles pagam uma quantia (que pode ser de R$ 50, R$ 100) e levam as calouras para as repúblicas. Até 2007, o evento acontecia em uma sala de aula, mas foi proibido pela faculdade e atualmente ocorre em repúblicas.

Segundo a coordenadora do programa USP Diversidade (vinculado à pró-reitoria), Heloisa Buarque, “esse escândalo da USP acontece não por causa dos rituais, mas pelo estupro, porque isso ninguém pode aceitar”. “A imagem da FMUSP é importante, mas é o momento de ela mostrar que ela não vai aceitar mais isso. Há tradições que não têm que ser mantidas.”

Muitas vezes, por serem considerados uma “tradição” dos cursos, os rituais impostos por veteranos nos trotes acabam sendo encarados como algo “normal” para os alunos novos.

“Isso é meio perverso porque realmente ninguém está lá contra a vontade, mas normaliza-se a violência a um ponto de as pessoas pensarem ‘eu tenho que aturar essa violência pra fazer parte disso'”, disse Ana Luiza. Ela conta que o próprio Coletivo Geni sofre hostilizações na USP de pessoas que não concordam com as “violências” que elas estão denunciando.

“Muitos falam que é culpa da vítima, que não é abuso porque a menina estava bêbada e permitiu. Outros vieram nos criticar quando usamos uma camiseta contra o machismo no trote dizendo que ‘não tem machismo na faculdade'”.

Combate

Algumas faculdades promovem atividades culturais ou o chamado “trote solidário” para substituir os tradicionais rituais de tinta e brincadeiras praticados pelos veteranos. Além disso, algumas criaram ouvidorias ou “disque-trote” para os alunos fazerem denúncias.

No IME, calouros simulam sexo com mulher desenhada no chão

No IME, calouros simulam sexo com mulher desenhada no chão

A Unesp Botucatu chegou a abrir uma Comissão Central de Sindicância esse ano para apurar abusos em trotes – no mês passado, essa comissão anunciou a expulsão de Luís Yori Almeida Galvão, aluno da Medicina, acusado de praticar o trote violento. Já a Unicamp coloca comissões de plantão para fiscalizar o trote dos cursos.

Algumas faculdades particulares enfrentam o mesmo problema e também buscaram soluções. No caso da PUC, em Sorocaba, alunos da medicina criaram um Grupo de Apoio ao Primeiranista, que inclui núcleos e apoio psicológico e social para dar suporte a calouros que sofram eventuais violências ou tenham algum tipo de problema na faculdade.

A Faculdade de Medicina do ABC implantou câmeras pelo campus e também criou sindicâncias para investigar abusos. Em uma delas, dois alunos foram expulsos e quatro suspensos por terem levado calouros a um educandário próximo à faculdade e aplicado o trote do “cartão vermelho” (colocaram pimenta no ânus dos alunos).

No entanto, a punição acabou sendo revertida. “Os alunos foram à Justiça Comum e conseguiram reverter. O Ministério Público tem que trabalhar junto com as faculdades pra isso. Tem que mexer na lei”, disse à BBC Marco Akerman, à época vice-diretor da Faculdade de Medicina do ABC e atualmente professor da Faculdade de Saúde Pública da USP.

“Nossa formação é universitária, não é diversitária. Acaba sendo machista porque a maioria dos professores e diretores são homens, e aí vai se formando uma cultura de formação machista, homofóbica e racista”, explicou.

“A Universidade tem que assumir a organização do trote e das atividades de recepção junto com alunos. Tem que tirar isso da penumbra, mostrar pra sociedade o que está acontecendo.”

Proibição

Outra opção muito discutida nas universidades – inclusive na FMUSP – é a proibição de festas com álcool dentro do campus. Essa medida foi adotada pela Faculdade de Medicina do ABC, mas não agradou nem aos alunos, nem aos pais deles.

“Recebemos um abaixo-assinado com 600 assinaturas de alunos e 150 de pais. Eles acham que é mais seguro os filhos irem a festas na faculdade do que fora dela”, disse Akerman.

Concurso de "Miss Bixete" é comum nos trotes de universidades do Estado de São Paulo

Concurso de “Miss Bixete” é comum nos trotes de universidades do Estado de São Paulo

A FMUSP por enquanto apenas suspendeu as festas no campus. Na semana passada, a diretoria anunciou a “criação do Centro de Defesa dos Direitos Humanos, com assistência jurídica, ouvidoria, assistências psicológica e de saúde, para apoio de alunos da instituição que se sentirem vítimas de qualquer tipo de violação”, e disse que vai ampliar o sistema de vigilância, além de estabelecer novas regras para o consumo de álcool na faculdade.

O Coletivo Geni está otimista com as medidas e espera que as ações sejam estendidas a toda USP. “A universidade tem que fazer uma autocrítica, tem que sair do seu isolamento e voltar a se preocupar com o tipo de aluno que ela está formando e se esses profissionais vão trazer uma transformação da sociedade para que ela não seja só uma fábrica de diplomas”, concluiu Ana Luiza.

Go to Top