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Professor põe acervo de livros e documentos para doação em Ribeirão Preto (SP)

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Publicado na Folha de S.Paulo

Um azulejo português pintado à mão do século 19. Uma revista francesa de 1912 que trouxe a notícia da tragédia com o Titanic e o livro “Thesouro da Língua Italiana”, do professor Antonio Michele, impresso em 1807.

Estas e outras relíquias fazem parte do acerto do professor Jorge de Azevedo Pires, 84, de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), que decidiu doá-lo. Porém, ainda não há interessados.

Ele afirmou que entrou em contato com instituições, como universidades, mas que, até o momento, ninguém manifestou interesse pelo acervo do professor.

“Acho triste o país que não tem memória”, afirmou.

“Acho que é obrigação manter tudo isso, para que se tenha um futuro documentado”, completou.

Pires tem uma biblioteca que conta com cerca de 6.000 títulos, como um Atlas do Brasil de 1909, por Francisco Homem de Mello.

Além de livros, há edições de revistas e jornais antigos –como “O Novo Mundo”, de 1876, impresso na França e escrito em português.

Numa das edições, há a cobertura da ida de Dom Pedro 2º para a Exposição Universal de Filadélfia, nos EUA.

O evento, primeira feira internacional daquele país, inaugurou a era das grandes exposições americanas, segundo o professor.

“Fico impressionado com as imagens, ricas em detalhes. Foram feitas em bico de pena”, afirmou.

CARTA

Mas a peça considerada mais rara por Pires é um mapa, de 1882, que remonta à história da humanidade.

Chamada de “Carta Sincronológica da História Universal”, de Francisco Zavala, o documento mostra a história a partir de 4.000 a.C. até o ano em que foi publicado.

“Provavelmente, é a única peça desta no Brasil”, disse.

De material impresso, o acervo é grande. Por ele, é possível conhecer 318 primeiras capas de revistas brasileiras e estrangeiras.

Também é possível conhecer um pouco sobre a história de Ribeirão e as transformações sociais da cidade.

Numa coluna escrita à uma revista local em 1939, o escritor Menotti del Pichia criticou que mulheres andassem de bicicleta à época.

Disse que “não há nada mais feio que uma mulher andando de bycicleta (sic)”, e lamentou que uma bela avenida da cidade estava “infestada” por este transporte.

O gosto de Pires pela história começou quando era garoto. Ele disse que começou a comprar livros aos 11 anos, enquanto morava em Santos.

Universidades melhores no ensino buscam autonomia para seus alunos

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Publicado na Folha de S.Paulo
Dar aos alunos autonomia e responsabilidade para solucionar problemas é o objetivo de métodos adotados em universidades com ensino bem avaliado no RUF 2014.

As características aparecem em cursos da UFMG, UFRJ, UnB, UFSCar e USP, que ficaram entre as melhores na análise que considera fatores como opinião dos avaliadores do Ministério da Educação. Os resultados foram divulgados nesta segunda (8).

Por meio de diferentes metodologias, a ideia é fazer os estudantes buscarem soluções para situações da futura profissão, em vez de ficarem nas cadeiras de sala de aula de forma passiva.

Em matéria sobre mediação de conflitos no curso de direito na UFMG, o professor apresenta casos em que pode haver conciliação entre as partes, como a briga de vizinhos devido a uma obra.

A turma foi dividida em três. Cada vizinho foi representado por um grupo e o terceiro fez o papel de conciliador. Ao professor coube balizar as discussões.

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A metodologia foi pesquisada na França pela professora Adriana Orsini. “Você só consegue passar a matéria se não fizer o ensino que o [educador] Paulo Freire chamava de ‘bancário’, que é aquela história de ficar num pedestal despejando coisa.”

Nas aulas de engenharia química da UFRJ, o professor divide a sala em grupos e dá um tema para cada um estudar por uma semana. No horário da aula, o grupo entra em um site para responder conjuntamente a questões elaborados pelo professor.

A metodologia foi inspirada em experiências da Universidade Harvard e do MIT (instituições americanas).

“É preciso ter mudança cultural na universidade brasileira. Ela é, basicamente, a mesma em que o meu bisavô estudou”, disse o professor Eduardo Sodré, da UFRJ.

Na medicina da UFSCar, os estudantes também são divididos em grupos, em vez das aulas tradicionais, para resolver problemas reais na área, desde o início do curso.

Já na enfermagem da Universidade de Brasília, alunos simulam em robôs situações reais de atendimento.

Na Escola Politécnica da USP, estudantes atuam em equipes para resolver problemas propostos por empresas. Dali já saíram soluções para rotulagem de alimentos.

As inovações foram implementadas em algumas disciplinas dos cursos dessas tradicionais instituições. “A universidade é conservadora”, afirma Sodré, da UFRJ.

Licenciatura tem currículo frágil, avalia especialista

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Estudos mostram que os docentes universitários têm dificuldade de ensinar

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Publicado no R7

Avaliando o nível de qualidade da formação de professores no País, Bernadete Gatti, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas e especialista no assunto, afirma que as licenciaturas têm currículos muito frágeis, as ementas e bibliografias são genéricas e não dão formação suficiente.

— Há uma redução de formação de conhecimento oferecido em boa parte das instituições. Elas têm tirado horas de formação disciplinar para atividades complementares, seminários culturais que a gente não sabe bem o que é. As instituições não estão encarando a formação desse profissional com seriedade. Vai de qualquer jeito, como se qualquer um pudesse ensinar. Não é verdade.

Em 2008, Bernadete analisou a formação inicial das licenciaturas e afirma que desde então duas atualizações na pesquisa que mostraram o mesmo panorama:

— O currículo continua tradicional, com estrutura do início do século 20. Não tem 10% de formação em educação, de metodologia, prática de ensino, didática. Esse aluno vai para uma escola sem saber onde está, o que é uma rede, uma sala de aula. As licenciaturas nunca foram um foco de política coerente.

Ainda segundo a especialista, a maioria dos países tem faculdade ou centro que forma professor. Nós não. “Cada licenciatura está no nicho e não se encontram. A ideia nos outros países é que tem uma base formativa comum para todos e depois diversifica a formação. Defendo um centro de formação, para onde convergiriam os institutos básicos.

Estudos têm mostrado que os docentes das faculdades de formação de professor têm dificuldade de ensinar. Até em instituições públicas. Temos percebido isso principalmente por causa do programa de iniciação à docência do MEC (Ministério da Educação), o Pibid. No Pibid tem de fazer um projeto para atuar na escola, que envolve o aluno, o professor supervisor e a escola. Às vezes, ele vem de área que não tem licenciatura e está tomando um choque.”

Para explicar o que ocorre no Brasil, Bernadete afirma que outros países se preocuparam com a preparação do professor paralelamente com a reforma curricular. E o Brasil não conseguiu pensar assim.

— A formação inicial é da competência do MEC. Mas o problema é que nunca tivemos uma política para atuar nacionalmente. Precisamos de uma política que pudesse atuar nessa direção. Porque vai ter de mexer com instituições públicas e privadas. E praticamente 75% dos cursos estão nas privadas. Um instituto superior de educação ficaria caro, porque teria de manter a estrutura.

Para melhorar a relação entre a universidade e a escola, ela observa que as condições de formação deveriam melhorar, sobretudo os programas de estágios, “o estágio curricular não tem projeto claro, acompanhamento efetivo nem avaliação consistente. Precisaríamos de financiamento para os estágios”.

Bernadete acredita que a questão salarial e de carreira tem que ocorrer paralelamente, “temos a Lei do Piso, que ajudou muito para algumas partes do Brasil, porque a gente tem diferenças. Tem de mudar a formação, mas também fazer estrutura de carreira mais condizente.

A carreira não é só salário inicial. Pela pesquisa que fizemos de atratividade, vimos que o jovem pensa na projeção a longo prazo. Qualquer profissional atua mais tranquilamente com melhor salário e carreira. Mas a gente tem dificuldade de olhar o professor como um profissional. Não tem prestígio. Eu sei que o custo do setor público seria bastante elevado, mas gastamos com tanta besteira.

A União precisa pôr mais dinheiro no Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). A educação determina melhoria na saúde, no cuidado do meio ambiente. Aprendi que não adianta discurso. Vamos ver para onde vai o dinheiro. Onde está o dinheiro é a verdadeira política. Onde está e como é usado”.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Google Street View amplia visita virtual a universidades

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Serviço “Campi Universitários” acrescenta imagens de 36 instituições dos Estados Unidos e Canadá

Universidade de Miami no Street View, do Google (Reprodução/VEJA)

Universidade de Miami no Street View, do Google (Reprodução/VEJA)

Renata Honorato, na Veja

O projeto Campi Universitários, do Street View, que já oferecia visitas virtuais às universidades de Stanford e San Diego, acrescenta nesta quinta-feira imagens de 36 instituições americanas e canadenses: é o caso das universidades John Hopkins, Brown, Duke, Georgetown, Miami e Calgary. O serviço foi desenvolvido para ajudar estudantes a conhecer as universidades antes de iniciarem seus processos seletivos.

Os brasileiros podem visitar os campi a partir do serviço Street View, mas infelizmente não encontrarão universidades do Brasil mapeadas pelo Google. Além da América do Norte, outras regiões devem ser contempladas pelo projeto em breve.

Segundo o Google, a coleta das imagens dos campi aconteceu por meio de um equipamento chamado Trekker, um sistema de câmera acoplado a uma mochila. O procedimento foi o mesmo usado nos estádios de futebol que sediaram a Copa do Mundo no Brasil e que entraram no Street View às vésperas do Mundial. Confira na lista a seguir dez universidades que já podem ser visitadas digitalmente:

Dez novas universidades no Street View

Universidade Duke
Estado: Carolina do Norte (Estados Unidos)
Número de alunos: 14.600 (2013)

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Universidade de Georgetown
Estado: Washington, D.C. (Estados Unidos)
Número de alunos: 17.357 (2012)

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Universidade de Johns Hopkins
Estado: Maryland
Número de alunos: 21.327 (2013)

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Universidade Estadual da Carolina do Norte
Estado: Carolina do Norte (Estados Unidos)
Número de alunos: 34.009 (2012)

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Universidade de Miami
Estado: Flórida (Estados Unidos)
Número de alunos: 16.935 (2013)

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Universidade Brown
Estado: Rhode Island (Estados Unidos)
Número de alunos: 8.619 (2013)

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Universidade de Michigan
Estado: Michigan (Estados Unidos)
Número de alunos: 43.710 (2013)

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Universidade de Oklahoma
Estado: Oklahoma (Estados Unidos)
Número de alunos: 30.813 (2013)

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Universidade de Calgary
Estado: Alberta (Canadá)
Número de alunos: 31.495 (2013)

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Universidade Vanderbuilt
Estado: Tennessee (Estados Unidos)
Número de alunos: 12.757 (2013)

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Filho de ferroviário arrecada R$ 15 mil na internet para bancar estudos em Stanford, nos EUA

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O estudante Jessé Candido, de 17 anos (foto: Arquivo Pessoal)

O estudante Jessé Candido, de 17 anos (foto: Arquivo Pessoal)

Leonardo Vieira, em O Globo

Filho de um ferroviário e ex-aluno de escola pública, um jovem de 17 anos aprovado em nada menos que seis universidades americanas conseguiu arrecadar mais de R$ 15 mil em uma campanha na internet para financiar sua graduação. Assim, Jessé Leonardo Justino Cândido embarca em setembro para a conceituada Universidade de Stanford, na Califórnia. Essa é apenas mais uma história bem-sucedida de crowdfunding na educação, prática que vem crescendo segundo sites que acolhem as campanhas.

Jessé frequentou aulas em uma escola municipal até a 4ª série do ensino fundamental, quando conseguiu uma bolsa integral para estudar no Colégio Antônio, em Ourinhos (SP). Lá, o menino começou a alimentar seu sonho pela Física e pelas engenharias. Caçula de mais três irmãos, sendo dois bombeiros e uma estudante de Medicina, ele quis traçar seu caminho.

Enquanto não chegava o momento de ir para a universidade, Jessé foi colecionando conquistas em outras áreas acadêmicas. Ao longo do ensino médio, foram 17 medalhas em olimpíadas científicas estaduais e nacionais de Física, Oceanografia, Robótica, Química, Astronomia e Astronáutica. No ano passado, em época de vestibular, o menino conquistou o 1º lugar no Desafio Brasileiro de Matemática Pré-Universitária do Brilliant.

Aprovado em Física na Ufscar, em São Carlos (SP), Engenharia Mecatrônica na UFPR e Medicina na Unioeste (PR), ele foi aceito em Columbia, Universidade de Nova York, Middlebury College, Skidmore College e Universidade Minerva.

— Escolhi Stanford não só pela qualidade do ensino. Lá eu vou cursar o ciclo básico de exatas nos dois primeiros anos e, depois, poderei escolher Física ou Engenharia. Aqui eu teria que decidir agora — explica o rapaz, que participou do programa de financiamento coletivo da Fundação Estudar, que auxilia alunos do ensino médio na obtenção de vagas em instituições americanas. Ele gravou um vídeo contando seus sonhos e pedindo uma pequena ajuda para cumprir sua meta, de R$ 10 mil. Seu apelo está desde o dia 15 de março na plataforma da fundação, com prazo que deve terminar na próxima terça-feira.

OUTROS 16 APROVADOS E FINANCIADOS

Além dele, outros 16 estudantes aprovados em universidades americanas se valeram das “vaquinhas” on-line. Quatro deles conseguiram atingir as metas. Andreia Sales, de 17 anos, é uma delas. Filha de um piloto de aviação comercial e uma engenheira civil, Andreia explica que quis unir os dois conhecimentos em uma só atividade: ser astronauta da Nasa. Com uma vaga garantida na Universidade do Colorado, ela ultrapassou a meta de R$ 12 mil para financiar seus estudos iniciais nos EUA:

— Quero levar o nome do Brasil cada vez mais longe e aumentar a participação das mulheres na ciência.

O crowdfunding na educação já é praticado pela Fundação Estudar desde o ano passado, quando 14 estudantes participaram e oito atingiram as próprias metas, arrecadando mais de R$ 260 mil. Somente para este ano mais de 200 alunos participam do preparatório.

A gerente de educação da fundação, Renata Moraes, explica que as universidades americanas não exigem só boas notas. Segundo ela, o ideal é o candidato participar de projetos sociais, competições e iniciativas que demonstrem proatividade:

— Enquanto você mostra suas boas notas, tem gente que também tem notas altas e ainda dá aulas em um pré-vestibular social. É isso o que as universidades americanas querem. Ir bem nas matérias é só uma obrigação.

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